O número de crianças atingidas pelo conflito na Síria chega a 5,5 milhões. Acredita-se que crianças sejam alvos preferenciais de franco-atiradores porque dificilmente serão abandonadas e irão requerer muitos cuidados. Estima-se que mais de 2 milhões de crianças irão requerer tratamento psicoterápico para se recuperar dos traumas sofridos (link). Como chegamos a isso? Certamente muitos fatores podem ter contribuído para isso, mas pretendo explorar a tese da falta de democracia na Síria.
A Síria era um regime que tinha eleições que eram sempre vencidas pelo partido da família Assad, portanto, era uma democracia de fachada. O ditador inclusive já anunciou sua intenção de se candidatar novamente em 2014. A meu ver, o problema aconteceu quando houve grande insatisfação popular que a falta de instituições democráticas foram incapazes de canalizar para uma mudança de governo. Se as tais manifestações tivessem ocorrido na Inglaterra, por exemplo, provavelmente teriam levado à queda do primeiro-ministro e possivelmente a dissolução do parlamento. Como não haviam instituições democráticas reconhecidas, o país mergulhou na guerra civil. Quem quer que ganhe essa guerra receberá um país em ruínas e um povo arrasado.
A democracia é uma M*. Nela temos que tolerar opiniões diferentes da nossa. Suportar decisões que contrariam nossos valores e interesses, mas fazemos isso com a fé e a esperança na participação e no diálogo. Quando não temos democracia, temos a situação da Venezuela onde milícias pró-governo matam manifestantes e há uma escalada de violência que provavelmente não deverá levar o país a guerra civil, mas irá agravar em muito as dificuldades econômicas e de segurança já vividas pela população.
Quando vejo pessoas defendendo o voto nulo acho que até entendo sua desilusão com o sistema democrático que é bastante falho e conta com pessoas mais falhas ainda. Entretanto, na ausência de eleições, o que nos resta para buscar um governo que atenda as expectativas da população? Resta a guerra civil que destruirá o país.
Na minha opinião, o maior feito de Mandela foi ter conduzido a transição de forma que a África do Sul não fosse mais um dos países africanos a entrar em guerra civil. O regime do apartheid já estava condenado desde fins da década de 70 e a sua elite encontrou nele o homem capaz de fazer a transição sem jogar o país no abismo. Talvez um dos segredos do processo seja a existência de instituições democráticas que foram mantidas em algum grau apesar do Congresso Nacional Africano ter ganho todas a eleições desde o fim do apartheid. Veja que não é fácil manter uma democracia viva.
No Brasil, temos o PT e um sonho de poder sem fim. Não creio que isso seja bom para o Brasil, pois não basta que haja democracia dentro do partido, é preciso que as instituições sejam democráticas e o que sustenta a democracia é a alternância de poder. Aliás, democracia de verdade não existe dentro do PT como se podem ver nas denúncias de Valter Pomar do abuso do poder econômico nas eleições internas (link).
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21 março 2014
14 outubro 2013
Titulares à sombra dos seus reservas
Hoje, na política brasileira, temos uma situação curiosa. Os três principais candidatos à presidência da República estão à sombra de seus reservas. A começar pela Dilma, que vive na sombra do Lula, passando por Aécio, que não tem a projeção nacional do Serra, e pelo Eduardo Campos, que ainda não é tão popular quanto a Marina.
Especula-se que Dilma iria para o banco de reservas se sua intenção de voto caísse abaixo de 30%. Independente disto o Lula já está em campanha. De fato, ele foi talvez o presidente que menos governou o Brasil. Ele nunca parou de fazer campanha. Infelizmente, para o Brasil, o único inimigo à altura do Lula tem sido o seu câncer. Se ganhar a próxima eleição, ele terá dominado o Brasil por mais tempo que Getúlio Vargas, que ficou 15 anos no poder.
Para Eduardo Campos, sua candidatura seria inviável se ele não crescer na intenção de voto, pois simplesmente não haveria segundo turno, o que forçaria a entrada de Marina como cabeça de chapa. De qualquer forma, é melhor para o PSB ter duas cabeças, pois o jogo é duro contra o PT. Depois do anúncio da candidatura, o PSB perdeu 20 deputados. Bom trabalho Lula. Se bem que uma parte dos que saíram estão ligados ao Ciro, que teve um ataque de pelanca por não ser ele o candidato. Cá entre nós, trocar o Ciro pela Marina parece ótimo negócio.
Para Aécio, a situação é mais confortável, pois a tendência é que os votos da direita venham para ele. E ele ainda é senador e controla a máquina do partido, portanto as chances de Serra são menores, mas em política tudo é possível. Considerando que ele enfrenta os eternos boatos de que é um cheirador...Será que teriam coragem de usar isto contra ele? Só se ele crescesse muito.
O PT chegou a representar a renovação na política quando, em 1979, rompeu a polarização entre ARENA e MDB. Foi também um avanço por não ter sido uma das siglas criadas por Getúlio, mas hoje o PT representa um novo tipo de autoritarismo à semelhança dos militares e seu projeto de poder passa pela monopolização da política brasileira, o que em última instância visa deixar as pessoas sem possibilidade de escolher seus governantes. O PT irá escolher por elas em seus quadros. Como diz o gigante João Santana, os anões irão se destruir. Espero que não pelo bem do Brasil.
Ontem li algo que mostra o que é o Brasil do PT. A direção do Fundo de Pensão dos Correios perdeu cerca de R$ 1 bilhão em operações duvidosas. O resultado disso foi a demissão do diretor financeiro indicado pelo PMDB, mas o presidente do Fundo indicado pelo PT continua como se não tivesse nada a ver com isto. Se o PT faz isso com a aposentadoria dos trabalhadores, imagina como está administrado mal este nosso Brasil. É por isso que precisamos de opção, de alternância de poder, para que haja consequência para os governantes pela sua má administração.
Especula-se que Dilma iria para o banco de reservas se sua intenção de voto caísse abaixo de 30%. Independente disto o Lula já está em campanha. De fato, ele foi talvez o presidente que menos governou o Brasil. Ele nunca parou de fazer campanha. Infelizmente, para o Brasil, o único inimigo à altura do Lula tem sido o seu câncer. Se ganhar a próxima eleição, ele terá dominado o Brasil por mais tempo que Getúlio Vargas, que ficou 15 anos no poder.
Para Eduardo Campos, sua candidatura seria inviável se ele não crescer na intenção de voto, pois simplesmente não haveria segundo turno, o que forçaria a entrada de Marina como cabeça de chapa. De qualquer forma, é melhor para o PSB ter duas cabeças, pois o jogo é duro contra o PT. Depois do anúncio da candidatura, o PSB perdeu 20 deputados. Bom trabalho Lula. Se bem que uma parte dos que saíram estão ligados ao Ciro, que teve um ataque de pelanca por não ser ele o candidato. Cá entre nós, trocar o Ciro pela Marina parece ótimo negócio.
Para Aécio, a situação é mais confortável, pois a tendência é que os votos da direita venham para ele. E ele ainda é senador e controla a máquina do partido, portanto as chances de Serra são menores, mas em política tudo é possível. Considerando que ele enfrenta os eternos boatos de que é um cheirador...Será que teriam coragem de usar isto contra ele? Só se ele crescesse muito.
O PT chegou a representar a renovação na política quando, em 1979, rompeu a polarização entre ARENA e MDB. Foi também um avanço por não ter sido uma das siglas criadas por Getúlio, mas hoje o PT representa um novo tipo de autoritarismo à semelhança dos militares e seu projeto de poder passa pela monopolização da política brasileira, o que em última instância visa deixar as pessoas sem possibilidade de escolher seus governantes. O PT irá escolher por elas em seus quadros. Como diz o gigante João Santana, os anões irão se destruir. Espero que não pelo bem do Brasil.
Ontem li algo que mostra o que é o Brasil do PT. A direção do Fundo de Pensão dos Correios perdeu cerca de R$ 1 bilhão em operações duvidosas. O resultado disso foi a demissão do diretor financeiro indicado pelo PMDB, mas o presidente do Fundo indicado pelo PT continua como se não tivesse nada a ver com isto. Se o PT faz isso com a aposentadoria dos trabalhadores, imagina como está administrado mal este nosso Brasil. É por isso que precisamos de opção, de alternância de poder, para que haja consequência para os governantes pela sua má administração.
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30 setembro 2013
O Conflito Social
Atravessamos nossas vidas tentando administrar o conflito. Algumas vezes fugindo, evitando, e outras vezes confrontando. Mas, o conflito é maior que todos nós porque é algo ligado à natureza humana e à vida em sociedade. Quase todo romance gira em torno de um conflito, a maior parte dos telejornais narram conflitos e não passa um dia sem que tenhamos que enfrentá-los. Não vejo solução para eles, que, em boa medida, estão fora do nosso controle e da nossa capacidade de previsão. Resta-nos lidar com eles com todas as limitações inerentes à natureza humana.
Vejo as religiões, em boa parte, como uma engenharia humana que tenta administrar o conflito. Karen Armstrong, em seu estudo sobre o islamismo, enxerga nesta religião uma construção institucional de uma hipertribo que permitiu aos povos árabes abandonar alguns tribalismos e passar a viver como “os crentes”, portanto, uma forma de superar intermináveis vendettas. No cristianismo temos a ideia da comunhão dos irmãos em Cristo. Não temos o mesmo sangue, mas comungamos do “sangue” de Cristo e comemos da sua “carne”. Antes disso, a ideia judaica de um Deus pai já tornava irmãos aqueles que compartilhassem desta crença. Marx, de certa forma, reconhecia este papel da religião em amenizar o conflito e a acusava de ser o ópio do povo.
A teoria marxista defende a tese do conflito de classes como o motor da história, portanto, se este acabasse chegaríamos ao fim da história e, quem sabe, ao paraíso na terra. Para ele, o conflito estava essencialmente ligado a propriedade privada que, em última análise, seria a origem de todo o conflito entre os homens. Esta concepção se aproxima de Rousseau, que supunha que o homem era corrompido pela sociedade, deformada pela propriedade, e, ao contrário de outros contratualistas, recusava a legitimidade do contrato social por entender que este só beneficiava a alguns. Mas Marx e Rousseau estavam errados; sociedades que aboliram a propriedade privada não ficaram livres do conflito.
Nos Estados Unidos, assistimos à disputa entre outras escolas de pensamento que tinham abordagens diversas em relação a questão do conflito. A escola funcionalista via no conflito basicamente uma disfunção social. Os elitistas, a partir de Weber, enxergam o conflito como algo essencialmente ligado à disputa pelo poder e entendiam que este ocorria, em maior ou menor medida, quando parcelas das elites mobilizavam massas para travar suas batalhas. Os pluralistas americanos defendiam a tese de que o poder estava disperso pela sociedade e que era proporcional à capacidade de organização de alguns grupos. Mas não parece que o conflito esteja restrito a dinheiro e poder. Os romances de Agatha Christie traçam um panorama bem mais sombrio da natureza humana.
O conflito não é algo remoto, presente em teorias sociológicas ou romances, ele está presente em nosso dia a dia em sociedade. Quantas vezes já ouvimos pais falarem para filhos que não levem desaforos para casa ou que se apanharem na rua apanharão duas vezes em casa? O discurso mais politicamente correto é que as crianças precisam aprender a se defender. Em função disso, os pais põem seus filhos para fazer judô, karatê, jiu-jitsu na esperança de que eles pelo menos não sejam vítimas.
Apesar dos esforços das religiões, dos pais e das teorias sociológicas, o conflito persiste e talvez persista enquanto a sociedade humana existir. As ideias de justiça, de direitos, de mérito e de igualdade talvez sejam aproximações para atribuir significado aos conflitos. Quando assistimos a um jogo de futebol, classificamos agressões como “raça” ou “desleal” em função da nossa interpretação do conjunto das regras e da conduta do jogador. Existem até pessoas que, em função, de uma profunda identificação com um “time” são basicamente incapazes de ver qualquer razão ou reconhecer qualquer mérito em um time que não seja o seu. Muitos destes “doentes” fazem parte de torcidas organizadas, outros fazem parte dos Black Blocks e outros, ainda mais sofisticados, são líderes políticos hábeis em alimentar conflitos sociais em seu próprio benefício.
Lula, por exemplo, é um exímio manipulador de conflitos. Vejam o caso deste Programa Mais Médicos; ele é questionável em várias dimensões, desde o uso de “mão-de-obra escrava cubana”, passando pela falta de estrutura local para apoiar os médicos, seu impacto sobre a saúde pública no Brasil é questionável, a truculência da sua implantação por Medida Provisória é digna dos militares, enfim, é uma política que gera muito conflito e cujos resultados até o momento são nulos. Entretanto, em termos eleitorais, a turminha do PT conseguiu lançar nacionalmente o Padilha, ministro da Saúde, como candidato a governador de São Paulo. Com este jeito truculento ele se projeta e se cacifa para ser governador deste estado que tem um grande desafio de segurança pública a ser enfrentado.
A política de cotas raciais é outro tipo de política de resultados muito duvidosos. Nos EUA, onde foi aplicada por décadas, tem um resultado bastante ambíguo. Existem aqueles que afirmam que não foi possível mostrar o efeito positivo sobre a comunidade negra em função da ação devastadora do crack. Apesar disso, é uma plataforma eleitoral que ganha cada vez mais legitimidade no Brasil, apesar de contar com uma turminha revoltada daqueles que acham que a vida lhes deve algo e eles estão aqui para cobrar. Esta atitude não tem cor, ela está presente em muitas pessoas que só têm desprezo para oferecer a seus semelhantes.
Isto para não falar daqueles que querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Tem gente que gosta de conflito, se sente vivo com aquela descarga de adrenalina, com ampliação dos sentidos e com aquela presença necessária para garantir a sobrevivência. Basta ver os Black Blocks em seu êxtase “revolucionário” e destrutivo. Talvez uma sessão de destruição dê um barato melhor que cocaína. Os militantes do PT não ficam atrás com aquelas suas bandeirinhas que, quando rejeitadas, são prontamente transformadas em porretes.
As religiões diriam que eles também são filhos de Deus e que não nos cabe julgá-los. Talvez amá-los não seja a solução para o problema do conflito, mas seja um passo para conseguirmos encontrar paz em nós mesmos. Não podemos procurar a paz pelos outros e muito menos obrigá-los a buscá-la, mas podemos fazer a nossa parte. Ainda não acredito em oferecer a outra face porque acredito que estou certo.
Vejo as religiões, em boa parte, como uma engenharia humana que tenta administrar o conflito. Karen Armstrong, em seu estudo sobre o islamismo, enxerga nesta religião uma construção institucional de uma hipertribo que permitiu aos povos árabes abandonar alguns tribalismos e passar a viver como “os crentes”, portanto, uma forma de superar intermináveis vendettas. No cristianismo temos a ideia da comunhão dos irmãos em Cristo. Não temos o mesmo sangue, mas comungamos do “sangue” de Cristo e comemos da sua “carne”. Antes disso, a ideia judaica de um Deus pai já tornava irmãos aqueles que compartilhassem desta crença. Marx, de certa forma, reconhecia este papel da religião em amenizar o conflito e a acusava de ser o ópio do povo.
A teoria marxista defende a tese do conflito de classes como o motor da história, portanto, se este acabasse chegaríamos ao fim da história e, quem sabe, ao paraíso na terra. Para ele, o conflito estava essencialmente ligado a propriedade privada que, em última análise, seria a origem de todo o conflito entre os homens. Esta concepção se aproxima de Rousseau, que supunha que o homem era corrompido pela sociedade, deformada pela propriedade, e, ao contrário de outros contratualistas, recusava a legitimidade do contrato social por entender que este só beneficiava a alguns. Mas Marx e Rousseau estavam errados; sociedades que aboliram a propriedade privada não ficaram livres do conflito.
Nos Estados Unidos, assistimos à disputa entre outras escolas de pensamento que tinham abordagens diversas em relação a questão do conflito. A escola funcionalista via no conflito basicamente uma disfunção social. Os elitistas, a partir de Weber, enxergam o conflito como algo essencialmente ligado à disputa pelo poder e entendiam que este ocorria, em maior ou menor medida, quando parcelas das elites mobilizavam massas para travar suas batalhas. Os pluralistas americanos defendiam a tese de que o poder estava disperso pela sociedade e que era proporcional à capacidade de organização de alguns grupos. Mas não parece que o conflito esteja restrito a dinheiro e poder. Os romances de Agatha Christie traçam um panorama bem mais sombrio da natureza humana.
O conflito não é algo remoto, presente em teorias sociológicas ou romances, ele está presente em nosso dia a dia em sociedade. Quantas vezes já ouvimos pais falarem para filhos que não levem desaforos para casa ou que se apanharem na rua apanharão duas vezes em casa? O discurso mais politicamente correto é que as crianças precisam aprender a se defender. Em função disso, os pais põem seus filhos para fazer judô, karatê, jiu-jitsu na esperança de que eles pelo menos não sejam vítimas.
Apesar dos esforços das religiões, dos pais e das teorias sociológicas, o conflito persiste e talvez persista enquanto a sociedade humana existir. As ideias de justiça, de direitos, de mérito e de igualdade talvez sejam aproximações para atribuir significado aos conflitos. Quando assistimos a um jogo de futebol, classificamos agressões como “raça” ou “desleal” em função da nossa interpretação do conjunto das regras e da conduta do jogador. Existem até pessoas que, em função, de uma profunda identificação com um “time” são basicamente incapazes de ver qualquer razão ou reconhecer qualquer mérito em um time que não seja o seu. Muitos destes “doentes” fazem parte de torcidas organizadas, outros fazem parte dos Black Blocks e outros, ainda mais sofisticados, são líderes políticos hábeis em alimentar conflitos sociais em seu próprio benefício.
Lula, por exemplo, é um exímio manipulador de conflitos. Vejam o caso deste Programa Mais Médicos; ele é questionável em várias dimensões, desde o uso de “mão-de-obra escrava cubana”, passando pela falta de estrutura local para apoiar os médicos, seu impacto sobre a saúde pública no Brasil é questionável, a truculência da sua implantação por Medida Provisória é digna dos militares, enfim, é uma política que gera muito conflito e cujos resultados até o momento são nulos. Entretanto, em termos eleitorais, a turminha do PT conseguiu lançar nacionalmente o Padilha, ministro da Saúde, como candidato a governador de São Paulo. Com este jeito truculento ele se projeta e se cacifa para ser governador deste estado que tem um grande desafio de segurança pública a ser enfrentado.
A política de cotas raciais é outro tipo de política de resultados muito duvidosos. Nos EUA, onde foi aplicada por décadas, tem um resultado bastante ambíguo. Existem aqueles que afirmam que não foi possível mostrar o efeito positivo sobre a comunidade negra em função da ação devastadora do crack. Apesar disso, é uma plataforma eleitoral que ganha cada vez mais legitimidade no Brasil, apesar de contar com uma turminha revoltada daqueles que acham que a vida lhes deve algo e eles estão aqui para cobrar. Esta atitude não tem cor, ela está presente em muitas pessoas que só têm desprezo para oferecer a seus semelhantes.
Isto para não falar daqueles que querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Tem gente que gosta de conflito, se sente vivo com aquela descarga de adrenalina, com ampliação dos sentidos e com aquela presença necessária para garantir a sobrevivência. Basta ver os Black Blocks em seu êxtase “revolucionário” e destrutivo. Talvez uma sessão de destruição dê um barato melhor que cocaína. Os militantes do PT não ficam atrás com aquelas suas bandeirinhas que, quando rejeitadas, são prontamente transformadas em porretes.
As religiões diriam que eles também são filhos de Deus e que não nos cabe julgá-los. Talvez amá-los não seja a solução para o problema do conflito, mas seja um passo para conseguirmos encontrar paz em nós mesmos. Não podemos procurar a paz pelos outros e muito menos obrigá-los a buscá-la, mas podemos fazer a nossa parte. Ainda não acredito em oferecer a outra face porque acredito que estou certo.
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20 setembro 2013
Salve Marina, Aécio e Campos. Ou: a Importância da Alternância de Poder
Se Deus quiser, Marina, Aécio e Campos desafiarão a hegemonia petista em 2014, quando completará 12 anos de dominação do Brasil. Se conquistar a próxima eleição, o PT superará Vargas em sua primeira fase, quando ficou 15 anos no poder. Mais uma eleição e eles igualam os militares, a quem tanto odeiam, que ficaram 20 anos no poder. Mas, o sonho mesmo é chegar a ser um PRI, que ficou 70 anos ininterruptos ocupando o poder no México. Que belo trabalho eles fizeram pelo México! Para a democracia e para o fortalecimento das instituições, é importante a alternância de poder, pois, como já dizia o velho ditado, “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.”
O exercício do poder corrompe. Vejam o caso do STF, daqui a alguns anos não haverá um juiz lá que não tenha sido indicado pelo PT. Mesmo assumindo que eles pertençam a correntes diferentes do Partido, tenham sido indicados por coalizões diferentes, ainda assim estarão controlados em algum grau pelas redes de favores e influência petista. O interessante deste julgamento do Mensalão é que ele torna evidente o poder que alguns altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores têm sobre alguns membros do STF. Na Venezuela, por exemplo, a lisura da Suprema Corte em relação ao governo é nula. Isto é difícil até nos EUA, onde uma decisão da Suprema Corte resultou na eleição do Bush Júnior. Não por acaso seu pai havia indicado o cara que tomou a decisão.
O poder é uma merda. Com o passar do tempo, as redes que vão sendo trançadas em torno dos cargos vão se tornando cada vez mais degeneradas. Muitas vezes algumas pessoas simplesmente não podem ser demitidas, pois conhecem os podres de muita gente. E, se são demitidas, têm que ganhar uma compensação adequada para que dossiês não comecem a vazar para a imprensa. Recentemente, descobriram um assessor da Casa Civil acusado de mais de 10 estupros de menores em condições de vulnerabilidade. Ele foi delicadamente demitido, mas ninguém falou em expulsão do Partido dos Trabalhadores. Em minha opinião, este rapaz deve saber demais.
O sistema político americano é dominado por dois partidos que se alternam no poder. Quando isso ocorre há uma tendência a que o partido que está ocupando a presidência evite criar muitos cargos e outras vantagens, pois corre o risco de estar fortalecendo o outro partido, que tem boas chances de chegar ao poder. Quando este risco não é real, então temos uma tendência para a tirania, na medida em que o partido encastelado no poder começa a ampliar seu poder sem medo de ter de entregá-lo ao adversário ou inimigo, a depender da situação institucional do país.
São as instituições, as regras do jogo que permitem que o jogo político seja disputado por adversários. Quando não há instituições, ou elas estão muito fracas, a disputa pelo poder degenera como no caso do ditador da Síria. Lá não há mais adversários, pois não há regras para a disputa. Lá temos inimigos, pois vale tudo, até matar criancinhas com gás venenoso. Por que a Síria não tem instituições? Por que não há regras de alternância de poder. Há a dominação de um grupo que não tolera qualquer oposição.
Falando em oposição inimiga, temos o caso da Venezuela. Recentemente, o Maduro criou o 0800 denuncie um sabotador da revolução. Este é um sintoma da intolerância com a oposição, das crescentes perseguições políticas e de um Estado policial onde as vozes discordantes são criminalizadas. Aliás, esta história de sabotadores vem da União Soviética, da China e outros paraísos esquerdistas onde se unia o útil ao agradável, ou seja, procurar bodes expiatórios e perseguir os inimigos.
A Marina, o Campos e o Aécio não são perfeitos. Longe disso. Duvido que a Marina seja a santa que pintam. O Aécio é um playboy que outro dia estava no Rock in Rio. Quanto ao Campos, tenho certeza que o PT está desenterrando seus podres. De qualquer forma, a chegada de qualquer um deles ao poder será bem-vinda pois serão desmanteladas, ou pelo menos renovadas, amplas redes de corrupção e influência. No mínimo os operadores terão que ser trocados. O governo poderá criticar alguns erros, pois não serão seus e o país avançará mais um pouco, até que chegará a hora de trocar de novo.
O exercício do poder corrompe. Vejam o caso do STF, daqui a alguns anos não haverá um juiz lá que não tenha sido indicado pelo PT. Mesmo assumindo que eles pertençam a correntes diferentes do Partido, tenham sido indicados por coalizões diferentes, ainda assim estarão controlados em algum grau pelas redes de favores e influência petista. O interessante deste julgamento do Mensalão é que ele torna evidente o poder que alguns altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores têm sobre alguns membros do STF. Na Venezuela, por exemplo, a lisura da Suprema Corte em relação ao governo é nula. Isto é difícil até nos EUA, onde uma decisão da Suprema Corte resultou na eleição do Bush Júnior. Não por acaso seu pai havia indicado o cara que tomou a decisão.
O poder é uma merda. Com o passar do tempo, as redes que vão sendo trançadas em torno dos cargos vão se tornando cada vez mais degeneradas. Muitas vezes algumas pessoas simplesmente não podem ser demitidas, pois conhecem os podres de muita gente. E, se são demitidas, têm que ganhar uma compensação adequada para que dossiês não comecem a vazar para a imprensa. Recentemente, descobriram um assessor da Casa Civil acusado de mais de 10 estupros de menores em condições de vulnerabilidade. Ele foi delicadamente demitido, mas ninguém falou em expulsão do Partido dos Trabalhadores. Em minha opinião, este rapaz deve saber demais.
O sistema político americano é dominado por dois partidos que se alternam no poder. Quando isso ocorre há uma tendência a que o partido que está ocupando a presidência evite criar muitos cargos e outras vantagens, pois corre o risco de estar fortalecendo o outro partido, que tem boas chances de chegar ao poder. Quando este risco não é real, então temos uma tendência para a tirania, na medida em que o partido encastelado no poder começa a ampliar seu poder sem medo de ter de entregá-lo ao adversário ou inimigo, a depender da situação institucional do país.
São as instituições, as regras do jogo que permitem que o jogo político seja disputado por adversários. Quando não há instituições, ou elas estão muito fracas, a disputa pelo poder degenera como no caso do ditador da Síria. Lá não há mais adversários, pois não há regras para a disputa. Lá temos inimigos, pois vale tudo, até matar criancinhas com gás venenoso. Por que a Síria não tem instituições? Por que não há regras de alternância de poder. Há a dominação de um grupo que não tolera qualquer oposição.
Falando em oposição inimiga, temos o caso da Venezuela. Recentemente, o Maduro criou o 0800 denuncie um sabotador da revolução. Este é um sintoma da intolerância com a oposição, das crescentes perseguições políticas e de um Estado policial onde as vozes discordantes são criminalizadas. Aliás, esta história de sabotadores vem da União Soviética, da China e outros paraísos esquerdistas onde se unia o útil ao agradável, ou seja, procurar bodes expiatórios e perseguir os inimigos.
A Marina, o Campos e o Aécio não são perfeitos. Longe disso. Duvido que a Marina seja a santa que pintam. O Aécio é um playboy que outro dia estava no Rock in Rio. Quanto ao Campos, tenho certeza que o PT está desenterrando seus podres. De qualquer forma, a chegada de qualquer um deles ao poder será bem-vinda pois serão desmanteladas, ou pelo menos renovadas, amplas redes de corrupção e influência. No mínimo os operadores terão que ser trocados. O governo poderá criticar alguns erros, pois não serão seus e o país avançará mais um pouco, até que chegará a hora de trocar de novo.
29 agosto 2013
Eduardo Sabóia, um ser humano
Eduardo Sabóia foi o diplomata que decidiu retirar o senador boliviano que estava asilado na embaixada brasileira na Bolívia e trazê-lo para o Brasil. Procurando justificar para a elite petista dirigente sua ação, ele comparou a situação do asilado na embaixada à dos presos políticos no Brasil. A presidente Dilma ficou indignada com esta comparação e mostrou mais uma vez o seu destempero ao abominá-la com os olhos marejados. Defendo, entretanto, que Eduardo Sabóia foi um ser humano, pois procurou agir de acordo com a sua consciência.
De acordo com os jornais, o tal senador obteve asilo no Brasil e de acordo com um tratado de Caracas, entre países latino-americanos, quando isto ocorre, deve ser concedido o salvo conduto para que a pessoa deixe o país. O governo indígena esquerdista boliviano desrespeitou o tratado e o Itamaraty se omitiu na questão para não contrariá-lo. De fato, de acordo com o jurista Miguel Reale Jr, até mesmo o abominável Pinochet concedia salvo conduto a asilados políticos permitindo a sua saída do Chile.
Esta situação escandalosa para Dilma se aproxima da situação do sujeito do Wikileaks que está sendo processado por estupro na Suécia, se não me engano, e para escapar de uma extradição se refugiou na embaixada do Peru. A Grã-Bretanha se recusa a conceder o salvo conduto. O tal senador é acusado de corrupção e alega perseguição política assim como o fundador do Wikileaks. As esquerdas consideram absurda a atuação da Grã-Bretanha enquanto aceitam a postura da Bolívia, afinal não é um deles.
Talvez o mais importante desta questão seja a discussão em torno da ação do Eduardo Sabóia. Recentemente, tivemos um filme excelente sobre Hannah Arendt onde é discutida a sua tese da banalidade do mal. Uma das questões centrais do filme foi a sua avaliação de Eichmann, o sujeito que foi sequestrado e condenado à morte por Israel, que estava longe de ser um psicopata, que foi responsável por coordenar os trens que encaminhavam os judeus para os campos de concentração. Era pouco mais que um burocrata, uma pessoa essencialmente medíocre, buscando aceitação social, ascensão profissional e muito provavelmente seria considerado normal em uma avaliação psiquiátrica. Apesar disso, fez parte da engrenagem burocrática que matou milhões.
O Eduardo Sabóia fez justamente aquilo que Eichmann não fez. Ele questionou as ordens recebidas de acordo com a sua consciência e a despeito das pressões políticas e do que provavelmente irá se suceder com a sua carreira no Itamaraty optou por agir de uma forma humana. Sua ação foi condenada pela própria presidente da República, a chefe do Executivo. Sua carreira no Itamaraty provavelmente está terminada. Ele entrou na lista dos inimigos do partido que está no poder. Talvez ele não seja um bom burocrata mas acredito que seja um ser humano no sentido dado por Hannah Arendt.
De acordo com os jornais, o tal senador obteve asilo no Brasil e de acordo com um tratado de Caracas, entre países latino-americanos, quando isto ocorre, deve ser concedido o salvo conduto para que a pessoa deixe o país. O governo indígena esquerdista boliviano desrespeitou o tratado e o Itamaraty se omitiu na questão para não contrariá-lo. De fato, de acordo com o jurista Miguel Reale Jr, até mesmo o abominável Pinochet concedia salvo conduto a asilados políticos permitindo a sua saída do Chile.
Esta situação escandalosa para Dilma se aproxima da situação do sujeito do Wikileaks que está sendo processado por estupro na Suécia, se não me engano, e para escapar de uma extradição se refugiou na embaixada do Peru. A Grã-Bretanha se recusa a conceder o salvo conduto. O tal senador é acusado de corrupção e alega perseguição política assim como o fundador do Wikileaks. As esquerdas consideram absurda a atuação da Grã-Bretanha enquanto aceitam a postura da Bolívia, afinal não é um deles.
Talvez o mais importante desta questão seja a discussão em torno da ação do Eduardo Sabóia. Recentemente, tivemos um filme excelente sobre Hannah Arendt onde é discutida a sua tese da banalidade do mal. Uma das questões centrais do filme foi a sua avaliação de Eichmann, o sujeito que foi sequestrado e condenado à morte por Israel, que estava longe de ser um psicopata, que foi responsável por coordenar os trens que encaminhavam os judeus para os campos de concentração. Era pouco mais que um burocrata, uma pessoa essencialmente medíocre, buscando aceitação social, ascensão profissional e muito provavelmente seria considerado normal em uma avaliação psiquiátrica. Apesar disso, fez parte da engrenagem burocrática que matou milhões.
O Eduardo Sabóia fez justamente aquilo que Eichmann não fez. Ele questionou as ordens recebidas de acordo com a sua consciência e a despeito das pressões políticas e do que provavelmente irá se suceder com a sua carreira no Itamaraty optou por agir de uma forma humana. Sua ação foi condenada pela própria presidente da República, a chefe do Executivo. Sua carreira no Itamaraty provavelmente está terminada. Ele entrou na lista dos inimigos do partido que está no poder. Talvez ele não seja um bom burocrata mas acredito que seja um ser humano no sentido dado por Hannah Arendt.
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09 maio 2013
Deus Existe? Para uns sim. Para outros não.
Não acho que a razão pura (Platão e Descartes) seja suficiente para provar ou disprovar a existência de Deus. Também não acho que nenhum experimento científico (Hume) seja suficiente para provar ou disprovar sua existência, pois um experimento supõe uma teoria e um teste para fazer uma comprovação desta teoria sujeita a uma série de restrições e aproximações. E qualquer que seja o resultado será provisório (Popper).Outra possibilidade seria a contemplação, meditação, concentração…Diz a tradição budista que Sidartha Gautama teria escolhido um caminho de ascetismo e práticas intensas de meditação na busca da Iluminação ou uma percepção mais direta de Deus. Aparentemente, após alguns anos de intenso treinamento ele teria recebido a graça. Para Gautama, Deus existe mas não foi fácil percebê-lo.
A tradição judaica fala que Moisés teria obtido uma percepção mais direta de Deus em contemplações no deserto. A tradição muçulmana fala que o Anjo Gabriel teria vindo a Maomé também em seu retiro anual em uma caverna no deserto. A tradição cristã fala de um retiro que Cristo teria feito no Deserto, mas de uma forma muito simbólica, sem falar nas práticas em si.
Enfim, pelo menos no caso destas práticas religiosas selecionadas a experiência de Deus seria algo resultado de uma busca, de uma disciplina pessoal,…Existem outras práticas religiosas africanas ou americanas que usam cerimonias (músicas e danças) e drogas para induzir estados alterados de consciência.
A questão é que seja lá o que for que foi alcançado por estas pessoas por meio destas práticas não é algo transmissível. Talvez a presença de uma pessoa que esteja em um estado de consciência alterado seja até inspirador mas não prova para outras pessoas que Deus existe.
Talvez um erro da catequese católica seja a idéia de fé, ou seja, espera-se que os fiéis acreditem em Deus simplesmente porque existem ou existiram pessoas cujas vidas apresentaram sinais desta comunhão com Deus. Talvez seja uma abordagem pragmática, ou seja, a maioria das pessoas dificilmente vai conseguir ter uma experiência de Deus mais profunda e contínua porque ela exigiria muito, portanto, para estes a fé.
A fé parece algo tolo mas é mais usual do que parece. Por exemplo, o Direito, de forma geral, tem fé na capacidade de discernimento do indivíduo e procura responsabilizá-lo por seus atos. A psicologia, por sua vez, não tem tanta fé assim no indivíduo. O coletivismo metodológico também tece-lhe restrições.
De qualquer forma, se uma babá de duas crianças de Manhatan tivesse fé ou pelo menos medo do inferno talvez ela não tivesse matado as duas crianças das quais ela cuidava por se sentir humilhada por sua patroa. Em termos sociais, uma ética religiosa pode ser um importante fator de agregação social e redução da violência.
E, agregação social não é algo trivial. Platão, Aristóteles, os contratualistas, os utilitaristas, os neo-contratualistas gastaram séculos tentando a partir da razão encontrar ou entender as bases da vida em sociedade. E os resultados deixaram muito a desejar. Os idealistas alemães acabaram no nazismo. O marxismo chegou ao stalinismo. Na Argentina, Venezuela, e Chile temos sociedades profundamente divididas pelo peronismo, chavismo e por Pinochet.
Talvez seja melhor que Deus exista. Se alguém conseguir ter uma comunhão com ele, ótimo. Se simplesmente acreditar e em função disto tiver uma vida mais ética, muito bom. Se o medo do inferno impedir de praticar fazer mal aos outros já tá valendo.
Enfim, Deus existe? Para uns sim. Para outros não. E para você?
25 março 2013
Os Presidenciáveis
No PSDB, parece que finalmente chegou a vez do neto de Tancredo. Este playboy que muitos acusam de aspirador de pó acha que tem as credenciais para ser presidente da República em função da boa gestão que fez no estado de Minas. Dizem que o segredo do Aecinho é que ele sabe se cercar de pessoas competentes, especialmente sua irmã, que é famosa por carregar seu piano. Serra, por sua vez, até hoje não acredita que foi derrotado por Dilma. Logo ele, que foi presidente da UNE, exilado, com mestrado em economia no Chile, doutorado pela Universidade de Cornell com passagem por Princeton e professor da Unicamp, secretário de estado, deputado constituinte, várias vezes ministro, senador, prefeito e governador de São Paulo e acabou derrotado por um poste de Lula. Isto depois de ter sido derrotado pelo próprio. Pensando bem, Serra deve ser vascaíno.
Uma novidade interessante que surge no condomínio do poder é o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos, que aspira à presidência. Campos vem de uma boa família da esquerda, como diria o Mercadante: os Arraes. Se bem que está difícil para o Ciro engolir que ele não seja o único e eterno presidenciável do PSB. Este partido se apresenta como uma alternativa interessante de poder à aliança PT/PMDB, cuja construção foi produto do Mensalão. Como disse Merval Pereira, Lula ficou tão assustado com a possibilidade de sofrer um impeachment que abraçou tudo o que havia de mais espúrio no PMDB e com isto enterrou a bandeira da ética do PT, que já estava em frangalhos.
Temos ainda a senadora Marina Silva que é uma dissidente do Partido dos Trabalhadores. Ela tem a antipatia de Lula devido a sua origem humilde e uma biografia que chega a ser mais interessante que a dele em termos de dramas pessoais. Donos de partido como Lula não dão espaço para que outros grupos cresçam e selecionam candidatos na base no dedaço como foi o caso da Dilma, que não venceu nenhuma previa partidária. Marina traz a bandeira da ética e da proteção do meio-ambiente, que parecem muito importantes para o país mas revela um culto à personalidade um pouco sinistro.
Nos bastidores Lula luta para sabotar o novo partido de Marina e para impedir a candidatura de Campos para manter a eleição no cenário familiar que é a velha disputa PT x PSDB, que ele e seus marqueteiros parecem já ter desenvolvido a fórmula para vencer. Enquanto isto, Lula vai parindo mais postes como Haddad e Lindenberg, que poderiam ser candidatos à Presidência da República um pouco mais para frente. Haddad fez uma longa gestão no Ministério da Educação marcada por sucessivos fracassos no ENEM devido a licitações no mínimo mal feitas. O desempenho do país em termos educacionais também não sofreu grandes alterações exceto o rio de dinheiro despejado na educação superior. Quanto ao Lindenberg, ou como alguns o chamam, o Lindinho, ex-lider dos caras-pintadas hoje responde a cerca de quinze inquéritos no STF por diversos desvios, especialmente irregularidades em licitações.
Outro dia Dilma disse que o Brasil devia muito ao PT.... Será? O partido que votou contra tudo que o PSDB propôs em sua gestão e que mais tarde se serviu de tudo isto como seu? Este é o partido para quem o país tem uma dívida? O partido que não fez nenhuma reforma significativa em sua gestão. Outro dia a ministra do Planejamento, na falta do que dizer disse que o governo está fazendo uma revolução silenciosa. Será? Mas a Sra. Dilma está enganada. Políticos têm mania de aclamação como se estivessem onde estão porque outros pediram e insistiram, etc. Não, ninguém pediu para ela estar lá e nem para o PT chegar ao poder. Eles ocupam o poder porque o desejaram, lutaram e derrotaram seus adversários. E, se depender deles, ficarão no poder para sempre. Abrir mão do poder é muito raro é geralmente é feito em situações como a do papa Bento XVI, que chegou à conclusão por razões de saúde, que era hora de passar o bastão. Chávez, por sua vez, nem sofrendo de um câncer terminal entregou o poder. Na minha opinião, este é o tipo de gente que nunca deveria tê-lo tido.
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15 março 2013
Habemus Papam Franciscum
Conheci um ou dois religiosos que tinham horror do cardeal Ratzinger e da forma como ele enquadrou o pessoal da Teologia da Libertação. O Leonardo Boff não aguentou o castigo e pediu para sair, como diria o capitão Nascimento. Pessoalmente, acredito que Ratzinger deixou um grande legado para a Igreja ao rejeitar o marxismo inerente à doutrina da Teologia da Libertação em sua atuação como Inquisidor Mor.
O marxismo é uma teoria que surge no contexto da filosofia alemã e da economia inglesa e nada tem a ver com a religiosidade semita que deu origem ao cristianismo. De fato, como disse o atual papa Francisco, sem a crença em Cristo Salvador a Igreja não passa de uma ONG piedosa. Portanto, diferente do que pensam os rahnerianos, a salvação não vem dos pobres nem o cristianismo é imanente à luta contra a desigualdade. Acho que com isto a Igreja está superando a sua crise de identidade e se assumindo como um corpo de fiéis unidos na crença em Jesus que morreu pelos pecados daqueles que acreditam nele.
Agora com Francisco chega ao papado o primeiro jesuíta da história. A Ordem Jesuíta é uma ordem fundada por um militar espanhol meio delirante e sem muito amor à vida que foi gravemente ferido em uma batalha. Na convalescênça dos ferimentos leu a Vida de Santos e enfrentou febres e delírios que teriam matado a maioria das pessoas. Recuperado, decidiu dedicar suas energias não mais às glórias em batalhas, mas à imitação de Cristo.
Fez longas peregrinações e reflexões que aparentemente o levaram a um estado qualquer de clareza mental que acabaram o tornando um grande pregador do cristianismo. Isto incomodou a Inquisição da época, que exigia uma educação teológica formal para este tipo de pregação e ele acabou tendo que cursar um curso de Teologia no qual curiosamente era considerado um aluno medíocre.
Mais tarde desenvolveu um método que ele chamava de Exercícios Espirituais, a partir da sua própria experiência de conversão. Ele havia percebido que a leitura da Vida de Cristo lhe dava uma sensação de paz, enquanto os pensamentos em torno de glórias em batalhas, embora excitantes, depois se mostravam vazios de algo. A partir daí ele desenvolveu um método que buscava treinar os praticantes na aplicação deste discernimento em suas vidas. A Ordem Jesuíta surge a partir desta prática. Portanto, é natural que o Papa Francisco, um jesuíta, entenda que a piedade e a luta contra a desigualdade no contexto da Igreja Católica sejam consequências de uma prática religiosa.
O marxismo é uma teoria que surge no contexto da filosofia alemã e da economia inglesa e nada tem a ver com a religiosidade semita que deu origem ao cristianismo. De fato, como disse o atual papa Francisco, sem a crença em Cristo Salvador a Igreja não passa de uma ONG piedosa. Portanto, diferente do que pensam os rahnerianos, a salvação não vem dos pobres nem o cristianismo é imanente à luta contra a desigualdade. Acho que com isto a Igreja está superando a sua crise de identidade e se assumindo como um corpo de fiéis unidos na crença em Jesus que morreu pelos pecados daqueles que acreditam nele.
Agora com Francisco chega ao papado o primeiro jesuíta da história. A Ordem Jesuíta é uma ordem fundada por um militar espanhol meio delirante e sem muito amor à vida que foi gravemente ferido em uma batalha. Na convalescênça dos ferimentos leu a Vida de Santos e enfrentou febres e delírios que teriam matado a maioria das pessoas. Recuperado, decidiu dedicar suas energias não mais às glórias em batalhas, mas à imitação de Cristo.
Fez longas peregrinações e reflexões que aparentemente o levaram a um estado qualquer de clareza mental que acabaram o tornando um grande pregador do cristianismo. Isto incomodou a Inquisição da época, que exigia uma educação teológica formal para este tipo de pregação e ele acabou tendo que cursar um curso de Teologia no qual curiosamente era considerado um aluno medíocre.
Mais tarde desenvolveu um método que ele chamava de Exercícios Espirituais, a partir da sua própria experiência de conversão. Ele havia percebido que a leitura da Vida de Cristo lhe dava uma sensação de paz, enquanto os pensamentos em torno de glórias em batalhas, embora excitantes, depois se mostravam vazios de algo. A partir daí ele desenvolveu um método que buscava treinar os praticantes na aplicação deste discernimento em suas vidas. A Ordem Jesuíta surge a partir desta prática. Portanto, é natural que o Papa Francisco, um jesuíta, entenda que a piedade e a luta contra a desigualdade no contexto da Igreja Católica sejam consequências de uma prática religiosa.
11 março 2013
Os Royalties e a Secessão do Rio de Janeiro
Quem assistiu nos últimos dias ao debate sobre os royalties do petróleo deve estar pensando que o Rio está quebrado e que foi roubado. Pode até estar quebrado mas não por causa dos royalties e se foi roubado o foi por locais. Com a derrubada do veto da presidente Dilma, a distribuição dos royalties fica assim: Após um longo período de transição, que vai até 2020, em que se mantém a arrecadação de 2010 do Rio de Janeiro, as porcentagens do estado produtor caem de 26,5% para 20% e as dos municípios produtores de 26,5% para 15%. A arrecadação do Rio de Janeiro irá cair? Não. Será mantida e tende a subir na medida em que a produção de petróleo deve dobrar até 2020, passando dos atuais 2 para 4 milhões de barris, e os preços do petróleo estão altos (US$ 110) e tendem ainda a subir. Tem um estudo recente da OCDE que projeta um teto de US$ 260 em 2020. Para se ter uma ideia, a arrecadação de royalties do Rio de Janeiro em 2013, com a derrubada do veto, deve chegar a R$ 6,7 bilhões, enquanto todos os demais estados da federação deverão receber R$ 5 bilhões pelo Fundo de Participação dos Estados.Eu assisti à sessão que derrubou o veto da presidente Dilma. Confesso que passei do desprezo à admiração ao senador Renan Calheiros pelas baixarias que teve de aturar. O senador, pré-candidato a governador do Rio e presidente da República Lindinho se retirou da sessão com ares de ofendido quando o presidente da sessão limitou os discursos a 5 minutos, o que é usual. Como se ele tivesse muito a dizer. O deputado e dono do curral eleitoral de Campos, o Garotinho, subiu à Tribuna para gritar Fora Renan e outras pasmaceiras. Eu até entendo, pois o curral eleitoral da família que recebe mais de R$ 1 bilhão em royalties vai perder dinheiro. Depois foi a vez do deputado Molinho, que, após uma leitura literal da Constituição com ares colegiais, passou a ameaçar os estados do Paraná e Minas de que teriam muito a perder se aquela matéria fosse aprovada (energia elétrica e royalties minerais). Por fim, uma vez derrubado o veto tivemos a “greve de fome” declarada pelo governador Cabral, que mandou suspender os pagamentos do Rio de Janeiro, exceto salários de servidores públicos (dizem que ele resolveu culpar esta história dos royalties pelo péssimo estado das finanças do Rio) e a manifestação infeliz do ministro carioca do Supremo, o Luiz Fux, que acredita que o Supremo irá atacar a decisão do Congresso.
Isto me leva a pensar que talvez o Rio de Janeiro se sinta melhor fora da federação. Talvez fosse o caso do Exército Brasileiro e da Marinha retirarem suas numerosas bases do território do Rio de Janeiro. Aliás, a Marinha está praticamente concentrada lá. A Petrobras, que é controlada pela União, também poderia rever a localização das suas sedes administrativas; deve ocupar uns 20 a 30 prédios no centro do Rio de Janeiro. O BNDES também é federal e não existe nenhum motivo mais significativo para ele estar no Rio de Janeiro. E por aí vamos. Tem o IBGE, alguns ministérios, até outro dia o Rio de Janeiro tinha mais servidores públicos federais do que Brasília. Aliás, podíamos também cancelar a Copa e as Olimpíadas que estão sendo bancadas por recursos federais. Só o financiamento do BNDES para a revitalização da área do porto está na casa dos R$ 10 bilhões. Isto para não falar no Eike, o empresário carioca, por vocação, que não sai de casa sem um empréstimo do BNDES. Só nos últimos anos, o BNDES tem recebido aportes de dezenas de bilhões do Tesouro Nacional. Semana passada mesmo Eike se encontrou com Dilma e mês passado com Lula para atestar que continua prestigiado apesar das ações dos seus negócios terem virado mico.
No fim, o Cabral escolheu esta bandeira de defensor dos royalties como estratégia para fazer a população esquecer do ricamente documentado jantar dele e sua entourage em um restaurante de luxo em Paris com seu grande amigo, Fernando Cavendish, dono da construtora Delta. Quem quiser ver as fotos é só entrar no site do Garotinho. Tem secretário de Estado com foto ao lado de Ferrari de US$ 1 milhão. Talvez isto explique a falência do Estado. E falando em Garotinho, vejam como são bem gastos os recursos dos royalties na cidade de Campos, que é governada pelo clã Garotinho. Fala sério, um dos “melhores” municípios do país. O Lindinho, por sua vez, meio que vive um dilema, pois ele tem que se mostrar um defensor do Rio de Janeiro para ser eleito governador, mas tem que tomar cuidado para não ficar marcado e inviabilizar sua candidatura a presidente da República. A saída que ele encontrou na sessão que derrubou o veto foi se fazer de ofendido e vazar. O deputado Molinho fica lá marcando posição porque provavelmente quer se cacifar para o Senado.
Como vocês vem, a causa dos royalties em si não é justa, mas estes sujeitos se servem dela da melhor maneira possível. Afinal, serão atingidos níveis de produção nunca antes imaginados com a descoberta do Pré-Sal, que já é responsável pela produção de 250.000 barris por dia e em alguns anos deve passar de 1 milhão. Torço para que os cariocas não caiam no papo desses seus péssimos líderes e não se acreditem injustiçados; porque não são. O Rio de Janeiro vai muito bem, obrigado, e se tem problemas não são culpa do restante da federação, que tem é ajudado e muito.
06 fevereiro 2013
50 Tons de Cinza
Quando uma criança é pequena precisamos ensinar de forma didática o que é ser mau e o que é ser bom. Então temos a famosa historinha do Lobo Mau, que mostra o que é ser mau. A partir do Lobo Mau podemos fazer analogias com situações da vida real para tentar dar significado a contextos para a criança. E temos uma série de outros contos que tentam mostrar o que é ser bom e o que é ser mau.À medida que crescemos vamos percebendo que o mundo não é preto e branco e nem as pessoas são inteiramente boas ou más. As pessoas são intrinsecamente falhas, como ilustra a historinha bíblica do pecado original. Como resultado, as suas ações, mesmo aquelas bem intencionadas, também são falhas. Já dizia um velho adágio que o caminho do inferno está calçado de boas intenções.
A partir destas premissas vejamos, por exemplo, a eleição do presidente do Senado, o Renan Calheiros. Ele ganhou a eleição para esta cadeira com mais ou menos 75% dos votos dos senadores. O que isto quer dizer? Será que aqueles que votaram contra o Renan são necessariamente bons? Certamente, podemos contar entre eles o Cristovam, que recentemente propôs a federalização do ensino básico como uma panaceia para melhorar a sua qualidade e acabar com a desigualdade entre os ricos e os pobres, o velho Pedro Simon, que já está cansado de guerra, o Eduardo Suplicy, que em seu doutorado nos Estados Unidos entrou em contato com os ideais de Gary Becker de subornar mães, os quais acabaram sendo a base do Bolsa Escola e depois do Bolsa Família. Enfim, figuras que já estavam boas para se aposentar. Temos um Jarbas Vasconcelos com sua lucidez e sua estória de luta pela democracia no Brasil...
Do lado de Renan temos figuras como o velho Sarney e seu pragmatismo absolutamente amoral. Talvez Sarney tenha feito o pior governo da história deste país quando presidente da República, mas acabou sendo excelente para o fortalecimento do PMDB, o que de certa forma viabilizou o nascimento do PSDB, que seria o partido que mais tarde acabaria com a inflação no país. Ironicamente, os técnicos que montaram o Plano Cruzado para Sarney foram mais ou menos os mesmos que montaram o Plano Real para o Fernando Henrique. A diferença é que FHC teve a liderança e o espírito republicano necessário para fazer os dolorosos ajustes necessários ao Plano, apesar das crises do México, da Rússia e da Ásia.
Outra historinha bíblica é a do Bezerro de Ouro, em que Moisés é surpreendido pela fraqueza do povo em adorá-lo. A reação do profeta foi forte mas, apesar disto, o povo não aprendeu e nunca irá aprender. Faz parte da sua natureza a necessidade de idolatrar. No Brasil, temos a idolatria do Lula e seus apóstolos petistas defensoras dos fracos e da ética. Os fatos desmentiram estas pretensões mas, nem mesmo eles são mais fortes do que a idolatria que desafia a razão. De fato, temos aqueles que poderíamos qualificar como os do PT do B, ou seja, PT da Boquinha e outros menos venais. Há até mesmo aqueles que poderíamos chamar de bons.
Mas o mundo é cinza e de boas intenções a estrada para o inferno está calçada. Lembro-me que há alguns anos, o fala mansa do Palocci era um grande defensor da Reforma Constitucional no Brasil. Outro menos discreto como o Dirceu defendia a criação de um Conselho de Ética para os Jornalistas enquanto que Franklin Martins defende o controle “social” da mídia. Temos ainda aquela velha lenga lenga da Reforma Política na qual o PT insiste na criação do voto de lista fechada. O voto de lista fechada é o voto pacote da net. Se quiser tem que comprar todos os canais senão não assina. Assim, o partido garantiria a eleição daqueles nos quais nem o povo votaria.
Curiosamente, não foram os bons do PT os maiores adversários destas teses sinistras e pouco democráticas. Foram justamente os bandidos do PMDB e de outros partidos aqueles que souberam enxergar sob este manto de cordeiro. Afinal, nada como um bom canalha para reconhecer outro. Desta forma, e servindo aos seus interesses mais egoístas, o PMDB buscou preservar sua base de poder, o Brasil. E, assim, a meu ver, serviram a democracia. É, seria muito difícil explicar para uma criança que o lobo mau às vezes pode ser bom e os bons em sua fraqueza e ilusões podem servir o mal. Não é qualquer um que entende que por trás de grandes ideais e boas intenções justificam-se grandes atrocidades.
15 janeiro 2013
A Ditadura de Chávez
Mais uma vez a democracia Venezuelana se revela uma farsa e seu país se mostra profundamente dividido. O homem que se pretendia o líder do socialismo do século XXI revela-se mais um caudillo e sua carreira política termina como começou, com um golpe. Inflação de mais de 1000%, escalada de violência, profunda divisão nacional e escassez de alimentos são marca de seu governo, que iria para o 14º ano. Seu estado de saúde é segredo de Estado só conhecido por alguns colaboradores com o apoio do serviço secreto cubano. De fato, ignora-se mesmo se o líder da Revolução Bolivariana encontra-se morto e esteja sendo usado como o cavaleiro castelhano “El Cid”, cuja lenda diz que seu cadáver foi vestido em uma armadura e montado em seu cavalo Babieca para elevar a moral da tropa ou mesmo para ganhar uma batalha, dependendo da versão.Chávez era um misto de presidente da República e Silvio Santos com seu programa dominical, onde usava a sua verve para atacar os Estados Unidos, que também é seu maior cliente e comprador de petróleo, maior fonte de riquezas nacional. Mas falar mal dos gringos é um passatempo muito popular na América Latina, assim como fazer compras em Miami.
Comparando o Brasil a seus hermanos, acho que estamos em vantagem. Em nossa história, golpes militares foram dados por generais ou marechais. Nos nossos vizinhos, qualquer coronel achava que podia fundar um novo governo. O tenente-coronel Chávez deu o seu golpe em 1992, mas fracassou e foi preso. Em retrospecto, o maior erro do presidente Perez foi ter perdoado o golpista. Às vezes, a tentação para a conciliação se revela uma grande e desastrosa fraqueza.
A história da Venezuelana é cheia de golpes e de ditadores. O mais famoso foi Juan Vicente Gomez em cujo governo o petróleo foi descoberto no lago Maracaibo. Chávez sonhava em permanecer no poder por 30 anos, mais tempo do que Gomez, que ficou de 1908 a 1935. Em seu governo, o Exército ajudava a cuidar do gado do ilustre ditador e a Venezuela era sua grande hacienda. A maioria dos seus cerca de 64 filhos encontrou empregos ou favores no governo.
Após a partida deste ditador, teve-se mais alguns golpes e um ambiente político polarizado pelo COPEI e pela Ação Democrática. Apesar disso tudo podemos destacar o ministro venezuelano Juan Pérez Alfonzo, que foi um dos fundadores da OPEP ao lado do sheik Abdhullah Tariki. Alfonso, após amargar o exílio nos Estados Unidos, voltou para servir no governo após a queda do ditador Gomez. Ficou impressionado com a riqueza que encontrou na capital e com o desperdício da era do petróleo. Mandou o carro que usava nos Estados Unidos, um Singer, e só foi avisado de sua chegada ao porto 3 meses depois do fato. Quando mandou um mecânico buscar o carro ele já se encontrava enferrujado. O mecânico descuidou de verificar o óleo e fundiu o motor e o carro chegou a sua casa de reboque. Fez questão de colocar o carro em seu jardim como um símbolo do desperdício em seu país vivendo na opulência do petróleo.
Talvez este seja o problema da Venezuela. Ditaduras, petróleo e populismo. Talvez este seja o segredo de Chávez que, como todo líder carismático, também conta com a sorte a seu lado e no caso dele um petróleo próximo da casa dos US$ 100. Para se ter uma ideia, quando ele assumiu valia menos de US$ 20. Enfim, os filhos do grande papai Chávez desfilarão nas ruas e matarão em seu nome órfãos de suas promessas e a espera de mais alguém que os venha salvar.
25 junho 2012
Torturadores e Torturados
Recentemente foi criada a Comissão da Verdade para investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Pessoalmente, acho este nome muito inconveniente. Parece aquelas coisas da cultura corporativa do tipo Código de Ética. Mas, afinal, faz parte do marketing político dar-se um nome bonito para uma coisa não tão bonita. Por exemplo, quem não gosta chama de cotas raciais e quem gosta chama de ação afirmativa.Para começar, quem criou a tal Comissão foi justamente um grupo de pessoas que foram torturadas. Conhecendo a natureza humana, um motivo que parece óbvio é a busca de vingança. Os ex-torturados dizem que não, que querem apenas a Verdade. Bem, para garantir que a Verdade deles seja encontrada, eles mesmos designaram os membros desta Comissão ilustre.
Não se trata aqui de defender a tortura. Esta é uma prática covarde, para dizer o mínimo. Nos Estados Unidos, recentemente, houve quem a defendesse com base na possibilidade de se salvar centenas de vidas de atentados terroristas. De qualquer forma, a falta de empatia que é necessária para tal prática é algo sub-humano. De fato, não se poderia descrever tal prática nem como animal, não é algo sequer digno de um réptil.
Há 40 anos vivia-se uma guerra civil deflagrada por um grupo esquerdista radical que pretendia instalar no Brasil uma ditadura ao estilo cubano. Aí chegamos ao que realmente está em questão na Comissão da Verdade, na minha opinião. Hoje, temos um grupo que chegou ao poder que é constituído por vários dos ex-torturados. Chegaram a ele não pelas armas, nem tampouco para instalar uma ditadura cubana mas por caminhos democráticos.
Estas pessoas passaram por um grande calvário, várias delas passaram anos presas e outras na clandestinidade. Por outro lado, se os militares não tivessem vencido tal sublevação, ainda poderíamos estar vivendo a situação da Colômbia, por exemplo, que vive uma guerra civil há quase 50 anos, ou, se eles tivessem vencido, teríamos quem sabe uma nova Cuba. Enfim, prefiro a vitória dos militares.
O que está em questão, eu acho, é a necessidade destas pessoas de afirmarem que sua causa era justa. Na minha opinião, não era. Uma coisa é a tortura de inimigos do Estado, outra é dizer que eles estavam certos. Creio que eles estavam errados e acho que a tortura aplicada foi também um grande equívoco. Um equívoco tão grande que lançou uma sombra na vitória dos militares sobre esta insurreição que teria sido tão negativa para o país.
Creio que os verdadeiros heróis daquela ocasião não eram estes rapazes da geração 68 nem tampouco os militares. Penso que os verdadeiros heróis tenham sido os membros do antigo MDB e outros que foram os verdadeiros responsáveis pela redemocratização do Brasil. Lula, por exemplo, com sua liderança no ABC, foi um dos que nunca foram torturados e que muito mais contribuíram para a redemocratização do país.
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14 maio 2012
As Grandes Utopias: o Cristianismo, o Socialismo e o Individualismo
O que define a Europa e o próprio Ocidente é o seu berço cristão, ou seja, um bando de hereges judeus fugindo da perseguição por seus compatriotas acabou espalhando pelo mundo romano a palavra do líder da sua seita. Por que o cristianismo triunfou enquanto outras tantas religiões orientais que chegaram a uma decadente Roma pereceram? Alguns autores dizem que os cristãos criaram uma rede de proteção social aos doentes e desassistidos que se revelou de grande utilidade em um Império Romano em decadência.
O cristianismo pregava que todos eram irmãos em Cristo. Este conceito hoje bastante batido tinha a capacidade de aproximar homens que não pertenciam a uma mesma tribo e irmaná-los em uma hipertribo. Em uma época em que o pertencimento a pequenos grupos sociais era fundamental para a sobrevivência, este elemento foi um importante cimento social.
Muitos duvidam que Cristo tenha ressuscitado, mas é certo que o Império Romano ressuscitou na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou conquistando os bárbaros que destruíram Roma. Esta nova Igreja usou o Império para eliminar seus hereges enquanto o Império usou esta Igreja para obter legitimidade.
Tanto o socialismo quanto o individualismo são doutrinas cristãs. A partir da ideia de irmãos em Cristo, de justiça e de busca de um paraíso para o proletariado, chegamos ao socialismo, enquanto as idéias de salvação individual e livre arbítrio estão na base das doutrinas individualistas. De fato, há quem defenda a ideia que a democracia contemporânea tem suas bases na escolha do presbítero pela Assembléia entre os protestantes, ao invés de remotos modelos gregos. Aparentemente, Weber achava que o próprio capitalismo tinha muito a dever à ética protestante.
O problema da Igreja é o mesmo problema de outras utopias. Nenhum homem está à altura delas. Infelizmente, o Papa não é infalível, Marx tinha o hábito burguês de comer a empregada e os mercados financeiros regulados apenas pela racionalidade individual quase destruíram o capitalismo em 2008.
Afinal de contas, talvez a culpa por espalhar estas utopias não seja de um bando de bêbados e bacantes italianos mas de um bando de pescadores gregos desocupados. Como todos sabem, pescadores tendem a ser mentirosos e talvez Platão não tenha escapado a esta sina. Este culto de alto ideais acabou criando metas tão elevadas que só podem alimentar mentiras e decepções. Quem sabe esta busca pelos ideais acabou nos levando a perder o próprio significado de humanidade?
O cristianismo pregava que todos eram irmãos em Cristo. Este conceito hoje bastante batido tinha a capacidade de aproximar homens que não pertenciam a uma mesma tribo e irmaná-los em uma hipertribo. Em uma época em que o pertencimento a pequenos grupos sociais era fundamental para a sobrevivência, este elemento foi um importante cimento social.
Muitos duvidam que Cristo tenha ressuscitado, mas é certo que o Império Romano ressuscitou na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou conquistando os bárbaros que destruíram Roma. Esta nova Igreja usou o Império para eliminar seus hereges enquanto o Império usou esta Igreja para obter legitimidade.
Tanto o socialismo quanto o individualismo são doutrinas cristãs. A partir da ideia de irmãos em Cristo, de justiça e de busca de um paraíso para o proletariado, chegamos ao socialismo, enquanto as idéias de salvação individual e livre arbítrio estão na base das doutrinas individualistas. De fato, há quem defenda a ideia que a democracia contemporânea tem suas bases na escolha do presbítero pela Assembléia entre os protestantes, ao invés de remotos modelos gregos. Aparentemente, Weber achava que o próprio capitalismo tinha muito a dever à ética protestante.
O problema da Igreja é o mesmo problema de outras utopias. Nenhum homem está à altura delas. Infelizmente, o Papa não é infalível, Marx tinha o hábito burguês de comer a empregada e os mercados financeiros regulados apenas pela racionalidade individual quase destruíram o capitalismo em 2008.
Afinal de contas, talvez a culpa por espalhar estas utopias não seja de um bando de bêbados e bacantes italianos mas de um bando de pescadores gregos desocupados. Como todos sabem, pescadores tendem a ser mentirosos e talvez Platão não tenha escapado a esta sina. Este culto de alto ideais acabou criando metas tão elevadas que só podem alimentar mentiras e decepções. Quem sabe esta busca pelos ideais acabou nos levando a perder o próprio significado de humanidade?
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