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21 março 2014

A democracia é uma M*

O número de crianças atingidas pelo conflito na Síria chega a 5,5 milhões. Acredita-se que crianças sejam alvos preferenciais de franco-atiradores porque dificilmente serão abandonadas e irão requerer muitos cuidados. Estima-se que mais de 2 milhões de crianças irão requerer tratamento psicoterápico para se recuperar dos traumas sofridos (link). Como chegamos a isso? Certamente muitos fatores podem ter contribuído para isso, mas pretendo explorar a tese da falta de democracia na Síria.

A Síria era um regime que tinha eleições que eram sempre vencidas pelo partido da família Assad, portanto, era uma democracia de fachada. O ditador inclusive já anunciou sua intenção de se candidatar novamente em 2014. A meu ver, o problema aconteceu quando houve grande insatisfação popular que a falta de instituições democráticas foram incapazes de canalizar para uma mudança de governo. Se as tais manifestações tivessem ocorrido na Inglaterra, por exemplo, provavelmente teriam levado à queda do primeiro-ministro e possivelmente a dissolução do parlamento. Como não haviam instituições democráticas reconhecidas, o país mergulhou na guerra civil. Quem quer que ganhe essa guerra receberá um país em ruínas e um povo arrasado.

A democracia é uma M*. Nela temos que tolerar opiniões diferentes da nossa. Suportar decisões que contrariam nossos valores e interesses, mas fazemos isso com a fé e a esperança na participação e no diálogo. Quando não temos democracia, temos a situação da Venezuela onde milícias pró-governo matam manifestantes e há uma escalada de violência que provavelmente não deverá levar o país a guerra civil, mas irá agravar em muito as dificuldades econômicas e de segurança já vividas pela população.

Quando vejo pessoas defendendo o voto nulo acho que até entendo sua desilusão com o sistema democrático que é bastante falho e conta com pessoas mais falhas ainda. Entretanto, na ausência de eleições, o que nos resta para buscar um governo que atenda as expectativas da população? Resta a guerra civil que destruirá o país.

Na minha opinião, o maior feito de Mandela foi ter conduzido a transição de forma que a África do Sul não fosse mais um dos países africanos a entrar em guerra civil. O regime do apartheid já estava condenado desde fins da década de 70 e a sua elite encontrou nele o homem capaz de fazer a transição sem jogar o país no abismo. Talvez um dos segredos do processo seja a existência de instituições democráticas que foram mantidas em algum grau apesar do Congresso Nacional Africano ter ganho todas a eleições desde o fim do apartheid. Veja que não é fácil manter uma democracia viva.

No Brasil, temos o PT e um sonho de poder sem fim. Não creio que isso seja bom para o Brasil, pois não basta que haja democracia dentro do partido, é preciso que as instituições sejam democráticas e o que sustenta a democracia é a alternância de poder. Aliás, democracia de verdade não existe dentro do PT como se podem ver nas denúncias de Valter Pomar do abuso do poder econômico nas eleições internas (link).

02 março 2008

A Esquerda e a Guerra na América do Sul

Recentemente, foi morto um dos sete membros do secretariado das FARC, cujo acampamento estava 2 quilômetros dentro do território do Equador. Diante deste incidente, Chávez respondeu que se algo semelhante ocorresse na Venezuela, poderia ser a razão para uma guerra. Diante destes eventos, lembrei-me das minhas professorinhas do ensino médio e da sua mania de dizer que vivíamos em um lugar de paz eterna na América do Sul e que, portanto, não havia sentido em gastar dinheiro com armas em um país onde as pessoas passavam fome.

A Colômbia está em guerra civil há quarenta anos com esta guerrilha do Partido Comunista Colombiano que conta com simpatizantes pelo mundo afora, inclusive o mais popular historiador marxista, o Eric Hobsbawm, que criticou as injustiças do estado colombiano, a quem nega legitimidade. Enfim, agora sabemos como a elite das FARC sobrevive: alguns estão na floresta venezuelana, outros na equatoriana, e talvez haja alguns em território brasileiro. Depois da declaração de Chávez, podemos ter certeza de que parte do secretariado das FARC está escondida na Venezuela.

Apesar de não vivermos no Brasil em uma guerra civil declarada, entre 1996 e 2006 foram assassinados meio milhão de brasileiros. Os esquerdistas culpam a existência de armas de fogo e a injustiça social por isso. De fato, creio que boa parte destas mortes é explicada pela ação das quadrilhas de traficantes de drogas e pela existência de grupos de extermínio. O nível atual de organização das quadrilhas de traficantes de drogas deve muito aos antigos presos políticos da esquerda. Quanto aos grupos de extermínio, são a solução encontrada pela comunidade e por comerciantes, que pagam a policiais para exterminar jovens criminosos. De fato, a eliminação destes jovens pode até ser um fator de redução do número de assassinatos. Enquanto isto, os esquerdistas vêm com este papo furado politicamente correto defendendo a proibição da venda de armas e com campanhas para desarmar os cidadãos corretos, que pagam os impostos que sustentam a corja dos companheiros ,como vimos detalhadamente no escândalo do Mensalão, dos Cartões e das ONGs.

Mas voltando à questão da segurança sul-americana, temos agora uma possibilidade de guerra real à vista, caso o governo colombiano mate algum membro da elite das FARC na fronteira com a Venezuela. Uma guerra na floresta amazônica iria obrigar a mobilização do exército brasileiro na floresta para evitar que ela fosse usada pelas forças em conflito. A simples presença das forças brasileiras, por outro lado, aumenta o risco de “acidentes”. Levando em consideração os nossos atuais governantes, o peso das nossas forças poderia ser colocado ao lado dos venezuelanos, enquanto os Estados Unidos perfilariam ao lado da Colômbia... E poderíamos dar adeus à longa paz sul-americana. Mas o que alguém poderia esperar destas odiosas doutrinas marxistas que explicam a história pelo conflito entre opressores e oprimidos?

Devemos agradecer muito disso ao grande Fidel Castro; em um artigo surpreendente do Mino Carta ele se pergunta o que teria acontecido na América do Sul se a Geração 68 não tivesse se deslumbrado com a Revolução Cubana e desejado adotar o seu modelo. Talvez a história tivesse sido diferente e os americanos tivessem reagido menos histericamente os governos populistas que aos seus olhos se tornavam um foco de comunistas ansiosos por se aliar à União Soviética. Em certo sentido, tudo começa com a reação exagerada dos EUA diante da perda da sua influência em Cuba, o que acabou jogando Castro no colo dos soviéticos.


Fidel fez um grande estrago, as repercussoes da Crise dos Misseis mataram Kennedy, derrubaram Kruchev e lançaram os americanos em um Cruzada contra os seguidores dos grandes heróis cubanos na America do Sul. Neste ponto, uno-me à saudação de John McCain, que, a respeito da saída de Fidel do poder, desejou-lhe uma partida breve para o inferno para se encontrar com Karl Marx.
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