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30 setembro 2013

O Conflito Social

Atravessamos nossas vidas tentando administrar o conflito. Algumas vezes fugindo, evitando, e outras vezes confrontando. Mas, o conflito é maior que todos nós porque é algo ligado à natureza humana e à vida em sociedade. Quase todo romance gira em torno de um conflito, a maior parte dos telejornais narram conflitos e não passa um dia sem que tenhamos que enfrentá-los. Não vejo solução para eles, que, em boa medida, estão fora do nosso controle e da nossa capacidade de previsão. Resta-nos lidar com eles com todas as limitações inerentes à natureza humana.

Vejo as religiões, em boa parte, como uma engenharia humana que tenta administrar o conflito. Karen Armstrong, em seu estudo sobre o islamismo, enxerga nesta religião uma construção institucional de uma hipertribo que permitiu aos povos árabes abandonar alguns tribalismos e passar a viver como “os crentes”, portanto, uma forma de superar intermináveis vendettas. No cristianismo temos a ideia da comunhão dos irmãos em Cristo. Não temos o mesmo sangue, mas comungamos do “sangue” de Cristo e comemos da sua “carne”. Antes disso, a ideia judaica de um Deus pai já tornava irmãos aqueles que compartilhassem desta crença. Marx, de certa forma, reconhecia este papel da religião em amenizar o conflito e a acusava de ser o ópio do povo.

A teoria marxista defende a tese do conflito de classes como o motor da história, portanto, se este acabasse chegaríamos ao fim da história e, quem sabe, ao paraíso na terra. Para ele, o conflito estava essencialmente ligado a propriedade privada que, em última análise, seria a origem de todo o conflito entre os homens. Esta concepção se aproxima de Rousseau, que supunha que o homem era corrompido pela sociedade, deformada pela propriedade, e, ao contrário de outros contratualistas, recusava a legitimidade do contrato social por entender que este só beneficiava a alguns. Mas Marx e Rousseau estavam errados; sociedades que aboliram a propriedade privada não ficaram livres do conflito.

Nos Estados Unidos, assistimos à disputa entre outras escolas de pensamento que tinham abordagens diversas em relação a questão do conflito. A escola funcionalista via no conflito basicamente uma disfunção social. Os elitistas, a partir de Weber, enxergam o conflito como algo essencialmente ligado à disputa pelo poder e entendiam que este ocorria, em maior ou menor medida, quando parcelas das elites mobilizavam massas para travar suas batalhas. Os pluralistas americanos defendiam a tese de que o poder estava disperso pela sociedade e que era proporcional à capacidade de organização de alguns grupos. Mas não parece que o conflito esteja restrito a dinheiro e poder. Os romances de Agatha Christie traçam um panorama bem mais sombrio da natureza humana.

O conflito não é algo remoto, presente em teorias sociológicas ou romances, ele está presente em nosso dia a dia em sociedade. Quantas vezes já ouvimos pais falarem para filhos que não levem desaforos para casa ou que se apanharem na rua apanharão duas vezes em casa? O discurso mais politicamente correto é que as crianças precisam aprender a se defender. Em função disso, os pais põem seus filhos para fazer judô, karatê, jiu-jitsu na esperança de que eles pelo menos não sejam vítimas.

Apesar dos esforços das religiões, dos pais e das teorias sociológicas, o conflito persiste e talvez persista enquanto a sociedade humana existir. As ideias de justiça, de direitos, de mérito e de igualdade talvez sejam aproximações para atribuir significado aos conflitos. Quando assistimos a um jogo de futebol, classificamos agressões como “raça” ou “desleal” em função da nossa interpretação do conjunto das regras e da conduta do jogador. Existem até pessoas que, em função, de uma profunda identificação com um “time” são basicamente incapazes de ver qualquer razão ou reconhecer qualquer mérito em um time que não seja o seu. Muitos destes “doentes” fazem parte de torcidas organizadas, outros fazem parte dos Black Blocks e outros, ainda mais sofisticados, são líderes políticos hábeis em alimentar conflitos sociais em seu próprio benefício.

Lula, por exemplo, é um exímio manipulador de conflitos. Vejam o caso deste Programa Mais Médicos; ele é questionável em várias dimensões, desde o uso de “mão-de-obra escrava cubana”, passando pela falta de estrutura local para apoiar os médicos, seu impacto sobre a saúde pública no Brasil é questionável, a truculência da sua implantação por Medida Provisória é digna dos militares, enfim, é uma política que gera muito conflito e cujos resultados até o momento são nulos. Entretanto, em termos eleitorais, a turminha do PT conseguiu lançar nacionalmente o Padilha, ministro da Saúde, como candidato a governador de São Paulo. Com este jeito truculento ele se projeta e se cacifa para ser governador deste estado que tem um grande desafio de segurança pública a ser enfrentado.

A política de cotas raciais é outro tipo de política de resultados muito duvidosos. Nos EUA, onde foi aplicada por décadas, tem um resultado bastante ambíguo. Existem aqueles que afirmam que não foi possível mostrar o efeito positivo sobre a comunidade negra em função da ação devastadora do crack. Apesar disso, é uma plataforma eleitoral que ganha cada vez mais legitimidade no Brasil, apesar de contar com uma turminha revoltada daqueles que acham que a vida lhes deve algo e eles estão aqui para cobrar. Esta atitude não tem cor, ela está presente em muitas pessoas que só têm desprezo para oferecer a seus semelhantes.

Isto para não falar daqueles que querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Tem gente que gosta de conflito, se sente vivo com aquela descarga de adrenalina, com ampliação dos sentidos e com aquela presença necessária para garantir a sobrevivência. Basta ver os Black Blocks em seu êxtase “revolucionário” e destrutivo. Talvez uma sessão de destruição dê um barato melhor que cocaína. Os militantes do PT não ficam atrás com aquelas suas bandeirinhas que, quando rejeitadas, são prontamente transformadas em porretes.

As religiões diriam que eles também são filhos de Deus e que não nos cabe julgá-los. Talvez amá-los não seja a solução para o problema do conflito, mas seja um passo para conseguirmos encontrar paz em nós mesmos. Não podemos procurar a paz pelos outros e muito menos obrigá-los a buscá-la, mas podemos fazer a nossa parte. Ainda não acredito em oferecer a outra face porque acredito que estou certo.

15 janeiro 2013

A Ditadura de Chávez

Mais uma vez a democracia Venezuelana se revela uma farsa e seu país se mostra profundamente dividido. O homem que se pretendia o líder do socialismo do século XXI revela-se mais um caudillo e sua carreira política termina como começou, com um golpe. Inflação de mais de 1000%, escalada de violência, profunda divisão nacional e escassez de alimentos são marca de seu governo, que iria para o 14º ano. Seu estado de saúde é segredo de Estado só conhecido por alguns colaboradores com o apoio do serviço secreto cubano. De fato, ignora-se mesmo se o líder da Revolução Bolivariana encontra-se morto e esteja sendo usado como o cavaleiro castelhano “El Cid”, cuja lenda diz que seu cadáver foi vestido em uma armadura e montado em seu cavalo Babieca para elevar a moral da tropa ou mesmo para ganhar uma batalha, dependendo da versão.

Chávez era um misto de presidente da República e Silvio Santos com seu programa dominical, onde usava a sua verve para atacar os Estados Unidos, que também é seu maior cliente e comprador de petróleo, maior fonte de riquezas nacional. Mas falar mal dos gringos é um passatempo muito popular na América Latina, assim como fazer compras em Miami.

Comparando o Brasil a seus hermanos, acho que estamos em vantagem. Em nossa história, golpes militares foram dados por generais ou marechais. Nos nossos vizinhos, qualquer coronel achava que podia fundar um novo governo. O tenente-coronel Chávez deu o seu golpe em 1992, mas fracassou e foi preso. Em retrospecto, o maior erro do presidente Perez foi ter perdoado o golpista. Às vezes, a tentação para a conciliação se revela uma grande e desastrosa fraqueza.

A história da Venezuelana é cheia de golpes e de ditadores. O mais famoso foi Juan Vicente Gomez em cujo governo o petróleo foi descoberto no lago Maracaibo. Chávez sonhava em permanecer no poder por 30 anos, mais tempo do que Gomez, que ficou de 1908 a 1935. Em seu governo, o Exército ajudava a cuidar do gado do ilustre ditador e a Venezuela era sua grande hacienda. A maioria dos seus cerca de 64 filhos encontrou empregos ou favores no governo.

Após a partida deste ditador, teve-se mais alguns golpes e um ambiente político polarizado pelo COPEI e pela Ação Democrática. Apesar disso tudo podemos destacar o ministro venezuelano Juan Pérez Alfonzo, que foi um dos fundadores da OPEP ao lado do sheik Abdhullah Tariki. Alfonso, após amargar o exílio nos Estados Unidos, voltou para servir no governo após a queda do ditador Gomez. Ficou impressionado com a riqueza que encontrou na capital e com o desperdício da era do petróleo. Mandou o carro que usava nos Estados Unidos, um Singer, e só foi avisado de sua chegada ao porto 3 meses depois do fato. Quando mandou um mecânico buscar o carro ele já se encontrava enferrujado. O mecânico descuidou de verificar o óleo e fundiu o motor e o carro chegou a sua casa de reboque. Fez questão de colocar o carro em seu jardim como um símbolo do desperdício em seu país vivendo na opulência do petróleo.

Talvez este seja o problema da Venezuela. Ditaduras, petróleo e populismo. Talvez este seja o segredo de Chávez que, como todo líder carismático, também conta com a sorte a seu lado e no caso dele um petróleo próximo da casa dos US$ 100. Para se ter uma ideia, quando ele assumiu valia menos de US$ 20. Enfim, os filhos do grande papai Chávez desfilarão nas ruas e matarão em seu nome órfãos de suas promessas e a espera de mais alguém que os venha salvar.

14 maio 2012

As Grandes Utopias: o Cristianismo, o Socialismo e o Individualismo

O que define a Europa e o próprio Ocidente é o seu berço cristão, ou seja, um bando de hereges judeus fugindo da perseguição por seus compatriotas acabou espalhando pelo mundo romano a palavra do líder da sua seita. Por que o cristianismo triunfou enquanto outras tantas religiões orientais que chegaram a uma decadente Roma pereceram? Alguns autores dizem que os cristãos criaram uma rede de proteção social aos doentes e desassistidos que se revelou de grande utilidade em um Império Romano em decadência.


O cristianismo pregava que todos eram irmãos em Cristo. Este conceito hoje bastante batido tinha a capacidade de aproximar homens que não pertenciam a uma mesma tribo e irmaná-los em uma hipertribo. Em uma época em que o pertencimento a pequenos grupos sociais era fundamental para a sobrevivência, este elemento foi um importante cimento social.


Muitos duvidam que Cristo tenha ressuscitado, mas é certo que o Império Romano ressuscitou na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou conquistando os bárbaros que destruíram Roma. Esta nova Igreja usou o Império para eliminar seus hereges enquanto o Império usou esta Igreja para obter legitimidade.


Tanto o socialismo quanto o individualismo são doutrinas cristãs. A partir da ideia de irmãos em Cristo, de justiça e de busca de um paraíso para o proletariado, chegamos ao socialismo, enquanto as idéias de salvação individual e livre arbítrio estão na base das doutrinas individualistas. De fato, há quem defenda a ideia que a democracia contemporânea tem suas bases na escolha do presbítero pela Assembléia entre os protestantes, ao invés de remotos modelos gregos. Aparentemente, Weber achava que o próprio capitalismo tinha muito a dever à ética protestante.


O problema da Igreja é o mesmo problema de outras utopias. Nenhum homem está à altura delas. Infelizmente, o Papa não é infalível, Marx tinha o hábito burguês de comer a empregada e os mercados financeiros regulados apenas pela racionalidade individual quase destruíram o capitalismo em 2008.


Afinal de contas, talvez a culpa por espalhar estas utopias não seja de um bando de bêbados e bacantes italianos mas de um bando de pescadores gregos desocupados. Como todos sabem, pescadores tendem a ser mentirosos e talvez Platão não tenha escapado a esta sina. Este culto de alto ideais acabou criando metas tão elevadas que só podem alimentar mentiras e decepções. Quem sabe esta busca pelos ideais acabou nos levando a perder o próprio significado de humanidade?

18 maio 2008

A Propriedade Privada

Talvez a propriedade privada tenha surgido com Moisés como é mostrado em Números 33 e 34: “Tomareis posse da terra e nela habitareis; pois é a vós que dou esta terra em posse. Dividireis a terra entre os vossos clãs por sorteio... tomareis um responsável por tribo para fazer a partilha da terra.” Já existia também a função social da propriedade, como pode ser visto nos resgates e jubileus do Levítico, que visavam impedir a escravização e a exploração de um judeu por outro.

A doutrina social da Igreja associa a propriedade a uma função social, ou seja, à função de servir de instrumento para a criação de bens necessários à subsistência de toda a humanidade, tal como exposta nas Encíclicas Mater et Magistra, do Papa João XXIII, de 1961, e Populorum Progressio, do Papa João Paulo II.

Norberto Bobbio, em seu Dicionário de Política, faz uma digressão sobre a propriedade a partir do adjetivo latino proprius como “o objeto que pertence a alguém de modo exclusivo” e sua implicação jurídica de “direito de dispor de alguma coisa de modo pleno, sem limites”. O direito transforma a posse na propriedade. Este direito pode ser adquirido de várias formas: doação, herança, compra-venda, entre outros, e ser extinto pela morte. Hayek e Friedman, expoentes do neo-liberalismo são contrários, por exemplo, ao direito de herança. Tanto Warren Buffet como Bill Gates são favoráveis a um imposto progressivo sobre a herança tendo ambos doado a maior parte de suas gigantescas fortunas para fundações como pode ser visto no seu artigo em: http://www.open-spaces.com/article-v6n2-gates.pdf.

Outro ponto enfatizado por Bobbio é a propriedade como “processo individual”, no qual a “exclusão do resto do universo social” transforma o objeto que lhe pertence em uma projeção de si. A propriedade privada ainda se reveste de uma simbologia, entendida como “independência da necessidade e dos outros homens”. A propriedade privada é um símbolo de sucesso conferindo distinção.

Para Bobbio, no tempo de Marx não foi possível se perceber que a propriedade privada se legitima pela sociedade de consumo, que faz com os indivíduos considerem ataques à propriedade privada como ameaças aos seus interesses. Para Weber, a propriedade privada típica é a “moderna empresa privada”. Seu tema central é o da distribuição de controle e decisão. A propriedade privada tem o poder de coordenar a produção.

No século XX, o mercado foi substituído por estruturas menos competitivas, o Estado passou a regular a economia e as empresas passaram a ser dirigidas por uma elite constituída por técnicos-políticos. De outro lado, o Estado passou a ser dirigido por uma elite mais burocrática, que representa os eleitores.

Para o constitucionalista marxista português José Afonso da Silva, a propriedade privada não pode ser mais tida como um direito individual em razão de sua função social modificar a sua natureza, transformando-a em uma instituição do direito econômico. Neste sentido, preservaríamos como direitos individuais a liberdade, a igualdade, a vida, a privacidade, mas não mais a propriedade.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, proclamava ser a propriedade “direito inviolável e sagrado”, o Código de Napoleão de 1804, no artigo 544, o definia como “o direito de gozar e de dispor das coisas de modo absoluto, contanto que isso não se torne uso proibido pelas leis ou pelos regulamentos”.

Por meio do poder de polícia administrativo, o Estado restringe este direito individual em benefício da coletividade. Assim, o direito de propriedade de um prédio só se torna em direito de habitá-lo mediante um alvará que pressuponha o atendimento de inúmeros requisitos.

Hoje, no direito brasileiro, existem algumas limitações à propriedade privada, quais sejam: a ocupação temporária e a requisição do imóvel, o tombamento, a servidão administrativa, a desapropriação e a requisição de bens móveis e fungíveis, a edificação e o caráter compulsórios.
Já na Constituição Imperial de 1824, no artigo 179, se garante o direito de propriedade "em toda a sua plenitude" sendo que "se o bem público, legalmente verificado, exigir o uso e emprego da propriedade do cidadão, ele será previamente indenizado do valor dela."Em 1946, a Constituição exigia que a indenização fosse prévia, justa e em dinheiro. A atual Constituição prevê ainda uma hipótese de desapropriação sem indenização, que incidirá sobre terras onde se cultivem plantas psicotrópicas legalmente proibidas.
A declaração expropriatória pode ser feita pelo Poder Executivo, por meio de decreto, ou pelo Legislativo, por meio de lei que deve conter a declaração de utilidade pública ou interesse social. A partir daí, o poder público adquire o poder de penetrar no imóvel. O Poder Judiciário não pode anular esta declaração mas apenas preço e vício da ação.

A eminente jurista do Direito Administrativo Maria Sylvia Zanella Di Pietro defende que haja uma expansão do poder de polícia em benefício da função social da propriedade para englobar as limitações impostas à propriedade privada.

Desde as Constituições de 1946 e 1967 já se discute a função social da propriedade, tendo esta sido expressa na Constituição outorgada pelos militares. Isto significaria que “a Constituição não nega o direito exclusivo do dono sobre a coisa, mas exige que o seu uso seja condicionado ao bem-estar geral.”

Para encerrar bem esta digressão e para o desgosto dos marxistas ortodoxos que tanto minaram a propriedade privada, vamos usar uma citação de Slavoj Zizek onde ele mostra como o capitalismo atual prescinde da propriedade privada: “With Bill Gates, "private property in the means of production" becomes meaningless, at least in the standard meaning of the word. The paradox of this virtualization of capitalism is ultimately the same as that of the electron in elementary particle physics. The mass of each element in our reality is composed of its mass at rest plus the surplus provided by the acceleration of its movement; however, an electron's mass at rest is zero, its mass consisting only of the surplus generated by the acceleration of its movement, as if we are dealing with a nothing which acquires some deceptive substance only by magically spinning itself into an excess of itself. Does today's virtual capitalist not function in a homologous way: his "net value" at zero, he directly operates just with the surplus borrowing from the future.”

13 maio 2008

Cuba, 49 anos de Revolução

Os EUA cometeram o grave erro de não ter tornado Cuba um estado membro da sua federação. Ao invés disso, trataram-na como uma prostituta. Fidel realizou a Revolução a menos de 100 km dos EUA, derrotou os americanos na baia dos Porcos e foi protagonista da crise dos Misseis que resultou no afastamento de Kruschev e na morte de Kennedy.

Diante deste exemplo, os EUA endureceram sua política em relação à América Latina apoiando abertamente qualquer regime de direita por entender que não podiam transigir com populistas em plena guerra fria e diante do exemplo cubano. Havia sempre a teoria do dominó a assombrá-los.

Com isto, os EUA apoiaram ostensivamente o golpe de 64 com a presença de agentes americanos em nosso território e uma frota em nossa costa. Eles acabaram enfraquecendo a direita progressista e tornaram Fidel e a Revolução Cubana em heróis para a nossa Geração 68.

Recentemente tive oportunidade de conversar com dois colegas que estiveram em Cuba. Eu os chamarei o Jovem e o Velho. O Jovem é um comunista leninista que coordena um grupo de estudos da UFRJ. O Velho é ex-comunista que parou de ler Marx quando teve de esconder os seus livros na época da ditadura.

O Velho voltou falando da sua decepção, das prostitutas nas esquinas, de um país que vivia um verdadeiro appartheid entre aqueles que vivem na economia do dólar e os que não. Segundo o Velho, na famosa sorveteria estatal Coppelia, os cubanos enfrentam uma longa fila enquanto que os pagantes em dólar entram direto e ficam à vontade. Para se conseguir a carta blanca e se viajar ao exterior é necessário dispor de US$ 150,00 quantia nada desprezível para uma população cujo salário médio é de US$ 30,00.

O Jovem voltou dizendo-se impressionado com Varadero e suas magníficas praias, com o hotel 5 estrelas que foi sede dos revolucionários no qual ele se hospedou, com o monumento à Che cuja sacralidade proíbe que se tirem fotos, e também com o fato de não ter visto nenhum mendigo nas ruas. Segundo ele, a economia cubana está crescendo a 20% ao ano e só não é um sucesso maior em decorrência do embargo dos EUA. Enquanto isto, cada família tem que se virar com uma ração que permite 3 litros de leite por semana.

A fé do Velho já estava abalada e a sua visita só serviu para pulverizá-la enquanto que a Fé do Jovem voltou bastante fortalecida, a ponto dele deixar de dizer que um gramsciano e se admitir um leninista. Como ele disse, em Cuba, se o sujeito quiser ir embora que seja com uma mão na frente e outra atrás e, se ameaçar a Revolução, tem que ir para a cadeia e tomar porrada. Ele me mostrou as fotos que ele tirou dos outdoors criticando os EUA, me falou da comemoração do 1 de maio quando o pessoal acorda às 5:00 da manhã para ir à praça assistir ao discurso do Raul, das caixas de charuto que ele comprou além de vários livros revolucionários incluindo exemplares do Capital editado em Cuba. Ele se gabou de uma sistema educacional que promove o mérito buscando identificar os talentos e tolera os ginetes, ou seja, os vagabundos que preferem viver da ração do estado e de tentar explorar os turistas.

Fiquei entre chocado e satisfeito com a sinceridade do jovem que dizia que valia a pena sacrificar a liberdade de 5% ou 10% da população no Brasil para que fosse dado à grande maioria condições dignas de vida. Na sua visão, a democracia burguesa deveria ser destruída e substituída pela democracia revolucionária, na qual cada bairro teria um comitê de defesa da revolução que cuidaria dos problemas locais e forneceria informações para o governo.

Segundo ele, o Partido Comunista Cubano é como uma maçonaria onde o ingresso requer a necessidade de convite por membros e a prévia investigação. Ainda segundo ele, o PCC é uma espécie de Conselho de Estado que elabora as políticas que são seguidas ou não por uma assembléia eleita a partir dos comitês revolucionários de bairro, de fábricas e das escolas.

Uma coisa em que ambos concordam é que a situação cubana depende da doação de 100.000 barris diários da Venezuela de Chavez. Sem isto, Cuba estaria em uma situação muito mais grave. De fato, para pagar pelo seu petróleo, os cubanos enviaram à Venezuela 50.000 médicos entre outros profissionais que prestam assistência à população e transferem o know-how revolucionário cubano. Eu apostaria que devem ter alguns milhares de conselheiros militares e pessoal de inteligência para ajudar a controlar as forças armadas venezuelas, afinal, Cuba não pode suportar a queda do regime chavista.

Por fim, cometi a imprudência de provocar o jovem com um artigo de um velho general francês que, entre os relatos de atrocidades cometidas em nome da democracia e da sociedade aberta, afirmou que Fidel passou a informação que resultou na morte de Che na Bolívia. Evidentemente, o Jovem leninista reagiu profundamente irado a uma afirmação como esta e aproveitou para amaldiçoar a Veja que detratou Che.

A meu ver, assim como existe Veja também existe Carta Capital e enquanto estivermos em uma democracia liberal, cada um lê o órgão de imprensa que desejar. Por outro lado, existem muitas teorias da conspiração sobre a morte de JFK e até do JK, por que não do Che? Por fim, em todos os movimentos revolucionários aqueles que chegam ao topo continuam matando-se uns aos outros até sobrar um só Highlander. A Revolução Francesa gerou um Napoleão. A Revolução Russa gerou um Stalin. A Revolução Chinesa, um Mao e a Cubana, um Fidel...

20 abril 2008

A Utopia de Brasília

Quando o assunto é política e envolve o Congresso Nacional, Brasília é quase sempre mencionada depreciativamente. Ironicamente, neste momento em que a política brasileira é dominada por homens que carregam a bandeira da igualdade, Brasília deveria ser glorificada por ser talvez a maior realização do igualitarismo em terras brasileiras.

Recentemente, com a atuação dos aluninhos da UnB que resultou na queda do “Reitor das Quotas” em razão da decoração fabulosa do seu duplex funcional de cobertura, Brasília demonstrou que existe uma nova geração de brasilienses de quem se pode aspirar algo melhor do que foram os eleitores de Roriz, que usou as terras públicas de Brasília para se eleger. Culpa também da falta de capacidade da burocracia local em atender as demandas populares e da classe média por moradia.

Desde o Império havia o sonho de interiorizar a capital, e a arquitetura da cidade foi elaborada por um arquiteto comunista descendente de ilustres servidores do Império. O Rio de Janeiro foi a capital por 152 anos e é um local particularmente corrupto e desigual com uma grande população negra que ainda é cidadã de segunda classe apesar de ainda ter grande quantidade de servidores públicos. Possivelmente seja por isso que o Rio de Janeiro gere tantos comunistas. A combinação de servidores públicos, de intelectuais liberais e de desigualdade gera um espaço de experiência de algo insuportável associado a um horizonte de expectativa de busca de mais igualdade nas doutrinas socialistas.

Brasília, com a sua arquitetura comunista onde todos os prédios se parecem e que, segundo dizem, lembram a Europa Oriental, tem a maioria da população empregada no serviço público com faixas salariais com um piso alto e um teto não excessivamente elevado, enfim, um delírio de igualitarismo. Enquanto os monumentos de Washington têm muitos símbolos maçons, Brasília ostenta símbolos comunistas, muitos construídos sob as barbas dos militares.

Ninguém de bom senso nega a necessidade de políticas públicas que efetivamente ataquem as causas da desigualdade na sociedade brasileira; infelizmente, nem sempre quem carrega uma bandeira a serve, e muitas vezes apenas se serve dela. Quem sabe um dia possamos aspirar a que todo Brasil seja como Brasília.

02 abril 2008

Por que existe a pobreza?

Uma das respostas possíveis sobre a pobreza foi a de Solow, um celebrado economista neoclássico que quando entrevistado afirmou que pobreza foi a situação que ele enfrentou na sua infância e que hoje o que se chama de pobreza para ele não era pobreza.

A sabedoria popular brinca que se o sujeito não nascer rico, ele ainda tem a oportunidade de ficar rico casando. Recordo-me de um estudo americano que afirmava que grande parte da riqueza era explicada não pela educação, mas pelas escolhas de associações das pessoas. Assim, alguém que trabalha com pessoas ou em empresas bem sucedidas tem grandes possibilidades de também enriquecer. Isto contraria um pouco o consenso que tende a explicar o sucesso em decorrência da educação.

O jovem autor marxista militante Rodrigo Castelo Branco afirma que no Brasil a questão da pobreza é vista a partir da um consenso social-liberal. Na opinião dele, este consenso propõe como solução para a pobreza o aumento do foco dos gastos sociais, o que é diferente do aumento dos gastos públicos. A melhora da educação como forma de distribuição de oportunidades que permitam às pessoas ingressar no mercado de trabalho é outro ponto deste consenso.

Na sua visão marxista militante e livre do reducionismo da decadente ideologia do pensamento burguês, a pobreza se deveria a outros fatores, quais sejam: a existência da propriedade privada dos meios de produção; “condição subalternizada e passiva do trabalhador frente ao capitalista e à situação esta que se mantém pela criação de um imenso aparato político-ideológico legitimador das condições subjacentes à produção de riqueza.”

Enfim, para ele, existe a pobreza porque existe o capistalista. Todo mundo concorda que a produção de bens deve gerar excedentes, senão ela não é sustentável. Ocorre que no nível de generalização da teoria do valor do trabalho de Marx não existe tempo, nem risco, nem poder de mercado, nem sequer setores da economia, nem tecnologia, nem empreendedor: nada disto. Existe o trabalho passado na forma de capital e o trabalho presente e como o trabalho passado só contribui com depreciação, então se conclui que o excedente “mais-valia” é gerado pelo trabalhador. Para o pessoal do PSTU haveria aí um roubo do trabalhador, conforme podemos ver na lietra do Hino da Internacional, entretanto, um bom marxista sabe que o trabalhador foi remunerado pelo seu custo de renovação e que isto não é um relação de “exploração”.

Enquanto os marxistas pretendem o fim da propriedade privada e do capitalismo, os chamados social-liberais sugerem medidas como a reforma previdenciária em detrimento do servidor público, a cobrança de mensalidade em universidades públicas. É o velho debate: enquanto alguns querem reformar, outros querem revolucionar.

21 março 2008

Jesus Salva...e Marx também

Hoje é sexta-feira santa e, talvez por ser um dia religioso, observei vários carros com inscrições como Jesus Salva ou Ele é o Caminho, ou coisas do tipo. Vi um grupo de moças bem vestidas que, ao passarmos por elas, nos entregaram um folheto dizendo que todo o sofrimento cessaria se fossemos para a igreja delas. Na hora, confesso que me lembrei de Buda e as Nobres Verdades.

Ontem, um 'quase doutorando' em Economia, bastante erudito, com quem eu conversava me disse que quando os trabalhadores tomarem o poder e impuserem a ditadura dos trabalhadores, cessará todo o conflito de classes e a verdadeira história da humanidade comecará ... Não pude deixar de retrucar que esta era um idéia messiânica, ou mesmo escatológica.

A realizacão da profecia marxista depende da vitória dos 'trabalhadores' na guerra de classes. Gramsci propôs então a atualização de Maquiavel, substituindo o príncipe pelo partido, ou seja, a estratégia seria fortalecer o partido, englobando a sociedade civil e substituindo as instituições pela hegemonia do partido.

O futuro construído pelos companheiros trabalhadores seria marcado pela substituição da propriedade privada e da livre iniciativa pela submissão a instâncias burocráticas de coordenação política da produção. Curiosamente, o Partido Comunista Chinês, o partido mais poderoso do mundo, age justamente na direcão contrária: monopoliza o poder e libera a livre iniciativa, além de caminhar na direção da propriedade privada. E que Império terrível é o chinês: a colônia tibetana que o diga.

Curiosamente, o marxismo se alimenta da burguesia como o próprio Marx, que passou a vida sendo sustentado por um milionário. A idéia de uma sociedade de iguais criada com a queda do Antigo Regime e o consequente fim dos privilégios da fidalguia é uma concepção burguesa e liberal. Uma das mais remotas fontes desta idéia é o próprio cristianismo com seu ideal da formação da comunidade dos irmãos em Cristo. As doutrinas religiosas monoteístas fizeram muito pela unificação política dos estados. O cristianismo, para muitos, teria criado a Europa a partir da idéia de cristandade. No marxismo, os irmãos em Cristo se tornam os companheiros trabalhadores e, certamente, quando os companheiros trabalhadores dominarem o mundo, cessará todo o sofrimento . Quem conhece minimamente um sindicato não alimenta tantas esperanças.

A propriedade privada é uma instituição recente, com uns duzentos anos ou menos na maioria dos países. Assim, quando d. Joao VI expropria casas no Rio para o corte, estava em seu direito. No feudalismo, se podia até comprar uma propriedade, mas não se podia retirar os servos que estavam ligados à terra e não necessariamente aos senhores dela. Somente com a Revolução Industrial, e mais intensamente no século XIX, foi possível expulsar os servos das propriedades.

Assim, o marxismo depende da idéia burguesa e cristã da igualdade, da ética burguesa e protestante do trabalho, sobre a qual ele baseia toda a sua teoria do valor-trabalho que afinal vem de Adam Smith. Disto Marx deduziu que a existencia da propriedade privada é fruto da exploracao de classe por meio da extracao da mais-valia. Como disse Lenin, Marx se apoiou na economia politica inglesa, na filosofia alemã "invertida" e na teoria política francesa.

Não podemos nos esquecer que no século XIX emergia o Estado como uma instituição de controle de toda a sociedade. Anteriormente, o mais poderoso Rei 'absolutista' jamais sonharia com o poder que o Estado teria a partir do século XIX. Antes, um Rei distribuia justiça e fazia a guerra, enquanto que o Estado de polícia iniciado nos finais do antigo regime ampliou-se progressivamente, atuando na disciplinarização dos corpos para a promoção do bem-comum.

O que o futuro nos reserva? Será que o PT e aliados conseguirão se fortalecer em detrimento das demais instituições até passarem a exercer a hegemonia? Será que as novas igrejas que pregam o sucesso e a felicidade substituirão a velha Igreja Católica? Será que as pessoas entregarão a responsabilidade pela sua felicidade e bem-estar ao Estado? Aguardem na próxima semana, na mesma BatHora, no mesmo BatCanal!

02 março 2008

A Esquerda e a Guerra na América do Sul

Recentemente, foi morto um dos sete membros do secretariado das FARC, cujo acampamento estava 2 quilômetros dentro do território do Equador. Diante deste incidente, Chávez respondeu que se algo semelhante ocorresse na Venezuela, poderia ser a razão para uma guerra. Diante destes eventos, lembrei-me das minhas professorinhas do ensino médio e da sua mania de dizer que vivíamos em um lugar de paz eterna na América do Sul e que, portanto, não havia sentido em gastar dinheiro com armas em um país onde as pessoas passavam fome.

A Colômbia está em guerra civil há quarenta anos com esta guerrilha do Partido Comunista Colombiano que conta com simpatizantes pelo mundo afora, inclusive o mais popular historiador marxista, o Eric Hobsbawm, que criticou as injustiças do estado colombiano, a quem nega legitimidade. Enfim, agora sabemos como a elite das FARC sobrevive: alguns estão na floresta venezuelana, outros na equatoriana, e talvez haja alguns em território brasileiro. Depois da declaração de Chávez, podemos ter certeza de que parte do secretariado das FARC está escondida na Venezuela.

Apesar de não vivermos no Brasil em uma guerra civil declarada, entre 1996 e 2006 foram assassinados meio milhão de brasileiros. Os esquerdistas culpam a existência de armas de fogo e a injustiça social por isso. De fato, creio que boa parte destas mortes é explicada pela ação das quadrilhas de traficantes de drogas e pela existência de grupos de extermínio. O nível atual de organização das quadrilhas de traficantes de drogas deve muito aos antigos presos políticos da esquerda. Quanto aos grupos de extermínio, são a solução encontrada pela comunidade e por comerciantes, que pagam a policiais para exterminar jovens criminosos. De fato, a eliminação destes jovens pode até ser um fator de redução do número de assassinatos. Enquanto isto, os esquerdistas vêm com este papo furado politicamente correto defendendo a proibição da venda de armas e com campanhas para desarmar os cidadãos corretos, que pagam os impostos que sustentam a corja dos companheiros ,como vimos detalhadamente no escândalo do Mensalão, dos Cartões e das ONGs.

Mas voltando à questão da segurança sul-americana, temos agora uma possibilidade de guerra real à vista, caso o governo colombiano mate algum membro da elite das FARC na fronteira com a Venezuela. Uma guerra na floresta amazônica iria obrigar a mobilização do exército brasileiro na floresta para evitar que ela fosse usada pelas forças em conflito. A simples presença das forças brasileiras, por outro lado, aumenta o risco de “acidentes”. Levando em consideração os nossos atuais governantes, o peso das nossas forças poderia ser colocado ao lado dos venezuelanos, enquanto os Estados Unidos perfilariam ao lado da Colômbia... E poderíamos dar adeus à longa paz sul-americana. Mas o que alguém poderia esperar destas odiosas doutrinas marxistas que explicam a história pelo conflito entre opressores e oprimidos?

Devemos agradecer muito disso ao grande Fidel Castro; em um artigo surpreendente do Mino Carta ele se pergunta o que teria acontecido na América do Sul se a Geração 68 não tivesse se deslumbrado com a Revolução Cubana e desejado adotar o seu modelo. Talvez a história tivesse sido diferente e os americanos tivessem reagido menos histericamente os governos populistas que aos seus olhos se tornavam um foco de comunistas ansiosos por se aliar à União Soviética. Em certo sentido, tudo começa com a reação exagerada dos EUA diante da perda da sua influência em Cuba, o que acabou jogando Castro no colo dos soviéticos.


Fidel fez um grande estrago, as repercussoes da Crise dos Misseis mataram Kennedy, derrubaram Kruchev e lançaram os americanos em um Cruzada contra os seguidores dos grandes heróis cubanos na America do Sul. Neste ponto, uno-me à saudação de John McCain, que, a respeito da saída de Fidel do poder, desejou-lhe uma partida breve para o inferno para se encontrar com Karl Marx.

27 fevereiro 2008

A Herança Maldita da Esquerda

O presidente Luiz Inácio “Não sabe de Nada” da Silva costumava dizer que tinha recebido uma herança maldita de Fernando Henrique. Dizia que a venda das empresas de telecomunicação pelo dobro do preço do mercado como ficou demonstrado um ano depois havia sido “entreguismo”. No fundo, nós sabemos o que incomoda a cambada petista, foi a eliminação de mais de 200 cargos de diretores que havia no Sistema Telebrás que teria permitido a nomeação de muitos “companheiros”.

O crime organizado deve muito aos antigos presos políticos que ajudaram a formar várias grandes organizações criminosas. No Rio de Janeiro, houve a gestão Brizola que proibiu a polícia de subir o morro e com isto destruiu a ação do Estado na acepção weberiana de monopólio da violência nestas regiões. O padrão histórico da expansão da cidade do Rio de Janeiro havia sido o de expulsar os pobres ocupantes de áreas não regularizadas para a periferia. Graças a Brizola ficou marcado uma inversão deste paradigma. Mas o Brizola ainda está alguns níveis acima desta cambada petista graças a sua preocupação com educação e a atuação de Darci Ribeiro. Recentemente, tivemos a denúncia de envolvimento do secretário da ex-prefeita Marta “Relaxa e Goza” Suplicy com o PCC por ele ter pedido emprego para seis dos seus membros. Ele quase foi eleito presidente do PT, mas aí ia ser muita bandeira.

O maior legado da gestão Lula foi a destruição do Bolsa Escola, este programa que havia sido bolado pelo ex-companheiro Cristóvam Buarque e que tinha como meta tirar as crianças da rua e colocá-las na escola. O companheiro Lula percebeu que este plano era um programa de estado mas não gerava voto afinal estudante não vota. Preferiu transformar este plano em um Bolsa Família e expandi-lo para o atendimento de pessoas com direito a voto. Graças a sua jogada ele conseguiu se reeleger com o apoio de mais de 80%¨dos votos do Nordeste. Lula se tornou o grande coronel que substituiu as cestas básicas dos coronéis nordestinos pelo cartão do governo federal. E falando em coronelismo chegamos ao patrimonialismo desta gestão.

Os companheiros pensam que a administração pública é a casa deles, ou seja, patrimonialismo, como ficou bem claro pelas notícias acerca do uso do cartão corporativo do governo que andou sendo usado em tudo, inclusive manicura e padaria. Curiosamente, os dois usuários denunciados cuja utilização do cartão escandalizou as pessoas normais estão ligados ao tema das quotas raciais. A ministra das Quotas, gastou mais de R$ 100.000 com aluguel de carro somente em um ano, cá entre nós, acho que ela estava tentando ser ressarcida da “dívida histórica”. E, por fim, tivemos o reitor gringo da UnB, o Mulholland que liderou a implantação das quotas raciais na UnB e que gastou quase R$ 500 mil na reforma do apartamento funcional além de ter facilitado a contratação de consultorias para duas prefeituras petistas.

Sempre achei que este papo de vítima e de coitadinho acaba dando nisso pois se a pessoa se sente credora e tem a oportunidade de meter a mão, então ela pode fazer isso sem dor na consciência. Isto é, se tiver consciência. Por fim, chegamos ao terrível Mensalão que transformou o Estado e seus recursos em instrumento do Partido dos Trabalhadores no exercício da sua vocação totalitária e gramsciana. Hoje, temos dezenas de ONGs se locupletando com os recursos dos contribuintes incluindo a que foi fundada pelo próprio Delúbio que aparentemente os companheiros não deixaram na mão considerando a sua aparência sorridente.

22 fevereiro 2008

A Estabilidade no Emprego para os Maus Empregados

O presidente Lula continua embriagado com a sua popularidade assustadora, apesar dos recorrentes escândalos do seu governo. Hoje, anunciou que irá encaminhar ao Congresso proposta no sentido de proibir a demissão imotivada e ontem defendeu a ministra que tentou tirar do cartão corporativo toda a “dívida histórica” da sociedade para com os negros.

Nunca na história deste país houve tanta corrupção. Antes quem roubava era a elite. Agora milhares de companheiros encontram-se espalhados pela administração pública e montados cada um no seu cartãozinho corporativo, que lhe faculta algumas despesas pessoais com o dinheiro dos contribuintes. Para o povo fica o cartão Família dado pelo "pai Lula".

Quanto à proposta de estabilidade dos empregados, acho preocupante porque quem irá decidir se um empregador poderá demitir um empregado será um juiz do trabalho. E como todos sabemos, de bumbum de neném e de cabeça de juiz nunca se sabe o que sairá. De fato, o empregador terá o ônus da prova, ou seja, será culpado até que se prove o contrário.

Existem várias maneiras de se tentar resolver os problemas criados por esta lei e a cultura do jeitinho brasileiro existe exatamente por isso, para lidar com leis criadas por bandidos em gentezinha bem intencionada. Os bandidos sabem que se estará criando milhares de empregos para advogados, criando mais centenas de vagas para juízes do trabalho e aumentando o poder dos sindicatos que poderão interferir nestas questões. Em Brasília está sendo construída mais um gigantesco palácio para os juízes do trabalho e este ano os sindicatos estão comemorando recordes de arrecadação do imposto sindical.

Conheço empresários que já estão acostumados a ser extorquidos por sindicalistas e que agora terão de pagar, além das indenizações previstas para a demissão, ao empregado um extra pelo menos igual ao custo de uma ação trabalhista. Vamos ter situações ridículas de empregados dispensados do trabalho, sendo remunerados e aguardando a decisão da justiça.

Para as pessoas sensatas, entre as quais espero me incluir, isto simplesmente significa o aumento dos custos para o empregador, o que pode resultar em salários menores, menos contratações, e perda de dinamismo para a economia. Talvez para os socialistas do governo, tudo isto seja uma vitória, porque eles provavelmente acharão que os coitadinhos dos trabalhadores estarão sendo tutelados pelo sindicato e pela justiça e protegidos contra o demoníaco capitalista. Enfim, os serviços vendidos por eles estarão com uma demanda garantida. Quanto ao bom empregado, bem educado, bem qualificado que não precisa de nada disso, caberá a ele financiar a boa vida desta turma toda.

17 fevereiro 2008

O Pecado Original da Propriedade Privada

Como já disse inúmeras vezes Paulo Francis, marxismo é religião. Vindo de um ex-trotskista, isto pode não ser grande coisa. Arnold Toynbee escreveu que o comunismo é uma heresia cristã. Seria uma doutrina adequada aos homens cientificistas e positivistas do século XIX. O fato é que temos alguns paralelos bastante interessantes nas duas doutrinas.

Um das principais questões teológicas é o pecado original, que explicaria porque o homem é um ser imperfeito, que não desfrutaria da comunhão com Deus, a partir da sua expulsão do paraíso. Rousseau, um dos pais do socialismo, acreditava que o pecado original se deu quando alguém disse que algo lhe pertencia.

Engels se baseia neste acontecimento de natureza econômica, o advento da propriedade privada, para explicar o nascimento do Estado moderno, que seria algo equivalente à expulsão do homem do paraíso. Para ele, o nascimento da propriedade privada enseja a divisão do trabalho, a formação das classes, o surgimento do Estado de polícia para proteger o status quo.

Marx, por sua vez, se propunha a ser um novo apóstolo João ao propor o Apocalipse do estado moderno e do capitalismo. Em seu Evangelho sobre o capitalismo ele explica que as contradições materiais do sistema levarão à sua queda.

Marx conseguiu transformar o sistema de produção capitalista em pecado por meio da invenção da mais-valia. Grosseiramente, o produto vale mais que os insumos necessários para a produção e o único insumo que pode ser remunerado com menos valor do que vale seria o insumo trabalho, porque o insumo equipamentos sofre depreciação. A partir deste raciocínio, ele considera que o capitalista é um ladrão e que os verdadeiros donos de tudo são os trabalhadores. Ele menospreza questões como risco, complexidade da produção, poder de mercado e se refugia na produção média em equilíbrio para sustentar este argumento.

Marx era um economista clássico como o pastor Adam Smith que definia as pessoas pelo trabalho e considerava que se estas tinham perdido parte do seu valor e não controlavam as condições nas quais elas produziam, então elas haviam perdido a graça. Para recuperar a graça perdida era preciso tomar consciência e escapar de um estado de alienação. Mais religião, as pessoas estavam cegas e perdidas na ilusão. A verdade era a consciência de classe.

Por fim, após a expiação dos pecados com o sacrifício dos inocentes que morreriam na Revolução, o homem retornaria ao seu Estado original, no qual a comunhão com os outros homens seria restabelecida com o fim do estado e com o desaparecimento da propriedade privada. Seria o fim da história e início do paraíso na terra, onde todos os homens seriam irmãos trabalhadores, teriam segundo as suas necessidades e produziriam segundo as suas possibilidades.

No comunismo real, como toda a religião, as punições para os descrentes foram terríveis, condenados pela Inquisição, tivemos: o banimento de milhões para os gulags da União Soviética, o envio de outros tantos para o campo na Revolução Cultural Chinesa, que buscava restabelecer a pureza dos camponeses na corrupta população urbana, e o assassinato de praticamente todas as pessoas alfabetizadas do Camboja pelo Khmer Vermelho. As pessoas morrem mas as utopias assassinas são eternas.

16 fevereiro 2008

O Público e o Privado

Temos assistido recentemente como os conceitos de público e privado não estão claros na cabeça de vários petistas. A ministra Matilde alegou em sua defesa que não compreendia as regras de uso do cartão corporativo do governo federal, tendo efetuado as despesas* por ter sido mal orientada por dois assessores, que já haviam sido desligados: pelo menos para estes o “justiçamento” foi rápido.

Esta não é mesmo uma questão trivial. Para Toffoli – advogado de campanha do Lula, do Dirceu e da República –, as informações privadas dos cidadãos que o Estado reuniu devem ser disponibilizadas entre os seus vários órgãos, ampliando o seu uso em benefício do bem-comum. Assim, a declaração de renda, movimentação bancária e outros circulariam entre os órgãos do governo.

No Antigo Regime, quando tivemos Reis Absolutistas, que governavam sem um contrato social e sem constituições, nunca houve tamanho controle sobre a população. Um Rei podia muito, mas estava limitado pelas tradições, pelas corporações e pela sua ignorância sobre seus súditos. Enquanto isto, a democracia petista se debate entre ter que prestar contas à sociedade dos gastos feitos pelos seus agentes que ocupam posições importantes no governo, mas não titubeia quanto a impor aos cidadãos uma total transparência diante dos órgãos do Estado.

Este é um problema que não se circunscreve ao Brasil. Na Venezuela, hoje considerado o país mais corrupto da América Latina, temos a “boli”, a elite bolivariana, formada de militares, membros do partido e servidores públicos que tornaram a república socialista bolivariana no maior consumidor per capita de uísque escocês da América Latina. Lula bem que poderia ser um bom garoto propaganda da nossa cachaça, junto a esta nova elite...

Na UnB, a separação entre o público e privado também anda confusa. O professor Timothy Mulholland, americano naturalizado brasileiro e um dos maiores responsáveis pela implementação da política de quotas raciais na UnB, morava até recentemente em uma cobertura duplex da universidade, dispunha de um carro executivo de luxo pago não pela universidade, mas por uma instituição dedicada ao financiamento da pesquisa, além de uma lata de lixo de R$ 990,00. Em sua defesa, ele alegou que não desviou nada mas que era apenas usuário daqueles bens pertencentes a universidade.

Estas constatações estão alinhadas com as percepções de Roberto Campos, que afirmava que o Brasil havia descoberto um novo tipo de capitalismo, pelo qual o Tesouro e os contribuintes são explorados por uma nova classe, os burgueses de estado.

Enfim, onde ficamos? Esta nova elite brasileira de petistas e altos tecnocratas, como o reitor Mulholland, será capaz de promover a felicidade do povo e criar aqui um estado de bem estar social ou está apenas se servindo de utopias que os legitimem como nova classe dominante?

* Gastos da ministra: 126 000 reais: aluguel de carros;35 700 reais: hotéis e resorts;4 500 reais: bares, restaurantes e padaria;460 reais: free shop;4 800 reais: despesas diversas.

06 fevereiro 2008

As FARC e o MST

O que as FARC e o MST tem em comum? As FARC nasceram em 1964 como braço militar do Partido Comunista da Colombia e se consideram uma organização bolivariana, enquanto o MST deve o seu surgimento à Igreja da Teologia da Libertação com a instalação da Comissão Pastoral da Terra em 1975, embora seu primeiro encontro tenha ocorrido em 1984, em Cascavel no Paraná. Hoje, as FARC estão presentes em 40% do território colombiano e no Brasil, e o MST está presente em 23 estados brasileiros.

Esta tradição de luta revolucionária a partir do campesinato vem de Mao, que contrariou a orientação leninista de insurreição a partir do operariado urbano. Com o massacre das tropas comunistas em 1927 teve início a Grande Marcha para o noroeste, que se estendeu por 10.000 km escapando do cerco do Kuomitang.

Após a derrota japonesa, a estratégia de Mao visava a tomada revolucionária do poder. “O poder está na ponta do fuzil.” A China contava com 500 milhões de camponeses e com dois milênios de tradição de lutas entre camponeses, as quais Mao soube capitalizar. Nas palavras de Mao: “Eles quebrarão todas as cadeias e se lançarão na via da sua libertação (...). Temos de nos pôr a frente dos camponeses e dirigi-los”.

Esta estratégia de guerra revolucionária que prevê a conquista das cidades a partir do campo teve em Mao o seu grande teórico. “Quando o inimigo avança, nós recuamos; quando inimigo pára, fustigamo-lo; quando o inimigo cansa, atacamos; quando o inimigo recua; nós o perseguimos.”

Na América Latina, tivemos a Revolução Cubana, cujo modelo Marrighella queria ter seguido contra os militares no Brasil. A persistência do núcleo revolucionário castrista sobreviveu à fracassada tentativa de tomada do quartel de Moncada e ao fracasso do desembarque do Granma mas teve sucesso na Sierra Maestra. Com a chamada estratégia de foco, os dozes discípulos de Castro sublevaram as massas camponesas, conquistaram as pequenas cidades, depois as médias e com greves gerais e propaganda acabaram chegando à capital. De fato, Fidel negava ser marxista até então.

Guevara tentou repetir a estratégia na Bolívia, imaginando que os Andes seriam a nova Sierra Maestra, para fomentar uma revolução bolivariana. Morto Guevara, tivemos o extinto Sendero Luminoso no Peru e as FARC, que sobrevive com seqüestros e tráfico de drogas e agora ganhou novo impulso com o apoio venezuelano em armas e facilitação de escoamento de suas drogas para a Europa.

A versão brasileira destes movimentos seria o MST, cuja estratégia de tomada de propriedades por multidões torna ineficaz a identificação de responsáveis ou a resistência considerando que na zona rural não existem forças policiais anti-motim. De qualquer forma, é um grupo já bastante doutrinado que amanhã pode ser a base de um exército revolucionário popular que terá amplo apoio de nossos vizinhos - as FARC e o exército venezuelano. Permanece, portanto, como uma ameaca pairando sobre a sociedade aberta e a democracia brasileiras, coisa aliás que o quebra-quebra no Congresso ilustra bem.

26 janeiro 2008

Os Discípulos de Maria da Conceição Tavares

Outro dia, almocei com o meu colega marxista gramsciano e discípulo da Maria da Conceição. Fomos comer um sushi porque ele estava de dieta. O tema do almoço foi a professora de Economia da UFRJ, que alcançou a fama quando chorou no Plano Cruzado. Chorar é uma estratégia que funciona para mulher, a Hillary que o diga. Os olhinhos dele brilhavam quando falava da Conceição... Definitivamente estou ficando velho; não preciso mais de professores para fazer minha cabeça.

A D. Maria chegou ao Brasil em 1953, acompanhando seu primeiro marido, um engenheiro que havia conseguido um emprego em uma barragem no Sul. Sua família já se encontrava aqui e as perspectivas do Brasil deviam ser melhores que as do Portugal de Salazar.

Formada em matemática em um ambiente de excelência nesta disciplina, cultivado desde as reformas educacionais de Pombal. Ela é uma mulher de uma geração que foi influenciada por acontecimentos como a brutal Guerra Civil Espanhola, o anti-clericalismo português e uma antipatia aos americanos talvez devido à recente intervenção militar americana na Europa.

No Brasil, a professora teve oportunidade de entrar na rede de relações do Partido Comunista e seu grupo de simpatizantes de classe média no Rio de Janeiro, a famosa Vanguarda do Proletariado. Professora competente de macroeconomia, por mais de 30 anos, na década de 70 chegou a um nível em sua carreira em que ou tinha sido aluna ou professora da maioria dos tecnocratas e acadêmicos da área de Economia.

A partir daí, organizou centros de estudos de orientação esquerdista no próprio regime dos militares, por sua identificação com o nacional desenvolvimentismo e seu anti-imperialismo americano, o que encontrava simpatizantes na famosa Linha Dura.

Diferentemente da Geração 68 de Lula e Dirceu, que foi marcada pela Revolução Cubana e pela Revolução de 64, a geração da Maria da Conceição foi muito marcada por acontecimentos europeus. Ao se referir a gerações mais recentes, ela nos acusa de sermos conservadores. A isto respondo que somos apenas outra geração, marcada por outros acontecimentos, e que da mesma forma que eles romperam com as gerações que os precederam, temos todo o direito de romper com a sua geração.

Aliás, um dos temas do almoço foi a traição que ela teria sofrido de Malan, que fora um dos seus discípulos e que, aparentemente, foi ajudado pela rede de relações da professora a conseguir um emprego no Banco Mundial, onde chegou a diretor. Depois, foi negociador da dívida externa e, mais tarde, o principal gestor do Plano Real. Pessoalmente, acho que nenhum aluno deve ao professor lealdade às suas idéias.

Além disso, desprezo estas redes clientelares que criam “obrigações pessoais”, pois o preenchimento de posições deve ser feito de acordo com o perfil de uma pessoa e não por outras considerações. Mas isto deve ser coisa de conservadores, que - como apregoavam os primeiros liberais - acreditam que o sucesso deva ser uma questão de mérito.

20 janeiro 2008

A Utopia da Sociedade Perfeita

A esperança de uma sociedade mais justa combinada com a preguiça, a falta de espírito comunitário, e alguns oportunistas que vêem no Estado uma fonte de dinheiro e poder, cobrem a sociedade aberta com uma sombra de totalitarismo.

Todos nós, em algum nível, ansiamos por uma sociedade perfeita. Para o personagem autista de Dustin Hoffman em Rain Man, ela era uma vida perfeitamente coreografada e cronometrada em um asilo de luxo, onde cada dia da semana e hora do dia se tornavam perfeitamente previsíveis. O tipo de autista retratado apresentava inteligência e um rígido padrão de comportamento, e não estava muito distante das pessoas “normais”.

Para satisfazer este sonho das pessoas de viver em uma sociedade em que todos os seus problemas são resolvidos por alguém que não elas mesmas, temos o totalitarismo, que é o sistema político baseado na extensão do Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade. Na visão socialista gramsciana, o partido é o sucessor do príncipe de Maquiavel e é por meio dele que se deve conquistar o poder estatal, que atingirá o seu ápice quando não houver separação entre o partido e o Estado e entre este e a sociedade.

O totalitarismo é caracterizado por um partido de massa, processo de decisão centralizado no diretório nacional não eleito pelo povo, aparelho estatal ocupado por membros do partido, culto à personalidade do líder, propaganda estatal intensa, censura aos meios de comunicação, paranóia social, entre outros. Os totalitarismos clássicos são o nazista e o comunista.

O nosso totalitarismo ainda não é perfeito porque ainda não temos um partido único como a Venezuela ou cuba. O mensalão serve para dar ao partido o controle sobre o legislativo permitindo o controle da pauta. Em troca, os membros da base lutam por cargos de direção em estatais e emendas no orçamento. O que será que estes cargos têm de tão bom?

A versão tupiniquim atual desta utopia salvadora é o petismo. Um partido de massa fundado sobre o corporativismo das relações de trabalho, ideologicamente sustentado no socialismo, feminismo e anti-racismo, e com apoio da igreja da teologia da libertação, além, é claro, da geração 68, que se inspirava na velha revolução cubana.

Confesso que a justiça social é um lindo sonho, é um delírio do qual políticos corporativistas sabem se servir muito bem. Ninguém gosta de ver crianças mendigando pelas calçadas, famílias embaixo de viadutos, e é fácil sucumbir à tentação de soluções imediatistas como o bolsa família, mas a verdade é que o maior beneficiário deste programa é o próprio lula, que graças a ele reelegeu-se.
O caminho fácil passa pelo Estado e por políticos que prometem e mentem. O melhor caminho passa por uma sociedade civil capaz de resolver os seus problemas localmente e sem aspirações a dominar a sociedade.

17 janeiro 2008

Exilados do Governo Lula e do PT

Reportagem do dia 17/01/2008 da Folha de São Paulo informa que o irmão de Celso Daniel e família receberam asilo político na França. Com isto, acredito que temos os primeiros exilados políticos do governo Lula. Isto se não mencionarmos os lutadores que fugiram da Delegação Cubana no PAN, foram abduzidos pela Polícia Federal e rapidamente transportados em um jato venezuelano para Cuba. Falando em jatos venezuelanos, eles também estão servindo para transportar malas de dinheiro para a campanha da Kirchner na Argentina.

Mas voltando ao caso do Celso Daniel, o seu irmão, a cunhada e os três filhos fugiram em decorrência de ameaças decorrentes da sua insistência na resolução do crime. Celso Daniel, então um dos mais poderosos membros do PT e que possivelmente teria ocupado mais tarde o posto de Palocci foi seqüestrado no dia 18 de janeiro de 2002, quando estava em um carro blindado conduzido por Gomes da Silva. O corpo foi localizado dois dias depois.

Para a Promotoria, o crime foi encomendado e está relacionado a um esquema de propina montado para financiar campanhas eleitorais. O engraçado é que carro blindado não é algo exatamente comum em São Paulo para alguém que não seja um milionário. Isto nos faz pensar que o prefeito deveria estar lidando com alguma barra pesada.

As relações do PT com o crime não são nenhuma novidade, segundo inquérito da Polícia de São Paulo para investigar se existe ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o PT, após flagrar, por meio de escuta telefônica, presos coordenando os ataques da facção iniciados em maio de 2006 em São Paulo. Nas conversas, os detentos ordenam atentados contra agentes penitenciários e políticos - "qualquer um, menos do PT". Os diálogos mostram que, entre políticos, os alvos preferenciais eram integrantes do PSDB - partido que, até abril, governava o Estado e a capital paulistas.

O site Mídia Sem Máscara vai além afirmando que o PT participaria de uma "organização secreta" cujo objetivo seria o apoio de todas as formas entre as forças de esquerda latino-americanas chamada de Foro de São Paulo. Neste contexto, entrariam as FARC, organização narco-guerrilheira que tem o apoio de Chávez e, segundo denúncia da Veja, seria: “[...] os contatos políticos entre petistas e guerrilheiros das FARC são antigos. Começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim. De lá para cá, as relações se intensificaram, principalmente por meio das correntes esquerdistas do PT, como a Democracia Socialista, cuja estrela mais conhecida é o ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário. Mesmo os quadros mais moderados do PT demonstram uma certa simpatia pelas FARC.”

Considerando estes antecedentes, acredito que na campanha de 2010 poderemos ter mais assassinatos decorrentes de disputas internas do PT, muito caixa 2 para financiar a campanha do candidato petista, e se o Serra ultrapassar este candidato nas pesquisas poderemos ter novos ataques do PCC em São Paulo e possivelmente do MST em todo o país; poderemos ter dinheiro venezuelano na campanha, e ainda veremos a força que terá a TV do Lula... Quem sabe o Lula não renuncia no último ano deixando a presidência para o Chinaglia, para se dedicar inteiramente à sua sucessão? Quem viver verá. Só tenho uma certeza, se o PT perder eles não entregarão o poder graciosamente.

12 janeiro 2008

A Justiça é Cega e Petista

Hoje, no UOL, encontrei a notícia da promotora do Juizado de Falências e Concordatas de Curitiba, Lais Letchacovski, que teve o seu carro apreendido por ter 92 pontos na carteira de habilitação, além de multas que somavam R$ 1,5 mil reais. Em São Paulo, o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, cuja arma fuzilou um jovem na porta de uma boate de São Paulo, teve a vitaliciedade do seu cargo reconhecida por decisão do Conselho do Ministério Público de São Paulo. Portanto, a promotora em questão pode ficar tranqüila que a menos que ela atropele um carrinho de bebê no meio de uma multidão e tente fugir e não consiga, nada lhe acontecerá.

Os servidores do Judiciário brincam que fazem concurso para juiz, mas tomam posse como deus. De fato, o Judiciário é um Poder extraordinariamente ineficiente e burocrático que paga remunerações excessivas. De acordo com a Agência Estado, o salário de Ellen Gracie, presidente do Supremo é 79% superior do que seu par americano, ou seja, US$ 326 mil dólares anuais em paridade de poder de compra, conversão feita pelo economista Júlio Brunet. Bem, isto nos dá uma idéia do absurdo dos salários oficiais, mas existem no âmbito do poder Judiciário os salários indiretos, os esquemas, as vendas de sentença e as sociedades ocultas em escritórios particulares.

Um amigo, outro dia, me contou um esquema que eu quase não acreditei. Tratava-se de um swap de netas, ou seja, um juiz casava-se com a neta de outro juiz para que a pensão permanecesse na família. Em estatais, por exemplo, pode haver o caso de que um escritório tenha que ter a participação oculta de alguns advogados da própria estatal, para que consiga ganhar a licitação para prestação de serviços. A Advocacia Geral da União costuma perder seus melhores talentos para os próprios escritórios contra os quais ela litiga. Muitas vezes o servidor não passa de um fiscal de um serviço prestado por um escritório privado com alto nível de especialização. De fato, é muito comum que se assine este trabalho como seu. O que diria Marx sobre esta exploração do trabalho promovida pela burguesia de Estado?

Mas talvez o pior Judiciário de todos seja a Justiça do Trabalho, pela qual o patrão é culpado até que prove o contrário. FHC bem que sonhou em exterminá-los mas eles estão aí fortes com seus companheiros. Se alguém tiver a curiosidade de entrar no Tribunal do Trabalho do Rio de Janeiro e tentar filtrar os processos pelos reclamantes, não conseguirá. Suponho que esta iniciativa tenha sido tomada para impedir que os futuros contratantes não possam identificar os empregados especializados em trabalhar alguns meses e depois entrar na Justiça contra os patrões. De fato, a Justiça do Trabalho inventou uma doutrina de desconsideração da pessoa jurídica, onde as pessoas que já fizeram parte de alguma sociedade podem ser executadas por uma sentença na qual esta sociedade tenha sido condenada, e não na proporção da sua responsabilidade na sociedade. Pior que isto, a Justiça dispõe de ferramentas hoje que permitem ao Juiz ordenar ao seu serventuário que, por meio de um convênio com o Banco Central, bloqueie os recursos iguais à totalidade da condenação em cada uma das contas que porventura possuam todos os sócios que já fizeram parte da sociedade condenada. Daí, fica para alguém provar que focinho de porco não é tomada.

Neste sentido, o advogado-geral da União, ministro José Antônio Dias Toffoli, ex-advogado de campanha de Lula e de José Dirceu, e futuramente juiz do Supremo, defende que a Imprensa não possa divulgar conversas telefônicas de investigações criminais, devendo os jornalistas serem responsabilizados criminalmente por invadirem a privacidade dos indivíduos. Por outro lado, ele coordena a elaboração de um famoso parecer de 300 páginas que, de acordo com artigo de Lilian Matsuura, intitulado as viúvas da CPMF, afirma:

“Em nome do combate à violência, o governo federal defende que todos os seus órgãos possam trocar informações disponíveis sobre o contribuinte. Foi o que defendeu o advogado-geral da União José Antônio Dias Toffoli em parecer preliminar apresentado em encontro do Enccla (Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro), em dezembro de 2007.
Segundo o advogado-geral, “essa troca de dados não configura quebra de sigilo, mas transferência dele”. E elas não aconteceriam de forma imotivada. Toffoli esclarece ainda que a controvérsia existe porque a Constituição Federal não tratou explicitamente do sigilo bancário ou fiscal em seu texto. Ela fala sobre sigilo de dados. E por isso dá margem a vários tipos de interpretação.
O parecer elaborado pela AGU está sendo analisado por diversos órgãos públicos que enviarão as suas sugestões e opiniões. A partir deles é que será feito um parecer definitivo. No primeiro trimestre de 2008 ele estará pronto, pelos cálculos do ministro Toffoli.”

O melhor é fazer o que os petistas aconselharam ao Duda Mendonça se ele quisesse receber, é melhor abrir uma conta no exterior ou então se juntar a horda dos mais de 100.000 brasileiros que entraram para o PT em 2007. Como já dizia o velho adágio popular: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles.” Quem sabe como membro não ganhamos um cargo no governo ou alguma imunidade contra os crescentes poderes do Estado. É melhor nos juntarmos à burguesia de Estado antes que seja tarde.

10 janeiro 2008

Os Professores Esquerdistas

Quem nunca teve um professor esquerdista? Acho que a minha primeira professora esquerdista foi de Organização Social e Política Brasileira, ainda no primário. Esta jovem casada com um empregado do Banco do Brasil estava lá para transformar em subversão a matéria criada pelos militares, supostamente para incentivar a ordem e o civismo. Acho que o mais recente professor esquerdista que tive foi na universidade; lá tive muitos. Como diz o ditado: “Quem sabe faz, quem não sabe, ensina.” Mas sejamos justos, o negativismo e o sadismo não se restringia aos professores esquerdistas.


Hoje, no site do PT, vi um artigo de um famoso professor marxista, o Emir Sader, a quem teria conhecido se ele não tivesse faltado ao evento da UFRJ em comemoração dos 70 anos da Revolução Russa. Ao escrever sobre o malfadado episódio dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o eminente intelectual da esquerda afirma que uma nova Colômbia é possível. Lá, segue o velho roteiro dos discursos universitários de críticas da esquerda:

1) Chama os americanos de estadunidenses. Isto é uma expressão geograficamente correta, que na prática se traduz em um jargão da esquerda;
2) Acusa Uribe de ser neoliberal como FHC e Fujimori;
3) Insinua que Uribe não é democrático por querer um terceiro mandato. Até parece que o Lulinha também não quer;
4) Acusa Uribe de oprimir os direitos da população no combate às FARC. Guerra Civil é difícil né, meu caro;
5) Acusa a grande mídia oligárquica por apoiá-lo. Não se preocupe, em breve a TV do Lula vai poder reduzir esta infâmia sofrida pela Esquerda e pelos movimentos populares nas mãos da TV Globo e similares, suponho;
6) Acusa Uribe por querer demonizar as FARC para se manter no poder;
7) Acusa Uribe de não querer trocar prisioneiros com a guerrilha. Detalhe: para ele não são seqüestrados, são prisioneiros. De fato, mostra no mínimo falta de consideração pelo processo democrático: o seqüestro de um candidato em campanha, como foi feito pelas FARC;
8) Acusa Uribe de afastar Chávez do processo por motivo secundário. Com certeza, qualquer um dormiria tranqüilo sabendo que o Chávez anda conversando com os seus generais;
9) Acusa a imprensa oligárquica de não querer o sucesso do processo: “A cobertura da imprensa brasileira é vergonhosa, sem que nenhuma publicação escrita tivesse mandado jornalistas para fazer a cobertura direta na Colômbia”;
10) Lá Hugo Chavez é tratado como herói: “Revelando seu compromisso conseqüente com a pacificação da Colômbia, primeiro passo para que uma outra Colômbia – sem violência, sem narcotráfico, sem paramilitares, sem seqüestros – seja possível, Hugo Chávez se dispõe a dar seqüência às tratativas, apelando inclusive a operações clandestinas, com o objetivo de conseguir a liberdade dos presos.”

Curiosamente, o professor Sader é réu condenado em processo de calúnia contra o senador Bornhausen. De acordo com a Wikipedia:

Emir Sader foi condenado à prisão em novembro de 2006, em regime aberto, além da perda da função pública por calúnia ao senador Jorge Bornhausen (DEM de Santa Catarina).
Após a declaração do presidente do DEM, há cerca de um ano, de que o Brasil precisava "livrar-se dessa raça", em referência ao Partido dos Trabalhadores e aos petistas, Emir Sader atribuiu a ele, em artigo no site Carta Maior, no dia 28 de agosto de 2005, a prática de “racismo”. Sader imputou ao senador discriminação aos "negros, pobres, sujos e brutos", intitulando-o de fascista.
Em primeira instância Sader foi condenado por injúria “à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída nos termos do artigo 44 do Código Penal por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução.”
Diz ainda a sentença: “Pelo disposto nos artigos 48 da Lei nº 5.250/67 e 92, inciso I, do Código Penal, considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, segundo os preceitos dos artigos 3º e 241, XIV, da Lei 10.261/68, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado.”

Em resposta à condenação judicial, que ainda não é definitiva, cabendo recurso, intelectuais encabeçados por Antônio Cândido fazem circular um abaixo-assinado contra a sentença, já com centenas de assinaturas.
Sustenta o manifesto que a decisão judicial afronta a liberdade de expressão, intimidando e criminalizando o pensamento crítico e a autonomia universitária. A sentença, continua o manifesto, transforma o agressor em vítima e em criminoso o defensor dos agredidos. O manifesto pode ser lido na íntegra na página Consciencia.net.”

Na minha opinião, o uso do poder simbólico de professor, que dá peso ao que é dito, também deve gerar responsabilidades e punições no caso do seu abuso.

Um dia, os jovens também serão libertados destes falsos profetas de utopias salvadoras da humanidade. Muitos deles não passam de desajustados e acovardados que nunca sairam da universidade. Um verdadeiro professor planta valores humanos e não utopias desumanas para as quais é necessário criar um novo homem que consiga vivê-las.

08 janeiro 2008

Unidos contra a liberdade

Os muçulmanos da Europa multiplicam-se como ratos e passam o dia com o traseiro voltado para Alá, o mesmo deus de Abraão, e a oca cachimônia para Meca, a usufruir do bem-estar social de que as esquerdas tanto gostam, e com as bênçãos do Papa. O que é realmente prejudicado com o crescente fanatismo bovino dessa desocupada massa de manobra de mulás (sem acento) raivosos?

Segundo a jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci, uma das principais críticas do Islã na atualidade (falecida recentemente), a Igreja Católica, apesar de parecer alarmada diante do avanço muçulmano na Europa, dá inestimável apoio econômico e político a fanáticos islâmicos. Padres católicos batalharam arduamente pela implantação de um importante instituto islâmico de Paris, um centro de difusão de ódio ao ocidente, cujo diretor foi preso por estar ligado à Al Qaeda; padres dão abrigo a muçulmanos clandestinos e até financiam a construção de mesquitas.

O principal alvo do ódio islâmico não é o cristianismo. É a liberdade das mulheres, a liberdade sexual, o laicismo, a democracia, o sufrágio universal, os direitos humanos - tudo o que foi conquistado a duras penas nos últimos dois séculos, a despeito da fortíssima oposição dos líderes católicos, que na época gozavam de bastante poder terreno (o único que há). Revelador é o fato de que há grandes comunidades de cristãos na Síria, e em outros países árabes, que vivem em relativa harmonia com muçulmanos (comprovei-o pessoalmente). São atrasados, misóginos e supersticiosos, ao contrário dos europeus. O que mais incomoda os muçulmanos, mais uma vez, não é o cristianismo. A estratégia de alguns líderes católicos, portanto, é deixar que o islamismo faça o serviço sujo contra o laicismo e liberdade europeus, para depois se apresentarem como defensores dos valores ocidentais e ganharem poder em uma Europa cada vez mais acuada e dividida. Socialistas, não por coincidência, tendem a ser posicionar em favor dos muçulmanos em quaisquer questiúnculas. Estão juntos no anti-americanismo, no anti-capitalismo, no anti-consumismo. Falando nisso, quando não há Natal consumista, quando ricos não gastam com o supérfluo o ano inteiro, acaba faltando o essencial na mesa do pobre.

Os católicos, assim como os socialistas, costumam se posicionar ao lado dos palestinos, independentemente da situação. Porque eles também adoram os oprimidos, adoram mendigos em suas escadarias... O Vaticano costuma criticar as represálias de Israel, enquanto é relativamente tolerante com as ameaças dos extremistas palestinos. Faz pronunciamentos padrão, sem qualquer veemência, quando estes demonstram intolerância. O jornal do Papa, o Osservatore Romano, chegou a acusar os israelenses de extermínio! Recentemente, um bispo do Vaticano participou de manifestações contra Israel e em favor dos palestinos e, diante do microfone, (palavras de Oriana Fallaci) deu "graças, em nome de Deus, aos kamikazes que massacram os judeus nas pizzarias e supermercados, além de chamá-los de 'mártires que vão à morte como à uma festa'".

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Reportagem de Tom Heneghan, da Reuters, de dois anos atrás:

Absorvido o impacto dos ataques de 11 de setembro de 2001, alguns cardeais católicos da Europa querem conquistar os muçulmanos como aliados para uma ameaça a ambas religiões — a falta de religiosidade na vida moderna.

Os líderes da Igreja católica, hoje reunidos em Roma para eleger o sucessor do papa João Paulo 2o, expressaram preocupação com o Islã logo depois dos ataques contra Nova York e Washington em 2001, e chegaram a encarar o islamismo como um rival espiritual para o novo pontífice.

Mas agora muitos deles, incluindo vários papáveis, estão reforçando a necessidade de trabalhar com o mundo islâmico, e não contra ele. O islamismo é a segunda maior religião na Europa. Essa união, para eles, seria uma contribuição para a paz.

"Cristãos e muçulmanos que vivem juntos devem tentar se encontrar e dialogar para rebater os rumores de um choque de civilizações", disse recentemente o cardeal de Milão, Dionigi Tettamanzi, pedindo aos italianos que tentem conhecer melhor os muçulmanos.

Para o cardeal de Bruxelas Godfried Danneels, isso é ainda mais necessário por causa da crise da religiosidade. As igrejas se esvaziam cada vez mais na Europa, enquanto as pessoas se voltam para modas espirituais, para o secularismo ou simplesmente adotam a indiferença à fé.

"Só há uma coisa importante na Igreja e no mundo, e é manter viva a idéia de Deus e o caráter espiritual do ser humano e do mundo", afirmou ele na semana passada.

A Europa, reduto do cristianismo, hoje abriga cerca de 15 milhões de muçulmanos, cuja lealdade à crença deixa muitos líderes católicos com inveja. A militância islâmica incluiu o medo e a desconfiança nas relações com essa religião. Mas, para o cardeal de Veneza Angelo Scola, que acaba de lançar uma revista sobre a união entre cristãos e muçulmanos, será na Europa, onde as duas fés se opõem desde as Cruzadas, que ambas vão finalmente se entender.

O próprio papa João Paulo II. incentivou mais relações com o Islã e visitou uma mesquita de Damasco em 2001.

O cardeal de Londres Cormac Murphy-O'Connor acredita que há poucas oportunidades para realizar tal diálogo em países predominantemente muçulmanos, mas disse esperar que as inter-relações no Ocidente "cresçam e façam incursões" nos países islâmicos.

Essa opinião, porém, não é unânime. O cardeal Joseph Ratzinger, o fiscal doutrinário de João Paulo 2o., rejeitou no ano passado a idéia de a Turquia entrar na União Européia*, afirmando que o Islã era uma outra cultura, e que os turcos deveriam se agrupar com os árabes.

"É muito comum na Itália os padres citarem Oriana Fallaci", disse o padre Daniel Madigan, especialista em Islã da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, referindo-se à autora de best-sellers que criticam o Islã e os países árabes.

Para Dalil Boubakeur, chefe do Conselho Muçulmano Francês, que representa a maior comunidade islâmica da Europa, a visão conciliatória está se disseminando. "O Islã e a Igreja viram-se ambos defendendo a fé, o sagrado, as tradições e o respeito pelas estruturas", afirmou.

Ao mesmo tempo que busca mais diálogo, a Igreja tem falado mais abertamente sobre seus problemas com os muçulmanos, como a repressão religiosa em países como a Arábia Saudita
.

* Observação: Logo após a declaração, Ratzinger visitou a Mesquita Azul (imagem que ilustra o post) em Istambul e declarou-se favorável à entrada da Turquia na União Européia. O ardiloso teocrata parece jogar dos dois lados. O que a Europa tem que fazer, de uma vez por todas, é manter as rédeas curtas das lideranças cristãs e sufocar as pretensões islâmicas com leis rígidas, proibir madrassas, expulsar mulás fanáticos, proibir o véu, o abominável som amplificado dos muezins, que perturba a paz, dispersar manifestações contra liberdade de imprensa, contra a democracia, etc.

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Oriana Fallaci: “La Fuerza de la Razón” (indicado pelo Janer Cristaldo)

Esta Iglesia Católica que, con el pretexto del ‘querámonos-bien’, no se limita a ejercer la Industria de la Beneficencia de la que ya he hablado. Es decir, la industria gracias a la cual a los inmigrados musulmanes los recibe cuando desenbarcan, los esconde en sus albergues, les procura asilo político y subsidios estatales, amén de bloquear sus expulsiones u obstaculizarlas… En Francia, por ejemplo, les cede incluso los conventos y las iglesias. Les construye incluso las mezquitas.

(En Clermont-Ferrand fue el proprio obispo Dardel el que cedió a los inmigrados musulmanes la gran capilla de las hermanas de San José, según cuenta Alexandre del Valle. Capilla que ellos transformaron inmediatamente en mezquita. En Asnières-sur-Seine fue la Congregación Católica la que vendió a los inmigrados musulmanes los edificios más bellos, edificios en los que ellos construyeron una mezquita con una Escuela Coránica vecina. En París fueron los sacerdotes Gilles Couvreur y Christian Delorm los que apoyaron la fundación del Instituto Cultural Islámico de Rue Tánger, instituto dirigido por el fundamentalista argelino Larbi Kechat, después arrestado por sus vínculos con Al-Qaeda. En Lyon fue el cardenal Decourtray el que mandó construir la Gran Mezquita…)

Esta Iglesia Católica que, en el fondo, está de acuerdo con el Islam porque los curas se entendien entre ellos. Esta Iglesia Católica sin cuyo imprimatur el Diálogo, perdón, el Monólogo Euro-Árabe no habría podido comenzar ni mantenerse durante ya más de treinta años. Esta Iglesia Católica sin la cual la islamización de Europa, la degeneración de Europa em Eurabia, nunca habría podido verificarse. Esta Iglesia Católica que calla incluso cuando el curcificado es ofendido, humillado, definido como un cadaverito desnudo, retirado de las aulas escolares o arrojado desde las ventanas de los hospitales. Que además calla sobre la poligamia y sobre el repudio y sobre la esclavitud. Porque en Islam la esclavitud no es una infamia que atañe a los tiempos pasados, señores del Vaticano.
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