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25 junho 2012

Torturadores e Torturados

Recentemente foi criada a Comissão da Verdade para investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Pessoalmente, acho este nome muito inconveniente. Parece aquelas coisas da cultura corporativa do tipo Código de Ética. Mas, afinal, faz parte do marketing político dar-se um nome bonito para uma coisa não tão bonita. Por exemplo, quem não gosta chama de cotas raciais e quem gosta chama de ação afirmativa.

Para começar, quem criou a tal Comissão foi justamente um grupo de pessoas que foram torturadas. Conhecendo a natureza humana, um motivo que parece óbvio é a busca de vingança. Os ex-torturados dizem que não, que querem apenas a Verdade. Bem, para garantir que a Verdade deles seja encontrada, eles mesmos designaram os membros desta Comissão ilustre.

Não se trata aqui de defender a tortura. Esta é uma prática covarde, para dizer o mínimo. Nos Estados Unidos, recentemente, houve quem a defendesse com base na possibilidade de se salvar centenas de vidas de atentados terroristas. De qualquer forma, a falta de empatia que é necessária para tal prática é algo sub-humano. De fato, não se poderia descrever tal prática nem como animal, não é algo sequer digno de um réptil.

Há 40 anos vivia-se uma guerra civil deflagrada por um grupo esquerdista radical que pretendia instalar no Brasil uma ditadura ao estilo cubano. Aí chegamos ao que realmente está em questão na Comissão da Verdade, na minha opinião. Hoje, temos um grupo que chegou ao poder que é constituído por vários dos ex-torturados. Chegaram a ele não pelas armas, nem tampouco para instalar uma ditadura cubana mas por caminhos democráticos.

Estas pessoas passaram por um grande calvário, várias delas passaram anos presas e outras na clandestinidade. Por outro lado, se os militares não tivessem vencido tal sublevação, ainda poderíamos estar vivendo a situação da Colômbia, por exemplo, que vive uma guerra civil há quase 50 anos, ou, se eles tivessem vencido, teríamos quem sabe uma nova Cuba. Enfim, prefiro a vitória dos militares.

O que está em questão, eu acho, é a necessidade destas pessoas de afirmarem que sua causa era justa. Na minha opinião, não era. Uma coisa é a tortura de inimigos do Estado, outra é dizer que eles estavam certos. Creio que eles estavam errados e acho que a tortura aplicada foi também um grande equívoco. Um equívoco tão grande que lançou uma sombra na vitória dos militares sobre esta insurreição que teria sido tão negativa para o país.

Creio que os verdadeiros heróis daquela ocasião não eram estes rapazes da geração 68 nem tampouco os militares. Penso que os verdadeiros heróis tenham sido os membros do antigo MDB e outros que foram os verdadeiros responsáveis pela redemocratização do Brasil. Lula, por exemplo, com sua liderança no ABC, foi um dos que nunca foram torturados e que muito mais contribuíram para a redemocratização do país.

04 maio 2008

Existe Direita no Brasil?

Em 1964, havia a Tradição, Família e Propriedade ligada à Igreja Católica, havia um movimento estudantil de direita, havia alguns caciques de uma direita progressista como Carlos Lacerda. Com a violência da chegada dos militares ao poder, o movimento estudantil de direita desapareceu, até que em 1968 todo o movimento estudantil já era de esquerda. Em 1968, tivemos a Passeata dos 100 mil e o surgimento do mito da geração 68.

Os militares do golpe de 64 se aproximaram da direita coronelista retrógrada como um José Sarney e um Antonio Carlos Magalhães e outros assemelhados. Não houve grandes choques entre os militares e os burocratas que desde Getúlio já cultivavam uma tradição autoritária. Acontece que houve o aborto de uma direita progressista. O ambiente criado pelos militares foi um desafio para o surgimento de organizações sociais de esquerda e a Igreja Católica que era um dos pilares da direita passou a estruturar a esquerda por meio da Teologia da Libertação.

Tivemos a decadência da TFP e a ascensão da Pastoral da Terra que foi a base da formação do Movimento dos Sem Terra, o surgimento das Comunidades Eclesiais de Base que mais tarde, junto com os metalúrgicos de São José dos Campos fundariam o PT, do Conselho Indigenista Missionário que foi responsável pela demarcação de milhões de hectares de terra para alguns indígenas, incluindo a reserva de 1,7 milhão de hectares de Raposa Serra do Sol.

Acredito que seja legítima a existência de movimentos sociais de direita cuja ênfase esteja na defesa dos direitos individuais do cidadão, ou seja, a sua liberdade em face do poderio representado pelo Estado. Por outro lado, a esquerda no Brasil, tem um discurso ancorado na idéia da injustiça social e da necessidade de se reparar uma espécie de pecado original. Para os marxistas, o pecado original está na instituição da propriedade privada e acredito que para os católicos da Teologia da Libertação também seja este o caso.

Enfim, mais um demérito deve ser dado aos militares de 64. Eles falharam também na formação de uma direita progressista. Afinal, eles próprios eram autoritários. O melhor que eles fazem é ficar bem afastados da política. De fato, o pensamento de segurança nacional é pessimamente estruturado. Aquele discurso de paranóia e poder nacional está completamente superado.

O melhor que os militares podem fazer hoje é executar a política de segurança pública elaborada pelos representantes legítimos do povo. Afinal, eles precisam entender que o seu discurso é ultrapassado e carente de legitimidade. Sendo assim, se eles ficarem calados surgirão naturalmente no seio da sociedade intelectuais e pessoas preparadas para elaborar um discurso de segurança nacional em termos que sejam adequados a uma sociedade plural. Quem sabe não surjam organizações sociais de direita que ajudem a preservar as liberdades individuais em face do totalitarismo característico de um estado socialista cujo foco está na promoção do igualitarismo.
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