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14 outubro 2013

Titulares à sombra dos seus reservas

Hoje, na política brasileira, temos uma situação curiosa. Os três principais candidatos à presidência da República estão à sombra de seus reservas. A começar pela Dilma, que vive na sombra do Lula, passando por Aécio, que não tem a projeção nacional do Serra, e pelo Eduardo Campos, que ainda não é tão popular quanto a Marina.

Especula-se que Dilma iria para o banco de reservas se sua intenção de voto caísse abaixo de 30%. Independente disto o Lula já está em campanha. De fato, ele foi talvez o presidente que menos governou o Brasil. Ele nunca parou de fazer campanha. Infelizmente, para o Brasil, o único inimigo à altura do Lula tem sido o seu câncer. Se ganhar a próxima eleição, ele terá dominado o Brasil por mais tempo que Getúlio Vargas, que ficou 15 anos no poder.

Para Eduardo Campos, sua candidatura seria inviável se ele não crescer na intenção de voto, pois simplesmente não haveria segundo turno, o que forçaria a entrada de Marina como cabeça de chapa. De qualquer forma, é melhor para o PSB ter duas cabeças, pois o jogo é duro contra o PT. Depois do anúncio da candidatura, o PSB perdeu 20 deputados. Bom trabalho Lula. Se bem que uma parte dos que saíram estão ligados ao Ciro, que teve um ataque de pelanca por não ser ele o candidato. Cá entre nós, trocar o Ciro pela Marina parece ótimo negócio.

Para Aécio, a situação é mais confortável, pois a tendência é que os votos da direita venham para ele. E ele ainda é senador e controla a máquina do partido, portanto as chances de Serra são menores, mas em política tudo é possível. Considerando que ele enfrenta os eternos boatos de que é um cheirador...Será que teriam coragem de usar isto contra ele? Só se ele crescesse muito.

O PT chegou a representar a renovação na política quando, em 1979, rompeu a polarização entre ARENA e MDB. Foi também um avanço por não ter sido uma das siglas criadas por Getúlio, mas hoje o PT representa um novo tipo de autoritarismo à semelhança dos militares e seu projeto de poder passa pela monopolização da política brasileira, o que em última instância visa deixar as pessoas sem possibilidade de escolher seus governantes. O PT irá escolher por elas em seus quadros. Como diz o gigante João Santana, os anões irão se destruir. Espero que não pelo bem do Brasil.

Ontem li algo que mostra o que é o Brasil do PT. A direção do Fundo de Pensão dos Correios perdeu cerca de R$ 1 bilhão em operações duvidosas. O resultado disso foi a demissão do diretor financeiro indicado pelo PMDB, mas o presidente do Fundo indicado pelo PT continua como se não tivesse nada a ver com isto. Se o PT faz isso com a aposentadoria dos trabalhadores, imagina como está administrado mal este nosso Brasil. É por isso que precisamos de opção, de alternância de poder, para que haja consequência para os governantes pela sua má administração.

25 março 2013

Os Presidenciáveis


Já foi dada a largada na disputa pelo mandato de presidente da República de 2014. Dilma saiu na frente anunciando em cadeia nacional uma redução na tarifa de energia e corte de impostos na cesta básica. Como disse o deputado Roberto Freire, o corte de impostos da cesta básica foi desonestidade intelectual da presidente, que vetou projeto idêntico aprovado pelo Congresso no ano passado. Em sendo desonestidade intelectual, não será a primeira considerando que em seu currículo ela dizia que tinha doutorado em economia pela Unicamp, o que se verificou mentiroso. A culpa foi atribuída ao erro de uma secretária e o site da capes passou a exigir CPF e senha na atualização de currículo. Quanto ao setor elétrico, as distribuidoras perderam 50% do seu valor desde o ano passado e o setor só não vive um racionamento graças às térmicas emergenciais construídas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Isto porque Dilma foi a toda poderosa do setor de energia nos últimos anos. O seu mito de competência parece sobreviver mais que a realidade.

No PSDB, parece que finalmente chegou a vez do neto de Tancredo. Este playboy que muitos acusam de aspirador de pó acha que tem as credenciais para ser presidente da República em função da boa gestão que fez no estado de Minas. Dizem que o segredo do Aecinho é que ele sabe se cercar de pessoas competentes, especialmente sua irmã, que é famosa por carregar seu piano. Serra, por sua vez, até hoje não acredita que foi derrotado por Dilma. Logo ele, que foi presidente da UNE, exilado, com mestrado em economia no Chile, doutorado pela Universidade de Cornell com passagem por Princeton e professor da Unicamp, secretário de estado, deputado constituinte, várias vezes ministro, senador, prefeito e governador de São Paulo e acabou derrotado por um poste de Lula. Isto depois de ter sido derrotado pelo próprio. Pensando bem, Serra deve ser vascaíno.

Uma novidade interessante que surge no condomínio do poder é o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos, que aspira à presidência. Campos vem de uma boa família da esquerda, como diria o Mercadante: os Arraes. Se bem que está difícil para o Ciro engolir que ele não seja o único e eterno presidenciável do PSB. Este partido se apresenta como uma alternativa interessante de poder à aliança PT/PMDB, cuja construção foi produto do Mensalão. Como disse Merval Pereira, Lula ficou tão assustado com a possibilidade de sofrer um impeachment que abraçou tudo o que havia de mais espúrio no PMDB e com isto enterrou a bandeira da ética do PT, que já estava em frangalhos.

Temos ainda a senadora Marina Silva que é uma dissidente do Partido dos Trabalhadores. Ela tem a antipatia de Lula devido a sua origem humilde e uma biografia que chega a ser mais interessante que a dele em termos de dramas pessoais. Donos de partido como Lula não dão espaço para que outros grupos cresçam e selecionam candidatos na base no dedaço como foi o caso da Dilma, que não venceu nenhuma previa partidária. Marina traz a bandeira da ética e da proteção do meio-ambiente, que parecem muito importantes para o país mas revela um culto à personalidade um pouco sinistro.

Nos bastidores Lula luta para sabotar o novo partido de Marina e para impedir a candidatura de Campos para manter a eleição no cenário familiar que é a velha disputa PT x PSDB, que ele e seus marqueteiros parecem já ter desenvolvido a fórmula para vencer. Enquanto isto, Lula vai parindo mais postes como Haddad e Lindenberg, que poderiam ser candidatos à Presidência da República um pouco mais para frente. Haddad fez uma longa gestão no Ministério da Educação marcada por sucessivos fracassos no ENEM devido a licitações no mínimo mal feitas. O desempenho do país em termos educacionais também não sofreu grandes alterações exceto o rio de dinheiro despejado na educação superior. Quanto ao Lindenberg, ou como alguns o chamam, o Lindinho, ex-lider dos caras-pintadas hoje responde a cerca de quinze inquéritos no STF por diversos desvios, especialmente irregularidades em licitações.

Outro dia Dilma disse que o Brasil devia muito ao PT.... Será? O partido que votou contra tudo que o PSDB propôs em sua gestão e que mais tarde se serviu de tudo isto como seu? Este é o partido para quem o país tem uma dívida? O partido que não fez nenhuma reforma significativa em sua gestão. Outro dia a ministra do Planejamento, na falta do que dizer disse que o governo está fazendo uma revolução silenciosa. Será? Mas a Sra. Dilma está enganada. Políticos têm mania de aclamação como se estivessem onde estão porque outros pediram e insistiram, etc. Não, ninguém pediu para ela estar lá e nem para o PT chegar ao poder. Eles ocupam o poder porque o desejaram, lutaram e derrotaram seus adversários. E, se depender deles, ficarão no poder para sempre. Abrir mão do poder é muito raro é geralmente é feito em situações como a do papa Bento XVI, que chegou à conclusão por razões de saúde, que era hora de passar o bastão. Chávez,  por sua vez, nem sofrendo de um câncer terminal entregou o poder. Na minha opinião, este é o tipo de gente que nunca deveria tê-lo tido.

25 junho 2012

Torturadores e Torturados

Recentemente foi criada a Comissão da Verdade para investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Pessoalmente, acho este nome muito inconveniente. Parece aquelas coisas da cultura corporativa do tipo Código de Ética. Mas, afinal, faz parte do marketing político dar-se um nome bonito para uma coisa não tão bonita. Por exemplo, quem não gosta chama de cotas raciais e quem gosta chama de ação afirmativa.

Para começar, quem criou a tal Comissão foi justamente um grupo de pessoas que foram torturadas. Conhecendo a natureza humana, um motivo que parece óbvio é a busca de vingança. Os ex-torturados dizem que não, que querem apenas a Verdade. Bem, para garantir que a Verdade deles seja encontrada, eles mesmos designaram os membros desta Comissão ilustre.

Não se trata aqui de defender a tortura. Esta é uma prática covarde, para dizer o mínimo. Nos Estados Unidos, recentemente, houve quem a defendesse com base na possibilidade de se salvar centenas de vidas de atentados terroristas. De qualquer forma, a falta de empatia que é necessária para tal prática é algo sub-humano. De fato, não se poderia descrever tal prática nem como animal, não é algo sequer digno de um réptil.

Há 40 anos vivia-se uma guerra civil deflagrada por um grupo esquerdista radical que pretendia instalar no Brasil uma ditadura ao estilo cubano. Aí chegamos ao que realmente está em questão na Comissão da Verdade, na minha opinião. Hoje, temos um grupo que chegou ao poder que é constituído por vários dos ex-torturados. Chegaram a ele não pelas armas, nem tampouco para instalar uma ditadura cubana mas por caminhos democráticos.

Estas pessoas passaram por um grande calvário, várias delas passaram anos presas e outras na clandestinidade. Por outro lado, se os militares não tivessem vencido tal sublevação, ainda poderíamos estar vivendo a situação da Colômbia, por exemplo, que vive uma guerra civil há quase 50 anos, ou, se eles tivessem vencido, teríamos quem sabe uma nova Cuba. Enfim, prefiro a vitória dos militares.

O que está em questão, eu acho, é a necessidade destas pessoas de afirmarem que sua causa era justa. Na minha opinião, não era. Uma coisa é a tortura de inimigos do Estado, outra é dizer que eles estavam certos. Creio que eles estavam errados e acho que a tortura aplicada foi também um grande equívoco. Um equívoco tão grande que lançou uma sombra na vitória dos militares sobre esta insurreição que teria sido tão negativa para o país.

Creio que os verdadeiros heróis daquela ocasião não eram estes rapazes da geração 68 nem tampouco os militares. Penso que os verdadeiros heróis tenham sido os membros do antigo MDB e outros que foram os verdadeiros responsáveis pela redemocratização do Brasil. Lula, por exemplo, com sua liderança no ABC, foi um dos que nunca foram torturados e que muito mais contribuíram para a redemocratização do país.

17 agosto 2008

DILMÃO - A MÃE DO PAC E DA PETROSAL

Conheci algumas pessoas que já estiveram na presença da Dilma e o consenso é que a mulher é louca. Não uma louca de jogar pedra, mas dessas de mandar a turma para o paredão. Sua arrogância e agressividade são famosas. Apesar disso, ela é o braço direito do Lula que a leva em seus comícios e a chama de mãe do PAC. Mesmo deixando de ser ministra de Minas e Energia, ela ainda se manteve como presidente do Conselho do Petrobras e concentra a coordenação de diversos programas do governo federal. Concentra, portanto, um nível de poder nunca antes visto na história do Brasil. Recentemente, ela assumiu a liderança na politização do pré-sal, sob a bandeira do nacionalismo. A pergunta que não quer calar é: ela será nossa próxima presidente da República?

Logo após o chefe de polícia geral da República, o Tarso Genro, prender o investigado-geral da República, o Daniel Dantas, ele levantou a bola de que era necessário prender os militares que participaram de tortura no regime militar. Isto foi mais ou menos na época da implantação do limite etílico sueco, o mais rigoroso do mundo no país. Muitos interpretaram esta jogada do comissário Tarso como uma cutucada na Dilma, que esteve envolvida em diversos crimes praticados na guerra civil travada entre os militares da ditadura e os guerrilheiros marxistas que sonhavam com uma ditadura cubana para o Brasil. Afinal de contas, por que parar nos crimes praticados pelos agentes do estado e por que não investigar também os crimes praticados pela geração 68?

O PAC, na verdade, é um grande saco onde o governo enfiou um monte de projetos que já existiam e se arrogou de patrocinador. Metade do PAC é a Petrobras. Verdade seja dita que quando o governo resolveu apadrinhar estes projetos, as resistências do IBAMA e outros órgãos passaram a ser tratadas como algo próximo de sabotagem do PAC e, portanto, gerou-se benefício para o país. A pressão foi tanta que a ministra Mariana escolheu a melhor hora para pular fora do barco e entrou o histérico Carlos Minc, que grita mas libera.

Quanto ao Pré-Sal, ele é o resultado de mais um dos projetos megalómanos dos militares, como a Embraer, e que buscava desesperadamente petróleo na bacia de Campos. Eis que 30 anos e muitos bilhões de dólares de investimentos depois, cai o pré-sal no colo do Lula. Este menino nasceu com a bunda virada para lua mesmo. Enfim, o atual marco regulatório e a modernização da Petrobras no governo FHC geraram previsibilidade e deram a robustez econômica para que fossem feitos os investimentos que resultaram na auto-suficiência já bastante explorada politicamente por Lula.

A genialidade da pequena política está na sua capacidade de criar discursos, alimentando ódios, dividindo o povo e encontrando inimigos e culpados. O Pré-Sal é uma riqueza maravilhosa da nação brasileira que pode ser explorado e aproveitado por toda a nação com a simples criação e elevação de impostos, como os países civilizados fazem. Ao invés disso, pensa-se em criar uma nova lei, uma nova estatal que seja expurgada dos investidores americanos e outras besteiras que não fazem o menor sentido, exceto dar a Dilma ou a alguma candidato do PT mais um discurso para a eleição de 2010. E que venha Dilma...
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