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21 março 2014

A democracia é uma M*

O número de crianças atingidas pelo conflito na Síria chega a 5,5 milhões. Acredita-se que crianças sejam alvos preferenciais de franco-atiradores porque dificilmente serão abandonadas e irão requerer muitos cuidados. Estima-se que mais de 2 milhões de crianças irão requerer tratamento psicoterápico para se recuperar dos traumas sofridos (link). Como chegamos a isso? Certamente muitos fatores podem ter contribuído para isso, mas pretendo explorar a tese da falta de democracia na Síria.

A Síria era um regime que tinha eleições que eram sempre vencidas pelo partido da família Assad, portanto, era uma democracia de fachada. O ditador inclusive já anunciou sua intenção de se candidatar novamente em 2014. A meu ver, o problema aconteceu quando houve grande insatisfação popular que a falta de instituições democráticas foram incapazes de canalizar para uma mudança de governo. Se as tais manifestações tivessem ocorrido na Inglaterra, por exemplo, provavelmente teriam levado à queda do primeiro-ministro e possivelmente a dissolução do parlamento. Como não haviam instituições democráticas reconhecidas, o país mergulhou na guerra civil. Quem quer que ganhe essa guerra receberá um país em ruínas e um povo arrasado.

A democracia é uma M*. Nela temos que tolerar opiniões diferentes da nossa. Suportar decisões que contrariam nossos valores e interesses, mas fazemos isso com a fé e a esperança na participação e no diálogo. Quando não temos democracia, temos a situação da Venezuela onde milícias pró-governo matam manifestantes e há uma escalada de violência que provavelmente não deverá levar o país a guerra civil, mas irá agravar em muito as dificuldades econômicas e de segurança já vividas pela população.

Quando vejo pessoas defendendo o voto nulo acho que até entendo sua desilusão com o sistema democrático que é bastante falho e conta com pessoas mais falhas ainda. Entretanto, na ausência de eleições, o que nos resta para buscar um governo que atenda as expectativas da população? Resta a guerra civil que destruirá o país.

Na minha opinião, o maior feito de Mandela foi ter conduzido a transição de forma que a África do Sul não fosse mais um dos países africanos a entrar em guerra civil. O regime do apartheid já estava condenado desde fins da década de 70 e a sua elite encontrou nele o homem capaz de fazer a transição sem jogar o país no abismo. Talvez um dos segredos do processo seja a existência de instituições democráticas que foram mantidas em algum grau apesar do Congresso Nacional Africano ter ganho todas a eleições desde o fim do apartheid. Veja que não é fácil manter uma democracia viva.

No Brasil, temos o PT e um sonho de poder sem fim. Não creio que isso seja bom para o Brasil, pois não basta que haja democracia dentro do partido, é preciso que as instituições sejam democráticas e o que sustenta a democracia é a alternância de poder. Aliás, democracia de verdade não existe dentro do PT como se podem ver nas denúncias de Valter Pomar do abuso do poder econômico nas eleições internas (link).

14 outubro 2013

Titulares à sombra dos seus reservas

Hoje, na política brasileira, temos uma situação curiosa. Os três principais candidatos à presidência da República estão à sombra de seus reservas. A começar pela Dilma, que vive na sombra do Lula, passando por Aécio, que não tem a projeção nacional do Serra, e pelo Eduardo Campos, que ainda não é tão popular quanto a Marina.

Especula-se que Dilma iria para o banco de reservas se sua intenção de voto caísse abaixo de 30%. Independente disto o Lula já está em campanha. De fato, ele foi talvez o presidente que menos governou o Brasil. Ele nunca parou de fazer campanha. Infelizmente, para o Brasil, o único inimigo à altura do Lula tem sido o seu câncer. Se ganhar a próxima eleição, ele terá dominado o Brasil por mais tempo que Getúlio Vargas, que ficou 15 anos no poder.

Para Eduardo Campos, sua candidatura seria inviável se ele não crescer na intenção de voto, pois simplesmente não haveria segundo turno, o que forçaria a entrada de Marina como cabeça de chapa. De qualquer forma, é melhor para o PSB ter duas cabeças, pois o jogo é duro contra o PT. Depois do anúncio da candidatura, o PSB perdeu 20 deputados. Bom trabalho Lula. Se bem que uma parte dos que saíram estão ligados ao Ciro, que teve um ataque de pelanca por não ser ele o candidato. Cá entre nós, trocar o Ciro pela Marina parece ótimo negócio.

Para Aécio, a situação é mais confortável, pois a tendência é que os votos da direita venham para ele. E ele ainda é senador e controla a máquina do partido, portanto as chances de Serra são menores, mas em política tudo é possível. Considerando que ele enfrenta os eternos boatos de que é um cheirador...Será que teriam coragem de usar isto contra ele? Só se ele crescesse muito.

O PT chegou a representar a renovação na política quando, em 1979, rompeu a polarização entre ARENA e MDB. Foi também um avanço por não ter sido uma das siglas criadas por Getúlio, mas hoje o PT representa um novo tipo de autoritarismo à semelhança dos militares e seu projeto de poder passa pela monopolização da política brasileira, o que em última instância visa deixar as pessoas sem possibilidade de escolher seus governantes. O PT irá escolher por elas em seus quadros. Como diz o gigante João Santana, os anões irão se destruir. Espero que não pelo bem do Brasil.

Ontem li algo que mostra o que é o Brasil do PT. A direção do Fundo de Pensão dos Correios perdeu cerca de R$ 1 bilhão em operações duvidosas. O resultado disso foi a demissão do diretor financeiro indicado pelo PMDB, mas o presidente do Fundo indicado pelo PT continua como se não tivesse nada a ver com isto. Se o PT faz isso com a aposentadoria dos trabalhadores, imagina como está administrado mal este nosso Brasil. É por isso que precisamos de opção, de alternância de poder, para que haja consequência para os governantes pela sua má administração.

30 setembro 2013

O Conflito Social

Atravessamos nossas vidas tentando administrar o conflito. Algumas vezes fugindo, evitando, e outras vezes confrontando. Mas, o conflito é maior que todos nós porque é algo ligado à natureza humana e à vida em sociedade. Quase todo romance gira em torno de um conflito, a maior parte dos telejornais narram conflitos e não passa um dia sem que tenhamos que enfrentá-los. Não vejo solução para eles, que, em boa medida, estão fora do nosso controle e da nossa capacidade de previsão. Resta-nos lidar com eles com todas as limitações inerentes à natureza humana.

Vejo as religiões, em boa parte, como uma engenharia humana que tenta administrar o conflito. Karen Armstrong, em seu estudo sobre o islamismo, enxerga nesta religião uma construção institucional de uma hipertribo que permitiu aos povos árabes abandonar alguns tribalismos e passar a viver como “os crentes”, portanto, uma forma de superar intermináveis vendettas. No cristianismo temos a ideia da comunhão dos irmãos em Cristo. Não temos o mesmo sangue, mas comungamos do “sangue” de Cristo e comemos da sua “carne”. Antes disso, a ideia judaica de um Deus pai já tornava irmãos aqueles que compartilhassem desta crença. Marx, de certa forma, reconhecia este papel da religião em amenizar o conflito e a acusava de ser o ópio do povo.

A teoria marxista defende a tese do conflito de classes como o motor da história, portanto, se este acabasse chegaríamos ao fim da história e, quem sabe, ao paraíso na terra. Para ele, o conflito estava essencialmente ligado a propriedade privada que, em última análise, seria a origem de todo o conflito entre os homens. Esta concepção se aproxima de Rousseau, que supunha que o homem era corrompido pela sociedade, deformada pela propriedade, e, ao contrário de outros contratualistas, recusava a legitimidade do contrato social por entender que este só beneficiava a alguns. Mas Marx e Rousseau estavam errados; sociedades que aboliram a propriedade privada não ficaram livres do conflito.

Nos Estados Unidos, assistimos à disputa entre outras escolas de pensamento que tinham abordagens diversas em relação a questão do conflito. A escola funcionalista via no conflito basicamente uma disfunção social. Os elitistas, a partir de Weber, enxergam o conflito como algo essencialmente ligado à disputa pelo poder e entendiam que este ocorria, em maior ou menor medida, quando parcelas das elites mobilizavam massas para travar suas batalhas. Os pluralistas americanos defendiam a tese de que o poder estava disperso pela sociedade e que era proporcional à capacidade de organização de alguns grupos. Mas não parece que o conflito esteja restrito a dinheiro e poder. Os romances de Agatha Christie traçam um panorama bem mais sombrio da natureza humana.

O conflito não é algo remoto, presente em teorias sociológicas ou romances, ele está presente em nosso dia a dia em sociedade. Quantas vezes já ouvimos pais falarem para filhos que não levem desaforos para casa ou que se apanharem na rua apanharão duas vezes em casa? O discurso mais politicamente correto é que as crianças precisam aprender a se defender. Em função disso, os pais põem seus filhos para fazer judô, karatê, jiu-jitsu na esperança de que eles pelo menos não sejam vítimas.

Apesar dos esforços das religiões, dos pais e das teorias sociológicas, o conflito persiste e talvez persista enquanto a sociedade humana existir. As ideias de justiça, de direitos, de mérito e de igualdade talvez sejam aproximações para atribuir significado aos conflitos. Quando assistimos a um jogo de futebol, classificamos agressões como “raça” ou “desleal” em função da nossa interpretação do conjunto das regras e da conduta do jogador. Existem até pessoas que, em função, de uma profunda identificação com um “time” são basicamente incapazes de ver qualquer razão ou reconhecer qualquer mérito em um time que não seja o seu. Muitos destes “doentes” fazem parte de torcidas organizadas, outros fazem parte dos Black Blocks e outros, ainda mais sofisticados, são líderes políticos hábeis em alimentar conflitos sociais em seu próprio benefício.

Lula, por exemplo, é um exímio manipulador de conflitos. Vejam o caso deste Programa Mais Médicos; ele é questionável em várias dimensões, desde o uso de “mão-de-obra escrava cubana”, passando pela falta de estrutura local para apoiar os médicos, seu impacto sobre a saúde pública no Brasil é questionável, a truculência da sua implantação por Medida Provisória é digna dos militares, enfim, é uma política que gera muito conflito e cujos resultados até o momento são nulos. Entretanto, em termos eleitorais, a turminha do PT conseguiu lançar nacionalmente o Padilha, ministro da Saúde, como candidato a governador de São Paulo. Com este jeito truculento ele se projeta e se cacifa para ser governador deste estado que tem um grande desafio de segurança pública a ser enfrentado.

A política de cotas raciais é outro tipo de política de resultados muito duvidosos. Nos EUA, onde foi aplicada por décadas, tem um resultado bastante ambíguo. Existem aqueles que afirmam que não foi possível mostrar o efeito positivo sobre a comunidade negra em função da ação devastadora do crack. Apesar disso, é uma plataforma eleitoral que ganha cada vez mais legitimidade no Brasil, apesar de contar com uma turminha revoltada daqueles que acham que a vida lhes deve algo e eles estão aqui para cobrar. Esta atitude não tem cor, ela está presente em muitas pessoas que só têm desprezo para oferecer a seus semelhantes.

Isto para não falar daqueles que querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Tem gente que gosta de conflito, se sente vivo com aquela descarga de adrenalina, com ampliação dos sentidos e com aquela presença necessária para garantir a sobrevivência. Basta ver os Black Blocks em seu êxtase “revolucionário” e destrutivo. Talvez uma sessão de destruição dê um barato melhor que cocaína. Os militantes do PT não ficam atrás com aquelas suas bandeirinhas que, quando rejeitadas, são prontamente transformadas em porretes.

As religiões diriam que eles também são filhos de Deus e que não nos cabe julgá-los. Talvez amá-los não seja a solução para o problema do conflito, mas seja um passo para conseguirmos encontrar paz em nós mesmos. Não podemos procurar a paz pelos outros e muito menos obrigá-los a buscá-la, mas podemos fazer a nossa parte. Ainda não acredito em oferecer a outra face porque acredito que estou certo.

20 setembro 2013

Salve Marina, Aécio e Campos. Ou: a Importância da Alternância de Poder

Se Deus quiser, Marina, Aécio e Campos desafiarão a hegemonia petista em 2014, quando completará 12 anos de dominação do Brasil. Se conquistar a próxima eleição, o PT superará Vargas em sua primeira fase, quando ficou 15 anos no poder. Mais uma eleição e eles igualam os militares, a quem tanto odeiam, que ficaram 20 anos no poder. Mas, o sonho mesmo é chegar a ser um PRI, que ficou 70 anos ininterruptos ocupando o poder no México. Que belo trabalho eles fizeram pelo México! Para a democracia e para o fortalecimento das instituições, é importante a alternância de poder, pois, como já dizia o velho ditado, “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.”

O exercício do poder corrompe. Vejam o caso do STF, daqui a alguns anos não haverá um juiz lá que não tenha sido indicado pelo PT. Mesmo assumindo que eles pertençam a correntes diferentes do Partido, tenham sido indicados por coalizões diferentes, ainda assim estarão controlados em algum grau pelas redes de favores e influência petista. O interessante deste julgamento do Mensalão é que ele torna evidente o poder que alguns altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores têm sobre alguns membros do STF. Na Venezuela, por exemplo, a lisura da Suprema Corte em relação ao governo é nula. Isto é difícil até nos EUA, onde uma decisão da Suprema Corte resultou na eleição do Bush Júnior. Não por acaso seu pai havia indicado o cara que tomou a decisão.

O poder é uma merda. Com o passar do tempo, as redes que vão sendo trançadas em torno dos cargos vão se tornando cada vez mais degeneradas. Muitas vezes algumas pessoas simplesmente não podem ser demitidas, pois conhecem os podres de muita gente. E, se são demitidas, têm que ganhar uma compensação adequada para que dossiês não comecem a vazar para a imprensa. Recentemente, descobriram um assessor da Casa Civil acusado de mais de 10 estupros de menores em condições de vulnerabilidade. Ele foi delicadamente demitido, mas ninguém falou em expulsão do Partido dos Trabalhadores. Em minha opinião, este rapaz deve saber demais.

O sistema político americano é dominado por dois partidos que se alternam no poder. Quando isso ocorre há uma tendência a que o partido que está ocupando a presidência evite criar muitos cargos e outras vantagens, pois corre o risco de estar fortalecendo o outro partido, que tem boas chances de chegar ao poder. Quando este risco não é real, então temos uma tendência para a tirania, na medida em que o partido encastelado no poder começa a ampliar seu poder sem medo de ter de entregá-lo ao adversário ou inimigo, a depender da situação institucional do país.

São as instituições, as regras do jogo que permitem que o jogo político seja disputado por adversários. Quando não há instituições, ou elas estão muito fracas, a disputa pelo poder degenera como no caso do ditador da Síria. Lá não há mais adversários, pois não há regras para a disputa. Lá temos inimigos, pois vale tudo, até matar criancinhas com gás venenoso. Por que a Síria não tem instituições? Por que não há regras de alternância de poder. Há a dominação de um grupo que não tolera qualquer oposição.

Falando em oposição inimiga, temos o caso da Venezuela. Recentemente, o Maduro criou o 0800 denuncie um sabotador da revolução. Este é um sintoma da intolerância com a oposição, das crescentes perseguições políticas e de um Estado policial onde as vozes discordantes são criminalizadas. Aliás, esta história de sabotadores vem da União Soviética, da China e outros paraísos esquerdistas onde se unia o útil ao agradável, ou seja, procurar bodes expiatórios e perseguir os inimigos.

A Marina, o Campos e o Aécio não são perfeitos. Longe disso. Duvido que a Marina seja a santa que pintam. O Aécio é um playboy que outro dia estava no Rock in Rio. Quanto ao Campos, tenho certeza que o PT está desenterrando seus podres. De qualquer forma, a chegada de qualquer um deles ao poder será bem-vinda pois serão desmanteladas, ou pelo menos renovadas, amplas redes de corrupção e influência. No mínimo os operadores terão que ser trocados. O governo poderá criticar alguns erros, pois não serão seus e o país avançará mais um pouco, até que chegará a hora de trocar de novo.

04 julho 2013

Quanto mais alegam querer mudar, mais querem que fique a mesma coisa

A seguir, dois comentários de C. Mouro mui sutilmente formatados por mim para se tornarem um post, com pequenas supressões, alterações na ordem das sentenças e outras violações, menores do que se um bom tradutor passasse seu texto para outro idioma. O texto original está na caixa de comentários do post anterior (Desculpe-me, Mouro, pelo abuso). Concordo com praticamente tudo que escreveu, com um pequeno lembrete: uma verdade não deixa de ser verdade quando dita por um mentiroso, por um comunista, ex-comunista, papista, tucano, arara ou o diabo. O uso do "tu quoque", reconheço, é irresistível, principalmente se ouvirmos Fidel dizer que é errado mandar oponentes para o paredão. É errado mesmo, o que faz dele, além de um monstro, um grande hipócrita manipulador. Acho Olavo um católico astrólogo herege gnóstico supersticioso monomaníaco por conspirações, Reinaldo Azevedo um desonesto defensor incondicional da Igreja Católica e do PSDB. Ambos podem dizer a verdade às vezes, fazer reflexões pertinentes sobre comunismo, bolivarianismo, gramscianismo, petismo, etc.

Quanto ao movimento das massas, sou bem cético. Mas fico curioso para ver como as esquerdas capitalizarão os resultados para si, manipuladoras mui bem organizadas que são. Usando o que o Mouro escreveu, digo que "hermeneutas" como Mino Carta poderão ver nas revoltas populares um desejo de retorno ao esquerdismo primordial, puro, ao paleopetismo da época das Diretas Já. Lutero, em meio à podridão da Igreja Católica, não desejou uma volta à pureza primordial do cristianismo, recrudescendo-o com a Reforma e recrudescendo indiretamente a Igreja Católica em sua Contra-Reforma? Os papas eram príncipes corruptos quase assumidos, alguns encomendavam talvez mais pinturas de Júpiter e Diana do que de Jeová e Maria. O cristianismo estava mais paganizado do que nunca, as plutocracias dos Medici e Sforza prosperavam. Antes aquele cristianismo - ainda assim vil, é certo - do que o "autêntico" apocalíptico e "virtuoso" de São Paulo. De igual modo, preferiria que os políticos fossem sujos e corruptos assumidos, como o Maluf e o Roriz. Mas que estivessem com focinheiras, vigiados, que fossem punidos literalmente com crueldade quando pegos. Castigos físicos em praça pública seriam divertidos. Falo sério. Quanto ao Estado, deveria ser cada vez menor, TENDENDO para a anarquia. Mas que seria odioso de qualquer modo. Basta ler os capítulos sobre a democracia grega em A Cidade Antiga de Fustel de Coulanges para nos espantarmos com o quão parecidos eram alguns de seus problemas com os atuais. Venda de votos, alternância entre formas de ditadura e aristocracia, a primeira com o apoio do povo cheio de ressentimentos e vontade de se vender por pequenos agrados e de ver os ricos sendo perseguidos pelo tirano, a segunda comandada pelos ricos, baseada na tradição, no respeito à propriedade e à democracia mas pouco preocupada em manter ocupada a população invejosa - passou a ser invejosa quando a propriedade deixou de ser divina e passou a ser cobiçável - já que dispunha de escravos. Na democracia, ao povo votante - apenas machos nascidos na Hélade e descendentes de gregos - uma opção de engordar os rendimentos era vender o voto.

Vamos ao Mouro:

Quanto mais alegam querer mudar, mais querem que fique a mesma coisa

Texto de C. Mouro

Aquilo que vejo no Brasil, com a maioria de sua população insolente, supersticiosa e guiada por morais ideológicas que não fazem qualquer concessão à ideia de ética como uma moral objetiva, em vez de subjetivamente ideológica, é um eterno oscilar entre o "mais morno" e o "menos morno". Essa moral ideológica cujos fins justificam os meios, ditando-os como receita para um nirvana qualquer, não deixará que a massa reflita conscientemente e menos ainda que atue conscientemente.

Novos profetas com novas ideias velhas ameaçam com danações qualquer ínfima reflexão que escape de sua tutela. A manutenção do clima ideológico é a fórmula do poder pleno sobre uma sociedade massificada e, assim, imbecilizada. Os que parecem sair do círculo apenas percorrem sua circunferência e, assim, sempre se acaba voltando ao ponto de partida. A disputa de castas ou, mais propriamente, irmandades e quadrilhas ideológicas não permite que se saia deste círculo com facilidade, pois as propostas dos neo-evangelizadores é mudar para ficar a mesma coisa.

Nenhum destes grupos admite o enfraquecimento do Senhor Estado Todo Poderoso e são nisso acompanhados pelos servos, para quem o ideal é o pedir para conseguir. O mero pedir ao "bondoso senhor" é algo por demais arraigado; a promessa de se estabelecer como meio de dar às gentes o que desejam é própria de novos e velhos profetas, velhos neo-evangelizadores de discursos atemorizantes ou nebulosamente salvadores, que apenas reivindicam a obediência aos intermediários do Senhor Estado. E assim a roda gira. Em círculos desenhados por faladores profissionais interessados em obter nacos do poder estatal e, por tal, absolutamente contrários à sua diminuição. De fato, há o temor de que destas manifestações heterogêneas, sem mentores absolutos, possa resultar certa perda da mística do Estado, de seu "direito divino" sobre a população.

Sim, a massa crê no direito do Estado sobre ela, para quem ele é, ou deveria ser, a fonte da sabedoria e da justiça, de modo que aquilo que decorre de seu arbítrio - na verdade, de sua hierarquia de humanos - é a expressão da verdade e da justiça. Assim, cada indivíduo cultua o Estado que lhe convém, da mesma maneira que cada um elege o seu deus arbitrário conforme seu desejo sobre o que seja considerado verdade e justiça.

Claro que isso proporciona a criação de inúmeros deuses, aparentados ou não. São vários islamismos e cristianismos, pelo menos, já que estas são as ideologias historicamente inventadas por (prefiro "úteis para") governos dominarem e explorarem populações feitas servis, não pelo abuso da boa fé destas, mas sim pelo uso de sua má fé, de impor aos demais suas convenientes "verdades". Mas tais mentirosas verdades não produzem os resultados alardeados. Então a culpa é lançada na "deturpação" e não na sacrossanta ideologia salvadora. E aí, em meio a infindáveis interpretações, pululam hermenêuticas para salvá-la, com as quais os arautos das mudanças querem uma "volta às raízes", mudam as moscas velhas pelas novas, que antes foram mudadas, ou nem tanto.

O império romano criou a moderna política universal e não será fácil livrar-se de tal sistema com facilidade. A justificativa e pretensa legitimação do poder em nome dos pobres e coitadinhos, do povo (o bem coletivo sobrepondo-se ao bem individual com alegada legitimação do arbítrio divino) e mesmo d'uma tal de pátria cuja compreensão é obscura e não refletida, uma ideia incriada sobre cuja existência ninguém quer refletir. Assim, o Estado toma posse da sociedade, o governo se apossa do Estado, este ente místico, um partido ou quadrilha se apossa do governo e a alta hierarquia deste partido ou quadrilha se apossa do partido ou quadrilha. Pronto: agora esta alta hierarquia pode arbitrar as convenientes verdade e justiça que imporá a todos. E falsas verdades e injusta justiça logo darão lugar a novas fraudes, em novas ideologias e hermenêuticas ideológicas sem fim.

Reinaldo, Nivaldo, Olavo e Cia. como maiores opositores do socialismo é mais inverossímil que história da carochinha. Curiosamente, "ex" militantes marxistas, ainda defensores do Estado árbitro sobre a sociedade segundo a subjetividade deles mesmos, aspirantes a árbitros, anunciam-se os verdadeiros combatentes do socialismo atacando estas desnorteadas manifestações como essencialmente esquerdistas por "reivindicarem mais estado" e estarem comandadas por partidos radicais que foram delas escorraçados, tendo suas bandeiras sido queimadas. Ao mesmo tempo advogam pelo PSDB e DEM, louvam FHC, que anabolizou o MST com bilhões em verbas, legitimando-o, além de inventar as indenizações a terroristas e simpatizantes, entre outras ações "capitalistas", e mesmo chegam a ser cabos eleitorais de Serra. Defendem estes pulhas marxistas neomoderados como oposição. O discurso do Papa é mais esquerdista que os "pedidos de mais estado das manifestações". A igreja em sua totalidade e a própria ideologia cristã, defendidos por estes ex militantes marxistas, são muito mais estatizantes que as tais manifestações que queimam bandeiras vermelhas e escorraçam CUT, PSOListas, PTistas, PSTUistas, PCOistas e etc.. Estão confusos, sim, mas melhor confusos do que agarrados a ideologias e partidos. A esquerda irá se aproveitar e recapturá-los com a ajuda dos "ex" marxistas adoradores do Senhor Estado, que preferem o Estado com sua costumeira mística na esperança de ainda o tomarem para si e imporem suas baboseiras ideológicas.

25 março 2013

Os Presidenciáveis


Já foi dada a largada na disputa pelo mandato de presidente da República de 2014. Dilma saiu na frente anunciando em cadeia nacional uma redução na tarifa de energia e corte de impostos na cesta básica. Como disse o deputado Roberto Freire, o corte de impostos da cesta básica foi desonestidade intelectual da presidente, que vetou projeto idêntico aprovado pelo Congresso no ano passado. Em sendo desonestidade intelectual, não será a primeira considerando que em seu currículo ela dizia que tinha doutorado em economia pela Unicamp, o que se verificou mentiroso. A culpa foi atribuída ao erro de uma secretária e o site da capes passou a exigir CPF e senha na atualização de currículo. Quanto ao setor elétrico, as distribuidoras perderam 50% do seu valor desde o ano passado e o setor só não vive um racionamento graças às térmicas emergenciais construídas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Isto porque Dilma foi a toda poderosa do setor de energia nos últimos anos. O seu mito de competência parece sobreviver mais que a realidade.

No PSDB, parece que finalmente chegou a vez do neto de Tancredo. Este playboy que muitos acusam de aspirador de pó acha que tem as credenciais para ser presidente da República em função da boa gestão que fez no estado de Minas. Dizem que o segredo do Aecinho é que ele sabe se cercar de pessoas competentes, especialmente sua irmã, que é famosa por carregar seu piano. Serra, por sua vez, até hoje não acredita que foi derrotado por Dilma. Logo ele, que foi presidente da UNE, exilado, com mestrado em economia no Chile, doutorado pela Universidade de Cornell com passagem por Princeton e professor da Unicamp, secretário de estado, deputado constituinte, várias vezes ministro, senador, prefeito e governador de São Paulo e acabou derrotado por um poste de Lula. Isto depois de ter sido derrotado pelo próprio. Pensando bem, Serra deve ser vascaíno.

Uma novidade interessante que surge no condomínio do poder é o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos, que aspira à presidência. Campos vem de uma boa família da esquerda, como diria o Mercadante: os Arraes. Se bem que está difícil para o Ciro engolir que ele não seja o único e eterno presidenciável do PSB. Este partido se apresenta como uma alternativa interessante de poder à aliança PT/PMDB, cuja construção foi produto do Mensalão. Como disse Merval Pereira, Lula ficou tão assustado com a possibilidade de sofrer um impeachment que abraçou tudo o que havia de mais espúrio no PMDB e com isto enterrou a bandeira da ética do PT, que já estava em frangalhos.

Temos ainda a senadora Marina Silva que é uma dissidente do Partido dos Trabalhadores. Ela tem a antipatia de Lula devido a sua origem humilde e uma biografia que chega a ser mais interessante que a dele em termos de dramas pessoais. Donos de partido como Lula não dão espaço para que outros grupos cresçam e selecionam candidatos na base no dedaço como foi o caso da Dilma, que não venceu nenhuma previa partidária. Marina traz a bandeira da ética e da proteção do meio-ambiente, que parecem muito importantes para o país mas revela um culto à personalidade um pouco sinistro.

Nos bastidores Lula luta para sabotar o novo partido de Marina e para impedir a candidatura de Campos para manter a eleição no cenário familiar que é a velha disputa PT x PSDB, que ele e seus marqueteiros parecem já ter desenvolvido a fórmula para vencer. Enquanto isto, Lula vai parindo mais postes como Haddad e Lindenberg, que poderiam ser candidatos à Presidência da República um pouco mais para frente. Haddad fez uma longa gestão no Ministério da Educação marcada por sucessivos fracassos no ENEM devido a licitações no mínimo mal feitas. O desempenho do país em termos educacionais também não sofreu grandes alterações exceto o rio de dinheiro despejado na educação superior. Quanto ao Lindenberg, ou como alguns o chamam, o Lindinho, ex-lider dos caras-pintadas hoje responde a cerca de quinze inquéritos no STF por diversos desvios, especialmente irregularidades em licitações.

Outro dia Dilma disse que o Brasil devia muito ao PT.... Será? O partido que votou contra tudo que o PSDB propôs em sua gestão e que mais tarde se serviu de tudo isto como seu? Este é o partido para quem o país tem uma dívida? O partido que não fez nenhuma reforma significativa em sua gestão. Outro dia a ministra do Planejamento, na falta do que dizer disse que o governo está fazendo uma revolução silenciosa. Será? Mas a Sra. Dilma está enganada. Políticos têm mania de aclamação como se estivessem onde estão porque outros pediram e insistiram, etc. Não, ninguém pediu para ela estar lá e nem para o PT chegar ao poder. Eles ocupam o poder porque o desejaram, lutaram e derrotaram seus adversários. E, se depender deles, ficarão no poder para sempre. Abrir mão do poder é muito raro é geralmente é feito em situações como a do papa Bento XVI, que chegou à conclusão por razões de saúde, que era hora de passar o bastão. Chávez,  por sua vez, nem sofrendo de um câncer terminal entregou o poder. Na minha opinião, este é o tipo de gente que nunca deveria tê-lo tido.

06 fevereiro 2013

50 Tons de Cinza

Quando uma criança é pequena precisamos ensinar de forma didática o que é ser mau e o que é ser bom. Então temos a famosa historinha do Lobo Mau, que mostra o que é ser mau. A partir do Lobo Mau podemos fazer analogias com situações da vida real para tentar dar significado a contextos para a criança. E temos uma série de outros contos que tentam mostrar o que é ser bom e o que é ser mau.

À medida que crescemos vamos percebendo que o mundo não é preto e branco e nem as pessoas são inteiramente boas ou más. As pessoas são intrinsecamente falhas, como ilustra a historinha bíblica do pecado original. Como resultado, as suas ações, mesmo aquelas bem intencionadas, também são falhas. Já dizia um velho adágio que o caminho do inferno está calçado de boas intenções.

A partir destas premissas vejamos, por exemplo, a eleição do presidente do Senado, o Renan Calheiros. Ele ganhou a eleição para esta cadeira com mais ou menos 75% dos votos dos senadores. O que isto quer dizer? Será que aqueles que votaram contra o Renan são necessariamente bons? Certamente, podemos contar entre eles o Cristovam, que recentemente propôs a federalização do ensino básico como uma panaceia para melhorar a sua qualidade e acabar com a desigualdade entre os ricos e os pobres, o velho Pedro Simon, que já está cansado de guerra, o Eduardo Suplicy, que em seu doutorado nos Estados Unidos entrou em contato com os ideais de Gary Becker de subornar mães, os quais acabaram sendo a base do Bolsa Escola e depois do Bolsa Família. Enfim, figuras que já estavam boas para se aposentar. Temos um Jarbas Vasconcelos com sua lucidez e sua estória de luta pela democracia no Brasil...

Do lado de Renan temos figuras como o velho Sarney e seu pragmatismo absolutamente amoral. Talvez Sarney tenha feito o pior governo da história deste país quando presidente da República, mas acabou sendo excelente para o fortalecimento do PMDB, o que de certa forma viabilizou o nascimento do PSDB, que seria o partido que mais tarde acabaria com a inflação no país. Ironicamente, os técnicos que montaram o Plano Cruzado para Sarney foram mais ou menos os mesmos que montaram o Plano Real para o Fernando Henrique. A diferença é que FHC teve a liderança e o espírito republicano necessário para fazer os dolorosos ajustes necessários ao Plano, apesar das crises do México, da Rússia e da Ásia.

Outra historinha bíblica é a do Bezerro de Ouro, em que Moisés é surpreendido pela fraqueza do povo em adorá-lo. A reação do profeta foi forte mas, apesar disto, o povo não aprendeu e nunca irá aprender. Faz parte da sua natureza a necessidade de idolatrar. No Brasil, temos a idolatria do Lula e seus apóstolos petistas defensoras dos fracos e da ética. Os fatos desmentiram estas pretensões mas, nem mesmo eles são mais fortes do que a idolatria que desafia a razão. De fato, temos aqueles que poderíamos qualificar como os do PT do B, ou seja, PT da Boquinha e outros menos venais. Há até mesmo aqueles que poderíamos chamar de bons.

Mas o mundo é cinza e de boas intenções a estrada para o inferno está calçada. Lembro-me que há alguns anos, o fala mansa do Palocci era um grande defensor da Reforma Constitucional no Brasil. Outro menos discreto como o Dirceu defendia a criação de um Conselho de Ética para os Jornalistas enquanto que Franklin Martins defende o controle “social” da mídia. Temos ainda aquela velha lenga lenga da Reforma Política na qual o PT insiste na criação do voto de lista fechada. O voto de lista fechada é o voto pacote da net. Se quiser tem que comprar todos os canais senão não assina. Assim, o partido garantiria a eleição daqueles nos quais nem o povo votaria.

Curiosamente, não foram os bons do PT os maiores adversários destas teses sinistras e pouco democráticas. Foram justamente os bandidos do PMDB e de outros partidos aqueles que souberam enxergar sob este manto de cordeiro. Afinal, nada como um bom canalha para reconhecer outro. Desta forma, e servindo aos seus interesses mais egoístas, o PMDB buscou preservar sua base de poder, o Brasil. E, assim, a meu ver, serviram a democracia. É, seria muito difícil explicar para uma criança que o lobo mau às vezes pode ser bom e os bons em sua fraqueza e ilusões podem servir o mal. Não é qualquer um que entende que por trás de grandes ideais e boas intenções justificam-se grandes atrocidades.

17 agosto 2008

DILMÃO - A MÃE DO PAC E DA PETROSAL

Conheci algumas pessoas que já estiveram na presença da Dilma e o consenso é que a mulher é louca. Não uma louca de jogar pedra, mas dessas de mandar a turma para o paredão. Sua arrogância e agressividade são famosas. Apesar disso, ela é o braço direito do Lula que a leva em seus comícios e a chama de mãe do PAC. Mesmo deixando de ser ministra de Minas e Energia, ela ainda se manteve como presidente do Conselho do Petrobras e concentra a coordenação de diversos programas do governo federal. Concentra, portanto, um nível de poder nunca antes visto na história do Brasil. Recentemente, ela assumiu a liderança na politização do pré-sal, sob a bandeira do nacionalismo. A pergunta que não quer calar é: ela será nossa próxima presidente da República?

Logo após o chefe de polícia geral da República, o Tarso Genro, prender o investigado-geral da República, o Daniel Dantas, ele levantou a bola de que era necessário prender os militares que participaram de tortura no regime militar. Isto foi mais ou menos na época da implantação do limite etílico sueco, o mais rigoroso do mundo no país. Muitos interpretaram esta jogada do comissário Tarso como uma cutucada na Dilma, que esteve envolvida em diversos crimes praticados na guerra civil travada entre os militares da ditadura e os guerrilheiros marxistas que sonhavam com uma ditadura cubana para o Brasil. Afinal de contas, por que parar nos crimes praticados pelos agentes do estado e por que não investigar também os crimes praticados pela geração 68?

O PAC, na verdade, é um grande saco onde o governo enfiou um monte de projetos que já existiam e se arrogou de patrocinador. Metade do PAC é a Petrobras. Verdade seja dita que quando o governo resolveu apadrinhar estes projetos, as resistências do IBAMA e outros órgãos passaram a ser tratadas como algo próximo de sabotagem do PAC e, portanto, gerou-se benefício para o país. A pressão foi tanta que a ministra Mariana escolheu a melhor hora para pular fora do barco e entrou o histérico Carlos Minc, que grita mas libera.

Quanto ao Pré-Sal, ele é o resultado de mais um dos projetos megalómanos dos militares, como a Embraer, e que buscava desesperadamente petróleo na bacia de Campos. Eis que 30 anos e muitos bilhões de dólares de investimentos depois, cai o pré-sal no colo do Lula. Este menino nasceu com a bunda virada para lua mesmo. Enfim, o atual marco regulatório e a modernização da Petrobras no governo FHC geraram previsibilidade e deram a robustez econômica para que fossem feitos os investimentos que resultaram na auto-suficiência já bastante explorada politicamente por Lula.

A genialidade da pequena política está na sua capacidade de criar discursos, alimentando ódios, dividindo o povo e encontrando inimigos e culpados. O Pré-Sal é uma riqueza maravilhosa da nação brasileira que pode ser explorado e aproveitado por toda a nação com a simples criação e elevação de impostos, como os países civilizados fazem. Ao invés disso, pensa-se em criar uma nova lei, uma nova estatal que seja expurgada dos investidores americanos e outras besteiras que não fazem o menor sentido, exceto dar a Dilma ou a alguma candidato do PT mais um discurso para a eleição de 2010. E que venha Dilma...

31 julho 2008

A Burocracia Contra-ataca

Outro dia assisti a uma palestra sobre Escritório de Projetos e descobri que a burocracia está de volta, agora em nova roupagem. Nunca jogue fora uma roupa que saiu de moda pois se você guardá-la tempo suficiente, e ainda continuar cabendo, você vai ter oportunidade usá-la. Infelizmente, na administração não é tão simples, as coisas voltam, mas com nomes diferentes e os incautos acabarão levando gato por lebre.

Não me entendam mal, nada tenho contra a burocracia no sentido weberiano, no qual se busca incentivar o mérito e se foca em procedimentos de forma a aumentar a previsibilidade dos resultados. Sou contra a burocracia como arma política, sou contra a burocracia para se criar dificuldade para se vender facilidades.

Uma boa burocracia é fundamental, vejamos o caso da usina Vladimir Lênin de Chernobyl, onde um oficial do partido decidiu fazer um teste não programado na madrugada de 25 de abril de 1986, sem seguir os procedimentos de segurança, causando o maior acidente nuclear da história e contribuindo para o final do socialismo real. A combinação de autoritarismo com alguns erros de projeto foi explosiva.

Em função exatamente destes tipos de acidentes que surgiu a disciplina de gerenciamento de projetos, que visa garantir que o produto entregue ao final de um empreendimento atenda às especificações do cliente. Além disso, o gerenciamento de projeto permite uma visão horizontal de gestão em organizações com funções verticais especializadas, permitindo uma melhor integração de recursos.

O engraçado desta palestra é que o mote do consultor era como vender o Escritório de Projetos para a organização, escondendo a sua natureza burocrática. Enganado o gestor com o belo neologismo, começaria a busca pelo poder. O escritório assumiria, então, funções operacionais, depois táticas e, finalmente, chegando às funções estratégicas, coroando o processo com um assento na diretoria para o chief project manager (CPO). A este processo ele chamava de maturidade do Escritório de Projetos.

Isto me faz lembrar dos meus debates com meu amigo marxista leninista que defende a Revolução como única forma de tomar dos ricos o seu dinheiro e extinguir o capitalismo que oprime os homens. Infelizmente, para nós, a sede de poder do homem sobreviverá ao fim do capitalismo e ao fim da história. E, tudo que for criado com as melhores intenções será usado para atender a sede de poder do homem.

A meu ver, o capitalismo e o mercado são positivos para o homem porque nos dá espaço para viver entre a opressão do capitalismo e a opressão dos políticos que usam o Estado para ampliar o seu poder. O estado não é mau, nem tampouco o mercado, mas sim os homens. Chavez, por exemplo, acha que a solução é criar um tipo de educação que enfraqueça laços familiares e fortaleça as relações de solidariedade entre os cidadãos, mas isto não é nenhuma novidade e esta baboseira já foi pensada por Platão.

Enfim, talvez o melhor seja aprendermos a viver entre duas forças perigosas e opressivas, mas que juntas anulam-se mutuamente e produzem um pouco de liberdade para os pobres mortais. Enfim, fico surpreso que não haja mais marxistas leninistas estudando Escritório de Projetos, afinal isto reflete bem o tipo de poder que eles gostariam de controlar.

20 julho 2008

O que significa a prisão da Daniel Dantas?

Esta semana tive uma discussão com o meu contato na esquerda de classe média sobre o caso Daniel Dantas. Ele defendia a execução do banqueiro. Afirmava que o ministro Gilmar Mendes é um corrupto e que o projeto petista gramsciano de tomada de posições estava condenado ao fracasso. A salvação seria a retomada de uma perspectiva leninista, afinal vivemos em uma cultura muito atrasada.

A minha leitura do episódio é diferente. Acho que o Daniel Dantas está sendo investigado não por ser ou não corrupto, mas por ter entrado em disputa com um grupo da cúpula petista. Nem todos se lembram, mas Daniel Dantas controlava a Brasil Telecom com um fundo americano e o fundo de previdência do Banco do Brasil. Quando se iniciou uma disputa com a Telecom Itália pelo controle do grupo e o fundo americano abandonou o seu lado, ele ficou nas mãos da Previ: surgiu então o conflito com a cúpula petista.

Nesta disputa, o governo o acusou de contratar a Kroll para espionar a cúpula petista do Palácio do Planalsto, enquanto o próprio Daniel Dantas acusou o governo de tentar extorqui-lo em US$ 80 milhões de dólares para obter o apoio do fundo de previdência do Banco do Brasil. Quem se lembra do Mensalão e do forte envolvimento dos fundos de pensão percebe que esta não é uma hipótese remota.

Como entender então a prisão de Daniel Dantas? Os delegados da Polícia Federal não fazem o que querem. Se alguém tiver curiosidade no organograma da Polícia Federal (http://www.dpf.gov.br/web/organog_grand.htm) vai perceber que a decisão de designar quatro delegados para investigarem durante os últimos quatro anos o Daniel Dantas foi tomada no nível da diretoria geral. Não é novidade que o grupo petista que se sentiu prejudicado por Dantas tenha usado a estrutura do Estado para perseguir o seu desafeto, afinal foi assim que Fernando Henrique acabou com a candidatura da Rosinha Sarney.

No âmbito do Ministério Público Federal é surpreendente que ele seja representado neste caso por um promotor singular ainda impúbere. Onde estão os procuradores seniores que deveriam estar ansiosos pelos seus cinco minutos de fama? Quanto ao juiz, eles não poderiam ter escolhido outro melhor, afinal este Fausto tem um viés bastante conhecido de jogar para a arquibancada. Por fim, vem a decisão desastrosa de promover a prisão de Daniel Dantas no âmbito das ações da Polícia Federal para provar que o governo Lula não é tão corrupto quanto ficou demonstrado no Mensalão.

Com o Lula no Japão, foi efetuada a prisão com a qual se congratula o governo de forma apaixonada na pessoa do comissário petista Tarso Genro e do próprio presidente da República. Sob os protestos do comissário petista o banqueiro tem seu hábeas corpus concedido pelo presidente do Supremo, que ainda tem de tratar com um insubordinado de primeira instância, rapidamente defendido pela corporação.

E como ficamos? Ficamos com este PT hipócrita que assiste ao enriquecimento da sua cúpula, enquanto persegue os seus inimigos e tenta vender esta imagem falsa e mentirosa de uma nova ética, quando na verdade continua valendo a velha máxima: Para os amigos tudo, para os inimigos a lei.
Como já se disse muitas vezes, o melhor amigo de um jacobino é um corrupto. Sem um jacobino que proponha da noite para o dia que o limite alcóolico para se dirigir no Brasil seja igual ao mais rigoroso do mundo, o sueco, não seria possível aos policiais corruptos aumentaram de forma desmedida a propina para liberar os descumpridores da lei.
Para completar a palhaçada, o Lula repreende publicamente o delegado por afastar-se da investigação. Desde quando o presidente deveria se meter pessoalmente neste nível da Administração? Isto faz sentido somente em uma República Sindicalista populista onde o cumprimento da lei passa a ser vista como uma graça, distribuída e capitalizada pelo grande líder. Assim é a política, as coisas acontecem e os políticos tentam tirar proveito.
O problema desta palhaçada toda é que quando o Lula e o PT aparelham o Estado, também promovem a desmoralização das suas instituições, afinal, ou a lei serve para todos ou não serve para ninguém. Se a lei é usada para perseguir os inimigos do governo então a sociedade não a reconhecerá como uma lei legítima. Sem leis e instituições não temos democracia nem uma república. Sem legitimidade não há lei, mas apenas violência e arbitrariedade.
Diante desta realidade, deste autoritarismo, como as pessoas reagem? Na antiga União Soviética formavam-se máfias. No Brasil, o favorecimento alimenta a mentalidade do cada um por si e Deus por todos, da lei de Gerson. Assim, o governo petista nos leva exatamente ao lugar de onde partimos, ou seja, uma sociedade onde a lei não é vista como um bem de todos mas como uma arma dos poderosos contra os seus inimigos.

20 junho 2008

Corrupção e Revolução

Sempre que vejo algum indivíduo politicamente bonitinho querendo, como se diz por aí, “cagar regra” fico pensando em como os canalhas vão tirar proveito daquelas boas intenções. É o caso do CSS que vem mais uma vez para salvar a saúde, por exemplo. Quem não quer que o Sistema de Saúde melhore? Ninguém. Agora, em cima de um desejo legítimo alguns patifes propõe algo que defendem como indispensável e acusam aqueles que a isto se opõem de se oporem ao desejo legítimo. Patifaria básica.

Outro erro comum é confundir igualdade com justiça. Todos nós desejamos uma sociedade mais justa, onde as pessoas tenham oportunidade de desenvolver os seus talentos. Agora, defender uma sociedade onde os talentos das pessoas sejam remunerados de forma igual é absurdo. A diferença é saudável até certo ponto.

O PT, para mim, representa a patifaria organizada. É uma máquina de poder gramsciana que busca anular a sociedade civil cooptando e ameaçando os seus críticos ao mesmo tempo em que celebra uma aliança com os setores mais atrasados da nossa sociedade. Em nome desta aliança eles loteiam a administração para quadrilhas geradoras de caixa 2 para a base aliada. Talvez isto seja melhor do que uma Revolução.

Em uma Revolução não existem nuances de cinza. Ou alguém é vermelho ou é Blanco. Qualquer discussão ou questionamento é considerado traição. Morrem os questionamentos e nascem as certezas. O radicalismo e a perseguição são filhos naturais deste ambiente. E tudo isto para que? Por uma sociedade melhor? Por um ser humano melhor?

Este é um problema da falta da religião. Quando alguém não dispõe de uma religião onde possa ser um fanático profundamente identificado então costuma se tornar um leninista ou coisa que o valha. Alguém que enxerga na sociedade burguesa a mesma decadência que o mais fanático religioso fundamentalista. Infelizmente, uma grande formação intelectual não nos salva destes enganos.

Talvez, a solução sensata e mais humana seja a convivência plural entre os corruptos, os idealistas e os inconformistas sempre em um delicado equilíbrio que em alguns momentos tende para a corrupção, em outros, para a insensatez e em alguns poucos momentos para algumas propostas de solução real. Deixemos para os canalhas e os idealistas as propostas de imposto único e desarmamento como panacéias.

Enquanto isto, no mundo real, cheio de incertezas e nuances, o IPEA propõe o fim do COFINS por ser um imposto sobre consumo que pode reduzir três vezes mais a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini do que o Bolsa Família, ou seja, o Brasil passaria de 0,56 para 0,53. E pensar que o Bolsa Família só reduziu a desigualdade em 1%. Como diz o meu amigo marxista, o que reduz desigualdade ainda é o crescimento.

07 junho 2008

O Perfeito Idiota Latino Americano

Recentemente, tive oportunidade de assistir a uma palestra sobre a integração latino-americana proferida por um eminente professor que foi orientador e atualmente é assessor de um dos mais importantes membros da nomenklatura petista e um dos mais altos tecnocratas do estado brasileiro. Nesta palestra pude observar a disputa entre valores e interesses, entre socialismo, nacionalismo, imperialismo e até questões de legitimidade de políticas públicas.

Este professor defendia como política de estado a integração latino-americana. Curiosamente, a política de integração latino-americana defendida pelo PT assim como a política de quotas raciais não contam com o apoio popular pois são criações de grupos de interesses partidários. Estes temas não foram temas de campanha e, portanto, carecem de legitimidade popular. Isto é grave, pois de acordo com os valores petistas deveria haver partipação popular na formulação de políticas públicas.

Nestas horas eu me lembro do pragmatismo do velho Czar Stalin, que derrotou Hitler e que soube temperar o comunismo soviético com nacionalismo e imperialismo não muito diferente da atual China onde o nacionalismo e a prosperidade econômica são os sustentáculos do consenso social que mantém o poder político do Partido Comunista.

Enquanto isto, as autoridades petistas enxergam o Brasil a partir de um preconceito de classe como se o Brasil fosse o explorador dos vizinhos e, portanto, expropriações de ativos ou cidadãos brasileiros seriam devidas e justas. O caso do Paraguai é emblemático. Petistas defendem a repactuação de Itaipu de forma a pagar uma suposta dívida histórica decorrente da Guerra do Paraguai. Se for este o espírito de integração petista é melhor continuarmos isolados pois será mais barato e mais benéfico para a população brasileira.

Curiosamente, no âmbito da política doméstica, o PT prefere se aliar as oligarquias regionais do que aos sociais democratas com quem compartilham valores. Isto é natural, afinal, o PT e o PSDB disputam as mesmas faixas do eleitorado e, portanto, são inimigos apesar de compartilhar das mesmas opiniões sobre muitas questões. Temos ainda a questão do bairrismo paulista e ainda questões pessoais entre os líderes petistas e os líderes do PSDB que são obstáculos a uma aliança. Aliás, até dentro do partido é assim também. Agora que a Dilma está ganhando força começam a surgir denúncias de dentro do próprio governo, possivelmente do grupo do seu padrinho político, o José Dirceu denúncias contra a poderosa ministra que parece ter tomado espaço demais de outros grupos e assumido a hegemonia do seu próprio grupo.

Lembram-se que antigamente a esquerda acusava a direita de ser entreguista como no caso da ALCA, agora é a vez da esquerda de ser entreguista com a UNASUL. Felizmente, a insensatez de nossos vizinhos talvez nos salve deste entreguismo petista. Vejam o caso da Argentina que subsidia o gás para seus consumidores que chegam a pagar 34 vezes menos do que os consumidores paulistas (US$ 1 por MBTU) ou da Bolívia que remunera as empresas prestadoras de serviço com U$ 10,00 por barril na boca do poço enquanto o petróleo está em US$ 130,00. A Bolívia assinou acordo com os argentinos vendendo um gás que não tem e expropriou parte das reservas que garantem o abastecimento brasileiro para abastecer os seus cidadãos. Por sua vez, a Argentina parou de vender 15 milhões de m3 para o Chile dando preferência ao abastecimento do mercado interno. Os chilenos estão tendo que abastecer as suas térmicas com cerca de 40 caminhões de diesel por dia a preços absurdos para não ficar no escuro, ou seja, na hora que o bicho pega a esquerda populista escolhe sempre os seus eleitores em detrimento de qualquer outra coisa e porque não da integração. Se apesar de tudo isto ainda quisermos integração é porque somos idiotas.

Felizmente, a Dilma tem um viés stalinista autoritário e nacionalista e ela talvez possa triunfar sobre estes grupos cujas políticas são tão deletérias para o Brasil afinal a integração pressupõe a comunhão de valores e a capacidade de resolver conflitos e os hermanos acreditam que farinha pouca meu pirão primeiro.....

05 junho 2008

Nunca antes na história deste país se viu....tanta corrupção

Todo chefe é responsável pelos atos dos seus subordinados. Felizmente, as circunstâncias históricas são favoráveis ao Brasil e podemos nos dar ao luxo de ter como presidente um fanfarrão irresponsável que nada sabe. Muitos podem se perguntar onde está o nosso fanfarrão irresponsável e ébrio. Ele está viajando ou diante de alguma platéia sempre pronto para dizer alguma besteira que ele sabe que um editor de jornal não resistirá em publicar. E, ainda tem o displante de criticar a imprensa por fazer o trabalho dela que é fiscalizar e apontar as falhas do governo.

Precisamos reconhecer, entretanto, que houve alguns avanços. Nunca antes na história deste país tivemos uma presidente mulher porque quem de fato governa o país como chefe do Executivo é a Dilma Vana Roussef. Ao menos, se ela for eleita presidente em 2010 não estaremos sendo enganados, como fomos em 2002, quando votamos no Lula e levamos o Zé Dirceu e em 2006 quando ficamos com a Dilma.

O Lula é um grande covarde sem um pingo de caráter. O seu governo não tem sequer o caráter de assumir a recriação da CPMF. Ao invés disso, mudaram o nome do imposto, esconderam ele dentro de outra lei, propuseram isenções para quem ganha menos de R$ 3.000, disseram que só começa a valer ano que vem, e estão tentando aprovar com quórum simples por não ser questão constitucional. Por fim, os velhacos puseram a sua bancada de ratos na Câmara para propor enquanto o presidente viaja para o exterior para se distanciar o máximo que pode da matéria em questão. E, ainda tem a falta de criatividade de dizer que é para salvar a saúde.

Esta semana chegou ao fim a CPI dos Cartões do Executivo que começou com uma série de denúncias de abusos praticados por inúmeros agentes do governo Lula e terminaram sem investigar os envolvidos na produção do dossiê contra o FHC. Aliás, qualquer pessoa que não seja analfabeta funcional sabe que um banco de dados não é um dossiê mas sim uma fábrica de dossiês. E, esta tudo lá, à disposição da primeira-ministra Dilma. Mais um escândalo se avizinha, mas são apenas US$ 5 milhões que alguém ligado ao Lula levou para facilitar a venda Variglog...Isto não vai dar em nada, afinal, o PT estratégica e covardemente escalou o PMDB para liderar o bloqueio a esta investigação.

Aliás, um dos motivadores desta CPI foi os modestos gastos da ministra dos Quotas Raciais o que ilustra mais uma das características de um governo deste categoria, ou seja, a geração de soluções mentirosas. Vejamos o caso das Quotas Racias que implantadas no país mais rico do mundo onde os negros são de fato uma minoria conseguiu gerar após quase 50 anos apenas uma elite negra do qual temos um expoente fantástico, aliás, que concorre à presidência dos EUA, mas quanto a média da população negra pouco mudou.
O governo Lula nos roubou muitas coisas. Talvez a mais importante seja a nossa capacidade de nos escandalizarmos. Como já disse o Cristovam, o Bolsa Família é corrupção e ela está profundamente entranhada na nossa cultura. Outro dia mesmo, a NET me tirou dois canais. Quando fui ver eles tinham me mandado um contrato ao qual eu anui simplesmente por ter continuado a pagar que esclarecia que eu não direito aqueles canais. Aliás, quando reclamei eles insistiram em me vender mais alguns serviços. Fiquei puto e reclamei na ANATEL. Tudo resolvido. Eles não erraram e eu ganhei mais dez canais. É frustrante que eu possa ser comprado com apenas 10 canais....

10 maio 2008

A Engenharia Política Petista

Verdade seja dita, as quotas raciais no Brasil não servem à população brasileira, mas a uma minoria interessada em ampliar o seu poder. Quem entrar no sitio do PT vai encontrar várias secretarias focadas em atingir as metas de fortalecimento do partido em alguns segmentos. Temos a Secretaria de Juventude que tem de mobilizar jovens e selecionar os futuros líderes do partido. Temos a Secretaria de Formação Política e Cultura que tem como objetivo reproduzir o PT way of life. Temos as Secretarias de Organização e Mobilização mais focadas na coordenação da ação política. Por fim, temos as secretarias voltadas para as clientelas especiais como a de Combate ao Racismo, Movimentos Populares, Mulheres, Meio Ambiente e Desenvolvimento e Sindical.

A Secretaria Sindical coordena a articulação do PT com a CUT, enquanto que a Secretaria de Movimentos Populares coordena a articulação com o MST e movimentos ligados a Igreja da Teologia da Libertação e outros. Esta é a base de poder atual do PT. Todo partido político tem como objetivo a conquista e a manutenção do poder. Neste intuito, ele precisa convencer determinados grupos que é o melhor veículo político para o atendimento dos seus interesses. Além disso, o partido precisa oferecer um discurso com efeito de verdade que seduza um grupo de interessados.

Quem nunca ouviu falar em guerra de sexos? Esta é uma boa oportunidade para a construção de um discurso político. Começa com a transposição da idéia marxista de exploração de classe para o relacionamento entre o homem e a mulher, e continua com a defesa de privilégios para o grupo supostamente explorado. O que ninguém diz é que as mulheres trabalham 5 anos a menos e tem uma expectativa de 5 anos mais longa do que os homens, fazendo com que elas usufruam da previdência 10 anos a mais, por exemplo.

Outra boa oportunidade é a questão da discriminação racial. Existem muitos pobres no Brasil e a maioria deles é negra. A sociedade brasileira sofre as conseqüências da escravidão e do modo como a abolição foi concretizada. Entretanto, a partir das idéias americanas de ação afirmativa, justificadas em termos de uma dívida histórica, foi construído um discurso que defende a implantação de quotas nas universidades para os descendentes negros e pobres destes escravos.

Estas quotas prejudicam os descendentes brancos e mestiços dos exploradores e dos explorados. Se as quotas são eficazes ou se elas beneficiam apenas uma pequena elite, tanto faz, o fato é que ela dá ao PT mais um discurso e cria para ele mais uma clientela eleitoral. Enquanto isto, o verdadeiro problema fica intocado, ou seja, as escolas públicas continuam ruins e ameaçando o futuro de milhões de brasileiros. Os maus políticos são assim, inventam soluções mentirosas para problemas verdadeiros. Contudo, é um belo discurso que deve embalar os sonhos de muitos idealistas, além de deixar muitos engenheiros políticos do partido satisfeitos.

Isto me faz lembrar do Plebiscito do Desarmamento promovido pelo PT. O fato é que o Brasil é um país extremamente violento. Agora, defender que a proibição da comercialização de armas vai resolver o problema da violência era uma falácia e felizmente a população percebeu.

Neste esforço de construção de discursos, eu me ofereço para colaborar com um novo. Gostaria de sugerir a Secretaria dos Gordos. Proponho a idéia de que eles não são responsáveis por serem gordos, mas sim que são vítimas de uma sociedade de consumo que os oprimem e estressam, fazendo com que estas pessoas sensíveis comam um pouco demais e, mais tarde, sejam discriminadas pelos magros e a sua ditadura da estética.

Aliás, faz todo sentido que o PT seja aliado da Igreja Universal. Esta é uma outra arapuca. Chega lá o sujeito arrasado e os caras dizem que é tudo culpa do demônio e dos encostos que podem ser tirados mediante uma pequena tortura e uma pagamento. Descem o pau no infeliz. O engraçado é que o negócio tem um efeito placebo, pois o cara sai de lá com auto-estima mais alta e motivado pela Teologia da Prosperidade, que diz que ele é filho de Deus e tem direito a tudo de bom da vida. Enfim, o pior é que em muitos casos o negócio deve funcionar, senão os caras já teriam ido à falência.

É como esta estória das quotas. Muita gente teria passado sem ajuda delas, no final só servirão a uma elite, e a grande maioria dos credores da dívida de exploração racial continuará na mão, mas isto já não é problema do PT.

Aliás, o racismo é um negócio odioso em qualquer sentido. Nos EUA, uma intelectual negra ativista estava criticando o Obama outro dia, alegando que ele não era um verdadeiro negro porque tinha sido criado por avós brancos e era filho de uma branca. O problema é que o sucesso de Obama, de Rice, de Powell atrapalham o discurso com efeito de verdade que serve aos interesses de uns poucos.

Enquanto isto, o circulo vicioso da pobreza continua. Não serão as promessas do Éden comunista de Marx que nos salvarão. Tampouco seria realista acreditarmos que todos os habitantes da terra terão o padrão de vida dos americanos e europeus. O progresso não está garantido, amanhã não será necessariamente melhor que ontem.

De fato, a verdadeira mudança começa em nós mesmos. É difícil, mas é verdadeira. Enquanto as pessoas não buscarem ser justas e se esforçarem para se realizar como seres humanos, o problema não será resolvido nem pelo comunismo, nem pelo PT, nem por ninguém. Resta descobrir como ajudar as pessoas a se interessarem pelo caminho difícil ao invés de se deixarem levar por discursos mentirosos.
Se bem que este papo de portador da verdade é bem pedante e não passa de outro discurso. Talvez, o melhor que nós temos sejam estas mentiras mesmo. Quem disse que as pessoas querem a verdade? Se a Verdade fosse boa não ficaríamos tão magoados quando a escutamos....

07 maio 2008

Qual o valor da oposição no Brasil?

O custo da Câmara dos Deputados é de aproximadamente R$ 3,5 bilhões de reais ao ano, enquanto que o Senado custa R$ 2,8 bilhões e o TCU mais R$ 1 bilhão. Somente para se ter uma idéia da ordem de grandeza destes números em relação ao orçamento do Estado, a despesa com Previdência Social está na casa dos R$ 200 bilhões, o orçamento do Ministério da Fome Zero é da ordem de R$ 30 bilhões e as famosas despesas com juros estão na casa dos R$ 250 bilhões. O orçamento da União estima receitas de R$ 940 bilhões para este ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga tributária em 2007 esteve em torno de 36% do PIB, ou seja, o setor público está consumindo 36% de toda a produção e da renda da sociedade. Algo similar deve ser esperado para 2008.

De acordo com o site Contas Abertas, um deputado custa aproximadamente R$ 100.000 por mês. Isto não é nada perto do custo do Lula que é de R$ 5,4 bi ao ano. É isto aí, o nosso presidente flex custa esta bagatela. Com o aumento da expectativa de vida para 72,3 anos, o brasileiro médio deverá trabalhar cerca de 30 anos para sustentar o Estado. Portanto, pagamos caro pelos serviços oferecidos pelo Estado na forma de segurança, educação, assistência social e as viagens e comícios do Lula.

O serviço prestado pelo Legislativo Federal tem sido o de aprovar as leis enviadas pelo Executivo, cerca de 80% das leis aprovadas, e o de fiscalizar esse mesmo poder. A maioria governista no Congresso evidentemente não deseja fiscalizar o governo, portanto, cabe à oposição reunir assinaturas para fazer CPIs para tentar fiscalizar o governo.

Considerando-se que, em média, a coalizão governista tem 350 deputados, sobram 163 deputados para a oposição. Desta forma, pela bagatela de R$ 16,3 milhões de reais por mês, os cidadãos dispõem de uma oposição que lhe presta serviços tais como investigar roubos como o do Mensalão, o do BNDES, o dos cartões corporativos, entre muitos outros. Mesmo considerando que esta fiscalização não pune os envolvidos, ela exige que os criminosos tenham que inventar novos tipos de golpes contra a administração pública, interrompendo o esquema em andamento. Além disso, como vimos, um deputado da oposição oferece um custo-benefício superior a um deputado do governo por prestar mais serviços à população em geral. Não obstante, um governista pode oferecer mais benefícios para a sua clientela eleitoral, redistribuindo benesses do governo pagos pelo restante da população.
Além disso, a oposição ajuda a denunciar as tentativas totalitárias dos socialistas gramscianos petistas, como a da criação de um conselho de ética para os jornalistas, a TV Lula e a montagem do dossiê contra o FHC. Aliás, este "banco de dados" é fichinha perto do que planeja o advogado-geral da União que luta para montar um "banco de dados" sobre todos os brasileiros e está elaborando um parecer para defender a integração das informações dispersas sobre os cidadãos. Apesar da oposição ter sido massacrada hoje pela Dilma, o fato é que os tais bancos de dados não são dossiês são fábricas de dossiês.
É inevitável que o socialismo seja totalitário, afinal a doutrina da dominação dos fortes pelos fracos e da negação do interesse individual pelo bem maior, não poderia ser de outra forma. Cometer o pecado de ter bens ou talentos será punido em tal sociedade de forma exemplar. O curioso é que seus líderes são expoentes em liderança. Portanto, no final, pelo menos um tipo de forte e talentoso será valorizado. Já posso imaginar a múmia de Lula e da Dilma lado a lado no Museu do Ipiranga. Quanto vale uma oposição que luta contra isso? Como diz a propaganda do Visa, isto não tem preço.

20 abril 2008

A Utopia de Brasília

Quando o assunto é política e envolve o Congresso Nacional, Brasília é quase sempre mencionada depreciativamente. Ironicamente, neste momento em que a política brasileira é dominada por homens que carregam a bandeira da igualdade, Brasília deveria ser glorificada por ser talvez a maior realização do igualitarismo em terras brasileiras.

Recentemente, com a atuação dos aluninhos da UnB que resultou na queda do “Reitor das Quotas” em razão da decoração fabulosa do seu duplex funcional de cobertura, Brasília demonstrou que existe uma nova geração de brasilienses de quem se pode aspirar algo melhor do que foram os eleitores de Roriz, que usou as terras públicas de Brasília para se eleger. Culpa também da falta de capacidade da burocracia local em atender as demandas populares e da classe média por moradia.

Desde o Império havia o sonho de interiorizar a capital, e a arquitetura da cidade foi elaborada por um arquiteto comunista descendente de ilustres servidores do Império. O Rio de Janeiro foi a capital por 152 anos e é um local particularmente corrupto e desigual com uma grande população negra que ainda é cidadã de segunda classe apesar de ainda ter grande quantidade de servidores públicos. Possivelmente seja por isso que o Rio de Janeiro gere tantos comunistas. A combinação de servidores públicos, de intelectuais liberais e de desigualdade gera um espaço de experiência de algo insuportável associado a um horizonte de expectativa de busca de mais igualdade nas doutrinas socialistas.

Brasília, com a sua arquitetura comunista onde todos os prédios se parecem e que, segundo dizem, lembram a Europa Oriental, tem a maioria da população empregada no serviço público com faixas salariais com um piso alto e um teto não excessivamente elevado, enfim, um delírio de igualitarismo. Enquanto os monumentos de Washington têm muitos símbolos maçons, Brasília ostenta símbolos comunistas, muitos construídos sob as barbas dos militares.

Ninguém de bom senso nega a necessidade de políticas públicas que efetivamente ataquem as causas da desigualdade na sociedade brasileira; infelizmente, nem sempre quem carrega uma bandeira a serve, e muitas vezes apenas se serve dela. Quem sabe um dia possamos aspirar a que todo Brasil seja como Brasília.

23 março 2008

Lula e os Menores Infratores

Recentemente, um amigo teve a sua casa assaltada em São Paulo. Ele faltou vários dias ao trabalho para resolver questões como o registro de ocorrência, seguros e outros. Quando ele nos contou como a coisa se deu não fiquei surpreso da quadrilha contar com um menor. Segundo ele, uma mulher tocou a campainha e pediu para falar com um dos moradores pelo nome, o que fez a empregada abrir a porta. Em seguida, dois adultos e um adolescente invadiram a casa.

Felizmente, era uma quadrilha profissional que apenas roubou tudo o que havia de valor e amarrou os moradores no banheiro enquanto levava o carro com tudo o que podia levar. O chefe da quadrilha era um meliante na casa dos quarenta anos e nenhum deles estava chapado. Brinquei com ele que ele tivera sorte que os caras eram profissionais, que tinham ate mesmo um menor para segurar a bronca caso algo mais violento se sucedesse.

Não é uma brincadeira de bom gosto, mas é uma realidade inegável. Hoje e sempre, o Estatuto da Criança e da Adolescência serve para garantir o ingresso das crianças e adolescentes no crime. Esta quadrilha tinha uma vaga garantida para um menor exatamente para ele assumir a responsabilidade por qualquer violência que fosse cometida.

Lembrei-me dos meus tempos de Vara da Infância, quando cuidava dos processos dos menores infratores. Naquele época, a prisão temporária era de 45 dias e o processo tinha que correr rapidamente para impedir que o adolescente fosse liberado. O mais impressionante dos monstrinhos tinha mais de dez assassinatos, incluindo o massacre de um casal de namorados que havia sido surpreendido em uma carro. Quando anunciaram que o jovem iria vir para uma audiência foi um alvoroço, eu mesmo estava curioso em conhecer o autor de tantos crimes cujos detalhes eu conhecia de ler os processos.

Confesso que foi um pouco decepcionante, pois ele parecia um adolescente absolutamente normal. A origem socioeconômica dele era a classe media e nada em sua aparência sugeria o perigo que ele representava. A gente brincava que um menor podia entrar em um restaurante, metralhar todo mundo, se sentar e esperar a polícia. porque ele seria liberado quando completasse 21 anos, e com a ficha limpa.

Entretanto, o processo mais aterrorizante que eu já tive acesso foi o de uma dupla de garotos que estuprara uma conhecida em um terreno baldio apos se encontrarem com ela em uma lanchonete. Depois de a matarem, arrancaram o seu útero pela vagina. As fotos estavam lá no processo, que corria em segredo de justiça.

Nestas horas, eu me lembro do Mercadante, que se opôs à redução da maioridade penal e do Lula, na ocasião da morte do João Hélio, arrastado durante o roubo do carro da sua mãe, que afirmou que estes jovens não podiam ser punidos pois eram vitimas de problemas sociais. De fato, graças à imunidade garantida pelo Estatuto da Criança e Adolescência, se está garantindo o primeiro emprego de muitos jovens em boas quadrilhas. O Lula devia estar feliz pois o seu programa do primeiro emprego pelo menos está tendo algum efeito, além de engordar a sua base eleitoral.

21 março 2008

Jesus Salva...e Marx também

Hoje é sexta-feira santa e, talvez por ser um dia religioso, observei vários carros com inscrições como Jesus Salva ou Ele é o Caminho, ou coisas do tipo. Vi um grupo de moças bem vestidas que, ao passarmos por elas, nos entregaram um folheto dizendo que todo o sofrimento cessaria se fossemos para a igreja delas. Na hora, confesso que me lembrei de Buda e as Nobres Verdades.

Ontem, um 'quase doutorando' em Economia, bastante erudito, com quem eu conversava me disse que quando os trabalhadores tomarem o poder e impuserem a ditadura dos trabalhadores, cessará todo o conflito de classes e a verdadeira história da humanidade comecará ... Não pude deixar de retrucar que esta era um idéia messiânica, ou mesmo escatológica.

A realizacão da profecia marxista depende da vitória dos 'trabalhadores' na guerra de classes. Gramsci propôs então a atualização de Maquiavel, substituindo o príncipe pelo partido, ou seja, a estratégia seria fortalecer o partido, englobando a sociedade civil e substituindo as instituições pela hegemonia do partido.

O futuro construído pelos companheiros trabalhadores seria marcado pela substituição da propriedade privada e da livre iniciativa pela submissão a instâncias burocráticas de coordenação política da produção. Curiosamente, o Partido Comunista Chinês, o partido mais poderoso do mundo, age justamente na direcão contrária: monopoliza o poder e libera a livre iniciativa, além de caminhar na direção da propriedade privada. E que Império terrível é o chinês: a colônia tibetana que o diga.

Curiosamente, o marxismo se alimenta da burguesia como o próprio Marx, que passou a vida sendo sustentado por um milionário. A idéia de uma sociedade de iguais criada com a queda do Antigo Regime e o consequente fim dos privilégios da fidalguia é uma concepção burguesa e liberal. Uma das mais remotas fontes desta idéia é o próprio cristianismo com seu ideal da formação da comunidade dos irmãos em Cristo. As doutrinas religiosas monoteístas fizeram muito pela unificação política dos estados. O cristianismo, para muitos, teria criado a Europa a partir da idéia de cristandade. No marxismo, os irmãos em Cristo se tornam os companheiros trabalhadores e, certamente, quando os companheiros trabalhadores dominarem o mundo, cessará todo o sofrimento . Quem conhece minimamente um sindicato não alimenta tantas esperanças.

A propriedade privada é uma instituição recente, com uns duzentos anos ou menos na maioria dos países. Assim, quando d. Joao VI expropria casas no Rio para o corte, estava em seu direito. No feudalismo, se podia até comprar uma propriedade, mas não se podia retirar os servos que estavam ligados à terra e não necessariamente aos senhores dela. Somente com a Revolução Industrial, e mais intensamente no século XIX, foi possível expulsar os servos das propriedades.

Assim, o marxismo depende da idéia burguesa e cristã da igualdade, da ética burguesa e protestante do trabalho, sobre a qual ele baseia toda a sua teoria do valor-trabalho que afinal vem de Adam Smith. Disto Marx deduziu que a existencia da propriedade privada é fruto da exploracao de classe por meio da extracao da mais-valia. Como disse Lenin, Marx se apoiou na economia politica inglesa, na filosofia alemã "invertida" e na teoria política francesa.

Não podemos nos esquecer que no século XIX emergia o Estado como uma instituição de controle de toda a sociedade. Anteriormente, o mais poderoso Rei 'absolutista' jamais sonharia com o poder que o Estado teria a partir do século XIX. Antes, um Rei distribuia justiça e fazia a guerra, enquanto que o Estado de polícia iniciado nos finais do antigo regime ampliou-se progressivamente, atuando na disciplinarização dos corpos para a promoção do bem-comum.

O que o futuro nos reserva? Será que o PT e aliados conseguirão se fortalecer em detrimento das demais instituições até passarem a exercer a hegemonia? Será que as novas igrejas que pregam o sucesso e a felicidade substituirão a velha Igreja Católica? Será que as pessoas entregarão a responsabilidade pela sua felicidade e bem-estar ao Estado? Aguardem na próxima semana, na mesma BatHora, no mesmo BatCanal!

22 fevereiro 2008

A Estabilidade no Emprego para os Maus Empregados

O presidente Lula continua embriagado com a sua popularidade assustadora, apesar dos recorrentes escândalos do seu governo. Hoje, anunciou que irá encaminhar ao Congresso proposta no sentido de proibir a demissão imotivada e ontem defendeu a ministra que tentou tirar do cartão corporativo toda a “dívida histórica” da sociedade para com os negros.

Nunca na história deste país houve tanta corrupção. Antes quem roubava era a elite. Agora milhares de companheiros encontram-se espalhados pela administração pública e montados cada um no seu cartãozinho corporativo, que lhe faculta algumas despesas pessoais com o dinheiro dos contribuintes. Para o povo fica o cartão Família dado pelo "pai Lula".

Quanto à proposta de estabilidade dos empregados, acho preocupante porque quem irá decidir se um empregador poderá demitir um empregado será um juiz do trabalho. E como todos sabemos, de bumbum de neném e de cabeça de juiz nunca se sabe o que sairá. De fato, o empregador terá o ônus da prova, ou seja, será culpado até que se prove o contrário.

Existem várias maneiras de se tentar resolver os problemas criados por esta lei e a cultura do jeitinho brasileiro existe exatamente por isso, para lidar com leis criadas por bandidos em gentezinha bem intencionada. Os bandidos sabem que se estará criando milhares de empregos para advogados, criando mais centenas de vagas para juízes do trabalho e aumentando o poder dos sindicatos que poderão interferir nestas questões. Em Brasília está sendo construída mais um gigantesco palácio para os juízes do trabalho e este ano os sindicatos estão comemorando recordes de arrecadação do imposto sindical.

Conheço empresários que já estão acostumados a ser extorquidos por sindicalistas e que agora terão de pagar, além das indenizações previstas para a demissão, ao empregado um extra pelo menos igual ao custo de uma ação trabalhista. Vamos ter situações ridículas de empregados dispensados do trabalho, sendo remunerados e aguardando a decisão da justiça.

Para as pessoas sensatas, entre as quais espero me incluir, isto simplesmente significa o aumento dos custos para o empregador, o que pode resultar em salários menores, menos contratações, e perda de dinamismo para a economia. Talvez para os socialistas do governo, tudo isto seja uma vitória, porque eles provavelmente acharão que os coitadinhos dos trabalhadores estarão sendo tutelados pelo sindicato e pela justiça e protegidos contra o demoníaco capitalista. Enfim, os serviços vendidos por eles estarão com uma demanda garantida. Quanto ao bom empregado, bem educado, bem qualificado que não precisa de nada disso, caberá a ele financiar a boa vida desta turma toda.

16 fevereiro 2008

O Público e o Privado

Temos assistido recentemente como os conceitos de público e privado não estão claros na cabeça de vários petistas. A ministra Matilde alegou em sua defesa que não compreendia as regras de uso do cartão corporativo do governo federal, tendo efetuado as despesas* por ter sido mal orientada por dois assessores, que já haviam sido desligados: pelo menos para estes o “justiçamento” foi rápido.

Esta não é mesmo uma questão trivial. Para Toffoli – advogado de campanha do Lula, do Dirceu e da República –, as informações privadas dos cidadãos que o Estado reuniu devem ser disponibilizadas entre os seus vários órgãos, ampliando o seu uso em benefício do bem-comum. Assim, a declaração de renda, movimentação bancária e outros circulariam entre os órgãos do governo.

No Antigo Regime, quando tivemos Reis Absolutistas, que governavam sem um contrato social e sem constituições, nunca houve tamanho controle sobre a população. Um Rei podia muito, mas estava limitado pelas tradições, pelas corporações e pela sua ignorância sobre seus súditos. Enquanto isto, a democracia petista se debate entre ter que prestar contas à sociedade dos gastos feitos pelos seus agentes que ocupam posições importantes no governo, mas não titubeia quanto a impor aos cidadãos uma total transparência diante dos órgãos do Estado.

Este é um problema que não se circunscreve ao Brasil. Na Venezuela, hoje considerado o país mais corrupto da América Latina, temos a “boli”, a elite bolivariana, formada de militares, membros do partido e servidores públicos que tornaram a república socialista bolivariana no maior consumidor per capita de uísque escocês da América Latina. Lula bem que poderia ser um bom garoto propaganda da nossa cachaça, junto a esta nova elite...

Na UnB, a separação entre o público e privado também anda confusa. O professor Timothy Mulholland, americano naturalizado brasileiro e um dos maiores responsáveis pela implementação da política de quotas raciais na UnB, morava até recentemente em uma cobertura duplex da universidade, dispunha de um carro executivo de luxo pago não pela universidade, mas por uma instituição dedicada ao financiamento da pesquisa, além de uma lata de lixo de R$ 990,00. Em sua defesa, ele alegou que não desviou nada mas que era apenas usuário daqueles bens pertencentes a universidade.

Estas constatações estão alinhadas com as percepções de Roberto Campos, que afirmava que o Brasil havia descoberto um novo tipo de capitalismo, pelo qual o Tesouro e os contribuintes são explorados por uma nova classe, os burgueses de estado.

Enfim, onde ficamos? Esta nova elite brasileira de petistas e altos tecnocratas, como o reitor Mulholland, será capaz de promover a felicidade do povo e criar aqui um estado de bem estar social ou está apenas se servindo de utopias que os legitimem como nova classe dominante?

* Gastos da ministra: 126 000 reais: aluguel de carros;35 700 reais: hotéis e resorts;4 500 reais: bares, restaurantes e padaria;460 reais: free shop;4 800 reais: despesas diversas.
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