15 maio 2012

Haja Rexona!

Crianças adoram brincar com massinha de modelar. Esta assumir a forma que lhe dão é muito estimulante, pois crianças preferem ser causa a efeito. Deixam talheres à mercê da gravidade, do alto de seus cadeirotes, testam o ponto de ruptura de brinquedos, são cientistas a descobrir o mundo controlando variáveis. Quando a massinha perde a capacidade de ser moldada, é abandonada ou quebrada e atirada ao lixo.

Passam-se os anos e quase todas elas se tornam massinhas de modelar, esticadas e sovadas por meninos vaidosos e mimados. Muitas creem ser literalmente descendentes da argila de modelar cuja fêmea foi feita de sua costela, por um velho menino entediado de sua eternidade, ciumento e cheio de ideias fixas. Estas massinhas somam força mas não somam inteligência, não são arrastadas por grilhões mas conduzidas bovinamente pelos focinhos, perseguem a cenoura suspendida à sua frente por aqueles que, nelas montados, as usam como meio de transporte ou de tração. Abrem mão da liberdade por temerem a responsabilidade.

Elas os amam, pois sabem qual é a vontade delas mesmas, a dos deuses, o que estes irrita ou agrada. E os presunçosos meninos apontam o caminho, apontam para o alto, abençoam, saúdam...

... sempre a mostrar o maldito sovaco!









 Não esqueçamos da Estátua da Liberdade!

14 maio 2012

As Grandes Utopias: o Cristianismo, o Socialismo e o Individualismo

O que define a Europa e o próprio Ocidente é o seu berço cristão, ou seja, um bando de hereges judeus fugindo da perseguição por seus compatriotas acabou espalhando pelo mundo romano a palavra do líder da sua seita. Por que o cristianismo triunfou enquanto outras tantas religiões orientais que chegaram a uma decadente Roma pereceram? Alguns autores dizem que os cristãos criaram uma rede de proteção social aos doentes e desassistidos que se revelou de grande utilidade em um Império Romano em decadência.


O cristianismo pregava que todos eram irmãos em Cristo. Este conceito hoje bastante batido tinha a capacidade de aproximar homens que não pertenciam a uma mesma tribo e irmaná-los em uma hipertribo. Em uma época em que o pertencimento a pequenos grupos sociais era fundamental para a sobrevivência, este elemento foi um importante cimento social.


Muitos duvidam que Cristo tenha ressuscitado, mas é certo que o Império Romano ressuscitou na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou conquistando os bárbaros que destruíram Roma. Esta nova Igreja usou o Império para eliminar seus hereges enquanto o Império usou esta Igreja para obter legitimidade.


Tanto o socialismo quanto o individualismo são doutrinas cristãs. A partir da ideia de irmãos em Cristo, de justiça e de busca de um paraíso para o proletariado, chegamos ao socialismo, enquanto as idéias de salvação individual e livre arbítrio estão na base das doutrinas individualistas. De fato, há quem defenda a ideia que a democracia contemporânea tem suas bases na escolha do presbítero pela Assembléia entre os protestantes, ao invés de remotos modelos gregos. Aparentemente, Weber achava que o próprio capitalismo tinha muito a dever à ética protestante.


O problema da Igreja é o mesmo problema de outras utopias. Nenhum homem está à altura delas. Infelizmente, o Papa não é infalível, Marx tinha o hábito burguês de comer a empregada e os mercados financeiros regulados apenas pela racionalidade individual quase destruíram o capitalismo em 2008.


Afinal de contas, talvez a culpa por espalhar estas utopias não seja de um bando de bêbados e bacantes italianos mas de um bando de pescadores gregos desocupados. Como todos sabem, pescadores tendem a ser mentirosos e talvez Platão não tenha escapado a esta sina. Este culto de alto ideais acabou criando metas tão elevadas que só podem alimentar mentiras e decepções. Quem sabe esta busca pelos ideais acabou nos levando a perder o próprio significado de humanidade?

11 maio 2012

De Condenador a Completo Inútil


O Homem do Terno Risca de Giz

Era uma rua como muitas outras; lojas no térreo, residências nos pavimentos superiores, de cujas janelas pendiam roupas e mães gritavam às crianças que brincavam pelas calçadas, comerciantes a anunciar seus produtos, os indesejados gatunos de sempre, além de cantores, policiais, mendigos e outros personagens do teatro urbano. Eventualmente, um velho caía e trincava a bacia, uma esposa apanhava do marido. E havia relatos de assassinatos, os quais, contudo, eram bem raros.

Certo dia, um homem de terno risca de giz, chapéu homburg e sapatos bicolores foi de loja em loja oferecer proteção contra os gatunos, que, segundo dizia, sem tirar o charuto da boca, seguiam agora um líder cujo propósito era destruir todas as lojas sem nada lhes subtrair, por simples vandalismo. A proteção tinha um preço, logicamente, para cobrir os custos.

Os comerciantes avaros que se recusaram a pagar pela proteção tiveram seus estabelecimentos destruídos, e os que resistiram foram friamente espancados ou mortos. Malvados gatunos.

Em outras paragens a vida seguiu normalmente por um tempo, até o dia em que não havia um local no país que não dependesse da abnegada assistência do homem do terno risca de giz. Em outros países, homens como ele protegiam seus concidadãos, o que o irritava um pouco, pois queria ser o único protetor do mundo.

O Homem da Túnica de Lã de Ovelha

Qual deus criaria homens para enviá-los todos ao sofrimento eterno, bons e maus, por não adorarem seu filho, único caminho para a salvação mas que ainda não lhes fora apresentado? Antes de Jesus, bastava ser bom na Terra para adentrar o paraíso. Deixemos de lado os deturpadores da Bíblia, que afirmam que naquela época não existia vida após a morte.

Após milhares de anos tentando debalde tirar os pecados do mundo com chuvas de fogo, dilúvios e pragas, Javé enviou seu único filho para morrer pela humanidade, na sua derradeira tentativa de salvá-la. Jesus revelou aos homens ser o único caminho até o paraíso, e que aqueles que não o aceitassem padeceriam eternamente no inferno, ainda que fossem bons. Jesus, destarte, inaugurou a modalidade do bom que vai para o inferno.

Nos locais cujos habitantes ainda não conheciam o amor cristão, se um justo morria, Jesus lhe dava então a oportunidade de aceitá-lo, o que, convenhamos, é estar em uma situação muito mais cômoda do que a nossa, aqui às cegas, uma vez que já se está no além-vida e seria burrice continuar cético ou adorar um deus diverso daquele manifestado. Seria de uma crueldade de fazer inveja a Lúcifer Javé enviar milhões de chineses para o inferno, sumariamente, mesmo depois de Cristo, apenas porque um missionário ainda não lhes anunciara a Boa Nova.

Enganou-se, portanto, Javé, pois Jesus acabou vindo como Condenador, não como Salvador. Repetindo, veio única e exclusivamente para condenar bons, uma vez que antes dele os bons já estavam salvos e os maus condenados. Lembra-me um pouco o homem de terno risca de giz do princípio do post.

Mas eis que chega o Concílio Vaticano II, segundo (perdoem-me o eco) católicos conservadores o torpe fruto da infiltração protestante, maçom e judaica no seio da Santa Madre Igreja. Com ele, Jesus passa de Condenador a um completo inútil. Vejamos um capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium:

Relação da Igreja com os não-cristãos
16. Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e connosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demónio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões.

 Pelo que entendi então, Jesus é quem salva. Passou a salvar até quem não crê nele, o único caminho. O que não se faz pela clientela...

No fim das contas, voltou a ser tudo como era antes da vinda do Rabi de Nazaré. Que confusão dos infernos!

09 maio 2012

Escolhas Certas: Ideias erradas


Dei o azar de ler o texto “Escolhas Certas”, de Cristovam Buarque, aquele hobbit cuja fala arranhou há vários anos na palavra “educação”, de modo semelhante à Weslian Roriz, para quem amor até estanca vazamento de esgoto. “Qual a solução para reduzir a taxa de homicídios?” Ela responde “amor; quem ama não mata”. Ele responde “educação; povo educado não mata”. A educação no Brasil era pior do que a que temos hoje, no início do século XX, e a taxa de homicídios menor. E por amor cristãos já promoveram muitos churrascos animados. Infelizmente, a era pós Luzes retirou-lhes a liberdade de amar como antigamente.

Vejamos os disparates que o senador soltou:

"Fizemos a escolha errada de basear nossa indústria em tecnologias importadas intensivas, por meio de capital que não tínhamos, e dispensando a mão de obra que tínhamos sobrando."

Fizemos a escolha errada de optar por protecionismos à indústria nacional, mantendo-a sucateada e cara, vide nossos carros e computadores de anos atrás, o que beneficiou empresários vagabundos, acomodados pela ausência de concorrência eficiente, enquanto o consumidor foi prejudicado. Gente como o Cristovam sempre defendeu essa ideia de não "basear nossa indústria em tecnologias importadas". Japoneses e chineses já nos fizeram ver como funciona importar, copiar e então aperfeiçoar e criar. Esquerdistas como Cristovam preferem morar numa caverna, desde que seja "nacional". Urina tipo Drury's, se for nacional, vale por dez blue labels. Aliás, é melhor para o povo. Os esquerdistas eminentes exilam-se na Inglaterra, na França, jamais em Cuba, e gostam do que é bom, preferencialmente importado. De Cuba apenas os charutos e as minhocas (na cabeça).
Em "dispensando a mão de obra que tínhamos sobrando" deixa entrever a típica birrinha esquerdista com a tecnologia que dispensa mão de obra. Prefere aquele formigueiro de mortos-vivos a torcer parafusos de sucatas nacionais, a dobrar e colar aquele Corcel II LDO. Já proibiram o sistema self-service em postos de gasolina para não tirar o emprego do frentista, acho que em São Paulo.

"Escolhemos erradamente a ditadura como forma de impor a continuação das escolhas erradas..."

Escolhemos a ditadura erradamente, quando o certo seria escolher o caminho de Jango e de Brizola, o antigo correligionário de Cristovam e seu antecessor no monodiscurso: o comunismo, que, sem exceção, em todos os lugares onde foi implantado matou e torturou milhares de vezes mais do que a ditadura militar brasileira, seus cantores auto-exilados e seus 293 mortos (incluindo aqueles em combate na guerrilha do Araguaia) ao longo de 20 anos. Como já se disse, antes anos de chumbo do que rios de sangue.

"estamos escolhendo o caminho de garantir segurança para proteger a população rica, convivendo com a violência. Ao invés de encarar o problema da violência, procurando pacificar a sociedade brasileira, optamos pelo gasto de bilhões de reais para a proteção da violência urbana ao redor."

Os cidadãos foram obrigados a proteger a própria vida e a de seus familiares - o que é um direito natural -, porque o governo é, na melhor das hipóteses, omisso. Se escolhe, escolhe apenas, como o correligionário de Cristovam que governou o Rio por dois mandatos, fazer vista grossa para a bandidagem e não proteger sequer seus juízes justos. Os ricos blindam os próprios carros e se escondem em condomínios porque não têm alternativa. Certamente prefeririam ter a porta da sala dando para uma praça agradável, no centro da cidade, sem muros e grades intermediários, e sem a ameaça de mendigos lazarentos intoxicados pelo crack. E os pobres também moram assim. Fazem o máximo que podem. Muitas vezes sequer quintal possuem, os que têm casa. Não há um metro quadrado do lote que não seja coberto e gradeado.

"...(a elite) compra bonecos inflados, para dar a impressão de que há passageiros dentro do carro. As pessoas passam de carro diversas vezes diante das próprias casas, sem parar, para ver se há algum estranho por perto;"

Aqui escandaliza, mais do que a burrice do senador, seu jeito tosco de escrever, dando exemplozinhos bestas, como uma Maria Paula da Revista do Correio a excretar suas indignaçõezinhas banais.

 "inundam as ruas de filmadoras contra os ladrões, mas que acabam com a privacidade de todos..."

Muitos criminosos foram enjaulados aqui e no resto do mundo graças a essas filmadoras que "inundam as ruas". Se não acontecer nada de errado, ninguém as irá consultar. Seria preciso milhões de voyeurs muito desocupados. Assim, não há perda de privacidade a não ser que algo aconteça de anormal. Nelson Rodrigues disse que a televisão matou a janela. Pois bem. Antigamente, as pessoas na janela a observar o movimento na rua, por não terem ainda Gugus e Ratinhos na sala, eram as câmeras que tiravam a privacidade do espaço público. Se acontecesse algo de errado, eram testemunhas. Se não acontecesse, ao menos tinham como fofocar.

"A opção de paz, ao invés de opção de segregação, consiste em menos muros e em mais pontes."

Até imagino o "pontes" dito com aquele sotaquezinho reptiliano... Aqui ele se sente o próprio Martin Luther King, a usar frases de efeito que não significam absolutamente nada. Ora, muros servem para barrar intrusos em locais onde não há polícia eficiente, onde a população acostumou-se a mostrar seu pior lado, estimulada pela impunidade, onde há cumplicidade entre o poder público e criminosos. Com a vitória dos esquerdistas no estatuto do desarmamento, que vige apenas sobre o honesto, porque o malfeitor sempre terá acesso a uma arma, o facínora teme um pouco menos ver o cano de um bacamarte apontado para sua cabeça odiosa quando invade uma casa. Sobrou o muro, ora bolas...

02 maio 2012

A Evolução do Macho


Quando os garotos primeiro pensaram sobre as diferenças entre homens e mulheres, foram seguramente um pouco machistas - machistas ignorantes.


Depois, um tanto evoluídos e socializados, passaram a crer que deve haver uma igualdade plena entre os sexos, pois tudo o que o homem faz a mulher pode fazer e vice-versa, exceto engravidar, por enquanto.


Alguns homens evoluem um pouco mais e percebem as (nem sempre) sutis diferenças no modo de pensar, no jeito de ver o mundo e de com ele se relacionar. Além disso, e embora sempre acreditando que as mulheres sejam igualmente capazes - em diversas atividades mais capazes, sejamos honestos -, entendem que amiúde são vítimas de um coquetel hormonal de ilimitados ingredientes e dosagens precisas e, ainda que reclamem, são mais felizes quando encontram um macho de juba metafórica que respeitem - e que seja compreensivo e carinhoso, é lógico.


Estes homens mais evoluídos não se deixarão arrastar pelas questiúnculas próprias do modo feminino de se relacionar com outros indivíduos, desde as cavernas, mas despenderão nelas algum interesse, para não serem julgados insensíveis e distantes. Estes homens aparentarão ser machistas para aqueles outros no estágio intermediário de evolução, mas na verdade amarão mais suas mulheres, pois agirão em harmonia com as diferenças inatas entre os sexos - do modo que, no fundo, elas esperam que eles ajam, do melhor modo para o casal.


Saberão que é melhor uma mulher apaixonada do que uma "igual" infeliz, talvez por desprezar o homem tíbio que tem.


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Update: Recebi alguns emails de conhecidos criticando este post e minha postura. Dou então mais visibilidade ao que escrevi na caixa de comentários, lembrando que um dos tags do post é "humor":


Não estou afirmando que sou como o macho mais evoluído. Pensei em um comportamento ideal, analisando como agem outros homens que considero evoluídos e cujos casamentos vão às mil maravilhas, e também ao colher os maus frutos de meus envolvimentos em questiúnculas e de picuinhas que eu mesmo inicio, quando é minha esposa que me faz ver que há pontos mais importantes com que se preocupar no dia-a-dia. É óbvio que os fundamentos de um relacionamento são o amor, a cumplicidade, a honestidade, a tolerância, etc. Come on!


Sobre um post mais recente, considero-me também um homem-massa, e ter consciência disso já é alguma coisa, pelo menos... Enfim! Este é um blog de provocação, e é natural que às vezes pintemos os quadros com cores mais fortes. Pax vobiscum. Magister dixit! :)
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