Dei o azar
de ler o texto “
Escolhas Certas”, de Cristovam Buarque, aquele hobbit cuja fala
arranhou há vários anos na palavra “educação”, de modo semelhante à Weslian
Roriz, para quem amor até estanca vazamento de esgoto. “Qual a solução para
reduzir a taxa de homicídios?” Ela responde “amor; quem ama não mata”. Ele
responde “educação; povo educado não mata”. A educação no Brasil era pior do
que a que temos hoje, no início do século XX, e a taxa de homicídios menor. E
por amor cristãos já promoveram muitos churrascos animados. Infelizmente, a era
pós Luzes retirou-lhes a liberdade de amar como antigamente.
Vejamos os
disparates que o senador soltou:
"Fizemos
a escolha errada de basear nossa indústria em tecnologias importadas
intensivas, por meio de capital que não tínhamos, e dispensando a mão de obra
que tínhamos sobrando."
Fizemos a
escolha errada de optar por protecionismos à indústria nacional, mantendo-a
sucateada e cara, vide nossos carros e computadores de anos atrás, o que beneficiou
empresários vagabundos, acomodados pela ausência de concorrência eficiente,
enquanto o consumidor foi prejudicado. Gente como o Cristovam sempre defendeu essa
ideia de não "basear nossa indústria em tecnologias importadas". Japoneses e chineses já nos fizeram ver como funciona importar, copiar e então
aperfeiçoar e criar. Esquerdistas como Cristovam preferem morar numa caverna,
desde que seja "nacional". Urina tipo Drury's, se for nacional, vale
por dez blue labels. Aliás, é melhor para o povo. Os esquerdistas eminentes exilam-se na Inglaterra, na França, jamais em Cuba, e gostam do
que é bom, preferencialmente importado. De Cuba apenas os charutos e as
minhocas (na cabeça).
Em
"dispensando a mão de obra que tínhamos sobrando" deixa entrever a
típica birrinha esquerdista com a tecnologia que dispensa mão de obra.
Prefere aquele formigueiro de mortos-vivos a torcer parafusos de sucatas
nacionais, a dobrar e colar aquele Corcel II LDO. Já proibiram o sistema
self-service em postos de gasolina para não tirar o emprego do frentista, acho
que em São Paulo.
"Escolhemos
erradamente a ditadura como forma de impor a continuação das escolhas
erradas..."
Escolhemos a
ditadura erradamente, quando o certo seria escolher o caminho de Jango e de
Brizola, o antigo correligionário de Cristovam e seu antecessor no monodiscurso:
o comunismo, que, sem exceção, em todos os lugares onde foi implantado matou e
torturou milhares de vezes mais do que a ditadura militar brasileira, seus
cantores auto-exilados e seus 293 mortos (incluindo aqueles em combate na
guerrilha do Araguaia) ao longo de 20 anos. Como já se disse, antes anos de
chumbo do que rios de sangue.
"estamos
escolhendo o caminho de garantir segurança para proteger a população rica,
convivendo com a violência. Ao invés de encarar o problema da violência,
procurando pacificar a sociedade brasileira, optamos pelo gasto de bilhões de
reais para a proteção da violência urbana ao redor."
Os cidadãos foram
obrigados a proteger a própria vida e a de seus familiares - o que é um direito
natural -, porque o governo é, na melhor das hipóteses, omisso. Se escolhe,
escolhe apenas, como o correligionário de Cristovam que governou o Rio por dois
mandatos, fazer vista grossa para a bandidagem e não proteger sequer seus
juízes justos. Os ricos blindam os próprios carros e se escondem em condomínios
porque não têm alternativa. Certamente prefeririam ter a porta da sala dando para
uma praça agradável, no centro da cidade, sem muros e grades intermediários, e sem
a ameaça de mendigos lazarentos intoxicados pelo crack. E os pobres também
moram assim. Fazem o máximo que podem. Muitas vezes sequer quintal possuem, os
que têm casa. Não há um metro quadrado do lote que não seja coberto e gradeado.
"...(a
elite) compra bonecos inflados, para dar a impressão de que há passageiros
dentro do carro. As pessoas passam de carro diversas vezes diante das próprias
casas, sem parar, para ver se há algum estranho por perto;"
Aqui
escandaliza, mais do que a burrice do senador, seu jeito tosco de escrever,
dando exemplozinhos bestas, como uma Maria Paula da Revista do Correio a
excretar suas indignaçõezinhas banais.
"inundam as ruas de filmadoras contra os
ladrões, mas que acabam com a privacidade de todos..."
Muitos
criminosos foram enjaulados aqui e no resto do mundo graças a essas filmadoras
que "inundam as ruas". Se não acontecer nada de errado, ninguém as
irá consultar. Seria preciso milhões de voyeurs muito desocupados. Assim, não
há perda de privacidade a não ser que algo aconteça de anormal. Nelson Rodrigues disse
que a televisão matou a janela. Pois bem. Antigamente, as pessoas na janela a
observar o movimento na rua, por não terem ainda Gugus e Ratinhos na sala, eram
as câmeras que tiravam a privacidade do espaço público. Se acontecesse algo de
errado, eram testemunhas. Se não acontecesse, ao menos tinham como fofocar.
"A
opção de paz, ao invés de opção de segregação, consiste em menos muros e em
mais pontes."
Até imagino
o "pontes" dito com aquele sotaquezinho reptiliano... Aqui ele se
sente o próprio Martin Luther King, a usar frases de efeito que não significam
absolutamente nada. Ora, muros servem para barrar intrusos em locais onde não
há polícia eficiente, onde a população acostumou-se a mostrar seu pior lado,
estimulada pela impunidade, onde há cumplicidade entre o poder público e
criminosos. Com a vitória dos esquerdistas no estatuto do desarmamento, que vige
apenas sobre o honesto, porque o malfeitor sempre terá acesso a uma arma, o
facínora teme um pouco menos ver o cano de um bacamarte apontado para sua
cabeça odiosa quando invade uma casa. Sobrou o muro, ora bolas...