30 janeiro 2008
Razão, Paixão e Conversão
Qual o benefício que alguém pode ter por torcer por um time de futebol? Se o time ganhar existe um benefício claro nesta identificação, que seria a pessoa se sentir vencedora também. Esta é mais uma doce ilusão, a da torcida, especialmente daquela que, sentada em frente ao sofá, acha que seus gritos podem influenciar de alguma forma o resultado.
Um ponto interessante desta discussão sobre a escolha de um time é que para a maioria das pessoas o fato de torcer para um time tem pouco efeito para a sua vida. Assim, se a escolha foi feita influenciada pelos pais e outras circunstâncias, não faz muita diferença. Entretanto, qual seria o grau de racionalidade na escolha de coisas que importam para nossa vida?
Um tema que me é caro é o das escolhas políticas; será que as pessoas sabem por que escolheram as suas posições políticas? No meu caso, acredito que os filmes de Hollywood tiveram um peso importante na minha escolha de ser um liberal, na medida em que me levaram a valorizar a liberdade individual e a temer a opressão do Estado.
Outra escolha muito influenciada por afetividades e acontecimentos é a escolha de uma religião, isto é, se tiver havido uma escolha. A maioria das pessoas acaba “escolhendo” a religião ou o ateísmo dos pais. Esta é uma escolha que vem revestida de alguns benefícios; por exemplo, se o cara é um adventista, provavelmente terá um grande cuidado com o próprio corpo. Se o cara for judeu, provavelmente, terá alguma “auto-estima” decorrente do fato de pertencer ao povo escolhido. E por aí vai.
Acho que é um exercício de futilidade tentar convencer um torcedor qualquer a parar de torcer por um time porque o time foi dominado por fulano ou beltrano que roubam e administram mal. Afinal, o time faz parte da identidade do fulano, ele se vê como flamenguista, esquerdista, progressista, nacionalista... Neste sentido, como a maioria das pessoas pertence a uma religião devido a uma identificação, não serão alguns argumentos que a farão desistir de uma religião.
Por que as pessoas preferem a ilusão à realidade? Porque provavelmente a realidade é difícil de ser digerida. A pessoa não está pronta; seja por preguiça ou qualquer outro motivo, ele prefere a ilusão. Prefere acreditar no presidente que proverá as suas necessidades materiais em troca da sua liberdade. Afinal, ele está dando algo que não valoriza, pois a liberdade exige ação e as ações têm conseqüência. Melhor não agir e dormir e sonhar com o seu time campeão.
29 janeiro 2008
Astrólogo morre pela boca
O sr. Janer Cristaldo jamais foi censurado no Mídia Sem Máscara. Foi expulso, a pedido de leitores judeus, por ser mais anti-semita do que poderia justificar mediante a exibição de um mero atestado de insanidade mental.
Escrevia o astrólogo em 06 janeiro 2006:
Louvando a franqueza e o vigor da minha resposta ao artigo anti-semita de Janer Cristaldo, nossos amigos do De Olho na Mídia protestam que ela não foi suficiente; que, não removido o artigo da página nem excluído o articulista do nosso quadro de colaboradores, "a nódoa ficou". Têm razão: ficou mesmo. Não tentei apagá-la; apenas admitir sua existência e chamá-la pelo nome. O Mídia Sem Máscara não é puro e inatacável como a Folha, o Globo e tantos outros monumentos de santidade jornalística. Enquanto essas publicações jamais pecam, jamais têm culpas morais, no máximo deslizes técnicos cometidos com intenções insuperavelmente éticas e elevadas, nós aqui assumimos a plena responsabilidade moral do que publicamos, e não nos sentimos isentos de culpa pelo que Janer Cristaldo escreveu.
Ao contrário, assumimos essa culpa - não por concordarmos com uma só palavra do que ele disse, mas porque, quando um homem não sente vergonha do mal que comete, não resta alternativa aos seus colegas e amigos senão senti-la em lugar dele. Por isso não procurei limpar a nódoa, mas mostrá-la aos olhos de todos. Achei que isso seria suficiente para alertar o colunista e demovê-lo da sua loucura. Não fiz isso para puni-lo, mas para avisá-lo de que entrou por um caminho errado e deve sair dele o mais que depressa.
Por isso mesmo não o excluí do quadro de nossos articulistas. Expulsá-lo seria carimbá-lo para sempre com um rótulo que, a meu ver, ele só merece a título provisório. Não posso exterminar a reputação de um colaborador quando espero ganhá-lo de volta para as boas causas. No fundo, não acredito na seriedade do anti-cristianismo nem do anti-judaísmo de Janer Cristaldo.
26 janeiro 2008
Os Discípulos de Maria da Conceição Tavares
Outro dia, almocei com o meu colega marxista gramsciano e discípulo da Maria da Conceição. Fomos comer um sushi porque ele estava de dieta. O tema do almoço foi a professora de Economia da UFRJ, que alcançou a fama quando chorou no Plano Cruzado. Chorar é uma estratégia que funciona para mulher, a Hillary que o diga. Os olhinhos dele brilhavam quando falava da Conceição... Definitivamente estou ficando velho; não preciso mais de professores para fazer minha cabeça.A D. Maria chegou ao Brasil em 1953, acompanhando seu primeiro marido, um engenheiro que havia conseguido um emprego em uma barragem no Sul. Sua família já se encontrava aqui e as perspectivas do Brasil deviam ser melhores que as do Portugal de Salazar.
Formada em matemática em um ambiente de excelência nesta disciplina, cultivado desde as reformas educacionais de Pombal. Ela é uma mulher de uma geração que foi influenciada por acontecimentos como a brutal Guerra Civil Espanhola, o anti-clericalismo português e uma antipatia aos americanos talvez devido à recente intervenção militar americana na Europa.
No Brasil, a professora teve oportunidade de entrar na rede de relações do Partido Comunista e seu grupo de simpatizantes de classe média no Rio de Janeiro, a famosa Vanguarda do Proletariado. Professora competente de macroeconomia, por mais de 30 anos, na década de 70 chegou a um nível em sua carreira em que ou tinha sido aluna ou professora da maioria dos tecnocratas e acadêmicos da área de Economia.
A partir daí, organizou centros de estudos de orientação esquerdista no próprio regime dos militares, por sua identificação com o nacional desenvolvimentismo e seu anti-imperialismo americano, o que encontrava simpatizantes na famosa Linha Dura.
Diferentemente da Geração 68 de Lula e Dirceu, que foi marcada pela Revolução Cubana e pela Revolução de 64, a geração da Maria da Conceição foi muito marcada por acontecimentos europeus. Ao se referir a gerações mais recentes, ela nos acusa de sermos conservadores. A isto respondo que somos apenas outra geração, marcada por outros acontecimentos, e que da mesma forma que eles romperam com as gerações que os precederam, temos todo o direito de romper com a sua geração.
Aliás, um dos temas do almoço foi a traição que ela teria sofrido de Malan, que fora um dos seus discípulos e que, aparentemente, foi ajudado pela rede de relações da professora a conseguir um emprego no Banco Mundial, onde chegou a diretor. Depois, foi negociador da dívida externa e, mais tarde, o principal gestor do Plano Real. Pessoalmente, acho que nenhum aluno deve ao professor lealdade às suas idéias.
Além disso, desprezo estas redes clientelares que criam “obrigações pessoais”, pois o preenchimento de posições deve ser feito de acordo com o perfil de uma pessoa e não por outras considerações. Mas isto deve ser coisa de conservadores, que - como apregoavam os primeiros liberais - acreditam que o sucesso deva ser uma questão de mérito.
24 janeiro 2008
Quem financia o astrólogo?
Ok! Filósofo não é profissão regulamentada, como muito menos a de astrólogo, psicanalista ou ornitologista. Assim, quem quiser anunciar-se como filósofo, astrólogo, psicanalista ou ornitologista, esteja a gosto. Nihil obstat!
Como leitor que um dia teve algum apreço por Olavo de Carvalho e ex-colaborador censurado do Mídia sem Máscara, presto meu depoimento. Gostei de seu livro O Imbecil Coletivo. Quando Olavo o autografou na livraria Cultura, em São Paulo, fui lá prestigiá-lo. O autógrafo veio eivado daquela simpatia impessoal que os autores dedicam a um leitor quando não querem comprometer-se. Li também o Imbecil Coletivo II, menos interessante que o primeiro, como todas as suítes de filmes. Acabei sabendo que meu livro sobre a Suécia, O Paraíso Sexual-Democrata, fora citado em O Jardim das Aflições. Até hoje não entendi porquê. Meu livro nada tem a ver com o que pretende ser um tratado de filosofia.
Tratado de filosofia, umas ovas. Olavo irritou-se com uma palestra de um certo José Américo Motta Pessanha sobre Epicuro, proferida no MASP, em maio de 1990, e escreveu um livro inteiro para contestar o autor. Na verdade, quem Olavo não suporta é Epicuro,o filósofo de Samos que se opôs às concepções fundamentais dos estóicos, platônicos e peripatéticos, aproximando-se dos cirenaicos, movido por uma dupla necessidade: a de eliminar o temor aos deuses e a de desprender-se do temor da morte. Segundo Ferrater Mora, “o primeiro se consegue declarando que os deuses são tão perfeitos que estão além do alcance do homem e de seu mundo; os deuses existem (pois, contrariamente à opinião tradicional, Epicuro não era ateu) mas são indiferentes aos destinos humanos. O segundo se consegue advertindo que enquanto se vive não se tem sensação da morte e quando se está morto não se tem sensação alguma. (...) A felicidade se consegue quando se conquista a ataraxia, não para insensibilizar-se por completo, mas para alcançar o estado de ausência de temor, de dor, de pena, e de preocupação”.
É claro que este tipo de filosofia não pode servir a um astrólogo que, manipulando a superstição, quer exercer poder sobre seus semelhantes. Quem não teme a morte não teme deuses nem astros. O divertido em tudo isso é que, Olavo, irritado com o Pessanha, escreveu um livro inteiro sobre sua palestra. Ora, invejo o Pessanha. Adoraria um ouvinte assim irritado. Se cada palestra minha tivesse gerado um livro, minha bibliografia hoje seria vasta. Caso típico de um tiro que saiu pela culatra.
O autor de O Jardim das Aflições revela-se mais com vocação para garçom do que para ensaísta. Elabora sofisticados coquetéis de idéias que nada têm a ver com pensamento. Mistura todo tempo filosofia e teologia e chega a proferir este despautério: “O sábio deve, por um lado, obediência às leis e costumes, caso não deseje ser excluído da comunidade humana; deve-a, por outro lado, ao Deus verdadeiro, do qual a comunidade só conhece analogias e símbolos distantes, cristalizados em ritos e mandamentos cujo sentido se perdeu”.
Que Deus verdadeiro? Teria lido o pretenso teólogo algum dia a Bíblia? Até Jeová acreditava em outros deuses, tanto que mandava destruir seus altares. Os jeovistas contemporâneos são mais jeovistas que Jeová, acham que deus é um só. Jeová não achava. Aliás, esse gambito do astrólogo é muito safado. Professa um cristianismo abstrato, manifesta sua fé no tal de Altíssimo, sem jamais dizer à qual confissão de fé pertence. Aparentemente, é a fé católica. Mas o astrólogo não pode afirmá-la, sob pena de incoerência. Ninguém pode ser católico tendo tido três mulheres. Muito menos ser astrólogo e católico ao mesmo tempo. Então, fica professando aquele cristianismo indefinido, que só convence quem adora ser convencido – para não ter de comprometer-se. Em suma, um arremedo de Nostradamus que vive de mascambilhas. Nós, ateus, podemos ter uma, dez ou vinte mulheres. Católico só pode ter uma só.
Católicos, hoje, têm se mostrado mais enrustidos que homossexuais dentro do armário. Se homossexualismo se tornou uma opção comportamental, a fé católica é mais difícil de sustentar. Essas empulhações de mãe virgem, de deus-três-em-um, de Cristo que ressuscitou, de vinho que vira sangue, de pão que vira carne, já não convencem nem mesmo os cristãos.
De escritor de textos lúcidos contra as esquerdas, Olavo de repente descambou para aiatolices. O Mídia sem Máscara seguiu o chefe. Quando escrevi sobre as práticas medievais da Opus Dei aqui em São Paulo, recebi advertência do editor Paulo Diniz. Que não era bem assim, etc e tal. Quando escrevi que Cristo nascera em Nazaré, mas não em Belém – questão que sequer constitui dogma – fui censurado. Hoje o Vaticano mostra um presépio na praça de São Pedro, onde Cristo nasce em Nazaré. Se o Vaticano mandar um artigo para o Mídia sobre o assunto, certamente será censurado. Quanto a algum artigo do Bento, talvez passe. Neste Natal passado, enquanto o Vaticano afirmava o nascimento do Cristo em Nazaré, o Bento falava em Belém. Pelo jeito, está faltando comunicação interna na Santa Sé.
É curioso observar que o Mídia – que, bem ou mal, acaba se professando católico ou algo por el estilo – não escreveu uma linha sobre a visita do papa a São Paulo. Pelo jeito, temos cisma à vista. Quem sabe o Olavo cria uma seita. Dá grana a granel – os pastores da Renascer ou da IURD que o digam – e assim Olavo não precisaria pedir esmola a seus discípulos para sustentar suas vilegiaturas na Virginia. Também é curioso observar que Olavo, defensor incondicional da cristandade, nunca disse sequer uma palavrinha contra as práticas hediondas do islamismo, como a ablação do clitóris e a infibulação da vagina.
Padre não briga com padre. Muito menos astrólogos com teólogos. O ofício é o mesmo. Como escreveu Anselmo, “o Mídia Sem Máscara hoje é um site que detém elementos claramente totalitários. E isto parte da chamada “filosofia de Olavo de Carvalho”. Mas, seu maior erro é se julgar “sem máscara” enquanto que, na verdade, apresenta dois rostos: um anticomunista e outro tão totalitário quanto o comunismo, o do fundamentalismo religioso em campanha contra o estado laico e a pluralidade de opiniões intrínseca à democracia. (...) E não diferencio isto de um lixo como Carta Capital ou Caros Amigos”.
Mantive longos debates com alguns meninos da comunidade Mídia sem Máscara, no Orkut. Todos se manifestavam católicos, mas pouco ou nada entendiam de teologia ou doutrina da Igreja. Em boa parte, defendiam a Inquisição. Mais ainda: mantinham uma postura de quem se atribuía direitos sobre a orientação do jornal. Muito estranho.
A pergunta que permanece é esta: quem financia o Mídia sem Máscara? Porque o jornal tem algum custo de edição. Seus redatores não recebem nada. Os editores, recebem. Recentemente, a ministra petista Marina da Silva alinhou-se a Olavo de Carvalho na defesa do creacionismo. Quando tivermos esta resposta, saberemos a quem servem Olavo de Carvalho e seus acólitos.
Olavo estende o chapéu desde Virginia: “Estou pedindo a todos os meus leitores e amigos que me ajudem a fazer o que tenho de fazer. Doações pessoais ainda são permitidas e livres de impostos. Quem tiver sensibilidade e condições para isso, que faça uma contribuição por qualquer destes três meios, à sua escolha: “Para contribuições em dólares, por cartão de crédito, simplesmente clique o botão abaixo e siga as instruções (no formulário, em resposta ao item "payment for", escreva simplesmente "donation").
Ainda há poucos dias, o Mídia sem Máscara oferecia um curso de filosofia ministrado pelo astrólogo em Virginia, por módicos três mil e poucos dólares. Parece que o site tomou vergonha: o anúncio do curso não está mais lá.
Ora, alguém acredita que leitores financiarão um guru nos States? Guru brasileiro? Para isto é preciso manipular altos níveis de vigarice, oriundos de países que têm prestígio místico. Falo de Bento XVI, Osho, Dalai Lama, Deepak Chopra.
Não é empreitada para campineiro. Resta então a pergunta: quem financia o astrólogo?
23 janeiro 2008
Mídia com dois rostos
Ao longo de 2003 a 2006 escrevi no Mídia Sem Máscara. Aqui estão algumas razões para minha saída. Infelizmente, o pretenso media watch deixou seus propósitos iniciais para adotar mais uma máscara, a do fundamentalismo religioso. Nada condenável, se fosse assim explicitado...Carvalho não percebe (ou não lhe é conveniente perceber) vários matizes anti-socialistas. Prefere optar por criar uma dicotomia entre um Bem (supremo) e o Mal (mitificado, como além humano). Da crítica ao ateísmo, Carvalho passa, sumariamente, a condenar toda a Teoria da Evolução, sem entender patavina do que Darwin fez ou escreveu. Chegou, insanamente, a procurar criticá-lo em suas influências religiosas! Isto é o mesmo que procurar "desvendar" os meandros de uma filosofia a partir de um divã. Em muitos, seria algo perdoável por ignorância, mas no caso dele, dada a quantidade de informação que porta, ou é (1) mau-caratismo; (2) o que é pior, fanatismo.
Da mesma forma que ele, o defensor do fundamentalismo cristão em nossos tristes trópicos advoga ser necessário conhecer a cultura clássica, a filosofia medieval etc. e acusa nossos professores de não serem suficientemente afeitos a tal empreitada, no que concordo em gênero, número e grau, ele não se dá ao mínimo trabalho (já que a priori quer criticar Darwin) em discutir (por que não leu, provavelmente) uma obra como A Origem das Espécies. Nem conhece o lamarckismo, nem conhece a crítica renovadora de um Stephen Jay-Gould. Este está para a Teoria da Evolução, como Hayek está para o Liberalismo Clássico, um crítico construtivo. Leia o fabuloso A Galinha e seus Dentes (há uma versão compacta nas livrarias, também). O capítulo, “O Anel de Guano” sobre aves nas Galápagos é algo que nenhuma Teologia dá conta de contemplar.[1]
Outro exemplo: veja o que escreveu o excelente Diogo Costa em Libertarianismo de palha e a destemperada réplica recebida aqui e aqui de um “perfeito idiota religioso” que se diz “muçulmano sufi”... aquele muçulmano do tipo mais "espiritual". Não sem receber outra tréplica (com classe que não merecia) em O Conservadorismo mal retratado. Não são fofocas apenas, se trata de um curso de fanatismo do site que cada vez mais se afirma.
[2] Filosofia vírgula! Olavo de Carvalho não apresenta um sistema filosófico para assim caracterizá-lo. O que temos aí é muito mais uma série de excertos de pensamentos que visam, sobretudo, justificar uma visão gnóstica do mundo ao fundir vários princípios religiosos como uma verdadeira pout-pourri de diversos fundamentalismos religiosos. Ainda estende os mesmos para a análise política e geopolítica não deixando, claro, de portar as recorrentes teorias conspiratórias. O que, digamos, é mais apropriado para debates de boteco ao sabor etílico do que uma monástica pesquisa. Conferir meu Conspiração, Eu Quero Uma Pra Viver, no qual critico, dentre outras, sua obsessão pelo Foro de São Paulo. Esta quimera que o “filósofo” e péssimo jornalista acusa como uma bem articulada organização internacional latino-americana.
21 janeiro 2008
A Aurora do Mal

E não vamos nos esquecer do Sr. Charles Montgomery Burns, de Springfield. Os videogames são a aurora do mal, the dawn of evil...
Até parece.
Esses jogos foram considerados “nocivos à saúde”, tsc, tsc... Nocivos à saúde? Só se for a do sedentário que passa 10 horas por dia jogando e consumindo Cheetos. Se for nocivo à mentalidade do infeliz, este tem que ter uma cabeça muito fraca e pais muito ausentes para acontecer do moleque querer matar os colegas da escola e seqüestrar a tia da cantina.
Duas esquisitices: a ação foi requerida pelo Ministério da Aeronaútica. Da Aeronáutica??? É, ele mesmo. E o processo não é contra a Electronic Arts, distribuidora do jogo, mas contra a União.
Alguns trechos do que andei lendo. Pelo visto, estão nessa o juiz de menores Siro Darlan, do Rio (que disse que Counter é uma “fábrica de bin Ladens”, sem comentários), a 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas e até uma notinha do Procon de Goiás:
“(…) traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros (…)”
Só pode estar brincando. Tropa de Elite explode no Brasil. A maior pirataria. Aposto que os camelôs nunca lucraram tanto com um filme, que, basicamente, é a MESMA COISA que o Counter-Strike, nas poucas seqüências de ação que tem. Vejam o tamanho da hipocrisia. Os índios de Rondônia já devem ter assistido esse filme, mas será que já jogaram CS?
“O jogo “Counter Strike” (reféns, bomba, fuga, assassinato, armas, técnicas de guerra, táticas de guerrilha) reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. O jogo foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da ONU. A polícia invade o local e é recebida a tiros.”
Ui, ui, ui! Que mané... o jogo não foi “adaptado para o Brasil”. Alguém, por sinal muito bom, com um editor de níveis, criou esse mapa, mais um famoso MOD (de Modified Version, versão modificada), coisa que trocentos zilhões de adolescentes fazem no mundo inteiro, com dezenas de jogos de tiro, não apenas esse. O mapa é o cs_rio, fácil de encontrar na internet, jogava muito em lan houses lá por volta de 2001, 2002 e adorava. Pra quem não sabe, dá pra jogar offline, fora da internet, contra “bots” (inimigos controlados pela CPU, pelo computador). E é um bom mapa, por falar nisso. Boas posições de tiro e o aperto e desnível de uma favela são mesmo uma desgraça pra quem está subindo um morro.
No entanto, CS oferece pencas de mapas com as mesmas características. Hoje nem jogo mais esse nível, a não ser que encontrasse o MOD dele para o CS: Source, a nova versão. Não me interessa mais jogá-lo no Counter original, antigo, pois os gráficos são muito ruins, datados.
A propósito, proibiram o CS: Source também? Porque, que eu saiba, quase ninguém mais joga o CS velho. Ah, esses experts que decidem nossas vidas, tão bem informados.
“O participante pode escolher o lado do crime: virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais PM´s matar, mais pontos. A trilha sonora é um funk proibido. Nessa escala de violência, cada um escolhe suas armas: pistolas, fuzis e granadas. Na visão de especialistas, o jogo ensina técnicas de guerra, haja vista o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha.”
Levando essa lógica ridícula ao pé da letra, deveriam proibir também Sun Tzu e Maquiavel.
Como em todo mapa de CS, trata-se de terroristas versus contra-terroristas, mas tudo bem, vamos dar essa folga para o juiz e os “especialistas”. Vamos imaginar traficantes contra o BOPE. Mas CS não ensina técnicas de guerra — risos — por mais que você vicie e fique bom na coisa. Na melhor das hipóteses, te dá bons reflexos.
“O jogo “Everquest” leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos “pesados”, pois as tarefas que este recebe, podem ser boas ou más. As más vão de mentiras, subornos e até assassinatos, que muitas vezes depois de executados, o jogador fica sabendo (ou não) que era apenas uma armadilha para ser testado para entrar em um clã (grupo).”
Everquest entrou de feliz na história, nem tem distribuição oficial no Brasil. É um RPG de fantasia da Sony. Já matou alguns doidinhos mundo afora, gente que não conseguia desgrudar da tela, se tornava dependente e morria, sei lá, de inanição. O mingau dentro do cerebrinho fritou. Já joguei, é muito imersivo, um universo vasto, mas RPG não faz meu estilo, apesar de gostar de Tolkien — e esse e vários outros jogos são claramente inspirados na obra dele e no mundo de Dungeons & Dragons.
Mas Everquest tem violência no nível do desenho Caverna do Dragão, francamente... É um jogo singelo. Sem sangue, sem possibilidade de sair passando fogo em civis — aldeões seria a palavra mais adequada, afinal, é fantasia...
De qualquer maneira, se o que se quer é sangue, há RPGs infinitamente mais sombrios que não foram proibidos, como a série The Elder Scrolls: Oblivion, vastíssima, com possibilidades quase infinitas, e que já deve estar na quarta ou quinta expansão, ou expansion pack. Um barato, para quem gosta do gênero. Já meu negócio é dar tiros e experimentar alguma simulação de combate. Mas algumas das expansões, como Oblivion — Shivering Isles, são mesmo belíssimas.
Quanto a isso de “tarefas boas ou más”, não são nem tanto as tarefas, mas o grau de liberdade do jogador que lhe permite seguir um caminho bom, outro perverso e dezenas de outros mesclando altruísmo e perversidade, crueldade, violência, etc et tal. RPGs sem alto grau de liberdade não tem graça.
Além do mais, Everquest é bem mais complexo do que a análise da trama divulgada e trata-se de uma mídia social sobre a qual incidem diversos pontos de vista, inclusive os bons. Nada, absolutamente nada, nem uma simples barra de cereal deixa de ter um lado negativo e outro positivo.
Voltando ao Tropa de Elite, uma pequena digressão:
Em uma leitura tão cretina quanto a dos “especialistas”, diante da impossibilidade de saber quem são esses caras, podemos imaginar que recentemente uma modificação foi feita e, ao jogo, foi acrescentado o batalhão Tropa de Elite, que se popularizou após o filme de José Padilha.
Isso fez com que os jogadores preferissem o lado da polícia em oposição ao lado dos bandidos. O game foi proibido porque você não pode escolher se integrar a uma ONG de direitos humanos que atua na favela. Hackers teriam que criar uma ONG de direitos humanos no qual seus integrantes fumam maconha e redistribuem drogas em universidades de elite, evidentemente influenciados pelas cenas do filme, o que seria igualmente considerado anti-ético.
O desvirtuamento por parte dos jovens é que agora eles preferem combater os narcotraficantes e não a polícia, como acontecia desde 1999...
Fim da digressão.
“Os jogos violentos ou que tragam a tônica da violência são capazes de formar indivíduos agressivos, sobressaindo evidente que é forte o seu poder de influência sobre o psiquismo, reforçando atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.”
Bom, isso é, em última análise, infantil. Não vou negar minha vontade ocasional de pegar um fuzil de precisão Sig Sauer, ajustar a sniper scope e mandar bala em alguns alvos (calma, esses foram selecionados, fizeram por merecer), mas não acho que mais ou menos horas de CS vão me levar a isso. Hoje, venho jogando muito Crysis, presentinho de Natal. Minha máquina quase não rodou, foi ao limite com esse, por causa do grau de detalhamento gráfico, altíssima qualidade. O mais puro combate num arquipélago cheio de soldados norte-coreanos. E, em matéria de violência, que é o nosso bone of contention aqui, o osso que queremos abocanhar, deixa CS caído no meio-fio.
“Todo consumidor goiano que se deparar com a distribuição e comercialização dos jogos virtuais “Counter-Strike” e “Everquest” deve acionar o PROCON/GO, via telefone 151 ou por meio do e-mail: consulta@procon.go.gov.br, visando a apreensão destes produtos.”
Que se “deparar”, essa foi boa... Mas vão apreender o quê, Dona Maria? E como? O meu CS não é pirata, é original, veio de graça com outro jogo, mas poderia baixá-lo por zero reais em algumas horas na internet se eu quisesse. Ou comprá-lo com o meu amigo, o contrabandista da feirinha, esse patriota malgré lui. E aí, vão fazer o quê? Fechar o Steam, serviço online da Valve, o fabricante do jogo? É pelo Steam que eu atualizo meu CS: Source e outros jogos da Valve. E jogo online se quiser.
O nível de desconhecimento de quem toma essas decisões é abissal. Algum desses idiotas já jogou esses games? Acho que não.
Eles podiam aproveitar e queimar tudo em praça pública, como os governos autoritários que gostam de fazer isso. No passado, o governo brasileiro já proibiu alguns jogos como Carmageddon, Postal, Doom e Grand Theft Auto. Jogos toscos, diga-se de passagem.
O Sr. Juiz parece não saber que na internet dá pra encontrar, com relativa facilidade, informações sobre montagem de bombas. O que sempre termina com o aspirante a wahabita se explodindo, se este for em frente com a coisa, porque montar bombas lendo instruções ou fazendo curso por correspondência é no mínimo suicida. Mas acho isso bem pior do que o mapinha cs_rio do Counter.
Mas digamos que eu fosse um designer de jogos. Se o meu produto incomodasse e fosse proibido no Brasil, fuck it, porque eu posso muito bem hospedar o meu site na Suécia, onde está o PirateBay, e continuar com a minha vida.
Sem falar que a proibição só gera mais marketing para o jogo e aumenta vertiginosamente a vontade dos jogadores de querer jogá-lo.
O Juiz que determinou a proibição disse que Counter-Strike e Everquest "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".
As senhoras gordas da platéia, aquelas, patuscas, que ficam se refastelando de tanto rir nas fileiras de trás do programa da Hebe (nas da frente ficam as mocinhas gostosas com carinha de raposa ou de passarinho), agora devem estar com medo. Subversão da ordem social, atentado ao estado democrático de direito e à segurança pública, hummm... não sei não, mas esse tal de Counter-Strike deve ser muito bom, se faz tudo isso. E ainda por cima excitando nossos imanentes estímulos, waaal...
O Procon agora cumpre decisões que cuidam da nossa psique. Ou psiquê. Como queiram. Mas é a nossa psique que sai psicologicamente abalada depois que fazemos uma reclamação ao Procon. Aliás, o telemarketing das companhias de celular causa sérios danos psicológicos, principalmente se você pretende cancelar o seu número. Isso sem falar na conta. Um dano psicológico e tanto.
Para esses “especialistas” em violência: amar, em maior ou menor medida, também pode causar danos psicológicos. Pode levar até ao assassinato.
E clique aqui para ver o game mais violento que conheço.
20 janeiro 2008
A Utopia da Sociedade Perfeita
A esperança de uma sociedade mais justa combinada com a preguiça, a falta de espírito comunitário, e alguns oportunistas que vêem no Estado uma fonte de dinheiro e poder, cobrem a sociedade aberta com uma sombra de totalitarismo.Todos nós, em algum nível, ansiamos por uma sociedade perfeita. Para o personagem autista de Dustin Hoffman em Rain Man, ela era uma vida perfeitamente coreografada e cronometrada em um asilo de luxo, onde cada dia da semana e hora do dia se tornavam perfeitamente previsíveis. O tipo de autista retratado apresentava inteligência e um rígido padrão de comportamento, e não estava muito distante das pessoas “normais”.
Para satisfazer este sonho das pessoas de viver em uma sociedade em que todos os seus problemas são resolvidos por alguém que não elas mesmas, temos o totalitarismo, que é o sistema político baseado na extensão do Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade. Na visão socialista gramsciana, o partido é o sucessor do príncipe de Maquiavel e é por meio dele que se deve conquistar o poder estatal, que atingirá o seu ápice quando não houver separação entre o partido e o Estado e entre este e a sociedade.
O totalitarismo é caracterizado por um partido de massa, processo de decisão centralizado no diretório nacional não eleito pelo povo, aparelho estatal ocupado por membros do partido, culto à personalidade do líder, propaganda estatal intensa, censura aos meios de comunicação, paranóia social, entre outros. Os totalitarismos clássicos são o nazista e o comunista.
O nosso totalitarismo ainda não é perfeito porque ainda não temos um partido único como a Venezuela ou cuba. O mensalão serve para dar ao partido o controle sobre o legislativo permitindo o controle da pauta. Em troca, os membros da base lutam por cargos de direção em estatais e emendas no orçamento. O que será que estes cargos têm de tão bom?
A versão tupiniquim atual desta utopia salvadora é o petismo. Um partido de massa fundado sobre o corporativismo das relações de trabalho, ideologicamente sustentado no socialismo, feminismo e anti-racismo, e com apoio da igreja da teologia da libertação, além, é claro, da geração 68, que se inspirava na velha revolução cubana.
Confesso que a justiça social é um lindo sonho, é um delírio do qual políticos corporativistas sabem se servir muito bem. Ninguém gosta de ver crianças mendigando pelas calçadas, famílias embaixo de viadutos, e é fácil sucumbir à tentação de soluções imediatistas como o bolsa família, mas a verdade é que o maior beneficiário deste programa é o próprio lula, que graças a ele reelegeu-se.
O caminho fácil passa pelo Estado e por políticos que prometem e mentem. O melhor caminho passa por uma sociedade civil capaz de resolver os seus problemas localmente e sem aspirações a dominar a sociedade.
18 janeiro 2008
Ensaiando os primeiros passos*
Alcance dos mísseis Ashura e Shahab-3
Como os iranianos apresentam desvantagem frente o poderio americano há clara intenção de confundir o oponente quanto o alcance de seus mísseis. Uma arma capaz de “desviar do radar e atingir alvos múltiplos” parece um tanto exagerado para a capacidade tecnológica iraniana. Mas, o alvo mais tangível não fica muito longe, se trata do Estreito de Ormuz, principal passagem do petróleo do Golfo Pérsico. Apesar da possibilidade de bloqueio, ela não é duradoura. E tal expediente atiçaria um possível ataque dos EUA endossado pela comunidade internacional.
Com a derrubada do regime do xá Rheza Pahlevi, o Irã ficou defasado militarmente e não encontrou apoio soviético, em parte devido à negativa fundamentalista da própria Revolução Islâmica. Os avanços que o Irã atingiu no setor bélico decorrem de adaptações dos produtos importados dos EUA, como mísseis terra-ar para serem lançados de seus F-14, bem como novas adaptações de antigos helicópteros de serviço público JetRanger. Estes e outros itens têm cerca de 30 anos de uso. O próprio míssil Shahab-2 é uma adaptação do velho Scud-C soviético dos anos 50.
Há algumas boas adaptações, como um torpedo de alta velocidade também derivado do foguete anti-submarino russo VA-111 Shkval, que navega com uma bolha de ar no nariz onde libera bolhas de ar comprimido. A vantagem é o menor atrito que lhe confere maior desempenho. Com mais de 200 milhas por hora quando submerso se torna quase impossível à evasão por um submarino ou navio.
Shahab-2
Quando próximos (quatro milhas), a base do ataque também se torna vulnerável pela força de seu impacto. Portanto, a margem de aplicação no estreito é limitada. Para o caso, armas menos poderosas, como o míssil de médio-alcance Kowsar, similar ao C-801 chinês e ao Exocet francês antibarco serviriam.
Uma arma interessante também foi testada pelos iranianos. Trata-se de uma embarcação que paira sobre o mar, como se fosse um avião, mas com principio de funcionamento semelhante a um hovercraft, que cria um “colchão de ar” entre a superfície da água e suas asas. Tecnologia de origem russa no período soviético, a alegada resistência ao radar pode ser pelo material utilizado, madeira e fibra de vidro. Armado com pequenos mísseis antitanque, o veículo apresenta boa capacidade de resolução em possíveis conflitos no estreito.
Os mísseis ar-terra Noor servem para atacar defesas antimísseis. Também se alega que lançada de longe, “além-horizonte”, o míssil passa a perseguir seu alvo quando próximo. Embora não seja uma nova tecnologia, ela representaria um significativo avanço bélico iraniano.
Se verdadeiras as informações, tais armas conferem ao Irã um poder de dissuasão e ameaça aos vizinhos Omã, E.A.U., Qatar, Arábia Saudita e Kuwait. Frente a este desafio, só há uma potência capaz de obliterar os intentos imperialistas iranianos e ela se chama Estados Unidos da América. Urge que o faça antes que Irã queira ensaiar seus primeiros passos.
[1] The Iranian Missile Program, Stratfor Today » November 27, 2007.
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* E por falar em primeiros passos, eu agradeço ao Catellius por me convidar a contribuir em seu excelente blog, bem como ao sempre atento, André Balsalobre pela disponibilização das informações que se seguirão neste e em outros textos.
Obrigado a vocês!
Anselmo Heidrich
17 janeiro 2008
Exilados do Governo Lula e do PT
Mas voltando ao caso do Celso Daniel, o seu irmão, a cunhada e os três filhos fugiram em decorrência de ameaças decorrentes da sua insistência na resolução do crime. Celso Daniel, então um dos mais poderosos membros do PT e que possivelmente teria ocupado mais tarde o posto de Palocci foi seqüestrado no dia 18 de janeiro de 2002, quando estava em um carro blindado conduzido por Gomes da Silva. O corpo foi localizado dois dias depois.
Para a Promotoria, o crime foi encomendado e está relacionado a um esquema de propina montado para financiar campanhas eleitorais. O engraçado é que carro blindado não é algo exatamente comum em São Paulo para alguém que não seja um milionário. Isto nos faz pensar que o prefeito deveria estar lidando com alguma barra pesada.
As relações do PT com o crime não são nenhuma novidade, segundo inquérito da Polícia de São Paulo para investigar se existe ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o PT, após flagrar, por meio de escuta telefônica, presos coordenando os ataques da facção iniciados em maio de 2006 em São Paulo. Nas conversas, os detentos ordenam atentados contra agentes penitenciários e políticos - "qualquer um, menos do PT". Os diálogos mostram que, entre políticos, os alvos preferenciais eram integrantes do PSDB - partido que, até abril, governava o Estado e a capital paulistas.
O site Mídia Sem Máscara vai além afirmando que o PT participaria de uma "organização secreta" cujo objetivo seria o apoio de todas as formas entre as forças de esquerda latino-americanas chamada de Foro de São Paulo. Neste contexto, entrariam as FARC, organização narco-guerrilheira que tem o apoio de Chávez e, segundo denúncia da Veja, seria: “[...] os contatos políticos entre petistas e guerrilheiros das FARC são antigos. Começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim. De lá para cá, as relações se intensificaram, principalmente por meio das correntes esquerdistas do PT, como a Democracia Socialista, cuja estrela mais conhecida é o ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário. Mesmo os quadros mais moderados do PT demonstram uma certa simpatia pelas FARC.”
Considerando estes antecedentes, acredito que na campanha de 2010 poderemos ter mais assassinatos decorrentes de disputas internas do PT, muito caixa 2 para financiar a campanha do candidato petista, e se o Serra ultrapassar este candidato nas pesquisas poderemos ter novos ataques do PCC em São Paulo e possivelmente do MST em todo o país; poderemos ter dinheiro venezuelano na campanha, e ainda veremos a força que terá a TV do Lula... Quem sabe o Lula não renuncia no último ano deixando a presidência para o Chinaglia, para se dedicar inteiramente à sua sucessão? Quem viver verá. Só tenho uma certeza, se o PT perder eles não entregarão o poder graciosamente.
12 janeiro 2008
A Justiça é Cega e Petista
Os servidores do Judiciário brincam que fazem concurso para juiz, mas tomam posse como deus. De fato, o Judiciário é um Poder extraordinariamente ineficiente e burocrático que paga remunerações excessivas. De acordo com a Agência Estado, o salário de Ellen Gracie, presidente do Supremo é 79% superior do que seu par americano, ou seja, US$ 326 mil dólares anuais em paridade de poder de compra, conversão feita pelo economista Júlio Brunet. Bem, isto nos dá uma idéia do absurdo dos salários oficiais, mas existem no âmbito do poder Judiciário os salários indiretos, os esquemas, as vendas de sentença e as sociedades ocultas em escritórios particulares.
Um amigo, outro dia, me contou um esquema que eu quase não acreditei. Tratava-se de um swap de netas, ou seja, um juiz casava-se com a neta de outro juiz para que a pensão permanecesse na família. Em estatais, por exemplo, pode haver o caso de que um escritório tenha que ter a participação oculta de alguns advogados da própria estatal, para que consiga ganhar a licitação para prestação de serviços. A Advocacia Geral da União costuma perder seus melhores talentos para os próprios escritórios contra os quais ela litiga. Muitas vezes o servidor não passa de um fiscal de um serviço prestado por um escritório privado com alto nível de especialização. De fato, é muito comum que se assine este trabalho como seu. O que diria Marx sobre esta exploração do trabalho promovida pela burguesia de Estado?
Mas talvez o pior Judiciário de todos seja a Justiça do Trabalho, pela qual o patrão é culpado até que prove o contrário. FHC bem que sonhou em exterminá-los mas eles estão aí fortes com seus companheiros. Se alguém tiver a curiosidade de entrar no Tribunal do Trabalho do Rio de Janeiro e tentar filtrar os processos pelos reclamantes, não conseguirá. Suponho que esta iniciativa tenha sido tomada para impedir que os futuros contratantes não possam identificar os empregados especializados em trabalhar alguns meses e depois entrar na Justiça contra os patrões. De fato, a Justiça do Trabalho inventou uma doutrina de desconsideração da pessoa jurídica, onde as pessoas que já fizeram parte de alguma sociedade podem ser executadas por uma sentença na qual esta sociedade tenha sido condenada, e não na proporção da sua responsabilidade na sociedade. Pior que isto, a Justiça dispõe de ferramentas hoje que permitem ao Juiz ordenar ao seu serventuário que, por meio de um convênio com o Banco Central, bloqueie os recursos iguais à totalidade da condenação em cada uma das contas que porventura possuam todos os sócios que já fizeram parte da sociedade condenada. Daí, fica para alguém provar que focinho de porco não é tomada.
Neste sentido, o advogado-geral da União, ministro José Antônio Dias Toffoli, ex-advogado de campanha de Lula e de José Dirceu, e futuramente juiz do Supremo, defende que a Imprensa não possa divulgar conversas telefônicas de investigações criminais, devendo os jornalistas serem responsabilizados criminalmente por invadirem a privacidade dos indivíduos. Por outro lado, ele coordena a elaboração de um famoso parecer de 300 páginas que, de acordo com artigo de Lilian Matsuura, intitulado as viúvas da CPMF, afirma:
“Em nome do combate à violência, o governo federal defende que todos os seus órgãos possam trocar informações disponíveis sobre o contribuinte. Foi o que defendeu o advogado-geral da União José Antônio Dias Toffoli em parecer preliminar apresentado em encontro do Enccla (Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro), em dezembro de 2007.
Segundo o advogado-geral, “essa troca de dados não configura quebra de sigilo, mas transferência dele”. E elas não aconteceriam de forma imotivada. Toffoli esclarece ainda que a controvérsia existe porque a Constituição Federal não tratou explicitamente do sigilo bancário ou fiscal em seu texto. Ela fala sobre sigilo de dados. E por isso dá margem a vários tipos de interpretação.
O parecer elaborado pela AGU está sendo analisado por diversos órgãos públicos que enviarão as suas sugestões e opiniões. A partir deles é que será feito um parecer definitivo. No primeiro trimestre de 2008 ele estará pronto, pelos cálculos do ministro Toffoli.”
O melhor é fazer o que os petistas aconselharam ao Duda Mendonça se ele quisesse receber, é melhor abrir uma conta no exterior ou então se juntar a horda dos mais de 100.000 brasileiros que entraram para o PT em 2007. Como já dizia o velho adágio popular: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles.” Quem sabe como membro não ganhamos um cargo no governo ou alguma imunidade contra os crescentes poderes do Estado. É melhor nos juntarmos à burguesia de Estado antes que seja tarde.
10 janeiro 2008
Os Professores Esquerdistas
Quem nunca teve um professor esquerdista? Acho que a minha primeira professora esquerdista foi de Organização Social e Política Brasileira, ainda no primário. Esta jovem casada com um empregado do Banco do Brasil estava lá para transformar em subversão a matéria criada pelos militares, supostamente para incentivar a ordem e o civismo. Acho que o mais recente professor esquerdista que tive foi na universidade; lá tive muitos. Como diz o ditado: “Quem sabe faz, quem não sabe, ensina.” Mas sejamos justos, o negativismo e o sadismo não se restringia aos professores esquerdistas.
Hoje, no site do PT, vi um artigo de um famoso professor marxista, o Emir Sader, a quem teria conhecido se ele não tivesse faltado ao evento da UFRJ em comemoração dos 70 anos da Revolução Russa. Ao escrever sobre o malfadado episódio dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o eminente intelectual da esquerda afirma que uma nova Colômbia é possível. Lá, segue o velho roteiro dos discursos universitários de críticas da esquerda:
1) Chama os americanos de estadunidenses. Isto é uma expressão geograficamente correta, que na prática se traduz em um jargão da esquerda;
2) Acusa Uribe de ser neoliberal como FHC e Fujimori;
3) Insinua que Uribe não é democrático por querer um terceiro mandato. Até parece que o Lulinha também não quer;
4) Acusa Uribe de oprimir os direitos da população no combate às FARC. Guerra Civil é difícil né, meu caro;
5) Acusa a grande mídia oligárquica por apoiá-lo. Não se preocupe, em breve a TV do Lula vai poder reduzir esta infâmia sofrida pela Esquerda e pelos movimentos populares nas mãos da TV Globo e similares, suponho;
6) Acusa Uribe por querer demonizar as FARC para se manter no poder;
7) Acusa Uribe de não querer trocar prisioneiros com a guerrilha. Detalhe: para ele não são seqüestrados, são prisioneiros. De fato, mostra no mínimo falta de consideração pelo processo democrático: o seqüestro de um candidato em campanha, como foi feito pelas FARC;
8) Acusa Uribe de afastar Chávez do processo por motivo secundário. Com certeza, qualquer um dormiria tranqüilo sabendo que o Chávez anda conversando com os seus generais;
9) Acusa a imprensa oligárquica de não querer o sucesso do processo: “A cobertura da imprensa brasileira é vergonhosa, sem que nenhuma publicação escrita tivesse mandado jornalistas para fazer a cobertura direta na Colômbia”;
10) Lá Hugo Chavez é tratado como herói: “Revelando seu compromisso conseqüente com a pacificação da Colômbia, primeiro passo para que uma outra Colômbia – sem violência, sem narcotráfico, sem paramilitares, sem seqüestros – seja possível, Hugo Chávez se dispõe a dar seqüência às tratativas, apelando inclusive a operações clandestinas, com o objetivo de conseguir a liberdade dos presos.”
Curiosamente, o professor Sader é réu condenado em processo de calúnia contra o senador Bornhausen. De acordo com a Wikipedia:
Emir Sader foi condenado à prisão em novembro de 2006, em regime aberto, além da perda da função pública por calúnia ao senador Jorge Bornhausen (DEM de Santa Catarina).
Após a declaração do presidente do DEM, há cerca de um ano, de que o Brasil precisava "livrar-se dessa raça", em referência ao Partido dos Trabalhadores e aos petistas, Emir Sader atribuiu a ele, em artigo no site Carta Maior, no dia 28 de agosto de 2005, a prática de “racismo”. Sader imputou ao senador discriminação aos "negros, pobres, sujos e brutos", intitulando-o de fascista.
Em primeira instância Sader foi condenado por injúria “à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída nos termos do artigo 44 do Código Penal por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução.”
Diz ainda a sentença: “Pelo disposto nos artigos 48 da Lei nº 5.250/67 e 92, inciso I, do Código Penal, considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, segundo os preceitos dos artigos 3º e 241, XIV, da Lei 10.261/68, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado.”
Em resposta à condenação judicial, que ainda não é definitiva, cabendo recurso, intelectuais encabeçados por Antônio Cândido fazem circular um abaixo-assinado contra a sentença, já com centenas de assinaturas.
Sustenta o manifesto que a decisão judicial afronta a liberdade de expressão, intimidando e criminalizando o pensamento crítico e a autonomia universitária. A sentença, continua o manifesto, transforma o agressor em vítima e em criminoso o defensor dos agredidos. O manifesto pode ser lido na íntegra na página Consciencia.net.”
Na minha opinião, o uso do poder simbólico de professor, que dá peso ao que é dito, também deve gerar responsabilidades e punições no caso do seu abuso.
Um dia, os jovens também serão libertados destes falsos profetas de utopias salvadoras da humanidade. Muitos deles não passam de desajustados e acovardados que nunca sairam da universidade. Um verdadeiro professor planta valores humanos e não utopias desumanas para as quais é necessário criar um novo homem que consiga vivê-las.
08 janeiro 2008
Unidos contra a liberdade
Segundo a jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci, uma das principais críticas do Islã na atualidade (falecida recentemente), a Igreja Católica, apesar de parecer alarmada diante do avanço muçulmano na Europa, dá inestimável apoio econômico e político a fanáticos islâmicos. Padres católicos batalharam arduamente pela implantação de um importante instituto islâmico de Paris, um centro de difusão de ódio ao ocidente, cujo diretor foi preso por estar ligado à Al Qaeda; padres dão abrigo a muçulmanos clandestinos e até financiam a construção de mesquitas.
O principal alvo do ódio islâmico não é o cristianismo. É a liberdade das mulheres, a liberdade sexual, o laicismo, a democracia, o sufrágio universal, os direitos humanos - tudo o que foi conquistado a duras penas nos últimos dois séculos, a despeito da fortíssima oposição dos líderes católicos, que na época gozavam de bastante poder terreno (o único que há). Revelador é o fato de que há grandes comunidades de cristãos na Síria, e em outros países árabes, que vivem em relativa harmonia com muçulmanos (comprovei-o pessoalmente). São atrasados, misóginos e supersticiosos, ao contrário dos europeus. O que mais incomoda os muçulmanos, mais uma vez, não é o cristianismo. A estratégia de alguns líderes católicos, portanto, é deixar que o islamismo faça o serviço sujo contra o laicismo e liberdade europeus, para depois se apresentarem como defensores dos valores ocidentais e ganharem poder em uma Europa cada vez mais acuada e dividida. Socialistas, não por coincidência, tendem a ser posicionar em favor dos muçulmanos em quaisquer questiúnculas. Estão juntos no anti-americanismo, no anti-capitalismo, no anti-consumismo. Falando nisso, quando não há Natal consumista, quando ricos não gastam com o supérfluo o ano inteiro, acaba faltando o essencial na mesa do pobre.
Os católicos, assim como os socialistas, costumam se posicionar ao lado dos palestinos, independentemente da situação. Porque eles também adoram os oprimidos, adoram mendigos em suas escadarias... O Vaticano costuma criticar as represálias de Israel, enquanto é relativamente tolerante com as ameaças dos extremistas palestinos. Faz pronunciamentos padrão, sem qualquer veemência, quando estes demonstram intolerância. O jornal do Papa, o Osservatore Romano, chegou a acusar os israelenses de extermínio! Recentemente, um bispo do Vaticano participou de manifestações contra Israel e em favor dos palestinos e, diante do microfone, (palavras de Oriana Fallaci) deu "graças, em nome de Deus, aos kamikazes que massacram os judeus nas pizzarias e supermercados, além de chamá-los de 'mártires que vão à morte como à uma festa'".
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Reportagem de Tom Heneghan, da Reuters, de dois anos atrás:
Absorvido o impacto dos ataques de 11 de setembro de 2001, alguns cardeais católicos da Europa querem conquistar os muçulmanos como aliados para uma ameaça a ambas religiões — a falta de religiosidade na vida moderna.
Os líderes da Igreja católica, hoje reunidos em Roma para eleger o sucessor do papa João Paulo 2o, expressaram preocupação com o Islã logo depois dos ataques contra Nova York e Washington em 2001, e chegaram a encarar o islamismo como um rival espiritual para o novo pontífice.
Mas agora muitos deles, incluindo vários papáveis, estão reforçando a necessidade de trabalhar com o mundo islâmico, e não contra ele. O islamismo é a segunda maior religião na Europa. Essa união, para eles, seria uma contribuição para a paz.
"Cristãos e muçulmanos que vivem juntos devem tentar se encontrar e dialogar para rebater os rumores de um choque de civilizações", disse recentemente o cardeal de Milão, Dionigi Tettamanzi, pedindo aos italianos que tentem conhecer melhor os muçulmanos.
Para o cardeal de Bruxelas Godfried Danneels, isso é ainda mais necessário por causa da crise da religiosidade. As igrejas se esvaziam cada vez mais na Europa, enquanto as pessoas se voltam para modas espirituais, para o secularismo ou simplesmente adotam a indiferença à fé.
"Só há uma coisa importante na Igreja e no mundo, e é manter viva a idéia de Deus e o caráter espiritual do ser humano e do mundo", afirmou ele na semana passada.
A Europa, reduto do cristianismo, hoje abriga cerca de 15 milhões de muçulmanos, cuja lealdade à crença deixa muitos líderes católicos com inveja. A militância islâmica incluiu o medo e a desconfiança nas relações com essa religião. Mas, para o cardeal de Veneza Angelo Scola, que acaba de lançar uma revista sobre a união entre cristãos e muçulmanos, será na Europa, onde as duas fés se opõem desde as Cruzadas, que ambas vão finalmente se entender.
O próprio papa João Paulo II. incentivou mais relações com o Islã e visitou uma mesquita de Damasco em 2001.
O cardeal de Londres Cormac Murphy-O'Connor acredita que há poucas oportunidades para realizar tal diálogo em países predominantemente muçulmanos, mas disse esperar que as inter-relações no Ocidente "cresçam e façam incursões" nos países islâmicos.
Essa opinião, porém, não é unânime. O cardeal Joseph Ratzinger, o fiscal doutrinário de João Paulo 2o., rejeitou no ano passado a idéia de a Turquia entrar na União Européia*, afirmando que o Islã era uma outra cultura, e que os turcos deveriam se agrupar com os árabes.
"É muito comum na Itália os padres citarem Oriana Fallaci", disse o padre Daniel Madigan, especialista em Islã da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, referindo-se à autora de best-sellers que criticam o Islã e os países árabes.
Para Dalil Boubakeur, chefe do Conselho Muçulmano Francês, que representa a maior comunidade islâmica da Europa, a visão conciliatória está se disseminando. "O Islã e a Igreja viram-se ambos defendendo a fé, o sagrado, as tradições e o respeito pelas estruturas", afirmou.
Ao mesmo tempo que busca mais diálogo, a Igreja tem falado mais abertamente sobre seus problemas com os muçulmanos, como a repressão religiosa em países como a Arábia Saudita.
* Observação: Logo após a declaração, Ratzinger visitou a Mesquita Azul (imagem que ilustra o post) em Istambul e declarou-se favorável à entrada da Turquia na União Européia. O ardiloso teocrata parece jogar dos dois lados. O que a Europa tem que fazer, de uma vez por todas, é manter as rédeas curtas das lideranças cristãs e sufocar as pretensões islâmicas com leis rígidas, proibir madrassas, expulsar mulás fanáticos, proibir o véu, o abominável som amplificado dos muezins, que perturba a paz, dispersar manifestações contra liberdade de imprensa, contra a democracia, etc.
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Oriana Fallaci: “La Fuerza de la Razón” (indicado pelo Janer Cristaldo)
Esta Iglesia Católica que, con el pretexto del ‘querámonos-bien’, no se limita a ejercer la Industria de la Beneficencia de la que ya he hablado. Es decir, la industria gracias a la cual a los inmigrados musulmanes los recibe cuando desenbarcan, los esconde en sus albergues, les procura asilo político y subsidios estatales, amén de bloquear sus expulsiones u obstaculizarlas… En Francia, por ejemplo, les cede incluso los conventos y las iglesias. Les construye incluso las mezquitas.
(En Clermont-Ferrand fue el proprio obispo Dardel el que cedió a los inmigrados musulmanes la gran capilla de las hermanas de San José, según cuenta Alexandre del Valle. Capilla que ellos transformaron inmediatamente en mezquita. En Asnières-sur-Seine fue la Congregación Católica la que vendió a los inmigrados musulmanes los edificios más bellos, edificios en los que ellos construyeron una mezquita con una Escuela Coránica vecina. En París fueron los sacerdotes Gilles Couvreur y Christian Delorm los que apoyaron la fundación del Instituto Cultural Islámico de Rue Tánger, instituto dirigido por el fundamentalista argelino Larbi Kechat, después arrestado por sus vínculos con Al-Qaeda. En Lyon fue el cardenal Decourtray el que mandó construir la Gran Mezquita…)
Esta Iglesia Católica que, en el fondo, está de acuerdo con el Islam porque los curas se entendien entre ellos. Esta Iglesia Católica sin cuyo imprimatur el Diálogo, perdón, el Monólogo Euro-Árabe no habría podido comenzar ni mantenerse durante ya más de treinta años. Esta Iglesia Católica sin la cual la islamización de Europa, la degeneración de Europa em Eurabia, nunca habría podido verificarse. Esta Iglesia Católica que calla incluso cuando el curcificado es ofendido, humillado, definido como un cadaverito desnudo, retirado de las aulas escolares o arrojado desde las ventanas de los hospitales. Que además calla sobre la poligamia y sobre el repudio y sobre la esclavitud. Porque en Islam la esclavitud no es una infamia que atañe a los tiempos pasados, señores del Vaticano.
07 janeiro 2008
O Santuário
Assim falou Nietzsche: “É claro, se pudéssemos de fato ver esses carolas e santos falsos, mesmo que apenas por um instante, a farsa seria posta a fim”.
O pequeno conto abaixo foi mal traduzido por mim a partir de uma tradução inglesa, que reproduzo ao final deste post. Se alguém souber corrigi-lo, não se faça de rogado.
O Santuário
O pai do mulá Nasrudin era o muito respeitado guardião de um santuário construído sobre o túmulo de um grande mestre, local de peregrinação que atraía tanto crédulos quanto buscadores da verdade.
Pelo curso natural dos eventos, era de se esperar que Nasrudin herdasse o posto do pai. Mas logo após seu décimo quinto aniversário, quando passou a ser considerado um homem, decidiu seguir a antiga máxima: “procure conhecimento, ainda que seja na China”.
“Eu não tentarei te impedir, meu filho”, disse seu pai. Então Nasrudin selou um jumento e deu início a suas viagens.
Visitou as terras do Egito e Babilônia, vagou pelo Deserto da Arábia, dirigiu-se para o norte, a Konya, Bocara, Samarcanda e à cordilheira do Hindu Kush, associando-se a dervixes e tendo sempre em vista o Extremo Oriente.
Nasrudin cruzava com grande esforço as cordilheiras de Caxemira, após um desvio pelo pequeno Tibet, quando seu jumento, vítima da atmosfera rarefeita e das privações, tombou e morreu.
Nasrudin foi tomado pela dor; o jumento havia sido a única companhia de suas jornadas, que já duravam doze anos ou mais. Com o coração partido, enterrou seu amigo e fez sobre o túmulo um pequeno monte de terra. Lá ficou em silenciosa meditação; sobre ele, grandiosas montanhas, e abaixo, velozes torrentes.
Os viajantes que tomavam a estrada entre a Índia e a Ásia Central, China e os santuários do Turquistão, passaram a observar a figura solitária, ora chorando a sua perda, ora com o olhar nos vales da Caxemira.
“Certamente aquele é o túmulo de um homem santo”, diziam uns aos outros; “e não de um qualquer, haja vista o modo como seu discípulo o pranteia. Tem estado aqui por meses e a dor pela sua perda não dá sinais de diminuir".
Um homem rico passou e, em um ato de devoção, ordenou que fossem erigidos um domo e um santuário no local. Outros peregrinos aplainaram o entorno montanhoso e plantaram sementes, cujos frutos destinavam-se a manter o santuário. A fama do dervixe em silencioso luto se espalhou, até que a notícia chegou ao pai de Nasrudin, que imediatamente seguiu em peregrinação ao local santificado. Quando viu Nasrudin, perguntou-lhe o que havia acontecido. Nasrudin contou-lhe tudo que se passara. O velho dervixe elevou perplexo suas mãos para o céu: “saiba, meu filho”, exclamou, “que o santuário onde foste criado, e que abandonaste, foi erguido exatamente da mesma maneira, por uma cadeia de eventos parecida, depois que meu próprio jumento morreu, há mais de trinta anos".
Fim
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Se fosse possível construir uma máquina que nos transportasse para qualquer época do passado, como meros observadores, e assim nos fosse dado acompanhar despercebidos à curta distância os principais eventos da História, incluídos os narrados nas páginas dos livros ditos sagrados, algo permaneceria de pé? Assistiríamos a épicos hollywoodianos ou a deprimentes espetáculos mambembes? Ficaríamos de queixo caído perante ornitorrincos migrando dezenas de milhares de quilômetros por terra e por mar para subir a rampa de uma gigantesca arca em um estaleiro no meio do deserto? Não.
Mas talvez ficaríamos empolgados com o heroísmo dos espartanos nas Termópilas, nos divertiríamos com um piti de Alexandre Magno, não acharíamos as Guerras Púnicas tão impressionantes, talvez porque não testemunharíamos elefantes africanos cruzando os Alpes...
Teríamos dificuldade em encontrar José e Maria em algum buraco da Galiléia. E se encontrássemos, acompanharíamos cada passo de Maria para nos certificarmos de que ela engravidaria virgem. Veríamos José, como bom barbudo de um Oriente Médio onde não havia televisão, seguidamente conhecendo biblicamente sua esposa. Ela não primaria pela beleza, seria tudo menos a ebúrnea Palas Atena dos altares cristãos. Viveriam em um local insalubre, cheio de moscas. José não lavaria as mãos antes de levar o pão ázimo à boca, perdida atrás de uma repugnante barba. Teriam vários filhos e não encontraríamos dificuldade em identificar qual deles haveria de ser o “príncipe da paz”. Seria talvez o mais estranho, aquele que não conseguiria lixar tão bem uma canga de bode quanto os outros irmãos. Ele preferiria jogar conversa fora com mágicos, prestidigitadores, viajantes e vagabundos a ter que trabalhar com seu pai.
Adiantaríamos uns anos no relógio da máquina e enfim veríamos o filho abandonar a casa dos pais aos trinta anos – algo que só seria visto novamente no final do século XX – e ainda por cima solteiro, sem nunca ter namorado. A partir daí, o veríamos arrebanhar sua “armata Brancaleone” em suas andanças pelas feias paisagens da Palestina. Riríamos de seus truques baratos e dos falsos paralíticos contratados para serem curados perante um povo ávido por milagres e por um messias que cumprisse as belas profecias de seus ancestrais.
Veríamos o galileu praguejar ao ser pregado na cruz, os discípulos subornando os guardas para recolherem do sepulcro seu corpo e então espalharem a “boa-nova” de sua “ressurreição”. Ou então simplesmente nunca encontraríamos Jesus algum. Talvez um jumento sob um montículo de terra.
Mas alguns feitos seriam confirmados, para espanto dos viajantes no tempo. A comprovação do miraculoso strike triplo de INRI Cristo em um boliche de Curitiba revigoraria a fé de milhões de neo-cristãos do século XXX, quando a tal máquina será inventada...
Ilustração: Montagem a partir destas quatro imagens: um burro, um pedestal, Basílica do Santo Sepulcro e mascote dos Democratas (dos EUA).
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Texto Original:
Mulla Nasrudin’s father was the highly-respected keeper of a shrine, the burial-place of a great teacher which was a place of pligrimage attracting the credulous and the Seekers After Truth alike.
In the usual course of events, Nasrudin could be expected to inherit this position. But soon after his fifteenth year, when he was considered to be a man, he decided to follow the ancient maxim: ‘Seek knowledge, even if it be in China.’
‘I will not try to prevent you, my son,’ said his father. So Nasrudin saddled a donkey and set off on his travels.
He visited the lands of Egypt and Babylon, roamed in the Arabian Desert, struck northward to Iconium, to Bokhara, Samarkand and the Hindu-Kush mountains, consorting with dervishes and always heading towards the farthest East.
Nasrudin was struggling across the mountain ranges in Kashmir after a detour through Little Tibet when, overcome by the rarefied atmosphere and privations, his donkey laid down and died.
Nasrudin was overcome with grief; for this was the only constant companion of his journeyings, which had covered a period of a dozen years or more. Heartbroken, he buried his friend and raised a simple mound over the grave. There he remained in silent meditation; the towering mountains above him, and the rushing torrents below.
Before very long people who were taking the mountain road between India and Central Asia, China and the shrines of Turkestan, observed this lonely figure: alternately weeping at his loss and gazing across the valleys of Kashmir.
‘This must indeed be the grave of a holy man,’ they said to one another; ‘and a man of no mean accomplishments, if his disciple mourns him thus. Why he has been here for many months, and his grief shows no sign of abating.’
Presently a rich man passed, and gave orders for a dome and shrine to be erected on the spot, as a pious act. Other pilgrims terraced the mountainside and planted crops whose produce went to he upkeep of the shrine. The fame of the Silent Mourning Dervish spread until Nasrudin’s father came to hear of it. He at once set off on a pilgrimage to the sanctified spot. When he saw Nasrudin he asked him what had happened. Nasrudin told him. The old dervish raised his hands in amazement:
‘Know, O my son,’ he exclaimed, ‘that the shrine where you were brought up and which you abandoned was raised in exactly the same manner, by a similar chain of events, when my own donkey died, over thirty years ago.
02 janeiro 2008
Forrest Gump, o Iluminado
Inteligência é algo superestimado. O filme Forrest Gump ilustra isto muito bem. Neste filme, temos um indivíduo com 75% do QI de um indivíduo "normal" e que faz coisas extraordinárias. Outro dia, conversando com uma amiga médica, ela dizia que a depressão de um lavrador é muito pior que a depressão de uma pessoa intelectualizada, porque o intelecto funciona de forma a sublimar este estado emocional.
De qualquer forma, se a pessoa não sofre de uma depressão profunda, talvez seja melhor não ter um intelecto muito desenvolvido. Uma característica básica de Forrest Gump é a sua capacidade de obedecer e o seu estado mental de ausência de dúvida. Ele seria um religioso perfeito, obediente e sem fraquejar em sua fé. Para completar, ele é bom.
Como diria o mestre Zen: “As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não te preocupes com o dedo que a aponta”. O intelecto entende, mas a compreensão é um produto da vivência. Alguém que lê sobre um assunto não tem a mesma compreensão que uma pessoa que o vivenciou.
Muitas pessoas dotadas de grandes intelectos acham que compreendem coisas que elas apenas "entendem". É uma ilusão de compreensão. Quando alguém acredita em uma ilusão e tem um intelecto desenvolvido, está pronto para testemunhar sobre algo que não compreende, ou seja, para mentir. E convenhamos, alguns mentem muito bem.
Qual é o propósito da vida? Entender ou compreender? No filme, temos uma personagem chamada Jenny, que deseja "experimentar" o que seria um caminho para se compreender. Infelizmente, ela está presa a um estado emocional que faz com ela tenha uma atração que ela mesma não compreende por tudo que pode ajudá-la a manter-se neste estado emocional familiar e deprimente, ou seja, passa a vida vivendo relacionamentos onde é abusada e rejeitando o herói, Forrest Gump.
Este é um dos pontos onde a razão falha. Ela funciona como um instrumento, como uma ferramenta para a satisfação de nossos desejos. Se estes não visarem o nosso bem, então a razão não nos servirá. E nos perderemos com ela. Como dizia o Forrest Gump: “Stupid is who stupid does”.
28 dezembro 2007
Socialismo é Inveja
O primeiro ato é basicamente o seguinte: um dirigente nacional do Partido controla a área cultural e é apaixonado por uma estrela de sucesso. Ela, apesar do nojo que ele lhe desperta, deixa-se ser explorada sexualmente para evitar que o tal chefão do Partido a ponha na lista negra. Ele, não satisfeito, decide usar a Stasi para espionar o namorado da estrela, que é escritor, a fim de encontrar alguma coisa que pudesse ser usada contra ele.
Assistindo ao filme você é levado a refletir sobre o fato de que algumas pessoas simplesmente brilham mais que outras. É um fato da natureza humana desejarmos o que os outros têm e nós não. Como lidar com isto? É difícil. Algumas crianças, por exemplo, costumam quebrar os brinquedos das outras antes mesmo de saber o significado da palavra inveja. Fico imaginando que em uma educação socialista se teria que enfraquecer o ego, uma maneira de se fazer isto talvez fosse não deixar que nenhuma criança desenvolvesse uma relação de pertencimento com nenhum brinquedo para evitar o perigoso pronome possessivo: “meu”.
De fato, o modelo socialista estatista, que é uma religião ainda professada por muitos petistas, se baseia na idéia de que a propriedade dos meios de produção por uma elite capitalista gera exploração. A solução para eles seria a expropriação pelo Estado destes fatores de produção. A partir daí, o Estado organizaria a produção. Já imaginaram como seria a economia planificada brasileira? A Direção Nacional do Partido procuraria acomodar os interesses regionais, das categorias, das panelinhas, dos setores dentro de uma grande roupagem do bem maior da pátria socialista brasileira.
Como diriam os meus amigos, estudiosos de Foucault, onde existe poder existe exploração e não será o desaparecimento do capitalismo que irá resolver isto. Como diriam ainda os weberianos, o estado e sua burocracia buscam os seus próprios interesses e dispõem de poder para isto, afinal, o Estado é poder. Além disso, a psicologia nos coloca mais um problema; um grande número de pessoas com características psicopáticas busca o poder, a ponto de que se você quiser achar um psicopata, busque alguém que exerça um cargo de poder que terá grandes chances de encontrá-lo.
Na complexa economia psíquica, o psicopata seria um sujeito cujos desejos não seriam reprimidos pelo superego, daí este indivíduo não teria culpa em mentir ou agir de forma a obter os seus desejos. A falta de compaixão e um relacionamento com os outros, e talvez consigo mesmo, com gozo associado ao poder, completaria o quadro perverso. Muitos destes perfis são muito carismáticos e quando se identificam com algum ideal, como o socialismo, conseguem anular completamente o superego e podem se entregar sem culpa ao narcisismo revolucionário.
Isto me faz lembrar daquelas estorinhas de criança nas quais temos um príncipe que antes de se tornar rei é obrigado a passar por inúmeras provas de caráter, e a ocupação da liderança é feita dentro de um espírito de serviço que deve ser cumprido. Infelizmente, os políticos que conhecemos querem o poder pelo poder, pelo gozo, afinal poder é melhor que Viagra. As mulheres inseguras, por exemplo, costumam ser péssimas chefes devido ao detalhismo que comumente se traduz em autoritarismo e obsessão pelo controle.
Para piorar, os psicopatas são invejosos, assim, o dirigente do Partido Comunista Alemão do filme precisa se satisfazer explorando sexualmente a estrela de teatro. Quando ele se vê privado momentaneamente de sua companhia, entra em uma depressão que a satisfação de ocupar o seu cargo não é capaz de preencher. É o socialismo da inveja.
26 dezembro 2007
Tio Arruda e os Petralhas
Recentemente, teve fim em Brasília um período de 16 anos de poder do pai Roriz, como é conhecido por alguns membros da comunidade de Samambaia. O PT lutou desesperadamente para sucedê-lo com a indicação de Arlete Sampaio, que apostava em uma divisão de votos entre Arruda e a candidata do Roriz, a que alguns se referem como "Maria Vadia". Arlete, com seu jeito truculento de fazer política, fracassou enquanto pessoas respeitadas pela esquerda ficaram isoladas em seu próprio campo, como Cristóvam Buarque e Augusto Carvalho. Aliás, o Luiz Estevão foi eleito pela insistência desta mulher em querer ser senadora, o que acabou por reduzir os votos de Augusto Carvalho e favorecer o verdadeiro rival. Mas o Senado não perdeu nada; ela seria mais uma Ideli Salvatti.
Roriz foi um grande populista que se elegeu doando lotes para a população de baixa renda enquanto fazia vista grossa para a grilagem de classe media, além de construir um monte de viadutos e gerar muitos negócios como o absurdamente caro e não terminado metrô de Brasília. Como eu dizia a uma amiga de Samambaia, a diferença entre o pai Roriz e o tio Arruda é que o primeiro é um coronelzão do século XIX que transformou a administração em cabide de emprego para seus cabos eleitorais e podia fazer reunião de família reunindo os seus secretários. O Arruda, por outro lado, inaugurou uma gestão que se propôs a sanear a maquina administrativa e a organizar o caos urbano do Distrito Federal.
É portanto com surpresa que lemos no site do PT um artigo da deputada distrital Érika Kokay se vangloriando da suposta baixa popularidade de Arruda. Aliás, esta deputada do PT responde a acusação do ex-empregado do seu gabinete, Geraldo Batista da Rocha Junior, de tê-lo usado como laranja do caixa 2 da campanha. Em suas palavras, a Erika diz:
“Os cortes no custeio da máquina pública, a demissão de servidores e a derrubada de barracos, longe de expressar austeridade fiscal ou rigor na aplicação da lei, desnudou a política privatista neoliberal do governo do Distrito Federal que minimiza o papel do Estado na condução das políticas públicas e valoriza, sobretudo, o papel do mercado na solução dos problemas econômicos e sociais. A confiança inicial do governador vem sendo substituída por preocupação ao ponto de assinar decreto "demitindo" o gerúndio dos atos oficiais, motivo de piada nacional, segundo a Folha de São Paulo.”
Esta Erika mostra seus preconceitos ideológicos decorrentes do pertencimento ao ramo estatista da esquerda. Esquece de dizer que a demissão de servidores não concursados, muitos dos quais cabos eleitorais ou decorrentes de clientelismo, foi uma medida necessária e benéfica para a população, que a derrubada de barracos também é necessária pois existem pessoas na fila para receber os lotes de acordo com critérios estabelecidos, e as áreas verdes da cidade não podem ser privatizadas por qualquer um. E quanto à privatização do BRB, é uma excelente idéia, considerando que recentemente o pai Roriz perdeu o mandato de senador por uma pequena maracutaia descoberta nas dependências deste banco. Como sindicalista da CEF deve ser impossível a ela defender esta posição.
Quem gosta de máquina administrativa inchada para colocar os companheiros do partido é o pai Roriz, ou então o PT, que precisa encostar os seus companheiros. É mesmo lamentável entrar no site da Erika e encontrar como mote a frase: “uma mulher de coragem”. Cá entre nós, a foto desta psicóloga dirigente nacional do PT lembra mesmo é a Rita Cadillac. Se bem que a Rita tem mais dignidade.
Foto: O Globo, melhorada pelo Pugnacitas. Aqui a imagem original.
19 dezembro 2007
A Visão Autoritária Petista
A visão autoritária deles contamina tudo. Arlindo Chinaglia, por exemplo, o presidente da Câmara do PT que fez carreira como presidente dos Sindicato dos Médicos, propôs a proibição de novos cursos de medicina para preservar os salários dos médicos buscando a redução da oferta. Aliás, projetos infames são com ele mesmo, que no início do ano negociou no Colégio de Líderes a votação de um projeto que previa a efetivação de servidores emprestados nos órgãos onde eles estivessem, ou seja, nunca na história deste país alguém teve o descaramento de propor um projeto tão favorável a todas aquelas figuras que estão ocupando cargos de confiança emprestados de uma prefeiturazinha qualquer e que poderiam passar a integrar o quadro da Câmara ou do Senado.
Uma das características do totalitarismo é a falta de separação entre o partido e o governo. Com eles, o governo do Brasil, que deveria pertencer a todos, se tornou a República dos Sindicalistas. Nunca se viu tantos sindicalistas encostados em cargos de confiança em gabinetes por aí. Outro dia, o ilustre senador Mercadante defendia a não prestação de contas do cartão de crédito corporativo da Presidência da República, alegando tratar-se de assunto de segurança nacional. Desde quando juntar os companheiros e pagar a conta em restaurantes de luxo é questão de segurança nacional?
É como foi comentado no blog: há que se fazer uma separação entre o discurso e a prática. O Niemeyer, por exemplo, (um hipotético acréscimo ao projeto do arquiteto centenário para o CN ilustra este post) é um comunista no discurso mas um capitalista na prática. Usufrui de todos os bens oferecidos pela sociedade consumista, participa dos esquemas e ainda se sai como um bom moço comunista que quer a igualdade. Na minha opinião, a unidade entre a prática e o discurso são essenciais. Outro dia, encontrei o Babá, aquele deputado do PSOL com cara de maluco, pegando ônibus e fiquei assustado. Afinal, podia estar diante de alguém que realmente era um socialista, assim como a Heloísa Helena, cuja declaração de renda é ridícula. O problema destas figuras é que elas têm um ar desvairado. Talvez seja melhor ficarmos com os hipócritas, que em sua mentira há alguma racionalidade, do que com sinceros como uma Heloísa Helena da vida.
Os hipócritas enganam, no máximo, alunos de universidade que acreditam nas suas baboseiras. Isto me faz lembrar de anos atrás em como fiquei impressionado com o José Genoíno falando em comícios; o cara tinha uma boa figura. Esta semana, vendo-o impávido defender a sua ignorância do Mensalão apesar de ser presidente do PT, foi algo perturbador.
Em 2010, se Deus quiser, ficaremos livres do Lula; já será um começo! E depois que venha a Dilma ou o Ciro Gomes e mostrem claramente aquilo que o Lula teima em disfarçar. Em um futuro distante, um bom critério para a escolha de um governante talvez fosse pegar alguém que não quisesse ocupar aquele cargo, alguém que fosse um bom filho, um bom pai, um bom patrão, um bom colega e que estivesse perfeitamente feliz em sua vida e não desejasse nada mais. Esta pessoa daria um bom governante. Por enquanto, devemos nos submeter aos ambiciosos.
15 dezembro 2007
De Volta a Bizâncio (ou: Idéias de Jerico)
E um carola Procurador-Geral da República, que deveria ter mais o que fazer, redigiu uma ação direta de inconstitucionalidade equivocada, para usar uma palavra caridosa. Aconteceu. Ah, Brasil, Brasil, minha pátria amada, idolatrada, salve, salve… o que não acontece por aqui?
Em 2005, o papalvo Cláudio Fonteles fez isso. Uma ADIn que atravancou as pesquisas com células-tronco embrionárias no país. Francamente, o cara tem que ter mingau na cabeça pra se sair com uma presepada dessas.
Raspada a conversa fiada, o trólóló, o “embasamento jurídico” e o burocratês, essa foi uma idéia de jerico, naturalmente. Por mais que ele esconda os pruridos religiosos por trás do que fez, travestidos com aquele papo de que está estritamente preso ao que a Constituição diz, que a proteção da vida, que o Direito, blá, blá, blá...
Certo, ele nunca vai admitir: “fiz isso por que a minha fé, minha crença…”. O que é tolo, mas algo revelador (no que deixa entrever um raciocínio moralista rastaqüera). E honesto, ao menos. Pode-se até dizer que, por “acaso”, a crença dele casou direitinho com a questão, com o “caso em tela”.
Se essa lontra não fosse tão irrefletida, tão inconsciente de si mesma, talvez tivesse parado por um minuto, se dando conta de duas coisas singelas:
1) ninguém pode parar o progresso tecnológico
2) no longo prazo, as células-tronco embrionárias (e não as adultas, nas quais os religiosos estão se agarrando por conveniência, sem nem mesmo uma idéia clara das diferenças entre elas e as embrionárias) e derivados vão curar ou reduzir drasticamente o estrago de várias doenças degenerativas, sem falar na possibilidade de se fabricar órgãos.
E isso só pra ficar na superfície.
Mas não adianta. O sujeito é incapaz de raciocinar, de pensar por um instante além de seu mundinho besta e vidinha idem. Sua cabeça não vai além da Palavra Revelada na Sagrada Escritura, edição autorizada pela Santa Madre Igreja. Um cara limitado, enfim, por mais respeitado, cheio de títulos e o que mais seja ou tenha. Um cara que segura na mão do padre, enquanto com a outra redige uma excrescência.
Pela mão do pároco, o cara joga para a platéia, faz o seu acting, o seu show, mas é claro — e mais uma vez — sempre podendo argumentar que não é nada disso, antes muito pelo contrário, que só está cumprindo seu dever profissional, de procurador, cidadão consciente, sei lá. O bom cristão. O pior idiota sempre é o mais consciente.
Não é à toa que o mesmo pessoal se dedique com tanto afinco para impedir a legalização do aborto de anencéfalos. Deve ser a Mãe Natureza, o instinto de autopreservação lhes dizendo: “preservem os seus”…
E olha que estamos num Estado laico… mas nem falemos nisso, já que nosso laicismo ainda é cotó demais. Vai levar mais umas décadas (séculos?) para a mentalidade de sacristia desinfetar de nosso “inconsciente coletivo”. Se desinfetar. Imagino que ele realmente acredita no que diz, que seja mesmo um crente pio. Gente assim é importante para a Igreja, para toda religião. É útil. A força do bom-mocismo desses inocentes úteis não pode ser menosprezada. E dá ibope viver se indignando com as injustiças do mundo, sempre bestificado com o que acontece — e, não vamos nos esquecer, sempre por uma “boa” causa, com aquele ar grave, sério, a cara de compungido.
Em última análise, porém, no grande esquema das coisas, ele não passa disso, de uma ovelhinha prestativa. Bonitinha, mas ordinária. Os bestificados, depois de um tempo, só servem para isso: se bestificar. Sua pose, o teatrinho vulgar que nem sabem que estão fazendo, já que acreditam no que dizem, é a regra.
Tudo isso é muito cansativo. O bom é a gente saber das coisas, o que entre outras coisas nos torna impermeáveis a surpresas, decepções e até algumas desilusões maiores. Essa prostração bovina, essa ausência do pensar por conta própria, de pensamento, ponto — que afinal é o que nos torna seres humanos completos, gente, no sentido mais amplo da palavra (eu sei, eu sei, a maioria da humanidade nunca chega nesse estágio, fica lá no de blástula, por falar nisso, mas estou falando dos 2% que sabem das coisas, que salvam, que “redimem” um pouquinho a espécie) — esse rastejamento todo é deprimente.
Sem falar na sensação de vácuo, de falta de receptividade, quando escrevo sobre essas coisas. Sobre qualquer coisa, aliás. Quantas vezes, dizendo o que me parece o óbvio, não fui tomado por uma vontade irresistível de silenciar, de cair fora, porque consciente da futilidade do que escrevo, pelo fato de que quem concorda comigo já sabe do que estou falando, enquanto quem discorda nunca vai me entender - muitos nem saberão, porque vivem na indiferença primitiva, minimalista, da sociedade brasileira, ou estão de tal forma esmagados pelo trabalho braçal, que enfrentam sem preparo físico, que nem sequer sonham que uma vida melhor é possível.
Mas as coisas mudam, felizmente. Talvez nesse caso mude rápido, acho bem provável que o Supremo derrube a ADIn.
O engraçado é que, depois da presepada, talvez vendo o tamanho dela, o lobby clerical catou uns cientistas não sei de onde e veio com um catálogo de conversa mole. Cada dia é uma. A última, a reboque da própria Ciência (a séria), foi a de que andaram fazendo progresso por aí com células adultas. Ok, nada contra, mas estas nunca terão o potencial das embrionárias, por uma penca de motivos.
Depois — e o mais divertido — ainda acharam que podiam pegar emprestado da filosofia uma questão jamais resolvida, e quem sabe até dar um jeito nela: o início da vida. Para mim, outra idéia de jerico, cortesia, “geração espontânea”, da idéia de jerico inicial. Às vezes se tem a impressão de que voltamos a Bizâncio: logo vamos discutir o sexo dos anjos, a essência da Santíssima Trindade e excentricidades metafísicas mil.
A vida começa… bem, vocês escolhem. Podem dizer que ela começa no zigoto, no rabinho do espermatozóide, no átomo da mitocôndria… A convenção católica, por exemplo, diz que ela começa na concepção. Ninguém sabe quando ou onde ela começa. A meu ver, os religiosos se deram mal na audiência pública (acho que eu e outros cinco assistiram a ela quase toda na TV Justiça) feita pelo STF sobre o assunto. Insistiram nessa estaca zero, tinham que fincá-la de alguma maneira, dizendo “a vida começa aqui, ó”. Terminaram dando voltas e se perdendo.
Mas tudo bem. O homem não cria problemas que não possa resolver. Não acho que o mundo vá regredir para alguma forma de bestialismo medieval um dia, apesar dos tropeços. Nem que tudo vá acabar em besteira generalizada ou em pseudointelectualismo, como achava um Ortega Y Gasset. Há saídas, estreitas, mas seguras e claras, dessa porcaria toda.
Se já armaram essa briga toda por causa das CTEs, imagino o que não vão armar quando começarem a clonar gente no futuro distante. Quem sabe, quando estivermos clonando gente como pãezinhos na padaria e torcendo o DNA à vontade, os incompreendidos e malvados caras de jaleco branco não aproveitam pra dar uma melhoradinha na espécie. Se alguém reclamar, podem dizer, como o Millôr, que eugenia é só uma forma científica de se ter filhos mais bonitos.