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20 janeiro 2010

Remake de Pocahontas



Lemos no excelente blog Que Treta!: "Há uns dias fui ver o remake da Pocahontas que o James Cameron realizou. Está bem divertido. Talvez para evitar problemas de copyright com a Disney, ele mudou os nomes dos personagens, usou peles-azuis em vez de peles-vermelhas e naves em vez de barcos. Mas manteve-se fiel à história. A Avó Salgueiro estava tal e qual."

Também tenho minhas comparações:

Star Wars e Os Três Mosqueteiros

O episódio IV de Star Wars, o clássico, possui muitos ingredientes análogos a Os Três Mosqueteiros de Dumas.
O aprendiz D’Artagnan (Luke Skywalker) aspira ser mosqueteiro (jedi), monta um cavalo velho amarelo (uma nave velha) e acaba recrutado para servir a rainha (Princesa Leia) com o auxílio dos inteligentes e gaiatos Athos e Aramis (Hans Solo), do bruto Portos (Chewbacca) e dos histriões porém prestativos escudeiros Bazin, Planchet, Mousqueton e Grimaud (C-3PO e R2-D2).
Luta contra Rochefort, o homem da cicatriz (Darth Vader, cujo rosto é desfigurado), braço direito do Cardeal de Richelieu (Imperador Palpatine). Rochefort torna-se amigo de D’Artagnan (na seqüência de Os Três Mosqueteiros) e expira em seus braços, como Darth Vader, que morre nos braços de Luke.
A história de Dumas não peca pelo maniqueísmo, e o protagonista acaba se vendendo para o Cardeal em troca de um posto de capitão. Isto após Richelieu autorizar (involuntariamente) Milady, a sedutora vilã, a assassinar Constance Bonacieux, adúltera amante de D’Artagnan, casada com o velhaco Sr. Bonacieux...


Rei Leão e Hamlet.

O pai é morto por um tirano que usurpa o trono. O filho foge mas o fantasma do pai conta o que aconteceu de fato e o compele a retornar para reclamar a coroa e se vingar. Possui dois amigos, Rosencrantz e Guildenstern, o facócero e o suricato.

Temos ainda AI e Pinóquio, O Patinho Feio e Sabrina, e várias outras.

O Superman (Returns) e Crônicas de Narnia aludem claramente à Paixão de Cristo. Em Matrix há referências ao Jesus da Nova Aliança (o messias Neo, novo), a João Batista (o profeta Morpheus, que reconhece o messias), à ressurreição, à predestinação, à busca pela Terra Prometida (Zion), à trindade (Trinity).

No caso do Superman, ele é flagelado pelos sequazes de Luthor, salva a humanidade e, muito fraco, abre os braços no espaço como se estivesse crucificado. É levado ao hospital e ressuscita. Quem primeiro testemunha a cama vazia (sepultura vazia) é uma mulher piedosa, que chora santas lágrimas... O leão gay de Narnia morre pelo menino pecador e ressuscita para combater o mal.

Quando o personagem tem a possibilidade de ressuscitar, como a Trinity, o Coiote do Papa-Léguas e outros clientes da ACME que caem de precipícios e engolem dinamites de pavio aceso, a coisa perde a graça. Como acontece na mitologia cristã, onde Jesus deixa-se matar sabendo que vencerá a morte, voltará a viver. Qual é a graça? Sacrificar-se assim, até eu!

Evangelhos e Branca de Neve

O melhor remake da famosa história da carochinha "A vida de Jesus" é Branca de Neve e os Sete Anões. A rainha má ordena a execução de Branca de Neve após o espelho mágico lhe informar que a inocente enteada é a mais bela de todo mundo.
O malvado Herodes ordena a execução de Jesus (matança dos inocentes) após os Reis Magos lhe informarem que o predestinado será um rei mais poderoso do que ele.

Mas há diferenças:

- Branca de Neve é salva e foge para um bosque, onde encontra sete anões e os ensina a ser justos, limpos e organizados.
- Jesus é salvo e seus pais o conduzem ao Egito. Após um tempo reúne doze apóstolos e os ensina a ser vagabundos (olhai os lírios do campo), injustos (expulsa vendilhões a chicotadas, arruína suinocultores, amaldiçoa a figueira), e desorganizados.

- Os anões trabalham arduamente no ramo da mineração.
- Os apóstolos são vagabundos, vivem de esmolas, confiam na providência, aquela mesma que nos deu Mussolini (palavras de Pio XI) e Stalin (Palavras do Patriarca George).

- A bruxa mata Branca de Neve e os anões arriscam a vida para salvá-la.
- Os fariseus matam Jesus e os apóstolos fogem com a cauda peluda metida entre as pernas.

- Branca de Neve ressuscita ao ser beijada por um príncipe encantado.
- O corpo roxo e inchado de Jesus é subtraído do sepulcro pelos apóstolos enquanto as sentinelas romanas contam a propina.

10 fevereiro 2008

Eu sou a lenda

O filme, muito elogiado por críticos como Isabela Boscov, da Veja, e por jornalecos e blogs de cristãos - nestes casos pela semelhança com as histórias da Arca de Noé e do sacrifício de Jesus, e também por manter vivos nos crentes seus desejos escatológicos (éschatos) -, parte da interessante visão de uma Nova Iorque deserta aparentemente habitada por apenas um homem e uma cadela, para terminar como um filme B de zumbis-vampiros alucinados por carne e sangue humanos.

O filme começa em flashback. Dra. Krippin – nome que lembra Dr. Crippen, um monstro do início do séc. XX, o que não pareceu incomodar Emma Thompson – anuncia em um programa televisivo, sem muito entusiasmo, ter descoberto a cura para o câncer.

Will Smith disse recentemente, perante solidéus erguidos por cabelos arrepiados: "Até Hitler não acordava dizendo: 'deixe-me fazer a coisa mais malévola que é possível fazer hoje'. Eu acho que ele acordava de manhã e, usando uma lógica invertida, tentava fazer o que pensava ser o 'bem'".

Também com a melhor das intenções - a de livrar a humanidade do câncer -, Dra. Krippin cria sem querer um vírus que se alastra pelo ar e pelo contato, que ou mata, ou não faz nada, ou transforma os infectados – mesmo os cachorros - em zumbis-vampiros doidos por carne e sangue de humanos sadios, em bestas-feras dotadas de força extraordinária, capazes de escalar prédios com a rapidez do homem-aranha, mas sem muita inteligência e vulneráveis à luz do dia, porque os raios UV os matam em instantes (maldito vírus); sobe até fumacinha de seus corpos pelados, pálidos e translúcidos, se não tomarem cuidado (usem filtro solar, lhes diria o Pedro Bial). A perda de pêlos é um efeito colateral esperado em vários tratamentos de câncer; até aí nada de mais. Mas este é um vírus impressionante. Ao invés de debilitar o corpo ele o dota de poderes inimagináveis, apenas ao custo de redução de inteligência. No filme, os católicos deixam de ser os únicos canibais hematófagos do séc. XXI. Como sabemos, católicos literalmente comem carne humana aos domingos – pelo menos é no que acreditam.

A ciência, em sua sanha de desafiar Deus, é a grande responsável pelos males da humanidade. Não fossem os homens tão curiosos, não teriam mordido o fruto proibido e ainda viveriam no paraíso; não fossem tão audazes, não teriam construído a Torre de Babel e assim despertado a ira de Javé, que violou os seus cérebros ao neles implantar idiomas diferentes do hebraico, o único que existia até então, visando boicotar suas aspirações, dispersar aqueles que estavam unidos, confundir aqueles que se entendiam, aniquilar seu potencial.

Gênesis, 11: “Toda a terra tinha uma só língua, e servia-se das mesmas palavras. Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. E disseram uns aos outros: ‘Vamos, façamos tijolos e cozamo-los no fogo.’ Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa. Depois disseram: ‘Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra.’
Mas o senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos dos homens. ‘Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua: se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos. Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro.
Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade. Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a terra.”

Em sua famosa apologia da vadiagem, Jesus diz:

“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”

Dra. Krippin tenta adicionar alguns côvados além dos incontáveis já acrescentados à duração da vida humana pela torpe medicina, ciência de pagãos que ousam se preocupar com o amanhã. Cirurgias, antibióticos, vacinas? Torres de Babel que só causaram confusão, só prolongaram o sofrimento nesta falsa vida, só retardaram o grande encontro com o estilista dos lírios, na verdadeira vida. “Don't worry about the things”, ouve-se pela voz de Bob Marley a todo momento, no filme; esqueçamos da ciência e confiemos na providência, caso contrário perderemos nossas almas e viraremos seres das trevas, zumbis-vampiros malditos.

02 janeiro 2008

Forrest Gump, o Iluminado

Inteligência é algo superestimado. O filme Forrest Gump ilustra isto muito bem. Neste filme, temos um indivíduo com 75% do QI de um indivíduo "normal" e que faz coisas extraordinárias. Outro dia, conversando com uma amiga médica, ela dizia que a depressão de um lavrador é muito pior que a depressão de uma pessoa intelectualizada, porque o intelecto funciona de forma a sublimar este estado emocional.


De qualquer forma, se a pessoa não sofre de uma depressão profunda, talvez seja melhor não ter um intelecto muito desenvolvido. Uma característica básica de Forrest Gump é a sua capacidade de obedecer e o seu estado mental de ausência de dúvida. Ele seria um religioso perfeito, obediente e sem fraquejar em sua fé. Para completar, ele é bom.

Como diria o mestre Zen: “As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não te preocupes com o dedo que a aponta”. O intelecto entende, mas a compreensão é um produto da vivência. Alguém que lê sobre um assunto não tem a mesma compreensão que uma pessoa que o vivenciou.

Muitas pessoas dotadas de grandes intelectos acham que compreendem coisas que elas apenas "entendem". É uma ilusão de compreensão. Quando alguém acredita em uma ilusão e tem um intelecto desenvolvido, está pronto para testemunhar sobre algo que não compreende, ou seja, para mentir. E convenhamos, alguns mentem muito bem.

Qual é o propósito da vida? Entender ou compreender? No filme, temos uma personagem chamada Jenny, que deseja "experimentar" o que seria um caminho para se compreender. Infelizmente, ela está presa a um estado emocional que faz com ela tenha uma atração que ela mesma não compreende por tudo que pode ajudá-la a manter-se neste estado emocional familiar e deprimente, ou seja, passa a vida vivendo relacionamentos onde é abusada e rejeitando o herói, Forrest Gump.

Este é um dos pontos onde a razão falha. Ela funciona como um instrumento, como uma ferramenta para a satisfação de nossos desejos. Se estes não visarem o nosso bem, então a razão não nos servirá. E nos perderemos com ela. Como dizia o Forrest Gump: “Stupid is who stupid does”.

15 outubro 2007

"01, manda subir!"

"Vai ficar todo mundo quietinho aí! Todo mundo quietinho! Ninguém sobe!" (Capitão Nascimento, o novo herói por vias tortas nacional, para um grupo de PMs na subida do morro)

E não sobem mesmo. Podem até resmungar, mas PMs comuns não sobem o morro junto com o BOPE.

Na abertura, uma citação que diz mais ou menos o seguinte: não é o caráter que determina as condições de um homem, mas, sim, o contexto social em que ele vive. Mais ou menos isso. Muita gente não deve ter gostado. Para mim, por mais forte e bem construído o caráter, o meio às vezes pode passar por cima dele e virar tudo do avesso. Não é fatalismo, mas fatalidades acontecem, e nem por isso o raciocínio geral precisa ser fatalista. Isso exige a compreensão de certas nuances, claro. Quem vê e lê as coisas nas entrelinhas as pega, as nuances, sem problema.

Excelente história (a gente sai com gostinho de quero mais, pena que dificilmente venham a fazer uma seqüência), boas seqüências de ação e táticas de combate assustadoras. Esperava ver mais cenas assim, se bem que os ataques furtivos dos caras são show...

Cruzaram bem as vidas, os “destinos”, pra quem acredita nessas coisas, do Capitão Nascimento e dos dois “aspiras”, jovens e inexperientes, mas íntegros, PMs. Aliás, dois atores ótimos.

Violento, porém sabendo que não apareceu o pior. Quase chegou lá. Nem poderiam mesmo mostrar certas coisas que as polícias do Rio e de São Paulo fazem. Talvez o livro conte mais.

Sobre a violência do treinamento. Alguma violência funciona e é necessária, só que nem todos os grupos de elite fazem assim. Muitos não fazem absolutamente nada disso, nem pensar. Em muitos deles o treinamento em si é tão massacrante que simplesmente não há necessidade de espancamento e humilhações. Claro que isso varia muito de país para país, mas não é a norma, por exemplo, no Special Air Service, o SAS inglês. Mas é — a brutalidade — nos Spetsnaz russos. Depende. A mim me parece uma questão cultural, de cultura militar, de tradições guerreiras, chamem como quiserem.

Não estou querendo sugerir que os britânicos sejam um “doce”, enquanto os russos são, bem, os russos. Antes muito pelo contrário... Mas um treinamento não precisa de violência, física ou psicológica, para ser cruel. Sempre há outros meios. Poderia citar outras unidades de elite menos conhecidas e seus métodos, mas a lista é longa, vamos ficar por aqui. O que interessa é que o treinamento desses caras é ainda mais pesado e diversificado, mais voltado para resistência e sobrevivência, além de coleta de informações/espionagem, assassinato, seqüestros, atentados, demolições, reconhecimento, guerra convencional e irregular, enfim, tudo. Diferente do BOPE do Rio, sem dúvida.

O que não quer dizer que o BOPE seja inferior. Fazem intercâmbio com alguns grupos estrangeiros até. Mas estamos falando de guerrilha urbana, de polícias de elite, nada a ver com grupos militares de elite. No entanto, em matéria de infiltração e furtividade, surpresa, o BOPE é dez. Por outro lado, treina unidades militares estrangeiras, nesses particulares, nesse ambiente, não só forças policiais de fora. Eis a grande diferença. Além do que, no Brasil há outros grupos assim, policiais e militares, nunca sequer mencionados. Bem, o BOPE existe desde 1978, a guerra nos morros do Rio é antiga e ele só ficou famoso agora, não?

Eles chegam a escalar paredões, encostas, cientes de que os traficantes não esperam um ataque naquela direção. Acho que dá pra ver isso numa cena. Tudo para não perder o elemento surpresa. Acredito no oficial do grupo que, sob anonimato, disse que há muito mais que não foi mostrado no filme. E imagino que não foram só técnicas de tortura, mas de combate, de guerra, que ficaram de fora. Ainda assim, o que foi mostrado é bem legal: táticas de assalto silenciosas, rápidas, letais e, claro, o tiro de precisão dos snipers.

Destaque para a cena em que pegam um traficante, que pede para não ser “finalizado” com um tiro no rosto, para sair bem no enterro. O oficial do BOPE não só ignora o pedido como pega um rifle de repetição calibre 12, antes de passar essa execução para um colega. Não poderia haver estrago maior do que o causado por essa arma...

Mas não é só tiros, não. Expõe a corrupção generalizada e arrasa com a classe média e média alta. O melhor, a meu ver.

Sabem, não tenho raiva nem (muita, he, he) inveja de um Luciano Huck, digamos - esse membro da "elite branca" atacado pela própria, bem como por supostos representantes dos "excluídos" (não existem mais pobres, sabiam?) depois daquela entrevista, do roubo do Rolex. Independente do que cada um pense dele, razão ele tem em ficar com medo e revoltado. E a gente em ficar preocupado. Afinal, isso pode acontecer com qualquer um de nós. Não sei, por exemplo, se o Luciano Huck realmente faz o que diz que faz pelas crianças carentes, com tanta dedicação, por meio de uma ONG numa favela. Imagino que sim, que faça. Bom, não acho que essa seja a questão, nem vou entrar nesse assunto agora.

O fato é que parte dessa elite retratada no filme — só se for elite do ponto de vista da renda, porque intelectualmente é uma negação — realmente é de dar nos nervos.

A parte da discussão universitária parece meio artificial, ensaiadinha demais, mas me lembrou tanto de certas aulas na faculdade... Aqueles universitários de direito fazendo o trabalhinho sobre Foucault. Ah, eu passei por isso. Repetidas vezes. Com 98% de semelhança. Tive que ler essa joça, entre outras. Os coleguinhas, quase todos exatamente como aqueles, tolos, alienados e, também quase todos, consciente ou inconscientemente, de esquerda ou “libertários contestadores do sistema”. Do livrinho chatóide do Foucault, aquele picareta “pós-moderno” francês, entrávamos nas lições de filosofia (risos) de Marilena Chauí. Li, voando, como um médium psicografando textos do Além, muitas piroquetagens modernosas importadas de Paris e da Alemanha. E o discurso em academês do professor? Perfeito.

Só faltou o BOPE entrar em sala de aula. Aquela linguagem seca, o “01, manda descer!”, dentro da faculdade, já pensou?

Dentro disso tudo, a melhor frase foi a do policial para a ex-namorada: "Não se preocupe com seus amigos seqüestrados: os traficantes têm consciência social." Não tinham, lógico, e deu no que deu.

Depois de salvar dois PMs encurralados num morro, o Capitão Nascimento olha para eles e pergunta: “Os Srs. estão feridos? Os Srs. são policiais? Pois agora os Srs. vão aprender a carregar corpo.” Pois é: ou você se corrompe ou finge que não é com você ou entra na guerra.

06 outubro 2007

Tropa de Elite

Amigos, Inimigos e Desconhecidos leitores do Pugnacitas, acabei de assistir a Tropa de Elite, o filme que está na capa da revista esquerdista e governista Carta Capital e simplesmente adorei. Tornou-se absolutamente imperativo uma edição especial do Pugnacitas. Quem nunca olhou para aquelas manifestações de maconheiros pacificistas vestidos de branco e não teve vontade de entrar numa delas distribuindo porrada naqueles hipócritas que financiam o tráfico de drogas?


O Wagner Moura é o melhor ator desta geração. A atuação dele no papel do capitão do BOPE dividido entre a família e o dever é genial. O retrato do Rio de Janeiro é absolutamente fidedigno. A corrupção presente nas menores coisas do dia a dia. O clientelismo que vem desde a Corte Imperial. As panelinhas e o mercado de troca de favores. Para os amigos, os favores, para os inimigos a lei.

Quem conhece o Rio de Janeiro sabe do seu baixíssimo nível de civilidade. Andando pelas ruas, quando se cruza com grupos de pessoas elas não abrem passagem, pelo contrário, quase passam por cima da gente. Mulheres com carrinhos de bebê são como ambulâncias para os pedestres, vão abrindo caminho. Em ambientes AA como clubes de montaria, não deixe o seu jornal desacompanhado pois poderá ser roubado por uma madame.

Meus amigos esquerdistas fãs de José Dirceu consideram a corrupção a suprema arma revolucionária. Para eles, Tropa de Elite é um filme reacionário, pró-tortura e contra os direitos humanos. Eles vêem a corrupção como a prova da inviabilidade da sociedade aberta, individualista e da democracia liberal. Nestas horas, eles se esquecem das tríades chinesas, das máfias russa e cubana, mas tudo bem.

Quando aquela criança de cinco anos foi arrastada por um grupo de criminosos menores de idade no Rio de Janeiro por algumas dezenas de metros durante o roubo do carro em que se encontrava eu não me esqueço das baboseiras ditas pelo Lula, que aquilo era um problema social e que a redução da maioridade penal não teria o apoio do PT. Isto foi bem enfatizado no Senado por Mercadante, que conseguiu enterrar a iniciativa dos Democratas de reduzir a maioridade penal para 16 anos.

Falando em esquerdistas, quem poderia se esquecer de Brizola, um dos mais espirituosos oradores que já vi, que era casado com a irmã de João Goulart? A partir dele, o Estado no Rio de Janeiro perdeu o controle das favelas com a sua política de proibir a policia de subir nos morror. Se bem que o Brizola, comparado a esses caras que estão aí, era mil vezes melhor. Ele e o Darcy Ribeiro pelo menos pensavam em dar educação para o povo, enquanto os companheiros do PT preferem distribuir esmolas. Concluindo, vamos ao lema de Tropa de Elite: “Caveira” ou uma outra frase ótima do filme: “senta o dedo”.

18 setembro 2007

Lições Hollywoodianas

Outro dia eu estava assistindo a Jornada nas Estrelas, a 18ª geração ou sei lá. Que saudades do capitão Kirk e do velho Spock. Neste episodio, a nova tripulação enfrentava uns tais Borgs, seres meio humanóides e meio máquinas cujas mentes estavam ligadas a uma rede chamada de "Coletividade". Não podia ser tão óbvio; os mocinhos estavam lutando contra um regime socialista e totalitário onde as individualidades haviam desaparecido! Que lição mais proveitosa para as criancinhas. Ali já estava presente o incentivo ao individualismo e o culto ao mérito, que encontra seu ápice nos super-heróis.

Falando neles, temos o Super-Homem, um extraterrestre de Kripton que acaba se tornando o melhor dos americanos. Existe um monte de Super-Homens nos EUA, estrangeiros literalmente vindos de lugares que os americanos nem imaginam onde ficam e que acabam se tornando o sal da terra da América. Muitos deles são filhos de elites de todo o mundo que não vêem possibilidades em seus países e acham que seus filhos terão mais oportunidades em um país que valorize o mérito e o esforço individual.

Os americanos são obcecados pelo sucesso. Tudo começa na escola, como já vimos em milhares de filmes de "High School". Aparentemente, na escola deles ocorre uma estratificação dos alunos em grupos definidos por suas habilidades. Temos os intelectuais, que amanhã podem ir trabalhar no Vale do Silício, as patricinhas, que podem ser tornar modelos, atrizes ou casar com homens ricos; temos os atletas, que podem se tornar jovens milionários; temos os debatedores, que podem vir a ser líderes de alguma coisa, políticos ou jornalistas. Mas o grande valor parece ser sempre o inconformismo com o grupo e a busca pela inovação. A necessidade de acreditar em si mesmo, não ser apenas mais um, de trabalhar e não ser um "loser".

Infelizmente, ninguém consegue ser tão especial e tão invencível exceto os Jason Bournes e o policial de Die Hard, que teve ter uns 8 litros de sangue no corpo. Afinal, são homens aparentemente normais que escondem uma determinação implacável e uma capacidade incrível de suportar a dor. Estes filmes são verdadeiras catarses. Curiosamente, são heróis solitários, livres da busca neurótica pela companheira perfeita.

Mais uma vez, tudo culpa de Hollywood. Ainda sou apaixonado pela Branca de Neve, embora hoje prefira a Trinity de Matrix; podemos revivê-las com um beijo. Considerando-se as balas perdidas de nossa perdida guerra civil, seria um boa habilidade de se ter em uma companheira... Esperar a perfeição em alguém é tão injusto quanto esperá-la em si mesmo. Como se depreende da Bíblia, a partir do simbolismo do pecado original, somos seres essencialmente falhos e destinados a não durar....dust in the wind.

A liberdade é o maior valor para os americanos e vale tudo em Hollywood para exaltá-la. Quantos filmes falando da Guerra da Independência e quão poucos sobre a conquista de metade do México. Quantos filmes sobre a paranóia do cidadão contra o Estado e suas elites políticas, que sempre conspiram pelo totalitarismo. Para eles é melhor morrer livre do que viver como um escravo. Em outros, é melhor morrer rico do que viver pobre...
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