10 fevereiro 2008

Sem ter o que dizer

Isto é mais sincero se o critério for o aumento da audiência.

Muito se fala da ignorância da periferia, dos "manos" que ostentam medalhões bregas com dourados da mesma forma que sua ignorância sobre quase tudo. Não acho que seja um estereótipo injusto, não. Mas, acho injusto que não se focalize igualmente outros 'ambientes' onde a ignorância aliada a um querer parecer cool não seja tão evidenciada quanto. Um bom exemplo do que digo se encontra nos programas "Saia Justa" da GNT e "GNT Fashion".

No primeiro temos um bando de mulheres querendo se passar por inteligentes, 'descoladas', modernas ou seja lá o que isso signifique. Quando as moças entrevistadoras se perdem por não terem o que dizer, é a parte mais interessante do programa. No segundo, hoje, pude assistir a um festival de besteirol que me arrancou sorrisos de escárnio, como há um bom tempo não conseguia.
No GNT Fashion de hoje:

- Você sabe o que é uma 'shopping bag'?

- Eu não uso 'shopping bag' - para, após uma série de comentários do porquê de sua não utilização, a mesma entrevistada arremata com um... "o que é uma 'shopping bag'?"

Segundo nossas experts em moda "ecologicamente correta", uma shopping bag é aquela bolsa grande para guardar todas as compras dispensando assim as sacolinhas de plástico que levam 200 anos para se decompor na natureza.

- Excelente idéia! - diz outra, extasiada com a informação reveladora que irá ajudar a "salvar o planeta".

200 ou 100 anos, já ouvi de tudo... Pouco importa na questão. O que importa é o simplismo na abordagem que tem o mérito de vender algo caro como "solução" pra qualquer coisa. Por que não uma sacola de feira com "bordados 'exclusivos' feitos em uma linha de produção fordista"?

Prefiro assistir ao Bruno no "Da Ali G Show", personagem de uma imaginária TV austríaca, um gay extremamente afetado que se apresenta como especialista em moda, dance music e mundo clubber, o da música 'bate-estaca'.

Em um de seus episódios entrevista um desenhista de moda e pergunta como faz para sua moda ser tão 'pesada'? Ao que o entrevistado argumenta que serve para as pessoas se aperceberem de sua 'densidade'.

Mais tarde indaga porque sua moda é tão 'leve'? Ao que o mesmo tipinho contempla que é para as pessoas 'se soltarem'... Perfeito!

'Bruno', um dos personagens interpretados pelo comediante britânico Sacha Baron Cohen

No mesmo programa GNT Fashion de hoje, outro estilista evoca a essência de sua moda baseada em quadrinhos de super-heróis para que o homem descubra seu 'homem imaginário'.

Prefiro o quadro do Bruno no Ali G

14 comentários:

André disse...

O GNT começou como um canal de cultura, com documentários e séries o dia todo. Até hoje passam algumas séries interessantes, mas é difícil. A programação era de alto nível. De uns anos pra cá, virou um canal 90% feminino. Só fala em relacionamentos, casamento, gravidez, filhos, culinária e mais culinária (tirando o Claude Troisgros e o Renato Machado, o resto é bobagem), moda, saúde alternativa e um monte de outras coisas alternativas. O Saia Justa é uma das piores coisas no canal, desde que começou. Todas as participantes, passadas e presentes, nunca disseram nada de mais. A única exceção foi a cantora Ana Carolina, mas ainda assim era fraca. Marisa Orth era uma retardada. Soninha, a vereadora do PT, é uma ingênua. Beth Lago e Maitê Proença são sonsas. Rita Lee era só uma maluca, está perdoada. E a Mônica Waldvogel se acha inteligente e sofisitcada, mas é burrinha e banal. Às vezes elas até se metem a discutir geopolítica e assuntos internacionais. É engraçado. De vez em quando recebem convidados, especialistas em várias áreas, que quase sempre ficam incomodados com a burrice delas. Com menos freqüência, políticos. Nas últimas eleições, entrevistaram os principais candidatos, ou no mínimo dois (Ciro Gomes e Alckmin), pq acho q o Lula não foi, ele evita jornalistas o máximo possível. Aliás, ele deve morrer de medo da Marília Gabriela, que é inteligente. As moças do Saia Justa também entrevistaram o Serra uma vez. As entrevistas eram desastrosas, pois elas faziam perguntas muito primárias e não entendiam as sutilezas e nuances dos assuntos todos, nem do mundo em geral (bom, é assim mesmo nos programas normais, quando não há um entrevistado). Nada é simples, nada é preto no branco, tudo é complexo, exige conhecimento, discernimento e uma mente aberta. Por isso há tantos palpiteiros e tolos arrogantes na tv e na internet. Focas amestradas, em última análise.

Raphael disse...

Tem o Manhattan Connection – que preferia na época do Paulo Francis, apesar de ter pegado pouco desse tempo -, uma das poucas coisas ainda boas no GNT além do programa do Renato Machado. Também vi um pouco de uma série chamada Weeds, mas não deu pra saber se é boa ou ruim.

Espero que a programação das TVs por assinatura não nivele com a aberta. Estão tentando passar um lei que, se bem me lembro, vai obrigar que tanto por cento dos canais das TVs por assinatura sejam nacionais e outros tanto por cento da programação dos internacionais seja também nacional.

A GNT vai exibir um documentário sobre o Michael Moore que parece ser bom. Algumas coisas boas, poucas, ela ainda tem.

a.h disse...

O Manhattan Connection é bom, tinha me esquecido. Mas, no geral, o canal se salva pelos programas importados. E por falar em documentário, tem um ótimo filme que quase chega a ser um passando na HBO, 'O Caminho para o 11 de Setembro' que talvez já tenham visto.

Essa Mônica Waldvogel me irrita muito. Prefiro ver uma Kelly K ou qualquer outra burrinha a uma metida a inteligente. Agora, a Marília Gabriela, realmente é uma exceção à regra.

...

Êi! Alguém pode me dar uma dica de como publicar o texto do jeito padrão aqui, sem ter que postá-lo por inteiro?

Raphael disse...

Anselmo, se você ler isso a tempo, assista Manhattan Connection hoje. Sua querida Beth lago vai substituir o Mainardi. Isso vai ser... diferente.

Raphael disse...

E, acabo de ver, ao que parece o Mainardi vai substituir a Fernanda Young no Irritando Fernanda Young. isso vai ser também... diferente.

Angel disse...

Sem querer defender as mulheres do programa Saia Justa, seria interessante fazer uma análise despretenciosa, mas nem por isso menos profícua. Dado o nível de conscientização (político, economico e social) feminino da mulher brasileira, e porque não, do cidadão em geral, penso que o programa cumpre com eficiência e simplicidade essa necessidade que a mulher tem de se expressar, opinar e ser ouvida, mesmo que para isso, tenha que vestir a fantasia de "descolada", mas "antenada" com a realidade que a cerca. Dos poucos programas como esse, da GNT, que assisti, vi mulheres com idéias inovadoras e participativas, o que pode ser um exemplo a ser seguido pelas demais.
É claro que os interesses femininos e assuntos abordados ( saúde, relacionamentos, casamento, gravides, filhos, etc ) são menos excitantes [rs] e diferenciados aos olhos dos interesses masculinos ( futebol, mulher e política ). Mas enfim, acho muito importante essa aproximação, pois serve de exercício para uma maior conscientização feminina em todos os aspectos. Em busca de seu espaço, é evidente que as mulheres estão amadurecendo, no aspecto racional. E é importante que os assuntos, sejam eles quais forem, sejam colocados em pauta, para serem debatidos, comentados e refletidos. É essa experiência positiva que precisamos ter: a de sermos reconhecidas pelo que temos dentro das nossas cabeças, e não pela beleza explorada pela mídia. Nesse aspecto, prefiro sem sombra de dúvidas, a minha Saia bem Justa.

Ps 1- Quem não adora o Manhattan Connection ?

Ps 2- Vocês se esqueceram da Artista Plástica e Filósofa, Márcia Tiburi. Não sei se ela ainda participa do quadro, mas acho suas participações excelentes.

Catellius disse...

Uau! Quatro bons artigos em um único dia. O negócio está ficando bom por aqui, he he he.

Todas as mulheres do Saia Justa "se acham". Maitê Proença não vale nada, irrita-me a estupidez da Luana Piovani e aquelas sanfonas nos cantos da boca toda vez que ri (acho que ela saiu do programa), a merda da Mônica Waldvogel e aquela sua boca de coringa, a enfadonha Betty Lago...

Quanto ao Manhattan Connection, gosto do programa. Acho que tem muita propaganda, aqueles takes de Nova Iorque ao som de algum jazz ou de alguma musiquinha de fundo de Sex and the City são um saco, acho que eles falam muita água e o Mainardi, o mais engraçado, quase não aparece. Apesar de tudo, gosto do programa.

Catellius disse...

Angel,

"Vocês se esqueceram da Artista Plástica e Filósofa, Márcia Tiburi. Não sei se ela ainda participa do quadro, mas acho suas participações excelentes."

Lembrei-me dela. Concordo com você. Gosto de muita coisa que ela fala.

Raphael disse...

Angel, eu gostava da Márcia Tiburi na época que ela fazia o Café Filosófico, na Cultura. Todo dia de manha, antes de ir pra escola, ligava a TV pra ver se ela estava por lá. Depois que ela foi para o Saio Justa, não sei o porquê, perdi o interesse.

a.h disse...

Pois hoje não consigo mais, Raphael. Passei o dia assistindo a programação da Fox, do qual sou fã. Já viste 'My name is Earl', o redneck que tem uma lista pra se livrar de seu karma?

Raphael disse...

Tenta assistir a reprise do Irritando Fernada Young com o Mainardi, Anselmo. Foi bem informal. Eles mostraram umas gravações do Diogo durante os intervalos do Manhattan. O programa valeu boas risadas.

Já vi o “My name is Earl”. A Fox tá com uma boa programação, essa nova série Dexter, parece ser boa também.

André disse...

O Manhattan Connection com o Francis era perfeito, todos aquels anos durante os 90, muito bom.

http://www.youtube.com/results?search_query=paulo+francis&page=1

Me esqueci de duas: mais uma que se salva, a Márica Tiburi, e a burrinha Luana Piovanni.

A Mônica Waldvogel parece mesmo o Coringa. E a Cicarelli parece ainda mais.

“Acho que tem muita propaganda, aqueles takes de Nova Iorque ao som de algum jazz ou de alguma musiquinha de fundo de Sex and the City são um saco, acho que eles falam muita água e o Mainardi, o mais engraçado, quase não aparece. Apesar de tudo, gosto do programa.”

Na época do Francis o Lucas Mendes não tinha essa obsessão toda com o tempo. Hoje o programa dura 45 minutos e olhe lá. Muita propaganda, esses takes pedantes e sempre que qualquer um deles coemça a falar algo interessante ou o assunto engrena/esquenta, lá vem o Lucas Mendes pra fazer um corte pq o tempo está acabando. Parece até consulta médica ou psicológica, onde em no máximo 50 minutos o médico já está enxotando vc pra fora do consultório, pouco importando se tudo já foi feito ou se vc ainda tem alguma dúvida.

'My name is Earl' é legal. Gosto da loirinha white trash e da mulher latina do amigo do Earl. E as histórias são engraçadas.

Morena Flor disse...

"Em busca de seu espaço, é evidente que as mulheres estão amadurecendo, no aspecto racional."

Como assim, angel?

;)

Catellius disse...

"Muita propaganda, esses takes pedantes e sempre que qualquer um deles coemça a falar algo interessante ou o assunto engrena/esquenta, lá vem o Lucas Mendes pra fazer um corte pq o tempo está acabando. Parece até consulta médica ou psicológica, onde em no máximo 50 minutos o médico já está enxotando vc pra fora do consultório, pouco importando se tudo já foi feito ou se vc ainda tem alguma dúvida."

Ha ha ha ha!
Ótimo, André!

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