25 fevereiro 2008

Putin, o Czar da Rússia

Com o fim da União Soviética, a Rússia decidiu aderir ao capitalismo. As máfias existentes em seu país se aliaram a antigos burocratas do partido para privatizar os principais ativos e deixar o povo na miséria. Este processo expoliatório fez o PIB russo encolher mais de 50%, superando as perdas sofridas na Segunda Guerra Mundial. Para completar, o país era governando por um alcoólatra, em processo de perda das faculdades mentais. O último ato de Boris Ieltsin foi nomear um ex-oficial da KGB para assumir o seu cargo.

Vladímir Vladímirovitch Putin foi diretor para assuntos externos da KGB até 1991, passando a diretor de política externa de Ieltsin em 1996 e principal ministro em 1999. Assumiu como presidente interino e foi eleito presidente da Federação da Rússia em 2000. Desde que chegou à presidência, 13 jornalistas que faziam oposição a seu regime foram eliminados, já viram que lá jornalista chato não tem vez.

Com o aumento do preço do petróleo, a partir de 2000 e com uma política de nacionalização de ativos, Putin conseguiu iniciar a retomada da economia russa e começar a colocar a União Européia em uma posição de grave dependência de seu gás.

De acordo com Robert Amsterdã, a estratégia russa está muito ligado à sua estatal de gás, a Gazprom, cujo presidente, Dmitry Mdvedev, deverá ser o futuro presidente da Rússia, enquanto o próprio Putin deverá ser o próximo presidente da Gazprom.

“A estratégia da Gazprom apóia-se em três táticas: cooptação - cultivando parcerias com determinados países, líderes políticos e companhias, como alavancas de seus interesses; preempção - usando as mais altas esferas de poder e a diplomacia russa para manipular condições de mercado e arrebanhar ativos; e desagregação - cindindo a UE mediante acordos bilaterais.”

Na União Européia, a Rússia usa sua parceria preferencial com a Alemanha para dividir os interesses dos países europeus, usando e abusando de acordos bilaterais. A concorrência iraniana é dificultada pela própria ação americana, que reduz a capacidade de investimento daquele país. Quanto à Ucrânia, recentemente a Rússia cortou o fornecimento de energia devido ao povo ter eleito um governo considerado não alinhado aos interesses russos.

Enfim, a poderosa Shell teve investimentos multibilionários expropriados por meio de intimidação, enquanto empresas privadas do país sofrem pressão de uma coalizão de mafiosos, ex-agentes da KGB e de agentes do governo, que obriga os concorrentes da Gazprom a buscar parcerias com a gigante estatal.

Por fim, no plano da política externa, a Gazprom mostra ambição em ampliar a sua influência por meio da troca de ativos com a Argélia, uma das maiores produtoras de gás do mundo. Com isto, a influência russa poderia ser estendida a todo o planeta. Os Estados Unidos, tentam incentivar a Turquia e as ex-repúblicas soviéticas a montar suas próprias infra-estruturas de fornecimento, mas até o momento a política russa tem triunfando.

10 comentários:

Catellius disse...

Heitor, peguei a imagem do Putin que você inseriu e fiz uma montagem com a do Nicolau II. Foi às pressas mas acho que ficou engraçado.

Abraços

Catellius disse...

Imagem de Nicolau II a partir da qual foi feita a montagem.

Excelente atuação de Putin em Harry Potter, he he.

Heitor Abranches disse...

Excelente imagem Catellius....como sempre.

André disse...

Gostei da foto.

O que aconteceu naquela época foi puro roubo, travestido de capitalismo. Mas as máfias não tiveram muita participação nesse processo.

Putin continuará mandando. Medvedev é bom, competente, inteligente, mas não manda. E há outros também.

“A concorrência iraniana é dificultada pela própria ação americana, que reduz a capacidade de investimento daquele país.”

Que concorrência iraniana? E capacidade de investimento de quem?

“Quanto à Ucrânia, recentemente a Rússia cortou o fornecimento de energia devido ao povo ter eleito um governo considerado não alinhado aos interesses russos.”

Esse governo já caiu e voltou várias vezes nos últimos três anos. O corte foi feito pq a Ucrânia começou a desviar gás para uso próprio e para dar um susto nos europeus.

Não só a Shell, a ExxonMobil também teve investimentos bilionários expropriados. A Gazprom não entra com nada, nunca. Espera que outros invistam, construam e paguem todas as contas. A concorrente dela, a Rosneft, faz o mesmo.

“enquanto empresas privadas do país sofrem pressão de uma coalizão de mafiosos, ex-agentes da KGB e de agentes do governo, que obriga os concorrentes da Gazprom a buscar parcerias com a gigante estatal”

Isso acontece, mas não por causa da Gazprom. A Gazprom não precisa disso para intimidar a concorrência, ela simplesmente a compra.

“a Gazprom mostra ambição em ampliar a sua influência por meio da troca de ativos com a Argélia, uma das maiores produtoras de gás do mundo. Com isto, a influência russa poderia ser extendida a todo o planeta.”

Nem tanto. Manteria a Europa dependente por mais alguns anos, e só.

O real perigo para os russos na Ásia Central é a China.

E o local a se observar agora é o Kosovo.

André disse...

Em detalhes (desculpe pelo tamanho, Heitor, fique à vontade para copiar esses links e apagar esse comment se quiser):

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/05/putin-the-beginning/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/19/the-asymmetry-of-perceptions-just-perfect/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/01/the-russia-problem/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/05/peter-zeihan-a-great-analyst-from-stratfor-on-russia/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/03/the-coming-era-of-russias-dark-rider/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/19/the-asian-playground/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/01/a-natural-gas-cartel/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/21/a-natural-gas-cartel-2/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/21/kosovo-will-russia-react/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/21/kosovo-putin-and-lukashenko/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/21/kosovo-putin-and-lukashenko-2/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/22/the-unraveling-of-a-new-russian-policy/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/11/dmitry-medvedev-at-school/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/03/russia-power-struggles/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/02/russia-2005/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/02/the-past-ukraine/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/02/the-past-ukraine-2/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/18/the-past-russia%c2%b4s-imperatives/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/18/the-past-changes-in-russia/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/18/the-past-russia-and-reality/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/18/the-past-russia-and-the-andropov-doctrine/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/05/central-asia/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/03/china-vs-russia-in-central-asia/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/16/gaming-the-five-stans-2006/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/13/about-russian-energy-and-oligarchs/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/28/battleground/

Anônimo disse...

Dmitri Medvedev leva a Belgrado gás e apoio russo
Data: 25 de fevereiro de 2008
primeiro vice-primeiro-ministro russo assinou, ontem, em Belgrado, um importante acordo de cooperação entre a Gazprom russa e a Sérviagaz e manifestou o apoio de Moscovo à unidade da Sérvia.
contrato entre as duas empresas prevê a construção de parte do gasoduto Corrente do Sul nas regiões meridionais da Sérvia, de um reservatório subterrâneo na província setentrional da Voevodina, bem como a aquisição pela Gazprom da maioria das acções da petrolífera pública sérvia NIS.
Nas reuniões com o Presidente e o primeiro-ministro sérvios, respectivamente Boris Tadic e Vojislav Kostunica, Dmitri Medvedev reafirmou a posição de Moscovo de apoio à "Sérvia una".
Kostunica, por seu turno, sublinhou que a Sérvia e a Rússia irão continuar a lutar na ONU com vista a revogar a decisão do Kosovo de proclamar a independência.

a.h disse...

Bom texto, Heitor. Bem didático. Custo a lembrar o nome de toda essa gente. Até agora não memorizei o do presidente da Gazprom...

Quanto a isto aqui:


“A estratégia da Gazprom apóia-se em três táticas: cooptação - cultivando parcerias com determinados países, líderes políticos e companhias, como alavancas de seus interesses; preempção - usando as mais altas esferas de poder e a diplomacia russa para manipular condições de mercado e arrebanhar ativos; e desagregação - cindindo a UE mediante acordos bilaterais.”


Uma pergunta, onde foi publicado? Pois fiquei com uma dúvida, "cultivar parcerias" não é, necessariamente, cooptação, certo? Veja que não defendo a política russa, apenas quero entender melhor um caso e outro.

E gostei de saber dos acordos bilaterais, pois esta é uma das principais críticas de antiamericanistas aos EUA em relação à Alca. Como um acordo geral não sai, eles (os americanos) são vistos como tirando vantagem da situação ao firmarem tais acordos com Chile, Peru e América Central. Ou seja, quando se trata de uma possível integração na América torna-se fácil encontrar comentários desfavoráveis na internet, mas já quando se trata da política externa russa em relação à UE, a coisa muda de figura. Jornalismo brasileiro...

E só uma pequena discordância, não exageraste um pouco ao falar da influência russa "a todo o planeta" a partir dos acordos com a Argélia?

Abs,

a.h

Heitor Abranches disse...

A Gazprom tem como meta se tornar uma empresa de US$ 1 trilhão de dólares...

A matéria foi publicada no Valor.

Hoje, ela vale US$ 303 bilhões de dólares.

A Argélia é o maior produtor de gás liquefeito de petróleo e é um grande abastecedor da Europa.

Acho que a Gazprom está querendo cercar os europeus.

Se eu fosse eles, punha logo os russos para dentro da União Européia antes que dê problema.

Heitor Abranches disse...

Rússia, Irã, Argélia e Catar retomam consultas sobre "Opep do gás"
Data: 27 de fevereiro de 2008
Rússia, Irã, Argélia e Catar retomaram as consultas para a criação de uma "Opep do gás", iniciativa à qual se opõem os países importadores, afirmou hoje Gholam-Reza Ansari, embaixador iraniano em Moscou.
Os países exportadores mantêm conversas e consultas sobre a criação de uma estrutura similar à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Trata-se de Irã, Rússia, Argélia e Catar", afirmou o diplomata à agência "Interfax".
O Irã espera que "o resultado desses contatos seja a criação de tal organização" à imagem e semelhança da Opep, acrescentou.
Confiamos em que a criação dessa organização traga benefícios tanto para os países exportadores como importadores e permita o uso efetivo dos hidrocarbonetos", disse.
Quanto à possibilidade de que a nova organização se negue a utilizar o dólar como moeda de troca,
embaixador iraniano afirmou que essa questão ainda não está na agenda das conversas.
"Naturalmente, um dos assuntos aos quais se dedicará essa organização será a venda de gás no mercado mundial. No entanto, me parece que a prioridade é sua estrutura", disse.
O líder supremo da República Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, propôs em janeiro de 2007 ao secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Igor Ivanov, a criação de uma nova organização para coordenar os preços do gás no mercado internacional.
Posteriormente, durante sua entrevista coletiva anual no Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin, qualificou de "interessante" a idéia e negou que se tratasse de criar "uma espécie de cartel".
Na mesma linha, o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, assegurou que a idéia "merece ser examinada e discutida com todos os interessados".
Caso seja criada, a organização nasceria no marco do Fórum de Países Exportadores de Gás, que garante a estabilidade das provisões desde sua criação, em 2001.
Os membros do fórum - Rússia, Irã, Argélia, Indonésia, Brunei, Turcomenistão, Malásia, Nigéria, Catar e Omã - possuem 70% das reservas mundiais de gás e controlam 42% do hidrocarboneto que se comercializa todos os anos no mundo.
O ministro do Petróleo e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, já expressou seu pleno apoio à iniciativa.
A Venezuela formou no ano passado com Argentina e Bolívia a Organização de Países Produtores e Exportadores de Gás da América do Sul (Oppegasur) para "regular os preços" e conseguir tarifas "justas".
Os países importadores, especialmente a União Européia e os Estados Unidos, temem que a nova organização siga o mesmo caminho que a Opep tomou em 1973, ano em que os produtores de petróleo começaram a ditar as condições da produção e os preços do petróleo em nível internacional.
Segundo alguns analistas, a criação de uma "Opep do gás" é pouco viável, se for levado em conta que os contratos para a provisão do gás são sempre a longo prazo, o que dificulta a manipulação de preços.

a.h disse...

Heitor,
Eu ignorava estas informações.
Grato,

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