06 fevereiro 2008

As FARC e o MST

O que as FARC e o MST tem em comum? As FARC nasceram em 1964 como braço militar do Partido Comunista da Colombia e se consideram uma organização bolivariana, enquanto o MST deve o seu surgimento à Igreja da Teologia da Libertação com a instalação da Comissão Pastoral da Terra em 1975, embora seu primeiro encontro tenha ocorrido em 1984, em Cascavel no Paraná. Hoje, as FARC estão presentes em 40% do território colombiano e no Brasil, e o MST está presente em 23 estados brasileiros.

Esta tradição de luta revolucionária a partir do campesinato vem de Mao, que contrariou a orientação leninista de insurreição a partir do operariado urbano. Com o massacre das tropas comunistas em 1927 teve início a Grande Marcha para o noroeste, que se estendeu por 10.000 km escapando do cerco do Kuomitang.

Após a derrota japonesa, a estratégia de Mao visava a tomada revolucionária do poder. “O poder está na ponta do fuzil.” A China contava com 500 milhões de camponeses e com dois milênios de tradição de lutas entre camponeses, as quais Mao soube capitalizar. Nas palavras de Mao: “Eles quebrarão todas as cadeias e se lançarão na via da sua libertação (...). Temos de nos pôr a frente dos camponeses e dirigi-los”.

Esta estratégia de guerra revolucionária que prevê a conquista das cidades a partir do campo teve em Mao o seu grande teórico. “Quando o inimigo avança, nós recuamos; quando inimigo pára, fustigamo-lo; quando o inimigo cansa, atacamos; quando o inimigo recua; nós o perseguimos.”

Na América Latina, tivemos a Revolução Cubana, cujo modelo Marrighella queria ter seguido contra os militares no Brasil. A persistência do núcleo revolucionário castrista sobreviveu à fracassada tentativa de tomada do quartel de Moncada e ao fracasso do desembarque do Granma mas teve sucesso na Sierra Maestra. Com a chamada estratégia de foco, os dozes discípulos de Castro sublevaram as massas camponesas, conquistaram as pequenas cidades, depois as médias e com greves gerais e propaganda acabaram chegando à capital. De fato, Fidel negava ser marxista até então.

Guevara tentou repetir a estratégia na Bolívia, imaginando que os Andes seriam a nova Sierra Maestra, para fomentar uma revolução bolivariana. Morto Guevara, tivemos o extinto Sendero Luminoso no Peru e as FARC, que sobrevive com seqüestros e tráfico de drogas e agora ganhou novo impulso com o apoio venezuelano em armas e facilitação de escoamento de suas drogas para a Europa.

A versão brasileira destes movimentos seria o MST, cuja estratégia de tomada de propriedades por multidões torna ineficaz a identificação de responsáveis ou a resistência considerando que na zona rural não existem forças policiais anti-motim. De qualquer forma, é um grupo já bastante doutrinado que amanhã pode ser a base de um exército revolucionário popular que terá amplo apoio de nossos vizinhos - as FARC e o exército venezuelano. Permanece, portanto, como uma ameaca pairando sobre a sociedade aberta e a democracia brasileiras, coisa aliás que o quebra-quebra no Congresso ilustra bem.

2 comentários:

Heitor Abranches disse...

Uma boa analise da crise financeira mundial

VIVEMOS A PIOR TORMENTA DESDE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ! George Soros.A crise financeira mundial tem muitas causas. A maior, acreditar que os mercadospodem funcionar sem qualquer regulamentação.A crise financeira, desatada pelo colapso da borbulha imobiliária nos EstadosUnidos, assinala o fim de uma era de expansão creditícia baseada no dólarcomo moeda de reserva internacional. É uma tormenta muito maior do que qualqueroutra ocorrida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.Para entender o que está sucedendo, necessitamos de um novo paradigma. Podemosencontrá-lo na teoria da reflexividade, que propus pela primeira vez há 20anos em meu livro ?A Alquimia das Finanças?. A teoria sustenta que os mercadosfinanceiros não tendem ao equilíbrio. As opiniões trocadas e os erros conceituaisentre os participantes do mercado introduzem a incerteza e a imprevisibilidadenão apenas nos preços do mercado, mas também nos princípios por eles refletidos.Quando ficam a seu livre arbítrio, os mercados são proclives aos extremosde euforia e de desesperação.Para dizer a verdade, por sua potencial instabilidade, os mercados financeirosnão ficam em seu próprio arbítrio; estão a cargo de autoridades cuja tarefaconsiste em manter os excessos dentro de limites. Mas as autoridades tambémsão humanas e objeto de opiniões contraditórias e de erros conceituais. Os processos de bonança e de quebra normalmente giram em torno do créditoe sempre envolvem um preconceito ou um erro fundamental. A recente bonançanorte-americana é um exemplo.Mas s súper bonança de 60 anos é um caso mais complicado. Cada vez que aexpansão creditícia se defrontou com problemas, as autoridades financeirasintervieram, injetando liquidez e encontrando outras maneiras de estimulara economia. Isso criou um sistema de incentivos assimétricos que alentouuma expansão creditícia ainda maior. O sistema teve tanto êxito que a gentechegou a acreditar no que o ex presidente Ronald Reagan chamava de ?a magiado mercado" e eu denomino fundamentalismo do mercado.Os fundamentalistas acreditam que os mercados tendem ao equilibro e que amelhor maneira de satisfazer o interesse comum é permitindo aos participantesperseguir seus próprios interesses. Este é um erro conceitual óbvio, porquefoi a intervenção das autoridades que impediu os mercados financeiros decolapsarem, não os próprios mercados. De todos os modos, o fundamentalismode mercado surgiu como a ideologia dominante nos anos 80, quando os mercadosfinanceiros principiaram a globalizar-se e os Estados Unidos começaram ater um déficit em conta corrente. Desde 1980, as regulamentações relaxaram-se,até quase desaparecer.A globalização permitiu aos Estados Unidos sorverem a poupança do resto domundo e consumirem mais do que produziam e, assim, seu déficit em conta correntealcançou 6,2% do PIB em 2006. Os mercados financeiros estimularam os consumidoresa endividarem-se, introduzindo instrumentos cada vez mais sofisticados econdições mais generosas. As autoridades favoreceram e alentaram o processo,ao intervir cada vez que o sistema financeiros global estava em risco. A súper bonança fugiu do controle quando os novos produtos se tornaram tãocomplicados que as autoridades já não mais podiam calcular os riscos. Damesma maneira, as agência de qualificação se basearam em informação proporcionadapelos geradores de produtos sintéticos. Foi uma assombrosa abdicação de responsabilidades.Tudo que podia dar mal deu mal. O que principiou com hipotecas de alto riscose difundiu a todas as obrigações da dívida colateralizada, colocou em perigosas companhias de seguro e resseguro municipais e hipotecárias e ameaçou coma quebra o multimilionário mercado de cobertura por riscos creditícios. Oscompromissos dos bancos de investimento com as compras comprometidas se tornarampassivos. Os fundos de investimento, que operam em todos os mercados, terminaramnão operando em todos os mercados e tiveram de ser compensados.O golpe final se produziu quando o empréstimo interbancário, que está nocoração do sistema financeiro, se desastabilizou, porque os bancos tiveramde economizar seus recursos e já não puderam mais confiar em seus parceiros.Os bancos centrais tiveram de injetar uma quantidade inédita de dinheiroe estender o crédito a um limite de cauções sem precedentes e a um limitemais amplo de instituições como nunca antes.A expansão creditícia deve agora ser seguida por um período de contração,porque alguns dos novos instrumentos e práticas de crédito são defeituosose insustentáveis. Mais ainda, a capacidade das autoridades financeiras paraestimular a economia está restrita pela falta de vontade de o resto do mundoacumular reservas adicionais em dólares. Até há pouco tempo, os investidores pensavam que a Reserva Federal dos EstadosUnidos faria o possível para evitar uma recessão, porque isso foi o que fezem ocasiões anteriores. Agora, devem reconhecer que a FED talvez já não estejaem condições de fazê-lo.Se as taxas de juro baixam mais além de determinado ponto, o dólar voltariaa estar debaixo de uma nova pressão e os bônus de longo prazo subiriam emrendimento. É impossível determinar onde está esse ponto, mas quando elefor alcançado, a capacidade de o FED estimular a economia chegará a seu fim.iEmbora a recessão no mundo desenvolvido seja agora mais ou menos inevitável,China, Índia e alguns dos países produtores de petróleo estão numa contra-correntemuito forte.Em consequência, é menos provável que a atual crise financeira cause umarecessão global como um realinhamento radical da economia global, mas simuma queda relativa dos Estados Unidos e a ascensão da China e de outros paísesem desenvolvimento. O perigo é que as tensões políticas resultantes, entreas quais o protecionismo norte-americano, podem desestabilizar a economiaglobal e afundar o mundo numa recessão, ou algo ainda pior.

André disse...

Soros, sempre alarmista. A savings and loan crisis dos 80 e 90 foi muito pior do q a atual crise imobiliária subprime.

Vai haver recessão, o ciclo normal dentro do capitalismo, talvez seja um pouco mais dura do q o esperado, mas o mundo não vai acabar. Até a quebra da China, se realmente chegar a tanto, deve demorar.

Ah, e esse ano tem os Jogos Olímpicos lá, que legal... adoro as Olimpíadas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...