05 fevereiro 2008

A Geração 68: do anarquismo ao totalitarismo

A Geração 68 é um símbolo da ruptura dos jovens com os valores de seus pais. Isto é obviamente uma simplificação, afinal nos EUA e Europa estes jovens eram os “baby-boomers”, filhos da geração que viveu a Segunda Guerra Mundial. Uma geração sacrificada e traumatizada.

O grau do trauma sofrido por esta geração que nos EUA viveu a “golden age” da década de 50 e 60, pode ser medido pelo extraordinário sucesso da Roche e seus calmantes pioneiros que chegaram a faturar bilhões de dólares. Milhões de mulheres trabalhadoras voltaram a ser donas de casa com o fim da guerra e milhões de veteranos e sobreviventes precisavam viver com suas lembranças.

Seus filhos, a Geração de 68 foi simplesmente a realização do seu sintoma. A geração da paz, do amor, e das drogas ilegais que deveriam expandir a consciência. Hoje, em 2008, estão chegando na casa dos 60 anos. No Brasil, alguns membros desta geração que assumiram estes valores fundaram o PT e chegaram ao poder com Lula.

Diferente da paz e amor, a nossa Geração de 68 proto-petista pregava a Luta Armada seguindo o exemplo da Revolução Cubana, mas partilhava do feminismo e da revolução sexual com seus contemporâneos americanos e europeus, como podemos ver nas biografias de Dirceu, Marta e Mantega.

Há algum tempo assisti a uma entrevista do José Dirceu ao Roberto D’Ávila no qual falava de sua vida e de como a sua militância política começara. Segundo ele, tudo começou quando ele, um jovem e bonito aluno de direito da PUC/SP, organizou uma rebelião para que as turmas separadas de homens e mulheres passassem a ser mistas. Como disse uma vez o José Genoíno, enquanto ele trabalhava nos Congressos da UNE o Dirceu “passava o rodo”.

Há alguns anos, perambulando por um sebo, encontrei um livro organizado pelo Guido Mantega, então porta-voz dos economistas do PT, chamado Sexo e Poder. No artigo de Mantega “Sexo e Poder nas sociedades autoritárias: a face erótica da dominação” podemos ler: “...a construção do homem novo e a conquista da liberdade vão muito além da destruição do Estado capitalista.” Hoje, 30 anos depois, podemos nos arriscar a dizer que a Revolução Sexual e a erosão dos valores vitorianos não destruiu o capitalismo.Todos conhecem a outra expoente da sexualidade do PT paulista, a ministra do Turismo Marta “Relaxa e Goza” Suplicy. Ela é talvez a principal expoente feminista pela libertação sexual do partido, participando todos os anos da passeata dos GLBTS, embora, segundo seu filho Supla, não seria mais do que uma burguesinha se não fosse o seu pai, o ilustre senador Eduardo Suplicy.

Com a Dilma, o buraco é mais embaixo, esta senhora que foi uma “verdadeira subversiva” membro e uma das líderes da POLOP e COLINA. Planejadora do roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros foi presa e torturada entre 1970 e 1973. Hoje, é a feitora da Grande Senzala lulista. Quem já foi às reuniões com ela já ouviu o chicote estalar.

Apesar do Mensalão e tudo o mais, esta geração ainda continua mandando no PT e no governo. A Marta é a líder petista mais importante de São Paulo após o escândalo que queimou o Mercadante. O Mantega, contra todas as apostas e apesar de tudo continua ministro da Fazenda, talvez o mais insignificante desde o Mailson. E o Dirceu continua nas sombras desempenhando o que ele sabe fazer melhor.

Outro dia vi um artigo do Genoíno no qual propunha que, apesar do PT comandar o Executivo e este comandar o Legislativo, e nomear os membros do Judiciário, acreditava ele que cabia ao PT ter independência em relação ao governo. Isto é totalitarismo. Quando o partido que controla o governo pretende ser "independente" e ocupar o espaço da oposição, então teremos apenas uma voz a dominar o governo, o parlamento, o estado e a sociedade.

2 comentários:

Raphael disse...

Rs, gostei do Curriculum Vitae, você bolou aquilo? Esse pessoal do PT (ou que se aproximou do PT depois que este chegou ao poder) não amadureceu até hoje, Abranches. Li que o tal Temporão – que por ser ministro da saúde deveria ser mais responsável – acreditou piamente em tudo que viu no SICKO, documentário de Michael Moore. A Suplicy dá uma de Chavéz e regurgita besteirol latino-americano na Espanha. O Lula e o Dirceu não precisam nem ser comentados.

Acho que não dá para comparar Hitler e Lula. Hitler era capaz, extraordinário em seu poder de retórica e se comprometia realmente com tudo que fazia. Pena que não uosu nada disso para o bem.

Heitor Abranches disse...

O currículo é da desciclopedia...

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