11 abril 2016

Catelli - Fantasia em Ré menor para Orquestra


Maximizem o vídeo para acompanharem a partitura.

De baixo para cima:

Contrabaixos
Violoncelos
Violas
Violinos II
Violinos I
Tímpanos em ré e em lá
Trombones
Trompetes em Dó
Trompas em Fá
Fagotes
Clarinetes em Sib
Oboés
Flautas

Boa audição!

31 dezembro 2015

Júlia Romana


Júlia Romana. 40 x 80cm. 2015. Pintura acrílica sobre tela.
A modelo foi minha filha mais velha. Tela pintada em dez sessões ao som de Wagner, Meyerbeer, Weber e outros! Cliquem na imagem para ampliá-la.

21 maio 2014

Leitura sobre a mesa-redonda: Cidades Transnacionais

Segundo Marcelo Teixeira, doutorando em sociologia pela UnB, obras grandiosas assinadas por arquitetos como Zaha Hadid são verdadeiras máscaras de modernidade criadas para ditaduras se justificarem perante o mundo civilizado. "Urbanismo Transnacional" é como chama o processo de criação de cidades espetaculares que abrigam a arquitetura do espetáculo. Critica o fato de tais cidades serem todas parecidas, talvez como Cesareia e Palmira se assemelhavam a Roma, e de abrigarem obras de grande visibilidade e que superam limites técnicos, quem sabe como o Farol de Alexandria e o Colosso de Rodes, e, mais recentemente, a Torre Eiffel.

Ele organizou com Lucas Brasil uma mesa-redonda, na UnB, intitulada "Urbanismo Transnacional: Ásia, África, Brasília - Que conexões haveriam entre Dubai, Brasília, Singapura e Kinshasa?", da qual participaram importantes catedráticos cujos currículos, se enfileirados, dariam várias voltas ao redor da Terra. Na plateia havia alguns professores de arquitetura e funcionários de órgãos licenciadores e de planejamento urbano de Brasília, estudantes e arquitetos. A mesa-redonda foi sua tentativa de popularizar a teoria de que "o comprometimento com o neoliberalismo, em tese, traria mais legitimidade a regimes autoritários frente a uma comunidade internacional pós-Consenso de Washington" - nas suas palavras -, que corporações multinacionais de construção civil e investimentos imobiliários constroem destrambelhadamente cidades mundo afora, com apoio de bancos e governos, como estratégia "de acumulação de capital em curto prazo", e que o planejamento urbano, sob tais atores, "privatiza-se e pulveriza-se crescentemente, reduzindo poderes municipais e cidadãos em definir os rumos de suas cidades, cada vez mais decididos além das fronteiras nacionais e inseridos na 'racionalidade neoliberal' e pró-mercado". Neoliberal deve significar "qualidade daquilo que é atual, 'neo', e está em harmonia com o pensamento de Smith, Mises e Friedman", ou um mero sinônimo de "Satanás". A fina flor da arquitetura mundial, como Norman Foster e Daniel Libeskind, seria o selo-modernidade de que os governos e corporações imobiliárias necessitariam para dar à determinada cidade um status global, como ocorreu com a ditadura de Bilbau, na Espanha, que se perpetuou no poder após contratar Frank Gehry para o projeto-espetáculo do museu Guggenheim.

Destarte, na sua tese, os governos ditatoriais, controladores e centralizadores por definição, pulverizam os poderes de seu país em definir o rumo de suas cidades, mesmo as criadas "ex nihilo", do nada, usam o urbanismo transnacional para mascararem o caráter plenipotenciário de suas ditaduras, onde tudo pertence ao estado há décadas, como na China, privatizando o país em nome de uma "racionalidade neoliberal". É o fortalecimento do Estado mediante o enfraquecimento do Estado, em prol da iniciativa privada, algo até hoje impensável. E assim nunca mais veremos a beleza daquelas centenas de milhões de camponeses famintos na China pós-Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung. E o modelo agora chega à África, preocupa-se Teixeira, e as corporações imobiliárias construirão, no lugar das ocas graciosas e modestas em cuja proximidade se podia expor a poética magreza humana em fotos preto e brancas de engajados como Sebastião Salgado, odiosos arranha-céus de vidro cingidos por lagos contornados por tamareiras, idênticos aos de Singapura, Xangai, e Dubai. A tese culmina no alerta de que, via GDF, a sombra desse grupo sem rosto acerca-se de Brasília, apesar de ela não ter relevância econômica mundial, de o Brasil ter impostos acachapantes e infraestrutura precária suficientes para afugentar os mais vorazes tubarões neoliberais sem a ajuda dos Urbanistas por Brasília e de outros heróis locais. Ele acredita que o crescimento urbano é causa, não consequência. Por isso há cidades fantasmas na China. Para ele, metrópoles modernas como Singapura não fizeram primeiro uma revolução econômica e educacional, priorizando o comércio exterior, para só então terem um desenvolvimento urbano. O reboque empurra o carro para onde o motorista não deseja ir, enquanto sabemos que, na realidade, este conduz o automóvel atrelado ao qual está o reboque. Mas fora com a "racionalidade neoliberal", não?

A China foi uma ditadura comunista por mais de 50 anos. A abertura econômica gerou mais liberdade e riqueza, e desde 1980, a população urbana ganhou 700 milhões de pessoas e hoje já é mais de metade do país. As cidades precisaram crescer a toque de caixa. Cidades ditas fantasmas, como Ordos, na verdade passam um tempo subocupadas porque recebem os migrantes aos poucos, quando estes têm condições de comprar as residências, ainda que com subsídios, e equipá-las com vasos, luminárias e outros itens domésticos essenciais. Para o doutorando, a China apenas copia o modelo de Singapura. Cria cidades do nada, amplia cidades de poucas centenas de milhares de habitantes para monstros urbanos de dezenas de milhões de pessoas, as quais, para ele, devem brotar do barro. Ao contrário do que crê Teixeira, a abertura comercial obrigou paulatinamente o governo a sacralizar contratos e a aumentar a transparência de suas próprias ações. A abertura é o começo do fim da ditadura chinesa, não uma tentativa desesperada de mantê-la.

Em muitos países árabes há ditadura. Nos países ricos em petróleo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, há ditadura e riqueza, e esta, aliada à localização geográfica entre Ocidente e Oriente, possibilita a transformação de cidades em pólos de serviços onde há baixos impostos alfandegários e tributação, e as ajuda a voltarem a ser a escala entre um canto e outro do planeta, a voltarem a realizar a vocação de entreposto comercial, de grande caravançará que tiveram nos tempos áureos. Mas, para Marcelo Teixeira, estas ditaduras não poderiam mais se sustentar sem uma tal máscara neoliberal, apesar de terem se mantido sem ela por décadas, como a da Coréia do Norte, de Cuba, Síria e de tantos outros países.

Dubai, shopping e residenciais Medinah Jumeirah: "idêntico" a Singapura


Quanto à descaracterização urbana, a cidade de Dubai, por exemplo, tal qual a conhecemos, foi criada sobre a areia. Não obstante seu caráter "transnacional", lá é corrente o uso de torres de captação de vento, típicas da região, há shoppings com aspecto de "suqs" (mercados persas), elementos estéticos árabes, mocárabes em mesquitas, azulejos, jardins internos e fontes, tapetes, tamareiras, generoso uso de pedras da região, arabescos, microcidades árabes dentro da cidade, e a preocupação cada vez maior em criar edifícios e cidades sustentáveis. Brasília, como as já citadas Cesareia e Palmira em relação a Roma, também seguiu cânones internacionais da época em que foi criada, mais precisamente da Carta de Atenas. Os panos de vidro do Congresso Nacional e dos ministérios são inadequados ao nosso clima, há uma nítida priorização do carro em relação aos pedestres, a estética não tem traços comuns à arquitetura tradicional brasileira, apesar dos esforços quase teológicos dos catedráticos em dar ao modernismo de Niemeyer uma inspiração barroco-colonial.

Após a exposição do tema a ser debatido, projetou em um telão os vídeos promocionais das cidades de urbanismo transnacional e, em determinado momento, proferiu um imparcial "vejam que absurdo". E então tiveram início os discursos dos integrantes da mesa. O primeiro não largou o microfone por quase uma hora, disse que todas grandes cidades são réplicas uma das outras, para a elite sempre se sentir em casa. Assim, segundo ele, um executivo sai do aeroporto, vai para o hotel, deste para o museu e para o restaurante no shopping. Os dois primeiros são iguais aos do resto do mundo, no museu, segundo ele, se vê as mesmas obras vistas no resto do mundo - quem viu um Tiziano viu todos, deve imaginar -, e, por fim, no restaurante se come comida chinesa, italiana, japonesa, como no resto do mundo. E o doutor concluiu que, enquanto isso, a classe trabalhadora sofre nas favelas e cortiços para manter essa elite transnacional. É óbvio! E Steve Jobs não deve ter ficado multibilionário porque o mundo inteiro desejava seus produtos Apple, mas porque ele explorava, no início, uma ou duas centenas de funcionários na Califórnia e, posteriormente, algumas dezenas de milhares ao redor do mundo, sendo a mais-valia de cada um dos vendedores, faxineiros e montadores de aparelhos estimada em milhões de dólares. Os demais debatedores, com uma honrosa exceção, seguiram a mesma linha. Ao menos até o ponto em que assisti.

O ar do anfiteatro estava viciado, quente, porque o ar-condicionado neoliberal não fora ligado pelos grevistas, o que acabou por compor bem o cenário de falta de arejamento intelectual do meio acadêmico brasileiro, umbilicalmente ligado ao esquerdismo mais ressentido, antes por hábito do que por reflexão.

As universidades públicas brasileiras são pesadas barcaças sem leme, há décadas distantes da terra firme, nas quais o alimento disponível é o marxismo vencido, o que explica o escorbuto ideológico que acomete a pobre tripulação.

Talvez passar um tempo em Singapura aumente a vitamina C no organismo...

06 abril 2014

Se houvesse democracia no Brasil do século XIX

Texto mui levemente adaptado de comentário anônimo em A democracia é uma M*, atribuído ao misterioso C. Mouro:

Se no século XVIII e XIX houvesse democracia como a que se pratica, sobretudo no Brasil, até hoje haveria escravidão dos negros.

Os escravos poderiam votar, mas os candidatos seriam escolhidos pelas cúpulas partidárias. Para se formar um partido teria-se que ser senhor de engenho com apoio de certa porcentagem da população, e tudo deveria ser conferido pelos mandantes vigentes: os brancos altamente beneficiados pela escravidão democrática dos negros.

Tudo que dissessem os escravocratas moderados - sim, porque abolicionistas jamais conseguiriam criar partidos - contra os escravocratas seria considerado ofensivo pelo TRE e assim haveria multas e proibição de uso do tempo pelos moderados.

As verbas e tempo de propaganda, mesmo que os brancos escravocratas se dissessem igualitários, seriam muitíssimo maiores para os grandes partidos escravocratas, que facilmente, através de seus filiados e quadrilheiros, criariam inúmeros partidos escravocratas para comporem apoio aos grandes e se beneficiarem de ainda mais verbas e tempo de propaganda.

Brancos receberiam promessas de vantagens com a escravidão dos negros, alguns negros seriam privilegiados como feitores, haveria regras partidárias com boa estratégia para inibir novidades e favorecer o de sempre, toda a apuração das urnas ficaria sob a tutela dos senhores de engenho.

Assim (salvo talvez por pressão externa - eu, Catellius, observo), se houvesse democracia nos seculos XVIII e XIX, até hoje os negros seriam escravos de brancos, e mesmo de alguns negros, e tudo na forma democrática e popular tão defendida por pavões que invocam a rota bandeira da democracia para abafar a bandeira da liberdade. A velha confusão de palavras, a manipulação semântica tão utilizada pela política.

Depois de a palavra "igualdade" ser exigida entre indivíduos perante as leis, sem hierarquia social e privilégios, imediatamente usaram a mesma palavra "igualdade" mas com o sentido de igualdade material, a fim de confundir e manter a diferença entre os indivíduos. Assim, igualdade já não correspondia à ausência de privilégios legais para indivíduos numa sociedade hierarquizada, mas exatamente ao oposto: indivíduos com privilégios de ação e imunidades legais ilegítimas, sob pretexto de imporem uma igualdade material - injusta, com o mérito desprezado.

Para se combater clamores pela liberdade, confunde-se esta com democracia, como se fossem sinônimos. Ninguém mais defende a liberdade, mas apenas a democracia para eleger os Senhores da Sociedade, os quais sobre esta impõem suas vontades, caprichos, subjetividades e, sobretudo, impõem o custeio de seus luxos e manias à sociedade que trabalha e produz.

Enfim, os senhores democraticamente eleitos criam as regras democráticas que permitem que as mudanças só aconteçam para que tudo permaneça o mesmo.

29 março 2014

As Cotas Raciais Petistas Avançam na Câmara dos Deputados

Hoje, a Câmara dos Deputados aprovou a cota de 20% para negros em concursos públicos. Isso foi algo bom para o Brasil? O Brasil será mais justo depois disso? Vejamos os casos da África do Sul e dos Estados Unidos onde ela foi aplicada e onde os resultados observados não foram tão bons.

Se olharmos para a África do Sul podemos ver que apesar de políticas bastante agressivas para beneficiar negros, a desigualdade do país aumentou de 0,57 para 0,70 em termos de coeficiente de Gini como foi dito pelo ex-presidente Frederick De Klerk que entregou o poder à Mandela (link). Podemos concluir a partir desse caso que esse tipo de política de cotas não melhora distribuição de renda. Temos ainda uma escalada de violência.

Outro caso interessante, também nesse sentido, é o dos Estados Unidos que há décadas adota a política de cotas raciais também sem grandes resultados em distribuição de renda. Hoje, o nível de concentração de renda dos Estados Unidos voltou a níveis da década de 1920. De fato, os autores do livro Freakanomics levantavam a hipótese de que a política de cotas raciais foi obliterada pela devastação causada pelo crack nas comunidades negras. E, os negros continuam sendo a maioria da população carcerária americana (link).

Se a experiência internacional é algo no mínimo discutível, então porque aplicar essa política no Brasil? O professor Demétrio Magnoli argumenta que a colocação desse tipo de questão é em si negativo, pois automaticamente discrimina as pessoas a partir da raça, o que é em última análise o próprio racismo (link).

Uma coisa é certa. Existiu a escravidão no Brasil e ela deixou marcas, entre elas o racismo, mas não me parece ser esse o caminho para a reparação das seqüelas deixadas pela escravidão. A falta de uma relação positiva com o trabalho, com o esforço, com a ética, com o fazer com as próprias mãos foram as maiores seqüelas da escravidão na minha opinião. Se conseguíssemos criar uma sociedade mais ética, com valores de trabalho, de mérito e de esforço nos desenvolveríamos enquanto que a política de cotas raciais, em si, não me parece ter esse potencial.

De fato, ainda temos o lado negativo, que é fomentar a separação das pessoas em raça, criar uma clientela racista, alimentar uma política racista, um discurso de ódio e eleger parlamentares petistas por causa da cor da sua pele. Como isso pode ser bom para o Brasil?

21 março 2014

A democracia é uma M*

O número de crianças atingidas pelo conflito na Síria chega a 5,5 milhões. Acredita-se que crianças sejam alvos preferenciais de franco-atiradores porque dificilmente serão abandonadas e irão requerer muitos cuidados. Estima-se que mais de 2 milhões de crianças irão requerer tratamento psicoterápico para se recuperar dos traumas sofridos (link). Como chegamos a isso? Certamente muitos fatores podem ter contribuído para isso, mas pretendo explorar a tese da falta de democracia na Síria.

A Síria era um regime que tinha eleições que eram sempre vencidas pelo partido da família Assad, portanto, era uma democracia de fachada. O ditador inclusive já anunciou sua intenção de se candidatar novamente em 2014. A meu ver, o problema aconteceu quando houve grande insatisfação popular que a falta de instituições democráticas foram incapazes de canalizar para uma mudança de governo. Se as tais manifestações tivessem ocorrido na Inglaterra, por exemplo, provavelmente teriam levado à queda do primeiro-ministro e possivelmente a dissolução do parlamento. Como não haviam instituições democráticas reconhecidas, o país mergulhou na guerra civil. Quem quer que ganhe essa guerra receberá um país em ruínas e um povo arrasado.

A democracia é uma M*. Nela temos que tolerar opiniões diferentes da nossa. Suportar decisões que contrariam nossos valores e interesses, mas fazemos isso com a fé e a esperança na participação e no diálogo. Quando não temos democracia, temos a situação da Venezuela onde milícias pró-governo matam manifestantes e há uma escalada de violência que provavelmente não deverá levar o país a guerra civil, mas irá agravar em muito as dificuldades econômicas e de segurança já vividas pela população.

Quando vejo pessoas defendendo o voto nulo acho que até entendo sua desilusão com o sistema democrático que é bastante falho e conta com pessoas mais falhas ainda. Entretanto, na ausência de eleições, o que nos resta para buscar um governo que atenda as expectativas da população? Resta a guerra civil que destruirá o país.

Na minha opinião, o maior feito de Mandela foi ter conduzido a transição de forma que a África do Sul não fosse mais um dos países africanos a entrar em guerra civil. O regime do apartheid já estava condenado desde fins da década de 70 e a sua elite encontrou nele o homem capaz de fazer a transição sem jogar o país no abismo. Talvez um dos segredos do processo seja a existência de instituições democráticas que foram mantidas em algum grau apesar do Congresso Nacional Africano ter ganho todas a eleições desde o fim do apartheid. Veja que não é fácil manter uma democracia viva.

No Brasil, temos o PT e um sonho de poder sem fim. Não creio que isso seja bom para o Brasil, pois não basta que haja democracia dentro do partido, é preciso que as instituições sejam democráticas e o que sustenta a democracia é a alternância de poder. Aliás, democracia de verdade não existe dentro do PT como se podem ver nas denúncias de Valter Pomar do abuso do poder econômico nas eleições internas (link).

06 março 2014

O PT mata a esperança na Justiça

Nestes últimos dias, tenho lido alguns blogueiros de esquerda, desses petralhas mesmo, que tem se manifestado contra a atuação de vítimas de assaltos e outras violências que tem prendido seus agressores a postes e coisas do tipo. Segundo esta gentalha, como diria o Chavez, essa atuação seria uma herança oligárquica que justificaria ações de justiceiros.

Enquanto isso no Senado, a corja petista derruba a proposta que flexibilizaria a maioridade para maiores de 16 anos que porventura praticassem crimes extremamente violentos na avaliação de um juiz, um promotor e um psicólogo. A Gleisi Hoffman foi lá desfilar não a sua bundinha mas a sua arrogância e agradeceu do alto do seu salto o interesse da oposição em discutir o tema ... E, no Carnaval, o MST ao arrepio da lei invade mais 21 propriedades no interior de São Paulo e ai daquele que ousar resistir e defender a sua propriedade. E, no Supremo, o PT troca indicações de juízes pela absolvição de seus membros do crime de quadrilha.

Vejam que é um contexto desanimador onde quem está certo está do lado do PT e quem não está com eles não tem esperança na justiça nem o direito de se defender. Com isso os petistas destroem as bases da república que é aquela idéia de que existem instituições que não sejam dominadas por nenhuma facção da sociedade. Hoje, um proprietário rural, além de pagar impostos precisa pagar a proteção para os chefes dos movimentos sociais.

O AI-5 da Dilma está no forno e lá se pretende enquadrar os Black Blocks e sua atuação violenta em manifestações. A lei, entretanto, não irá punir nenhum movimento social que faça o mesmo que um Black Block. Pois é, é uma proposta que além de vergonhosa discrimina claramente quem não puder ser cooptado pelo Partido dos Trabalhadores.

O Franklin Martins continua encafifado com a sua velha idéia de arrumar um jeito de controlar a imprensa por meio de “movimentos” sociais, afinal, eles não querem a pluralidade de idéias e opiniões, eles querem o monopólio da propaganda e ainda tem esses blogueiros chapa branca. Isso me lembra do brilhante Demétrio Magnoli que em uma entrevista dizia que intelectual que elogia governo quer emprego: http://ex-petista1.blogspot.com.br/2008/12/entrevista-demtrio-magnoli.html

É mais ou menos isso, o PT quer a população trancada dentro de casa, desarmada, apavorada e à mercê da suas hordas de movimentos sociais progressistas. Lembro-me do cabo Patrício, um PM, que foi indultado por Lula por ter feito greve quando ainda estava sob a disciplina militar. Hoje, temos estas palhaçadas chamadas de Operação Tartaruga que ficam impunes. Esse é o PT. Um partido que aparelha a Justiça, impede leis duras contra criminosos e contra seus aliados. Um partido que quer a população apavorada, trancada em casa, à mercê dos bandidos e refém de uma polícia sindicalizada que faz impunemente operações tartaruga.

02 março 2014

O PT põe o STF de quatro

Assistimos ao famoso tapetão no STF. Réus condenados do partido dos trabalhadores tiveram direito a um segundo julgamento e graças a seus indicados no STF conseguiram se livrar do crime de formação de quadrilha.

 Na vida tudo tem um preço e arrisco a dizer que o preço pago por Barroso, Teori Zavacksi, Rosa Weber, Lewandowiski e Toffoli para estarem ocupando uma cadeira no STF seja o da fidelidade canina a alguns membros da elite do Partido dos Trabalhadores.


 Desses, talvez o mais desonesto tenha sido Barroso, que ao invés de simplesmente pagar o pedágio exigido para estar na cadeira em que está sentado, elaborou um discurso em tom acusador defendendo a justiça, procurando dar legitimidade ao seu ato. 


 Acho que devemos refletir sobre esses acontecimentos, pois eles demonstram o comprometimento de uma importante instituição da democracia brasileira com o Partido dos Trabalhadores. Pouco importa se o Zé Dirceu vai ficar 5 ou 10 anos na cadeia, o que importa é avaliarmos até onde eles são capazes de ir em defesa dos interesses do grupinho que domina o Partido.


 A maior vítima de um julgamento desses é a própria justiça, pois, sabe-se de antemão que a elite do Partido dos Trabalhadores está acima da lei, pois tem em suas mãos o voto da maioria dos juízes da corte mais importante do país.


 Talvez fosse hora de se pensar em acabar com o fórum privilegiado para os políticos, pois isso pode estar destruindo o STF, cujos juízes podem estar sendo obrigados a trocar absolvições por indicações. Talvez o melhor fosse deixar um juiz selecionado em concurso público, bem normal e ordinário julgar esses caras com direito de recurso até o STJ e pronto. 


 Talvez o problema seja que o STF está concentrando poder demais e onde existe poder sempre existirá corrupção. Talvez o fato do STF ser a corte que julga os políticos esteja gerando uma seleção adversa de pessoas que, de outra forma, não deveriam estar no STF.


 De vez em quando ouvimos falar de operações da Polícia Federal que prendem juízes que vendem sentença. Certamente não haverá uma operação dessas no STF, pois aí quem julgaria esses juízes?


Talvez seja melhor passar o julgamento de políticos para juízes escolhidos por concurso público. Melhor para quem cara pálida? Não para alguns políticos, especialmente aqueles mais ligados à elite governista.

25 fevereiro 2014

Preto, Pobre e Primeiro Lugar em Medicina na USP

Hoje, fiquei feliz em ver o mérito de Cleidileno Teixeira Silveira reconhecido com sua aprovação em primeiro lugar em Medicina na USP de Ribeirão Preto, conforme reportagem da UOL. Um rapaz que estudou em escola pública e ajudava o pai a vender alho na rua chegou lá. Bem, e agora, turminha das cotas?

Agora nada, porque a política de cotas raciais tem como objetivo criar um curral eleitoral para o PT, e não muda nada o fato de existirem pessoas esforçadas e inteligentes. Aliás, a aprovação desse rapaz cria um problema para o discurso que justifica a adoção dessa política, ao mostrar que o esforço e o mérito não têm raça.

Curiosamente, lendo a reportagem, comenta-se que o enfermeiro decidiu tentar a aprovação em medicina após ver uma prima que tinha sido aprovada em medicina em outra universidade. Vejam que a inveja é humana. O problema é o que fazer com ela. Ele poderia ter se revoltando contra as injustiças da vida e ter se tornado socialista, ingressado no PT, MST.

Bem, aparentemente, os pais dele lhe deram uma boa educação, valores, e ele resolveu trabalhar e se esforçar. Mais que isso, decidiu correr riscos ao pedir demissão de seus dois empregos para estudar. Esse é um caminho difícil e tenho certeza que deve ter havido momentos em que ele se arrependeu de ter pedido demissão dos empregos e teve medo de que todo o seu esforço não fosse recompensado.

O esforço foi recompensado e este enfermeiro deve, muito provavelmente, se tornar um bom médico. Oxalá as pessoas sigam o seu exemplo de busca de suas vocações, do seu esforço e tenham a inteligência para saber os objetivos que devem buscar.

A política de cotas raciais fica ainda mais ridícula quando se pretende beneficiar pessoas ricas desde que sejam “de cor”. Isso é o cúmulo do absurdo. Mais uma vez, o que importa é criar um curral eleitoral para o PT. Esse maldito socialismo, que busca dividir e corromper a sociedade, é uma desgraça mesmo, como diz o Pondé em seu artigo Socialismo é Barbárie:

Para mim, para o país ir para a frente, precisamos de pessoas que “orem” para Deus lhes mostrar o caminho e que tenham esforço pessoal para percorrê-lo. Se tivermos muita gente assim, o país vai para frente; senão decaímos.

24 fevereiro 2014

Uma Conversa com um Black Block

Outro dia, graças a amigos comuns, conheci um Black Block. O rapaz, muito educado, formado em letras, era bastante agradável. Na verdade, ele não era tão inofensivo quanto parecia, pois era um praticante bastante dedicado de artes marciais. Enfim, aproveitei a oportunidade para tentar entender as suas motivações.

Ele me dizia que a estratégia Black Block é uma forma de resistência da população contra o governo e que os adeptos dessa prática não tinham uma posição política definida, havendo gente desde a extrema esquerda passando pelos anarquistas até não sei mais o quê. Disse a mim que objetivo das táticas Black Blocks é desestabilizar o governo.

A minha impressão é que no caso desse rapaz, que parecia bem ajustado, é uma forma residual de rebeldia, um tipo qualquer de afirmação pela qual ele pega a máscara de paintball do irmão e vai brincar com a polícia. De qualquer forma, aproveitei a oportunidade para fazer o meu proselitismo. Perguntei-lhe por que acreditava que o caminho Black Block era o adequado? Ele me disse que todo o resto estava corrompido e que o sistema todo era uma ilusão, tipo Matrix.

Eu lhe respondi que ele tinha razão. O sistema é uma ilusão que é sustentada pelas nossas crenças, portanto, a percepção dele está correta. A Dilma só é presidente porque uma parte considerável da população brasileira acha que ela é por diversas razões. As pessoas acreditam que ela ganhou uma eleição, que a eleição foi justa e que a vontade da maioria precisa ser respeitada. Se alguma dessas crenças for por terra, ela perde legitimidade e para se sustentar teria de depender da força.

Aproveitei para lhe lembrar que este ano é um ano de eleições e que, em tese, é possível uma mudança dentro das regras constitucionais e da forma de governo presidencialista. Ele me disse que não acreditava em eleições. Aproveitei para lhe dizer o que eu acho que é uma eleição. Para mim, uma eleição é uma guerra simbólica entre quadrilhas que disputam o poder. Disse-lhe que se a disputa não for simbólica, ela tem que ser real, ou seja, matando e morrendo.

A eleição é como um jogo de futebol. As pessoas podem até se machucar, mas não se espera que ninguém morra. Assim como o futebol, é uma forma de disputa ritualizada e organizada em regras e que, no final, a população irá, pelo voto, julgar quem ganhou. Em algum grau é um avanço, pois de que outra forma quadrilhas organizadas poderiam disputar o poder?

Aproveitei para insistir que esse negócio de anular o voto é uma estupidez. O sistema não é perfeito, nem sempre os partidos políticos permitem que bons candidatos concorram, mas qual é a alternativa que temos? Uma guerra real? Acabei me lembrando do Fernando Henrique Cardoso e do esforço de muitos constituintes de 1988 para implantar o parlamentarismo no Brasil.

De fato, esse é um sistema mais flexível, onde manifestações populares podem levar à queda de um gabinete ou à antecipação de eleições parlamentares. No nosso sistema presidencialista imperial, manifestações podem desmoralizar um governante, mas o sistema não tem uma saída para o impasse, pois tirar um presidente via impeachment é uma missão quase impossível. Vendo essas manifestações, começo a simpatizar mais com o parlamentarismo, que talvez seja mais permeável à vontade popular e possa sanar crises, menos na Itália, que em 80 anos acho que teve 79 gabinetes. Enfim, é uma discussão complicada.

Talvez até a tática Black Block em um ano de eleições seja positiva, pois pode criar uma onda que seja capaz de provocar uma mudança política legitimada pelas urnas. E, cá entre nós, fico feliz em ver o povo rejeitando o circo petista da Copa. É animador ver fazer água esse plano maquiavélico do Lula de promoção do prestígio internacional do governo petista e circo para a multidão, mas também me preocupo com uma escalada da violência que não possa se transformar em uma mudança política legitima.

20 fevereiro 2014

O PT e seus Assassinos "De Menor"

Hoje, o Partido dos Trabalhadores, por meio dos seus senadores na Comissão de Constituição e Justiça, derrubou por 8 a 6 a proposta que previa a redução de maioridade penal para 16 anos a depender de recomendação do promotor, julgamento de juiz especializado, e prisão em estabelecimento separado de adultos. Em diversas pesquisas de opinião, cerca de 90% da população brasileira querem que menores assassinos ou praticantes de crimes muito violentos sejam presos além dos três anos previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Como tenho afirmado em vários posts, o PT não é um partido democrático pois não respeita a vontade da população, e isso ficou mais uma vez provado hoje.

Os petistas são aquela gente que quando ganha é democracia e quando perde é ditadura. Eles estão certos até quando estão errados. Vejam o caso do Eduardo Azeredo, que pode vir a ser condenado pelo STF por desvio de recursos públicos para fazer Caixa 2 na campanha para governador de 1998. Ele enfiou o rabinho entre as pernas e saiu hoje pela porta dos fundos da Câmara. Ensaiou dizer que era inocente como o Lula, mas ficou por isso. Os petistas condenados por 11 juízes, dos quais 9 foram indicados por eles, foram presos com postura de prisioneiros políticos com o punho em riste, alguns recusavam-se a renunciar mesmo condenados. Como dizia uma amiga minha, aquilo foi um teatrinho para alguns crentes do partido, só isso. Além disso, tem outra grande utilidade. A partir do momento em que eles admitam os crimes, o Lula fica exposto e passa a ficar claro que ele foi o mandante. Então é negar, negar e negar.

Mas voltando à questão dos menores assassinos ou praticantes de crimes violentos. Bem, hoje o PT fez mais um desserviço a nação. Parece-me que há uma certa coerência no pensamento petista. O PT parece que não quer ver ninguém assumindo responsabilidades pelos seus atos. Os criminosos não devem ser punidos e aqueles que têm mérito não devem ser premiados. Vejam o enfoque do Programa Bolsa Família e das propostas de cotas raciais do partido.

O Programa Bolsa Família, diferentemente do Programa Bolsa Escola, tem como foco gerar uma renda mínima, coisa que o Suplicy aprendeu no doutorado nos EUA com a ideia do prêmio Nobel Gary Becker de subornar mães para que cumprissem as obrigações de oferecer oportunidades para os filhos. Como já dizia o ditado, o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções. Esse é o caso do Programa Bolsa Família, que hoje é mais um curral eleitoral petista. Isso ficou evidente no ano passado, quando milhares de pessoas correram desesperadas para as agências da Caixa com o boato do fim do benefício. Na minha opinião, foi apenas um ensaio do uso eleitoreiro desse artifício. Lula é o maior coronel de todos os tempos. Com o Programa Bolsa Família ele atinge diretamente milhões de famílias. Coisa que nenhum coronel jamais conseguiu com suas cestinhas básicas.

Quanto às cotas raciais, a última é a cota de 20% para o serviço público. Serve apenas para formar um curral eleitoral negro para o partido. Quem tiver dúvidas sobre isso, entre no site do PT e veja como a Secretaria da Juventude está arregimentando pessoas com o suposto objetivo de combater a violência contra os jovens negros. Ao que me consta, Secretaria da Juventude serve para arregimentar militantes em qualquer partido.

O negócio é que o curral eleitoral tem que ser dependente e não ter mérito igual ao povo do Bolsa Família, que corre desesperado para lá e para cá após qualquer boato. Dar 20% das vagas do serviço público para negros é o mesmo que criar mais um tipo de discriminação contra a capacidade desses indivíduos. Prefere-se isso a programas como o do Itamaraty, que há anos patrocina com bolsas a dedicação integral de alguns alunos negros para o disputado concurso de diplomata. Essa era uma experiência que merecia ser ampliada, mas vai contra a filosofia do partido, de punir o mérito e premiar os criminosos. Com esse tipo de gente no poder, como este país irá para frente? Não irá.

A solução será encontrar novos culpados pelo atraso brasileiro. Os portugueses de Caio Prado Junior logo terão que ser aposentados, pois já faz quase 200 anos que estamos por nossa conta. O papel dos intelectuais do partido deve ser encontrar o próximo culpado. Pessoalmente, acho que a escravidão foi muito negativa para todo o país, para o negro, para o branco, para a ética do trabalho. Tem-se a tese da elite que não presta, ora europeizada, ora americanizada... Pelo menos hoje a elite política governante está cubanizada. Grande M*. A grande pensadora do PT, a Marilena Chaui, já tem o seu culpado, é a classe média (burguesia), a qual ela odeia, odeia, odeia,...vejam o vídeo:


Em um país sem gente responsável, o próximo culpado será você.

19 fevereiro 2014

Como se comportar nas manifestações de junho da Copa do Mundo

Há alguns anos, antes de estar preso, José Genoíno discutia que o PT deveria estar no poder e também ser oposição. Ninguém levou muito a sério. Nem os petistas, pois era uma tese incrivelmente totalitária, pois na visão do companheiro o PT deveria ocupar todos os espaços e se possível até substituir a sociedade civil. Esse tema é recorrente e agora na Copa do Mundo o PT está preocupado em como controlar as manifestações populares contra o evento. Mais que isso, eles pretendem, se possível, assumir o controle dessas manifestações.

Os Black Blocks recentemente revelaram seu lado assassino... Era uma questão de tempo para quem acompanhava o nível de violência praticado por eles nas manifestações. Entretanto, apesar de violentos, os Black Blocks eram a única coisa que impedia os manifestantes de PT, CUT, MST,... de se apossarem das manifestações populares. A estratégia para se apossar de uma manifestação genuinamente popular é você pegar uns gatos pingados do partido carregando bandeiras e misturá-los com a multidão. Com isso, se tem a impressão que a multidão está levando a bandeira quando na verdade trata-se de mais uma trapaça do partido.

Ano passado, lembro-me de um cidadão que desafiou um bando de petistas que insistiam em se infiltrar na multidão com suas bandeiras e acabou descobrindo que essas bandeiras também funcionam como porretes. Lá ficou ele com a cabeça ensanguentada sendo fotografado pela mídia carniceira, como diriam os Black Blocks.

Acredito que essa lei proposta pelo ministro da Justiça do PT para controlar o terrorismo tenha como objetivo justamente inibir a ação dos Black Blocks ao mesmo tempo em que permite que os chamados movimentos sociais ligados ao partido pratiquem as arruaças que acharem conveniente. Em Brasília, o MST é campeão de provocações. Outro dia, fez um acampamento ao lado do Quartel General do Exército. Fizeram também um ao lado do DNIT e mais recentemente, um ao lado do estádio de Brasília. Os ministérios já estão cansados de ter o expendiente interrrompido por suas invasões relâmpago.

No caso do acampamento ao lado do estádio de Brasília, fica a dúvida do que eles estariam fazendo. Será que é algum tipo de extorsão com o governo? Será que está faltando dinheiro nas ONGs de fachada que irrigam a estrutura dessa organização sem nenhuma responsabilidade jurídica? Ou será que eles já estão tomando posição para defender o estádio contra as manifestações verdadeiramente populares.

Aliás, como dizia uma velha professora marxista, o MST já deixou de ser movimento há muito tempo. Hoje, é uma organização extremamente disciplinada há um passo de se tornar para-militar. Ela conta que fazia uma pesquisa e a chefe de um acampamento se recusou a recebê-la. Por sorte, ela tinha o telefone do José Stedile que foi passado a mulher da qual se ouvia apenas sim senhor.

Esta semana na Venezuela, a oposição anunciou que faria manifestações contra o governo e o governo respondeu que seus “movimentos sociais” também deveriam ir para a rua ao mesmo tempo em que cidadãos de oposição eram baleados por manifestantes pró-governo. Essa é a democracia bolivariana que inspira os sonhos petistas. Com eles no governo, na oposição e nas ruas. E com o cidadão em casa com medo.

Agora se for se aventurar na rua, leve sua bandeira para que além do dinheiro público você não tenha também sua manifestação roubada e apropriada pelo Partido.

11 fevereiro 2014

Lula manda o STF calar a boca. Ou: o Poder Moderador Petista

Nesta semana, o ex-presidente Lula chamou a atenção dos ministros do Supremo Tribunal Federal para a inconveniência de se manifestarem sobre temas políticos sensíveis. Na opinião desse ilustre cidadão, quem deve se manifestar sobre esse tipo de tema são políticos eleitos. Pois é, apesar do seu enorme prestígio, Lula não é um político eleito no momento. Portanto, a manifestação de Lula, ocorrida em um comício do partido, a meu ver, é uma expressão de uma pretensão do Partido dos Trabalhadores de atuar como um poder moderador.

O Poder Moderador existiu legalmente no Brasil no período do Império, quando cabia à pessoa do Imperador interferir quando houvesse conflitos entre os demais poderes. Na prática, permitia ao Imperador trocar o gabinete quando julgasse conveniente. No século XX, os militares desempenharam essa função, especialmente a partir de 1964. No período do Regime Militar, os chamados Atos Institucionais davam ao chefe do Executivo, um general de Exército escolhido pelo Alto Comando, a prerrogativa de atuar de forma “corretiva” junto aos demais poderes, e repressiva contra ameaças às instituições. Com isso quero dizer que a tradição política brasileira não estranha a existência de um “quarto” poder.

Em termos teóricos, a pretensão do Partido dos Trabalhadores de ser um poder moderador encontra fundamento na teoria marxista gramsciana que, em termos gerais, recomenda políticas maquiavélicas a fim de fortalecer o príncipe-partido e impor sua hegemonia à sociedade. Esse tipo de política tem grande expressão na Venezuela, onde o Congresso “escolheu” se anular, o Judiciário é submisso e o Executivo tem super-poderes. Lá, efetivamente, as decisões são tomadas entre a “cozinha” do ditador e do Partido Socialista Unido da Venezuela. Às demais instituições cabe apenas referendar o que foi decidido.

Será que a teoria de separação de poderes de Montesquieu está superada? Na minha opinião, não. Continuo achando que a revolução mais impressionante ocorrida na história da humanidade até hoje foi a Revolução Americana de 1776, que consagrou esses princípios. Mais que isso, essa revolução submeteu o governo ao povo e afirmou que não havia mais distinção de nascimento entre os cidadãos. Fez tudo isso e derramou relativamente pouco sangue.

O Judiciário, por exemplo, desfruta de diversos privilégios em nome dessa chamada independência. A partir do momento em que um partido passasse a pautar os poderes constitucionais, não teria mais sentido ter um orçamento separado para o Judiciário e o Legislativo, pois não existiria mais uma autonomia a ser preservada. Aliás, nesta semana, foi vexaminosa a atuação do procurador-geral da República de pedir a prisão de um político do PSDB que não foi condenado até o momento nem está interferindo na investigação de um Caixa 2 supostamente havido na eleição de 1993 para o governo de Minas Gerais. A única explicação que encontro para esse pedido é uma tentativa de agradar ao quarto poder petista.

Enfim, os petistas continuam com discurso de que o julgamento do Mensalão foi injusto. Considerando que oito ou nove dos onze ministros do Supremo foram indicados pelo PT, aposto que veremos muito mais injustiças nos julgamentos de políticos que não sejam do Partido dos Trabalhadores. E se, por um acaso, essas injustiças não vierem, é porque os juízes gozam do privilégio da estabilidade cuja legitimidade vem da teoria da separação dos poderes. Concluindo, vejo nessa declaração do Lula um indicador de uma grave pretensão do partido, uma ameaça a nossa democracia, que deve ser combatida nas urnas negando ao partido um quarto mandato consecutivo para a presidência da República.

07 fevereiro 2014

Bellona


Em primeiro lugar, tenham um pouco de paciência com este diletante que tateia sem técnica pelos meandros daquilo que sabe apreciar e não fazer.

No vídeo, o esboço da partitura e o áudio a quatro vozes; a música ainda com lacunas, compassos vazios nos quais não coloquei sequer símbolos de pausa. Próximo passo, lapidar a música e dar sentido às vozes. Depois, inserir o texto e fazer os ajustes que a métrica demandar. Então trabalharei a peça para orquestra e coro.

A introdução, mais harmônica, reaparece em fragmentos e no fugato final - há uma pincelada de hino brasileiro nos compassos 49 e 74. A oração a Bellona, deusa da guerra, eu escrevi em português, propositadamente "trash", e meu pai traduziu-a para o latim. Os dois primeiros versos tirei-os do capítulo "O Invejoso", do Zadig de Voltaire. Colei no final do post o capítulo completo. Se não me engano, a tradução é de Mário Quintana.

Oração:

1 - Na paz universal somente o amor faz guerra. É o único tirano a quem não resistimos.
2 - Mas o inimigo apenas dormia. Ele avança sorrateiramente.
3 - Bellona, ajuda-me a vencer esta batalha
4 - afoga meus inimigos em seu próprio sangue
5 - crava minha espada no peito daqueles abjetos
6 - ajuda-me a prender, torturar e matar seus líderes
7 - Conduz-me em segurança para casa

Texto em latim, traduzido por meu pai, Mário Catelli:

1 - Universale in pace solus bellum facet amor. Cui unicus non renitimur tyrannus. (compassos 1 a 56)

2 - Sed hostis solum dormiebat, Nunc dissimulanter procedit. (compassos 57 a 76)

3 - Bellona, adjuva me hanc pugnam vincere (compassos 77 a 91)

4 - Merge inimicos meos in sanguine suo (compassos 92 a 117)

5 - In illorum pectore abiectorum gladium meum defige (compassos 118 a 131) (passagem instrumental de 132 a 142)

6 - Adjuva me duces suos capere, torquere atque occidere (compassos 143 a 213) (volta o texto 3 de 214 a 250)

7 - Me ad domo incolumem duce. (compassos 251 a 305)

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Zadig procurou consolo, na filosofia e na amizade, dos males que lhe causara a sorte. Possuía, num arrabalde de Babilônia, uma casa arranjada com excelente gosto, onde acolhia todas as artes e divertimentos dignos de um homem de bem. De manhã, franqueava a biblioteca a todos os sábios; e a mesa, de noite, à gente de boa companhia. Mas logo viu como são perigosos os primeiros. Explodiu entre eles uma grande querela acerca da lei de Zoroastro que proibia comer grifo.

— Como proibir carne de grifo — diziam uns, — se esse animal não existe?

— Tem de existir — diziam outros, — visto que Zoroastro não quer que o comam.

Zadig procurou harmonizá-los, dizendo:

— Se houver grifos, não os devemos comer; se não os houver, muito menos os comeremos; e assim, de qualquer modo, obedecemos todos a Zoroastro.

Um sábio, que compusera treze volumes sobre os grifos e que, além disso, era grande teurgista, apressou-se em ir acusar Zadig perante um arquimago chamado Yebor, o mais tolo dos caldeus e, portanto, o mais fanático. Esse homem seria capaz de mandar empalar Zadig para maior glória do sol, recitando depois o breviário de Zoroastro no tom mais satisfeito do mundo. O amigo Cador (um amigo vale mais que cem sacerdotes) foi procurar o velho Yebor e disse-lhe:

— Viva o sol e os grifos! guardai-vos de punir Zadig: é um santo; ele tem grifos no terreiro e não os come; e o seu acusador é um herege que ousa sustentar que os coelhos têm a pata fendida e não são imundos.

— Pois bem — disse Yebor, balançando a calva, — cumpre empalar Zadig por ter pensado mal dos grifos, e o outro por ter falado mal dos coelhos.

Cador contornou a questão por intermédio de uma dama de honor a quem fizera um filho e que gozava de muito crédito junto ao colégio dos magos. Ninguém foi empalado, motivo pelo qual muitos doutores começaram a murmurar, vaticinando a decadência da Babilônia. “Do que depende a felicidade! — exclamou Zadig. — Tudo me persegue neste mundo até os seres que não existem”. Amaldiçoou os sábios, e dali por diante só procurou viver em boa companhia.

Reunia em casa os homens mais distintos da Babilônia e as damas mais amáveis; oferecia delicadas ceias, muita vez precedidas de concertos animadas por encantadoras conversações de que soubera banir o empenho de mostrar espírito, que é a mais certa maneira de não o ter e de estragar a sociedade mais brilhante. Nem a escolha dos amigos, nem a dos pratos, era ditada pela vaidade: pois em tudo preferia o ser ao parecer; e com isso atraíra a verdadeira consideração, à qual não aspirava.

Defronte à sua casa morava Arimaze, personagem cuja mesquinha alma se lhe via pintada na grosseira fisionomia. Vivia corroído de fel e inchado de orgulho; e, para cúmulo, era um aborrecido “espirituoso”. Não tendo jamais alcançado sucesso na sociedade, vingava-se falando mal dela. Opulento como era, tinha dificuldade em reunir alguns aduladores nos seus salões. Importunava-o o rumor dos carros que paravam à noite diante da casa de Zadig, e ainda mais o irritava o rumor de seus louvores. Ia algumas vezes visitar Zadig e sentava-se à mesa sem ser convidado: corrompia então toda a alegria da sociedade, como dizem que as harpias envenenam a carne em que tocam. Aconteceu-lhe uma vez oferecer uma festa a certa dama que, em vez de aceitá-la, foi cear em casa de Zadig. Doutra feita, estando ambos em palácio, abordaram um ministro, que convidou Zadig para cear, sem estender o convite a Arimaze. Os mais implacáveis ódios não têm comumente raízes mais importantes. Esse homem, a quem chamavam o Invejoso, planejou perder Zadig, porque a este chamavam o Feliz. A oportunidade de fazer mal depara-se cem vezes por dia, e a de fazer bem uma vez por ano, diz Zoroastro.

O Invejoso foi ter com Zadig, que passeava no jardim em companhia de dois amigos e uma dama, a quem muita vez dizia coisas galantes, sem maior intenção que lhes dizer. Conversavam sobre a guerra que o rei acabava de ganhar ao príncipe de Hircânia, seu vassalo. Zadig, que se assinalara, pela coragem, nessa curta guerra, louvava muito o rei e ainda mais a dama. Tomou as suas tabuinhas, e escreveu quatro versos de improviso, dando-os a ler à sua bela companheira. Os amigos pediram que lhos lesse; mas a modéstia o impediu, ou antes, um bem compreendido amor-próprio. Sabia que versos improvisados só prestam para aquela em cuja honra são compostos: quebrou em duas a tabuinha onde acabava de escrever e lançou as duas metades numa moita de rosas onde em vão os outros as procuraram Como principiasse a garoar entraram em casa. O invejoso, tendo ficado no jardim tanto procurou que encontrou uma das metades. Fora rompida de tal modo que cada metade de linha formava sentido e até mesmo um verso de menor medida; mas, por um acaso ainda mais estranho, o conjunto desses quatro pequenos versos também completava um sentido que continha as mais terríveis injúrias contra o rei. Lia-se, pois:

Pelo crime brutal
Venceu o soberano,
Na paz universal
É o único tirano.


O invejoso sentiu-se feliz pela primeira vez na vida. Tinha entre as mãos com que perder a um homem virtuoso a digno. Cheio de cruel alegria, fez chegar ao rei aquela sátira escrita por mão de Zadig; puseram-no em prisão, a ele, aos seus dois amigos e à dama. Em breve foi concluído o processo sem que se dignassem inquiri-lo. Quando foi ouvir a sentença, encontrou de passagem o invejoso, o qual lhe disse que os seus versos não valiam nada. Zadig não tinha pretensões a bom poeta; mas exasperava-se de ser condenado por crime de lesa-majestade e ver que retinham em prisão uma bela dama e dois amigos, por causa de um atentado que ele não cometera. Não lhe permitiram que falasse, porque as suas tábuas falavam o bastante. Tal era a lei de Babilônia. Mandaram-no, pois, ao suplício, através de uma multidão de curiosos, nenhum dos quais ousava lamentá-lo, e que se precipitavam para examinar-lhe o rosto e ver se ele morria de boa cara. Apenas seus parentes estavam aflitos, pois não herdavam nada. Três quartos de seus bens eram confiscados em proveito do rei, e o último quarto em proveito do invejoso.

Enquanto ele se preparava para a morte, o papagaio do rei voou do seu balcão e foi pousar no jardim de Zadig, sobre uma moita de rosas. De uma árvore vizinha, tombara ali um pêssego, sacudido pelo vento, indo aplastar-se contra um pedaço de tábua de escrever, a que ficara colado. O pássaro carregou o pêssego e a tabuinha, depondo-os sobre os joelho do monarca. O príncipe, curioso, leu no fragmento umas palavras que não formavam sentido e que pareciam finais de versos. Ele amava a poesia, e sempre há algum recurso com príncipes que gostam de versos: a aventura do papagaio deu-lhe que pensar. A rainha, que se lembrava do que vinha escrito na tábua de Zadig, mandou buscá-la. Confrontaram os dois pedaços, que se ajustavam perfeitamente surgiram tão os versos tais quais Zadig os escrevera:

Pelo crime brutal era assolada a terra.
Venceu o soberano, e libertos nos vimos.
Na paz universal somente o amor faz guerra:
É o único tirano a quem não resistimos.

O rei ordenou em seguida que trouxessem Zadig à sua presença e retirassem da prisão seus dois amigos e a bela dama. Zadig lançou-se de rosto contra o solo aos pés do rei e da rainha: pediu-lhes humildemente perdão de haver feito maus versos; falou com tanta graça, espírito e razão que o rei e a rainha manifestaram desejo de tornar a vê-lo. Voltou, e agradou ainda mais. Deram-lhe todos os bens do invejoso que o acusara injustamente, mas Zadig lhos restituiu, e o invejoso só se comoveu com o prazer de não perder seus haveres. Dia a dia aumentava a estima do rei. Convidava Zadig para todas as suas festas e consultava-o em todos os seus negócios. A rainha começou então a olhá-lo com uma complacência que podia tornar-se perigosa para si mesma, para o rei seu augusto esposo, para Zadig e para o reino. Zadig principiava a crer que não é nada difícil ser feliz.

06 fevereiro 2014

Paisagem com montanhas

Pintei esse quadro na semana passada. A imprimatura e céu na quarta-feira, duas sessões de 3 horas no sábado e uma de 4 horas no domingo. Ao som de Der Barbier Von Bagdad, de Cornelius, Missa a São José, de Zelenka, Fedora, de Giordano, O Rapto do Serralho, de Mozart, e outras óperas. Pintura acrílica sobre tela de 80 x 30 cm.

Em uma das sessões as crianças me fizeram companhia pintando personagens Monster High.

O acrílico tem a vantagem de secar imediatamente. Não é preciso, portanto, esperar dias para se iniciar uma camada independente - quando não se deseja um efeito muito borrado. Por outro lado, a pintura fica às vezes um pouco dura. No óleo, as mudanças de cor podem ser mais suaves, e a gama de cores muito maior porque sempre há um resto de tinta na palheta passível de ser misturado com uma nova. No acrílico temos que fazer as misturas sempre do zero.

Senti falta de alguma cena mitológica, em segundo plano; um centauro, uma Dafne metamorfozeando-se em loureiro. Mas não quis me arriscar a estragar o que já estava bom - sinal de mediocridade. Mas tentarei superar esse tipo de medo em breve.
Visão geral

Detalhe das montanhas, ao centro


Detalhe das casas e das rochas em primeiro plano

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Update em 11/02/2014
Emoldurei a pintura e fiz pequenas alterações: uma amazona e galhos secos à direita. Aqui está:


30 janeiro 2014

A Última Mutação do Totalitarismo Petista

As manifestações de junho, os rolezinhos em shopping e o temor das manifestações da Copa provocaram uma mutação no totalitarismo petista. Como já dizia uma velha professora marxista, a diferença entre o autoritarismo e o totalitarismo é que em um governo totalitário mobiliza-se milícias para oprimir e intimidar a população. É o caso da Venezuela; lá um manifestante de oposição não apanha da polícia, ele apanha das milícias pró-chaves.

O Gilbertinho nunca foi tão importante no Palácio do Planalto. Ele conseguiu se tornar a conexão do governo com as milícias que estão sendo organizadas por “movimentos populares” para intimidar a população durante a Copa. É uma espécie de Black block governamental que irá entrar em choque com quem quiser protestar contra o governo.

É por causa desse tipo de arranjo que é importante a tal rotatividade no poder. Para evitar que a “quadrilha” instalada, além de aparelhar as instituições do Estado, utilize os seus recursos para mobilizar parcelas da população para lhe dar proteção ostensiva e oprimir quem ousar discordar deles. Infelizmente, hoje temos que reconhecer que a maioria das pessoas ainda não entendeu isso, ou seja, que é melhor votar em um Eduardo Campos, uma Marina que tem mais ou menos as mesmas ideias do núcleo petista mas que não é composto pelas mesmas pessoas. Talvez esse seja justamente o problema; os petistas não estão no poder pelas ideias, elas apenas servem de pretexto para permanência de algumas pessoas. Por isso que um debate real não pode existir porque o discurso é apenas instrumental.

Como enfrentar o totalitarismo petista? Não sei. Se eu soubesse estaria coordenando alguma campanha da oposição e talvez nem quem está ocupando esse cargo tenha essa resposta. Acho que um começo é termos humildade para reconhecer que em uma coisa o PT tem sido competente: em conservar o poder. Não tem uma economia brilhante, não tem um projeto de país, não tem uma boa gestão, mas sabe construir um discurso que corrói e divide a sociedade e o mantém como árbitro dos conflitos que ele próprio alimenta.

Talvez um começo na luta contra o totalitarismo petista seja não ir para a rua e sair na porrada com os apoiadores do regime, mas adotarmos um discurso plural e tolerante. Esse discurso começa por “eu acho”, “na minha opinião”,...deixemos o monopólio da verdade para o PT. O começo de uma sociedade verdadeiramente plural está na criação da capacidade de debater questões sem ofender e sem desqualificar quem discorda da gente. É por isso que o PT não é um partido democrático, porque ele não discute; ou ele compra (39 ministérios...) ou ele desqualifica quem pensa diferente dele. A ausência de um diálogo é uma característica do autoritarismo que consome a sociedade brasileira.

Portanto, em minha opinião, dar mais um mandato para a Dilma e para o PT não é bom para o Brasil. Acho que precisamos arejar, pelo menos as pessoas. O Eduardo Campos é Socialista, apesar do site do PT chamá-lo de playboy traidor. Esse é justamente o ponto. O que está em discussão hoje, na minha opinião, não é uma questão de ideias, é simplesmente manter a hegemonia de um grupo de pessoas liderada pelo Lula, que tem a primazia de indicar os seus postes a partir de quadros do PT para os principais cargos da República. Sou da opinião que o Lula não deve ter esse poder, nem um partido político essa primazia e tenho esperança que a população venha a compartilhar do meu ponto de vista.

22 janeiro 2014

A Violência do PT

Em 2014, assistiremos a muitas violências praticadas pelo PT. São violências permitidas no jogo civilizado de disputa pelo poder. A violência começa pela propaganda que geralmente está baseada em uma meia verdade e na manipulação de alguma crença do público alvo. Já vi dezenas de comerciais do governo federal (petista), de estatais (petistas), governos estaduais (petistas),...que tem o objetivo que criar fantasias que negam a realidade.

A violência continuará pela difamação de adversários que serão perseguidos por investigações usando as organizações do Estado aparelhadas para servir ao partido... por negociações, intimidações, ameaças,...mas tudo isso faz parte do jogo civilizado de disputa pelo poder, afinal, o que é a civilização senão a violência organizada.

Às vezes mal dá para esconder a violência que aflora em declarações ásperas de mandatários indignados diante de alguma pergunta ou situação incômoda. A Dilma é uma pessoa muito violenta, com um passado de violência,... Ela, por outro lado, não é covarde. O Lula é. Mas, o Lula é ardiloso e inteligente. Mas, também é violento...especialmente naqueles discursos em que está mais encachaçado.

A violência começa no próprio desejo pelo poder, afinal, o que faz um petista pensar que é melhor que qualquer outro e que o poder de governar lhe deveria ser entregue? Talvez uma crença mais razoável seja que ele seja melhor do que os outros que querem o poder. Não, seria honestidade demais, isso é privilégio de poucos narcisistas. A maioria dos petistas deve acreditar que o Partido e suas idéias e práticas são melhores para o Brasil.

Quando falo dos petistas, não é exatamente do partido que falo... Falo de uma mentalidade brasileira que está representada no Partido dos Trabalhadores...um tipo de violência que é nossa. É um tipo de violência ressentida contra o sucesso e o trabalho. Um ranço marxista para o qual não existe sucesso sem exploração...

Acho que a violência para os americanos é diferente. Para eles, a violência faz parte da identidade nacional, dos seus filmes, ... Lá temos o mocinho, o psicopata assassino que no final é morto e podemos ter alívio e uma catarse. Na mentalidade petista, a violência tem um significado diferente, é um reflexo da exploração capitalista onde os bandidos são as vitimas e as vítimas são burgueses.

Para os petistas, só existe redenção na violência se ela é exercida em nome do Partido e pelo poder... O fato de que as pessoas beneficiadas serão eles mesmos é um pequeno detalhe necessário para um bem maior.

E no fim, eles lutam pelo que? Talvez eles lutem por lutar...talvez eles não acreditem nas baboseiras que um dia acreditaram quando eram estudantes...mas eles acabaram se tornando tão bons em lutar que continuam pelo gosto das vitórias, pelo gosto de poder,...o poder é delicioso,...a excitação, a adulação, as trepadas,...No fim é isso, é uma afirmação muito tortuosa da vida que se afirma pela violência, pela subjugação dos outros, pela mentira e pela morte.

O PT e o Quinto Poder – o Poder de Investigar

Recentemente, foi publicado um livro do delegado aposentado da Polícia Federal, Romeu Tuma Jr que denuncia a prática petista de elaborar dossiês sobre aliados e inimigos no melhor estilo do velho SNI dos militares. Em seu livro, aproveita para dizer que Lula era informante do antigo DOPs do qual era investigador. Nessa questão, fica a palavra do Lula contra a do Tuminha.

O melhor é o título do livro, assassinato de reputações, pois ninguém está interessado em um processo com defesa, provas, contraditório, nada disso. O importante é desmoralizar o sujeito e desqualificar o interlocutor. O PT gosta desse tipo de estratégia.

De fato, quem forçar um pouquinho a memória irá se lembrar da fábrica de dossiês montada por Dilma a partir de dados de gastos do governo FHC com objetivo de atingir seus velhos inimigos. Esse tipo de prática é disseminada pelo governo e pelos vários sub-grupos do PT. Em 2010, o ex-petista, ex-diretor e ex-assessor da Previ, Geraldo Xavier Santiago, denunciava que a Previ havia se tornado mais uma fábrica de dossiês.

É sabido por qualquer servidor da Polícia Federal que as diretorias foram loteadas entre os presidentes dos sindicatos locais dos delegados da Polícia Federal, prática aliás disseminada em toda a administração pública petista, ou seja, sindicalista que vira executivo.

É estranho que o petista e ministro do STF e TSE Toffoli tenha agora proibido que o Ministério Público faça investigações de crimes eleitorais. Estranho, pois afinal, o que a imprensa divulga é que o próprio Toffoli esteve envolvido na investigação que levou a queda do ex-governador Arruda.

Se bem que todos lembram que um dos motivos das manifestações de 2013 foi a famigerada PEC 37 que iria proibir o Ministério Público de fazer investigações. Monopólio que deveria ser dado a Polícia Federal, quer dizer, aos sindicalistas da Polícia Federal.

A única explicação que me ocorre para a ação de Toffoli é ciúme, afinal, ao que me consta o Toffoli não tem uma gota de republicanismo. E é estranho, afinal, que se faça essa proibição ao mesmo tempo em que tramita no STF ação da OAB proibindo doações de empresas para campanha.

Parece que o Toffoli quer reservar para si o direito de decidir se investiga ou não, ou seja, o Partido dos Trabalhadores, por meio do ex-advogado de campanha do Lula e ex-assessor jurídico de José Dirceu deve decidir se pode ou não haver uma investigação. Enquanto isso, ficamos daquele jeito...o governo abre investigações secretas contra seus adversários e vaza algumas informações quando lhe convém e nega aos denunciados acesso aos autos.

O PSDB de São Paulo que o diga...Há meses é acusado na questão dos trens sem ter direito de ver os autos ou se defender....Aliás, a investigação é conduzida apenas no tocante aos inimigos do partido, deixando de lado possíveis envolvimentos de aliados e dos próprios petistas.

A lei do PT é assim, é para os adversários...E com isso, o partido amplia seu poder e persegue os inimigos.

08 janeiro 2014

Não tem jeito, o PT vai ganhar

Curiosamente, conversando com as pessoas, o que mais ouço é “Não tem jeito, não tem opção, o PT vai ganhar”. Por um lado, as pessoas reconhecem que o PT governa mal, mas ainda assim não conseguem enxergar uma alternativa. Fico intrigado, pois até 2002, o PT votou contra todas as reformas que tentavam controlar a inflação e organizar as finanças do Estado. Era um partido pequeno, irresponsável, não tinha experiência administrativa significativa e ganhou. Tinha algumas pessoas interessantes, mas elas já eram. O Cristovam vazou, o Suplicy esclerosou, a Marina deu no pé, o Palocci, que foi um bom ministro da Fazenda, foi destruído, e o Celso Daniel foi assassinado. Sobrou o terceiro time, como admitiu outro dia o próprio Gilbertinho em entrevista para a Piauí; e sobrou também o Lindinho.

O PT não é tão bom assim. A melhor análise que já vi do PT foi do brilhante Demétrio Magnoli, que "psicanalisou" o partido. Para ele, a queda do Muro de Berlim fez muito mal para o PT, pois eliminou a referência do socialismo real que havia evoluído em uma crítica ao stalinismo. O resultado disso é que para o PT o socialismo real se tornou uma fantasia idealizada. Vejam o caso do comissário Tarso e outros que mal disfarçam suas taras em liderar as multidões para fazer uma constituinte revolucionária, como escreveu em um artigo outro dia.

O PT é ruim porque o pessoal que faz parte dele é problemático. Temos uma galera da Teologia da Libertação, com uma leitura do Evangelho a partir de Marx; temos os sindicalistas, que em geral têm aqueles problemas amplamente conhecidos que são a picaretagem e a falta de gosto pelo trabalho; e, por último, aquele bando de desajustados que sonha em implantar uma ditadura qualquer em que eles mandem. Ah, não podemos esquecer daquele pessoal de classe média que papagaia umas coisas politicamente corretas e, por último, mas não menos importantes, os funcionários públicos, sedentos de privilégios e sem muita vontade de produzir. Quase esqueci dos estudantes. No tempo em que o Genoíno ainda tinha senso de humor, ele brincava que na época de estudante ele trabalhava muito na organização enquanto o Dirceu "passava o rodo". O próprio Dirceu admitiu em entrevista que se iniciou na vida pública ao propor uma greve na PUC-SP para forçar os padres a fazer turmas mistas. É complicado imaginar que a origem disso tudo pode ser o tesão do Dirceu.

Mas acho que, no fundo, o que sustenta o PT é a culpa e a preguiça. Os funcionários públicos têm medo de votar em qualquer outro, pois poderia ser exigente e a classe média morre de culpa de ter um padrão de consumo americanizado em um país miserável. Talvez aqui tenhamos uma divisão que mencionei em outro artigo: os espertos e os otários. Estes têm sentimento de culpa mas são preguiçosos e mentirosos. Os espertos não têm sentimento de culpa mas, ironicamente, sabem manipular os outros que têm, pois possuem traços de psicopatas; e os otários gostam de ser manipulados, pois fazem o que gostariam sem ter de assumir a responsabilidade pelos seus atos.

Talvez o problema seja esse. O PT não é forte, mas nós, como povo, somos muito fracos. É um gigante adormecido. Preferimos acreditar na salvação gratuita pelo Estado e não na ética do trabalho feito dia após dia. Parece que afinal Weber tinha alguma razão. A ética do trabalho protestante faz diferença, enquanto a passividade diante da providência do Estado operada pela interseção do Partido dos Trabalhadores talvez esteja mais de acordo com a mentalidade brasileira.

02 janeiro 2014

2015, o amanhecer de uma nova era sem o PT na Presidência

Se Deus quiser, em 1º de janeiro de 2015 teremos um outro partido governante no Brasil. A grande vantagem da democracia é que de tempos em tempos podemos trocar a “quadrilha” governante e darmos chance para outros também se locupletarem. O PT já deu o que tinha dar. É hora de o Brasil mostrar que é maior do que o PT e que os petistas não são donos do Brasil, que o Brasil ainda não é uma Venezuela.

Ano que vem o PT completa 12 anos no poder. Vamos ser claros, Lula e sua panelinha mandam no Brasil há 12 anos. Mais que isso, só Getúlio, que mandou 15 anos. Para quem tem dúvidas, outro dia vi uma entrevista da nova embaixadora americana no Brasil, que apresentou suas credenciais para as autoridades brasileiras, inclusive o Lula, a quem foi beijar a mão em São Paulo. Eike Batista, antes do colapso, foi pedir penico para Dilma e .... Lula.

Em 2015, o Lulinha irá devolver o seu passaporte diplomático. Milhares de sindicalistas deixarão cargos de gerência e diretorias de empresas estatais e retornarão aos sindicatos onde fizeram suas carreiras. Suas contas bancárias já estão abarrotadas de dinheiro. Suas aposentadorias já estão garantidas. Esse foi o programa mais bem sucedido do governo Lula, o Bolsa Boquinha, que arrumou bons salários e permitiu o enriquecimento de milhares de petistas.

O Brasil merece um Bolsa Família que não represente uma aposentadoria prematura, que tire as criancinhas dos sinais de trânsito e as ponha na escola, uma boa escola. O Brasil não merece políticas raciais que alimentem a separação entre os brasileiros para criar mais um curral eleitoral para o partido. O Brasil merece um governo que tenha competência para melhorar a educação e a saúde. O Brasil merece um governo que respeite os contribuintes. O Brasil merece um governo que trate com justiça os criminosos ao invés de ficar passando a mão na cabeça deles alegando que são vítimas da sociedade. Chega dessas Marias do Rosário.

O Brasil merece um governo que não seja burro de dar isenção para a indústria automobilística ao invés de investir em transporte público. O Brasil não merece ter um pibinho. O Brasil desperdiçou uma década com a má administração petista. Tivemos a China importando bilhões e os Estados Unidos com taxa de juros negativas. Melhor que isso, como dizia o Lula, nunca antes na história deste país...e o que o PT fez com essa oportunidade? Muito pouco.

Infelizmente, nesses 12 anos, o PT comprou muita gente. Hoje, temos categorias do serviço público que têm salários imorais. No Senado está difícil arrumar alguém que aceite ser diretor, pois os servidores mais antigos já estão quase todos no teto constitucional, para não falar nos que já furaram o teto, e não ganhariam nada em assumir essa responsabilidade. Os empresários pegam bilhões do BNDES que pega bilhões do Tesouro Nacional que pega bilhões do nosso Bolso. É o Bolsa Fortuna do PT, quantos milionários o PT não fez com nossos impostos?

Está na hora de mandar essa gente para casa onde eles, como todos os demais brasileiros, tenham que viver sob um governo. Claro que o PT continuará poderoso, pois já tem a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 88 membros, já nomeou 9 dos 11 ministros do STF, e por aí vai...O PT continuará poderoso mas voltaremos a ser uma democracia onde os que estão no governo passam um tempo na oposição e depois voltam novamente, quem sabe até melhores.

Agora, se é para sermos uma ditadura de partido único, espero que o PT siga o exemplo do Partido Comunista Chinês, cuja legitimidade é fruto da capacidade de fazer o país crescer sob uma boa administração. Infelizmente, não acredito que eles tenham essa capacidade, acho que se virarmos uma ditadura do partido único, seremos uma grande Venezuela. Petróleo para isso, acho que já temos.
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