07 janeiro 2008

O Santuário

Assim falou Nietzsche: “É claro, se pudéssemos de fato ver esses carolas e santos falsos, mesmo que apenas por um instante, a farsa seria posta a fim”.

O pequeno conto abaixo foi mal traduzido por mim a partir de uma tradução inglesa, que reproduzo ao final deste post. Se alguém souber corrigi-lo, não se faça de rogado.

O Santuário

O pai do mulá Nasrudin era o muito respeitado guardião de um santuário construído sobre o túmulo de um grande mestre, local de peregrinação que atraía tanto crédulos quanto buscadores da verdade.

Pelo curso natural dos eventos, era de se esperar que Nasrudin herdasse o posto do pai. Mas logo após seu décimo quinto aniversário, quando passou a ser considerado um homem, decidiu seguir a antiga máxima: “procure conhecimento, ainda que seja na China”.

“Eu não tentarei te impedir, meu filho”, disse seu pai. Então Nasrudin selou um jumento e deu início a suas viagens.
Visitou as terras do Egito e Babilônia, vagou pelo Deserto da Arábia, dirigiu-se para o norte, a Konya, Bocara, Samarcanda e à cordilheira do Hindu Kush, associando-se a dervixes e tendo sempre em vista o Extremo Oriente.

Nasrudin cruzava com grande esforço as cordilheiras de Caxemira, após um desvio pelo pequeno Tibet, quando seu jumento, vítima da atmosfera rarefeita e das privações, tombou e morreu.

Nasrudin foi tomado pela dor; o jumento havia sido a única companhia de suas jornadas, que já duravam doze anos ou mais. Com o coração partido, enterrou seu amigo e fez sobre o túmulo um pequeno monte de terra. Lá ficou em silenciosa meditação; sobre ele, grandiosas montanhas, e abaixo, velozes torrentes.

Os viajantes que tomavam a estrada entre a Índia e a Ásia Central, China e os santuários do Turquistão, passaram a observar a figura solitária, ora chorando a sua perda, ora com o olhar nos vales da Caxemira.

“Certamente aquele é o túmulo de um homem santo”, diziam uns aos outros; “e não de um qualquer, haja vista o modo como seu discípulo o pranteia. Tem estado aqui por meses e a dor pela sua perda não dá sinais de diminuir".

Um homem rico passou e, em um ato de devoção, ordenou que fossem erigidos um domo e um santuário no local. Outros peregrinos aplainaram o entorno montanhoso e plantaram sementes, cujos frutos destinavam-se a manter o santuário. A fama do dervixe em silencioso luto se espalhou, até que a notícia chegou ao pai de Nasrudin, que imediatamente seguiu em peregrinação ao local santificado. Quando viu Nasrudin, perguntou-lhe o que havia acontecido. Nasrudin contou-lhe tudo que se passara. O velho dervixe elevou perplexo suas mãos para o céu: “saiba, meu filho”, exclamou, “que o santuário onde foste criado, e que abandonaste, foi erguido exatamente da mesma maneira, por uma cadeia de eventos parecida, depois que meu próprio jumento morreu, há mais de trinta anos".

Fim

--//--

Se fosse possível construir uma máquina que nos transportasse para qualquer época do passado, como meros observadores, e assim nos fosse dado acompanhar despercebidos à curta distância os principais eventos da História, incluídos os narrados nas páginas dos livros ditos sagrados, algo permaneceria de pé? Assistiríamos a épicos hollywoodianos ou a deprimentes espetáculos mambembes? Ficaríamos de queixo caído perante ornitorrincos migrando dezenas de milhares de quilômetros por terra e por mar para subir a rampa de uma gigantesca arca em um estaleiro no meio do deserto? Não.

Mas talvez ficaríamos empolgados com o heroísmo dos espartanos nas Termópilas, nos divertiríamos com um piti de Alexandre Magno, não acharíamos as Guerras Púnicas tão impressionantes, talvez porque não testemunharíamos elefantes africanos cruzando os Alpes...

Teríamos dificuldade em encontrar José e Maria em algum buraco da Galiléia. E se encontrássemos, acompanharíamos cada passo de Maria para nos certificarmos de que ela engravidaria virgem. Veríamos José, como bom barbudo de um Oriente Médio onde não havia televisão, seguidamente conhecendo biblicamente sua esposa. Ela não primaria pela beleza, seria tudo menos a ebúrnea Palas Atena dos altares cristãos. Viveriam em um local insalubre, cheio de moscas. José não lavaria as mãos antes de levar o pão ázimo à boca, perdida atrás de uma repugnante barba. Teriam vários filhos e não encontraríamos dificuldade em identificar qual deles haveria de ser o “príncipe da paz”. Seria talvez o mais estranho, aquele que não conseguiria lixar tão bem uma canga de bode quanto os outros irmãos. Ele preferiria jogar conversa fora com mágicos, prestidigitadores, viajantes e vagabundos a ter que trabalhar com seu pai.

Adiantaríamos uns anos no relógio da máquina e enfim veríamos o filho abandonar a casa dos pais aos trinta anos – algo que só seria visto novamente no final do século XX – e ainda por cima solteiro, sem nunca ter namorado. A partir daí, o veríamos arrebanhar sua “armata Brancaleone” em suas andanças pelas feias paisagens da Palestina. Riríamos de seus truques baratos e dos falsos paralíticos contratados para serem curados perante um povo ávido por milagres e por um messias que cumprisse as belas profecias de seus ancestrais.

Veríamos o galileu praguejar ao ser pregado na cruz, os discípulos subornando os guardas para recolherem do sepulcro seu corpo e então espalharem a “boa-nova” de sua “ressurreição”. Ou então simplesmente nunca encontraríamos Jesus algum. Talvez um jumento sob um montículo de terra.

Mas alguns feitos seriam confirmados, para espanto dos viajantes no tempo. A comprovação do miraculoso strike triplo de INRI Cristo em um boliche de Curitiba revigoraria a fé de milhões de neo-cristãos do século XXX, quando a tal máquina será inventada...

Ilustração: Montagem a partir destas quatro imagens: um burro, um pedestal, Basílica do Santo Sepulcro e mascote dos Democratas (dos EUA).

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Texto Original:

Mulla Nasrudin’s father was the highly-respected keeper of a shrine, the burial-place of a great teacher which was a place of pligrimage attracting the credulous and the Seekers After Truth alike.

In the usual course of events, Nasrudin could be expected to inherit this position. But soon after his fifteenth year, when he was considered to be a man, he decided to follow the ancient maxim: ‘Seek knowledge, even if it be in China.’
‘I will not try to prevent you, my son,’ said his father. So Nasrudin saddled a donkey and set off on his travels.

He visited the lands of Egypt and Babylon, roamed in the Arabian Desert, struck northward to Iconium, to Bokhara, Samarkand and the Hindu-Kush mountains, consorting with dervishes and always heading towards the farthest East.

Nasrudin was struggling across the mountain ranges in Kashmir after a detour through Little Tibet when, overcome by the rarefied atmosphere and privations, his donkey laid down and died.

Nasrudin was overcome with grief; for this was the only constant companion of his journeyings, which had covered a period of a dozen years or more. Heartbroken, he buried his friend and raised a simple mound over the grave. There he remained in silent meditation; the towering mountains above him, and the rushing torrents below.

Before very long people who were taking the mountain road between India and Central Asia, China and the shrines of Turkestan, observed this lonely figure: alternately weeping at his loss and gazing across the valleys of Kashmir.

‘This must indeed be the grave of a holy man,’ they said to one another; ‘and a man of no mean accomplishments, if his disciple mourns him thus. Why he has been here for many months, and his grief shows no sign of abating.’

Presently a rich man passed, and gave orders for a dome and shrine to be erected on the spot, as a pious act. Other pilgrims terraced the mountainside and planted crops whose produce went to he upkeep of the shrine. The fame of the Silent Mourning Dervish spread until Nasrudin’s father came to hear of it. He at once set off on a pilgrimage to the sanctified spot. When he saw Nasrudin he asked him what had happened. Nasrudin told him. The old dervish raised his hands in amazement:
‘Know, O my son,’ he exclaimed, ‘that the shrine where you were brought up and which you abandoned was raised in exactly the same manner, by a similar chain of events, when my own donkey died, over thirty years ago.

14 comentários:

Heitor Abranches disse...

Catellius,

Não sinto que Igreja seja o que ora nos ameaça. O seu posto vem sendo disputado pelo Socialismo e seus acólitos.

A própria Igreja Católica tem uma vertente esquerdista das Comunidades Eclesiais de Base que já vem há décadas ensaiando um novo sincretismo de marxismo e cristianismo.

Acho a idéia de comunidades excelente na medida em que organiza os grupos locais para a solução de seus problemas.

Infelizmente, os religiosos que já conheci envolvidos neste projeto são professores de pedintes e criadores de futuras clientelas para partidos esquerdistas e populistas.

André disse...

Que legal essa viagem. Bukara, Samarkanda, a região do Hindu Kush... só faltou ele dar de cara com Alexandre ou com Timur, o Coxo.

Turquestão... isso abrangia boa parte da Ásia Central. Nome antigo esse.

Eu não riria dos espartanos nas Termópilas.

As Guerras Púnicas foram longas demais.

Encontrar José e Maria em algum buraco da Galiléia seria praticamente impossível.

“Ele preferiria jogar conversa fora com prostitutas, mágicos, prestidigitadores, viajantes e vagabundos a ter que trabalhar com seu velho.” Provavelmente.

“o filho abandonar a casa dos pais aos trinta anos – algo que só seria visto novamente no final do século XX – e ainda por cima solteiro, sem nunca ter namorado (mulheres)”

Muito engraçada essa. E duvido q ele nunca tivesse namorado até esse ponto.


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Pakistan, Bhutto and the U.S.-Jihadist Endgame

The endgame of the U.S.-jihadist war always had to be played out in Pakistan. There are two reasons that could account for this. The first is simple: Osama bin Laden and the al Qaeda command cell are located in Pakistan. The war cannot end while the command cell functions or has a chance of regenerating.

The second reason is more complicated. The United States and NATO are engaged in a war in Afghanistan. Where the Soviets lost with 300,000 troops, the Americans and NATO are fighting with less than 50,000.

Any hope of defeating the Taliban, or of reaching some sort of accommodation, depends on isolating them from Pakistan. So long as the Taliban have sanctuary and logistical support from Pakistan, transferring all coalition troops in Iraq to Afghanistan would have no effect.

And withdrawing from Afghanistan would return the situation to the status quo before Sept. 11. If dealing with the Taliban and destroying al Qaeda are part of any endgame, the key lies in Pakistan.

U.S. strategy in Pakistan has been to support Pakistani President Pervez Musharraf and rely on him to purge and shape his country’s army to the extent possible to gain its support in attacking al Qaeda in the North, contain Islamist radicals in the rest of the country and interdict supplies and reinforcements flowing to the Taliban from Pakistan. It was always understood that this strategy was triply flawed.

First, under the best of circumstances, a completely united and motivated Pakistani army’s ability to carry out this mission effectively was doubtful.

And second, the Pakistani army was — and is — not completely united and motivated. Not only was it divided, one of its major divisions lay between Taliban supporters sympathetic to al Qaeda and a mixed bag of factions with other competing interests.

Distinguishing between who was on which side in a complex and shifting constellation of relationships was just about impossible. That meant the army the United States was relying on to support the U.S. mission was, from the American viewpoint, inherently flawed.

It must be remembered that the mujahideen’s war against the Soviets in Afghanistan shaped the current Pakistani army. Allied with the Americans and Saudis, the Pakistani army — and particularly its intelligence apparatus, the Inter-Services Intelligence (ISI) — had as its mission the creation of a jihadist force in Afghanistan to fight the Soviets.

The United States lost interest in Afghanistan after the fall of the Soviet Union, but the Pakistanis did not have that option. Afghanistan was right next door.

An interesting thing happened at that point. Having helped forge the mujahideen and its successor, the Taliban, the Pakistani army and ISI in turn were heavily influenced by their Afghan clients’ values. Patron and client became allies. And this created a military force that was extremely unreliable from the U.S. viewpoint.

Third, Musharraf’s intentions were inherently unpredictable. As a creature of the Pakistani army, Musharraf reflects all of the ambivalences and tensions of that institution. His primary interest was in holding on to power.

To do that, he needed to avoid American military action in Pakistan while simultaneously reassuring radical Islamists he was not a mere tool of the United States. Given the complexity of his position, no one could ever be certain of where Musharraf stood.

His position was entirely tactical, shifting as political necessity required. He was constantly placating the various parties, but since the process of placation for the Americans meant that he take action against the jihadists, constant ineffective action by Musharraf resulted. He took enough action to keep the Americans at bay, not enough to force his Islamist enemies to take effective action against him.

Ever since Sept. 11, Musharraf has walked this tightrope, shifting his balance from one side to the other, with the primary aim of not falling off the rope. This proved unsatisfactory to the United States, as well as to Musharraf’s Islamist opponents. While he irritated everybody, the view from all factions — inside and outside Pakistan — was that, given the circumstances, Musharraf was better than the alternative.

Indeed, that could have been his campaign slogan: “Vote for Musharraf: Everything Else is Worse.”

From the U.S. point of view, Musharraf and the Pakistani army might have been unreliable, but any alternative imaginable would be even worse. Even if their actions were ineffective, some actions were taken. At the very least, they were not acting openly and consistently against the United States.

Were Musharraf and the Pakistani army to act consistently against U.S. interests as Russian logistical support for U.S. operations in Afghanistan waned, the U.S./NATO position in Afghanistan could simply crack.

Therefore, the U.S. policy in Pakistan was to do everything possible to make certain Musharraf didn’t fall or, more precisely, to make sure the Pakistani army didn’t fragment and its leadership didn’t move into direct and open opposition to the United States.

The United States understood that the more it pressed Musharraf and the more he gave, the less likely he was to survive and the less certain became the Pakistani army’s cohesion.

Thus, the U.S. strategy was to press for action, but not to the point of destabilizing Pakistan beyond its natural instability. The priority was to maintain Musharraf in power, and failing that, to maintain the Pakistani army as a cohesive, non-Islamist force.

In all of this, there was one institution that, on the whole, had to support him. That was the Pakistani army. The Pakistani army was the one functioning national institution in Pakistan. For the senior leaders, it was a vehicle to maintain their own power and position. For the lowest enlisted man, the army was a means for upward mobility, an escape from the grinding poverty of the slums and villages.

The Pakistani army obviously was factionalized, but no faction had an interest in seeing the army fragment. Their own futures were at stake. And therefore, so long as Musharraf kept the army together, they would live with him. Even the less radical Islamists took that view.

A single personality cannot maintain a balancing act like this indefinitely; one of three things will happen. First, he can fall off the rope and become the prisoner of one of the factions.

Second, he can lose credibility with all factions — with the basic political configuration remaining intact but with the system putting forth a new personality to preside.

Third, he can build up his power, crush the factions and start calling the shots. This last is the hardest strategy, because in this case, it would be converting a role held due to the lack of alternatives into a position of power. That is a long reach.

Nevertheless, that is why Musharraf decided to declare a state of emergency. No one was satisfied with him any longer, and pressure was building for him to “take off his uniform” — in other words, to turn the army over to someone else and rule as a civilian. Musharraf understood that it was only a matter of time before his personal position collapsed and the army realized that, given the circumstances, the collapse of Musharraf could mean the fragmentation of the army.

Musharraf therefore tried to get control of the situation by declaring a state of emergency and getting the military backing for it. His goal was to convert the state of emergency — and taking off his uniform — into a position from which to consolidate his power.

It worked to an extent. The army backed the state of emergency. No senior leader challenged him. There were no mutinies among the troops. There was no general uprising. He was condemned by everyone from the jihadists to the Americans, but no one took any significant action against him.

The situation was precarious, but it appeared he might well emerge from the state of emergency in a politically enhanced position.

Enhanced was the best he could hope for. He would not be able to get off the tightrope, but at the same time, simply calling a state of emergency and not triggering a massive response would enhance his position.

Parliamentary elections were scheduled for Jan. 8 and are now delayed until Feb. 18. Given the fragmentation of Pakistani society, the most likely outcome was a highly fragmented parliament, one that would be hard-pressed to legislate, let alone to serve as a powerbase. In the likely event of gridlock, Musharraf’s position as the indispensable — if disliked — man would be strengthened. By last week, Musharraf must have been looking forward to the elections.

Elections would confirm his position, which was that the civil institutions could not function and that the army, with or without him as official head, had to remain the center of the Pakistani polity.

Then someone killed Benazir Bhutto and changed the entire dynamic of Pakistan. Though Bhutto’s Pakistan People’s Party probably would have gained a substantial number of seats, it was unlikely to sweep the election and seriously threaten the military’s hold on power. Bhutto was simply one of the many forces competing for power. As a woman, representing an essentially secular party, she was unlikely to be a decisive winner.

In many ways, she reminds us of Mikhail Gorbachev, who was much more admired by Westerners than he ever was by Russians. She was highly visible and a factor in Pakistani politics, but if Musharraf were threatened, the threat would not come from her.

Therefore, her murder is a mystery. It is actually a mystery on two levels.

First, it is not clear who did it. Second, it is not clear how the deed was done. The murder of a major political leader is always hard to unravel. Confusion reigns from the first bullet fired in a crowd. The first account of events always turns out to be wrong, as do the second through fifth accounts, too. That is how conspiracy theories are spawned. Getting the facts straight in any murder is tough. Getting them straight in a political assassination is even harder.

Paradoxically, more people witnessing such incidents translates into greater confusion, since everyone has a different perspective and a different tale. Conspiracy theorists can have a field day picking and choosing among confused reports by shocked and untrained observers.

Nevertheless, the confusion in this case appears to be way beyond the norm. Was there a bomber and a separate shooter with a pistol next to her car? If this were indeed a professional job, why was the shooter inappropriately armed with a pistol? Was Bhutto killed by the pistol-wielding shooter, shrapnel from the bomb, a bullet from a third assassin on a nearby building or even inside her car, or by falling after the bomb detonated? How did the killer or killers know Bhutto would stand up and expose herself through her armored vehicle’s sunroof? Very few of the details so far make sense.

And that reflects the fact that nothing about the assassination makes sense. Who would want Bhutto dead? Musharraf had little motivation. He had enemies, and she was one of them, but she was far from the most dangerous of them. And killing her would threaten an election that did not threaten him or his transition to a new status. Ordering her death thus would not have made a great deal of sense for Musharraf.

Whoever ordered her death would have had one of two motives. First, they wanted to destabilize Pakistan, or second, they wanted to kill her in such a way as to weaken Musharraf’s position by showing that the state of emergency had failed.

The jihadists certainly had every reason to want to kill her — along with a long list of Pakistani politicians, including Musharraf. They want to destabilize Pakistan, but if they can do so and implicate Musharraf at the same time, so much the sweeter.

The loser in the assassination was Musharraf. He is probably too canny a politician to have planned the killing without anticipating this outcome. Whoever did this wanted to do more than kill Bhutto. They wanted to derail Musharraf’s attempt to retain his control over the government. This was a complex operation designed to create confusion.

Our first suspect is al Qaeda sympathizers who would benefit from the confusion spawned by the killing of an important political leader. The more allegations of complicity in the killing are thrown against the regime, the more the military regime is destabilized — thus expanding opportunities for jihadists to sow even more instability.

Our second suspects are elements in the army wanting to use the assassination to force Musharraf out, replace him with a new personality and justify a massive crackdown.

Two parties we cannot imagine as suspects in the killing are the United States and Musharraf; neither benefited from the killing. Musharraf now faces the political abyss and the United States faces the destabilization of Pakistan as the Taliban is splintering and various jihadist leaders are fragmenting. This is the last moment the United States would choose to destabilize Pakistan. Our best guess is that the killing was al Qaeda doing what it does best. The theory that it was anti-Musharraf elements in the army comes in at a very distant second.

But the United States now faces its endgame under far less than ideal conditions. Iraq is stabilizing. That might reverse, but for now it is stabilizing. The Taliban is strong, but it is under pressure and has serious internal problems. The endgame always was supposed to come in Pakistan, but this is far from how the Americans wanted to play it out. The United States is not going to get an aggressive, anti-Islamist military in Pakistan, but it badly needs more than a Pakistani military that is half-heartedly and tenuously committed to the fight.

Salvaging Musharraf is getting harder with each passing day. So that means that a new personality, such as Pakistani military chief Gen. Ashfaq Kayani, must become Washington’s new man in Pakistan. In this endgame, all that the Americans want is the status quo in Pakistan. It is all they can get. And given the way U.S. luck is running, they might not even get that.

André disse...

A video communique surfaced on Sunday from al Qaeda spokesman Adam Gadahn, aka “Azzam the American.” One of the highlights of the 50-minute video, titled “An Invitation to Reflection and Repentance,” is a call to jihadists to welcome U.S. President George W. Bush with bombs when he arrives Jan. 9 on a weeklong tour of the Middle East.

At one point in the video, Gadahn, a U.S. national, is shown tearing up his U.S. passport.

Overall, the general thrust of the video is no different from previous messages from al Qaeda leader Osama bin Laden, his deputy Ayman al-Zawahiri and other leading jihadist figures, in which they claim a U.S. defeat in Iraq and Afghanistan, denounce rulers of Arab/Muslim countries as apostates and agents of the United States, and call upon Americans to accept Islam.

We have discussed before the amount of resources, energy and time required for al Qaeda’s apex leadership to produce a message like this. Al Qaeda prime not only suffers from a scarcity of resources, but also is obsessed with operational security.

Thus, a decision to issue a statement is made only after considerable thought — presumably, al Qaeda would only produce such a message if it perceived a substantial benefit in doing so.

Therefore, it is quite odd that this latest video from Gadahn and the communiques that preceded it — a series of messages from bin Laden in the fall of 2007 — both talk about the Middle East in general and Iraq in particular, but do not address the situation in Pakistan. Unlike in Iraq and most other places, al Qaeda can actually claim a significant degree of success in Pakistan.

However, the last time al Qaeda issued a statement on Pakistan was Sept. 20, 2007, when bin Laden vowed to retaliate against Pakistani President Pervez Musharraf for the killing of the cleric who led the uprising at Islamabad’s Red Mosque.

Since then, the jihadists in Pakistan have successfully staged multiple suicide attacks against army and air force installations and personnel, as well as those of the Inter-Services Intelligence directorate.

In addition, Pakistani Taliban have consolidated their hold in the Waziristan region in the country’s tribal belt along the border with Afghanistan.

The Taliban phenomenon has also spread to the district of Swat in the North-West Frontier Province, where followers of Maulana Fazlullah took over most of the district — and Pakistani forces are still battling to regain control.

More recently, the insecurity and instability in Pakistan increased sharply because of the assassination of top opposition leader Benazir Bhutto. The deterioration of political stability in Pakistan is obviously forcing the United States to re-evaluate its options — the New York Times reported on Sunday that the National Security Council is considering expanding the authority of the CIA and the Pentagon to conduct more aggressive covert operations in Pakistan’s northwestern regions.

Chaos, weakening of government control, and the entry of the U.S. military into the fray — these are the conditions in which al Qaeda thrives.

Yet there is an odd silence from al Qaeda regarding these victories. Despite its relative success in Pakistan, the group continues to expend its precious resources on producing statements that either rehash its usual standard rhetoric, or that focus on areas in which it is facing defeat. Why would a group that thrives so much on media attention make such a bad PR move?

Al Qaeda’s apex leaders are many things, but they are not stupid — if they were, they would have been killed years ago and would no longer be issuing video statements.

Therefore we tend to prefer the simple, obvious explanation: They are focusing everywhere but Pakistan because they want to draw attention away from Pakistan.

Al Qaeda prime is, after all, headquartered in Pakistan. With Washington’s focus shifting from the chaos in Iraq to the chaos in Pakistan, it might be that the spotlight is shining uncomfortably close to the apex leadership.

From al Qaeda’s point of view, the Afghanistan-Pakistan theater is perhaps the only area of opportunity left for the jihadists to exploit, and the area where the final battle of the U.S.-jihadist war will be fought. But we suspect they are not eager to fight it just yet.

Heitor Abranches disse...

Falando em ameaças....

A doença do vice-presidente que aliás já se encontrava doente quando concorreu novamente e inclusive talvez tenha sido um dos motivos da sua escolha parece ter se agravado.

Com isto, abre-se mais um caminho para o PT tentar a sucessão do Lula. Basta colocar na presidência da Câmara alguém simpático e deixá-lo progressivamente ir substituindo o presidente...Quem sabe o Lula até não renuncia ou se licencia no último ano de mandato e deixa o cara no cargo....

André disse...

Ah, sim, quase me esqueço: legal a foto do post

Bem lembrado, Heitor. Vi isso ontem na internet. Ele está mal. Já fez 6 cirurgias por causa desse câncer.

É, ele pode ter sido mantido como vice do Lula no segundo mandato por estar doente. Morrendo, o Lula fica sozinho, mas vice não serve pra nada mesmo. Acho q foi mantido por comodismo e também pq ele deve ter seus rolos com o PT, deve ter sido muito beneficiado com essa entrada na política. E q entrada mais baixa: com petistas e no partido da igreja universal, que horror...

O Alencar passou esses últimos anos dizendo sempre a mesma coisa.

Quando perguntavam pra ele o q ele achava de alguém, fosse quem fosse, ele começava:

"o Sr. não sei quem trata-se de um estadista, de um homem da mais alta honradez e integridade, da mais alta seriedade, e todos nós temos certeza e estamos confiantes de que este solucionará com a mais alta competência, presteza e rapidez essa questão, tendo sempre em conta os mais altos interesses nacionais e sempre atento ao atual quadro da situação político-econômica nacional, tendo em vista que os outros fatores determinantes ainda não foram devidamente pesados, não obstante a importância dessa questão, de modo que eu tenho absoluta confiança na capacidade do senhor sei lá quem para encontrar um caminho de modo a solucionar essa crise."

"Sim, estou tranqüilo, em absoluto, assim como tenho a mais absoluta certeza de que o Presidente Lula, homem da mais alta capacidade, integridade e honradez, também se encontra tranqüilo e espero que dentro de no máximo duas semanas tenhamos encontrado um caminho para a uma resolução satisfatória dessa questão."

Usar o cargo seguinte na linha sucessória, o de Presidente da Câmara, "a favor" do PT, seria no mínimo complicado.

Primeiro, teriam q trocar o Chinaglia. Ele é inexpressivo demais, um poste tem mais presença, sem falar em intelecto.

Segundo, mesmo q o novo cara substituísse aos poucos o Lula, acho q isso não influenciaria muito as eleições.

Terceiro, Lula adora o poder e não abriria espaço para outro dessa maneira, mesmo q lhe apresentassem as supostas vantagens desse comportamento. E jamais renunciaria, só se ficasse muito doente.

Quarto, é mais seguro ficar no tradicional: tentar as eleições com alguma outra pessoa e, ganhando ou não, se concentrar na volta do Lula nas outras eleições, depois dessa q vem aí.

Aliás, aquela história de terceiro mandato já era, nunca teve muita força, na verdade. E a próxima eleiçao pra presidente vai ser um tédio, com algum petista insosso, outro idem do PSDB, talvez mais um do PFL e possivelmente o oportunista e volúvel Ciro Gomes correndo por fora.

Catellius disse...

Pronto, André. Alterei um pouco o post, que estava muito "carniceiro", he he.

Ficou assim, o trecho alterado:

Se fosse possível construir uma máquina que nos transportasse para qualquer época do passado, como meros observadores, e assim nos fosse dado acompanhar despercebidos à curta distância os principais eventos da História, incluídos os narrados nas páginas dos livros ditos sagrados, algo permaneceria de pé? Assistiríamos a épicos hollywoodianos ou a deprimentes espetáculos mambembes? Ficaríamos de queixo caído perante ornitorrincos migrando dezenas de milhares de quilômetros por terra e por mar para subir a rampa de uma gigantesca arca em um estaleiro no meio do deserto? Não.

Mas talvez ficaríamos empolgados com o heroísmo dos espartanos nas Termópilas, nos divertiríamos com um piti de Alexandre Magno, não acharíamos as Guerras Púnicas tão impressionantes, talvez porque não testemunharíamos elefantes africanos cruzando os Alpes...

Teríamos dificuldade em encontrar José e Maria em algum buraco da Galiléia. E se encontrássemos, acompanharíamos cada passo de Maria para nos certificarmos de que ela engravidaria virgem. Veríamos José, como bom barbudo de um Oriente Médio onde não havia televisão, seguidamente conhecendo biblicamente sua esposa. Ela não primaria pela beleza, seria tudo menos a ebúrnea Palas Atena dos altares cristãos. Viveriam em um local insalubre, cheio de moscas. José não lavaria as mãos antes de levar o pão ázimo à boca, perdida atrás de uma repugnante barba. Teriam vários filhos e não encontraríamos dificuldade em identificar qual deles haveria de ser o “príncipe da paz”. Seria talvez o mais estranho, aquele que não conseguiria lixar tão bem uma canga de bode quanto os outros irmãos. Ele preferiria jogar conversa fora com mágicos, prestidigitadores, viajantes e vagabundos a ter que trabalhar com seu pai.

Adiantaríamos uns anos no relógio da máquina e enfim veríamos o filho abandonar a casa dos pais aos trinta anos – algo que só seria visto novamente no final do século XX – e ainda por cima solteiro, sem nunca ter namorado. A partir daí, o veríamos arrebanhar sua “armata Brancaleone” em suas andanças pelas feias paisagens da Palestina. Riríamos de seus truques baratos e dos falsos paralíticos contratados para serem curados perante um povo ávido por milagres e por um messias que cumprisse as belas profecias de seus ancestrais.

Veríamos o galileu praguejar ao ser pregado na cruz, os discípulos subornando os guardas para recolherem do sepulcro seu corpo e então espalharem a “boa-nova” de sua “ressurreição”. Ou então simplesmente nunca encontraríamos Jesus algum. Talvez um jumento sob um montículo de terra.

Mas alguns feitos seriam confirmados, para espanto dos viajantes no tempo. A comprovação do miraculoso strike triplo de INRI Cristo em um boliche de Curitiba revigoraria a fé de milhões de neo-cristãos do século XXX, quando a tal máquina será inventada...

Ilustração: Montagem a partir destas quatro imagens: um burro, um pedestal, Basílica do Santo Sepulcro e mascote dos Democratas (dos EUA).

Catellius disse...

"E a próxima eleiçao pra presidente vai ser um tédio"

Sem dúvida! E eu fico me coçando para não anular o voto... Acho que se muitos fizessem isso, o presidente colocaria a faixa sob uma aura de extrema insatisfação e ceticismo, e toda classe política ficaria na mesma posição desconfortável.

Catellius disse...

Ótimo, Heitor:

"A própria Igreja Católica tem uma vertente esquerdista das Comunidades Eclesiais de Base que já vem há décadas ensaiando um novo sincretismo de marxismo e cristianismo."

A guerrilha do MST tem forte ligação com a pastoral da terra, com a Igreja Católica e sua luta por reforma agrária e por "justissa" social...

André disse...

É, talvez ficássemos empolgados com o heroísmo dos espartanos nas Termópilas, ainda q não tenha tido quase nada a ver com o filme 300, mas aquilo é história em quadrinhos. Só gostei da resistência inicial deles, nos primeiros confrontos, pq acho q devia acontecer aquilo mesmo. Eles eram malucos. Nem soldados romanos em situações desesperadoras/suicidas se comportavam com o mesmo desprezo dos espartanos.

Legal também foi o q esses caras, os 10 Mil, fizeram:

http://en.wikipedia.org/wiki/Ten_Thousand_(Greek)

http://en.wikipedia.org/wiki/Anabasis_%28Xenophon%29

Se houvesse voto nulo em massa e o novo presidente fosse eleito com uma quantidade ridícula de votos, o Brasil iria virar piada internacional.

“A guerrilha do MST tem forte ligação com a pastoral da terra, com a Igreja Católica e sua luta por reforma agrária e por "justissa" social...”

Essa gente é desprezível...

André disse...

Net Assessment:

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/02/the-united-states-of-america/

Bocage disse...

Um feliz 2008 para meus amigos do Pugnacitas!

Ótimo post, Catellius. Sou fã de carteirinha das histórias de Nasrudin. Traduz todas, se tiveres tempo!

"E se encontrássemos, acompanharíamos cada passo de Maria para nos certificarmos de que ela engravidaria virgem."

Rsrsrsrs

Thomas Jefferson responde bem a esta questão:
"O dia chegará onde a 'gestação mística' de Jesus será equiparada com a fábula da criação de Minerva através do cérebro de Júpiter"

Pedro Amaral Couto disse...

Haha. Vi agora o vídeo do INRI Cristo. Infelizmente ele não é tão conhecido aqui, em Portugal. Parece um novo adversário do Batman. Deve ter havido muitos INRI Cristos na Galileia.

Alguém já leu "O Homem que se tornou Deus", de Gerald Messadié? É um romance histórico sobre um possível Jesus que procurava o Messias, aprendeu magia e que foi salvo por Pilatos. No final estão explicações sobre as decisões na elaboração do romance. É uma obra muito interessante.

Cattelius, obrigado pela visita. Agora uso o Google Reader para poder ler os artigos dos blogs que assino.

Marisa disse...

Caro Catellius

Acho que você e Nietzsche têm razão, em parte. A nossa imaginação é a responsável pelos mitos que criamos. A falta de contacto com o ser idolatrado cria uma fantasia, onde as suas qualidades são tremendamente amplificadas e a parte que os torna humanos é anulada. Os mitos são figuras que vivem às margens da realidade. Uma convivência prolongada com um mito, certamente o destruiria.

Por outro lado, somente uma visão não acaba com o mito e pode reforçá-lo ainda mais. Lembre-se dos ídolos de nossos dias. Uma apresentação num show reforça ainda mais
a idolatria de seus fãs. Fiéis devotos, ao verem o papa, sentem-se como se vissem Deus.

Se pudéssemos voltar ao passado, os cristãos fervorosos subiriam aos céus se pudessem ver Jesus, ou qualquer outro santo. O mito já criado, apenas se reforçaria. Talvez, uma longa convivência produzisse esse efeito destrutivo que vocês esperam.

Mas uma volta ao passado seria fantástica. Já imaginou topar com Alexandre, Carlos Magno, Cleópatra, Júlio César, Aristóteles, Salomão, Jesus, Maria Madalena. As guerras seriam um espetáculo horripilante, com seus combates corpo a corpo, ficaríamos impressionados com as riquezas dos palácios de Salomão e Cleópatra, ficaríamos horrorizados com a falta de conforto e com as doenças. Viajar pelo túnel do tempo seria indescritível, muito melhor que viajar pelo espaço.

Agora, ocorreu-me uma coisa. Já pensou se você fosse para o passado e encontrasse Jesus e fosse convertido por ele... Hahahaha Seria muito irônico, não é? Antes que você comece me xingar, vou embora, mas não antes de elogiar a sua foto montagem que ficou demais, a sua história que é muito interessante e o seu texto que é muito criativo, apesar de sua colocação depreciativa das figuras bíblicas. Até um outro dia!

Anônimo disse...

Viajar para o passado, encontrando um irmão maravilhoso como JESUS CRISTO, a vida teria um sentido único. Mas viajar e não encontrar um sentido, seria desnecessário. Ex: Viajar para o passado encontrar com você mesmo, qual seria? Irônico? Fatal?

Atenciosamente,
uma pessoa que acredita a todo instante em DEUS e está em sempre em sua companhia. Ele é 1000

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