26 janeiro 2008

Os Discípulos de Maria da Conceição Tavares

Outro dia, almocei com o meu colega marxista gramsciano e discípulo da Maria da Conceição. Fomos comer um sushi porque ele estava de dieta. O tema do almoço foi a professora de Economia da UFRJ, que alcançou a fama quando chorou no Plano Cruzado. Chorar é uma estratégia que funciona para mulher, a Hillary que o diga. Os olhinhos dele brilhavam quando falava da Conceição... Definitivamente estou ficando velho; não preciso mais de professores para fazer minha cabeça.

A D. Maria chegou ao Brasil em 1953, acompanhando seu primeiro marido, um engenheiro que havia conseguido um emprego em uma barragem no Sul. Sua família já se encontrava aqui e as perspectivas do Brasil deviam ser melhores que as do Portugal de Salazar.

Formada em matemática em um ambiente de excelência nesta disciplina, cultivado desde as reformas educacionais de Pombal. Ela é uma mulher de uma geração que foi influenciada por acontecimentos como a brutal Guerra Civil Espanhola, o anti-clericalismo português e uma antipatia aos americanos talvez devido à recente intervenção militar americana na Europa.

No Brasil, a professora teve oportunidade de entrar na rede de relações do Partido Comunista e seu grupo de simpatizantes de classe média no Rio de Janeiro, a famosa Vanguarda do Proletariado. Professora competente de macroeconomia, por mais de 30 anos, na década de 70 chegou a um nível em sua carreira em que ou tinha sido aluna ou professora da maioria dos tecnocratas e acadêmicos da área de Economia.

A partir daí, organizou centros de estudos de orientação esquerdista no próprio regime dos militares, por sua identificação com o nacional desenvolvimentismo e seu anti-imperialismo americano, o que encontrava simpatizantes na famosa Linha Dura.

Diferentemente da Geração 68 de Lula e Dirceu, que foi marcada pela Revolução Cubana e pela Revolução de 64, a geração da Maria da Conceição foi muito marcada por acontecimentos europeus. Ao se referir a gerações mais recentes, ela nos acusa de sermos conservadores. A isto respondo que somos apenas outra geração, marcada por outros acontecimentos, e que da mesma forma que eles romperam com as gerações que os precederam, temos todo o direito de romper com a sua geração.

Aliás, um dos temas do almoço foi a traição que ela teria sofrido de Malan, que fora um dos seus discípulos e que, aparentemente, foi ajudado pela rede de relações da professora a conseguir um emprego no Banco Mundial, onde chegou a diretor. Depois, foi negociador da dívida externa e, mais tarde, o principal gestor do Plano Real. Pessoalmente, acho que nenhum aluno deve ao professor lealdade às suas idéias.

Além disso, desprezo estas redes clientelares que criam “obrigações pessoais”, pois o preenchimento de posições deve ser feito de acordo com o perfil de uma pessoa e não por outras considerações. Mas isto deve ser coisa de conservadores, que - como apregoavam os primeiros liberais - acreditam que o sucesso deva ser uma questão de mérito.

14 comentários:

Heitor Abranches disse...

Sempre achei este pessoal das quotas raciais uns tremendos 171...

Agora, o MP está investigando a ministra afro-descedente das quotas por ter gasto R$ 171 mil no seu cartão corporativo no ano passado.

Parabéns ministra, afinal são "milênios" de desigualdade que precisam ser resolvidos não, É????

Heitor Abranches disse...

Aliás,

Ela está em boa companhia, a velha senadora Benedita com seus gastos para ir a cultos em Buenos Aires e na reforma do seu ape funcional não economizou nada....

André disse...

Reinaldo Azevedo

Vivemos os últimos dias de 2007 e os primeiros de 2008 sob o signo do terror. Setores da imprensa do Brasil e do mundo se deixaram seduzir pela pauta dos bandidos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Co-estrelaram a farsa protagonizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que "libertou" duas reféns (há oitocentos!), os governos do conservador Nicolas Sarkozy, presidente da França, e do "progressista" Luiz Inácio Lula da Silva. Os maus herdeiros de Tocqueville (1805-1859), autor de Democracia na América, querem apenas resgatar do coração das trevas Ingrid Betancourt, uma cidadã que também tem nacionalidade francesa – e depois esquecer aquele canto amaldiçoado das... Américas. Já Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula e representante brasileiro na "negociação", estava lá como um utopista. Ele é fundador de uma entidade internacional chamada Foro de São Paulo, que tem como sócios tanto o PT como as Farc. Existe, portanto, uma entidade em que essas duas organizações são parceiras, companheiras e partilham objetivos comuns.
O tal Foro foi criado em 1990 por Lula e pelo ditador Fidel Castro. Reúne partidos e grupos de esquerda e extrema esquerda da América Latina. Era a resposta local ao fim do comunismo – a URSS seria oficialmente extinta no ano seguinte. Há dois anos e meio, no aniversário de quinze anos da entidade, a reunião dos "companheiros" se deu no Brasil. E Lula discursou para a turma. Não acredite em mim, mas nele. A íntegra de sua fala está no endereço oficial www.info.planalto.gov.br. Clique no terceiro item da coluna à esquerda, "Discursos e entrevistas", e depois faça a procura por data: está lá, no dia 2 de julho de 2005.

Em sua fala, o presidente brasileiro:

- exalta a atuação de Marco Aurélio Garcia no Foro:

"O companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990";

- explicita as vinculações da organização com Chávez:

"O Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos (...) a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela";

- canta as conquistas
internacionais da patota:

"E eu quero dizer para vocês que muito mais feliz eu fico quando tomo a informação, pelo Marco Aurélio ou pela imprensa, de que um companheiro do Foro de São Paulo foi eleito presidente da Assembléia, foi eleito prefeito de uma cidade, foi eleito deputado federal, senador (...)";

- expõe os tentáculos internos de que o Foro se serve:

"Vejam que os companheiros do Movimento Sem-Terra fizeram uma grande passeata em Brasília. (...) A passeata do Movimento Sem-Terra terminou em festa, porque nós fizemos um acordo entre o governo e o Movimento Sem-Terra";

- e reafirma a marcha rumo ao poder no continente e, se der, fora dele:

"Por isso, meus companheiros, minhas companheiras, saio daqui para Brasília com a consciência tranqüila de que esse filho nosso, de quinze anos de idade, chamado Foro de São Paulo, já adquiriu maturidade, já se transformou num adulto sábio. (...) Logo, logo, vamos ter que trazer os companheiros de países africanos para participarem do nosso movimento (...)."

Os petistas, como se vê, falam do Foro sem receio. Fizeram-no, por exemplo, no vídeo preparado para o 3º Congresso do partido, no fim de agosto e início de setembro do ano passado. Procure no YouTube. Parte do jornalismo brasileiro, no entanto, pretende que tratar do assunto é dar asas a uma fantasia paranóica. Eis uma prática antiga da esquerda. Ela sempre foi craque em ridicularizar a verdade, transformando-a numa caricatura, de modo que seus adversários intelectuais ou ideológicos não encontrem senão a solidão e o desamparo. Se você é do tipo que prefere anuir com o crime a ficar sozinho, acaba se comportando como um vapor barato do tráfico ideológico.
Já lembrei no blog a viagem que o escritor francês André Gide (1869-1951) fez à URSS em 1934, para participar do Primeiro Congresso dos Escritores. O evento era organizado por Jdanov, o poderoso ministro da Cultura. Intelectuais de todo o mundo estiveram lá. Só Gide denunciou o regime do ditador soviético Stalin (1879-1953), o que fez no livro Retour de l’URSS. Isso lhe valeu o ódio da esquerda internacional e uma espécie de ostracismo. André Malraux (1901-1976) foi um dos que silenciaram. Fez pior do que isso: afirmou que os Processos de Moscou, farsas jurídicas a que Stalin recorria para eliminar seus adversários (e até aliados), não maculavam a essência humanista do socialismo. De fato, o autor de A Condição Humana era um espião soviético. As esquerdas têm muitos heróis nascidos no solo fertilizado pelos cadáveres de seus adversários. Posso ficar só, mas repudio o crime.
Malograda a primeira expedição de Chávez e dos "observadores" para resgatar os reféns das Farc, o Itamaraty divulgou uma nota no dia 1º de janeiro lamentando o desfecho e concluía: "O governo brasileiro reitera seu apoio ao processo de paz na Colômbia, assim como a disposição de aprofundar sua contribuição a iniciativas de fortalecimento do diálogo interno naquele país". Traduzindo a linguagem diplomática: o Brasil reconhecia as Farc como "força beligerante" – uma reivindicação de Chávez –, e não como grupo terrorista. No dia 14 de janeiro, em seu programa de rádio, foi a vez de o próprio Lula afirmar: "Na medida em que as Farc se dispõem a libertar dois reféns, ela está dando (sic) um sinal de que é possível libertar mais. Portanto, o apelo que eu faço é que o governo colombiano e o meu amigo, o presidente (Álvaro) Uribe, mais os dirigentes das Farc se coloquem de acordo para que se possa (sic) libertar mais pessoas que estão seqüestradas". Os terroristas, que recorrem a assassinatos e seqüestros e vivem da proteção que oferecem ao narcotráfico, eram, assim, reconhecidos como expressão política legítima – agora não apenas no Foro de São Paulo, mas no âmbito da diplomacia e do governo brasileiros.
Isso tudo é irrelevante? Não é, não. Já publiquei no blog a lista dos partidos e organizações que integram o Foro: além do PT, do PC do B e das Farc, estão, entre outros, o também colombiano Exército de Libertação Nacional, o Partido Comunista de Cuba, o Partido Comunista do Chile, o Partido Comunista da Bolívia (aliado de Evo Morales), o Partido Comunista da Venezuela (engolido por Chávez), a Frente Sandinista de Libertação Nacional e o PRD mexicano (Partido da Revolução Democrática), do arruaceiro López Obrador, aquele que não aceita perder eleições.
A recusa em condenar as Farc, a defesa incondicional do governo de Hugo Chávez na Venezuela, o apoio às pantomimas de Evo Morales na Bolívia – mesmo e especialmente quando ele contraria interesses brasileiros – e de Rafael Correa no Equador e as relações sempre especiais com a tirania cubana fazem parte do alinhamento do governo do PT com este "Comintern" (Internacional Comunista) cucaracho, o Foro de São Paulo.
Ah, não. Não haverá uma revolução comunista liderada pelos petistas. É mais lucrativo operar uma "revolução" na telefonia, não é mesmo? Condescender com a hipótese do levante é uma forma de fazer uma caricatura do que vai acima. O que estou afirmando, e isto é inconteste, é que existe uma organização na América Latina, chamada Foro de São Paulo, a que pertencem o PT e as Farc, que coonesta grupos e governos que optaram pelo terror, pela ditadura ou por ambos. O que essa gente faz é chantagear a democracia, cobrando muito caro por aquilo a que temos direito de graça. E isso se dá, como sempre, sob o silêncio cúmplice e medroso dos democratas.
E que se note: por motivos óbvios, os petistas são mais decentes quando silenciam sobre os crimes das Farc do que quando fingem indignação em entrevistas.

André disse...

“Outro dia, almocei com o meu colega marxista gramsciano e discípulo da Maria da Conceição. Fomos comer um sushi porque ele estava de dieta.”

E no final do ano eu estava num jantar na cobertura de um hotel e tive que agüentar por um tempo o irmão de uma amiga minha, sentado ao meu lado e horrorizado com a carne no meu prato. Disse: “Fico com nojo só de sentir o cheiro de carne. Não como isso há anos.” Hummm, Creusa... Audácia da Pilombeta, ela não come carne... Daqui a pouco vai virar vegan ou sei lá que outra frescura. Não come carne, mas pelo menos fez o favor de levar uma garrafa de Johnnie Walker Black. Um rapaz meigo. Muitas garotas se derretem por ele. Faz o tipo rapaz sensível, mas parece mais um rapaz alegre, ainda q realmente não seja. Viadinho, sem ser viado.

“Pessoalmente, acho que nenhum aluno deve ao professor lealdade às suas idéias.”

Certo. Claro que não deve.

Valeu pelo esclarecimento astral, Bocage.

“André, o nerd que tem alguma chance com a Penny é outro, esqueci o nome dele. Acho que é Leonard.”

OK

Vejo episódios soltos de House, fora de seqüência, mas já vi muitos.

Roma, vi alguns poucos na HBO, na casa de uma ex-namorada (não assino esse canal) e, assim q saiu a 1ª temporada em dvd, comprei e assisti inteira em uma semana. Nesse Natal, vi a 2ª temporada. Pena q pararam pois, apesar do sucesso, os custos de produção foram altíssimos.

Eu adorei Roma. A 2ª temporada ficou legal, mas a 1ª é a melhor, talvez pela falta q o Ciarán Hinds (César) faz na 2ª. Aquele cara ficou perfeito no papel. É bom ver uma série que, apesar das licenças históricas, apesar de ser algo romanceada, foi até razoavelmente fiel à história oficial, encaixando bem realidade e ficção. E é muito boa também pq raramente aparece um bom filme ou série sobre História, pq Roma Antiga sempre me interessou muito e pq a produção foi primorosa demais, minuciosa e detalhista, gosto disso.


Two and a Half Men também é legal. Gosto do garoto gordinho cínico com suas tiradas.

Dependendo do assunto, o Reinaldo Azevedo é ótimo, mas acho q com o tempo ele pode acabar se tornando um Olavo, no extremismo. Por enquanto ainda não... mas já está virando o porta-voz extra-oficial do Bento XVI. O problema desses caras é q não conseguem viver sem um guru (que pode ser uma pessoa, uma ideologia, uma religião, um partido, qualquer coisa). Sempre tem q estar filiados a algo, acho q não suportam um pouco de “solidão intelectual”, de isolamento saudável dessas coisas todas.

“Dessa forma, não é de admirar que bom número de ateus racionais (e até teístas moderados) - ou seja, pessoas que conhecem as falácias do populismo e do politicamente correto - conheçam, acompanhem e até concordem com boa parte do trabalho de carolas feito os dois acima citados.”

Conheço alguns assim.

“Não temos Revel, vai Reinaldo.”

Mandou bem...

Ricardo Rayol disse...

uel, se os discipulos não superassem os mestres o mundo iria ser muito chato, como por exemplo alguém colar um artigo inteiro de outro nos comentários como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Raphael Piaia disse...

Minha namorada e eu também compramos a série. Assisti a primeira temporada num fim de semana. Não soube que eles vão deixar de produzi-la. Espero que não sejam estúpidos e mudem de idéia. Depois do fim dos Sopranos, não sobrou muita coisa pra assistir.

André disse...

"alguém colar um artigo inteiro de outro nos comentários como se fosse a coisa mais normal do mundo"

Bom, faço isso direto. Mea culpa, mea maxima culpa... se chateio alguém fazendo isso, peço desculpas. Minha intenção é só a de mostrar o que está sendo discutido por aí.

Sim, os Sopranos também eram bons. Por falar em crime organizado, vi American Gangster hoje, do Ridley Scott, com o Russell Crowe e o Denzel Washington. Esperava mais, mas gostei mesmo assim.

Infelizmente Roma já era, a 2a temporada já foi anunciada como sendo a última. Outro dia até descobri por acaso um abaixo-assinado, petition, na internet, pedindo a 3a.

Mas posso estar errado, claro. Dizem q estão pensando em fazer mais uma, mas são boatos, impossível verificar essas coisas.

Raphael disse...

American Gangster é aquele filme sobre “mafiosos” negros? Não é bem meu tipo de filme. Infelizmente (ou felizmente), nem isso os negros conseguiram fazer bem. Prefiro os bons e velhos Corleones, sabiam agir com classe.

Se bem que estou falando sem ter visto o filme (que não tenho a mínima vontade de ver), pode ser que seja bom, apresente uma visão diferente que nunca imaginei, vai saber. Mas acho difícil.

Sobre o post do Abranches, fico pensando se houve alguma boa geração no século passado.

André disse...

É, nem isso os negros conseguiram fazer bem, mas ele foi, ou tentou ser, uma exceção à regra.

Máfia tem q ser organizada e disciplinada, como algumas italianas e russas.

Heitor Abranches disse...

Pessoal,

Com relação à questão africana, sempre me perguntei porque eles mesmo depois do fim da colonização que em muitos casos durou 500 anos não conseguiram avançar...

Talvez o problema dele seja um que os europeus superaram ainda na Idade Média quando as identidades tribais foram sendo enfraquecidas e substituídas por identidades nacionais...

Este processo no caso africano parece estar atrasado e os estados nacionais deles parecem ter se tornado palco de disputas tribais.

Um dos motivos que eu desprezo este pessoal das Quotas Raciais é exatamente este. A criação e o fortalecimento de identidades raciais não fortalecem o país. Apenas o tornam vulnerável a manipulação étnica em alguma crise.

Mas aí estou perdendo o meu tempo pois os mesmos caras que propõe as quotas raciais são exatamente os mesmos que amanhã gostariam de manipular os negros beneficiários delas.

Aliás, diga-se de passagem que a maioria deles não precisaria de nada disto pois já são a elite deste grupo e conseguiriam o seu sucesso sem ajuda desta canalhada. Aliás, como sempre conseguiram.

Raphael Piaia disse...

Abranches, sempre vai ser mais fácil culpar outros pelos seus erros do que assumir responsabilidade pelos próprios atos. É exatamente isso que muitos negros fazem hoje, creio que é algo que os acompanha desde o berço. Não dá para culpar a colonização pelo atraso, isso é desculpa barata. Veja, países que foram completamente destruídos – como Alemanha e Japão, por exemplo – conseguiram se reerguer a ponto de se transformarem em grandes potências mundiais. Ai vem o demagogo politicamente correto e diz: “Ah, mas esses países receberam ajuda organizada, tiveram um plano Marshall e tudo o mais”. Isso é outra grande bobagem, uma vez que África já recebeu o equivalente a dezenas de planos Marshall, perdões de dívidas, entre outros benefícios, e continua sempre na mesma situação. Por quê? Porque é mais fácil, sempre que surge um problema, culpar o passado, chantagear emocionalmente, levar grupos inteiros a crer que de alguma forma bizarra são culpados e devem pagar pelos erros de seus ancestrais.

Essa é outra coisa curiosa sobre esse tipo de negros. Ganharam a liberdade mas hesitam em exercê-la, hesitam em assumir o peso que vem com a mesma. Há alguns dias, lá no trabalho, durante o horário de almoço, estávamos assistindo o jornal. Devia ter umas 6 pessoas na sala, por ai. Duas eram negras, um homem e uma secretária. Apareceu a noticia de que um promotor havia matado um “possível” assaltante numa motocicleta que fizera o gesto de tentar sacar uma arma. A garota negra, no fim da matéria, logo comentou com ironia: “Claro, só podia ser, é preto então tem que ser culpado”. Todos os brancos sorriram meio sem graça – aquele tipo de sorriso com simpatia e vergonha – ao mesmo tempo que uma branca dizia que é assim mesmo. Que sempre querem fazer parecer que os mais pretinhos são os culpados, que tudo sobra para eles, são perseguidos, aquele bla bla bla de sempre. Valorizando meu descanso como valorizo, em casos assim geralmente eu bocejaria e ignoraria a conversa, mas resolvi chamar a atenção para o fato de que o sujeito estava com outros três relógios roubados com ele, e que, se não me engano, três testemunhas o viram anunciando o assalto. Todos olharam para mim meio sem graça, como se eu cometesse uma heresia em apontar o óbvio. A garota negra, meio constrangida e a contragosto, objetou que o rapaz poderia ter trocado – isso mesmo, trocado! - os relógios. Virou e ficou um tanto irritada. Logo depois dessa matéria, veio outra sobre barracos que tinham desabado. A entrevistada, que morava num deles, era negra. Para provocar resolvi perguntar se o barraco dela também tinha caído só porque ela é negra, já vislumbrando uma conspiração de barracos contra os negros. Dá pra imaginar a reação do pessoal.

Enfim, meu ponto é que eles nunca vão sair da situação que estão enquanto não aprenderem a agir como homens responsáveis. Enquanto não pararem com essa besteira de valorizar origens culturais primitivas (para enfatizar a “identidade”) ao mesmo tempo que se sentem na obrigação de rejeitar ou ver com suspeitas tudo que tenha origem ou pertença à “cultura dos brancos”

Heitor Abranches disse...

Raphael,

O problema que vejo nas quotas e que beneficia justamente os mediocres e nao merecedores. A maioria dos negros que ja conheci na universidade sao inteligentes, bem formados e teriam passado de qualquer jeito.

Acho que o melhor sistema neste aspecto e o do Itamaraty que faz um concurso separado de bolsas para negros que recebem uma boa quantia para poderem estudar dois anos para o concurso onde disputarao como todos os outros.

Nao e positivo para organizacoes que hajam grupos cujo acesso e meritos sejam questionaveis. Este tipo de separacao nao favorece o seu funcionamento.

Quanto a Africa, eles tem fracassado em grande parte, creio, porque tem falhado em adaptar as instituicoes ocidentais as suas proprias. Veja o caso da Suica que e uma federacao de cantoes.

Este talvez fosse um bom modelo para paises. Isto evitaria que um falso estado nacional fosse loteado entre etnias que roubam do estado que nao e de ninguem. Caso parecido com o nosso. Aqui ainda vale a velha maxima. O que e publico nao e de ninguem.

Raphael disse...

Heitor, acho que nenhuma política que beneficie a cor dos candidatos é boa. Nem essa do Itamaraty. E os pobres brancos, amarelos, como ficam?

Concordo sobre as instituições ocidentais. A África estaria melhor se soubesse aceitá-las.

André disse...

Acho aquela bolsa pra afroblackdescendentes do Itamaraty ruim como as cotas. Eles recebem grana pra se preparar e um branco pobre não recebe. Um pré-concurso ou algo do tipo dá bolsas para eles, que recebem grana e ainda ganham um curso preparatório (q não deve ser ruim) para o concurso. Acho isso errado. E ficam um ou dois anos recebendo tudo isso, pelo jeito.

A África tem q inventar um capitalismo tribal, he, he, quem sabe assim dá certo.

Uma ótima semana para todos vcs!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...