13 dezembro 2007

O Bom Corrupto

Em minhas conversas com o meu amigo marxista gramsciano que foi aluno da Conceição, do Lessa e dos caras da Unicamp aprendi muito. Segundo ele, o José Dirceu é o Robin Hood de Marx e Gramsci. Ele roubava para o partido conforme as denúncias do Mensalão que se encontram no Supremo Tribunal Federal. É algo completamente diferente do que roubar para o enriquecimento pessoal, roubar por uma causa.

Segundo uma leitura de Gramsci, o partido deve substituir o príncipe em Maquiavel e a razão de estado deve ser substituída pela razão do partido, ou seja, tudo deve ser feito para se fortalecer o partido. Neste prisma, o Mensalão, a censura da imprensa, a ocupação do governo pelo Partido e reformas políticas que visem enfraquecer o Congresso e seus representantes são as táticas desta estratégia.

Talvez o meu amigo marxista gramsciano não esteja completamente enganado, talvez os corruptos não sejam assim tão ruins, afinal, não existe nada mais decepcionante do que um falso íntegro. Vejamos o caso do Mercadante, principal interessado, beneficiário e a pessoa com poder no caso da compra do Dossiê que um grupo da Polícia Federal após afastar o delegado do caso rapidamente inocentou. Apesar deste episódio do qual saiu limpo, pois a bomba foi estourar no colo do Berzoini, continua ainda posando com aquela cara de menino íntegro, filho de general e irmão de coronel. Para cada mentira que ele conta um fio de cabelo cai, está quase careca. Uma hora é contra a redução da maioridade penal, outra hora defende o sigilo do cartão de crédito da Presidência da República por razões de segurança nacional, outra hora diz que as pessoas vão morrer se for aprovada a CPMF.

Esta vocação totalitária do PT que pretende dominar o estado, o governo e a sociedade é algo que deve ser combatido. Eles defendem que o partido é o melhor veículo para que os sindicatos, os movimentos sociais e outros aliados consigam o poder. É uma relação curiosa onde se defende o fortalecimento do partido em nome de uma base social que em última instância tem que se submeter às razões do partido conforme forem arbitradas pela Executiva Nacional.

Corrupto por corrupto, fico com o Roberto Jefferson que despertou o país da cantilena do Fome Zero inventada pelo vendedor de sabão em pó, Duda Mendonça. Aliás, ele vai muito bem com seus milhões depositados pelo PT em suas contas no exterior e as suas rinhas de galo. O Lula se elegeu com o Fome Zero e se reelegeu com o Bolsa Família mas eu continuo a ver meninos fora da escola na rua e mendigos caídos pelos cantos.

Muitos ainda dizem que o Delcídio é corrupto mas foi o homem que de forma competente e profissional presidiu a CPI dos Correios e contra todas as pressões do Partido apresentou um relatório onde se apontam responsáveis. Sua conduta foi exemplar enquanto outros santos de pau oco tinham suas espinhas quebradas diante da pressão que sofriam do partido. O Jorge Bittar berrando diante do Delcídio para desesperadamente tentar impedir que a Comissão emitisse um relatório de seus trabalho teve a sua espinha esmigalhada, isto é, se algum dia teve alguma.

Por fim, a corrupção é natural e ela começa nas panelinhas que formamos para sobreviver diante das ameaças representadas pelo outro. Para os nossos tudo, para os outros, os rigores da lei. Por isto que eu prefiro o ‘papo reto’, como diria, o Baiano de Tropa de Elite. Prefiro o faço porque posso do que o faço pelo partido, pelo chefe ou seja lá porque for. O faço porque posso respeita o outro porque além de roubá-lo não tenta enganá-lo. Mesmo que isto seja feito com desprezo ainda ficamos mais próximos da verdade do que perdidos em algum idealismo ou racionalismo qualquer.

7 comentários:

Heitor Abranches disse...

Berzoini e Tatto destacam preparação do PT para 2010
Berzoini e Tatto após o debate
Rossana LanaA preparação para as eleições de 2010, a relação do PT com os movimentos sociais, a democracia interna e a juventude petista foram temas que se destacaram no debate realizado na manhã desta quarta-feira (12) entre os deputados Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência nacional do partido no segundo turno do PED 2007. O debate aconteceu na sede nacional do partido, em Brasília.
Durante mais de uma hora, os dois candidatos apresentaram suas propostas e posicionamentos políticos com relação à condução do PT nos próximos dois anos. Também foram feitas seis intervenções de apoiadores das duas candidaturas, com perguntas, questionamentos e comentários sobre as suas propostas.

Berzoini e Tatto destacaram o acúmulo político conquistado pelo PT, principalmente nas eleições de 2006, com a reeleição de Lula à presidência da República, a maior votação para deputados federais entre todas as legendas e a conquista de cinco governos estaduais. Eles creditaram essas vitórias ao grande esforço realizado pela direção nacional que foi eleita no PED 2005, após a crise política vivida pelo partido naquele mesmo ano.

Eleições 2010
Tanto Berzoini como Tatto consideram a preparação do PT para a disputa das eleições presidenciais em 2010 um dos grandes desafios para o partido.

Para Tatto, o PT deve trabalhar para consolidar uma candidatura própria em 2010, com a apresentação de um programa que defenda o governo Lula e da negociação de uma aliança com os partidos de centro-esquerda que já fazem parte da coalizão atual.

Berzoini afirmou que não existem argumentos contra uma candidatura própria do partido para a sucessão de Lula, mas adiantou que para isso é necessária a construção de um cenário político favorável, com a elaboração de um programa que não tenha somente o apoio dos partidos aliados, mas do conjunto da sociedade brasileira.

Movimentos sociais
A relação do PT com os movimentos sociais do país foi bastante debatida pelos dois candidatos.

Para Tatto, o partido precisa mudar a sua agenda política para resgatar o diálogo com o movimento popular e sindical, para atuar na defesa de questões como a implantação das 40 horas semanais e o debate em torno de uma educação pública de qualidade. Ele defende uma relação mais direta entre o governo Lula e os movimentos.

Para Berzoini, o partido não se afastou dos movimentos sociais porque existem diversos petistas atuando na organização da sociedade civil e em diversas frentes de luta. Ele afirmou que o petista que atua no movimento está investido de poder para reivindicar melhorias, enquanto que os que estão no governo federal estão investidos da condição de realizar políticas de Estado. Na sua opinião, as contradições resultantes deste processo são naturais, principalmente para um partido que tem projeto de poder como o PT.

Democracia interna
Os candidatos manifestaram a sua preocupação com relação a uma nova forma de organização interna do partido.

Tatto destacou a necessidade da elaboração de um código de ética, proposta aprovada no 3º Congresso Nacional, além da constituição de um pacto partidário sobre o comportamento partidário dos parlamentares e militantes. Além disso, ele propõs a “radicalização” da democracia, com igualdade de condições para todas as correntes.

Berzoini afirmou que, apesar da grande participação dos militantes no primeiro turno do PED 2007, com mais de 325 mil votantes, existe uma preocupação com relação à filiação partidária. Ele defendeu uma discussão em torno de um novo conceito de filiação, nível de formação política do filiado e o fim do “assistencialismo” interno.

Juventude
A questão da organização da juventude petista foi considerada pelos dois candidatos como um grande desafio para o partido e uma prioridade para a nova direção nacional, que lembraram a aprovação pelo O 3º Congresso Nacional do PT do I Congresso Nacional da Juventude Petista. Berzoini e Tatto concordam que o futuro do PT depende de uma participação mais ativa da juventude que, nos últimos anos, está mais presente nas ações do partido em todo o país.

André disse...

Também prefiro o papo reto.

Mercadante é asqueroso e vazio.

Pedro Simon, da nossa "oposição a favor", também. Supostamente íntegro, moralista de fachada, tolo e banal. Se acha um imenso reservatório de consciência e moralidade. Um merda e um revoltado a favor:

sempre revoltado, sempre a favor.

Outro desse tipo é o Cristovam Buarque, de intelecto ralo e ridículo. Vive tendo idéias de jerico, propondo besteiras. Só q Simon é um casca grossa, enquanto Cristovam quer passar aquele verniz acadêmico em tudo o que diz. E tem gente q acha o cara um intelequitual.

Roberto Jefferson, meu canalha predileto, pelo menos diz quase tudo o q pensa, é direto e sem frescuras. Fala bem e como gente. Não tem o ar pomposo, o linguajar empolado, nem o moralismo rastaqüera dos dois acima e de tantos outros.

Quanto ao Jorge Bittar, é o idiota do projeto pra se enfiar 50% de "programação nacional" em todos os canais de tv a cabo. Canais, obviamente, estrangeiros. Sem comentários.

Brasil...

Mas olha só q legal, Mestre Lampião e cangaço terão menos dinheiro pra roubar, "menas" rapadura pra comer: a CPMF não passou.

E já começaram com o draminha: os projetos "sociais" sofrerão com isso, sem a CPMF teremos q fazer cortes... ora, vão se f...

André disse...

Ah, faltou o Suplicy, o "contínuo de si mesmo". Mas esse não bate bem, tem problemas sérios.

Ricardo Rayol disse...

bom corrupto é que nem saci pererê. Entendo o ponto de vista mas não dá pra concordar, mas o bom é isso.

Heitor Abranches disse...

LUCHO GARZON É PREFEITO DE BOGOTÁ QUE ELEGEU RECENTEMENTE SEU SUCESSOR. FOI PRESIDENTE DA CUT DE LÁ, E ERA UM RADICAL DE ESQUERDA! ASSUMIU A PREFEITURA, FEZ UM GRANDE GOVERNO E MUDOU!

Trechos de uma longa entrevista de "Lucho" Garzon, Prefeito de Bogotá, transcrita na edição de 09/12/2007 de "El Tiempo":

1- Eu atuei na política durante os anos 70 e 80 com o fígado; ou seja, com raiva e com ressentimento de quem queria fazer da revolução um cenário para ressarcir as exclusões de tipo econômico, social e afetivo de então. Caiu o Muro de Berlim, mas felizmente não tombou sobre mim; eu caí por cima do Muro de Berlim. Ocorre que, desde os anos 90, eu me reconcilio com a vida. Antes dos 90, havia em mim um ressentido.

2- A esquerda é amar aos outros. A direita é amar-se a si mesmo. Conheço muitos esquerdistas que atuam como a direita; egoístas, não solidários, ego-centristas. E conheço muitos que são designados de direita, que atuam com um grau muito elevado de solidariedade e de generosidade. Eu me declaro um reformista absoluto: reformas sociais, econômicas e políticas. O reformismo que represento é a luta pelos direitos, e não a luta de classes. Isso me diferencia bastante de aqueles que pretendem fazer da política um antídoto: anti-Uribe, anti-Bush, anti-Clinton, anti-TLC,... Tudo é anti, anti, anti.

3- Nos anos 70 e 80, dizíamos que necessitávamos uma guerrilha, porque havia um estado de sítio. Acabou-se o estado de sítio com a Constituição de 91. Depois, se disse que a luta contra a pobreza se fazia num cenário de guerrilha, não num outro cenário. Demonstramos o contrário, em Bogotá: reduzimos a pobreza em 61% e em 38%, a indigência; E o país também avançou. Agora, estamos discutindo o tema do delito de rebelião num momento em que a linha de ação das FARC é a de que os fins justificam todos os meios. Não se pode entrar nessa discussão, porque se acaba legitimando, de alguma maneira, o cenário das FARC.

4- Não nos lançamos em candidaturas para fazer oposição. Realizamos um governo com base no desenvolvimento de reformas e foi nisso que votou a gente. A gente não votou num discurso anti-tudo. É, nem mais, nem menos, o referendo de uma política reformista.

5- Parece-me que não teríamos podido lograr os resultados alcançados somente com o investimento político, com o não ter roubado dinheiro, com ter reorientado o orçamento, com o ter fixado metas de crescimento em Bogotá, se houvéssemos tido um entorno determinado. E esse entorno, graças ao Exército e à Polícia, enfrentou o terrorismo, enfrentou o seqüestro, mudou a situação econômica. Então, negar isso ao "uribismo!, como fator de valor agregado, me parece uma bobagem. Nós, em Bogotá, subimos para o quarto ao lado do TLC e ajudamos. Preocupou-nos o tema da segurança alimentar e o tema das drogas genéricas, e trabalhamos de modo firme, mas não nos apusemos de per se. Não creio que essa possa ser uma opção.

Anônimo disse...

Muito bom, Heitor. Eu tbem prefiro.

C. Mouro disse...

Essa vai para minha coleção de frases brilhantes, é suprema, de fato e de direito:

"O faço porque posso respeita o outro porque além de roubá-lo não tenta enganá-lo."

Dez! nota dez!

Abraços
C. Mouro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...