08 dezembro 2007

Papai Noel Lula e a CPMF

Toda semana quando se abre o jornal encontramos o Lula prometendo o dinheiro dos contribuintes, dos acionistas de alguma estatal ou de alguém devedor de algum favor do governo para alguma coisa. Hoje, o Lula prometeu dar R$ 12 milhões da Petrobras, da Braskem e da Unipar para as escolas de samba do Rio de Janeiro. Nestas horas, a relação cidadão governo tem um quê de prostituta/cafetão.

Recentemente, a Petrobras esteve envolvida na aquisição do grupo Ipiranga, negócio no qual abriu mão dos melhores ativos que eram petroquímicos pertencentes a esta empresa comprada em prol do seu sócio na aquisição, a Braskem. Curiosamente, a Petrobras não possui ativos petroquímicos significativos e poderia ter feito a aquisição isoladamente. Desta forma, além de ter dado carona para o grupo Braskem e o grupo Ultra, ainda ficou com o osso do negócio, ou seja, alguns postos de gasolina e uma refinaria a mais.

Portanto, já estava mais que na hora da Braskem mostrar boa vontade com o presidente. Afinal, uma decisão deste porte não seria aprovada sem a Dilma, presidente do Conselho da Administração da Petrobras. E seria de se esperar que ela comentasse com o Lula. A menos que ele também não soubesse de nada referente a este negócio.

Para completar houve também a aquisição da Suzano Petroquímica pela Petrobras, que pagou um prêmio estimado de R$ 1 bilhão de reais pelo mercado pela honra de ter as ações da Suzano. A Unipar solicitou imediatamente a fusão com a nova empresa comprada, preservando os generosos critérios de avaliação usados. Portanto, nada mais justo que agora estas empresas tão enriquecidas se dispusessem a fazer uma mercê pelo Rei.

Hoje, são alguns milhões para uma escola de samba, amanhã deverão ser algumas dezenas de milhões aos candidatos do governo. É aí que entra a CPMF, o que seria do nosso Rei se não houvesse dinheiro sobrando no orçamento para ser dado em troca de uma boa nota no jornal, de uma cerimônia com muitos repórteres, ou em troca de favores? Dinheiro é poder e o Lula não pode abrir mão da CPMF para não perdê-lo.

Para obter os R$ 120 bilhões de reais da CPMF, pode-se gastar algum com alguns governadores, aumentar a destinação de recursos aqui e ali, da mesma forma que amanhã se pode reduzi-la, porque mesmo que se gaste 90% do dinheiro no esforço de aprovação, isto ainda representará R$ 12 bilhões para o governo distribuir para dezenas de ONGs alinhadas com políticas do governo e curiosamente tripuladas com pessoas muito bem relacionadas com o mesmo governo, quando não diretamente do grupo político no poder.

Para o Lula, a CPMF vale a absolvição do Renan Calheiros, mas certamente o governo não fez nada para absolvê-lo, nem a sua líder no Senado, a senadora Ideli Salvati, não contou nada para o Lula. Nunca na história da República um presidente soube tão pouco sobre o que acontece a sua volta. Mesmo que a sua ignorância seja criminosa, afinal ele tem responsabilidade sobre o que fazem as pessoas que ele nomeia. E falando em nomeações, como estará o saco do Papai Noel Lula neste final de ano? Tudo dependerá da CPMF. Se ela não for aprovada, “a Creusa” pode ficar nervosa, e o espírito de Chavez pode baixar nela, mas se for aprovada, então Papai Noel vai dar presente para os políticos que foram bonzinhos com o governo este ano.

Um comentário:

André disse...

O Presidente dá dinheiro para escolas de samba do Rio, aquelas sucursais do tráfico. Prefiro a relação entre cafetão e prostituta, bem mais limpa do que isso.

Quanto da arrecadação da CPMF não vai terminar em contas do PT no exterior? E esse é só um imposto.

Ele nunca sabe o que acontece à sua volta. E aqui não existe, na prática, a responsabilidade de quem nomeia.

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