01 junho 2007

Propaganda é Violência

Desde antes da conquista de Constantinopla, quando os turcos transformaram a Igreja de Santa Sofia em uma mesquita, removendo os símbolos cristãos e cobrindo seus mosaicos magníficos por um reboco tosco, até o hábito corrente entre os políticos de lançar pedras fundamentais de tapa-buracos, persegue-se o mesmo objetivo: a propaganda.

É uma lógica maluca, mas funciona. Desde os egípcios e seus gigantescos monumentos, passando por Hitler e chegando ao PAC, tem-se governos buscando se associar à grandeza e às realizações da sociedade. Outro dia mesmo, o Lula disse que os investidores deveriam agradecer a ele pela valorização da Bovespa e que os problemas aéreos eram mais uma herança maldita de governos anteriores. Talvez devamos agradecer a ele pelas chuvas que impedem o retorno do Apagão.

Alguns governantes chegam a querer ter o monopólio da propaganda. Um dia desses, assistindo ao fechamento da TV venezuelana de oposição, lembrei-me de Krishnamurti e a forma como discorria sobre a violência. Para ele, a violência começa no ego. Este amalgama de associações, identificações e desejos que quer se impor ao mundo. Este esforço para negar a própria nulidade só pode resultar em violência.

Lembrei da TV Lula e do desejo do seu grupo de influenciar ainda mais as massas e garantir a sua permanência no poder. O pior é que se eles aprenderem a fazer novela como a Globo, poderão governar 50 anos como o PRI do México. Marx estava errado; a dialética material não move a historia, porque a história não se move mas se repete, do velho panem et circenses romano chegamos ao Bolsa Família e à TV Lula.

O ego só gera violência. Mas vivemos em um mundo tão violento e negativo que nos esquecemos do real significado da violência. Diferentemente da informação, a propaganda quer nos dizer o que fazer, como nos sentir e até quem somos - como o agente Smith, de Matrix, que transformava nele mesmo todos em quem tocava. Portanto, a propaganda, seja pela repetição de comerciais visando criar associações seja pelo velho corpo a corpo de garçons tentando fisgar turistas indecisos, é uma forma de violência.

Em sua viagem ao Brasil, o Papa Ratzinger se mostrou sábio ao dizer que a Igreja Católica deveria buscar crescer por atração e não por proselitismo. Quando existe alguma Verdade em algo, ela é buscada e reconhecida, não precisa ser vendida por nenhum marqueteiro. Resta saber se estes poucos verdadeiros cristãos os quais Ratzinger diz querer pastorear são suficientes para compensar esta estrutura política de propaganda que chamamos de Igreja. Porque é inegável que o cristianismo é essencialmente proselitista, necessita de pregadores para espalhar a "boa nova"; ainda no berço, o cristianismo destruiu templos pagãos e adaptou a maioria para servir ao próprio culto, do mesmo modo que Mehmet II fez com a Santa Sofia. E, a despeito do sábio discurso de Ratzinger, muitos padres continuarão a falar de Cristo sem conhecê-lo e suas palavras continuarão mentirosas, a ser apenas propaganda, e os ouvidos dos que os ouvirão continuarão a ser violentados. Por outro lado, eu disse ao Catellius, um dia desses - e ele concordou comigo -, que apesar de achar justas muitas de suas críticas à Igreja Católica, devemos tomar o cuidado para não jogar o bebê fora junto com a água suja da banheira; devemos tentar deixar que a verdade de algo seja seu principal atrativo, refiro-me aqui particularmente à propaganda contra outros propagandistas.

Concluindo, na propaganda se encontram as Igrejas, Hitler, Chávez e todos aqueles que acreditam que o mundo seria melhor se parecesse mais com eles mesmos. Eles estão surdos e cegos, estão cheios de suas Verdades sempre insufladas por puxa-sacos que não lhes faltam. Como já disse Gurdjieff, em um dos seus momentos de moderação: ”Malditos sejam aqueles que, cegos, querem guiar os outros. Que o inferno lhes seja implacável.” E que Deus tenha piedade de nós!

62 comentários:

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Heitor:

Muito bem... quando diriges a tua competência para a discussão abrangente e justa dos pontos de vista é este o resultado.
Continua assim.

No Estados Gerais uma pequena nota de especial interesse para ti, para os colaboradores do Pugnacitas, para o Brasil e para toda a América Latina.

Um abraço,

André disse...

Parte do problema no tráfego aéreo se deve ao inglês castiço de nossos “aeronautas”. Mas isso ainda é o mais fácil de resolver.

Não sei onde começa a violência, mas sei onde nasce o poder: do coldre de um revólver, como dizia Mao Tse-Tung.

E por falar em propaganda... Quando a Coca-Cola foi liberada na China, a propaganda dizia: “Isso faz um Mao!”. Falsa cultura, claro.

Antes era o panem et circenses. Agora é o rapaduris et cachacis. E quem não gostar leva no forévis.

Mais uma referência a Matrix! O agente Smith era o cara... aquele ator é bom.

Luisete disse...

Não "jogar fora o bebê junto com a água da bacia" pode significar crer em Deus a despeito da propaganda enganosa de igrejas, cristã e outras, que usam mentiras bastante tolas que, entretanto, subjugam e convencem porque costumam ser incrivelmente adequadas a certos padrões mentais e emocionais de que a raça humana não consegue se desvencencilhar.

É por causa do que vai na mente e no coração de cada um que se fica a mercê das propagandas enganosas. Muitas vezes, acredita-se em qualquer coisa por pura conveniência e acomodação, por preguiça. Pensar dá muito trabalho, reagir dá muito trabalho.
Basta contemplar o momento que vivemos, aqui, com escândalos se sucedendo; como explicar que tantos ainda acreditem na propaganda do governo federal que diz estar combatendo a corrupção?

André disse...

Três breves apontamentos que andavam engatados na minha cachola:

Bobagens

As bobagens que a gente tem q aturar... Admito perfeitamente a coexistência pacífica de opiniões. A estupidez, por certo, ainda me provoca alguns surtos de vitalidade, sou até, por isso, grato à estupidez. E ela também nos dá assunto pra conversa. Me divirto com os anônimos revoltados e incompreendidos. A incompreensão é um notório consolador manipulado por maridos e artistas que não saem do estado embrionário (o mundo é cheio deles). Funciona assim porque isso existe de verdade — em casos raríssimos. Pra cada Kafka, há milhares de desajustados túrgidos e ocos, incapazes de reproduzir sequer os rudimentos da arte que se propõem subverter. Despontam para o anonimato e morrem nele, alimentando-se, nesse insignificante intervalo, da ilusão de distanciamento dos outros, a ser compensada pela geração posterior de esclarecidos que os compreenderão. Esse distanciamento é real, mas no sentido inverso: ficaram tão para trás que se imaginam na frente, em sua solidão.

André disse...

O povo é pop?


Nossa sociedade está se tornando uma confusão de massas errantes. Não somente nas manifestações e distúrbios, como em quase todo interesse, patriótico, religioso, político, ético, que facilmente degenera em uma confusão de propagandistas idiotas, de tagarelas extravagantes.

Seja qual for o objetivo a ser alcançado, o caminho da cultura e do entendimento parece lento demais. Vemos esse exército de baratas tontas, cobrindo tudo à nossa frente pela simples força numérica. A ilusão da democracia — que não é só voto livre, de resto facilmente manipulável — é conduzida no mesmo grau de sinceridade dos comerciais de tv. As massas não são uma novidade, mas é claro que a tendência para a mentalidade massificada cresceu muito nos últimos anos.

Não importa o que a pessoa deseje — justiça, prudência, maior liberdade, glória — seja ela radical ou conservadora, reformista ou liberal, ela é forçada a se transformar num culto, a escrever sua filosofia de vida em letras garrafais. Se nesse meio tempo ela desistir das coisas nas quais acredita, compensará isso com a ilusão de que a maioria está ao seu lado. Hoje, somente podemos viver com a maioria ao nosso lado.

São números, não valores, que contam. O idiota sabe, no fundo, muito bem o que ele é, mas tem segurança o bastante para exigir seus direitos e impor suas leis onde quer que seja.

Cada um é forçado a falar como a massa fala, a pensar como a multidão e a “entender” as coisas como ela. E uns nem fazem isso à força, antes muito pelo contrário: têm o maior prazer nisso. Logo lembramos de Lula com seus “nove meses de gravidez”, pedindo paciência ao zé-povinho... Esse diálogo tosco dele com o povo diz volumes de sabedoria, que nós ignoramos. Nhônhô manda, caboclo faz. Nas crises, porém, podemos ver um Lula meio cabisbaixo, nas cerimônias em que precisa dividir espaço com o gaiato da hora. Aquela cara dele ao lado do Silas Rondeau ou do Renan Calheiros. Cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças. Em outras vezes, parece um agente funerário apresentando suas condolências à família do morto, olhando fixamente para baixo. Talvez seja onde nos veja e se veja, esse Napoleão sem glória.

A tendência é discriminar tudo o que é único, raro, delicado, secreto. Se você quer chegar a algum lugar, seja vulgar. Adicione uma espécie de santidade ao vulgar. Tome partido em discussões sobre meias-verdades, esqueça seus gostos.

O efeito disso sobre o indivíduo é que ele não pertence mais a si mesmo. Ele se transforma num fantoche. Passa seus dias interpretando um papel que outros escreveram para ele. Vira uma imitação. Suas sensações são degradadas, movidas pelo óbvio, pelo sentimentalismo barato, pelo exagerado.

A massa exagera para poder acreditar, e acredita para poder odiar.

O baixo religiosismo, p. ex., põe um diabo como objeto permanente de ódio. Parece infantil, e é, do ponto de vista do fiel. Não do ponto de vista do pastor. Qualquer opositor termina sendo comparado ao diabo e hostilizado como ele, o que é bastante útil.

E não sei quem disse que “os movimentos fundados no amor são os que matam mais apaixonadamente.” Pascal? Ele disse que os homens nunca fazem o mal tão bem nem com tanta alegria do que quando motivados por convicções religiosas. E essa: “quase todas as crenças e ideologias defendidas com firmeza são falsas.”, era dele?

A massa oferece uma insanidade temporária gerada pela aglomeração. Nos dá a ilusão de sermos fortes por causa da simples superioridade numérica.

Admito que a sociedade exige muito do indivíduo. Os impulsos primitivos, o erotismo constante e as tendências para perversões são exigências do ego em cada um de nós, reprimidas, controladas e desviadas para fins socialmente aceitáveis. Até aí, nada de mais. O selvagem em nós é tão reprimido que não é difícil mantê-lo no fundo a maior parte do tempo. Fazemos isso inconscientemente. Nos tornamos membros respeitáveis da sociedade às custas desse selvagem.

Mas ele não está morto. Aparece nos sonhos, para alguns. Uma demonstração de crueldade inaceitável para nossa consciência é facilmente tolerada num sonho. E quando estamos acordados? O que pode disfarçar esse impulso e amortecer nossa consciência? O sentimento gerado pela multidão, o sentimento de ser arrastado por ela. Não acho que as pessoas numa multidão sejam tão inconscientes assim, elas sabem muito bem o que está acontecendo, mas o significado moral da coisa é alterado. O errado vira certo.

André disse...

Sexo!

Sexo é um dos raros divertimentos dos pobres que não sofre a “correção” que os marginaliza de outras atividades sociais. Pode ser de graça. É difícil controlar à força, a menos que se instale um regime totalitário inédito, exceto em fantasias sado-masoquistas, a exemplo de 1984, de George Orwell, o que, no Brasil ao menos, exigiria uma capacidade de organização nunca sequer vista.

Sexo alivia as pressões na vida de qualquer um, mesmo se se vive esmagado numa subvida cruel, como a maioria de nossa população. O problema é que sexo gera gente. Gente demais, diga-se. Era de se imaginar que nessas circunstâncias a pílula e outros anticoncepcionais fossem distribuídos como é o entretenimento de televisão. Os padres se opõem com sucesso que ninguém, que eu saiba, já analisou. O pecado do sexo parece ser quase tão inevitável quanto o original, logo que ninguém peque, se possível, sem assumir a responsabilidade por difundir a miséria. As religiões não podem impor esse breque às elites e sub-elites. Logo, se concentram nos milhões de pobres “relativos” (a quê? A um, dois ou três salários mínimos?) e “absolutos”.

O general Geisel, luterano e positivista, ousou legalizar a “dissolução” do casamento, que, na lógica totalitária da Igreja, deve ser preservado até se somos ateus, ou não-católicos, e, portanto, condenados de qualquer forma ao fogo eterno. Nem Geisel ousou gastar dez réis de mel coado fornecendo aos nossos milhões a escolha que é feita banalmente por qualquer casal que tenha acesso a médicos e saiba apor renda à qualidade de vida.

Outro aspecto da coisa. A “maioria silenciosa” desconhece que sua paixão pela violência encobre sexualidade reprimida ou pervertida. Gore Vidal, hoje gágá, contou uma história ilustrativa. Durante a guerra do Vietnam, estava num táxi quando passaram uns hippies pela rua. O chofer soltou impropérios contra a imoralidade dos jovens. Vidal disse: “Mas olha aqui, amor é um ato bom pra quem faz, não machuca ninguém. Vc preferiria que seus filhos estivessem morrendo ou fuzilando camponeses subnutridos no Vietnam?” O chofer preferiu o war ao love. O povo é de uma deliciosa franqueza quanto a sua própria patologia.

Claro, esse estado de espírito não começou ontem. Desde que a barbárie do cristianismo substituiu a civilização romana, o homem é ensinado a odiar o próprio corpo, a considerá-lo provisório e indigno do sopro divino que trazemos em nós. Santo Agostinho diz tudo: “Concebido entre fezes e urina, nascido no pecado e na corrupção.” Sucinto e eloqüente, como de costume.

O Santo, é bem verdade, descobria coisas interessantíssimas entre as fezes e a urina, antes de aderir.

É dele também a frase, nas Confissões: “Fazei-me casto, ó Senhor, mas não já.”. À maneira de muito cristão novo por ai, porém, tornou-se depois um entusiasta dos cintos de castidade. Quem consolidou a ideologia anti-sexual foi São Paulo, que tinha um sugestivo ódio a mulheres e bichas. Estas, coitadinhas, ele proibiu até de entrar no reino dos céus. Aconselhava os discípulos a casar-se só se não pudessem conter-se, problema que ainda hoje reverbera na Igreja.

Seria supérfluo dizer que o pensamento moderno, materialista, ateu e científico, demoliu à extinção o preconceito religioso desses dois santos. Mas é bom lembrar que São paulo era, provavelmente, menos fanático do que parecia. No fundo, ele raciocinava em termos políticos: para conquistar o povão, escravos, etc, tinha de prometer-lhes uma vida eterna, porque vida terrena, sob os senhores romanos, era aquele pau. Mas os escravos, a menos que fossem catatônicos, deviam invejar desesperadamente a liberdade sexual de seus senhores. Logo, o santo viu-se forçado a descrever o sexo como a abominação suprema. Essas coisas se sedimentam culturalmente através dos tempos, quando já perderam todo o sentido prático.

Qualquer visão da vida propõe, no mínimo, um equilíbrio de corpo e alma. Já que quase ninguém discute a vantagem das realizações do intelecto sobre as necessidades da carne, esta, a carne, é que está precisando de um empurrão, de propaganda (ela de novo...) que melhore a saúde da nossa mente. A franqueza de vocabulário ajuda a pôr-nos em contato com a realidade. Quanto mais livres, melhor.

Ou acabei de dar minha modesta contribuição a Freud, ou ele está se revirando no túmulo.

Bocage disse...

És benévolo com B16, Heitor. A oratória do papão não denota sabedoria mas hipocrisia. Um pequeno sinal disto é ter recebido no Vaticano os pais de Madeleine McCann, raptada em Portugal há um mês, tendo-os abençoado e à fotografia da menina perante milhões de telespectadores e prometendo rezar pelo sucesso nas buscas. Claro que o abutre propagandista não poderia ficar de fora, afinal o caso era o único assunto em toda Europa. Não fosse B16 tão proselitista e hipócrita, como toda boa cria da ICAR, em próximas audiências receberia também os pais de crianças desaparecidas em casos não tão midiáticos, e abençoaria fotografias de crianças pobres desaparecidas mundo afora. Podes dizer que fingir orar em uma mesquita turca imediatamente após as fortes palavras do discurso em Resenburg foi um gesto de reconciliação, que a contrita prece perante as câmeras serviu como exemplo de tolerância, mas como enxergar algo além de propaganda na audiência com os irresponsáveis pais da criancinha raptada?

Tudo na ICAR é propaganda; a missa em latim, os paramentos, as igrejas, os crucifixos, as imagens de santos chorosos e Marias pias. A fala de B16 que tanto elogias (não é a primeira vez) é a maior mentira que um capo da ICAR já tentou vender nos últimos mil anos.

Bocage disse...

Quidsapit a mentira só perca para a Escritura da Europa que os falsificadores católicos sacaram da cartola, rsrs

Doação de Constantino em latim.

E recomento vivamente o sítio The Latin Library:

http://www.thelatinlibrary.com

Catellius disse...

Obrigado, Bocage, pelo link para a Latin Library. Concordo com você sobre a fala de Ratzinger, e já deixei isso bem claro no post Adiós Carismáticos: "Ele quer fazer crer que a inevitável apostasia de católicos - há décadas uma realidade alarmante para a tesouraria de seu enclave - se dará por estratégia do líder de uma Igreja 'que não faz proselitismo', usando suas palavras. As coisas existem ou não existem, acontecem ou não acontecem, por decisão do Papa."

Falando em propaganda, a imagem que ilustra este post veio de uma série de cartazes atuais, apesar do estilo propaganda vintage da Coca-Cola, elaborados pela extrema direita cristã americana e bem comuns em cidades do interior daquele país.
Passo para vocês alguns dos mais engraçados:

Se você não acredita em Deus você não é americano

Não diga ao seu filho que veio de símios

Militarizem nossas crianças

Meu marido controla meu útero

O redundante ateísta sem deus, he he

Mulheres, sede obedientes aos vossos maridos

Regozijai-vos, porque o aquecimento global é o sinal de que Jesus está voltando

Ogrigado Deus por colocar George W. Bush na presidência

Mantenha a América branca e cristã

Não quer mais filhos? Então fique sem sexo

Nossos soldados não precisam da fedorenta Convenção de Geneva

Queimem livros

Sem crítica à religião

Escoteiros, estejam preparados para colocar no devido lugar os sodomitas sem deus

Proteja a virgindade de sua filha

Catellius disse...

Genebra*

*femme* disse...

ué, se você mora em Brasilia há 23 anos... qua tua idade, Catellius? rsrss

olha, esse negócio de curiosidade feminina... owww


bjos da femme

Simone Weber disse...

"Godless Atheists"

Por acaso sabem o que significa ser ateísta?

Francamente, Catellius, hilariante!
"Meu útero pertence ao meu marido..."
Ótimos cartazes.
Beijocas

Catellius disse...

Ho ho, Simone! Acordada a essa hora?

Aqui está o link para quarenta cartazes da Christian Right acompanhados por ótimos textos de Austin Cline.

Mouro, respondi no post passado.

Heitor,

Falando em Santa Sofia, ou Haghia Sophia, Mehmet II realmente cobriu os mosaicos com um reboco tosco, mas hoje não podemos imaginar a construção sem os minaretes do arquiteto Sinan e as cúpulas em cascata que foram acrescentadas com o tempo. Sinan foi o arquiteto/engenheiro que projetou/construiu a fabulosa Mesquita de Suleyman, uma verdadeira pérola arquitetônica, embora um descarado plágio da Santa Sofia, como é o caso de absolutamente todas as mesquitas otomanas. É bom frisar que Ataturk transformou a Santa Sofia em um museu pelo prédio ser, de certa maneira, um símbolo do conflito religioso que ele queria abolir na recém fundada Turquia laica.

Ótimos exemplos de alteração de culto são o Santo Sepulcro, em Jerusalém, que virou um templo à Tríade Capitolina, o Panteão de Agripa, em Roma, que virou Igreja de Santa Maria Rotonda, e um dos mais espetaculares, que visitei quando estive em Damasco: A Mesquita dos Omíadas, dinastia síria cujos domínios iam até a Espanha. As bases são assírias, o corpo romano, o frontão e cúpula cristãos bizantinos, a ornamentação, minaretes e interior são islâmicos. E dentro dela tem uma cabeça de João Batista, ha ha. Os muçulmanos também veneram aquele comedor de gafanhotos!

O+cioso

Vou deixar esse comentário ridículo mais um pouco por aqui, para todos lerem, e depois eu apago, ok? Muleke, ha ha

Catellius disse...

p.s. Quando acessarem a página com os 40 cartazes, é necessário, às vezes, quando aparece o "sponsor", clicar em "continue gallery >" para continuar a ver os cartazes.
Abraços

André disse...

Essa é pra vc Heitor, sobre a volta dos que não foram (os ressentidos da geração 68):

Lá vem mais um…

Estreou o documentário Hércules 56. Quando aqueles caras seqüestraram o embaixador americano na ditadura, exigiram a libertação de 15 “companheiros”. Entre eles, o Franklin Martins, atual Ministro da Verdade petista (preciso reler 1984, de George Orwell). Não sei bem se o Zé Dirceu estava entre eles, mas o fato é q ele aparece no documentário, que alterna imagens de arquivo com uma descontraída mesa redonda, onde podemos ver todos esses heróis da resistência, nossos guerreiros da liberdade. Parece também q não há nenhum depoimento de militar, nada. O diretor teria dito que “não era bobo de cair nessa armadilha fácil”. Hummm, sei... E a Dona Isenção, onde fica? Esse aí vai ser mais um sucesso a ser reprisado direto na futura TV PT.

56 era o número do Hércules (ou do vôo) q levou nossas primadonas para a Cidade do México.

André disse...

A própria direita cristã americana fez esses cartazes, alterando material antigo? Impressionante. Misturam tudo: a própria burrice e preconceitos com nazismo, Herrenvolk, teoria de Sangue e Solo e todas aquela coisas lá da Germania, a civilização superior que foi sem nunca ter sido.

Uma vez um caminhoneiro foi pago pra atravessar vários estados americanos com um caminhão todo vermelho, com a foice e o martelo bem grandes na lateral. Mal começou a viagem e puseram fogo no motor, quando ele parou num posto pra dormir. Acharam melhor cancelar a brincadeira depois disso.

A Mesquita dos Omíadas é legal...

“Os muçulmanos também veneram aquele comedor de gafanhotos!” Há, há, há...

Catellius disse...

Pronto, apaguei o comentário idiota do ocioso.
Andrpe, muito boa essa rádio Trash 80's, he he
Escrevi "uma cabeça" de João Batista porque devem existir outras por aí. Dizem que Salomé teria levado a cabeça para a Armênia, quando casou com o rei de lá, ou teria levado para a Espanha. Em todas as lendas ela morre afogada, em uma clara alusão ao batismo do Batista, já velha, ao tentar repetir a dança dos sete véus, desta vez uma grotesca imitação. Na versão em que está casada com o Rei da Armênia, ela dança sobre um lago congelado cuja casca se rompe...
Já me interessei muito pela historinha de João Batista. Recomendo as obras de Oscar Wilde, de Fagundes Varela, um ensaio de Onestaldo de Penaforte - o melhor tradutor de Shakespeare para o português. na minha opinião -, a ópera Salomé de Richard Strauss, uma colossal ópera do verismo alemão cujo libretto é baseado na obra de Wilde e cuja partitura sai sangue quando espremida, a ópera Herodiade de Massenet, francesa demais mas legalzinha. E se sobrar tempo tem um livro legal chamado... Evangelho de Marcos, acho, que também é maneiro e conta a historinha em detalhes, he he

Abraços a todos

Catellius disse...

E uma errata:

O Santo Sepulcro não virou Templo à Tríade Capitolina, mas o contrário.

Heitor Abranches disse...

Gostei dessa,

Franklin Martins, ministro da Verdade Petista..kkkk

Outro dia, li que o Ze Dirceu virou porteiro....Que somente ele abre algumas portas na Esplanada...

Estes caras do PT sao uns hipocristas, mas quer saber tenho medo de conhecer um verdadeiro socialista. Como ele deve ser?

Andando na rodoviaria costumo ver os deputados do PSOL andando no meio do povo vestidos igual a eles...Uma imagem chocante...

Quem sera mais perigoso. Estes amantes do poder, os hipocritas que andam no meio do povo ou um verdadeiro socialista?

Com relacao a Igreja, tive a felicidade de conhecer um ou dois padres que pareciam inspirar algo...Quanto ao resto...

Catellius disse...

Fala Heitor,

O Diário Ateísta recomendou este texto em um post intitulado Ateísmo na Blogosfera. Bem, o artigo não tem nada de ateísmo, mas, vá lá, o importante é a "propaganda", he he.
Brincadeira!

No artigo seguinte, Bruno Miguel Resende escreve: "A hipocrisia é um apanágio vaticanista elevado ao mais alto terrorismo da desonestidade, pedofilia clerical nunca foi encoberta, claro está, as crianças violadas sempre o souberam e sentiram, 4392 sotainas americanas foram acusadas de violar mais de 11000 crianças segundo o relatório de John Jay, clericais andaram 52 anos a brincar ao gato escondido com o rabo de fora, brincadeiras dos desígnios dos deuses, aqueles que tudo sabem e tudo escondem, mafiosidades manhosas e umas notas silenciam alguns, mas 11000 é número exagerado e incontrolável."

O Vaticano abriga em Roma sete padres americanos comprovadamente pedófilos e recusa-se a encaminhá-los para julgamento nos EUA. Qual é a intenção de B16? Ser justo? Apenas valer-se das prerrogativas de Estado de Mentirinha? Mas B16 reza pelas criancinhas, claro, principalmente quando rendem alguma propaganda, como bem lembrou o Bocage.

Abração

Catellius disse...

Opa, Heitor, vi seu último comentário. Por exemplo, aquele padre velhinho amigo meu, com o qual até almoçamos no ano passado; é sincero, honesto, verdadeiro mas... fundamentalista, preconceituoso, apocalíptico! Fazer o quê? Honestidade não é tudo nesta vida!
Abraços

André disse...

Pois é, esse site, www.trash80s.com.br é de um grupo lá de São Paulo. É bom mesmo.

Acho q os verdadeiros socialistas, os fanáticos, crentes, tipo Heloísa Helena, são bem mais perigosos. Os petistas e gente de outros partidos brasileiros em geral, essa gente toda aí no poder, só quer mais poder, mais e mais dinheiro. Perigosos, desonestos, matam se for necessário, passam por cima de quem se mete com eles, etc e tal, mas são previsíveis.

Já os fanáticos não pensam neles, pensam nas gerações futuras. Daí seu perigo. E pensam que gente é massa de modelar. Adoram aquela frase "não dá pra fazer omelete sem quebrar alguns ovos". Certo, só q seres humanos não são ovos.

Eu já conheci um padre que inspirava, parecia inspirar, não sei, algo de superior, de diferente. E uma freira q era legal também, inspirava algo melhor. O resto era o resto.

Muitos gays, por falar nisso. Até pastores gays também, já vi alguns aqui em Brasília.

De vez em quando, e principalmente com gente de uma certa idade, descubro que a pessoa ou tem trocentos preconceitos religiosos, quando é religiosa, ou é fanática política ou simplesmente ingênua, quando o assunto é política (crentes na pureza do presidente, extremistas de esquerda ou de direita, monarquistas, etc).

Se bem q já conheci muitos malucos da minha idade (30) ou muito mais novos.

Normalmente eu escapo de dar algum fora diante de gente doidivanas pq fico calado, dando corda pro interlocutor. Quando percebo qual é a do cara, penso: "nossa, se eu tivesse falado aquilo q eu quase falei, tava ferrado..."

Cruz Cesar disse...

"Sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu o sigo absoluta e incondicionalmente...Se compreenderem isso em primeiro lugar, verão que é impossível organizar uma crença. A crença é uma questão puramente individual, e não podemos nem devemos organizá-la. Se assim o fizermos, ela morrerá, ficará cristalizada; tornar-se-á um credo, uma seita, uma religião para ser imposta aos outros. É isso o que todos no mundo inteiro, estão tentando fazer. A Verdade é confinada e transformada em um brinquedo para os fracos, para os que estão momentaneamente insatisfeitos. A Verdade não pode ser trazida para baixo; é o indivíduo que deve fazer o esforço de ascender até ela. Não podemos trazer o topo da montanha para o vale..." Krishnamurti.

Krishnamurti era sabio. Esse Gurdjieff aih era um picaretinha banal hedonista interessado em grana e cachaca, q acreditava q todo o mal e todo o bem eram controlados pela lua.

Bocage disse...

Sem falar no eneagrama, um verdadeiro clássico! rsrs

Catellius, conheci muitos padres e digo que foste afortunado em almoçar com um "sincero, honesto e verdadeiro". A respeito, haja redundância, Catellius. Entendo que procuraste três qualidades mas não encontraste senão uma, daí teres recorrido a dois sinônimos, rsrs

Eduardo Silva disse...

Depois de ser bombardeado no meu comentário sobre física quântica, me conterei em postar apenas sobre o que eu acho que sei...
"Marx estava errado; a dialética material não move a historia, porque a história não se move mas se repete"
O termo "dialética material" não se coaduna com os Manuscritos Econômicos de Marx, e nem com a acepção primitiva de dialética, que é um método de observação filosófica, cujo autor é Demócrates, um pré-socrático...
O segundo ponto é que o próprio Marx acreditava que a história é pura repetição, ele repete isso isistentemente no capítulo seis do Das Kapital, que em todas as sociedades não se via outra coisa senão a relação entre espoliados e espoliadores, Marx acreditava tanto nesse destino histórico que queria fazer de si um revolucinário de milênios de exploração de classes, inclusive está entre os filósofos historicistas, como Thomas Morus, Sint Simon e outros. O historicismo é a crença de que existe uma lógica na história tão bem ordenada ao ponto de propiciar uma certa "previsão do futuro". Portanto, Marx acreditava sim numa repetição da história, só que ele se achava iluminado a mudar isso tudo, esse foi seu grande erro, ser o gúru da história...

Eduardo Silva disse...

Gostei do verbo pastorear que você usa para se referir ao Papa, pois é justamente isso que os cristãos são: ovelhas.

Eduardo Silva disse...

André o Casamento não é acolhido na doutrina católica, só está nos sacramentos por mera exigência das circunstâncias. Paulo, como narra as Epístolas, várias vezes condena o casamento dizendo é melhor ser celibatário, e muitas vezes se refere ao sexo com o eufemismo de concuspicência, ou seja é da essência do cristianismo não acolher o sexo nem o matrimônio.

As maiores provas dessa essência que não aceita o sexo e o matrimônio são:
1. O pecado original foi fruto de uma relação conjugal, e numa relação conjugal presume-se sexo, inclusive falando em propaganda dizem que Eva foi a primeira publicitária da história da humanidade.
2. Esse é o mais importante, o homem não quis que Jesus Cristo viesse por uma via natural, assim como todos os homens vêm, por isso Jesus teve que vir do Espírito Santo, numa concepção supra-natural, não veio através do sêmen, não veio através do sexo, pois o sexo é muito sujo para ser a origem do próprio Deus.

André disse...

Interessante o q o Krishnamurti disse. “A Verdade não pode ser trazida para baixo; é o indivíduo que deve fazer o esforço de ascender até ela. Não podemos trazer o topo da montanha para o vale..." É isso aí. Bonito.

Eduardo, eu também já fui bombardeado algumas vezes e serei novamente. Mas bombardeio virtual não dói. É até divertido.

Eu não vou ler Marx nem Hegel, sinceramente, não tenho paciência. Já tive q ler, por obrigação, chatos como Norberto Bobbio, Marilena Chauí, Durkheim, Max Weber, Michel Foucault, enfim, já cumpri minha cota de chatice. Só acho a dialética marxista furada, como o Positivismo com seus três estágios (o próprio Marx detonou o positivismo, que chamava de anti-histórico; pra mim, mais parece uma filosofia de calculadora científica, igualmente furada). Claro, Comte era um nada perto de Marx, que tinha gênio, e exatamente por isso cometeu erros geniais e disse besteiras geniais. Como o Catellius disse mais acima, o que ficou de Marx foi a parte econômica. Suas outras teorias talvez tivessem dado em algo bom, talvez não passassem de idéias incipientes, não sei, mas o que ficou foi o q ele disse em economia, o que pra mim não serve. Admiro os liberais, ainda que não seja um profundo conhecedor de Von Myses e Hayek. Só sei que o determinismo marxista não dá. Engels adorava Darwin, aliás. Grande e ao mesmo tempo pobre Darwin, esse honesto senhor, deturpado por tanta gente... o Catellius sabe bem disso.

Sobre a História se mover ou se repetir: não acredito em rupturas absolutas na História. Mas também não acredito que tudo se repita mecanicamente. Mas há rupturas e há muita repetição farsesca sim. A verdade deve ser um meio-termo entre essas duas.

Marx acreditava que a história é pura repetição porque ele era míope nesse ponto. Nem tudo se resumiu a gente oprimindo gente.

Sexo só pra reprodução, certo? Nada de prazer, porque é sujo. Que chato. “O pecado original foi fruto de uma relação conjugal, e numa relação conjugal presume-se sexo...” Que bom que eu não acredito em pecado, nem no original nem em outros.

Acho que a Cobra foi a primeira publicitária da história da humanidade. Seu produto era a Maçã. Mas Deus era o dono da empresa de publicidade. O Washington Olivetto era Ele.

Ok, vamos supor por um instante que JC realmente foi essa Coca-Cola toda: um homem santo, que fez e aconteceu, que deixou uma bela mensagem, ainda que mal interpretada, e no final ainda morreu simbolicamente (para os que crêem, mais do que isso) por todos nós, pelos nossos “pecados”, como se convencionou dizer. Não bastando isso, seria de origem divina, não-humana, infinitamente superior a nós. Tudo muito bom, tudo muito bem. E agora eu pergunto: qual o problema dele ter saído de dentro de uma mulher? O que é que tem de errado nisso? É Nojento, tchan!, como diria o saudoso Tião Macalé? Eu não vejo nada de mais. Essa história de Imaculada Concepção... dá até pra deixar passar o Espírito Santo, já q é uma construção 100% abstrata. Mas a Conceição, ah, minha Conceição... não dá, porque é um processo natural, que acontece todos os dias. Facilitaria bem mais se admitissem que um cara transou com uma mulher e que naquela corrida de espermatozóides, naquela 24 Horas de Le Mans suicida, havia um espermatozóide bizantino de tão santo, com manto púrpura e tudo. E todos os outros espermatozóides se regozijaram!

Holy Father disse...

Eduardo,

"o Casamento não é acolhido na doutrina católica, só está nos sacramentos por mera exigência das circunstâncias. Paulo, como narra as Epístolas, várias vezes condena o casamento dizendo é melhor ser celibatário"

A sagrada Escritura o afirma: "Não é bom que O homem esteja só" (Gn 2,18). A mulher, "carne de sua carne", é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um "auxilio", representando, assim, "Deus, em quem está o nosso socorro". "Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne" (Gn 2,24).

Quanto a São Paulo, prezado Eduardo, você está equivocado, para variar, no que diz respeito à posição dos católicos e do cristianismo em geral. Leia o trecho a seguir e tire suas conclusões. São Paulo diz que a opinião é dele e não de Deus, e diz claramente que é melhor casar do que abrasar-se, admoesta os irmãos a não se separarem mesmo se estiverem casados com pagãos.


I Coríntios, 7
1. Agora, a respeito das coisas que me escrevestes. Penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma.
2. Todavia, considerando o perigo da incontinência, cada um tenha sua mulher, e cada mulher tenha seu marido.
3. O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido.
4. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa.
5. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência.
6. Isto digo como concessão, não como ordem.
7. Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele.
8. Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu.
9. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.
10. Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido.
11. E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher.
12. Aos outros, digo eu, não o Senhor: se um irmão desposou uma mulher pagã (sem a fé) e esta consente em morar com ele, não a repudie.
13. Se uma mulher desposou um marido pagão e este consente em coabitar com ela, não repudie o marido.
14. Porque o marido que não tem a fé é santificado por sua mulher; assim como a mulher que não tem a fé é santificada pelo marido que recebeu a fé. Do contrário, os vossos filhos seriam impuros quando, na realidade, são santos.

Holy Father disse...

Prezado André,

Você também demonstra ser ignorante dos assuntos católicos.

"qual o problema dele ter saído de dentro de uma mulher? O que é que tem de errado nisso?"

Jesus, Nosso Senhor, saiu de dentro de uma mulher. O milagre estava em Nossa Senhora tê-lo concebido virgem.

"Eu não vejo nada de mais. Essa história de Imaculada Concepção... dá até pra deixar passar o Espírito Santo, já q é uma construção 100% abstrata. Mas a Conceição, ah, minha Conceição... não dá, porque é um processo natural, que acontece todos os dias. Facilitaria bem mais se admitissem que um cara transou com uma mulher e que naquela corrida de espermatozóides, naquela 24 Horas de Le Mans suicida, havia um espermatozóide bizantino de tão santo, com manto púrpura e tudo. E todos os outros espermatozóides se regozijaram!"

Você tampouco sabe o que significa Imaculada Conceição. Significa que Nossa Senhora nasceu sem o pecado original que todos os outros homens e mulheres, exceto Cristo, herdaram de Adão e Eva. Não significa que Maria concebeu sem sexo.

O Eduardo parece não conhecer a doutrina mas não é desrespeitoso. O Catellius parece conhecê-la e ainda assim é desrespeitoso. E você faz um papel feio não conhecendo e sendo desrespeitoso. Sugiro mais amor próprio, amigo. E que Deus abençoe vocês.

Holy Father disse...

Reforçando o óbvio, escrevi que Imaculada Conceição "Não significa que Maria concebeu sem sexo."

o que não significa que Maria tenha concebido com sexo.

Se Deus considerasse sujo o sexo, Joaquim e Santana teriam gerado Nossa Senhora sem sexo, e o mesmo vale para os pais de Moisés, Abraão, João Batista e outros campeões de Deus.

A conceição virginal é um mero sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio numa humanidade como a nossa, para cumprir as profecias.

O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Santa Igreja Católica a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. É isso mesmo, o nascimento de Cristo não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a "Aeiparthenos", que significa "sempre virgem".

E Maria é virgem porque sua virgindade é o sinal de sua fé, absolutamente livre de qualquer dúvida que poderia ter após a anunciação do Anjo Gabriel, e de sua doação sem reservas à vontade de Deus. É sua fé que lhe concede tomar-se a Mãe do Salvador: "Beatior est Maria percipiendo fidem Christi quam concipiendo carnem Christi" - Maria é mais bem-aventurada recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo. E assim somos nós quando aceitamos o divino Salvador, mais virtuosos mesmo do que a conceição da carne de Jesus, Deus e Co-criador.

Deus abençoe a todos!
In Corde Jesu, semper

Eduardo Silva disse...

Holy father, todos os seus argumentos são baseados na fantasia, os argumentos contra a religião ( não quero cair numa tautologia), quando ditos de acordo com a lógica, se baseiam em evidências da razão e do entendimento. Eu defendo seu direito de dizer o que bem entender sobre religião, apesar de não concordar com uma vírgula.
Você se engana quando fala que não conheço a doutrina católica, já a estudei minunciosamente, e só o que vejo é o próprio homem se louvando, solicitando a si mesmo, conversando consigo mesmo na oração,e assim, satisfazendo suas necessidades e aspirações.

Não vejo nada de desrespeitoso nos comentário céticos publicados nesse blog, o problema é que a religião está no rol de instituições socias, que ao mesmo tempo em que são sociais são muito subjetivas também, e acabam por fazer seu observador criar propriedades com ela, quando deveria ser uma observação neutra. Dessa forma chacotas sobre homossexuais são apenas chacotas entre heterossexuais, porém quando uma pessoas se sente ofendida com as anedotas, as suas propriedades se impulsionam uma reação, gerando uma forte impugnação, até agressiva, ou um simples sentimento decepcionado.
Comece a enxergar os dogmas da igreja com a razão, não seja mais uma ovelha...
Obrigado

Eduardo Silva disse...

Tomando um pouco da filosofia feuerbachiana, provo agora que Jesus nos trapaceou na Crucificação, aqui pego alguns argumentos do André, que pelos filósofos que citou, parece ser um jurista, sobre tudo Bobbio, ou talvez eu esteja errado, aí ele pode ser um Sociólo(Weber, Durkheim)
"e no final ainda morreu simbolicamente (para os que crêem, mais do que isso) por todos nós, pelos nossos “pecados”, como se convencionou dizer".
É certo, lógico que um ser dois seres de essência diferentes não podem ter as mesmas sensações, não podem sentir as mesmas dores, pois se a essência é diferente, todo o resto no tocante à existência também o é. Essa é minha premissa.

Ora se Jesus era Deus, como poderia ele sentir uma dor humana?
Nossa como a fantasia vai longe, é ilógico um ser transcendente, que supera os homens em tudo, uma essência completamente diferente e superior sofrer uma dor humana. Eu repito, o homem jamais poderá conhecer outra essência senão a sua própria. Voltemos, Jesus, Deus, trapaceou, pois dor nenhuma sentiu ao ser crucificado, apenas fingiu, pois como Deus sofre como Homem, Deus apenas pode sofre como Deus, nunca, jamais, como um simples e humilde homem carnal. Isso é um conflito de essências.
Ainda sobre a cricificação, é possível concluir que Jesus era apenas um homem, pois sofreu como homem, e quis desistir, repito: "pai por que me abandonastes?" ou "pai retira de mim esse cálice". Estudos históricos mostram que Jesus orou tanto pedindo para desistir que dos seus ouvidos sairam sangue. Engraçado Sócrates tomou o cálice de cicuta resignadamente apenas em prol da justiça.

André disse...

Al-salam aleykum

Ok, Holy Father. Correção: o problema seria um “gerado por meios convencionais” em vez de “ter saído de...”

Que falta fizeram as aulas de catequese. Me entupi de realidade e virei um chato, pouco versado em fantasias. Bom, então Imaculada Conceição significa que Nossa Senhora nasceu sem o pecado original. Certo, falha minha, mea culpa, mea maxima culpa. Só que pecado original não existe.

Catellius parece conhecê-la e ainda assim é desrespeitoso... Mas pelo menos conhece. Eu, nem isso. Então, acho que vou marcar umas aulas com ele. Afinal, somos dois derrotados, e pior, sem deus.
Queremos, naturalmente, adentrar o seleto clube dos “campeões de Deus” um dia.

Ok, a conceição virginal fica como uma espécie de special delivery. Um Sedex.

Aeiparthenos. Certas coisas ficam legais em grego e latim. “É isso mesmo, o nascimento de Cristo não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal de sua mãe.” Talvez um sufi daqueles, proveniente da Transoxiana, mas de passagem pela região, tenha feito uma cesariana. Mas, que sei eu...

Eduardo Silva disse...

perdoem os erros, estou apressado...

Catellius disse...

Caro Eduardo,

"Depois de ser bombardeado no meu comentário sobre física quântica, me conterei em postar apenas sobre o que eu acho que sei... "

Quanto à Física Quântica, eu apenas quis me certificar de que aquilo que você disse (que há uma teoria da Física Quântica que se diz a resposta de tudo, da termoelétrica, da mecânica) tinha alguma coisa a ver com o filme "Quem Somos Nós". Tem? Quanto ao restante - do cinturão de planetas que protege a Terra -, você não afirmou nada categoricamente. Cogitou e expôs suas dúvidas, o que é algo saudável. Pior é ser assertivo às cegas, como fazem os crentes.

"...não veio através do sêmen, não veio através do sexo, pois o sexo é muito sujo para ser a origem do próprio Deus. "

Concordo com você, mesmo sob o risco de perder o tolo troféu "conhecedor da doutrina" que acabei de receber do Holy Father, em uma ardilosa tentativa de espalhar uma cizânia, he he. Aliás, você é mais do que bem-vindo por aqui, Holy Father, ainda que essas coisas que você escreve possam ser lidas a qualquer momento no Catecismo da Igreja Católica.

--//--

Grande André,

"Acho que a Cobra foi a primeira publicitária da história da humanidade. Seu produto era a Maçã. Mas Deus era o dono da empresa de publicidade. O Washington Olivetto era Ele."

He he he. No Dom Casmurro há um capítulo intitulado "A Ópera", em que vemos o seguinte texto, ótimo como sempre, tratando-se de Machado de Assis:

"Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passa do sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, e acaso para reconciliar-se com o céu, - compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.

-Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a emendai-a, fazei-a executar, e se a achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
-Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
-Mas, Senhor...
-Nada! nada!

Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.

-Ouvi agora alguns ensaios!
-Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.

Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música, para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a além da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais, encobrindo muita vez o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais."
E continua...

Abraços a todos

Eduardo Silva disse...

Não, minhas idéias não são do quem somo nós?, esse filme não tem nada de ciência, é um compilação barata de várias teorias da quântica, da pisicologia e da filosofia pagã do séc IV, as idéias que coloquei no post bombardeado foram extraídas de Hopkins, um físico quântico...

André disse...

Legal! Até me lembrei desse pedaço! Também acho que uns ensaios teriam resolvido muitos problemas. Machado era um cara diferente. Esse seu romance, Brás Cubas, Memorial de Aires e muitos de seus contos são demais!

A gripe passou, finalmente. Amanhã vou poluir minha mente com algum filme no cinema. Ou alguma outra coisa.

Bom final de semana pra vc Catellius, recém caído (de São Catéquitus pra Catellius, o Blasfemo, agora mero personagem de 2º plano - e sem dons proféticos - das Escrituras) e pra todo o pessoal aí também!

*femme* disse...

quando eles ficam surdos, cegos e alheios aos clamores, eles praticam as maiores barbaridades "pelo povo e para o povo". Quando na verdade é apenas uma forma de satisfazer o próprio ego.

Vamos ver a história daqui há 5 anos...

Não é verdade Catellius?

Catellius disse...

Isso mesmo, Femme!

Respondi a pergunta no seu blog, mas não há problema em responder por aqui também: 36 anos. Já estou ficando velho...
Abração

André disse...

Logo mais, reunir-me-ei com um convescote de párocos, uma alcatéia de presbíteros, uma cáfila de cônegos e também uma vara de eclesiásticos, sob a direção de Joseph “será o Benedito?” Ratzinger, para divertido sarau santo, o qual precederá a abertura de novo Concílio destinado a eliminar alguns dogmas. Vcs acham q ter eliminado o Limbo foi alguma coisa? Não perdem por esperar. Conceições imaculadas, transubsanciações e “mistérios”, tremei! A próxima bula papal será vasta - e com letrinhas menores que as da bula do Viagra.

Os resultados deverão ser levados a público no ano 3114.

*******************

Diogo Mainardi:

A TV Pública é a Gautama do éter.

Assim como a Gautama faz obras que custam caro e ninguém vê, a TV Pública custará caro e ninguém a verá. A Gautama deu dinheiro a um monte de lulistas. A TV Pública dará dinheiro a outros tantos. O pessoal da Gautama foi parar na cadeia. Minha torcida é para que, futuramente, por algum motivo, o pessoal da TV Pública tenha o mesmo fim.

O que diferencia a Gautama da TV Pública é o preço. O da TV Pública é mais alto. Muito mais alto. O butim foi calculado inicialmente em 250 milhões de reais por ano.

Agora, como diria Zuleido Veras, o contrato já foi aditado. De acordo com o assessor de imprensa informal de Franklin Martins, que despacha regularmente na Folha de S.Paulo, a TV Pública receberá 350 milhões de reais por ano. Se continuar nesse ritmo, logo mais a TV Pública terá de ser chamada de Andrade Gutierrez do éter ou de Mendes Júnior do éter.

Um conselho de oito profissionais foi reunido para idealizar a TV Pública. Há gente como Eugenio Bucci, recentemente afastado da Radiobrás, Florestan Fernandes Júnior, filho do sociólogo petista, e Beth Carmona, diretora da TVE. Quando Beth Carmona foi nomeada para a TVE, Luiz Gushiken declarou que se tratava de uma "escolha pessoal do presidente Lula". É com esse estigma que ela chega à TV Pública. Beth Carmona é uma espécie de teórica do traço.

Traço é como se define o programa de TV com ibope igual a zero. Em sua defesa, ela argumenta que "a TV é uma concessão pública e, como tal, deve servir aos anseios da sociedade, e não à busca desenfreada pela audiência".

Traduzindo: o espectador não sabe o que é melhor para ele, quem sabe é a Beth Carmona. Quais seriam os "anseios da sociedade"? Neste momento, estou sintonizado na TVE. Há um porquinho tocando violino. Meu único anseio é ele parar de tocar.

Outro conselheiro da TV Pública é Laurindo Lalo Leal. Ele apresenta um programa na TV Câmara, o Ver TV. Apesar do nome, desconfio que seja um dos programas de TV menos vistos de todos os tempos. Laurindo Lalo Leal acredita no seguinte: "Deve-se lutar contra o índice de audiência em nome da democracia. A TV regida pela audiência contribui para exercer sobre o consumidor as pressões do mercado, que não têm nada da expressão democrática de uma opinião coletiva esclarecida". O autor dessa charlatanice bolivariana é Pierre Bourdieu.

A mensagem é aquela de sempre: somos incapazes de entender o que é bom para nós. Hoje à noite vou ver a novela da Globo e comprar todos os produtos anunciados nos intervalos comerciais. Só para incomodar Laurindo Lalo Leal e os acólitos de Pierre Bourdieu.

Se a meta da TV Pública é garantir apoio para o lulismo, não há o menor perigo de sucesso.

Cruz Cesar disse...

Gostaria de parabeniza-los. Acabei de ler a maioria dos posts e achei o blog muito legal.

Suzy disse...

O artigo está impecavelmente verdadeiro. A certos egos só nos resta rogar pela proteção de Deus!
Grande abraço

Roberto Eifler disse...

Quanto à propaganda, nunca me esqueço de uma observação feita por John Kenneth Galbraith num livro que li há mais de 30 anos, defendendo a sociedade industrial (leia-se: os EUA) dos ataques ideológicos da esquerda: ele dizia que no fundo as pessoas tinham mecanismos de defesa contra a propaganda na sociedade de consumo, conseguindo distinguir a proporção de mentira inerente à propaganda. Não sei se concordo totalmente, mas, como a democracia permite liberdade de opinião (até aos loucos e mal-intencionados), talvez a defesa contra a propaganda seja o próprio excesso de propaganda, possibilitando-nos o ceticismo. Aprende-se a viver na ecologia da propaganda. O verdadeiro agente do sucesso da propaganda hitlerista não foi Goebbels, mas o povo alemão (“aquele” povo, “naquele” momento histórico).

Ricardo Rayol disse...

Heitor, a propaganda é a alma do negócio e na política isso é levado ao extremo. Convencer muitos que as realização de outros são suas é um passo em direção à ditadura, o que foi provado inúmeras vezes. E não era Goebbels que dizia que uma mentira dita mil vezes se torna uma verdade?

André disse...

Acabo de tomar três taças de vinho, um bom português, então estou um tanto quanto off-side, mas essa frase aí é do Goebbles mesmo. Se era do Adolf, nem faz diferença no final, afinal, eles eram gêmeos siameses.

Eifler, como sempre preciso e direto ao que interessa, bem ao ponto. Acho que Galbraith estava certo.

Desde já, boa semana pra todo mundo.

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

pra quem vai a gaitada? Bah, sei lá! Pra todos que perdem tempo aqui, eu inclusive

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Bocage disse...

Próximo!

André disse...

Um pequeno clássico:

Paulo Francis sobre o Diário de Viagem de Camus

(FSP, 13/08/87) - Camus esteve no Brasil em 1949. Acabei de ler um "Jornal de Viagem" editado aqui este ano (Paragon, Nova York, 153 págs., US$ 15,95). A Gallimard lançou o livro em 78, "Journaux de Voyage", mas confesso que não ouvi palavra a respeito. Os romances de Camus, pelo menos "L' Étranger", "A Praga", e "A Queda" foram "best-sellers" em toda parte e ensaios dele, como "O Mito de Sísifo" e " Revolté" foram discutidos por todos que portam o rótulo de intelectuais. Hoje, parece, estar em baixa, como Sartre.

Quando se considera que gente como Regis Debray (parece nome de sabonete) e Bernard Henri-Lévy são levados a sério na França, como intelectuais, dá saudades de Camus e Sartre, com todas as suas incoerências e contradições. Mas o fato é que tínhamos uma visão mítica do poderio da cultura francesa na década de 50. Havia sem dúvida intelectuais como os citados e Raymond Aron, Gide, Claudel, mas a sociedade francesa não correspondia ao peso desta gente. Eles deram à França uma reputação de inteligência e sofisticação que de jeito algum correspondia à realidade francesa.

Minha primeira percepção disto foi quando em 1975 estávamos Sônia Nolasco e eu procurando o túmulo (discreto) de Proust no Père Lachaise e ela perguntou à uma mulher onde ficava (o cemitério tem celebridades saindo pelo ladrão).

A mulher respondeu que não sabia e que também tentava localizar o túmulo do seu dentista. Não mostrou o menor sinal de que soubesse quem tinha sido Proust.

R. W. Johnson nota num "Times Literary Suplement" recente que só há um jornal sério na França, "Le Monde" (que, por sinal, está cada dia mais tedioso e provinciano) já que "Libération" vende apenas cem mil exemplares e publica pornografia. Nos EUA e Inglaterra há dois ou três jornais sérios, ou tão sérios como "Le Monde" (e menos provincianos). Johnson nota que em nenhum país do mundo intelectuais aderiram tanto e em tão grande número ao que ele chama de "reaganismo", como se o pobre "Bonzo" tivesse alguma ideologia.

Meu palpite é que o fermento intelectual francês se deveu em grande parte à existência de um partido comunista forte, como era o PCF, até a década de 70, quando se afundou eleitoralmente e em suas próprias contradições. A presença de massa do PCF estimulava intelectuais a pensar. Camus foi membro do PC (da Argélia) e Sartre foi simpatizante durante alguns anos. Sem a força do PCF como contrapartida gente como os "novos filósofos" pode se dedicar ao que realmente gosta, aos prazeres vulgares de uma sociedade de consumo.

Mas Camus, no "jornal", escreve sobre o Brasil da página 57 à 142.

É interessante saber como intelectuais estrangeiros nos vêem (Wilson Martins fez uso valioso de Southey na sua excelente "História da Inteligência Brasileira"). Aprendi muito com a visita de Darwin em 1831. Pouco mudou.

O que mudou é que Camus, nas págs 82/83 foi a uma casa grã-fina no Rio em que "a dona da casa traduz Proust e todo mundo presente conhece profundamente a cultura francesa". Esta gente morreu ou está escondida.

Camus quase não cita nomes. Hoje um visitante descreveria até os hábitos sexuais de quem conhecesse porque lhe seriam confessos minuciosa e tediosamente por todos. Botar o bacalhau para fora é a moda, não ocorrendo, aparentemente, à maioria das pessoas que bacalhau fede.

Alguns são identificados. Mário Pedrosa (referido como "Pedrosa" apenas) levou Camus a um hospício em que os loucos seriam artistas de gênio (Mário andou cismado com isso e, se não me engano, Ferreira Gullar também, por alguns tempos).
Camus achou horrível a pintura, mas nota, com muita sagacidade, que as "os quadros levariam mentes progressistas parisienses ao êxtase". Pior ainda, Camus reconheceu entre os psiquiatras um cavalheiro que "me fez a pergunta mais idiota que me foi feita na América do Sul".

E, claro, este psiquiatra era quem decidia a sorte dos loucos. Um amigo meu, ator de talento e pessoa querida, Josef Guerreiro, foi torturado por psiquiatras brasileiros. Morreu.

É o de sempre. De sofisticados e grã-finos afrancesados, Camus foi levado a uma macumba em Caxias, Rio de Janeiro, e mil e uma baianadas similares. Destas diz: "Danças medíocres expressando rituais degenerados".

Qualquer leitor de Camus sabia que ele era ateu, apesar de ter, segundo alguns críticos, um temperamento religioso. Mas a idéia de que ele fosse apreciar macumba, carioca ou baiana, é de jerico. Ele conclui uma descrição opressiva do "santo que baixou" em Caxias, com uma multidão dentro da casa - é de se imaginar o cheiro - dizendo que "fui para fora tropeçando e aspirei o ar fresco, deliciado. Prefiro a noite e o céu aos deuses dos homens".

Note-se que Camus era argelino, um "pied-noir", filho de francês e espanhola, que viveu com prazer seus primeiros 27 anos (morreu aos 47, num desastre de carro) na Argélia. Só passou a morar na França porque foi pilhado lá durante a invasão dos EUA e Inglaterra do Norte da África e não podia voltar para Argélia, onde tinha deixado a mulher com quem se casara, recentemente.

Ou seja, Camus estava caindo de saber de hábitos "tropicais" e subdesenvolvimento africano. É natural que se tenha irritado porque o obrigaram a "ver tudo de novo" no Rio e Bahia. Sartre talvez tenha adorado porque era da alta classe média francesa, viveu até a Segunda Guerra num círculo fechado de intelectuais acadêmicos da École Normale e, sem dúvida, deve ter sentido um "frisson" ao ser confrontado com o nosso primitivismo africano.

Camus não. Ele era da classe operária. Foi educado pela mãe, que não falava ou respondia a seu afeto, numa favela francesa na Argélia. Quando foi ao Brasil já era autor mundialmente famoso de "A Peste", mas se lembrava muito bem de onde tinha saído e do que tinha escapado.

Levaram o pobre homem à igreja do Bom Jesus, Salvador, com suas "oferendas" (ou talvez "ofertas", sei lá), comenta: "Sufocante. Mas este barroco harmonioso é muito repetitivo. Em verdade, é a única coisa a se ver neste país e não leva muito tempo para vê-lo. A vida real permanece (à mão). Neste país grande demais, que tem a tristeza de vastos espaços, a vida é terrivelmente banal e levaria anos para que eu me integrasse. Quero passar anos no Brasil? Não".

Ele conheceu gente inteligente como Oswald de Andrade, que lhe propôs, "em face da derrocada de Descartes e da Ciência, uma volta à fertilização primitiva: matriarquia e antropofagia".

Nenhum comentário do autor.

Levaram Camus a uma penitenciária modelo em São Paulo. Na saída alguém disse: "A casa é sai". Apesar do tratamento lorde na penitenciária Oswald disse a Camus que prisioneiros batiam com a cabeça na parede até morrer.

Há o relato de uma viagem a Iguape em que tudo dá errado. Um chofer sabe-tudo (posso ouvi-lo falando: "Pode deixar, dr., eu conheço o caminho. Está na mão". Ele errou o caminho em 60 km e horas de poeira, buracos e opressão psicológica).

Na página 129, Camus escreve: "Sou obrigado a confessar que pela primeira vez na vida me sinto em colapso psicológico. Apesar de todos os meus esforços estes delicado equilíbrio, que até hoje tem resistido a tudo, está quebrado".

Desta viagem me lembro apenas que Camus "deu manchete" porque protestou veementemente contra "flagrante delito", a lei estúpida que obrigava (obriga?) o chofer que atropela alguém a fugir, deixando o atropelado à morte, para não ser pilhado em flagrante delito.

No melhor estudo biográfico de Camus, melhor do que o de Germaine Brée ou o de Roger Quilliot, que são os "donos" do escritor na França, "Camus", de Patrick McCarthy (autor também de uma biografia exemplar sobre Céline; Random House, Nova York, 359, págs. US$ 17,95), McCarth diz que Camus "perdeu a cabeça" várias vezes no Brasil. Ele não escreve isso, mas há uma cena que acho resume nossa atitude em face de estrangeiros.

Camus é levado a comer no Albamar, no Rio, famosa peixaria no ex-mercado, por (obviamente) Augusto Frederico Schmidt e uma pessoa que não consegui identificar.

Bajulações mil. Isto é prova do senso de inferioridade que temos com estrangeiros. E esconde um profundo ressentimento. Este às vezes explode em meio à bajulação. Por um desses azares não recebi jornais durante a visita de Gore Vidal ao Brasil, mas o que me contaram seguiu este script de bajulação e ressentimento. Com Camus, aconteceu quando este amigo de Schmidt pediu um prato para ele. Camus quis saber o que era. Um camarão frito, que Camus não quis porque disse que conhecia o prato da Argélia. A esta simples objeção o companheiro de Schmidit cobriu-o de desaforos. Desta fúria o cara passa a uma extrema humildade, dizendo que só querem "agradar Camus" etc. etc. É uma cena típica da nossa esquisotimia com estrangeiros célebres.

Camus não acerta um nome brasileiro: até Caymi é Kaimi (Camus adorou), Pernambuco, Pernambouc, Madureira, Madudeira. Talvez se o tivessem levado a Ouro Preto e o deixado à solta nos bares da época, Maxim's no Rio, ele tivesse uma impressão diferente do Brasil, mas somos precisamente como a China, em que há oitenta chineses que recebem todos os estrangeiros e que dizem todos a mesma coisa o tempo todo. Candice Bergen implorou a Samuel Wainer que a retirasse do "elenco" de grã-finos do Rio, porque estava morrendo de tédio. Samuel a levou ao Antonio's. O circo lá pelo menos é diferente. Chato é que português é uma língua tão impenetrável como holandês (na Holanda todo mundo fala inglês e alemão) e nenhum estrangeiro pode ser deixado solto, ou não podia por este motivo apenas, em 1949. Hoje seria assaltado na primeira esquina. Não tem solução, como diz Kaimi...

Catellius disse...

Olá pessoal!

Desculpem a ausência! Estou enforcado pela entrega de dois projetos grandes :(
O Heitor deve postar um novo artigo hoje ou amanhã.

Abraços a todos!

André disse...

E eu estou enforcado de tanta matéria. E, mesmo q não estivesse, ando sem idéias, sem ter o que dizer.

Só nos finais de semana dou uma parada e saio.

Que saco

José Alberto Mostardinha disse...

Um viva a todos:

Mas... quem pára um pouco para pensar e ver que este planeta maravilhoso está a pedir a ajuda de todos?

Um abraço,

Heitor Abranches disse...

Catellius,

Proponho um concurso mensal para o lema do site e um lema para o proximo mes:

Amigo de verdade nao separa briga ja entra dando voadora...

André disse...

Boa essa de um concurso mensal para o lema do site.

Como recebi ontem um exemplar de A Arte de Insultar, de Schopenhauer, aqui vão algumas sugestões:

Os amigos se dizem sinceros, os inimigos o são.

Existe apenas um único erro inato, que é o de acreditar que vivemos para ser felizes.

O cérebro é o parasita ou o pensionista do organismo inteiro.

O charuto é para o homem limitado um substituto oportuno dos pensamentos.

Um congresso de filósofos é uma contradição em termos, já que raramente se encontram no mundo dois filósofos ao mesmo tempo e quase nunca em grande número.

É penoso ver roucos cantarem e mancos dançarem; mas saber de mentes limitadas que filosofam é insuportável.

Quem quiser me superar poderá fazê-lo na largura, mas não na profundidade.
Às vezes converso com os homens do mesmo modo como as crianças conversam com seus bonecos: embora ela saiba que o boneco não a compreende, usando de uma ilusão agradável e consciente, consegue divertir-se com a comunicação.

Quase sempre, os seres humanos não passam de uma sopa rala com um pouco de arsênico.

Pensais como Leibniz que este mundo, real, é o melhor de todos os mundos possíveis? Quase não conheço o mundo real e não tenho a honra de conhecer os possíveis.

A grande multidão possui olhos e ouvidos, mas não muito mais do que isso, menos ainda juízo e memória.

O que na verdade falta aos medíocres, dos quais o mundo está repleto, são duas capacidades bastante familiares, ou seja, a de julgar e a de ter idéias próprias.

Um monge autêntico é um ser extremamente venerável: mas, na maioria dos casos, o hábito é apenas um disfarce sob o qual é possível encontrar um verdadeiro monge tanto quanto o seria sob um disfarce.

A intolerância é intrínseca apenas ao monoteísmo: um deus único é, por natureza, um deus ciumento, que não tolera nenhum outro além dele mesmo...

Erguer um monumento a quem está vivo significa declarar que não se pode confiar nos seus pósteros.

Como símbolo da ousadia e da impertinência, dever-se-ia escolher a mosca. Pois, enquanto todos os animais temem o homem mais do que tudo e voam antes mesmo que este se aproxime, a mosca pousa em seu nariz.

O mundo é a minha representação.

Em todos os lugares do mundo, a regra é a canalha

Por acaso este mundo foi feito por um deus? Não, antes por um demônio.

A única felicidade é a de não nascer.

A existência é um episódio do nada, e não há nada a que ela se assemelhe tão perfeitamente quanto à conseqüência de um erro e de seu desejo punível.

Os obscurantistas são vistos como pessoas que querem apagar a luz para poder roubar.

Nossa situação é realmente precária! Ter pouco tempo para viver, com muito trabalho, necessidade, medo e dor, sem nem mesmo saber de onde viemos, para onde vamos e por que vivemos, e ainda ter de suportar padres de todas as cores, com suas respectivas revelações a propósito, além de ameaças contra os infiéis.

Turistas... escrevem seus nomes nos lugares interessantes que visitam. É seu modo de reagir, de deixar um rastro num local que não deixou nenhum rastro neles.

A vida oscila, como um pêndulo, de um lado para o outro, entre a dor e o tédio.

A vida da maioria das pessoas é a apenas uma luta contínua pela existência, com a certeza da derrota final.

A fé e o saber não se dão bem dentro da mesma cabeça: são como o lobo e o cordeiro dentro de uma jaula; e o saber é justamente o lobo, que ameaça devorar seu vizinho.

***************
Brincadeirinha, claro, esse site não combina com Schopenhauer, pelo menos não com o Schopenhauer amargo, que era o mais freqüente....

Mas ele é bom nos dias em que a gente resolve descer o pau no mundo. Às vezes, é bom içar a bandeira negra com a caveira, desembainhar a espada e cortar algumas cabeças. Todo homem civilizado de vez em quando precisa disso.

Minha sugestão pro concurso é mais comportadinha:

Amar e pensar: eis a verdadeira vida dos espíritos. (Voltaire)

Mas aí a gente tem q entender espírito no sentido não-teológico, pra não desagradar ateus e agnósticos. Ou não, agradando aos que neles acreditam? Ou nada disso: afinal está mais do que subentendido q esse “espíritos” tem a ver com espirituosidade.

Vcs decidem...

P.S.: deixei de fora citações longas d Schpenhauer, bem como o que ele tinha a dizer sobre as mulheres. Não quero ofender nossas doces (sem ironia nesse doce!) e sagazes leitoras/comentaristas.

*femme* disse...

Conclusão, a propaganda é o "mal dos negócios".

Cada dia mais convencida de que um novo reinado lulapetista, embasado na mídia poderá levar o Brasil a uma decadência e mutilação das nossas ideologias. Tudo em nome "do bem estar do País"...

eu, hein,?

bjossssss

C. Mouro disse...

Maravilha!
Sempre é um prazer nos deliciar com o genialmente primoroso pensador, que, julgo, contrariado em suas aspirações, mordeu a lingua.

Vale destacar ainda mais:

- Em todos os lugares do mundo, a regra é a canalha

- Por acaso este mundo foi feito por um deus? Não, antes por um demônio.

- Os obscurantistas são vistos como pessoas que querem apagar a luz para poder roubar.

E não se pode esquecer da mais incorreta politicamente, e que é minha preferida, mesmo que não acreditem:

- Quando os bons modos entram, o bom senso sai.

Abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

Por que não se começar a elaborar um manual dos ardis do Poder.

Até Thomas More deu uma contribuição para o assunto, e eu julgo que a melhor estratégia para movimentar cerebros é dar a explicação certa.

Por exemplo, o Poder sempre "explica"com a ganância, a ambição material, todos os males, inclusive usam isso contra a idéia de liberdade, tipo: se o homem egoísta não for controlado pelos altruístas, eles espalharão o mal. Isso é fácil de ser entendido como justificatoiva. É totalemnt falsa, bem nos disse A. Smith, mas a massa estúpida consegue assimilar isso.

Então, por que não dar os motivos para a defesa do Poder político? ...e ainda acomnmpanhada das mutretas para aliciar para tal defes.

Os funcionários publicos são agraciados com emprego vitalicio e aposentadoria integral. Assim, os altos cargos, com elevados salarios não têm que se preocupar nem com o emprego nem com a aposentadoria. Assim, não se importam em fazer investimentos, podem consumir toda a renda em despesas - perde-se investimentos. Já os assalariados da iniciativa privada têm que investir parte do que ganham para garantir o padrão após a aposentadoria.
Com isso, funcionários públicos tendem a ser socialistas tanto por usufruirem do poder para ganhar, como pela despreocupação com investimentos. Nunca se preocuparão com o destino dos investimentos, pois o emprego público efetivamente torna a população pagadora de impostos, sua escrava.
Dirão:
"que se danem os investimentos, não precisamos deles, já que nossa renda é garantida pelos impostos"

Ora, isso é já um ardil do Poder, que alicia funcionários lhes garantindo absoluta SEGURANÇA ECONÔMICA, de modo que nem precisam empreender nada para manterem o padrão. Já na iniciativa privada, quem tem renda alta devida ao trabalho, será obrigado a investir parte para garantir o futuro. Os funcionários dop governos não se importarão com os ataques aos emprteendedores e investidores, estão protegidos pelo Poder, e por tal o defendem e cultuam; vivem dele.

Geisel, aplicou a estratégia do bode para aumentar a gasolina, e ainda inventou os fraudulentos "emprestimos compulsórios" para mitigar o choque na população até habituar-se com o fato de ser tungada.
Até as tarifas telefonicas - fonte fantástica de recursos para os governos - foram exageradamente elevadas atraés do "truque dos minutos" com a propaganda da idéia que acabaria a assinatura e só se pagaria pelo que consumisse. ....hehehe! ...o povão imbecil "comeu essa", adorou e até elogiou os políticos que vieram com essa conversa. Resultado, o valor do minuto assumiu o valor do pulso de 4 minutos e a assinatura ainda continuou ...hehehe! o o povão se calou. ....hohoho!

O IPMF também foi pleiteado para a saúde: QUEM A ELE SE OPUSESSE SERIA UM MALVADO QUE NÃO QUERIA A MELHORA DA SAÚDE.... ....hehehe! ....PORRA NEHUMA! ...e o Jatene apenas canalhosamente se prestou a tal imundo papel. O OBJETIVO ERA DE SE TORNAR MAIS UM IMPOSTO, porém, como justificar??? ....hehehe! ...através desse estartagema: é exclusivo para a saúde, vamos tolerar porque a causa justifica mais essa robalheira ...hehehe! e o povão foi engabelado; ir contra era como se opor a excelência na saude pública, amansou critoicas (constrangeu criticos) mas o caso era para ser só mais um.... ....om povão imbecil capitulou direitinho..

Abraços
C. Mouro

André disse...

Bom, eu estou a caminho de me tornar um funcionário público, mas o q o C. Mouro disse está certo. O difícil mesmo é passar num concurso e entrar num lugar bom (pq a maior parte do funcionalismo é uma droga, apesar do q diz a imprensa, como se muitos ganhassem bem, não é bem assim). Mas mesmo virando um burocrata da pátria, já tenho e vou manter uma aposentadoria privada/complementar, pq é óbvio q não confio em nada oferecido, sugerido, apresentado como alternativa (ou imposto logo de uma vez) pelo Estado brasileiro.

Isso se eu não entrar na iniciativa privada, claro, mas acho q vou acabar virando funcionário do Estado.

Só não invisto ainda em ações pq isso exige muito conhecimento do assunto e cautela. Mas pode até ser interessante, quem sabe um dia. O importante é não se empolgar e aloprar.

“tendem a ser socialistas tanto por usufruirem do poder para ganhar, como pela despreocupação com investimentos.” É faz sentido. Que bom q na minha família há poucos esquerdistas/petistas, e todos são funcionários públicos. Já os amigos da família, bom, há os idiotas inevitáveis e os chatos, sabe como é. A maioria desses, pra variar, funcionários públicos... mas Brasília é assim. Conheço pouquíssimos profissionais liberais, gente da iniciativa privada. O que não quer dizer q são poucos por aqui. Só são uma minoria, mas crescente. Eu é q não conheço muitos mesmo.

Há muitos funcionários públicos excelentes, gente do mais alto nível (sob todos os aspectos), mas também há um grande número de mortos-vivos. E são eles q sujam a imagem da classe toda.

Num país sério, de sociedade organizada e mais civilizada, a CPMF seria declarada inconstitucional pela Suprema Corte, lógico. Mas aqui pode tudo, é inacreditável. O brasileiro trabalha metade do ano pra pagar impostos.

C. Mouro disse...

Nobre André,
eu mesmo conheço funcionários públicos e também empresários que vivem enrabichados nas tetas estatais. Se entrares para o emprego público, mesmo que numa estatal, terás contato com o assédio dos politiqueiros e dependendo até dos piolhos sindicais a te dar instruções corporativas. Numa estatal, dependendo, poderás contar até com um servo de informações melhor que das polícias - eles descobrem mais rápido.

Mas o que quis salientar é a estratégia para manipular. Essas coisas não são por acaso.
Se os aquinhoados com altos salários estatais não tivessem uma garantia, fosse o mesmo esquema da iniciativa privada, eles teriam que poupar e investir para garantir o futuro, para manter o padrão, e certamente não seriam público cativo das idéias estatais. Claro, pois dependeriam da iniciativa privada para manterem o padrão. Mas como os impostos garantem, eles cagam para os problemas dos "comuns mortais", pois estes nunca os tocarão - estão seguros - e isso não aconteceu por acaso não.

O lunático T. More em seu "Utopia" mesmo fez referência aos maneirismos do Leviatã para extorquir sem-Poder. Estas estratégias são antigas, já em Roma havia inflação e acusações aos "egoístas gananciosos". Daí eu considerar que a ideologia cristão foi sob medida para a politicagem. Agora é o socialismo que faz o papael da ideologia salvadora.

O IPMF que virou CPMF (contribuição permanente) é prova da estratégia: se anunciassem mais um imposto, o povão podia estrilar e o assunto podia gerar insatisfação. Mas dizendo provisório e apenas para melhorar a saúde, isso acalma e constrange críticas, afinal mesmo sendo absurdo, tende-se a condescendência por ser para a saúde ...MAS ISSO FOI SÓ ARTIFÍCIO, POIS ERA PARA SER APENAS MAIS UM MEIO DE ARRECADAR.
A canalhice é tanta que cretinamente mudaram de imposto para contribuição. Eufemismos desavergonhados.
Os donos e usuarios do Poder sabem usar as palavras, como bem dito está no artigo de T. Sowell no MSM.

Por duas vezes eu tentei chamar atenção para os ardis de que se valem os donos do Poder, fazendo alguns textos como "Astúcia e Poder" e outros sobre as manipulações que já nem sei o título. Mas parece que todos acreditam que os políticos e autoridades agem sinceramente e às claras. Assim, somente os não socialistas "são ardilosos para explorar os trabalhadores através de ideologias burguesas".

Os proprios socialistas desde muito são entendidos como boas pessoas cheias de boas intençoes, mas equivocados. Coitadinhos, eu até fico penalisado por estes santos, tão preocupados em salvar o mundo dos demoníacos egoístas, serem tão bloqueados para entender o óbvio.
Essa estória de dize-los bem intencionados, enquanto eles acusavam os divergentes de canalhas, é que permitiu esse mito que não cairá facilmente. Pode-se ver que mesmo "o PT apenas sofreu a influencia das más companhias" e Lulla é simbolo de honestidade e boa intenção.

Acredita-se até na absoluta lisura de concursos para cargos de Poder, mesmo que quem monta as provas seja coligado a um partido e adepto de uma ideologia que preconiza a hegemonia da classe estatal (...hehehe!). Ora, se o tipo é obediente a uma ideologia e sobretudo a um partido que se pretende hegemonico, é evidente que algumas vagas para cargos de Poder serão "reservadas" para "irmãos ideológicos" e militantes partidários. Não tem como crer que quem monta e demais envolvidos no processo de um concurso, tendo interesses ideológicos e partidários, se proibirá de APARELHAR postos de Poder no Estado. ...Pô! é mais fácil Papai Noel existir. ...podem outros penetrar, mas uma boa parte está reservada para os "orgânicos", que "passarão".

O Poder tem estratégia, a propria idéia de dividir para dominar é uma delas: joga-se pobres x ricos, empregado x patrão, consumidor x comerciante, preto x branco, estrangeiro x local, "nós" x EUA, socialismo x "capitalismo" (seja lá o que isso for), e etc.. Assim fazem para polarizar e banalizar as discussões pela confusão. No fim, todos estão contra todos e dessa rixa é o Estado que colherá o prêmio. ...è estratégia, talvez, mais antyiga que Sun Tzu.

- "è preciso dividir o povo, porque o dia que ele se unir, ninguém o dominará".

Há o incentivo corporativo dos beneficiários do Estado e o incentivo dissipativo nas suas vítimas.
É a estória do "e eles prenderam os judeus, mas como eu não era judeu, não me importei e....". é assim que funciona. Uma população que se odeia mutuamente não será páreo para uma organização como o Estado/governos que vivem de escraviza-la. É a vitória perfeita, onde o vencedor não precisa lutar, pois apenas lança seus inimigos uns contra os outros, para que se enfraqueçam, para que desunidos jamais possaam ameaçar a hegemonia dos donos do Poder.

vai milênio e vem milênio e nada muda além das moscas ...a merda é sempre a mesma.

Há uma estorinha sobre "o jeito de falar" e isso é realmente importante.
- Contribuições sociais e não Impostos.
- Patrimonio público e não patrimonio dos governos
- servidor público e não empregado do governo
democracia popular e não ditadura
controle popular da mídia e não censura
- tudo que os governos fazem é sob a égide de fazer um bem ao povo, nunca dizem que é para os governantes e agregados - que são os beneficiados "por acaso".

As multas (industria de multas) é para educar motoristas.
Proibe-se as armas para evitar acidentes com armas, mas solta-se bandidos que sempre voltam a matar inocentes.
e etc. etc.
...mas esse assunto não interessa.
...reclama-se muito, mas não se concebe um algoritimo para desestimular o Poder totalitário

...eu diria que o ideal seria que políticos só pudessem se eleger uma única vez na vida e mesmo os funcionários publicos tivessem um tempo máximo (15 anos p/ ex.). Que só se candidatassem que já tivesse trabalhado antes (há os que nascem e morrem no serv. estatal).
Que todos fossem iguais perante as lei:
juizes, procuradores, diretores, promotores, policiais e etc., TODOS, seguissem as mesmas regras da iniciativa privada. Imagine se o INSS seria essa ladroagem ...CLARO QUE NÃO! pois quem detem o Poder sentiria na própria pele.
Politico não teria aposentadoria própria. Nada de fundos de pensão estatais, onde as empresas cobrem os rombos e roubos e depois os impostos cobrem as empresas.

...Igualdade perante a lei para TODOS, TODOS MESMO! ...ninguém fala disso. Não se vai ao coração da questão, e no fim gastamos tempo com discussões inuteis. As propostas são "de vento".
Penso que a propsta socialista ou "comunista" ou assistencialista, foi um meio do Estado se perpetuar como Poder sobre a população, foi um ataque no coração da liberdade ...ELES SABEM BRIGAR pelo que querem, a massa apenas reclamar e pagar.
As propostas para atacar o Poder não provocam emoção. ...hehehe! e todos se movimentam mais pela emoção que pela razão, daí que a visibilidade é mais importante que a reflexão, daí que a defesa do Poder sempre foi espetaculosa, sempre barulhenta e visivel.
As reflexões... tsc tsc tsc.

Comentar "Astúcia e Poder" não vai colar.

Abraços
C. Mouro

André disse...

Louvável C. Mouro,

Sim, também conheço alguns funcionários públicos picaretas e “empresários estatais”. Muitos FPs ( e também filhos da... ha, ha) que nunca passariam num concurso, mas que vivem em cargos comissionados, saltando de diretoria em diretoria, de um órgão a outro, dentro do mesmo Poder. Ou de subdiretoria em subdiretoria... E ganham bem, em torno de 12 a 15 mil mensais. Quando não levam logo 20.

Muitos dos servidores públicos que conheço (concursados ou não) tem alergia a qualquer coisa remotamente “privada”, privatizações, p. ex., ou aquela conversa de reduzir o Estado, de falar em liberalismo, em Roberto Campos, eles detestam isso. São quase todos, noto, nacionalistas, mesmo quando não são petistas/esquerdistas. E anti-americanos. Mas não deixam de fazer compras em NY ou na Flórida, naturalmente. Desnecessário dizer q tem uma cultura, com raras exceções, q só confirmam a regra, de enciclopédia infanto-juvenil...

E há também essas fantásticas criaturas que acreditam sinceramente na absoluta inocência de Lula. Eu ainda tenho uma leve vontade de dar um tiro em alguns e de rir de outros. Não fico penalizado quando vejo essas pessoas que imaginam ser socialistas (acho q quase ninguém realmente sabe o que é isso ou o que é capitalismo ou liberalismo), esses aí cheios de boas intenções. Fico levemente incomodado. Antigamente me revoltava.

No Brasil, o capitalista é o vilão, o inimigo público, na cabeça do povão. Mentalidade...

Já fiz uns dois concursos com fraude que não foram anulados. Coisas gritantes: p. ex., em 2000, para a Câmara dos Deputados. Feito pelo próprio órgão (interno), deles, o q já foi um erro. E muitos aprovados nas 1as posições e com notas muito altas, que eram sobrinhos, afilhados, enteados e outros aderentes de gente bem posicionada lá dentro. O falatório não deu em nada, o concurso foi mantido. Claro, conheço gente q se matou de estudar e passou. Que bom. Mas houve irregularidades, várias. Como era pra nível superior e eu ainda tinha uns 2 anos de faculdade pela frente, não estudei. Acho q se tivesse estudado bem tinha passado. Foi mais confuso/malfeito do q difícil. O caderno de provas era inesquecível: muito grosso pq a fonte era enorme, parecia prova especial (elas existem, para deficientes visuais), e a cor do papel era rosa. Aquele rosa de papel higiênico barato. Ótimo pra dar dor de cabeça na gente. Me lembro q na entrada montaram detectores de metal enormes. Deve ter sido pra ninguém entrar com pistolas automáticas e submetralhadoras...

Aqui em Brasília, o escândalo envolvendo o Cespe/Unb, supostamente “sem fins lucrativos” mas q arrecada uma grana violentíssima com concursos país afora, em 2005, foi até bom. Acabou com a aura sacrossanta dessa empresa, q até então era inatacável, perfeita, imaculada. Era um saco ter q ouvir sempre q o Cespe isso, o Cespe aquilo, a lisura (palavrinha idiota) do processo, o alto nível das questões, blá, blá, blá. Eu até admito q as questões são mais cerebrais, exigem mais inteligência do que decoreba, como é o caso das provas da Esaf, outra m..., mas por outros motivos. Mas sempre achei idiota a regrinha ais famosa do Cespe, que de uns tempos pra cá vem sendo relaxada: “uma errada anula uma certa”. Uma coisa q vc erra anula uma q vc acertou. Hátoda uma burocracia pedagógica, conversa fiada de “educador” (???) pra explicar pq essa regra é o que há. Pra mim, pura conversa fiada, bullshit. Claro q o esquema envolvia gente alta lá dentro, imagino até q a polícia daqui saiba exatamente quem foi, mas q não tenha provas substanciais para enquadrá-los. É complicado pegar alguns, infelizmente. Não deixaram muitos rastros, eram profissionais.

Muitos deles já estão empregados em outras empresas q fazem concursos...

Quanto ao loteamento de cargos pelo partido do momento, hoje o PT, acho q eles nem se utilizam tanto de concursos. Nomeiam direto os pelegos, pra cargos em comissão. Isso é q deveria ser drasticamente reduzido: cargos em comissão, funções comissionadas, os demissíveis ad nutum (a qualquer momento, ou seja, sem estabilidade). Os concursados/estáveis é q deveriam ter acesso a esses cargos ocupados por essa ratatuia, essa malta. Tanto os cargos mais baixos como os de direção. Os cargos por indicação política, do Presidente, nas empresas estatais e no Executivo, também deveriam acabar.

“Contribuições” sociais e não Impostos. É, ridículo.

Patrimonio público: muitas vezes não é...

Servidor público: já acho desagradável. Lembra “servo”.

Democracia popular: o que não quer dizer nada. Assim como “sociedade civil”. E lá existe uma militar?

E se tem o “popular” no meio, pode saber q é vulgar e populista.

Sou a favor das câmeras q multam. Mas sem dúvida há uma indústria. Se bem q o brasileiro reclama muito, é indisciplinado no trânsito e depois culpa o DETRAN.

Lembra do caos q foi assim q entraram no ar as operadoras de telefonia, o novo sistema, pós-privatização? Ninguém sabia usar nada, mesmo após uma extensiva campanha de informação sobre os novos números/códigos telefônicos. Isso pra mim é preguiça. O zé-povinho reclamou por uma ou duas semanas, depois tudo se normalizou.

Quanto ao crime, o Brasil precisa de uma profunda reforma nos dois códigos, o penal e o de processo penal. Se vc lê o penal, pensa q está na Noruega. Tem q endurecer, baixar o pau, instituir trabalhos forçados, perpétua, penas longas, mas também tem q fazer isso funcionar, ser cumprido. E isso é q é difícil (corrupção...). Não acho q precisamos de pena de morte (Schopenhauer tem uma boa: aos q são contra a pena de morte, eu digo: se vcs abolirem o homicídio primeiro, podemos abolir a pena de morte...). Mas precisamos de policiais de verdade e com nível. Acho q em casos extremos daria até pra instituir, por um tempo, algo como “medidas extrajudiciais” (nome sugestivo usado pelos ingleses para assassinatos de terroristas do IRA na Irlanda do Norte). Eu autorizaria algumas contra grandes traficantes, entre outros. Simplesmente localizar e matar. Certos tipos não devem ficar numa cela, sustentados pelos nossos impostos. Eu extrairia toda a informação necessária de um Beira-Mar e depois o executaria, cut and dry, that is it. Direitos humanos, nesse caso, só os do cano da minha Ruger 357.

Caras q param um ônibus e põe fogo nele com os passageiros dentro, idem. E por aí vai.

Um brasileiro q mora em Miami me disse q o norte-americano não é um ser moralmente superior a nós (penalmente, ao menos). Não é mais civilizado ou certinho por natureza. Ele obedece a lei porque tem medo dela. É preciso ter medo da lei. Respeitá-la por saber q ela funciona, mas medo, enfim. Um medo necessário. Claro, há corrupção, safadeza, mas o sistema, bem ou mal, e apesar das injustiças, funciona. Dá resultados.

Políticos poderiam se eleger mais de uma vez na vida. Mas o salário deveria ser razoável, o carro oficial, um só, e as mordomias reduzidas. Uma vida espartana mesmo, sem frescura. Isso, só nos meus sonhos, claro.

Func. públicos poderiam trabalhar por muitos anos, mas eu revisaria a estabilidade. Ah, se um deles estiver me lendo agora, vai querer me matar.

O INSS pra mim tinha q acabar.

Aposentadoria pra parlamentar: jamais.

Fundos de pensão estatais: só se fossem muuuuuuuuuito bem administrados.

Ah, sim: igrejas, religiões e escolas particulares pagariam impostos como todos nós.

O resto desse interminável assunto é o velho problema da mentalidade do brasileiro médio: mal tem uma.

Mas acho q já falei demais.

De volta aos alfarrábios legais...

Bocage disse...

Heitor, esse da "voadora" pega mal. Todos recebemos a piadinha por e-mail.
O provérbio em latim dá a impressão de que é um blog profundo, rsrs
Neste espírito, o Quidquid Latine Dictum Sit, Altum Viditur (Qualquer coisa dita em latim parece profunda) é o ideal, na minha humilde opinião.

André disse...

Acho q o Bocage está certo. O Altum Viditur é o melhor. Irônico na medida certa.

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