27 junho 2007

Lula e a Sobrevivência

Outro dia o nosso semiculto presidente, ao dar posse ao extremamente culto e inteligente Mangabeira Unger, mostrou um pouco do seu proverbial bom senso. Segundo ele, a primeira preocupação das pessoas é com a sobrevivência e isto deve ser compreendido. Portanto, ao se criar um horizonte de longo prazo para as reformas por meio daquela Secretaria estaria se evitando as preocupações mundanas que muitas vezes impedem a prevalência do bom senso e do bem comum. Nisto ele concorda com o pastor e pai dos economistas Adam Smith. Cada um busca o seu próprio bem ou pelo menos o que julga ser seu maior interesse.

Entretanto, acredito que a simplicidade do pensamento de Adam Smith ainda não tenha sido compreendida pela maioria das pessoas. Este pastor buscou conciliar o egoísmo dos indivíduos com o bem comum (a riqueza das nações). Uma proposta ambiciosa, sem dúvida, mas que tem uma base empírica muito boa: o egoísmo humano. Para ele, a instituição social do mercado faz a intermediação entre os indivíduos e o bem comum. E o que é o mercado? É o local onde os indivíduos podem negociar para atingir um estado mais elevado de satisfação. E, mais importante, o mercado permite aos indivíduos a especialização, que gera aumento da produtividade social (a riqueza das nações).

O Estado soviético acreditava que não deveria haver negociação entre as pessoas pois ele teria capacidade de planejar o que seria melhor para todos. A reação da sociedade russa a isto foi o fortalecimento das máfias, do clientelismo e das panelinhas que buscavam assegurar a sua própria sobrevivência contra a vontade desta entidade desumana e abstrata - o Estado.

De fato, há uma certa ingenuidade no pensamento socialista tradicional. Mais que isto, há um resquício do pensamento dualista de bem e mal. Acredita-se que uma elite do proletariado conheça o bem maior e que a maioria do povo desconheça, portanto, justifica-se a imposição da vontade do pequeno grupo ao grupo maior.

O nosso semiculto presidente, que é originário do povo, prova que o povo tem bom senso. Talvez não tenha muito caráter, como Macunaíma, mas caráter talvez seja um luxo para poucos. E isto não é um pecado tão grande, afinal, como disse o elitista e ex-marxista FHC, existem as razões de Estado.

A negociação com o Estado é muito difícil para a maioria dos indivíduos, uma vez que a melhor alternativa, caso não se chegue a um acordo, é simplesmente deixar o país. Portanto, há a necessidade de conter o poder estatal, ainda mais por ele ser exercido por uma elite de políticos e burocratas que busca apenas a própria sobrevivência.

Conversando com petistas intelectualmente sofisticados, acho impressionante eles ainda não terem entendido a importância da divisão de poderes do Estado para enfraquecê-lo, muito menos a importância de um quarto poder independente, ou seja, uma imprensa não controlada pelo governo. Talvez o seu rancor de classe veja nas TVs privadas uma forma de hegemonia da burguesia. O meu argumento, no espírito de Montesquieu, de que basta que a TV não seja controlada pelo governo para que haja democracia não os convence.

A velha idéia americana dos “checks and balances” talvez seja americana demais para o paladar petista. A idéia é simples. Precisa-se de poder porque ele gera ordem, mas o poder deve ser contido por outros poderes e controlado (a glasnost) para que não degenere em ditadura.

O petista tem uma fé nos seus dirigentes da qual não compartilho; acredita que buscam "o bem maior" quando, como nós, estão em grande parte buscando a própria sobrevivência e daqueles com quem têm relações afetivas.


73 comentários:

Heitor Abranches disse...

Hoje estava vendo as pesquisas de opiniao:

O Lula e gostado por 64% da populacao, o seu governo por 45% e o PT por 30%...

Ou seja, o Lula vale 20% mais que o seu governo e o governo vale 15% mais que o PT...

O problema e que o PT e o partido mais gostado pela populacao talvez com a soma de todos os outros.

Se isto nao e a receita para o populismo e para a hegemonia petista...entao o que e?

Heitor Abranches disse...

Segundo pesquisa qualitativa o Lula seria eleito pela terceira vez em 2010 e poria o seu candidato no segundo turno transferindo pelo menos 20% dos seus votos...

O fato e que o PT e os seus eternos 30% estao sempre no segundo turno....

Pensando bem nos ultimos quatro segundo turnos o PT estava la e tudo indica que estara no proximo tbm.

Anônimo disse...

maldito seja por isso

Simone Weber disse...

Ótima matéria, Heitor, e evocativa a figura do caminhão-balsa verde e amarelo apinhado de sobreviventes do regime cubano, sobrevivente da queda do Muro de Berlim. Sonhar com o marxismo até que é gratificante quando se vive confortavelmente em uma democracia, é bom para o Chico, para o Niemeyer. Vivê-lo faz com que se passe a sonhar com Miami... Prefiro outro tipo de sonho :-)

Beijocas a todos

C. Mouro disse...

"Este pastor buscou conciliar o egoísmo dos indivíduos com o bem comum"

Bem, ele não buscou conciliar, mas apenas mostrar que não são antagonicos, "conciliados" eles já são naturalmente. O próprio Nietzsche atentou para o egoísmo inteligente, racional, como algo bom e útil. Neste ponto, apesar de nunca ter lido, por comentários de terceiros, parece-me que as idéias de A. Rand foram fundo no diagnóstico da desgraça ao defender exatamente o egoísmo (racional, pois a burrice que o toma pelas aparências o confunde com egocentrismo), opondo-se ao altruísmo, que é a fonte das desgraças. Afinal foi concebido como valor para induzir certo desprezo por si mesmo em benefício alheio. Claro que o egocentrismo inventou a virtude do egoísmo ...astúcia, como no provérbio: o conselho do rato é que se expulse o gato.

Vou continuar a ler o resto...

Abraços
C. Mouro

André disse...

“Semiculto”... esse “semi” responde pelo quê? Acho que é 100% mesmo (inculto).

Mangabeira Unger é um esquisitóide pseudointelectual. Mas já falei sobre ele nos comments do post passado. Quando fez aquele discurso, biaxou nele o Padre Vieira, versão 2.0.

Adam Smith pra Presidente do Brasil.

O povo não tem caráter nem bom senso. Até q é bem quietinho, tirando algumas explosões tribais. Nossa sorte é q a indolência geral, a moleza incrustada no DNA do brasileiro mantém um pouco de ordem, pois, por mais barulhento e primitivo que o zé-povinho seja, ele é bastante ordeiro, comportado. Diria até que a maior parte da população realmente anda na linha e obedece (parcialmente) o sistema e as normas.

Poderia ser pior. O lado bom (ou ruim, depende do gosto do freguês e da situação) é que qualquer forma de revolta popular é puro delírio no Brasil, jamais acontecerá. Eu acho isso ruim por um lado, pq com esse povão e essa classe-média (esta, tirando os entretenimentos e o conforto material, não vai muito além do povão, intelectualmente — a mentalidade é deprimente do mesmo jeito) nada vai mudar. Por outro lado, não há massa de manobra para ninguém virar o país do avesso pra valer. Imagine um PT com as massas organizadas em ódio cego e dispostas a tudo em nome de sua ideologia. Felizmente, não é uma possibilidade. Tirando alguns momentos em nossa história, a regra é o consenso, o deixa disso.

Eu só queria uma oposição de direita liberal (para outros uma espécie de centro-direita também serviria) forte e séria, isto é, com propostas factíveis e planos idem. Gente que alavancasse essa fazendinha.

Mas só o que vejo são meia-dúzia de gatos pingados sonhando com a volta da ditadura, qualquer ditadura.

O lógico, para muitos, seria uma ditadura militar de Direita, que eliminasse Lampião, o Congresso, essa canalha toda. Hummm, tentador... mas não é o mais lógico não, meus amigos. A ditadura militar não poderia comentar e conter todos os grupos de interesse que dominam o país e mantêm o “imperialismo” burguês. Imaginem entregar complicadas negociações políticas e econômicas a um general. Isso aqui, definitivamente, não é como o resto da América Latina, por mais que o nosso complexo de vira-lata diga o contrário. A classe dirigente sabe que a democracia, controlada, dividida irmamente entre os diversos centros de poder, é o melhor negócio. O diabo é manter a ralé quieta. A ralé está cada dia mais atrevida. Não tem uma força que a coordene em movimento político, ou seja, que a organize revolucionariamente (quando, então, a alternativa da ditadura militar seria considerada), mas causa um estrago constante, interno e externo.

Não só a idéia “checks and balances”, daria para citar vários outros institutos políticos, administrativos e jurídicos que nunca realmente colaram por aqui. Tem a ver com a diferença de mentalidade e de temperamento dos povos.

É, Heitor, o Lula é “gostado” por todos, pouco importa o que aconteça. Ele é o bichinho de estimação do zé-povinho. Ele é “só seu”. Ou “só deles”.

Chico Buarque e derivados... o Brasil é o “único país no mundo”, pra usar uma expressão do nosso Lampião, onde cantor de música popular é considerado intelectual.

Os momentos mais engraçados do Niemeyer são aqueles manifestos e protestos, "abaixo isso, abaixo aquilo" q ele assina. Acho que quando ele morrer deveria ser enfiado dentro daquela meia-laranja sendo descascada ao lado da Catedral. Ou dentro daquela pomba do Tiradentes (ou sei lá quem mais, e importa?), na Praça dos Três Poderes. Quando olho para aquilo, me sinto num filme do Monty Python: parece aquele coelho enorme q serviu de cavalo de Tróia no filme do Santo Graal.

Bom resto de semana pra todo mundo!

C. Mouro disse...

Genial observação:

"E, mais importante, o mercado permite aos indivíduos a especialização, que gera aumento da produtividade social"

Já aqui eu discordo:

"O petista têm uma fé nos seus dirigentes da qual não compartilho; acredita que buscam "o bem maior""

Ninguém acredita nisso, na melhor das hipóteses desejam acreditar naquilo que lhes convém psicologicamente ou materialmente, a fim de tentar enganar a própria consciência. Por isso arredios ante reflexões, por isso o valor dos bordões e slogans desconexos que atentam gravemente contra a realidade. Eles precisam repeti-los como mantras a fim de tentarem convencer-se pela repetição ou pelo menos impedirem-se de refletir, de pensar, pois para isso servem os mantras, para isso foram inventados.

Quem pode honestamente ainda acreditar em socialismo - menos ainda no comunismo, injusto e impossível?
Não dá, seria preciso uma burrice desumana, só possível pela loucura. Ou seja, socialismo é safadeza: todo socialista é um safado ou um lunático idiota. Não há mais alternativas.
A questão é que estas fanatasias são inventadas para justificar o Poder. Através delas, de ideologias fantasiosas, canalhas e lunáticos formam um par imbatível; são obstinados e desavergonhados o suficiente para repetir insistentemente asneiras até que se tornem "verdades", até que aos poucos se vá perdendo o pudor de fingir que nelas se crê. Nisso estes tipos são imbativeis, são capazes de falar as maiores asneiras sem qualquer argumento que as justifique, valem-se se falacias, mentiras, fraudes e repetição insistente e nada mais.

O objetivo é o Poder.

É curioso como os EUA doavam mantimentos para URSS durante a guerra fria, milhares de toneladas de trigo gratuitamente (os produres EUA agradeciam a compra pelo gov EUA, pois que escovam os excedentes para URSS e recebiam do gov EUA).
Curioso como Arafat, um terrorista assassino que comandou explosão de aviões com inocentes, entre outrois crimes, recebioa ajuda humanitária da Europa e EUA, e foi feito "herói combatente", enquanto se demonizava Pinochet.
Curioso como a Coréia do Norte recebe 6bi(não se ainda tal cifra) da Coréia do Sul, além de outras ajudas da Europa e EUA ...para não ficar violenta e para ajudar o povo - ajudam os Kim Il.
Curioso como os palestinos continuam recebendo "ajuda humanitária" mesmo com grupos terroristas no Poder escancaradamente.
...E há muito mais coisas que eu considero curiosas. ...o problema é o Poder. Se as idéias socialistas desabarem mesmo, a tendencia é o Poder de políticos, do Estado, se dissolverem e este passar a atuar apenas como uma empresa prestadora de serviços a população, e não como o proprietário do país e de todos que o ghabitam.

- Ora, se um politico ao entra na politica acrediutar que jamais precisará vever do trabalho, pois que o Poder o custeará, ele jamaois se importará com aquilo que só os governados sofrem. Ou seja, deveria haver um movimento "UMA VEZ SÓ!". Onde só uma vez o tipo se elegeria: uma para legislativo e para o executivo, sem aposentadoria ou segurança vitalicios. Só assim saberia que findo o período seria um indivíduo sem Poder, ihgual aos demais súditos do Estado. Então, quando no Poder, faria algo em benefício dos súditos.
...Mas do jeito que é, os que ocupam o Poder não tem qualquer motivo para reduzir o Poder. Eles imaginamque jamais serão governados - são governantes - ..........

Abraços
C. Mouro

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Só uma correção:

"E, mais importante, o mercado permite aos indivíduos a especialização, que gera aumento da produtividade (social)"

Esse "social" acompanhando, sufixando, a "produtividade" não tem sentido, é como "justiça social", "democracia social" e até... ..."tempo de produção socialmente necessário" ...é apelativo - patético - e sem razão de ser.

Abs
C. Mouro

Heitor Abranches disse...

C. Mouro,

A existencia do mercado como instituicao impessoal permite que um medico estude 10 anos para exercer sua profissão porque ele sabe que se for competente e oferecer um serviço que as pessoas tiverem dinheiro para pagar ele irá se estabelecer independente de ser amigo do Rei. O mercado garante que ele poderá trocar o salário ganho como médico por todas as outras coisas que ele não sabe fazer. Assim, ele não precisará ter uma horta em casa nem galinhas ou aprender a costurar....

Anonymous disse...

Heitor, nao entendi sua resposta as criticas do C. Mouro

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Heitor:

Gostei desta tua análise.
É bastante sensata... e realista.

Só faltou dizeres que o Brasil, neste momento, está a crescer a uma taxa de mais de 5%.

Um abraço,

Heitor Abranches disse...

Graças ao mercado o indivíduo pode se especializar no que faz melhor...Assim, a Sônia Braga pode ser atriz de TV e não precisa lavar as suas roupas pois com o dinheiro que recebe pode pagar pessoas para fazerem isto para ela. É como aquele filme Guerra nas Estrelas do George Lucas...Provavelmente nunca seria feito fora dos EUA pois não haveria mercado para viabilizar a sua produção...O mercado é isto...Se houver uma razoável distribuição de renda pode ser até uma forma de democracia.

Heitor Abranches disse...

Uma das coisas positivas da democracia é a importância da alternância no poder dos partidos porque ela permite que os partidos estejam em papéis diferentes. Hoje quem discute a democracia é a direita pois o PT está no poder. Além, é claro, de reduzir os vícios de escolhas gerados por longos períodos de permanência no poder....Além, é claro, do PT viver a situação de ser governo o que pode amadurecê-lo se algum dia ele voltar à oposição.

C. Mouro disse...

Heitor,
sua primeira "resposta" foi absolutamente imprópria, pois o que questionei foi o "social" na produtividade, quando bastaria dizer que a especialização gera aumento da produtividade; o "social" é uma bobagem que de nada serve.
Assim, do jeito que "respondeste" acaba levando a que quem não leu o que escrevi acabe sendo induzido a crer que me opus àquilo que antes já tinha afirmado ser genial: a possibilidade de especialização para aumentar a produtividade.

Mas acreditei que você se tivesse confundido, sem ter a intenção de induzir a julgamentos errados. ...mas você insiste no erro e eu já não sei o que pensar.

Ora, a especialização é como a produção em série numa linha de montagem. Ou seja, há operarios para cada tarefa na produção de um bem ou serviço. Assim, cabe dividir o produto para distribui-lo da forma mais eficiente numa linha de produção numa industria. É a engenharia de produção. Ou seja, a divisão do trabalho se repete em ambitos diferentes. O que os individuos perceberam em suas relações com a divisão do trabalho, alguém percebeu que poderia fazer numa linha de produção.

Curioso como você Heitor, mesmo sendo questionado ainda repete sua falsa resposta, induzindo a erros os incautos.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Que bobagem:

"O mercado é isto...Se houver uma razoável distribuição de renda pode ser até uma forma de democracia."

O mercado livre é em si democratico!

Mas fico pensando o que seriam "formas de democracia" ...hehehe!

C. Mouro

André disse...

"O petista têm uma fé nos seus dirigentes da qual não compartilho; acredita que buscam "o bem maior"
Alguns petistas acreditam nisso sim. Por incrível q pareça.

“Quem pode honestamente ainda acreditar em socialismo - menos ainda no comunismo, injusto e impossível?” Muita gente acredita, infelizmente. Eu acho ridículo, mas fazer o quê?

Há o socialista/comunista romântico, mas não gosto dessas ingenuidades.

Sim, a URSS precisava de trigo norte-americano e canadense, pois sua produção, dentro daquela economia planificada, não dava.

Assim como na II Guerra, mesmo com a transferência de todas fábricas para trás dos Montes Urais (uma operação formidável, mas possível apenas num sistema ditatorial implacável como o stalinista), os russos dependeram de toda sorte de mantimentos e armas enviados por comboios navais, lá por cima, pelo Ártico. Os enlatados e roupas, entre outros, traziam inscrições em russo e nomes de cidades russas, pra não ferir o orgulho nacional (q lá é muito forte, não importando o sistema político). Eles pensavam q tudo aquilo estava sendo feito em algum lugar da Rodina, a Mãe Rússia... Mas a mãe de verdade falava inglês e estava bem longe.

A quem interessar possa:

Sobre Arafat:

http://execout.blogspot.com/2006/10/arafat.html

Sobre Sharon:

http://execout.blogspot.com/2006/11/israel-sharon-and-past.html
Sobre a Coréia do Norte:

http://execout.blogspot.com/search?q=north+korea

http://execout.blogspot.com/search?q=north+korea+fearsome+cripple

Perspectivas:

http://execout.blogspot.com/2007/02/china-iran-and-multipolar-world_13.html

André disse...

Exatamente, C. Mouro, o mercado livre já é em si democrático.

C. Mouro disse...

Pô, André,
o que eu acho curioso não o fato das carências da URSS, mas o fato de em plena guerra fria os EUA, os maiores inimigos, lhe concederem mantimentos gratuitamente, como também ajudadrem terroristas palestinos quando ainda há o que fazer nos próprios EUA em benefício da população local.
Ademais, sempre achei curioso que nunca tenham envolvido a URSS, o maior produtor de petróleo do mundo, nas questões do petróleo, nas crises, mesmo que a URSS, além do próprio, tivesse forte influência sobre produtores africanos. Também achei curioso que Savimbi tenha sido treinado e até recebido algum financiamento da China, e não dos EUA ou qq ocidental. Como é curioso que o canalha do Nelson Mandela tenha sido elevado ídolo contra o apartheid, mesmo havendo outro movimento (se não me engano Inkata) que também a ele se opunha sem, no entanto, ser um movimento socialista à moda URSS. Ademais a prisão de Mandela foi mais uma hospedagem 5 estrelas compulsória, já que dispunha de todos os meios para coordenar seu movimento "comunista" (mesmo que depois se tenha rendido à realidade convenientemente). Foi curioso quando apartaram Mandela das resposnsabilidades junto com Winie, nos assassinatos, roubos e corruppções ....ele também "não sabia de nada", sua esposa fazia tudo escondido dele, mesmo sendo ela uma militante sua. ...pô! há muita coisa curiosa no kmundo político, nesta imundicie chamada política.

Se o ocidente, e a Coréia do Sul, quiseseem acabar com a ditadura dos Kim Il, bastaria nada lhes fornecer, nenhuma ajuda, e certamente a Coréia do Norte se esboroaria com seu socialismo.
Há muita coisa que "não bate" na política. è curioso como a ONU está empestiada de ditadores genocidas e terroristas, que chegam mesmo a serem indicados fiscais dos direitos humanos, ...e o mundo nada diz a tal respeito, é muito curioso como os investidores investiram maciçamente na China após 89, quando tinham os decaidos do Leste europeu ansiosos por serem explorados. ...a mão de obra escrava da china não é justificativa para "burguesões" se associarem ao comunas chineses, já que por norma eles não respeitam propriedade nem contratos com a "classe inimiga" ..tudo é muito confuso.

Se um sujeito me diz que acredita que o coelhoinho da páscoa entrega presentes para as crianças na noite de natal, ou ele está mentindo ou é louco. Ninguém pode crer em coisas demasiados absurdas, APENAS FINGEM CRER, pois assim lhes convém. Eu não creio que alguém acredite sinceramente em coelhinho da páscoa ou que Papai Noel distribua ovos de pascoa para as crianças. Se alguém afirma crer nisso, eu desconfio e digo que está mentindo, que está fingindo crer: quando a estupidez é demais, não é estupidez, é safadeza ou loucura.

Abraços
C. Mouro

Heitor Abranches disse...

C. Mouro,

Produtividade social do trabalho faz parte das terminologias marxistas...Um dia após ser torturado 2 semestres eu até entendi de Marx...De fato este termo fora do arcabouço marxista não faz muito sentido.

C. Mouro disse...

Bem, Heitor,
sei que acabo sendo "cri cri" e criando caso com coisas que parecem de menor importância, como questionar o uso do "social" assim um tanto impróprio, na minha opinião. Mas é que enquanto se usar tais coisas, se estará dando força àquilo que não presta e que a tais estão atreladas. Eu me policio e mesmo assim por vezes...
No mais, tudo certo!

C. Mouro

Anônimo disse...

Heitor, li algo muito semelhante no Valor Econômico há menos de 15 dias. Foi lá que vc buscou suas opiniões?

Thiago Leite disse...

Não dá pra pensar o desenvolvimento do Brasil sem combinar a ação do mercado e a ação estatal, sem haver uma mobilização do povo, uma vontade nacional em torno a ele.
Sou contra o fervor religioso de livre mercado que teve seu auge logo após a queda do Muro de Berlim, no início dos anos 90. Segundo eles. o mercado "auto-regulado" geraria harmonia na atividade econômica...
É óbvio que em suas análises não levaram em conta a existência de crises, guerras, exploração dos trabalhadores, etc. Na China e Índia há uma boa regulação estatal do mercado. E este deve ser contrariado quando é mister defender a ecologia, por exemplo.
Vocês falam em ideologias ultrapassadas, religiões ultrapassadas, etc., como se fossem os antenados. Mas o neoliberalismo já teve sua chance e fracassou.

André disse...

Há, há, hoje a “briga” é interna, dentro da Diretoria, nem precisamos mais de anônimos enchendo nosso saco (brincadeirinha).

Aposto q o Catellius vai achar engraçado quando ler esses comentários todos.

C. Mouro,

Ou os EUA ajudavam a URSS ou a Guerra Fria esquentava. A Rússia seria forçada a fazer alguma coisa radical em alguma outra parte do mundo e os EUA certamente não desejavam isso. Também não gosto disso, mas é a tal da realpolitik, da raison d’État, maquiavelismo, etc, e é assim q o mundo funciona, no pau. Fale macio, mas carregando um grande porrete. Essa era a Doutrina Monroe, certo? The Big Stick. Gostaria q isso mudasse, mas duvido.

Hoje, a relação entre Bush e Putin é tensa, por vários motivos/assuntos q não conseguiria expor aqui resumidamente. Quem entrar no lugar de Bush vai ter q enfrentar ou o próprio Putin ou seu sucessor, preparado por ele.

De certa forma, sempre haverá conflitos entre EUA e Rússia. Acho q esses dois nunca serão potências secundárias. Não acredito é nessa conversa de “império”, de comparar os EUA ao Império Romano e dizer aquele lugar-comum bobinho sobre o fim inevitável de todos os impérios. Deve ter um monte de gente esperando avidamente pelo grande dia em q os EUA não serão mais nada ou desaparecerão. A grande queda. Eu acho q não cai. E também acho q os EUA não chegam a ser um império, por mais poder q tenham. Hoje há limitações demais ao poder, mesmo ao poder norte-americano, pra q esse possa ser chamado de imperial. Acho isso uma simplificação besta, e não é à toa q os esquerdistas e burros em geral a adorem, pois em geral têm mentes simples, ralas. Burro é burro.

Aposto q deve ter muito checheno ou membro de qualquer outra minoria étnica (são mais de cem) dentro ou ao redor da Rússia q acredita na mesma coisa, comparando Moscou à Roma Imperial e sonhando com o grande dia da queda.

Na Palestina, os americanos, por força de sua posição mundial, sempre vão estar metidos. Principalmente na sua complexa e cambiante relação com Israel, mas também nas relações com os palestinos (e mesmo com o Hamas em ascensão) e com o mundo árabe em volta, enfim, o Oriente Médio inteiro. O petróleo não vai acabar tão cedo, e mesmo quando ele acabar a zona ali vai prosseguir.

Alguns países vão afundar sem petróleo, se não diversificarem suas economias. Ou seja, mais guerras, internas e externas, espirrando para os vizinhos... A dinâmica toda da região é ótima para esse estado de guerra contínua. Certamente muita coisa vai mudar quando o petróleo cair de sua posição atual, de motor do mundo. Mas muitas coisas continuarão do mesmo jeito por lá.

Os árabes que têm petróleo não vão perder seu poder de chantagem: já perderam. Hoje as economias são muito mais eficientes e menos dependentes de petróleo do que eram nos anos 70, e a OPEP simplesmente não tem força para fazer um embargo como aquele dos anos 70. O cenário mudou muito. No meu blog deve haver pelo menos umas trinta análises interessantes sobre o petróleo na economia hoje e temas do Oriente Médio mais genéricos. Eu mesmo tenho dificuldade de encontrá-las todas quando quero. Acho q meu site é bagunçado porque não me importo (tenho tudo fresco na memória, sempre. O que é revoltante: por que não tenho essa capacidade na hora de decorar lelgislação e doutrina pra concursos? Santa cachimônia q eu não controlo e que me desespera, mas ela é tudo o q tenho)

Não sei se os EUA beneficiam tanto assim o terrorismo palestino, acho q já beneficiaram nos anos 70 e 80, e pior, diretamente (Ali Hassan Salameh, o elusivo terrorista q Israel levou anos pra matar, foi um agente duplo da CIA, o canal secreto q Arafat tinha pra se comunicar com eles. Mas ninguém mais podia saber disso dentro da OLP, senão o Arafat estava morto). Hoje o alinhamento é bem mais pró-Israel, ainda ambíguo, mas não muito. Sugiro a leitura do livro Contra-Ataque, de Aaron J. Klein, oficial do exército israelense - pra quem gosta de operações secretas, esse livro é néctar.

Esse artigo dele também é bom:

http://execout.blogspot.com/2007/06/s-tolices-e-ingenuidades-de-munique-de.html

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Na Guerra Fria, não sei. Mas hoje, a URSS, o maior produtor de petróleo do mundo, está envolvida até o pescoço em petróleo na África. A China também. E a maior fonte de tensão entre Rússia e Europa hoje é exatamente a chantagem q a primeira faz de vez em quando, cortando o fornecimento de gás natural pra Europa. Os europeus hoje dependem do gás natural russo quase totalmente. A briga agora gira em torno do Kosovo:

http://execout.blogspot.com/2007/06/back-to-1914-to-first-world-war-de.html

Os Jonas Savimbi atuais da África devem receber treinamento e financiamento estrangeiro do país q tiver interesses naquela área. Chineses, russos, estão entrando com muito dinheiro onde há minérios e petróleo. Em Zâmbia, por exemplo, os japoneses já começaram a invadir território chinês. “Estepaiz” africano, como diria Lula se fosse capaz de “ler” um atlas, ainda vai se dar mal se os dois países asiáticos resolverem ir pro tudo ou nada.

Mandela queria instalar o comunismo soviético estilo stalinista na África do Sul. Mas hoje ninguém mais lembra disso.

Winnie Mandela era a maior safada. Não valia nada.

Sobre as condições da prisão dele, não sei se eram confortáveis ou não.

Coreanos são extremamente nacionalistas, e há muitas famílias divididas até hoje sem poder se encontrar, é horrível. Acho q os do sul são meio masoquistas, adoram ajudar os do norte, mesmo sabendo q se uma crise estourasse (uma crise de verdade, não essa besteira q a gente vê, q é pura chantagem nuclear feita pelo norte pra conseguir atenção e dinheiro, desde q este perdeu seus dois patrocinadores: URSS e ex-China “100%” comunista), o Norte não teria escrúpulos em arrasar o Sul, mesmo sabendo q seria arrasado em seguida por alguns ICBMs americanos. O exército de milhões de fanáticos do Norte só serve pra isso: invadir e arrasar o Sul. A concentração de artilharia na fronteira, idem. Mas é tudo suicida, estúpido mesmo. Se um dia eles conseguissem lançar com sucesso um míssil, um ICBM rudimentar, q passasse perto do Alasca, q simplesmente demonstrasse uma capacidade decente de vôo em trajetória balística, a resposta norte-americana seria rápida e devastadora. Irã, idem. Esses países sabem onde fica a linha, o risquinho de giz q eles não podem atravessar. No caso do Irã, um ataque preventivo é mais provável, por causa de Israel. Israel não pode ter a mesma tolerância q os americanos. A questão é de sobrevivência nacional pra eles. Um ataque preventivo à Coréia do Norte, francamente, nem é factível. Aquilo ali se resolveria na carnificina pura e simples, uma massa de soldados vermelhinhos e de artilharia destruindo tudo e a resposta norte-americana, q acabaria sendo letal. Os dois lados sabem muito bem disso e são muito racionais. Kim Jong Il não é maluco, a loucura dele é calculada para extrair concessões. Claro, muitas vezes acontece uma merda e a irracionalidade toma conta de tudo. Se ser racional fosse garantia de alguma coisa, muitas guerras não teriam começado. A 1ª e a 2ª Mundiais, por exemplo. Antes delas todo mundo achava q a racionalidade iria prevalecer, q ninguém teria coragem de fazer isso ou aquilo... mas na véspera das duas a pólvora já estava toda espalhada pela Europa, nem tudo aconteceu por acaso (algumas coisas, admito q sim). Acho q Churchill viu isso antes da 2ª. Em retrospectiva, a gente vê a sucessão de pequenos e tolos eventos que levaram a eventos maiores e ao point of no return, aquela hora em q os acontecimentos adquirem força própria, inexorável, e ninguém mais consegue pará-los. O difícil é ver isso lá, na hora, e com a consciência de q se é impotente pra mudar o cenário...

Acho q aquele naco de terra lá no Paralelo 39 vai acabar se reunificando um dia. O Sul vai levar uns 20 anos pra arrumar o lixo q é o Norte. Talvez uma guerra antes disso facilite as coisas. Uma mini-armagedom pra fazer a terraplenagem.

Kim Il Sung se estrepou. Achou q levaria 30 dias pra tomar o Sul. Perdeu gente pra burro e a ajuda prometida por Stalin nunca veio.

A China perdeu mais de 1 milhão de homens na Coréia. E uns 300 mil de cara, em poucas semanas (!!!) numa invasão desastrosa do Vietnam, logo q os US of A foram embora. Tá certo q os chineses tem gente pra gastar, mas eles tratam o povo como se fossem moscas...

Foi depois desse sabão q tomou dos americanos q o Kim Pai formulou sua doutrina de fechamento e auto-suficiência. Ficou com um trauma cavalar depois da Guerra da Coréia. Seu filho é uma cria desse sistema maluco.

Sobre a irrelevância da ONU:

http://execout.blogspot.com/2006/12/un.html

Sobre a China:

http://execout.blogspot.com/2006/12/chinese-issues.html

Outros bastante esclarecedores:

http://execout.blogspot.com/2007/02/middle-east-basic-history.html

http://execout.blogspot.com/2007/06/excelente-anlise.html

http://execout.blogspot.com/2007/01/como-saddam-falhou-no-teste-yeltsin.html

http://execout.blogspot.com/2006/10/retrospectiva-last-war-in-middle-east.html

http://execout.blogspot.com/2007/02/retrospectiva-last-war-in-middle-east.html

http://execout.blogspot.com/2006/10/dangers-of-overconfidence.html

O material completo sobre o Oriente Médio:

http://execout.blogspot.com/search/label/Middle%20East

Desculpem pelo tamanho do comentário. Me empolguei.

Até mais, senhores e (até o momento a única) senhorita Simone Weber

Heitor Abranches disse...

anonimo,

fico feliz que esteja tendo boas leituras...se quiser fazer a gentileza de me mandar o artigo ele deve ser bom.

abs,

Heitor Abranches disse...

thiago,

O grande pai do estado brasileiro, o nosso contraditorio getulio vargas e muito menos estatista do que um brizola. ele era um pragmatico e o nacional desenvolvimentismo tbm foi apenas fruto de circunstancias historicas. hj a liquidez internacional e forca da economia chinesa introduziram um ambiente que favorece um certo ativismo estatal...este ambiente nao existia na decada de 90 onde a falta de liquidez internacional punha grande pressao nas moedas dos paises desenvolvidos...veja o caso da venezuela...o petroleo saiu de 15 para 70 e a PDVSA nao precisa do dinheiro das companhias americanas e pode se dar ao luxo de expulsa-las....e uma questao de ambiente...se o petroleo chegar a 100 o Chavez sera Deus mas se voltar a 30 as coisas podem se complicar...enfim...os verdadeiros politicos sao pragmaticos e nao dogmaticos...sao sobreviventes...como o Lula...que e capaz de se adaptar a maioria que for capaz de construir... a questao esta em ate que ponto vale a pena vender a alma e se comprometer....

Heitor Abranches disse...

Thiago,

Acho que o que falta ao Brasil se comparado aos EUA e a capacidade de construir consensos entre o Estado, as empresas e a sociedade. Aqui achamos que o Estado deve liderar...deve lancar planos como o PAC que nao passa de uma mentira....Quem faz a economia sao as empresas...O governo, a sociedade e as empresas devem ter um dialogo maduro...O governo ate tenta com o Conselho de Desenvolvimento que envolve os empresarios mas a tentacao populista de querer ser o faz tudo e muito grande. O mane nao poe um parafuso mas vai inaugurar tudo quanto e coisa. Duvido que o presidente americano tenha esta atitude banal...Ele devia ter mais respeito pelo trabalho de quem realmente faz as coisas e ser menos mentiroso.

Catellius disse...

Heitor,

Muito bom o texto. Alguns comentários:

"semiculto presidente"

O André e alguns outros devem ter sentido arrepios ao ler o seu adjetivo, Heitor, porque o Lula não deixa de ser um apedeuta grosseirão. Por isso convém esclarecer que os termos semiculto e semicultura foram cunhados por Adorno após a 2ª Guerra Mundial para tentar definir a modernidade que privilegia o indivíduo semiculto que conhece um pouco de tudo e nada em profundidade, que se informa por resumos, resenhas, críticas, e que é movido apenas por ambição. Neste ponto, admiro o Mouro, que não tem vergonha em dizer "não conheço nada de Sartre" ou "só li textos que falam sobre Ayn Rand, nunca li nada dela" e coloco como semiculto alguém que recomenda a outrem que leia "o Nivaldo", com intimidade, e mais adiante se trai revelando a uma terceira pessoa: "nunca li o Nivaldo".
Para Adorno, o semiculto representa um perigo porque idéias, elementos culturais, que chegam pela metade, moldam a consciência sem continuidade "transformam-se em substâncias tóxicas, malignas". Adorno propõe uma incisiva reflexão crítica em relação à semicultura, que domina esta era de informação fácil, como única alternativa para contê-la.

"proverbial bom senso"

É tudo de que um semiculto precisa.

"...pastor e pai dos economistas Adam Smith."

Ah, ele era pastor de ovelhas nas horas vagas? Ou pastor protestante? Essa é nova para mim. Para alguns ele era deísta, acreditava em um deus que não interferia em nosso cotidiano, que nada tinha de "mão invisível" - valendo-me do termo que usou para o mercado auto-regulado. Para os estudiosos de sua obra, nem deísta era. Dizia ser por viver em um ambiente de fundamentalismo cristão. Por isso espantei-me com o seu "pastor e pai dos economistas". Os cristãos da escócia do séc. XVIII poderiam tornar a vida miserável para aqueles considerados apóstatas ou ateus. Na verdade, se apenas suspeitassem de tais "crimes" o acusado perdia o trabalho, a posição na universidade, clientela, sua casa poderia ser apedrejada e ele linchado. Se hoje os fanáticos usam bombas, naquela época perambulavam carregando uma corda com um laço. A diferença é que o Estado fazia vista grossa para linchamentos desta natureza. Ser contra a igreja era ser contra o Estado e as punições eram severas. Por exemplo, David Hume, que influenciou sobremaneira Smith, foi recusado nas universidades de Edimburgo e Glasgow por causa de acusações de apostasia e ceticismo. Os "zelotes" processaram até Hutcheson, mentor de Smith na Universidade de Glasgow, baseados em acusações idiotas, apesar de ele ser ministro da igreja.

"Acredita-se que uma elite do proletariado conheça o bem maior e que a maioria do povo desconheça, portanto, justifica-se a imposição da vontade do pequeno grupo ao grupo maior."

O povo acredita, realmente. Quer acreditar nisso. É a servidão voluntária descrita por Etienne de La Boétie (obrigado pelo texto, Mouro). Por outro lado, a "elite do proletariado" - quase um oxímoro -, que não é mais proletariado, impõe a própria vontade ao populacho alegando conhecer o bem maior.

"O petista tem uma fé nos seus dirigentes da qual não compartilho; acredita que buscam "o bem maior" quando, como nós, estão em grande parte buscando a própria sobrevivência e daqueles com quem têm relações afetivas."

É conveniente para o petista ter fé - até ele acredita nesta mentira -, justificar a própria atitude amparado em uma espécie de "clube ideológico" ao qual é filiado. Já o seu "a própria sobrevivência" é questionável. O PT buscar a própria sobrevivência é uma coisa, é uma antromorfização aceitável como a que os criadores do documentário "The Corporation" fizeram; os dirigentes, por outro lado, não querem a "própria sobrevivência e daqueles com quem têm relações afetivas", mas a sobrevivência de sua posição e de seus privilégios.

André disse...

Nesse sentido q vc colocou, Lula é mesmo um semiculto. Cercado de analfabetos secundários, ignorantes instruídos.

E eu não conheço nada de Adorno! Bom, agora conheço um pouco. Nem nunca li nada de Hegel, Kant, quer dizer, li pedaços, tentei, mas detestei.

“Os cristãos da Escócia do séc. XVIII poderiam tornar a vida miserável para aqueles considerados apóstatas ou ateus”

Imagino... No interior de SP uma mulher abortou o filho q ela sabia q ia nascer sem cérebro e virou a maior proscrita na cidade, além de receber ameaças. Teve q mudar de cidade.

André disse...

José Ortega Y Gassett, meio viajante, mas legal:

“Previously, men could be divided simply into the learned and the ignorant, those more or less the one, and those more or less the other. But your specialist cannot be brought in under either of these two categories. He is not learned, for he is formally ignorant of all that does not enter into his specialty; but neither is he ignorant, because he is ‘a scientist’, and ‘knows’ very well his own tiny portion of the universe. We shall have to say that he is a learned ignoramus...a person who is ignorant, not in the fashion of the ignorant man, but with all the petulance of one who is learned in his own special line....That state of ‘not listening’, of not submitting to higher courts of appeal which I have repeatedly put forward as characteristic of the mass-man, reaches its height precisely in these partially qualified men.”

Strictly speaking, the mass, as a psychological fact, can be defined without waiting for individuals to appear in mass formation. In the presence of one individual we can decide whether he is "mass" or not. The mass is all that which sets no value on itself - good or ill - based on specific grounds, but which feels itself "just like everybody," and nevertheless is not concerned about it; is, in fact, quite happy to feel itself as one with everybody else.

For there is no doubt that the most radical division that it is possible to make of humanity is that which splits it into two classes of creatures: those who make great demands on themselves, piling up difficulties and duties; and those who demand nothing special of themselves, but for whom to live is to be every moment what they already are, without imposing on themselves any effort towards perfection; mere buoys that float on the waves. This reminds me that orthodox Buddhism is composed of two distinct religions: one, more rigorous and difficult, the other easier and more trivial: the Mahayana - "great vehicle" or "great path" - and the Hinayana - "lesser vehicle" or "lesser path."

As we shall see, a characteristic of our times is the predominance, even in groups traditionally selective, of the mass and the vulgar. Thus, in the intellectual life, which of its essence requires and presupposes qualification, one can note the progressive triumph of the pseudo-intellectual, unqualified, unqualifiable, and, by their very mental texture, disqualified. Similarly, in the surviving groups of the "nobility", male and female. On the other hand, it is not rare to find today amongst working men, who before might be taken as the best example of what we are calling "mass," nobly disciplined minds.

The mass crushes beneath it everything that is different, everything that is excellent, individual, qualified and select. Anybody who is not like everybody, who does not think like everybody, runs the risk of being eliminated. And it is clear, of course, that this "everybody" is not "everybody." "Everybody" was normally the complex unity of the mass and the divergent, specialised minorities. Nowadays, "everybody" is the mass alone. Here we have the formidable fact of our times, described without any concealment of the brutality of its features.

The command over the public life exercised today by the intellectually vulgar is perhaps the factor of the present situation which is most novel, least assimilable to anything in the past. At least in European history up to the present, the vulgar had never believed itself to have "ideas" on things. It had beliefs, traditions, experiences, proverbs, mental habits, but it never imagine itself in possession of theoretical opinions on what things are or ought to be. Today, on the other hand, the average man has the most mathematical "ideas" on all that happens or ought to happen in the universe. Hence he has lost the use of his hearing. Why should he listen if he has within him all that is necessary? There is no reason now for listening, but rather for judging, pronouncing, deciding. There is no question concerning public life, in which he does not intervene, blind and deaf as he is, imposing his "opinions." But, is this not an advantage? Is it not a sign of immense progress that the masses should have "ideas," that is to say, should be cultured? By no means. The "ideas" of the average man are not genuine ideas, nor is their possession culture. Whoever wishes to have ideas must first prepare himself to desire truth and to accept the rules of the game imposed by it. It has no use speaking of ideas when there is no acceptance of a higher authority to regulate them, a series of standards to which it is possible to appeal in a discussion. These standards are the principles on which culture rests. I am not concerned with the form they take. What I affirm is that there is no culture where there are no standards to which our fellow-man can have recourse. There is no culture where there are no principles of legality to which to appeal. There is no culture where there is no acceptance of certain final intellectual positions to which a dispute may be referred. There is no culture where economic relations are not subject to a regulating principle to protect interests involved. There is no culture where aesthetic controversy does not recognize the necessity of justifying the work of art.

To have an idea means believing one is in possession of the reasons for having it, and consequently means believing that there is such a thing as reason, a world of intelligible truths. To have ideas, to form opinions, is identical with appealing to such an authority, submitting oneself to it, accepting its code and its decisions, and therefore believing that the highest form of intercommunication is the dialogue in which the reasons for our ideas are discussed. But the mass-man would feel himself lost if he accepted discussion, and instinctively repudiates the obligation of accepting that supreme authority lying outside himself. Hence the "new thing" in Europe is "to have done with discussions," and detestation is expressed for all forms of intercommunication, which imply acceptance of objective standards, ranging from conversation to Parliament, and taking in science. This means that there is a renunciation of the common life of barbarism. All the normal processes are suppressed in order to arrive directly at the imposition of what is desired. The hermeticism of the soul which, as we have seen before, urges the mass to intervene in the whole of public life.

“When the mass-man is dominant, the Government’s activities are reduced to dodging the difficulties of the hour; not solving them, but escaping from them for the time being, employing any methods whatsoever, even at the cost of accumulating thereby still greater difficulties for the hour which follows. Such has public power always been when exercised directly by the masses: omnipotent and ephemeral. The mass-man is he whose life lacks any purpose, and simply goes drifting along. Consequently, though his possibilities and his powers be enormous, he constructs nothing.”

“Heap after heap of human beings have been dumped on to the historic scene at such an accelerated rate, that it has been difficult to saturate them with traditional culture. And in fact, the average type of European at present possesses a soul, healthier and stronger it is true than those of the last century, but much more simple. Hence, at times he leaves the impression of a primitive man suddenly risen in the midst of a very old civilization. In the schools, which were such a source of pride to the last century, it has been impossible to do more than instruct the masses in the technique of modern life; it has been found impossible to educate them.”

“The select man, the excellent man is urged, by interior necessity, to appeal from himself to some standard beyond himself, superior to himself, whose service he freely accepts....Contrary to what is usually thought, it is the man of excellence, and not the common man who lives in essential servitude. Life has no savour for him unless he makes it consist in service to something transcendental.... This is life lived as a discipline—the noble life. Nobility is defined by the demands it makes on us—by obligations, not by rights. Noblesse oblige. ‘To live as one likes is plebeian; the noble man aspires to order and law’ (Goethe).”

--“Nobility is synonymous with a life of effort, ever set on excelling oneself, in passing beyond what one is to what one sets up as a duty and an obligation. In this way the noble life stands opposed to the common or inert life, which reclines statically upon itself, condemned to perpetual immobility, unless an external force compels it to come out of itself. Hence we apply the term mass to this kind of man—not so much because of his multitude as because of his inertia.”


“Life is at the start a chaos in which one is lost. The individual suspects this, but he is frightened at finding himself face to face with this terrible reality, and tries to cover it over with a curtain of fantasy, where everything is clear. It does not worry him that his ‘ideas’ are not true, he uses them as trenches for the defence of his existence, as scarecrows to frighten away reality. The man with the clear head is the man who frees himself from those fantastic ‘ideas’ and looks life in the face, realises that everything in it is problematic, and feels himself lost. As this is the simple truth—that to live is to feel oneself lost—he who accepts it has already begun to find himself, to be on firm ground.”

Catellius disse...

André,

"...a moleza incrustada no DNA do brasileiro..."


He he he. Claro que este "DNA" tem muito de cultural, senão tiramos a responsabilidade do brasileiro em ser mole. Acho que há alguns determinantes genéticos e do ambiente, mas acho que o que somos está fortemente ligado às nossas escolhas de ontem, as quais, por sua vez, estão ligadas às escolhas de anteontem. As escolhas são a combinação de desejo, conhecimento, experiência, e razão. O desejo tem um componente genético mas é muito influenciado pela educação, pela cultura dos pais e da sociedade.

"...onde cantor de música popular é considerado intelectual."

Por falar nisso, boa a velha entrevista com Bruno Tolentino.

"Ou dentro daquela pomba do Tiradentes (ou sei lá quem mais, e importa?), na Praça dos Três Poderes"

Aquele monstrengo fede! Realmente, o que me agrada em Brasília é o espaço vazio. Os pilotis livres, o gabarito baixo dos prédios, o nada que existe no centro da cidade, os parques ao seu redor. Não faria muita diferença se ao invés das porcarias do Niemeyer existissem porcarias de Sérgio Bernardes. Quanto ao urbanismo, prefiro a malha xadrez.

"...hoje a “briga” é interna, dentro da Diretoria, nem precisamos mais de anônimos enchendo nosso saco (brincadeirinha)."

São detalhes, he he. Essas terminologias às vezes soam estranhas quando lidas na acepção corriqueira. É o caso de "Produtividade Social" e de "semicultura", de Adorno.

Abraços a todos

André disse...

Sobre o DNA, concordo com o q vc disse.

Eu também gosto do espaço vazio em Brasília, do gabarito baixo dos prédios e dos parques.

O que é "malha xadrez" em urbanismo?

Heitor Abranches disse...

Reforma Politica promovida na calada da noite pelo PT naufraga no Plenario da Câmara (Este Arlindo é mesmo um canalha!!!)


Câmara rejeita as listas preordenadas


O Plenário rejeitou, na noite desta quarta-feira, qualquer tipo de lista preordenada nas eleições proporcionais, em duas votações nominais relativas ao Projeto de Lei 1210/07 (clique aqui), da reforma política. A segunda votação nominal rejeitou, por 252 votos a 181 e 3 abstenções, os artigos que tratavam da lista preordenada fechada, prevista no texto original e mantida pelo relator em seu parecer às 346 emendas apresentadas. A votação do restante da reforma política - que inclui assuntos como fidelidade partidária, federações partidárias e financiamento público de campanhas - ficou para a próxima semana.


Com o resultado das votações de hoje, vários parlamentares e líderes avaliaram que esse tema da reforma - a lista preordenada - está definitivamente descartado. Na primeira votação, 240 deputados se manifestaram contra um pedido para votar uma emenda substitutiva apresentada por líderes de partidos (DEM, PMDB, PT e PCdoB) no lugar do substitutivo apresentado em Plenário pelo relator da matéria, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Outros 203 parlamentares votaram a favor de analisar essa emenda.

extraído do Migalhas

Catellius disse...

André,

Malha viária xadrez é a que temos em Manhattan, Buenos Aires, Santiago, Caxias do Sul, Barcelona - pelo menos em boa parte da área urbana dessas cidades -, uma malha viária quadriculada. Claro que quando o relevo é muito acidentado é mister seguir as curvas de nível, mas a escolha do sítio urbano é fundamental para que não se venha a ter esse problema. Os portugueses construíram as cidades costeiras brasileiras em sítios acidentados, que propiciavam a defesa por fortes nos altos das colinas. Os espanhóis, por sua vez, tinham um projeto padrão para as colônias, com a Plaza de Armas ao centro de uma malha viária xadrez e quarteirões perfeitamente quadrados. Por isso procuravam planícies onde implantá-lo. A vantagem da malha xadrez é que é mais difícil a cidade enfartar, porque se um trecho for interrompido o trânsito pode fluir por caminhos alternativos, acomoda-se nas vias adjacentes. No caso de Brasília em que tanto o Eixo Monumental quanto o Rodoviário são estrangulados sob a Rodoviária, onde a cidade se espalha longitudinalmente e neste sentido estão as principais vias, quando são interrompidas a cidade tem um "ataque cardíaco", enfarta. O congestionamento se estende para quase toda a "asa" afetada. Uma M*...

--//--

Lavagem cerebral em uma criancinha de três anos e meio. Vejam aqui. Esses muçulmanos não valem nada...

Bocage disse...

Enquanto isso, no Brasiu-iu-iu, os pentecostais também começam cedo a ensaboar os maleáveis cérebros dos infantes. O detergente não lava tão branco quanto o islâmico mas dá para o gasto. Assiste por aqui o vídeo (creio que já tenhas visto)

André disse...

Malha xadrez, legal... Manhattan é um lugar muito bom de se passear.

"...o congestionamento se estende para quase toda a "asa" afetada. Uma M*..."

Também acho.

Gostaria também q o lago fosse maior, não sei bem pq.

Gosto de cidades acidentadas, com muitos altos e baixos, como San Francisco. O problema lá é a plaquinha tectônica, só isso...
Mas é uma cidade q rende boas perseguições de carro!

André disse...

É, deprimente… uma criança tem q nascer com uma cabeça muito privilegiada, um cérebro muito independente, pra passar por tudo isso e ser “pouco” afetada, quem sabe escapando do país onde vive mais tarde.

É muita maldade, detesto ver essas coisas, mas acabo vendo.

O jeito é apelar pro humor, quando não há saída.

Alá! Alá! Alá do outro lado da rua:

Nessa mesma “tela”, o vídeo Saudi Professor Calls for "Positive Hatred" of Christians é cômico. Eu me amarro nessas barbinhas q eles usam...

Bom, o negócio é ter fé (de agnóstico. Existe?) no futuro e procurar fazer a nossa parte (se possível seqüestrando criancinhas iranianas e trazendo-as para cá. Eles lavam com a TV Al-Sahab, nós lavamos com Discovery Kids).

Amém, amados! Aleluia, aleluia, aleluia, glória! Hosana, hey, nas alturas!

Como dizem na Record: Vcs já pegaram seu copo d’água? Eu espero. Enquanto isso...

...fala que eu te escuto!!!

Essa menina pastora é famosa. Apareceu muito na tv um tempo. Ela tem noção do q diz, do q faz? Se tem, é maluca. Porra, o cara q postou não alivia, já vai chamando a garotinha de viciada em drogas... comecei a rir quando vi...

Gritando desse jeito, ela ainda vai perder a voz.

Ela parece uma anticristazinha quando imposta a voz. Ela é do MAL!!!!!!!

Eu não consigo, nesses delírios coletivos, diferenciar os bobos dos que fingem.

Pior q isso, só os terninhos cor de beterraba, as camisas cor de abacate e os indefectíveis prendedores de gravata. Parecem sucos de frutas ambulantes. Eles são os “amados” de Deus, os escolhidos, mas precisam urgentemente de um consultor de moda. Nem o Rei Molok dos Sírios, que perseguiu Abdias, irmão de Obdias, pai de Jeremias, do povo dos Nababeus, vizinho de Dona Canô, mãe de Cae, irmão de Betânia, amiga de Gal, vizinha de Gil, que é, foi e sempre será essa coisa assim amara, essa coisa assim ó dara, essa coisa linda, muito linda... nem todo o povo do Senhor, muito menos o Capeta, se vestiria assim...

Mas, falando sério, esses cultos evangélicos me assustam um pouco. O troço é bovino mesmo...

C. Mouro disse...

Bem,
quando as expressões têm sentido apenas dentro do CALABOUÇO de uma ideologia, é sinal que tal ideologia não tem sentido algum.

Eu ia escrever calabouço e esperar algum questionamento sobre o "arcabouço", mas prefiro ir logo esclarecendo; digo calabouço porque é exatamente a prisão onde as expressões e até neurônios são aprisionados e torturados até corresponderem às idiotices almejadas, tenha ou não nexo; então: calabouço ideológico.

E para emendar, tive dois debates abertos com o pobre Nivaldo. O tipo falastrão é estreito, fanatizado pelo farósofo, aprendeu a falar do que não entende e mesmo do que não sabe e nem quer saber. Assim, incapaz de defender algumas de suas idéias, apela para ataques, fofocas e asserções estapafúrdias ...e acaba pagando vistosos micos ...hehehe! ...se desmoraliza por pura estupidez. Portanto, tal ele tal os que o recomendam.
...mas o periquito ainda se salva em economia.
....hehehe! ...Aliás o filodoxo adestrador tá fazendo escola, muitos são os parvos que lhe copiam os métodos, até seus desafetos de poucos neurônios, que não entendem nem o que falam.

É como eu digo, não basta usar a ferramenta, tem que saber usar, não basta ler, tem que entender.
Ou seja:

com tijolos e massa se faz uma parede, mas um amontoado de tijolos sujos de massa não é uma parede.

Portanto, uma lavadeira com um prumo, uma desempenadeira e uma colher de pedreiro nas mãos, continuará sendo apenas uma lavadeira, capaz apenas de fazer um amontoado de tijolos sujos de massa.

Abraços
C. Mouro

Repito:
palavras e expressões que só fazem sentido dentro das idéias de determinado sujeito, demonstram apenas que as idéias de tal sujeito não tem sentido algum.

C. Mouro disse...

...é dureza ver certas coisas, que é que aguenta ficar vendo estes maníacos? ...não dá!

...os verdadeiros muslims estão a caminho! (apud Bocage)
...acautelai-vos infiéis ....hehehe!

...pobre garotinha, estes ideológicos são "demasiado humanos" pqp!

Abraços
C. Mouro

André disse...

Correndo o risco de estar dizendo uma bobagem: quem é esse Nivaldo?

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Cattelius:

Você tem que dar umas aulas extra ao C.Mouro, é urgente explicar para ele o que é política... essa "estranha coisa" que acompanha o homem há milhares de anos e que ele, no Séc.XXI ainda não entendeu... mas tem que conviver com ela... seja ela qual for.

Um abraço,

C. Mouro disse...

Vê-se que o mostardinha em política é um gajo com os pés no chão, e as mãos também ...hehehe! ...essa eu plagiei com grande prazer ....hohoho!

...parece feita sob medida para o gajo!


Abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

Não resisti, mas é que o gajo só aparece para nada acrescentar, nada explicar e nada fazer de útil.

Poderia ele mesmo me dar as explicações, que eu suponho que deva saiber. Mas o tipo só dá as caras para fazer asserções pífias e tentar intrigar, como uma candinha lusa.

Um zero à esquerda! ...não acrescenta nada, não discute com fundamentos, nada! ...só bobagens que nem mesmo sabe o que está dizendo, como já ficou claro de uma outra vez que a, agora candinha lusa, se manifestou com seus besteirol decorado para me acusar de "reacionário" entre outras idiotices que decorou como um bom papagaio faz. ...hehehe!

Tente alguma vez participar com algo útil... ó pá!

Abraços
C. Mouro

André disse...

C. Mouro, o cara parecia ser um viajante na maionese d'além mar. Ora pois, nem isso é. Aparece numa caravela de boas intenções, diz "alô, como vai", algumas efemeridades, banalidades e depois evapora. Uma esfinge sem segredos. Não acrescenta nada e parece nem mesmo ter lido vários dos posts.

Prefiro o Nivaldo, essa incógnita...

C. Mouro disse...

André,
o Nivaldo é uma olavete das mais chatas e características: o vale tudo para defender suas bobagens.

Lá na Rede Liberal, depois de sair da lista dando rabanadas por conta do chefe ter saído - creio que o filodoxo se mandou quando viu que na lista não havia "vaquinhas de presépio" e arranjou uma desculpa para escapar quando a chapa esquentou para o lado dele. Depois disso, de ir para uma lista só de olavetes ondenem os neutros podiam entrar, o Nivaldo retornou para "ocupar espaços" e soltar suas maluquices - hehehe! andou a dizer que os bancos usavam simbolos diabólicos e outras estultices. Enfim, parecia um maluquete, fazia fofocas e intrigas sobre autores e mais um amontoado de bobagens, usando de artifícios e afirmações estapafúrdias para emporcalhar a lista. É isso. Em economia os artigos dele, os que li, eram bons, alguns muito bons. Mas em algumas questões continua com o comportamento caracteristico dos militantes comunas - ele foi um deles.

É isso, já não tão incognito. Ele tem um blog. Se não se estragasse com aquelas maluquices e os meios que usa para debater ou criticar, até valia umas visitas.

Forte abraço
C. Mouro

Catellius disse...

Grande C. Mouro,

Calma aí. Uma expressão não ter sentido fora de uma ideologia é sinal de que tal ideologia não tem sentido algum? Não há um exagero aí? Primeiro, vejamos o que você quer dizer com "ideologia". Grosso modo, conjunto de ideias, crenças e doutrinas? Então pode haver uma boa ideologia. Mas se ela possuir um termo que só seja inteligível pelos que estão familiarizados com ela seria este um sinal cabal de que ela não possui sentido algum? Bom, vou interpretar isto como uma mera hipérbole, he he.

"Décadence" em Nietzsche tem um sentido um pouco diferente do que o corriqueiro, "dialética" em Hegel é diferente de "dialética" em Sócrates, "potência" em Aristóteles tem um significado um pouco diferente da acepção comum, o mesmo para "transcendência" em Kant, e por aí vai. Normalmente o filósofo e o ideólogo justificam em suas obras qualquer alteração no significado de um vocábulo que passará a ser recorrente, imprescindível para a compreensão de suas idéias – e todas vezes em que isto acontece, creio, decorre de não terem encontrado um significado que definisse exatamente o que desejavam expressar. Como "contradição" em Hegel. Concordando ou não com o filósofo, esta palavra, em sua filosofia, pode significar, por exemplo, a posição do pai em relação ao filho. Se é direito do filósofo usar neologismos ou ampliar o significado de uma palavra, dando as devidas justificativas, é dever daquele que a utiliza neste novo espírito deixar bem claro o sentido empregado. O Heitor sabia o que queria dizer com "produtividade social", mas do modo como foi colocada, a expressão ficou confusa. O mesmo vale para "semiculto". Eu imagino que tenha partido do termo "semicultura" de Adorno. O Heitor ainda não confirmou, mas acho que isso se aplica bem ao Lula.

Abraços

--//--

Grande Mostardinha,

"é urgente explicar para ele o que é política"

Não conheço política em profundidade e, portanto, seria incapaz de ensiná-la ao Mouro, muito mais familiarizado com o tema. Aliás, sem demagogias, tenho aprendido muito com ele, com você e com todos os outros comentaristas.

Abraços

Catellius disse...

p.s. e estou usando "doutrina" como "princípios fundamentais de um sistema filosófico", he he

Catellius disse...

p.s. 2

No caso da dialética, posso usar o termo como "arte de argumentar ou discutir", como "argumentação por diálogos". Se for aplicar a acepção de Platão, a dialética será um método de ascensão do sensível para o inteligível, de dedução racional das tais "Formas"; se for aplicar a de Aristóteles, a dialética será uma forma não demonstrativa de conhecimento; na acepção de Kant ela é "lógica da aparência"; em Hegel "dialética" é a lei da "idéia", do real, desenvolvida através da tese, antítese e síntese. E ainda há a acepção de Marx e Engels, e acho que algumas outras. Por isso, convém deixar claro qual o sentido no qual uma expressão filosófica ou própria de alguma ideologia política ou religiosa foi usada.

C. Mouro disse...

Boa argumentação, nobre Catellius, aliás, como de costume.

De fato, foi uma frase de efeito com a pretensão de dar uma sentença para algo complexo partindo de um único aspecto banal. Ou seja, fraseologia pura e simples. Pretensamente proverbial como filosofia de botequim; um rifão tolo que reduz coisas complexas à banalidade do momento. Um exagero de fato.
...mea culpa! ...sem justificativa.

Isso posto, vou aproveitar o gancho para tocar numa outra questão que desde a adolescência me incomoda. Baseando-me na sua boa contestação vou aproveita-la para questionar sua pertinente impugnação.
Antes cabe uma consideração:
Quando falo em ideologia, digo: ideologia é um conjunto de idéias, um estudo de idéias para levar a um fim. Na filosofia o objetivo é o conhecimento, não há um objetivo pré-elaborado moldando as idéias, torturando-as para se adequarem ao objetivo. Algo como falar de manga.

Assim, o contexto dá o significado específico da palavra, e não o contrário, ou a comunicação se tornaria impossível, ninguém se entenderia.

Então vejamos, você impugnou minha asserção estúpida alegando o sentido como dependente do arcabouço - ou calabouço – de idéias particulares que faz tabula rasa das convenções. Com base nisso eu poderia desfiar um besteirol para dar sentido de verdade àquilo que tolamente afirmei. Assim, no “arcabouço de minhas idéias” a frase poderia ganhar aparência incontestável. Ou seja, tudo dependeria da minha idéia de sentido, e estaríamos falando de coisas diferentes. Ninguém poderia impugnar coisa alguma que outro dissesse.

No caso, a produtividade do conjunto efetivamente aumenta com a divisão do trabalho através das trocas. Ou seja, a produção por cabeça aumenta na medida que se divide a produção final do conjunto pela quantidade de produtores comparando-se com a quantidade que um produziria se executasse todas as etapas. Logo, de fato, a produtividade da sociedade é maior com a divisão do trabalho. Com isso, adicionar o “social” à produtividade não está errado, faz sentido. Portanto minha intervenção “cricri” foi imprópria, mesmo que dispensável a “sufixação” com o “social”; isso independentemente do “arcabouço marxista”.

Enfim, os debates são úteis para aprimorar idéias, para isso eles servem. Logo, as especulações num debate, mesmo que apressadas, acabam sendo úteis quando usamos as contestações para nos aprimorar, e não como “desmoralizações”. Isso decorre da vontade de entende-las para só assim contra argumentar, em vez de ficar criando “arcabouços” particulares para, através da confusão, tentar escapar das contestações ou “desmoralizações”. Já que isso é o que efetivamente desmoraliza.
Parafraseando Gasset...
...Todos podemos dizer bobagens, mas que não nos ocorra de dize-las sem compreende-las.

Para isso servem os debates, para aprimorarmos idéias e não para “vencermos” divergentes através de raciocínios tortuosos que “vencem” pela confusão.
É preciso tentar entender os pontos de vista, em vez de apenas tentar combate-los com embustes, por mais “intelectualmente belos” que possam ser.

Um sujeito, não me recordo o nome, disse: “eu estou sempre certo. Porque quando alguém demonstra meu erro eu imediatamente mudo minha opinião”.

Forte abraço
C. Mouro

Bocage disse...

Um ótimo texto de Carlos Esperança publicado hoje no Diário Ateísta:


Viagem de autocarro

Há meia dúzia de horas, entrei num autocarro com um padre católico sentado no banco ao lado do meu, do outro lado da coxia.

Olhei aquele rosto triste de um homem de 70 anos, com o colar romano a apertar-lhe o pescoço como o cincho onde se estreita o queijo para extrair o soro. Há muito que não via tal adereço na via pública. O uso manteve-se com a resignada dedicação ao múnus.

Não pude deixar de apreciar aquele homem só, a caminho de uma casa da Igreja ou de um ritual que perdeu o sentido e de que a sociedade se desinteressou.

Que sofrimento ajudou a desenhar aquelas rugas? Quantos desejos reprimidos e quantos anos perdidos com o pescoço apertado por um colar e a lapela ornada com uma cruz?

Terá amado, teve sonhos, realizou-os? A meu lado um cidadão, sozinho, levava os olhos vazios e o ar de quem cumpriu a vida sem a viver.

Era preciso ser cínico ou mau para não sentir compaixão por quem dedicou o tempo e a juventude a uma quimera, perdeu a vida perseguindo o sonho do Paraíso e chega ao fim da estrada sem saber por que a percorreu.

Somos ambos da mesma massa. Com poucos anos de distância ensinaram-nos a ajoelhar e a rezar. Eu levantei-me, ele ficou de joelhos. Eu vivi a vida, amei e passei incógnito na estúrdia, sem um colar a que só falta a trela e sem a cruz a que não faltaram espinhos. Ele imolou a vida por um mito e esqueceu-se de si próprio por coisa nenhuma.

É injusto que aquele homem que sofreu o que eu não sofri, que trocou a vida por outra que não existe, tenha os mesmos sete palmos de terra à sua espera sem um filho que lhe recorde o nome ou guarde o retrato. Por um deus que inventaram para lhe tramar a vida.

André disse...

Parafraseando Gasset...
...Todos podemos dizer bobagens, mas que não nos ocorra de dize-las sem compreende-las.

Gostei dessa.

André disse...

Ah, esse é o tal Nivaldo... olavete. Esses caras não vivem fora dos extremos. Um dia é revolucionário de esquerda, no outro, conservador católico. É o comunista que foi mais comunista que o mais ardoroso comunista e de repente vira o reacionário mais reacionário do que o mais rábido reacionário. E quase sempre tem um componente religioso, uma submoralzinha de vida idiota que está sempre dizendo aos outros o q fazer. O problema do moralista é esse, querer sempre dizer aos outros o q fazer, como notou Bertrand Russell naquele ensaio q reproduzi parcialmente aqui uma vez, sobre os chineses e nós. Não contente em mudar, ele quer mudar os outros.

Há boas ideologias. O mal são alguns ideólogos... Porém, toda ideologia possui termos que só são compreensíveis aos iniciados mesmo, e que variam muito de um pesnsador pra outro. Além do que, é como certos assuntos. Vc não vai discuti-los com o mané da esquina, nem com a “simpática” titia conservadora, amiga da família. Não dá. Mas isso é normal, é a vida, não há nenhuma arrogância nisso.

É isso aí. Bom final de semana pra todos.

C. Mouro disse...

Brilhante, André:
"toda ideologia possui termos que só são compreensíveis aos iniciados mesmo, e que variam muito de um pesnsador pra outro"

A questão de boas ou más ideologias depende a que se referem.
- Se aquilo que alegam almejar é possível.
- Se aquilo que almejam é algo objetivamente bom ou justo. E neste segundo caso o objetivo seria a justiça e não o estado resultante de sua aplicação.
- Se ela pretende determinar o comportamento nas relaçoes para atingir um objetivo utópico ou se pretende as relações justas (já seria filosofia).

Ou seja, no que tange a comportamento eu prefiro filosofia (na ética) do que ideologia. Considerando toda ideologia nesta questão como nociva, pois não fundamenta o objetivo num principio a reger os meios (justiça) mas no fim idealizado, que permite, em seu nome, arbitrar os meios. De modo que arbitra como justo aquilo que pode apenas ser algo desejável e não justo. Já que será um ideal justo apenas aquilo que decorre da justiça. Simplificando: não se chega a um resultado justo através da injustiça - ou seja, meios injustos só produzem resultados injustos, por se o resultado passivel de julgamento filosófico apenas segundo os meios que o realizaram.

...bem, a minha frase foi formulada como frase de efeito, admito, porém, refletindo a respeito começo a vislumbrar que possa não ser apenas uma frase de efeito, mas o resultado de uma boa reflexão. Logo, se tiver saco para pensar bastante a respeito, vislumbro que posso me surpreender com o resultado.
Afianal, mergulhar no relativismo sobre significados e sentidos segundo "arcabouços" acaba-se num jogo de palavras que nada esclarecem. Pois que significados deixam de se convenções e se amparam em outros e em outros e nunca se chega a lugar algum objettivamente: onde qualquer coisa pode ser qualquer coisa, tudo é nada. hi!??
...acabo vendo sentido na santíssima trindade: coisa para iniciados.

(ótimo o comentário do Bocage)

Aproveito para surrupiar um posto do Tambosi que achei genial.
...e ai vai:
"O Brasil virou mesmo um país de mentes pasteurizadas pela ideologia. Cinco anos de governo lulo-petista bastaram para que tudo fosse virado pelo avesso. Se você defende as liberdades e a democracia, é tachado de "direitista" ou "conservador" (quando as defendia durante a ditadura, era considerado de "esquerda"). Se você defende a ciência, é logo carimbado de "positivista", membro dessa tribo antiquada que acredita na existência de fatos objetivos e, ainda mais absurdo, que tais fatos sejam acessíveis e explicáveis por teorias independentes dos observadores. E se leva a lógica a sério, então, você é um "reacionário" consumado, vítima do raciocínio "burguês".

Isto não acontece no bar da esquina, claro, mas dentro das universidades, particularmente nas ciências humanas/sociais. Seus alunos já vêm ideologicamente embalados do segundo grau, mas ao invés de desenvolverem um pensamento crítico e racionalista, recebem nos campi nova tintura ideológica. Ali, professor "legal" é aquele que reforça as convicções do alunado, não aquele que o incomoda com reflexão. E há muitos mestres, nesse teatrinho, que jamais contrariam aquilo que a platéia espera.

Onde impera o relativismo, tanto no campo cognitivo quanto na esfera dos valores, o mundo passa a ser aquilo que a hermenêutica pós-moderna diz que é. A grama das praças, por exemplo, pode ser vermelha, dependendo apenas do ponto de vista do sujeito. As palavras já não se referem à realidade, mas são a própria realidade - e nada existe fora da linguagem!

Se há dissenso em relação à racionalidade e às ciências, há consenso em torno de algumas pautas, a começar pelo ecologismo, que é quase uma nova religião. Não ouse duvidar que o maldito "ser humano" seja o único responsável pelo "Aquecimento Global", esta entidade com que os novos apocalípticos ameaçam o planeta. Não ouse contestar que a "globalização" seja uma invenção do imperialismo para dominar a "periferia". E nem ouse negar que "outro mundo é possível", bem além da "lógica capitalista" e das "leis do mercado". Sobretudo, veja no Estado dirigente e regulador o justiceiro das classes populares, o remédio eficaz para todos os males do "neoliberalismo". Defenda sempre mais Estado, nunca menos.

Por fim, considere calunioso aquilo que o escritor Mário Vargas Llosa, obviamente um liberal, definiu como "idiotice latino-americana". Essa idiotice "postiça, deliberada e de livre-escolha", diz ele, "é adotada conscientemente por preguiça intelectual, apatia ética e oportunismo civil. É ideológica e política, mas acima de tudo frívola, pois revela uma abdicação da faculdade de pensar por conta própria, de cotejar as palavras com os fatos que pretendem descrever, de questionar a retórica que faz as vezes de pensamento. Ela é a beatice da moda reinante, o deixar-se levar sempre pela corrente, a religião do estereótipo e do lugar-comum.""

Abraços
C. Mouro

Anonymous disse...

'...bem, a minha frase foi formulada como frase de efeito, admito, porém, refletindo a respeito começo a vislumbrar que possa não ser apenas uma frase de efeito, mas o resultado de uma boa reflexão. Logo, se tiver saco para pensar bastante a respeito, vislumbro que posso me surpreender com o resultado.'

Tem um episodio do Chavez em que perguntam ao professor Girafales se ele sempre esta certo, e ele responde: 'ja me enganei uma vez, quando pensei estar enganado. Mas estava certo, kkkk

Bocage disse...

O parvo do anônimo tem acrescentado um k ao kkk do tempo em que assumia sua ligação com a Klu-Klux-Klan. Mas não nos engana.

E causam-me repulsa os episódios do Chavez. Prefiro o Chaves, rsrs

André disse...

Eu também prefiro filosofia (na ética) e prática, se possível, do que ideologia. E não gosto de ideais inatingíveis. Prefiro ideais justos.

Eu prefiro o bar da esquina às universidades.

Vargas Llosa está certíssimo: "é adotada conscientemente por preguiça intelectual, apatia ética e oportunismo civil...”

Além de ser um grande escritor.

C. Mouro disse...

Ora, o anônimo, pelo que ele mesmo diz, é assíduo telespectador do seriado mexicano(?).
Já no blog do Rodrigo, há tempos, um outro comentarista assistia uma novela onde havia uma tal de Edileusa.
Estes tipos dão certo colorido ao comentários, ajudam a divertir, já que inofensivos, pelo que se pode perceber.

Quisera eu só me enganar quando penso estar enganado. Infelizmente isso não é verdade, mas não fico contrariado com isso. Afinal, cada vez que me provam que estou enganado eu me corrijo para não cometer o mesmo engano.

O fato é que não vou mais dizer a infeliz frase, pois ainda não sei se enganado ou não, e talvez nunca saiba. Portanto, pelo menos este erro não cometerei mais. E agradeço ao Catellius por isso, me são úteis as contestações, me aprimoram.

O outro Chaves realmente é muito divertido, sobretudo por ainda não ditar aqui no feudo bananéio.

No mais, realmente uma paulada certeira do V. Llosa:

"questionar a retórica que faz as vezes de pensamento. Ela é a beatice da moda reinante"

Sem deixar de realçar o prof. Tambosi:

"Onde impera o relativismo, tanto no campo cognitivo quanto na esfera dos valores, o mundo passa a ser aquilo que a hermenêutica pós-moderna diz que é. A grama das praças, por exemplo, pode ser vermelha, dependendo apenas do ponto de vista do sujeito. As palavras já não se referem à realidade, mas são a própria realidade - e nada existe fora da linguagem!"

Dá boas reflexões para quem não é fã dos Chaves.

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

Grande C. Mouro!

Excelentes os seus comentários!

Concordo totalmente com você que é imprescindível para um discurso que comunique, elucide, acrescente algo ao debate. Enerva-me a confusão verbal, principalmente deliberada para mascarar uma idéia rasa, sou contra acima de tudo o palavrório propositadamente ambíguo para possibilitar saídas estratégicas, para que se esteja sempre "certo". Sou contra ideologias que exigem uma iniciação para um universo cujo hermetismo visa justamente resguardá-las de críticas e questionamentos, que se valem de hipóteses e explicações ad hoc para se manterem com uma aparência viva. Esses artifícios desonestos são um formol ideológico que visa impedir que a matéria perecível da qual tais ideologias são feitas seja roída pelos “vermes” do bom senso. Daí tantos “verdadeiro socialismo, o científico”, “verdadeiro cristianismo”, etc.

Absolutamente genial esta citação do Tambosi (grama vermelha)! Tenho que freqüentar seu blog e adicioná-lo aos favoritos.

“O fato é que não vou mais dizer a infeliz frase, pois ainda não sei se enganado ou não, e talvez nunca saiba. Portanto, pelo menos este erro não cometerei mais. E agradeço ao Catellius por isso, me são úteis as contestações, me aprimoram.”

Digamos que constatei um exagero deliberado, he he. Tirando-o, acho que você realmente não está enganado, pensando bem. Se principiarmos pela etimologia, veremos que a “filosofia” ama o saber, ou seja, a verdade, enquanto a “ideologia” é um tratado de idéias, como a biologia, etimologicamente, seria um tratado sobre a vida. Para mim, enquanto a Filosofia parece “tratar”, no presente, porque a verdade é uma busca eterna, a ideologia parece estar no particípio passado – um tratado, algo mais ou menos pronto. Parece-me possível enriquecer uma filosofia, ao passo que muito difícil enriquecer uma ideologia; ela apenas “deseja” que eu a adote. Uma filosofia – aristotélica, por exemplo -, parece ser encadeamentos lógicos que chegam a idéias, e o método para atingi-las pode ser analisado e, portanto, questionado, enquanto uma ideologia independe de método e encadeamentos lógicos, às vezes apela ao emocional, ao dogma, à revelação metafísica – uma ideologia é tão somente um conjunto de idéias, muitas vezes não falseáveis. Por isso, talvez, encontremos mais “termos próprios”, palavras difíceis como “transubstanciação” e “paráclito”, em ideologias do que em filosofias, embora falsos filósofos como Tomás de Aquino, deturpador de Aristóteles, sejam convocados a todo instante para justificar uma ideologia hermética (no sentido de “lacrada”).

Mas é claro que existem termos próprios de cada campo do conhecimento, da medicina, da arquitetura, do urbanismo - como por exemplo o "malha xadrez" que usei há pouco tempo. Minha intenção foi ser claro; como não fui, posto que alguém inteligente como o André não compreendeu exatamente o que eu quis dizer, doravante usarei "malha viária xadrez", porque minha intenção primordial é comunicar. Do mesmo modo, existem termos particulares de cada corrente filosófica, muitas vezes originados de limitações de tradução. Sabemos que o alemão é mais apropriado ao filosofar do que o tupi; assim sendo, se eu quiser traduzir Nietzsche para esta língua terei de ampliar o significado de algumas palavras, usar neologismos, às vezes simplesmente adotar a palavra alemã. Temos termos como "super-homem", que apenas fazem sentido após alguma "iniciação" ao pensamento nietzschiano. Isto não me faz questionar as intenções de Nietzsche. Se uso o termo "super-homem" e a “simpática titia conservadora, amiga da família," com a qual converso entende que devemos ser como o herói do gibi, a culpa é minha por não estar me comunicando. Quando estou com pessoas que lêem partitura, posso usar a palavra “pentagrama” para me referir à pauta musical, de cinco linhas. Elas não acharão que eu falo da estrela de cinco pontas. Nos outros casos devo dizer “pauta” ou mesmo “linhas onde vão as notas”, pois minha intenção é comunicar. Posso usar “pentagrama” com a intenção de ser questionado, para poder esfregar na cara do interlocutor a “super comum” terminologia musical. Isto é bem freqüente. É uma regra entre os pedantes. Obviamente não é o caso do Heitor. Conheço-o bem e sei que ele não é do tipo que doura a pílula com terminologias para “iniciados”.

Um grande abraço!
Catellius

Catellius disse...

André,

“O problema do moralista é esse, querer sempre dizer aos outros o q fazer, como notou Bertrand Russell naquele ensaio q reproduzi parcialmente aqui uma vez, sobre os chineses e nós.”


Excelente!

O Reinaldo Azevedo escreveu, :

“...As belezas guardadas me atraem mais. Ainda hoje, encantam-me as pessoas que ficam coradas. As praias, nesse sentido, são lugares um tanto indecorosos.
Mesmo a educação da moderna classe média me parece, por notícias que tenho, espantosamente “liberal”. No ponto extremo do simbolismo, lembro-me da punição bíblica a quem vê a nudez do pai. Meu mundo ainda tem um eixo formado de interdições que acho absolutamente necessárias: na relação ente amigos, na relação entre marido e mulher, na relação com os filhos (no meu caso, filhas), nas relações de trabalho. Por que você deve ver quem você ama escovando os dentes? Pra quê? Há intimidades que degradam. Evitemo-las.”


Continua, expondo uma de suas fontes moralistas:

“A exemplo de São Paulo, o meu predileto da Bíblia, ...”

No post seguinte, responde aos debochados:

“Mas a petralhada está certa. O prazer do recato não é para qualquer um e exige certo cultivo. Deve ser terrível a suposição de que possa haver um mundo superiormente interessante além dessas viseiras, dessa escuridão. Por isso vocês tentam destruir tudo aquilo que ignoram ou que se lhes mostre diferente e assumidamente individualista.”

Na época, comentei que a moral é desejável, enquanto o moralismo, que exige uma moral absoluta, não. E eu ainda disse:

“O islâmico defensor do véu pode usar um discurso semelhante ao seu, exaltando a poética de um rosto coberto pelo véu em oposição às ‘prostitutas ocidentais’, que deixam, além dos ombros e das pernas, a face à vista de qualquer um. Uma cabra coberta por um véu por aquelas bandas deve despertar nos homens desejos impronunciáveis.
Já nos apaixonamos por misteriosas patas de gazela, pela dona oculta do sapatinho de cristal. Também o comunismo quando estava oculto atrás da cortina de ferro causava suspiros por aqui”.

E aí voltamos aos sábios questionamentos do Mouro. O que está escondido, o que requer uma iniciação, o que é hermético, tem uma aparência invulgar, parece estar destinado a pessoas não vulgares “como eu”. Se o lago é raso, turvemos suas águas para que pareça profundo. Isto costuma cativar uma certa casta de imbecis. Será que o Reinaldo teria algum dia espiado pela cortina de ferro para ver a “decência” de seus companheiros comunistas? Quando sua ideologia ficou nua, exibindo seu corpo disforme, lá foi ele iludir-se com uma “Luize Altenhofen” de burca - a Igreja Católica, “divina”, he he!... “ideologia, eu quero uma pra viver”...

Ricardo Rayol disse...

Semi-culto é ótimo. Não entendi o obejtivo de planejar a longo prazo, só se for para continuar assaltando os cofres públicos. O Estado deveria inerferir o mínimo possível E devolver o que entregamos em impostos em serviços de qualidade. Mas sou inepto demais para argumentar sobre o assunto.

C. Mouro disse...

Caro Catellius,
claro que há termos próprios que se cria para resumir uma explicação longa. Eu mesmo uso "consciência externa" e muitos outros que no contexto se fazem inteligíveis - ptz, mesmo quando escrevo sem que os dedos acompanhem o pensamento e não só a sintaxe e concordância, mas até a supressão de palavras e letras acontecem (pelo menos ninguém reclama, então capitou, eu imagino). Quando uso palavras cujo significado possa não ser capitado, eu geralmento informo o sentido com que o utilizo. Mas imagine que eu passasse a usar termos conhecidos, e com conceito firmado, e lhes atribuisse um significado totalmente contrário, e o explicasse com outras palavras com novos sentidos, que me valesse de analogias não para facilitar o entendimento mas sim como prova o que afirmo??? ...e temos isso em "grandes filósofos" - ou filodoxos? .
A liberdade é uma palavra prostituída e cafetizada por muitos. Um marxista falando de liberdade é coisa totalmente diversa. Ele se aproveita do conceito da palavra - duramente entendida - para adicionar-lhe um significado que nem é um claro significado (é um tanto "inspirado" e não entendido explicitamente). É algo apenas útil para causar sensações com seu besteirol retórico. A própria idéia da tal "mais valia" é um mero jogo de palavras para causar sensações, doxa pura e burra: "aguas turvadíssimas de uma poça rasíssima" (gostei da figura!).
A própria idéia de "justiça social" (deveria ser justissa social) se antagoniza à idéia de justiça; o "direito positivo" se opõe, destrói, completamente à idéia do direito (natural no sentido de inerente e não o "positivo atribuído por deus").
E por aí vai rolando uma tremenda confusão para dar sentido ao que não o possui em si - melhor valer-se das palavras com sentido, então. Isso é embuste! Quando alguém diz que a teoria está "além da lógica", que esta não é capaz de resolver todas as questões, está apelando para o "misticismo científico"; quando alguém diz que classes diferentes possuem lógica diferente, está inventando a "lógica" sem lógica.
...e há uma infinidade mais de "arcabouços ideológicos" capazes de dar sentido a qualquer coisa: se todos admitem as minhas premissas como verdades, axiomas, ou lá o raio, as conclusões a que delas eu chego através delas poderão ser perfeitamente lógicas, mas isso não significa que tenham sentido no mundo real, o erro está nas premissas ...mas se eu as entendi segundo um "arcabouço particular" é difícil perceber a fraude. Ou seja, esse me parece um excelente artificio farosófico. Daí que começo a desconfiar que "arcabouços" podem mais ser calabouços ou masmorras para as idéias.
É um caso a se pensar, mas me falta matéria priima em quantidade capaz de sustentar conclusões.
Sei lá, talvez alguém mais qualificado pensando a respeito pudesse chegar a alguma conclusão, mas seria duro a imparcialidade depois do esforço para adquirir "materia prima", ela influenciaria até psicologicamente.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

...e lá se foi um "capitar" ...pqp!

Abs
C. Mouro

C. Mouro disse...

"as conclusões a que delas eu chego através delas"

- as conclusões a que chego através delas

...PQP!

Quando alguém diz que numa outra vez que um homem se banha num rio, nem é o mesmo homem nem o mesmo rio, está dizendo precisamente oque?

Vamos discutir o significado do "mesmo" profundamente?
Afinal, se algué diz que algo é isso ou aquilo, um outro resolve discutir o "é" para assim discutir o "ser" e blá blá blá numa rosca sem fim, onde, como diz o André: "termos que só são compreensíveis aos iniciados mesmo, e que variam muito de um pesnsador pra outro"

Sinceramente, me falta capacidade para voôs-tão-profundos, que só gênios podem alçar.

André disse...

O Reinaldo Azevedo tem esse problema, é inteligente pra burro e volta e meia solta essas. Me lembro desse post dele do “Por que você deve ver quem você ama escovando os dentes? Pra quê? Há intimidades que degradam. Evitemo-las.”

Que viadinho, não? O que há de “degradante” nisso? Esse cara é tão ass’petico que parece viver num laboratório, na salinha ao lado do vírus Ebola.

“A exemplo de São Paulo, o meu predileto da Bíblia, ...” Ele diz isso só pra dizer q tem um predileto até na Bíblia, q não é o tipo de leitura onde a gente tem prediletos — se bem q alguns tem, tudo bem, nada contra. Mas isso aí foi tiração de onda.

“O prazer do recato...” Essa foi dura. Parece q o cara vive enclausurado.

Também acho: a moral é desejável, enquanto o moralismo, que exige uma moral absoluta, não.

O q me interessa, p. ex., num islamismo são os moderados, os que pensam lá na frente e até mesmo os religiosos ortodoxos “quietistas”, q preferem ficar bem longe de política. E, vá lá, temos o misticismo sufi também, q também não me incomoda e tem até umas tiradas filosóficas legais. O que não tolero são esses idiotas de toalha amarrada na cabeça queimando a bandeira dos EUA na rua o tempo inteiro, os suicidas, o pessoal q só quer saber de se explodir e os que cometem atos contra seus próprios filhos/filhas (o Catellius sabe do q estou falando, recebeu um e-mail a respeito: um egípcio matou 4 das 7 ou 8 filhas a facadas — as outras ele feriu gravemente — pq “nunca teve um filho homem”. Descontou sua frustração nelas. Se bem q isso acontece em qualquer lugar, civilização, religião, variando só os motivos e o meio de execução...), enfim, essas doideiras. Não havendo extremismo, tudo bem, aceito até o cara com as maiores contradições e esquisitices de fundo religioso ou sei lá o que mais. Afinal, agüento gente assim na minha família...

O Millôr dizia q o comunismo é uma espécie de alfaiate que, quando a roupa não fica boa, faz ajustes no cliente. Pois isso se aplica a muita gente e a muitas ideologias.

Catellius disse...

Acho que a imagem da água rasa turvada para dar a impressão de profunda está no A. F. Zaratustra de Nietzsche. Estou com preguiça de abrir o livro para confirmá-lo.

Segundo Nietzsche, quanto mais fraco, mais mentiroso. Quem não tem presas nem garras nem tamanho nem veneno recorre a imitações como a da borboleta com olhos de coruja nas asas, da cobra inócua que imita as cores da venenosa para afastar inimigos potenciais. Há o mimetismo dos animais que se camuflam com o ambiente para passarem despercebidos, uns para caçar outros para não serem caçados - outros mais mentirosos camuflam-se para evitarem ser cassados...

No mundo das idéias, obviamente humano, apenas o caçador se camufla. É polimorfo, mas prefere assumir a forma de um libertador das caças, imita as cores da democracia, a textura da justiça, a voz da liberdade, sempre visando estar mais próximo da caça para apanhá-la desprevenida. Na verdade ela, amiúde, se posta diante de sua bocarra implorando para ser devorada, porque o acha atraente, tem fé nele após tê-la convencido a sacrificar-se, como na ótima fábula do camelo, leão, raposa, hiena e abutre narrada pelo Mouro.

Já os termos “justiça social”, “direito positivo”, etc., são piores do que o mimetismo pois funcionam inversamente. Alguns deles são a tentativa dos carniceiros de camuflar o ambiente para que se pareça com eles, após o quê arrotarão: “vejam, não estou camuflado. Sou assim mesmo”. Os que são marrons e nadam enlameiam a água, e os que são cinzas e vivem em terra firme põem fogo na floresta. São uma praga...

Abraços a todos

Bocage disse...

"camuflam-se para evitarem ser cassados"

Boa! É o exemplo do Roriz, em cujo discurso de defesa tenta colar-se ao Renan, sabedor de que este goza de mais apoio no senado.

Onde está o próximo texto? rsrs
Inventaram de ser blogueiros agora agüentem!

Bocage disse...

Embora o parlamentar brasileiro tenha a possibilidade de renunciar para não perder os direitos políticos. Em qualquer país sério, o julgamento que deles o poderia privar continuaria a correr independentemente de quaisquer atitudes tomadas pelo réu.
No máximo sua pena poderia ser aliviada após a tal delação premiada. E olha lá!

C. Mouro disse...

Inspirado Catellius,
muito bom:

"No mundo das idéias, obviamente humano, apenas o caçador se camufla. É polimorfo, mas prefere assumir a forma de um libertador das caças, imita as cores da democracia, a textura da justiça, a voz da liberdade, sempre visando estar mais próximo da caça para apanhá-la desprevenida."

Caracoles, ficou até poetico!

Show de bola:
"são piores do que o mimetismo pois funcionam inversamente. Alguns deles são a tentativa dos carniceiros de camuflar o ambiente para que se pareça com eles,"

Realmente porreta:
uns camuflam-se em função do ambiente, mas os piores camuflam o ambiente em função de si. Já não se contentam em adaparem-se ao ambiente, adaptam o próprio ambiente, falsificando-o com suas pregações.
....Realmente uma observação porreta no úrtimo!

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

Graaande Mouro!

Sobre o mimetismo, as palmas devem ir para Nietzsche, he he; eu apenas enchi lingüiça no que ele escreveu.

O Bocage me mandou o texto abaixo por e-mail (valeu, amigo).

Inacreditável! Vi com espanto o Olavo de Carvalho recorrer no texto abaixo, publicado no Jornal do Brasil há uns três dias, exatamente ao que discutimos nesta caixa de comentários. Tenta desqualificar Dawkins, Dennet, Sam Harris e Christopher Hitchens argumentando que não podem discutir a crença em deuses e o papel das religiões por não estarem profundamente familiarizados com a teologia católica. Só iniciados formados em teologia em Roma que conheçam todas as expressões próprias, todas as embromações, o tipo de barro usado para turvar a poça rasa, a procedência deste barro, sua composição química, podem discutir tais temas, segundo o herege Olavo, he he. Surpreendente.
O texto do Olavo poderia ser substituído por este:

Quidquid latine dictum sit altum viditur. Esses ateus mentem, já que são ateus, e as pessoas acreditam porque eles são conceituados cientistas, mas usam argumentos ridículos e nem sabem o que estão criticando porque não têm diploma de teologia. E eu acho que eles combinaram tudinho antes de escrever, porque os argumentos são muito parecidos.”

O grifo é meu.

"Os quatro cavalos do Apocalipses
Olavo de Carvalho

Quando quatro livros de autores famosos são publicados quase ao mesmo tempo, defendendo opiniões substancialmente idênticas por meio da mesma técnica argumentativa, é óbvio que não estamos diante de um festival de coincidências, mas de uma campanha destinada a prosseguir por meios cada vez mais abrangentes e a alcançar resultados bem mais substantivos do que o frisson publicitário de um momento.

Se, ademais, esse esforço vem junto com medidas legais tomadas em vários países para dar imediata realização prática ao mesmo objetivo que os livros propõem como ideal e desejável -- expelir a religião da vida pública --, então é claro que o intuito dessas obras não é colocar nada em discussão, não é nem mesmo persuadir, é apenas legitimar a imposição de poder mediante uma camuflagem de debate público.

As contribuições pessoais dos srs. Sam Harris, Richard Dawkins, Daniel Dennett e Christopher Hitchens à guerra anticristã mundial destacam-se pela uniformidade com que apelam a uma técnica argumentativa inusitada, raríssima, tão contrastante com o seu prestígio, que a probabilidade de ter ocorrido espontaneamente aos quatro é de um infinitesimal tendente a zero. Chego a me perguntar se esses livros foram realmente escritos por seus autores nominais, se estes não se limitaram a dar acabamento a rascunhos preparados por algum engenheiro comportamental.

Esse modus argüendi , já conhecido dos antigos retóricos mas quase nunca usado em debates intelectuais, consiste em apresentar com ares de seriedade, e com o respaldo de uma credibilidade pessoal prévia, argumentos propositadamente indignos dela: vulgares, grosseiros e fundados numa ignorância monstruosa das complexidades do assunto.

À primeira vista o adversário (por exemplo Michael Novak na National Review de maio) imagina que os quatro ficaram loucos, que, arrebatados pelo ódio, abdicaram de toda sofisticação intelectual e resolveram dar a cara a tapa.

Mas o tapa não os atinge. A técnica que empregam não se usa para vencer uma discussão, e sim para impossibilitá-la. Nenhuma discussão é viável sem a posse comum de um corpo de conhecimentos fundamentais sobre a matéria em debate. Se um dos lados se furta propositadamente a tratar do assunto no nível intelectual requerido, o interlocutor sério não tem alternativa senão explicar tudo desde o princípio, alongando-se em sutilezas que darão a penosa impressão de embromações pedantes e que o auditório, fundado na confiança usual que tem na autoridade do outro lado, muito provavelmente se recusará a ouvir. William Hazlitt, num ensaio clássico, já falava das “desvantagens da superioridade intelectual”, mas não previu que elas se tornariam ainda maiores no confronto com a ignorância planejada. Nem mesmo os maiores trapaceiros ideológicos do século XX, um Sartre ou um Chomsky, se rebaixaram ao ponto de apelar a esse expediente e fazer da burrice uma ciência, como temia o nosso Ruy Barbosa. A vida intelectual no mundo teve de perder o último vestígio de dignidade para que pudessem aparecer, no horizonte dos debates letrados, os quatro cavalos do Apocalipse."

Abração

C. Mouro disse...

Rapaz,
eu lí isso e até achei graça. Mas o Olavo, como velho apparatchik treinado, sabe manobrar bem com o sofisma.
Lá na Rede Liberal, ao ser contestado o tipo se saiu com tal "argumento" e deslanchou em bobagens, até que percebeu que ali nem todos eram "vaquinhas de presépio" e que seus embustes estavam sendo expostos, sobretudo por falar mais bobagens para sustentar as primeiras. Ele então preferiu uma saída estratégica: sentiu-se ofendido por "ignorantes que não serviam nem para ser seus alunos" ....hehehe!
- Na época eu ainda achava que o tipo podia ser útil à defesa da liberdade. Na época o Olavo e suas olavetes afirmavam que o liberalismo ou idéias liberais eram genuinas do cristianismo; depois disso eles passaram a se dizerem conservadores e afirmar que liberalismo se parecia com marxismo ...hehehe!

Eu até fiz uma provocação, dada a insistência dos tipos em se dizerem defensores do liberalismo associando-o ao judaico-cristianismo (como se a mesma coisa por ser o mesmo deus, usurpado pelos cristãos), mas só o Iorio respondeu com xingamento e ameaças de abandonar a lista caso eu não fosse impedido de postar coisas do tipo do meu post "Esquisitices em nada liberais", o Olavo ou não viu ou não quis responder. ...Mas eu já tinha um post para responder ao parlapatão: "Liberalismo travesti", que nunca postei, e que hoje me arrependo amargamente de não telo postado para ver o tipo rebolar ....mas eu em tal post denunciava a técnica, e ela se firmou: "sair se rebolando em triunfo pela porta dos fundos"
.
Me arrependi mesmo, de não ter postado! ..eu achava que o tipo tinha utilidade, me enganei feio. Ele apenas se valeu de idéias liberais para defender sua nova ideologia provedora. Como não o aceitaram como líder ele passou a criticar/atacar o liberalismo/libertarianismo e dizer-se conservador. ....hehehe!

Abraços
C. Mouro

A coisa foi tão estúpida que o Olavo chegou a clamar a autoridade de JC ante ateus ....hehehe!
Eu fiz uma pro

Catellius disse...

"sair se rebolando em triunfo pela porta dos fundos"

ha ha ha

Aquele é a famosa attention whore. Não suportou "tipos" como aqueles sendo considerados inteligentes e bons argumentadores, aí identificou a linha de argumentação, fez um paralelo com algo que já conhecia e do qual, portanto, considerava-se meio dono, e, assim, pôde apelar para a evasiva nº8: dizer que os argumentos não são originais, que são apenas inéditos no meio científico, he he. Que fique claro: a evasiva não foi para Dawkins e para os outros três, pois não havia qualquer discussão entre algum deles e o Olavo, foi uma evasiva para as olavetes que aguardavam ansiosamente por uma palavra do mestre a respeito dos livros. O guru, é claro, apenas jogou todos eles em seu index e, em outras palavras, proibiu-os de concordar com aquilo. E falta de originalidade vemos no cristianismo, aquele coquetel de ingredientes chupados de outras mitologias. O Olavo é realmente um caso perdido.

Catellius disse...

Adoraria ler seus textos "Esquisitices em nada liberais" e o "Liberalismo travesti", que você citou acima. Se der, mande-mos por e-mail!
Abs

C. Mouro disse...

Já enviei!

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

p.s.
Quando visivelmente ateus conhecem a fundo o que criticam, como o ex-teólogo católico Joseph McCabe (1867–1955), a evasiva de fanáticos como Olavo e Fedeli assume outras formas, e passam a dizer algo como: “há padres e ex-padres de todos os tipos. Até Leonardo Boff era padre, não? Enquanto estão na Igreja lhes dão ouvidos, quando a abandonam suas críticas caem no vazio. Apenas por isso ainda se mantêm no sacerdócio. O pior inimigo da Igreja, portanto, é sempre o católico herege, pois usa suas credenciais para envenenar o restante do rebanho”.

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