17 maio 2007

Adiós Carismáticos?

A viagem de negócios de B16 ao Brasil foi um sucesso na visão de Ana Maria Braga, Louro José, Reinaldo Azevedo e dos jovens que lotaram o Pacaembu para saltitar ao som amplificado do inquisidor a demonizar a peça de látex que possivelmente muitos deles carregavam no bolso, preparados que deviam estar para praticar a castidade que aprenderam no Segue-me. Também foi um sucesso para as beatas, verdadeiras groupies à espera de seu Bono Vox. A saia branca armada por anáguas, as rendas, os anéis, colares, sapatilhas vermelhas, a touquinha forrada de pele de arminho, os carros de luxo, mitras e báculos do séqüito, brasões, bandeiras e o aparato militar para proteger o teocrata das fãs deixaram estas maravilhadas com o poder da divindade da qual ele se diz único representante. Para os não tão entusiasmados, os seguranças de preto ao redor do alienígena davam a impressão de que os Men In Black haviam enfim capturado o Imperador daquela famosa e distante galáxia.

A viagem foi um desastre, contudo, para as raposas de sotainas que esperam ver um Estado laico tornar obrigatório o ensino do catolicismo nas escolas, que sua multinacional não possa ser processada na justiça trabalhista, que suas isenções fiscais sejam consolidadas, que seja transferida ao governo a responsabilidade pela manutenção do patrimônio artístico e arquitetônico católico, que os missionários tenham livre acesso a reservas indígenas e a reservas ecológicas (talvez para catequizarem veados), entre outras propostas indecorosas. "Obrigatório" é uma palavra forte, e os núncios do Papa que diz respeitar a laicidade passaram óleo de peroba na cara e expuseram sua vontade ao governo brasileiro. Otávio Cabral, na revista Veja desta semana, conclui singelamente que pedir não mata ninguém; "o governo brasileiro disse que não adotaria a medida. Ponto final.". É "mais mió" pedir do que roubar...

Mas o verdadeiro êxito da visita será sentido ao longo do tempo: outra brilhante idéia de B16 é tornar sua empresa mais forte por meio de um downsizing. Para os clientes e funcionários mornos e aqueles adeptos do catolicismo à la carte a porta da rua é a serventia da casa. Ele quer fazer crer que a inevitável apostasia de católicos - há décadas uma realidade alarmante para a tesouraria de seu enclave - se dará por estratégia do líder de uma Igreja "que não faz proselitismo", usando suas palavras. As coisas existem ou não existem, acontecem ou não acontecem, por decisão do Papa. Ele já extinguiu com uma canetada o limbo, Pio IX, a grande inspiração para seu combate à modernidade, livrou Maria de um pecado original que de original não tinha nada, já que engravidar de outro antes do casamento é algo mais do que comum, Ratzinger quer fazer crer que a ICAR inventou a família, a paz, a vida, deus e o diabo (estes foram invenções da turma da qual faz parte, é mister reconhecer).

Como se sabe, o downsizing se dará em meio a um fundamentalismo que condena o relativismo - aquela bobagem advinda do Concílio Vaticano II, que ousou chamar os excomungados protestantes de "irmãos separados" e retirar o "pérfidos judeus" do missal da Sexta-feira Santa -, a música dançante ao som de instrumentos ditos profanos, até mesmo a música sacra "operística", cujo expoente máximo é a Missa de Réquiem de Giuseppe Verdi, fundamentalismo este que pretende trazer de volta a missa em latim, para seu anacrônico deus entender melhor as preces, e a separação entre a massa com ovos e a massa sem ovos: mulheres de um lado da Nave, homens de outro.

Será que a pomba jurada de morte por São José, adormecida por quase dois mil anos e recém ressuscitada pelos carismáticos, será expulsa da Igreja Católica juntamente com os elefantinhos e outros animaizinhos que dão glórias a deus ao som dos sapateados de Marcelo Rossi? O artigo 37 da lei de crimes ambientais de nº 9.605 afirma que, se o animal for nocivo às pessoas, ele pode ser sacrificado, desde que sob autorização dos órgãos competentes, que orientarão quanto à forma de abate. Sabemos que os pombos podem transmitir doenças como a toxoplasmose, que pode causar cegueira, aborto - tão combatido pela Igreja - e até a morte, além de histoplasmose, erisipela, salmonelose, candidíase e aspergilose.

A pomba só começou a operar todas as maravilhosas curas, glossolalia e visões proféticas no rebanho católico carismático após os excomungados evangélicos americanos encontrarem uma brecha na lei bíblica - o pentecostes - para inserirem a catarse de seus ritos africanos. Como os cristãos devem analisar os frutos para julgarem a qualidade da árvore - eles para os quais os fins justificam os meios - as cerimônias vodu africanas, plenas de feitiçaria, sacrifícios humanos e orgias sexuais, seriam boas porque permitiram que a pomba voltasse a agir na cristandade.

A debandada para seitas pentecostais seria radicalmente maior se a Renovação Carismática buscasse o contato com a pomba sem música, glossolalia, profecias, danças e catarses, apenas com as mesuras, incensos e obras polifônicas dos compositores que B16 faz revirar no túmulo cada vez que senta ao piano.

Se ele deseja retornar aos bons tempos de Pio IX, imagino que esteja abrindo mão da Renovação Carismática, filha caçula do Vaticano II, que é composta em grande parte pelos que teriam debandado para os concorrentes se a Igreja nunca tivesse brigado pela clientela.

91 comentários:

Kaspar disse...

Quem não é carismático odeia carismáticos

André disse...

Ih... o homem do Santo Súbito voltou... blogs coligados e desligados devem estar apreensivos.

Vc pode escrever sobre qualquer assunto à vontade. Mas se um dia vc escrever algo sobre o Roberto Carlos, ele vai mandar queimar toda a internet e os nossos PCs. São “muitas emoções” pra ele, ele não agüenta...

Como aquele juiz de SP q pensou ser possível instalar um “filtro” no YouTube pra ninguém ver a Daniela caldo de galinha Cicarelli (e só pôr na água e cozinhar por uns minutos q está pronta pra comer, nossa, q machismo imperdoável o meu!) e, diante da impossibilidade, mandou suspender o acesso dos nossos provedores aos servidores lá fora.

Louro José... lembram do último 7 de setembro? A Dona Marisa se vestiu de verde-amarelo e foi chamada disso.

Segue-me! Já fui perseguido por essas hostes nos tempos de Marista.

A guarda imperial até q foi discretinha.

Parece q a questão trabalhista é mais inofensiva, não chegava a tanto. Mas eu não posso confirmar a qualidade da fonte, então não sei se é verdade.

Tornar obrigatório o ensino do catolicismo nas escolas públicas não está certo.

Sobre as isenções fiscais, vcs já sabem o q eu penso disso.

A responsabilidade pela manutenção do patrimônio artístico e arquitetônico católico tem q ser dela, ora.

Querem livre acesso a reservas indígenas e ecológicas pra facilitar o trabalho de padres-geólogos, padres-biólogos e padres-topográficos.

Vcs viram aquele negócio do governo sair “reconhecendo” comunidades quilombolas e quejandos por todo o país e dando território pros caras? Eles estão destruindo o pouco q restou da belíssima Mata Atlântica nessa brincadeira.

O limbo era até uma construção literária interessante. Se fosse pra acabar com algo, pq ele não escolheu algo realmente inútil? Há tantas...

Pio IX livrou Maria desse pecado da gravidez na hora errada? Não sabia.

Os judeus eram pérfidos no missal da Sexta-feira Santa.. E continuam sendo pra muita gente, na prática.

A música sacra (e operística!) já foi condenada por eles? Sem comentários...

Ah, homens de um lado da Nave, mulheres do outro... e os gays no meio!

A pomba jurada de morte por São José... essa foi boa...

Pomba poderosa mesmo é a pomba-gira das religiões afro.

Ele vai dar um jeito de segurar a Renovação Carismática, sem isso eles perdem gente demais.

Anônimo disse...

Caralho, é coice pra tudo que é lado! Catequitus está louco!

Catellius disse...

Faaala André,

"Pio IX livrou Maria desse pecado da gravidez na hora errada? Não sabia."

É só uma brincadeira. Pio IX criou o dogma da Imaculada Conceição depois que Nossa Senhora de Lourdes quis melhorar a própria imagem assoprando a Bernadette Soubirou que nascera sem o tal Pecado Original. Aí eu fiz a brincadeira com a palavra "original". Pio IX acertou em cheio. Realmente ela não nasceu com Pecado Original - ninguém nasceu, na verdade, he he

olho de rua disse...

Gostei de seu blog e vou voltar aqui, pois minha hora chegou pra ir pra facul

Quase tinha lido o artigo pela metade quando vi a hora.

Falou?

André disse...

Catellius, tem uns e-mails legais lá pra vc, quando tiver tempo, cheque.

André disse...

Ah, perdoe minha ignorância apostática, he, he...

Fui me informar com a minha avó, que é um verdadeiro bastião de conhecimento teológico, e ela me falou desse dogma da Imaculadíssima.

E Pecado Genérico, existe? Pecado de Segunda Mão, retificado...

David disse...

Catellius, a visita do "Não pop" Papa foi extritamente comercial: tentou vender produtos meio que mofados, como educação religiosa obrigatória, virgindade ( a primeira virgem que me ligue!), e os etcéteras que você mencionou no texto (que achei ótimo, por sinal).
Em troca dos produtos, ofereceu garantia de absolvição eterna, faltando apenas um 0800 qualquer para reclamar dos possíveis defeitos - uma filha virgem, mas grávida, por exemplo.
Claro que, ao melhor estilo polishop, você compra um produto e leva um brinde, que agora é Santo, com as devidas pílulas acompanhando.
Lembra das placas dos carros do Vaticano? SCV?
Como dizem os romanos:"Se Cristo visse..."

Helder Sanches disse...

Excelente post! O que B16 gostaria era que os povos regressassem à ignorância de outros tempos para ele e a sua trupe poderem chamar a si a propriedade da verdade.

Felizmente que povos e governos têm hoje os olhos bem mais abertos que no passado.

Heitor Abranches disse...

Pois é,

Na minha opinião, uma verdadeira religião pode ajudar o homem a ser um homem.

Como disse o Ratzinger, as ideologias nos desumanizam e deixam em seu caminho um rastro de destruição.

A religião é importantíssima embora as Igrejas, ou seja, a estrutura política da fé seja como qualquer instituição política, ou seja, cheia de políticos e sujeito a todos os problemas associados a isto.

Esta é a grande novidade do mercado sobre a economia planificada estilo comunista soviética onde uma nomemklatura assume o poder baseado em uma teia de relações.

Se existe algo de positivo no mercado e no capitalismo é a liberdade das pessoas empreenderem e a partir da sua capacidade e não das relações ou parentescos com pessoas do partido terem resultados.

Mas há quem goste de Estado Grande e das pessoas pequenas...

Como dizia a tese de um psicanalista o capitalismo oferece a lei mecânica do pai, a impessoalidade que falta no grande líder patriarcal do Estado...

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

... ou como o vosso Presidente prestigiou internacionalmente o Brasil com a seu posicionamento nesta problemática.
Sem dúvida uma posição que duvido tivesse existido se lá estivesse o "tucano" e a sua "Opus Dei".
... "longe vá o agoiro".


Um abraço,

C. Mouro disse...

Essa eu tenho que comentar, foi realmente genial a sacada do Heitor:

"Mas há quem goste de Estado Grande e das pessoas pequenas..."

- Realmente sensacional! O ideal do invejoso é puxar para seu nível aqueles que estão acima. Pois imagina, ou sabe, impossível subir ao nivel alheio. Fora isso, pessoas pequenas são mais baratas.
As ideologias querem pessoas pequenas, frágeis, vacilantes, assustadas e de baixa estima indivoidual ...daí que batem no orgulho individual para enaltecerem o postiço orgulho coletivo. ...pessoas pequenas são coletivistas, pretendem se fazerem representadas por um "algo maior e melhor" que suas deprimentes personalidades. Quanto mais necessitados de fantasia, mais fanáticos serão. Quanto mais confiantes, orgulhosos e seguros de si, menos fanáticos serão, ...não precisarão tanto de enaltecer o que chamo de "mito agregante", já que não se entregam aos valores postiços que o mito lhes empresta, têm os próprios, individuais.
.
Não tenho podido comentar, mas já decidi que quando o puder o farei se criar polêmicas, pois isso, infelizmente, já está me desanimando.
Dificilmente dá resultado imediato. É dificil, num debate, todos tentarem raciocinar e entender o que se está falando. Basta começar a perceber que pode estar errado e logo se passa a tentar gerar confusão através de deturpações e "maus entendidos", além de afirmações levianas e o mais o escambau.

No mais, preciso melhorar meus parcos conhecimentos para comentar neste precioso blog.

Até breve
C. Mouro

Anonymous disse...

Heitor

'Na minha opinião, uma verdadeira religião pode ajudar o homem a ser um homem.'

gostei disso

me explique melhor como eh q funciona

Bocage disse...

EXCELENTE POST!!!!!

Esqueceste de mencionar os anjos, cujo abate foi permitido em território europeu concomitantemente às ameaças de gripe aviária, afinal chafurdam em sítios doentios na África e América Latina e podem transmitir graves moléstias, principalmente as cerebrais.

Sou indulgente com religiões pequenas e inofensivas como o espiritismo, cujos prosélitos acreditam em sandices talvez piores do que as que estão no calhamaço de embustes, e ainda crêem que tudo está provado pela ciência (!) mas não incomodam os demais como os muçulmanos e cristãos.

Sou intolerante com a intolerância de doidos que, de alguma forma, desejam que a sociedade se molde à sua moral absoluta, divulgada por um deus misógino, homofóbico, sádico, anacrônico, violento, vingativo, apocalíptico, infernal. E os líderes católicos granjearam após séculos de desmandos ser contestados com heresias, blasfêmias, exposição de suas artimanhas, com laicismo, muita ciência, racionalidade e baixa tolerância.

Heitor Abranches disse...

Estamos muito acostumados a pensar que o idealismo é algo positivo...Que uma pessoa que pensa em salvar o mundo como foi o caso de um Che Guevara necessariamente vai fazer coisas boas. O nosso carismático guerrilheiro foi juiz e executor diante dos seus inimigos derrotados em Cuba. Foi o coordenador do famoso Paredon. Logo ele, aquele rapaz argentino sensível e tão preocupado com a América Latina...Ele acreditava no poder de uma pistola de mudar a história...Era um idealista muito admirado mas profundamente desumano. Acredito que as religiões verdadeiras se praticadas de uma forma equilibrada servem para ajudar o indivíduo a se tornar mais equilibrado e menos cruel e desumano...Simples assim. Neste época newtoniana estamos nos tranformando em máquinas...mas aí se cai naquele velho chavão...a Revolução começa com cada um...mas é mais fácil encher o saco dos outros, pelo menos para alguns mais carismáticos como era o caso de um Zé Dirceu da vida.

Bocage disse...

E todo dia que saio de casa lá está o tetraplégico a gritar: 'morderei teu nariz, filho de uma rameira!!!!'
Embora saiba que tais ameaças não se consumarão, irritam-me imenso.

Anonymous disse...

Heitor

.............
'Acredito que as religiões verdadeiras se praticadas de uma forma equilibrada servem para ajudar o indivíduo a se tornar mais equilibrado e menos cruel e desumano...Simples assim.'
.............

- Existe religiao verdadeira? Existe mais de uma verdadeira? Mesmo quando a verdade de uma exclui a verdade da outra supostamente verdadeira?

- Ha algo q pode ser praticado de uma forma nao equilibrada?

- O homem eh essencialmente desumano? Aih nao eh o conceito de humano q deve mudar? Ou soh os desumanos devem procurar uma religiao? Vc nao sugere q funciona justamente ao contrario?

.............
'Neste época newtoniana estamos nos tranformando em máquinas...'
.............

- As pessoas estao cada vez mais supersticiosas. O q eh epoca newtoniana? Acao e reacao? Vc quer dizer cartesiana? Imperio da razao?

Anonymous disse...

ou melhor

Ha algo q deva ser praticado de uma forma nao equilibrada?

André disse...

Sou pelo Estado mínimo, eficiente e descentralizado, ainda q dificilmente isso pegue no Brasil um dia. O Estado deve ser reduzido a um acessório da iniciativa privada, deve garantir o cumprimento dos contratos e construir pontes, como prescreveu Theodor Löwe. Mas dizer isso no Brasil é “feio”, é “radical demais”. Bando de mariolas esses que aí estão...

O tucano e sua Opus Dei? O q tem a ver o FHC ou o PSDB com a Opus Dei? Viagem na maionese de além-mar...

O coletivismo é ótimo pra gente q não existe como indivíduo, “enquanto” ser humano, como dizem os pseudos.

C. Mouro, seus conhecimentos não são nada parcos, muito pelo contrário. E não se preocupe em dizer algo q possa causar polêmica e desagrado. Às vezes eu também me canso de ter q ficar dando explicações posteriores, logo vou parar de fazê-lo mas, por outro lado, não ligo mais para eventuais revoltadinhos com algo q eu venha a dizer.

Verdades não excluem outras verdades: elas se complementam.

Época newtoniana: ele quis dizer mecanicista ao extremo. E nossa época também é cartesiana. E hegeliana-marxista burra, mas só na cabecinha dos pseudos.

“Ha algo q deva ser praticado de uma forma nao equilibrada?” Se deve, não sei, mas pode. Por sua conta e risco. Pois já dizia São Paulo (ou outro santo, sei lá): “Nem tudo o que me é permitido me convém.” Essa frase é boa...

Heitor Abranches disse...

Tenho a tendência a acreditar que quando a religião passa a ser só uma questão de aparências e hábitos ela pode deixar de ser verdadeira.

As pessoas não podem dar o que não tem...Se uma pessoa é ávida então ela fará tudo de forma ávida...não equilibrada...cada um tem que encontrar o seu equilíbrio...

Um dos males dos líderes é que eles servem muito para as pessoas muito comodistas que acham que ele tem que resolver os problemas para elas...

Muitos seguidores de líderes não passam de preguiçosos....

André disse...

Bom mesmo é um certo epicurismo na vida.

Sim, e muitos seguidores não passam de parasitas também.

Acho q qualquer coisa q vira uma burocracia deixa de ser verdadeira.

Felipe disse...

Qualquer religião lucra vendendo o q não pode entregar, exceto paz interior, q se consegue de mil outros jeitos. Só isso já seria suficiente para q fossem desmascaradas, estelionatárias q são, TODAS ELAS, mas recebem dinheiro e benefícios do governo sustentado por adeptos de todas as crenças e também por descrentes. Deveriam é pagar mais impostos do q outras empresas.

Deveriam começar pagando IPTUs reais de seus imóveis gigantescos nos centros urbanos. IPTU real da Catedral da Sé, do Mosteiro de São Bento, da Basílica de Aparecida. Se não tiver como bancar, venda pra Universal.

Liberdade de crenças não significa q devamos financiá-las e estimulá-las. Todos têm liberdade pra fumar, desde q não prejudiquem os outros e desde q o cigarro não seja sustentado pelo meu bolso.
Felipe

André disse...

Nisso eu concordo: deveriam pagar TODOS os impostos, e MAIS PESADOS. Pelo Princípio da Transcendência Espiritual Tributária: se daqui nada se leva, então não importa taaaanto assim o que se tem aqui, certo, senhores?

Anonymous disse...

See my body, it's nothing to get hung about.
I'm nobody except genetic runaround.
Spiritual era's gone, it ain't comin' back.
Bad Religion, a cabal, that is all that's left.
Hey mr. mind, stop wasting my time,
With your factory precision.
Factory precision is your
Bad Religion, too good to take.
Indecision, it's not too late.
Bad Religion, Bad Religion.
Don't you know the place you live's a piece of shit?
Don't you know blind faith in life will conquer it?
Don't you know responsibility is ours?
I don't care a think about eternal fires.
Listen this time, it's more than a rhyme,
It's your indecision.
Your indecision is your
Bad Religion, too good to take.
Indecision, it's not too late.
Bad Religion, too good to take.
Indecision, it's not too late.
Bad Religion, Bad Religion,
Bad Religion.

Bocage disse...

Não gostar de religião não implica em escutar lixos como essa Bad Religion!

Letra e música dignas de um altar de carismáticos, rsrs

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

Vais-me desculpar mas há ali acima uma achega ao meu comentário que o André, parece, não terá percebido e vai de "botar" asneira com essa coisa de "maionese" que até não faz bem nenhumá saúde... tal como a "mostarda".

... é que eu refiro-me ao "tucano" que perdeu as últimas eleições e que agora está "coligado" com quem as venceu.

Será que o André terá agora percebido a achega?
E, se percebeu, concordará comigo?
Ou será que a observação por mim feita não corresponde á verdade?

Já agora, e ainda a proósito do teu post anterior, esqueci de referir uma realidade do séc.XXI que se passa na Holanada e que deve dizer muito a todos os brasileiros.

Sabe-se, e está a ser investigado pelas Comissão Europeia, da existência de trabalho escravo naquele país normalmente associado a mão de obra emigrante.

Para quem diz que a Holanda poderia ser exemplo de virtudes no Brasil convenhamos que está realidade actual não dá grande justeza a tal posição.

Um abraço,

André disse...

Tive um amigo que foi parar por acidente numa rodinha de evangélicos na faculdade, num intervalo. Muito engraçado... Ele estava com uma camiseta do Bad Religion e então olharam atravessado pra ele. Há, há, essas ovelhinhas...

só as abatendo mesmo...

André disse...

"é que eu refiro-me ao "tucano" que perdeu as últimas eleições e que agora está "coligado" com quem as venceu."

FHC coligado a Lula? Acho que não, ainda q o PSDB esteja fazendo um papel vergonhoso como oposição.

Well, point taken, Monsieur Moutarde.

And message understood.

No mayonese trip, no way...

Trabalho escravo na Holanda? Bom, se tem na Alemanha, lá deve ter também.

Os holandeses foram colonizadores cruéis na Indonésia. E os afrikaaners sul-africanos descendem deles (comparados a eles, os ingleses eram até bonzinhos).

Ricardo Rayol disse...

Tenho minhas dúvidas se os carismáticos possam ser alijados do processo. B16 vem sistematicamente acatado algusn desses movimentos. O resto foi perfeito. Como toda empresa as vezes é necessário encolher para crescer. E é isso, de forma atabalhoada e antipa´tica, que ele vem fazendo.

André disse...

The European Commission passed a proposal May 16 that would place sanctions -- ranging from fines to jail time -- on companies that hire illegal immigrants. Under the proposal, employers would be liable for taxes, social security and lost wages, and could be disqualified from competing for public contracts. All EU member states have measures against hiring illegal immigrants, but only 19 impose criminal penalties. The measure would have to be endorsed by a majority of the 27 EU members to become law. The European Union currently has an estimated 4 million to 8 million illegal immigrants, with another 500,000 arriving every year. A crackdown on illegal immigrants could harm some EU states' economies, as Europe already faces an aging and shrinking workforce. Immigrants have provided the labor to fill in some of these gaps.

André disse...

Legal...

Reinaldo Azevedo

Lula e os seus bolchevistas

Tenho amigos mais “progressistas” e mais “conservadores” do que eu. No segundo caso, em menor número, porque estou bem perto da ponta, admito. Tenho algumas críticas à política econômica que os que estão à minha direita acham infundadas e dizem me aproximar da esquerda ou de desenvolvimentistas. Eu discordo. Eles defendem a tese de que a área econômica blindou o setor da influência nefasta do petismo, o que é bom. Eu entendo que o efeito prático dessa eficiência é reforçar o petismo, que não tem caráter. O debate seria longo, não se esgotaria neste texto. Mas por que digo isso?

Porque um desses amigos, bem poucos, que ficam à minha direita me telefonou para me sacanear. “Pô, até o Jabor falou bem da entrevista de Lula; só você foi meio azedo com o presidente”. Ele passou a empregar esse adjetivo pra me provocar depois que Ricardo Noblat se referiu a um certo “blogueiro azedo e missionário”. Encontrei Noblat num restaurante na quarta-feira passada. Eu lhe perguntei se o blogueiro azedo era eu. Ele disse que não. Vai ver existe um outro, hehe.

O que escreverei abaixo é mais ou menos a resposta que dei a esse amigo. Em primeiro lugar, Jabor gosta do governo não é de hoje, o que é um direito dele. Ele entende que Lula é uma espécie de gaveta vazia que vai sendo preenchida por badulaques. Quando esses badulaques têm a marca do que Jabor chama “bolchevistas do PT”, ele reage e ataca Lula. Quando o Apedeuta reza a lição da democracia e diz coisas que ficariam bem na boca de um liberal, então o cronista o elogia. Jabor parece empenhado em afastar Lula das más influências do petismo. De algum modo, ele compartilha o sonho de algumas fatias do próprio PSDB: “Esse cara, num partido social-democrata, bateria um bolão”.

Pois é. Não compartilho dessa crença — ou, para ser exato, do resumo que faço da crença do Jabor (ele pode achar que sou inexato da minha síntese). Sabem que não tenho apreço pelo, vá lá, pensamento de Lula. Vocês não ignoram que deploro a sua monumental ignorância; a seu método indígena de aprender, sempre pela tradição oral. Na coletiva de ontem, vimos o exemplo. Segundo o Demiurgo, a população se revoltou contra Oswaldo Cruz por causa do remédio contra a febre amarela. Não. Foi por causa da vacina obrigatória contra a varíola. Para Lula, tanto faz. Ele pensa por aproximação. O Brasil está para Lula como o realidade que me cerca está para mim quando tiro os óculos. Míope — na verdade, miopíssimo —, vou vendo o mundo por aproximação, presumindo o que não enxergo. E, claro, sem os óculos, vejo as coisas mais absurdas — com base no que elas parecem ser. E Lula, está claro, não aceita os óculos do entendimento. Ele acha que já sabe tudo. Pois bem, mesmo pensando muito mal dele, jamais escrevi que é burro. Ao contrário: o Babalorixá é um homem inteligentíssimo e dono de grande sagacidade política.

Antes que vá ao ponto — a saber: Lula não é tentado pelo mal; ele é o mal —, ainda uma nota sobre essa esperteza. Desde o começo de sua carreira, o homem percebeu que havia na intelligentsia brasileira uma espécie de carência do “operário-pensador”. As lideranças históricas da esquerda brasileira conheciam o povo de ouvir falar. Mesmo um Luiz Carlos Prestes, que teve uma origem pobre, despontou para a vida política depois de ilustrado pelo positivismo dos militares e pelo marxismo. Não trazia consigo aquela ignorância fundadora, quase telúrica, que sempre fez o charme de Lula. Infeliz ou felizmente, conheço o petismo de perto, coisa do comecinho da década de 80. Eu vinha da militância trotskista, que, à época, o via com grande desconfiança. Naquele tempo, os trotskistas eram convidados à leitura — pra valer. E havia a mística de que Trotski fora, afinal, também um intelectual, também um teórico.

A rusticidade intelectual de Lula, as suas análises grosseiras, os seus discursos sindicais, que já tinham um pé no populismo, deixavam a seita a que eu pertencia um pouco amuada. Abandonei aquela baboseira antes que ela se diluísse no PT, mas me lembro que a consideração era mais ou menos esta: “Lula é só um aliado eventual, tático. Não faremos socialismo com ele”. Adiante. O resto do PT, no entanto, especialmente aquela vertente da esquerda intelectual uspiana, vibrava com o nosso primeiro operário autêntico. A trapaça consistia, para gáudio de muitos, em verter em teoria os chutes que Lula ia dando na prática. A especialista no procedimento, na década de 80, foi, por excelência, Marilena Chaui. Lula discursava, e Marilena o lia à luz de Spinoza. Não que Lula estava se tornando um spinoziano; o Spinoza de Marilena é que ia virando um petista.

Bem, o fato é que ele percebeu que havia uma demanda por esse “operário prático”, oportunista, vindo de baixo. E foi se plasmando um caráter que, disse em outro texto, é despido de superego. Lula não tem limites. Ele acha que tudo lhe convém porque tudo lhe é permitido. Ou o contrário. Tanto faz. E um partido se formou, acreditem, tendo esta personagem como o grande mestre e o grande condutor. Lula tinha, afinal, o que as esquerdas brasileiras nunca tiveram: povo. Até ali, qual tinha sido a participação popular nas aspirações socialistas? A radicalização pré-1964, vocês se lembram, estava dentro do próprio governo, que promovia também baderna militar, e em fatias do estudantado. O povo só aparecia como caricatura do realismo socialista nas peças do Centro Popular de Cultura, da UNE. Tanto é assim, que veio o golpe, e ninguém deu um pio. Os próprios militares haviam se preparado para uma resistência longa. Não houve. Os confrontos entre 1964 e 1968 foram todos protagonizados pelos radicais de classe média.

Lula, enfim, vinha com a autoridade do povo. E se constituiu no chefe inconteste do PT, a que se agregou boa parte dos derrotados de 1964. O eixo do partido, de todo modo, foi o então novo sindicalismo de São Bernardo, que depois evoluiu para a criação da CUT, verdadeiro celeiro de quadros do governo e verdadeira máquina que toca a administração. Lula não aproveitou as oportunidades que teve para se instruir ou ganhar algum requinte intelectual. Ao contrário: os seus sucessos, ainda que como líder oposicionista, só o convenciam das virtudes de seu método indígena de aprendizado. Sempre pelo ouvido, sempre de ouvir dizer.

Sem dúvida, ele deu à esquerda brasileira o que ela não conhecia até ali: senso prático e uma base social. Mas o petismo, ainda que marcado por esse pragmatismo sindical, fez-se como um partido de esquerda, tornando-se o herdeiro — ainda que roubando muito da história alheia — da chamada tradição socialista. Os petistas com alguma alfabetização política se sentem, não tenham dúvida, os continuadores legítimos do jacobinismo, do marxismo, das lutas dos oprimidos. É evidente que não é possível pensar num revolucionário russo olhando, por exemplo, a figura de um Luiz Marinho. Ele é outra coisa: é o burguês sem capital da nova classe social que chegou ao poder. Vale dizer: o petismo conserva do bolchevismo o autoritarismo, a idéia de que o partido deve substituir a sociedade, a luta para que governo, estado e partido estejam todos enlaçados por um mesmo ente de razão. E Lula é a personagem central dessa construção, embora ele próprio, com efeito, tenha uma outra história, venha de uma outra tradição.

Acontece que eu não acho que Lula melhore o PT. Ele até o torna pior porque o vende pelo que não é, tornando-o mais palatável. O presidente não é alguém, como quer Jabor, que esteja em contraste com os “bolchevistas” do partido; ele é a figura que dá funcionalidade a esse bolchevismo, mitigando o seu caráter totalitário e tornando aceitáveis arreganhos autoritários que em outros não seriam tolerados. Ou algum outro brasileiro teria resistido ao mensalão — sempre lembrando os erros da oposição, claro? Quando foi preciso, os “bolchevistas” de que fala Jabor, das mais variadas matizes, saíram carregando pelas ruas o corpo de Lula, como um cristo operário perseguido pelas elites. Ninguém poderia representar esse papel. Só ele. Se estivermos vivos até lá, é claro que um dia a natureza se encarrega de pôr fim a essa combinação...

Serei o único a escrever textos “azedos” sobre a coletiva? Vocês sabem a importância que dou a isso... Vamos ver. Peguemos todas as coisas virtuosas que Lula disse e vamos nos indagar se ele poderia ter dito o contrário. Afirmaria o quê? Que a política cambial está errada? Que os juros estão muito altos? Que é preciso botar uma canga no banco central? Que quer o terceiro mandato? Que os oposicionistas são uns cretinos? Que não agüenta mais o balcão de negócios do PMDB? No que foi bem, foi óbvio, acaciano até. A tarefa também resultou facilitada porque as perguntas praticamente se resumiram aos cinco meses de seu segundo mandato, como se não tivesse havido o primeiro. E convenham: há pouca coisa a perguntar sobre o período e pouca coisa a responder. Restou de relevante o mantra: a política econômica não muda. Bem, nunca mudou, nem quando Lula assumiu o primeiro mandato.

Destaco também sua opinião sobre a greve dos servidores, que seria moderna. Eis o Lula empenhado em ter instrumentos que removam empecilhos a seu governo — embora os estaduais também se beneficiassem da regulamentação da questão nos termos propostas pela CGU. Já disse: eu sou contra qualquer greve de servidores. Acho que o expediente deveria ser proibido no serviço público. Não sendo assim, fico com a sugestão apresentada. Mas pergunto: isso é uma mudança do PT, um amadurecimento do partido, ou a legenda continuará a mobilizar os servidores contra os governos dos Estados, a exemplo do que faz, de forma descarada, em São Paulo? A resposta é óbvia.

É, o Lula desta terça significou o PT em seu estado de arte. Nem parecia que o presidente que falava e o ministro que organizava o evento estão empenhados na criação de uma certa TV Pública, mais uma forma de tentar perenizar o petismo numa estrutura do estado. O Lula que falava ali, vejam só, parecia um líder liberal, e não o chefe inconteste do bolchevismo possível.

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Bom final de semana pra todo mundo!

Bocage disse...

De Carlos Esperança
Sexta-feira, Maio 18, 2007

Vaticano confirma «liberalização» da Missa em Latim

Cansado da indiferença de Deus, o Papa regressa ao latim. É a tentativa desesperada de quem nota o desprezo divino e o desinteresse dos crentes. B16 pensa na possibilidade de se fazer entender por Deus e na vantagem de que os fiéis o não compreendam.

Partindo da premissa de que o analfabetismo favorecia a fé, o Papa terá concluído que a língua morta é ideal para estupefazer os crédulos e evitar perguntas sobre as mentiras da sua Igreja.

Quanto menos se conhecerem as mentiras da Igreja mais se acredita no martírio de Deus e na virtude dos padres. O Vaticano não esconde o pretendido regresso ao Concílio de Trento e Vaticano I. O Concílio Vaticano II foi o Diabo que apareceu à ICAR. É com o mistério e os segredos revelados por virgens que poisam nas azinheiras ou mergulham em grutas que se mantém florescente o negócio.

Cristo, morto há dois mil anos, não sabia latim mas fizeram desaparecer o cadáver para criar o mistério e ampliar a pantomina. O latim veio depois e foi imposto como língua sagrada mas, sem latim e sem Inquisição, não houve fé que resistisse ao Iluminismo e ao livre-pensamento.

Mais tarde impor-se-ia uma cópia grosseira do cristianismo - o Islão - adoptando o árabe como língua sagrada e usando decapitações, vergastadas e lapidações, como suplementos evangelizadores. Os resultados estão à vista - crentes cada vez mais rudes, violentos e convictos.

B16 segue-lhes o exemplo. Por ora regressa ao latim, as fogueiras virão depois. Um bom inquisidor faz mais pela fé do que as orações, os sacramentos e as homilias.

Simone Weber disse...

Ótimo artigo, amigo Catellius!

Sei que tuas críticas, ainda que apimentadas por ironias, são fruto de tino, honestidade, erudição e de debates com crentes e descrentes. Para os distraídos, todavia, tuas ironias serão apenas ridicularização.

Beijocas!

Heitor Abranches disse...

Andre,

Adorei esta definicao do Reinaldo de Azevedo. O PT e exatamente isto....o bolchevismo possivel.

Se eles pudessem transformariam isto aqui numa Cuba...

Este e o verdadeiro sonho desta geracao de 68.

André disse...

O latim, romano, foi apropriado pelo cristianismo. Mas até aí tudo bem, é o curso normal das coisas. Quem chega depois sempre aproveita muito do que havia, do que já existia. História, afinal.

O Iluminismo também teve seu lado radical e obscurantista, mas foi infinitamente mais “bom” do que “mau”. E a demolição sistemática dos dogmas da Igreja (e de outras igrejas também) começou com esse movimento. Desde então não parou mais.

O islamismo é uma cópia grosseira do cristianismo? Não sei, são tantas diferenças. Mas há pontos de contato. P. ex., Jesus consta da teologia islâmica, ainda que seja considerado apenas mais um profeta, nada além disso.

Não acho q as fogueiras voltarão. Mas o Bocage tem razão em se preocupar com esse com essa nova Inquisição, muito tímida ainda, que parece querer voltar.

Sim, Heitor, só resolvi colar esse texto aqui pq o achei impressionante. Esse aqui também é ótimo:

http://execout.blogspot.com/2007/03/tudo-muito-bem-explicado.html

Concordo com vc, e acho q muitos deles têm um ressentimento enorme porque não puderam, não tiveram força no momento ideal, pra fazer o q sempre sonharam:transformar isso aqui numa Cuba. Eles adoram essas ditaduras tropicais de esquerda ridículas, seja a do Fidel ou a venezuelana, simplesmente adoram. É uma paixão juvenil q não passa, não tem jeito. Esse é o grande ressentimento da geração de 68, sem dúvida.

É engraçado, e já li muito sobre isso, essa gente q hoje está bem no PT e q nos anos 80 escrevia sobre o Lula com o maior desprezo. A velha história de q ele seria só um sindicalista pau-de-arara temporário, um agitador de massas útil para aquele momento, mas q é evidente q não chegaria a líder, q seria descartado depois de bem usado por eles, os "intelectuais" do Partido. "Não vamos fazer a revolução com ele, nem com os proletários", diziam os intelectuais de classe-média q imaginavam representar esse povão todo. Até parece... Mal representam a si próprios. Eles têm nojo de povo, e depois quem os critica é q é "elitista". Boa parte dessa gente q nos desgoverna hoje é esse pessoal aí.

Heitor Abranches disse...

Estes esquerdistas sao os perfeitos idiotas latino-americanos sempre prontos a serem subjugados por qualquer ditadorzinho de merda ou pelo Imperio da ocasiao.

Catellius disse...

André,

"Mas se um dia vc escrever algo sobre o Roberto Carlos, ele vai mandar queimar toda a internet e os nossos PCs. São “muitas emoções” pra ele, ele não agüenta..."


Acho que aquilo tudo foi marketing, pois cansei de ver o livro nas prateleiras da Leitura, FNAC, Cultura e outras livrarias. Como muitos outros da década de 70, o "Rei" gostava é de Natu Nobilis, Cocaína e Sexo. O item "menores de idade" pega muito mal, de fato. Acho que esse tipo de crime não poderia prescrever. Se for provado que ele praticava tais baixezas com o Imperial (Rei e Imperial, tudo a ver), deveria ir para a jaula, onde só poderia receber advogados, cabeleireiros para ajeitar a escova e a hóstia na hora da visita íntima.

"Segue-me! Já fui perseguido por essas hostes nos tempos de Marista."

Aquilo era muito engraçado, assim como o Avestruz, oops, Emaús. Tinha a hora de rir, comandada por palhaços piores do que o Tiririca, a hora de chorar, quando "Maria" dava uma rosa para cada participante, e a hora de voltar para casa, onde a família esperava o neófito com balões, confetes e serpentinas. Depois ele iria "trabalhar" no Segue-me. Se fosse bonitinho(a) ia para o grupo de animação ou para algo com visibilidade, se fosse um nerd espinhento ia recolher lixo ou limpar o banheiro. Antes que alguém pergunte para qual trabalho fui escalado, respondo que não trabalhei no Segue-me, he he.

"Parece q a questão trabalhista é mais inofensiva, não chegava a tanto. Mas eu não posso confirmar a qualidade da fonte, então não sei se é verdade."

Eu tampouco. Só repeti o que eu li em alguns lugares. A "verdade" me foi revelada, he he.

"O limbo era até uma construção literária interessante. Se fosse pra acabar com algo, pq ele não escolheu algo realmente inútil? Há tantas..."

Acho que deveriam acabar com o Inferno, por causa da crise dos combustíveis fósseis e do aumento do efeito estufa, he he.

"Os judeus eram pérfidos no missal da Sexta-feira Santa.. E continuam sendo pra muita gente, na prática."

Conheço judeus "culturais", que são ateus mas que participam das festas religiosas. Eu, do mesmo modo, vou a festas juninas, comemoro o Natal e a Páscoa, principalmente porque tais festas existiam muito antes de receberem os nomes que têm hoje. Solstício de Inverno, de Primavera, etc.

"A música sacra (e operística!) já foi condenada por eles? Sem comentários..."

Música sacra com influência da Ópera. Citei o exemplo do Réquiem de Verdi. Para quem não conhece, ouça o comecinho do Dies Irae - Dia da Ira, o juízo final. Claro que, teatralmente, a mitologia cristã funciona muito bem! E eu gosto muito, do mesmo modo que gosto da história de Medea e de Orfeu. Verdi compôs o conjunto de peças sacras mais ou menos na época de Otello, uma ópera violenta que contém trechos que lembram tanto o Mefistófeles de Arrigo Boito, libretista de Otello e Falstaff, quanto o próprio Réquiem. Verdi começou compondo o "Libera me" para o funeral de Manzoni, escritor de I Promessi Sposi (Os Noivos).

"Ele vai dar um jeito de segurar a Renovação Carismática, sem isso eles perdem gente demais."

Claro! Minha intenção foi mostrar, em primeiro lugar, a loucura que é toda essa ação do "Espírito Santo", uma vez que a coisa é uma descarada cópia dos maneirismos evangélicos, e demonstrar que eles são fruto da briga por clientela. Obviamente continuarão a tolerá-los. São um mal necessário, pois são os únicos que ainda têm gás para evangelizar com autenticidade.

Abraços

Catellius disse...

David,

"...faltando apenas um 0800 qualquer para reclamar dos possíveis defeitos - uma filha virgem, mas grávida, por exemplo."
"Claro que, ao melhor estilo polishop, você compra um produto e leva um brinde, que agora é Santo, com as devidas pílulas acompanhando."


Ótimo, David, he he. Eles estimulam o consumismo ao seu modo. Aliás, B16 condena o consumismo e parece ter fixação com Mercedes-Benz, óculos de grife, touquinhas de arminho. E é vaidoso como poucos octogenários costumam ser. Tocou um pedaço de um Momento Musical de Schubert para a imprensa ver e retirou as mãozinhas do teclado e fez aquela carinha de "só sei até aqui" bem na hora do difícil arppegiando. Um narcisista, isso sim!

--//--

Helder Sanches,

"O que B16 gostaria era que os povos regressassem à ignorância de outros tempos para ele e a sua trupe poderem chamar a si a propriedade da verdade."


Simplesmente impecável! Eles desejam ser superiores aos demais e isto só é possível, nos dias de hoje, rebaixando todo o resto. Como em um filme antigo, talvez com o Woody Allen, em que um ditador maluco e baixinho (parece ser a regra) tinha planos de espalhar um gás que mataria todos os homens do mundo que tivessem mais de 1,60m de altura, para ele ser o mais alto do planeta. A ICAR bem que gostaria de retornar ao tempo em que a Suma Teológica era considerada ciência!

--//--

Grande Heitor,

"Como disse o Ratzinger, as ideologias nos desumanizam e deixam em seu caminho um rastro de destruição."


Não vejo diferença entre religiões e ideologias, a não ser o aspecto metafísico da primeira e a vontade dos prosélitos em partilhar da onipotência do deus que inventaram, tentando controlá-lo por meio de preces para que interfira naquilo sobre o quê são impotentes, principalmente a morte.

"A religião é importantíssima..."

Talvez na hora do culto, onde as pessoas vêem umas às outras. Nas festas... Fora daí, além de não ver utilidade, acho que funciona como muletas que auxiliam os enfermos a andarem, ainda que de um modo capenga, acreditando que cairão se as largarem, sem saber, porém, que podem caminhar sem elas. Andarão mais rápido e mais elegantemente. E terão menos dores nas costas ao fim do dia. Religiões não sobrevivem onde não há medo. O conceito de imortalidade não sobreviveria onde não houvesse medo da morte.

--//--

Viva Mostardinha!

"Sem dúvida uma posição que duvido tivesse existido se lá estivesse o 'tucano' e a sua 'Opus Dei'."


Eu votei no Alckmin, apesar de suas preferências religiosas. A Opus Dei é realmente perigosa na Espanha. Acho que por aqui não fede nem cheira. Espero que continue assim. O brasileiro não adere muito a vertentes tão rígidas de catolicismo, principalmente se tiver de usar um cilício sob as calças, he he. Um tucano um pouco mais influente do que Alckmin é o ex-presidente FHC, um ateu que disse acreditar no deus dos católicos para não perder a eleição.

Um grande abraço!



Amanhã comento mais! Abraços a todos!

André disse...

Por falar em perfeitos idiotas latino-americanos, adoro aquele livro com esse título, o manual do perfeito...

Há, há, Catellius, Natu Nobilis, o famoso whisky nacional. Já me deu dor de cabeça, e quem não teve por causa dele? Tem também o Old Eight, famoso Odeio-te ou Odete.

Ah, isso eu não sabia: ele e o Carlos Imperial gostavam de crianças, naquele sentido? Isso é muito grave.

Muito engraçado tudo oq vc escreveu sobre o Segue-me...

O Inferno deve queimar muito carvão etéreo.

Bocage disse...

Rei Roberto, Rei Pelé, Carlos Imperial, Xuxa rainha dos baixinhos? Antes o REIginaldo Rossi, rsrs

Bocage disse...

C. Mouro,
'...mas já decidi que quando o puder o farei se criar polêmicas, pois isso, infelizmente, já está me desanimando.'

Duvido muito. Quando um traseiro implorar para que o chutes, não hesitarás em tatuá-lo com a sola de teu sapato. E é melhor que seja assim! rsrs

Catellius disse...

Grande C. Mouro,

"O ideal do invejoso é puxar para seu nível aqueles que estão acima. Pois imagina, ou sabe, impossível subir ao nível alheio. Fora isso, pessoas pequenas são mais baratas."


Você acrescentou isso ao que o Heitor escreveu, que vai ao encontro do que o Helder Sanches escreveu e ao meu exemplo do filme do ditador baixinho. Neste caso e nos outros, como o invejoso com complexo de inferioridade sabe (ou imagina) que é motivo de escárnio, exige um ar sisudo e sagrado ao seu redor.

"...não precisarão tanto de enaltecer o que chamo de "mito agregante", já que não se entregam aos valores postiços que o mito lhes empresta, têm os próprios, individuais."

Pô, não fique entregando o ouro que o seu texto sobre as cicatrizes e beiços de botocudos está a caminho, desde que você permita, claro, he he.

"No mais, preciso melhorar meus parcos conhecimentos para comentar neste precioso blog."

Ha ha ha ha! Gostei do jeito que você escreveu o "estou meio sem tempo e saco, mas daqui a pouco volto para a 'pugna'". Como sabemos, mentirinhas (ou exageros) como esta são imprescindíveis nas relações sociais. A sua aprovação é uma honra e um grande estímulo, claro, mas peço veementemente que você e todos os outros discordem dos membros do blog quando escrevermos asneiras. E com ironias e "ha ha ha"s se for preciso, he he he.

--//--

Bocage,

Ótima essa dos anjos. Assholes inúteis. Eles são a prova viva de que os homens criaram deus à própria imagem e não o contrário. Como escreveu Voltaire em seu Dicionário Filosófico, os homens viam que os reis tinham mensageiros e trataram de presentear sua criatura onipotente, onisciente e onipresente com.... mensageiros! inúteis!

"Sou indulgente com religiões pequenas e inofensivas como o espiritismo, cujos prosélitos (...) não incomodam os demais como os muçulmanos e cristãos."

Normalmente são católicos para o rapaz do senso, pois definir-se de um modo diverso, aqui no Brasil, pode significar para uns o mesmo que dizer "sou marsupial".
Concordo com você. Costumam ser inofensivos. Acho que por não possuírem um livro sagrado com preceitos morais absolutos, como judeus, cristãos e muçulmanos, com condenação eterna e paraíso eterno, tendem a aceitar melhor os que pensam de um modo diferente. Mas, é claro, têm crenças extremamente absurdas! Como a população mundial sempre aumenta e as almas deveriam ter sempre o mesmo contingente, uma vez que reencarnam, os crentes se viram obrigados a criar a hipótese ad hoc de que novas almas chegaram da estrela Capella e que outras tantas eram criadas do nada. Aí explicam que os muito inteligentes vêm de Capella, os normais são os reencarnados e os pouco evoluídos (os religiosos, he he) são almas novinhas em folha. Se a doutrina não é exatamente esta, corrijam-me por favor. Nunca me interessei muito pelo espiritismo.

"Sou intolerante com a intolerância de doidos que, de alguma forma, desejam que a sociedade se molde à sua moral absoluta..."

Exatamente. Por que os líderes católicos não se limitam a conclamar o próprio rebanho a seguir seus preceitos? Por que querem impô-los ao resto da sociedade por meio de leis? Loucos!

--//--

Heitor (de novo),

"Neste época newtoniana estamos nos tranformando em máquinas..."


O mundo está mais religioso do que há vinte anos. Mais materialista, consumista, medroso e religioso. Tenho comigo uns números que divulgarei em breve em um novo artigo.

"Tenho a tendência a acreditar que quando a religião passa a ser só uma questão de aparências e hábitos ela pode deixar de ser verdadeira."

Sim, faltaria a vivência da fé. E o que é vivência da fé? Para o skinhead é reverenciar Hitler, discriminar homossexuais, pregar a discriminação, sei lá. Ora, a vivência das práticas da fé nunca foi das maiores no catolicismo, mas mesmo este pouco tem diminuído bastante. Na verdade, a fé cristã não é para ser vivenciada; serve para que as pessoas se sintam culpadas por não vivenciá-la. E esta culpa é explorada de mil maneiras possível em benefício daqueles que lucram com a representação comercial do deus único. O cristianismo é a bela cenoura amarrada à frente da cabeça do animal de tração - o crente - que puxa a dourada carruagem onde passeiam os líderes religiosos. E estes não o poupam de vergastadas no lombo, afinal ele é um pecador, ele não puxa com a presteza necessária! E não cansam de repetir que a melhor coisa do mundo é ser um animal de tração e que a cenoura será dele quando a alcançar...

"Muitos seguidores de líderes não passam de preguiçosos...."

Concordo. E acho que rezar faz mal. Duas pessoas presenciam uma injustiça e ficam profundamente incomodadas. Uma delas não julga o agressor e ainda vai para casa rezar pelo agredido. Como acha que o está ajudando, movendo um ser onipotente por meio de preces, palavras mágicas, ficará mais tranqüila e seguirá sua vidinha com a sensação de dever cumprido. Assim, em suas ações autistas, os beatos prejudicam a sociedade, ao meu ver. A outra pessoa, em oposição, não encontrará alívio para seu incômodo de um jeito tão fácil. Penso que esta insatisfação pode ser um bom motor para a evolução da sociedade e para o incremento da justiça.

Catellius disse...

Felipe,

"Deveriam começar pagando IPTUs reais de seus imóveis gigantescos nos centros urbanos. IPTU real da Catedral da Sé, do Mosteiro de São Bento, da Basílica de Aparecida. Se não tiver como bancar, venda pra Universal."


Bravo, ha ha!

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Viva Mostardinha! (de novo)

"Sabe-se, e está a ser investigado pelas Comissão Europeia, da existência de trabalho escravo naquele país normalmente associado a mão de obra emigrante."


Mesmo se eu pudesse alterar o passado, preferiria ver o Brasil colonizado por portugueses a holandeses. Embora todos meus bisavós tenham nascido no norte da Itália, próximo à fronteira com a Áustria, identifico-me com os portugueses e seu legado no Brasil. Não me refiro aos jesuítas, à reeducação dos silvícolas, à vil escravidão - que como você bem lembrou, não era exclusividade portuguesa - e a oportunistas como D, Pedro I, que proclamou a independência e abandonou o país ao caos para lutar em Portugal pela sucessão -, mas ao espírito livre daqueles empreendedores, navegadores, à capacidade de miscigenação, talvez pelos séculos durante os quais foram dominados por homens de tez escura avançados na matemática, astronomia, filosofia e em outras matérias.

Abraços a todos!

Catellius disse...

Grande Ricardo Rayol,

"Tenho minhas dúvidas se os carismáticos possam ser alijados do processo."


Como respondi para o André, também duvido. Minha intenção real foi expor que o fruto das recentes brigas por fiéis - os carismáticos - é considerado bom. Mas B16 afirma que a ICAR não deve brigar por fiéis. Eles devem acorrer a ela por atração. ha ha ha! Isso mesmo, por isso o Padre Marcelo e seu bispo oportunista continuam "atraindo" multidões.... ....imitando evangélicos!

--//--

Cara Simone,

Obrigado! E quando você nos presenteará com um novo artigo? Você só me mandou um, que já ficou um pouco desatualizado depois de Ségolène Royal ter perdido as eleições na França. Faço o pedido em público porque em privado não tem adiantado muito :)

Bocage disse...

Catellius, há um problema com tua parábola: amarrada à frente do focinho do asno não está uma cenoura de verdade mas uma bela pintura de uma fruta deliciosa que ninguém nunca viu, a qual, alegadamente, dá a imortalidade a quem a provar. Anima-se o pobre animal quando os seus donos arranjam outros asnos para testemunharem já ter provado da fruta após alguns anos de trabalhos forçados...

Ainda bem que mudaste de ícone. A imagem anterior depunha contra tua masculinidade, rsrs

André disse...

No Brasil, até alguns protestantes mais elitistas são católicos, he, he. Ou disfarçam dizendo apenas que são cristãos.

Alguns espíritas podem ser chatos, se vc der corda. Bem como gente de outras religiões. Evangélicos, na escala Padre Quevedo de chatice, são imbatíveis.

Eu, particularmente, gosto do chato tagarela. Gosto de dar corda e em seguida ouvi-los, como Freud fazia com as histéricas. O ruim é o chato perguntador.

Se a população aumenta, então existem pelo menos dois tipos de almas: as em reencarnação ou reencarnáveis e as novinhas em folha, q ainda não vieram pra cá “sofrer”, ou, como eles gostam de dizer, “evoluir”. Pobres almas novinhas, vão apanhar pra burro, entrando, saindo e reentrando deste mundo q Freud muito corretamente definiu como o inferno de algum outro planeta ou dimensão.

Bom, eu preferiria “evoluir” mais rápido e em outro planeta.

Conheço pencas de espíritas aqui em Brasília.

Já ouvi de vários deles q eu sou um espírito “muito antigo”, “evoluído”, “vivido”, “ experiente”, etc e tal. Imagino pra quantas pessoas eles não dizem essas coisas... O problema é q essa tal evolução nunca termina.

Eu queria ver era o estágio final, supremo, nem tanto o espiritual, mas o material. Eu quero é a cenoura suprema. A última vida aqui, a que precede a ida definitiva para o tal plano ultrasuperhipermegasuperior.

Afinal de contas, tem q haver uma hora em q a pessoa reencarna aqui pra levar uma puta vida, com tudo correndo perfeitamente, e sempre com tudo do bom e do melhor. Mas aí eles desconversam e acusam a gente de materialismo excessivo, de não entender as sutilezas do criador supremo, essas coisas. É, eu acho q sou péssimo com sutilezas.

Mas não discuto ou brigo com eles. Só ataco alguém pra valer se atacado antes, o q é raro. E eles são calminhos, tolerantes. E não fazem proselitismo, o q também é bom.

C. Mouro disse...

Essa da cenoura é show mesmo.
Tenho um texto, "O fim supremo", onde essa imagem, da cenoura amarrada ao asno, é algo característico das ideologias, que fazem os fiéis sempre perseguir o "fim supremo" sem jamais alcança-lo; e nem podem, ou o encantamento se esvai.
Esse texto faz uma mistura aparentemente imprópria com a escravidão, tão pouco percebida.

Aliás, "é preciso nos afastarmos da floresta para percebe-la em sua plenitude"; lógico, pois dentro dela a visão é limitada, ela mesmo nos impede de percebe-la.
.
É curioso como com um certo enfraquecimento moral do socialismo após a queda do muro, a religião tem se apresentado para substitui-lo. Dos socialismos passamos para as religiões. Ou seja, muda-se da caca para a titica. Pois percebo que as religiões estão ocupando o espaço que, delas, os socialismos ocuparam.

...Ainda acabo levando a sério minha maionésica especulação da útil "estratégia do bode ideológico".

Ah! essas ideologias, será possivel que algum dia virem passado?

Abraços
C. Mouro

André disse...

Ainda melhor do q a cenoura: quero é a avelã suprema. Quem viu o final de A Era do Gelo 2, com o impagável esquilo pré-histórico Scratch, sabe do q estou falando.

@BR@@O disse...

No plano divino, o milagre serve então para quebrar a rotina: impede que o povo se instale numa religiosidade ritualista e repetitiva, que tudo reduz a “um mandamento inculcado pelos homens”; provoca sobressaltos de consciência, mantendo vivo o espanto, indispensável nas relações com Deus. O milagre atual ajuda a compreender o milagre habitual da vida e do ser, em que estamos imersos e que sempre corremos o risco de perder de vista ou banalizar. Ao mesmo tempo, serve também para confundir a “inteligência dos inteligentes”, isto é, pôr em salutar crise a pretensão da razão de tudo explicar e rejeitar aquilo que não é capaz de explicar. Rompe tanto com o morto ritualismo como também com o árido racionalismo. Entendido biblicamente, serve, portanto, para elevar e não para rebaixar a qualidade da religiosidade.
O milagre na Bíblia, de resto, nunca é um fim em si mesmo; muito menos serve para exaltar quem o realiza e destacar os seus poderes extraordinários. Ele é um incentivo e prêmio da fé. É um sinal (é assim que João prefere designá-lo): deve servir para elevar a um significado. Por isso, Jesus se entristeceu quando, após a multiplicação dos pães, percebeu que eles “não tinham compreendido o sinal dos pães”.
O significado do milagre parece ambíguo no próprio Evangelho. É visto ora positiva, ora negativamente: positivamente, quando recebido com gratidão, alegria, e suscita a fé em Cristo; negativamente, quando é exigido, ou mesmo pretendido, para se crer: “Se não virdes sinais e prodígios, não credes...” (Jo 4,48). “Os judeus pedem sinais...” (1Cor 1,22).

Raniero Cantalamessa
O Canto do Espírito (pág. 204)

C. Mouro disse...

....hehehe!
muito boa:

"Se a população aumenta, então existem pelo menos dois tipos de almas: as em reencarnação ou reencarnáveis e as novinhas em folha, q ainda não vieram pra cá “sofrer”, ou, como eles gostam de dizer, “evoluir”"

E eu junto a isso a pergunta sobre bebês que morrem sem entenderem nada, e mesmo os fetos.
...Pô! como funciona isso?
Ou seja, eu penso mesmo é que quem inventa ideologias não é perfeccionista, até porque se fosse não as inventaria, mas se inventassem seriam tão possíveis que não atrairiam fiéis. Pois parece que quanto mais inverossímil,quanto mais estapafúrdia, mais a ideologia atrai e fanatiza. De certa forma isso é lógico, pois só há fanáticos onde há o medo de perder a fé, ou o medo de ficar sozinho crendo numa tolice. Afinal, o fanático o é não por fé, mas justamente por dúvida, por medo de não conseguir crer em algo tão conveniente, e, claro, a companhia facilita-lhe a crença.

Se começamos a questionar as ideologias, descobriremos que são mau formuladas, cheias de furos que são cobertos cada questão e acabam descobrindo outros e fica uma grande miscelânia só resolvida pelo mantra obscurecedor e "vacinas", como diz o Catellius, estapafúrdias.
Ideologias são feitas para crentes que querem crer que alcançarão a cenoura, e não saber não é possível alcança-la.

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

Falando em Abraão (ou @br@@ao), o André mandou-me um e-mail com a notícia de um babaca que colocou o filho de dois meses por dez minutos no microondas obedecendo a ordens divinas. O bebezinho ficou com queimaduras de 3º grau por todo o corpo. É... Não apareceu um anjo para desligar o botão, não é?
Claro que o sujeito era um doido e precisava apenas de um gatilho (termo usado pelo André) para dar largas à própria sandice. Deve pegar 99 anos de cadeia. Maldito!

@BR@@O,

Quanto papo furado de teólogo! Cantalamessa não é aquele que, na época da Páscoa, criticou as mulheres que querem "bancar os homens" trabalhando fora, sendo competitivas e "masculinas"?

"provoca sobressaltos de consciência, mantendo vivo o espanto"

Ora, como se obtém o mesmíssimo resultado forjando truques perante crentes estupefatos, manter desta maneira vivo o "espanto" que impede a "religiosidade ritualista e repetitiva" é tolerável, pois o que importa é a fé e os resultados...

Na verdade, estes milagretes de hoje não valem nada! Por isso o rebanho está morno. Bons eram aqueles do Velho Testamento, bem pirotécnicos, que envolviam os elementos, mares, luzeiros (aqueles presos à abóbada de concreto da cosmologia hebraica, he he). Quem está interessado em milagretes como os atuais, que levam a bom termo uma gravidez de risco? O deus bíblico decaiu muito de uns milênios para cá... Já está na hora de ressuscitar o velho Zeus, he he he.
E se a noiva virgem aparecer grávida, ao invés de ligar para o 0800 sugerido pelo David, culpe Zeus, que assumiu a forma de Touro (Europa), de Cisne (Leda) ou mesmo de Boto Cor-de-Rosa. Culpar o pombo não tá com nada!

C. Mouro disse...

E mais essa do Bocage:
"Anima-se o pobre animal quando os seus donos arranjam outros asnos para testemunharem já ter provado da fruta após alguns anos de trabalhos forçados..."

"asinus asinum fricat" ...com apoio comunitário a fé aumenta.
...hehehe!

abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Eis aí uma excelente observação, o "todo poderoso" não só não tem aparecido por aqui, como também a qualidade dos seus milagres decaiu muito. Nem mesmo inspira grandes profetas, não manda mais matar populações e nem dá terra para mais ninguém.
...deve ter ficado tão decepcionado com seu filho que não quis mais saber daqui.

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

Dois segundos de diferença entre minha última mensagem e a sua, amigo Mouro. Queria que fossem ambas de 22:43, para os que afirmam que somos a mesma pessoa levantarem a hipótese de que eu estava com dois computadores à disposição, com logins diferentes, e cliquei "publicar comentário" ao mesmo tempo com os dois mouses, he he he
Estultos, he he

André disse...

Foram 10 minutos no microondas? Li a notícia correndo antes de enviá-la. Nossa, 1 minuto já seria um horror. Será q essa criança vai se recuperar e levar uma vida normal? Tomara. Acho difícil, mas não impossível.

Pois é, há alguns milênios os milagres eram violentos: dividir o mar, derubar muralhas, mandar nuvens de gafanhotos, de moscas, etc. Aqui também era mais barra pesada, até pouco tempo: Antônio Conselheiro não dizia q o sertão ia virar mar e o mar virar sertão? Isso é q era profecia e, se tivesse acontecido, teria sido um senhor milagre.

Antes Ele também jogava maná para o povo escolhido. Segundo a tradição hebraica, o maná não tinha gosto, acho, ou tinha alguma outra propriedade diferente/alterada. Bom, não importa. O fato é q segundo a lenda ele alimentava trocentas vezes mais q o melhor almoço, dava uma energia violenta e muita disposição. Se os marombeiros na academia onde malho soubessem disso, se converteriam todos pro judaísmo pra conseguir um pouco de Maná Mass 2000 e ficar ainda mais bombados.

O mundo precisa de um novo politeísmo de raiz, tipo greco-romano, com uns dragões medievais pra variar.

Para Harold Bloom, judeu gnóstico, Deus se ausentou. Se exilou. Por algum motivo, foi embora. É, talvez tenha sido isso mesmo. Não sei, é o tipo da discussão sem fim, naturalmente. E sem princípio, talvez.

*femme* disse...

olha, eu tÔ aqui pensando nesse rabo...

é melhor deixar quietos meus neurônios, senão ele faz uma viagem e poderá regredir até a origem do rabo...rs

legal, gostei

*femme*

André disse...

Femme, vc por aqui? Be welcome.

*emme* disse...

gosto do que é bom... vcs são inteligentes e falam as coisas de forma descontraída. Aqui vc se superou (já ri pra cachorro).

vc não dorme?? está em toda parte? rsrs
vou escrever lá no teu, aguarde...bjo

André disse...

Pois é, Femme

É, daqui a pouco o pessoal vai achar q eu não sou gente, q sou um autômato movido a Duracell. Ou que eu não existo fora da Matrix. Mas eu durmo sim. Agora, p. ex. já estou caindo de sono. Logo, logo, cairei na caminha e depois adentrarei o mundo de Morpheus (ou Sandman, o Mestre dos Sonhos, pra quem gosta dos quadrinhos geniais de Neil Gaiman).

Às vezes, quando escrevo um comentário longo aqui, o que tem acontecido bastante nos últimos dois posts, o adapto e reproduzo no meu próprio site. Lá, nos últimos 20 ou 30 posts, deve haver algumas coisas interessantes - além das análises geopolíticas de costume.

Au revoir à tout le monde

Maintenant, je pars... mais je reviendrai...

Ricardo Rayol disse...

E só agora notei a espingarda na mão do sujeito . To ficando senil.

Roberto Eifler disse...

Caro Catellius, texto brilhante, e com a marca da tua fina ironia. Eu só quero dizer que a minha única preocupação com a Religião é que ela esteja separada do Estado. Isso vale principalmente para o catolicismo, que atualmente é uma política externa do Vaticano. Não faço julgamento de valor sobre as crenças de ninguém, apenas sobre os atos que interferem com o mundo concreto (eu ia dizer laico, mas laico se define a partir do religioso, e isso é uma diminuição da realidade). Claro que a faceta teocrática do islamismo é mil vezes pior que o catolicismo, mas o Islã, para nós, ocidentais, é mais uma questão política que religiosa. Quanto ao catolicismo, não me interessam muito seus conflitos internos, a não ser do ponto de vista histórico ou anedótico, mas me aborrece seu esforço para influenciar o Estado. Sou católico de batismo e agnóstico por convicção. Como eu já disse, o catolicismo é política externa do Vaticano e deveria ser assim considerado pelo governo brasileiro numa relação de Estado para Estado.
Um abraço, e muito obrigado pela honra de me colocar entre seus Favoritos.

André disse...

Ora, o post passado ainda suscita comentários...

Outro dia vi um adesivo com a frase "Que Deus te dê em dobro aquilo que me desejares". Só não perde em breguice para aquela "Que Deus dê longa vida aos meus inimigos, para que eles assistam de pé à minha vitória." Certo, tudo muito bonito, quanta piedade e triunfalismo babosos... talvez assistiriam a essa vitória "de pé" para em seguida serem abatidos, se quem escreveu essa frase tivesse coragem de completá-la com um mínimo de sinceridade.

Mas, num mundo onde é comum ver coisas como "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" e "Viver não mais o vivo, pois Cristo vive em mim" (voltamos às letras de um Odair José com essa...), a primeira, a do "q Ele te dê em dobro aquilo q me desejares" me dá vontade de dizer:

"Seus dois e mais quatro, apostando contra mim, bem entendido." Fogo se combate com fogo.

Houve tempo em que essa aridez e futilidade popularesca me pareciam ressaca do jesuitismo que sofremos na infância. Agora, acho que não. É um estado permanente.

André disse...

Assino embaixo do q o Eifler disse.

Catellius disse...

Caro Eifler,

“Isso vale principalmente para o catolicismo, que atualmente é uma política externa do Vaticano”


Concordo. E o Papão é chefe de Estado quando convém – na hora de exigir foro privilegiado, de ter sua bandeira hasteada ao lado de outras bandeiras nacionais, de ser recebido por presidentes com pompa e circunstância, etc. – e é líder religioso quando convém – usando roupas enfeitadas para lembrar a tradição, obtendo isenção de impostos como outras entidades “sem fins lucrativos”, dizendo o que os governos devem impor ao povo, colocando-se acima do bem e do mal, criticando comunismo e capitalismo, o dia e a noite, a globalização e a “quadradização” (não na época de Galileu), o relativismo e o absolutismo, rs (não na época de Luiz XIV).

“Não faço julgamento de valor sobre as crenças de ninguém, apenas sobre os atos que interferem com o mundo concreto”

Justamente por isso faço julgamento de valor sobre as crenças. Quando jogamos uma luz racional sobre muitos de seus aspectos exageradamente absurdos e contraditórios, podemos ajudar os que a elas se entregam cegamente a serem menos bovinos, a aumentarem seu senso crítico para que se tornem menos manipuláveis – e é aí que toda sociedade lucra, penso. Uma população sem senso crítico e sufocada por uma parafernália sacrossanta é manipulável pelos “guardiães” do sagrado, os quais, por lucrarem imensamente com isso, não apenas financeiramente, valer-se-ão de todos os meios disponíveis para não colocarem em risco seu negócio, e o método mais fácil é manter os prosélitos na superstição e no medo. Claro que às vezes esses guardiães, principalmente os do escalão mais baixo, acreditam na causa que defendem. Simplesmente os interesses da corporação falam mais alto do que os dos membros, que são, amiúde, pessoas boas. E por isso os católicos, em geral, não questionam as intenções da ICAR, pois convivem diretamente com padrecos largados à própria sorte, que precisam batalhar por donativos para construir a igrejinha de madeirite, que dão sopão aos bêbados, que se envolvem em mutirões, etc. Os padres estão próximos à base da pirâmide e são um pouco vítimas da ICAR, acho, posto que não podem gerar descendência, não recebem muita ajuda financeira, tudo pelo que batalham e o que constroem vira propriedade da riquíssima e poderosa instituição, muitos comem o pão que o diabo amassou durante boa parte da vida, embora ultimamente têm gostado mesmo é de carros zero e de bons restaurantes; falo inclusive dos padrecos de comunidades pobres.

--//--

Grande André,

"Que Deus te dê em dobro aquilo que me desejares".


Lembrei-me de uma anedota em que um árabe encontra uma lâmpada mágica da qual sai um gênio, que lhe concede um único desejo. Enquanto pensava em mansões e rios de dinheiro, o gênio acrescentou um detalhe, dizendo que qualquer coisa que ele pedisse seria dada em dobro a Isaac, o judeu da rua de cima. O árabe, indeciso até aquele momento, não pestanejou. Pediu que o gênio lhe arrancasse um dos olhos.


Abraços a todos

Catellius disse...

Eifler, quanto ao islamismo, o problema é o atraso das populações muçulmanas, por uma série de fatores, sem falar nos ensinamentos morais do Corão, tão ruins quanto os do Velho Testamento mas que infelizmente ainda são levados ao pé da letra. Na verdade, só estamos em uma situação melhor porque os próprios judeus e cristãos acham as normas ditadas pelo criador do universo e listadas na Bíblia anacrônicas e cruéis. Mas só acham isso porque em determinado momento os guardiães das coisas sacrossantas foram postos em cheque, assim como as crenças que justificavam a conduta social que exigiam .

O problema é que o radicalismo dos muçulmanos pode virar o pretexto para que líderes de outras religiões já domesticadas ensaiem a volta às “origens virtuosas” que caracterizam todas as fezes (plural de fé, explicando aos que não sabem), mais conhecida pelo desagradável nome de “fundamentalismo”...

Roberto Eifler disse...

Justamente, Catellius, talvez tu tenhas razão quanto ao assunto de não fazer julgamentos sobre crenças. Realmente, para nós, aqui no Brasil, é fácil mantermos uma indiferença quanto à religião, porque não estamos sendo submetidos às pressões que um “laico”, por exemplo no Irã, sofreria. Entendo tua posição como uma crítica preventiva à ascensão da religião (no caso, a católica) como força de Estado. Nesse caso, tu tens razão. A religião está domesticada, mas só permanece dócil por causa dos grilhões. Sua natureza selvagem, semelhante à do Islã iraniano, está à flor da pele, como o demonstra o Sr. Ratzinger, dito papa. Chicotadas como as tuas só fazem bem, lembrando à fera o seu lugar, e a nós todos onde devemos mantê-la.

C. Mouro disse...

O cara é bom mesmo!...

"Uma população sem senso crítico e sufocada por uma parafernália sacrossanta é manipulável pelos “guardiães” do sagrado, os quais, por lucrarem imensamente com isso, não apenas financeiramente, valer-se-ão de todos os meios disponíveis para não colocarem em risco seu negócio"

Excelente!

"Na verdade, só estamos em uma situação melhor porque os próprios judeus e cristãos acham as normas ditadas pelo criador do universo e listadas na Bíblia anacrônicas e cruéis. Mas só acham isso porque em determinado momento os guardiães das coisas sacrossantas foram postos em cheque"
.
É claro que os religioosos estão amansados pela crítica, receosos os julgamentos sobre suas ações e mesmo sobre os absurdos do Sr. Javé ou as idiotices inaplicáveis ou perversas de seu bastardinho.

É o receio de perder a clientela por conta dos julgamentos críticos que mantém os líderes e maníacos ideológicos mais clamos, comedidos em sua ambição ou demência.
Se sentirem-se bem aceitos ao proporem, por exemplo, os absurdos do bestial VT, não titubearão. Quanto ao NT já se o pratica razoavelemente: o amor aos bandidos, o perdão aos facínoras, o preconceito contra empresários e ricos meritórios e coisas assim. Conforme se foi aceitando a perfídia do NT ela foi sendo imposta, cada vez mais radical, impondo sofrimentos e criminalização dos inocentes, cada vez mais esmagados em culpas por sua "ganância" e mesmo por seu senso de justiça (retribuição, revide e noção de mérito).

Claro que o cristianismo foi planejado para tornar o povo - os governados e explorados - mais fracos, mansos, dependentes, submissos, covardes e sem valores racionais. O VT era voltado mais para fazer guerreiros dispostos a conquistar outros povos, já o NT visava conquistar a mente do próprio povo governado; "Gramsci" é mais antigo do que imagina nossa vã filosofia.

Quanto mais as pessoas se entregam às ideologias, mais elas se radicalizam, mais seus líderes e agregados/beneficiários radicalizarão em seus intentos pérfidos. O socialismo é um exemplo, domou-se pela crítica, adaptandpo-se para não perder a freguesia. Contudo precisa manter uma pequena chama radical na espectativa de causar seu incêncio.

A crítica é a focinheira das ideologias. Sem ela os ideológicos são perigosamente confiantes.

É bastante lógico que os maníacos, ditadores, tenham a ambição de calar os opositores, pois sem uma contestação visível, a massa tende a crer que há consenso sobre a "verdade" e tende a segui-la amparada pela "boa consciência". Porém, se tem contado com a crítica bem argumentada, a consciência sofre (cria-se GPFs mentais), fica um tanto desconfortável ver a própria bestialidade. C. Jung bem apontou que um indivíduo com o apoio de seu grupo é capaz de praticar atrocidades que jamais praticaria se só com sua consciência.

A crítica é a focinheira das ideologias, sem ela os adeptos tornam-se feras absolutamente obedientes a seus líderes.

Abraços
C. Mouro

Obs.: ...e no comment seguinte o tempo ainda desceu p/ 1' ......hehehe!

C. Mouro disse...

O islamismo tem 6 sec ainda para se tornar mais manso, suas atrocidades criticadas o amansarão também. Se essa visão da estupidez constranger cada vez mais adeptos, eles se amansarão.... ...quanto menos isolados melhor

....mas deixe-os sem críticas e se tornarão ainda mais bestiais.

Abraços
C. Mouro

André disse...

Fanatismo religioso, terrorismo, guerras... aqui no Brasil a gente está longe disso. O deus aqui é o do Novo Testamento, bonzinho e compreensivo. Nunca foi Javé, ciumento e sedento de sangue. Mas não falo só de religião. O brasileiro e boa parte dos latinos de colonização espanhola q nos cercam não entendem algo q gosto de chamar de “fúria”, que não se resume apenas a uma inclinação para a violência mas q a inclui, e q se vê nos norte-americanos e europeus, por exemplo. Povos orientais, então, nem se fala. Digamos que o fogo de Prometeu ainda não chegou por aqui. Entendam como quiserem.

No início o cristianismo pode até ter sido bem intencionado, e é claro q há bons cristãos, mas religiões são feitas por homens e estes são falíveis, corruptíveis, a carne é fraca, blá, blá, blá.... aí já viram o que acontece.

O Novo Testamento é mais “Totó Gramsci” mesmo, mais insidioso. Mas o Gramsci propriamente dito é muito pior.

Johnny Ringo disse...

Great indeed!

"Ratzinger quer fazer crer que a ICAR inventou a família, a paz, a vida"

Toda religião é como sopa de pedra. A receita leva cenoura, beterraba, arroz, galinha, tempero, caldo e pedra. A sopa daria pra ser preparada sem pedras que ia ser a mesma coisa. Só que a receita é assim há milhares de anos e o ritual da colocação da pedra na panela é muito bonito e reconfortante. Cientistas dizem que alguns metais que estão na pedra são os responsáveis por isso.

A Igreja Católica daria pra ser uma ONG ligada aos direitos humanos, ser tipo a Cruz Vermelha ou os Médicos Sem Fronteiras. Mas não, e o bem que faz é a prova de que é a dona da verdade... Sem falar que ela é uma intermediadora de caridade. Recebe dinheiro de pessoas caridosas ou de investidores que querem receber em dobro e faz caridade arrotando que o dinheiro é dela.

André disse...

"A Igreja Católica daria pra ser uma ONG ligada aos direitos humanos, ser tipo a Cruz Vermelha ou os Médicos Sem Fronteiras."

Certíssimo

Adriano disse...

A ICAR está caminhando para o fundamentalismo católico e B16 se preocupa além do Islã com o secularismo. Foi um fato positivo falar do laicismo e da sua manutenção, só temos a ganhar com isso.

Verdadeiro Anônimo disse...

asinus asinum fricat!

Só o que vemos neste blog são asnos coçando uns aos outros. É bravo pra cá, supremo pra lá, ótimo, bom, isso mesmo, simplesmente genial... kkk E ainda acham que estão abafando, que outros blogueiros estão entrando aqui e admirando tanta inteligência! kkk

Anônimo disse...

Seu estilo é extremamente interessante e profundo... chega a dar um nó em nossa cabeça.

Passei para conhecer seu espaço interessante e de conteúdo profundo e discutível e deixa\r meu carinho.

Desejo uma linda semaninha e muita paz.

Smack!

Edimar Suely
edi_suely.blig.ig.com.br

Bocage disse...

Essa é novidade. Um membro da KKK (ou quem sabe de alguma procissão em Sevilha)...

A diferença de outros 'verdadeiros anônimos' da súcia é que o capuz deste, para além de furos na altura dos olhos, tem aberturas para as grandes e peludas orelhas.

Como bom WASP (White, Anglo-Saxan and Protestant) tens pouco a fazer neste Brasil miscigenado e sincrético. Vade Retro.

Bocage disse...

Gostei de teu cristianismo, Edimar.

"Não Gosto: De "irmãos" que nada fazem e impedem que façamos; de "irmãos"maledicentes, que nos levam pra baixo com seus péssimos testemunhos; de"irmãos" que não levam Deus a sério; de idolatria; de "irmãos" quedesconhecem o SIM e NÃO e de "irmãos" que tem o péssimo hábito de nãodevolver o que lhes é emprestado."

"1. NOÉ era bastante chegado à bebidas fortes;
2. ABRAÃO era muito velho;
3. ISAAC era um partidarista e até injusto;
4. JACÓ era mentiroso e inseguro;
5. LIA era feia, tinha defeito nos olhos;
6. JOSÉ foi escravo e assediado;
7. MOISÉS foi um assassino (como Davi e Paulo);
8. ESTER era órfã e prisioneira de guerra;
9. GIDEÃO era pobre e medroso;
10.SANSÃO era co-dependente e tinha cabelos muito grandes;
11.RAABE era prostituta;
12.DAVI era adúltero;
13.JEREMIAS e TIMÓTEO eram muito jovens;
14.ELIAS era depressivo - suicida;
15.ISAÍAS pregou nu;
16.JONAS fugiu de Deus;
17.NOEMI era viúva;
18.JÓ perdeu tudo;
19.JOÃO BATISTA comia gafanhotos;
20.JOÃO era muito introspectivo;
21.Os DISCÍPULOS dormiam, enquanto Jesus orava;
22.MARTA se preocupava demais com tudo;
23.FELIPE via dificuldades em tudo;
24.MARIA MADALENA era endemoniada;
25.O GAROTO com pães e peixes era um "notável" desconhecido;
26.A MULHER SAMARITANA teve muitos homens;
27.ZAQUEU era muito baixo;
28.PEDRO era impulsivo, temperamental e negou a Jesus 3 vezes;
29.MARCOS tinha desistido de tudo;
30.TIMÓTEO tinha úlcera no estômago;
31.TOMÉ tinha muitas dúvidas;
32.E LÁZARO - já havia morrido!!!"

Verdadeiro Anônimo disse...

Bocage tenta dominar o português castiço mas o certo é "A diferença PARA outros 'verdadeiros anônimos'" E quem tem orelhas grandes agora? kkkkkkkkkkkkk

C. Mouro disse...

Uma ideologia estabelece, basada em seus fins, que os adeptos são "os melhores". Isso é estabelecido de antemão pela idologia, como um "asinus asinum fricat" instituído, fajuto, hipócrisia sob medida para imbecis inseguros. Tão imbecis que não conseguem discernir as coisas.

Mas quando grandes idéias são externadas, quando a inteligência é exibida por absoluta impossibilidade de ser escondida, então o reconhecimento não é uma determinação ideológica, não é algo intangivel, é algo concreto, apontado ali no ato que se destaca pelo brilhantismo.
...e é exatamente isso que corrói os imbecis que não se conformam com o seu "Mulus mulum scabit" ideológico ou institucional. Pois jamais poderão admirar o orgulho e a inteligência alheias, pois estas só lhe provocam inveja. Nos fracos só nasce a inveja e a cumplicidade, jamais a admiração.
.
"Mutus sapiens praestat stulto loquenti"

....hehehe!

Abraços
C. Mouro

André disse...

Um pouco de geopolítica pra vcs:

http://execout.blogspot.com/2007/05/obstacles-to-latin-americas-unasur.html

http://execout.blogspot.com/2007/05/chiles-push-into-central-america.html

Eduardo Silva disse...

Falando em Papa, a dona presidencial Marisa, quando foi beijar a mão da Santidade, colocou a mão dele dentre as suas, bem no meio, acabou beindo sua própria mão. Os semelhantes se atraem.

Catellius disse...

Bravi, C. Mouro, Ringo, Bocage, André, Adriano e Eduardo!

E essa da Marisa é impagável! Ha ha ha

Antes beijar a própria mão do que a do Velho Inquisidor...

Abraços a todos! O Heitor publicará amanhã um novo texto. Exatamente hoje ele está em Fontainebleau, a uns 50 km de Paris, e em duas semanas estará em Lisboa. Bem que poderia se encontrar com Mostardinha, Helder e Clarissa, como enviado especial do Pugnacitas, he he...

Abraços a todos

André disse...

E com Vasco da Gama, Dom Sebastião e o Marquês de Pombal também.

Aproveitando Fontainebleau para tomar chá com croissants com Luís XIV, o Marechal Turenne, Jean-Armand Du Plessis, cardeal de Richelieu, François De La Rochefoucauld e a Madame de Maintenon.

E não sair à noite com a Reine Margot (Isabelle Adjani), aquela ninfomaníaca.

Catellius disse...

Acho que Luís XIII era o que morava em Fontainebleau e cujo ministro era Richelieu. O primeiro foi sucedido por Luís XIV, o segundo substituído pelo Palácio de Versailles e o último pelo Cardeal Jules Mazarin, pior ainda do que o antecessor... Um detalhe engraçado: Em Os Três Mosqueteiros Anne d'Autriche (Ana d'Áustria) era amante do Duque de Buckingham e Richelieu pegava em seu pé, como na ocasião dos pingentes de diamante. Nos livros seguintes a rainha é amante do Cardeal Mazarin, o primeiro-ministro. Espero um dia ter um Alzheimer moderado para poder ler novamente os excepcionais livros-chiclete de Dumas e curtir o desenrolar dos acontecimentos. Moderado ao menos para lembrar-me dos primeiros capítulos quando chegar ao último, he he

Catellius disse...

Outro detalhe, que tem mais a ver com o post anterior:

Falando em Dom Sebastião, citado pelo André, para muitos o nosso problema é o sebastianismo; estaríamos aguardando o retorno do messias português, o "salvador da pátria" que sumiu em Alcácer-Quibir há mais de 400 anos e cujo corpo não fora encontrado - daí a lenda de que retornaria. E este sentimento realmente aportou em terras tupiniquins, mais especificamente no Nordeste. O próprio Antônio Conselheiro aguardava Dom Sebastião muito tempo depois de os portugueses abandonarem tal idéia messiânica, sem sentido após o fim da Dinastia Filipina. Sarney, Collor, FHC, Lula... e em 2010 esperaríamos mais uma vez o retorno de Dom Sebastião...

Claro que discordo, uma vez que, aparentemente, todos os povos sofrem desse mal. Por isso o cristianismo, onde o mérito não é nosso mas de Jesus, onde não somos "salvos" por nossos méritos mas pelos méritos do "salvador", teve tanta aceitação.

Eduardo Silva disse...

Milagre não é fazer cego ver, surdo ouvir, ou paralítico ouvir, milagre é fazer isso tudo na hora que nós mandarmos Jesus fazer, tem que ser instatâneo. Nós mandamos e Jesus faz, nós somos os Deuses de Deus, ele nos ama, nos salva nos cura mesmo sem estarmos nem aí para ele...

André disse...

Mazarin não tinha o intelecto de Richelieu, só a maldade, piorada.

E era de origem italiana, certo? Mazzarini, acho.

Anne d'Autriche, a real, parecia gatinha.

Nossa, até eu, q nunca li Dumas (ainda quero começar o longo Conde de Monte-Cristo,adoro histórias de vingança, vingança...) sei dessa história dos pingentes de diamante.

Sai pra lá, Catellius, Alzheimer? Não fale isso nem brincando!, he, he.

O livro de C.R. Boxer q recomendei (O Império Marítimo Português) fala tudo o q se precisa saber sobre o sebastianismo. No finalzinho.

A campanha em Alcácer-Quibir foi uma das mais mal conduzidas da história militar.

Surgirá outro Antônio Conselheiro um dia. E, supondo, q a Bíblia esteja certa — e nós, errados — Jesus voltará, em outro formato, em outro lugar, e vai ser a maior confusão de novo. E obviamente ele terminará “crucificado”, talvez na forma de uma sentença de morte numa prisão federal norte-americana ou, o que é mais provável, no Uzbequistão.

Acho q o novo Messias vai ser tipo um novo Gandhi, o Mahatma. Consta que sua mulher o achava muito sensual. Ao decidir ser santo, fez voto de castidade.

A dona patroa encrespou.

Com toda razão, afinal era a mulher dele.

Gandhi gostava de se testar. Tinha uma neta favorita. Mandava q tirasse a roupa toda, ficava ele nu também, e tinha uma ereção. Nada fazia. Santidade, no seu entender.

Mas caiu mal pra burro o conselho dele para os judeus sob Hitler: que se suicidassem todos, num espetacular gesto de “dar a outra face”. Ele não é, como direi, popular em Israel.

Era contrário à industrialização da Índia, pregando a volta ao campesinato e artesanato. Uma posição difícil de sustentar, se bem que fica melhor a cada dez anos. Apostou que as tribos, castas e seitas da Índia poderiam viver civilizadamente, em paz.

É de morrer der rir e morre muita gente, por isso, sem rir...

Churchill é que tinha razão: “O subcontinente” como dizia “não tem capacidade de autogoverno.”

Eu acho q ela até tem, daquele jeito, mas tem. Só que está sempre a ponto de explodir. E logo terá mais gente do que a China, our little yellow friends. Se já não tem.

André disse...

"Carcaça, vc treme? Tremerá mais ainda ao saber aonde eu te levo!"

O marechal De La Turenne dizia isso para si mesmo antes das batalhas. Morreu em uma. Foi um comandante competente. O almirante Nelson também morreu em uma, Trafalgar. Esses caras tinham coragem...

Bocage disse...

Eduardo Silva, meu milagre preferido é paralíticos ouvirem, rsrs

Helder Sanches disse...

Catellius (e todos os interessados),

Conto com a sua participação no debate em curso. Sei que você tem vindo comentando alguns dos artigos participantes do debate, mas gostava de ter um artigo seu também.
Quem quiser saber como funciona o debate siga este link:
http://www.heldersanches.com/2007/05/18/debate-inter-blogues-sera-o-agnosticismo-mais-racional-que-o-ateismo/

Marcos Vinícius Ferrari disse...

duka! duka!
ri muito com esse post, kkkkkkkkkkk
mandou bem!

Anônimo disse...

esperto foi o protestante que arrancou uns livros da biblia e a revendeu, dai surgiu a pirataria...
ai esta a igreja evangelica como todos produtos do paraguai uma porcaria....

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