07 fevereiro 2007

Livrai-nos do Mal



O documentário Deliver Us from Evil, indicado para o Oscar de melhor documentário deste ano, cita o livro Sexo, Padres e Códigos Secretos (Sex, Priests, and Secret Codes: The Catholic Church's 2,000-Year Paper Trail of Sexual Abuse), recém traduzido para o português, e considera seus autores, Thomas P. Doyle, A.W.R. Sipe e Patrick J. Wall, especialistas teológicos e canônicos sobre o assunto.

Thomas P. Doyle foi enviado aos Estados Unidos pelo Vaticano no início dos anos 80 e redigiu, conjuntamente a outros autores, um extenso relatório entregue aos bispos americanos que alertava para a dimensão incontrolável que atingia o abuso sexual por parte dos sacerdotes católicos.

Pouco tempo depois, em 1984, estourou o escândalo dos padres pedófilos nos EUA. Centenas deles, a partir de então, deixaram o costumeiro posto de juízes para ocuparem o banco dos réus, expondo ao bilhão de fiéis da Igreja Católica o cancro do qual padece há séculos mas cuja imagem repugnante permanecia escondida sob os panos - e nos confessionários, sacristias, seminários e casas paroquiais.

Os julgamentos desencadearam denúncias por todo o mundo, da Irlanda ao Brasil, das Filipinas à África. O abuso sexual de menores por membros do clero demonstrou, inclusive, não ser um fenômeno novo. O psicoterapeuta A.W.R. Sipe afirma que cerca de 30% dos 50.000 padres americanos são homossexuais e que a investigação lhes permitiu concluir que quase 10% dos padres americanos dos últimos 50 anos abusaram sexualmente de menores. Os três homens da Igreja revelam a assombrosa dimensão da pedofilia clerical, e contam como já no século I o problema preocupava os cristãos, como atestam documentos extraídos de arquivos oficiais.

Os escritores questionam a imposição do celibato aos religiosos e criticam a cúmplice omissão de bispos e cardeais, que se limitavam a pôr panos quentes sobre as situações “inconvenientes” que vinham à tona e a transferir os lobos para outros rebanhos. Em artigo publicado na Reuters alguns anos atrás, lê-se que um documento dos arquivos da Arquidiocese de Boston “indica que o Vaticano preferiu evitar escândalos a zelar pela segurança de crianças ameaçadas por padres pedófilos. (...) O documento (...) indicava que o papa João Paulo II aconselhou que um padre com um histórico de molestar garotos deveria deixar a área onde sua ‘condição’ era conhecida ou continuar ali contanto que isso não provocasse nenhum escândalo”.

Há pouco mais de um ano, a Justiça de Los Angeles apreendeu os arquivos pessoais confidenciais de 126 membros do clero da Arquidiocese Católica Romana local acusados de abusos sexuais contra crianças. Lemos, no artigo do The New York Times que eles “fornecem uma narrativa entorpecedora de 75 anos de vergonha da Igreja, revelando caso após caso em que a Igreja foi alertada do abuso mas fracassou em proteger seus fiéis”. O cardeal Roger M. Mahony e seus antecessores costumavam transferir discretamente os padres para terapia e então para novas funções. Em outros casos era oferecido aos pais terapia para os filhos e o pedido enfático para que permanecessem em silêncio.

No Brasil não foi e não é diferente. A certeza de impunidade e acobertamento por parte dos superiores atrai pedófilos latentes para os seminários, de modo que os casos de pedofilia pululam por aqui. Há poucos dias um padre de Mariana-MG foi preso por molestar um garoto de 10 anos. Estava foragido da justiça em um asilo de idosos desde que lhe fora dada voz de prisão.

Os homossexuais também são atraídos para a Igreja, mas quando a relação é consensual e entre adultos não me interessa bancar o juiz. Mas salta aos olhos a hipocrisia desses que combatem com tanta veemência a homossexualidade do alto do púlpito, estimulando mil preconceitos na massa de crentes, mas levam em privado uma vida dupla.

Entre pastores protestantes não se vê tantos casos de pedofilia. Parece que preferem molestar mulheres adultas e manterem hipócritas relações com gays. Ted Haggard, um mentiroso e embusteiro, segundo definiu-se o próprio após ser pego com a boca na botija, era um dos mais influentes pastores evangélicos dos EUA e quem inspirava G. W. Bush na cruzada contra o casamento homossexual até ser desmascarado publicamente por um dos garotos de programa com os quais aliviava as tensões.

A crença dos padres de que estão acima da lei dos homens e o decorrente acobertamento por parte de seus superiores, aliados ao celibato forçado, parecem ser os maiores responsáveis pelo alto número de acusações de abuso sexual contra religiosos católicos, muito superior ao verificado em outras áreas que exigem proximidade com crianças, como creches, grupos escoteiros e escolas primárias.

Os fiéis são as principais vítimas do problema, contudo, engana-se aquele que aposta em uma diminuição de clientes católicos e protestantes após tantos escândalos. Os primeiros e seus “irmãos separados” - que antes do Vaticano II eram “excomungados” - já vêm sendo vacinados pelos seus manipuladores há algum tempo. Quando um "santo homem" prediz que os bons serão difamados, que o demônio é astuto e convincente nas suas argumentações, que falsos profetas aparecerão, que o próprio mundo é falso, então os desmascaramentos são lidos como difamações, a lógica é lida como astúcia, sábios podem virar falsos profetas. E graças à indolor agulhada os prosélitos da Renascer continuarão a eleger sanguessugas, os católicos a confiar seus filhos a predadores sexuais de vestidos de renda e a dizer que os homens são culpados mas a Igreja é santa, os fiéis um pouco mais esclarecidos continuarão a fazer pesquisas direcionadas no Google para encontrarem exemplos de não-cristãos malvados, o mal freqüentado bairro de Roma (palavras de Carlos Esperança) continuará a ser o único Estado do mundo sem uma maternidade, os eunucos morais continuarão a se envolver na educação sexual de crianças e adolescentes, a profilaxia da AIDS continuará a ser prejudicada na África pelos demonizadores de preservativos, e os santos e seus milagres se multiplicarão, pois quando a Igreja mais necessita...
...Deus a socorre...

47 comentários:

Marcelo Cardoso disse...

Não vivo na ilusão de que os homens da Igreja (e mulheres) têm alguma coisa de diferente do que os da restante sociedade. Não é por isso, nem por eles que permaneço. É pela fé em Deus. E a fé não é individualista, necessita de relação.
É claro que me indigno como ainda aconteceu no domingo ao ouvir um padre a falar do "mundo lá fora" como se a iniquidade só existisse fora e não dentro. Pensei para mim: "pobre diabo, anda de olhos fechados e pensa que vê".

André disse...

Sou eu, direto dos tempos pagãos de Roma para a decadência cristã moderna.

Isso é terrível. E os padres que não fazem isso levam má fama, também.

Nem preciso dizer q esse seu texto vai dar num monte de comentários irados. Muitos "anônimos", claro. Que bom! Pior se não desse o q falar.

Talvez acabar c/ o celibato melhorasse muito as coisas, mas acho isso difícil de acontecer.

O pior é o fiel q de alguma forma é enrolado e continua na igreja mesmo depois q um escândalo desses vaza em sua paróquia.

Agora, de volta à velha bota do continente europeu...

Até mais!

Clarissa disse...

Olá Catellius...
Antes de mais tenho que dizer que discordo do Marcelo Cardoso, não se trata de viver na ilusão, mas de ter a justa expectativa de que os homens e mulheres da Igreja sejam de facto diferentes. O sacerdócio é uma questão de opção e não de imposição; não esperar que os homens da Igreja sejam diferentes do resto da sociedade, será o mesmo que não esperar que os políticos tomem os seus cargos com a honra e a responsabilidade que estes lhes deveriam merecer.
Os cargos políticos, o sacerdócio, exigem responsabilidades acrescidas, e a sociedade tem o direito e o dever de exigir que elas sejam satisfeitas.
Um Padre, como um político, não têm o direito de abusar da sua posição privilegiada para «benefício» próprio.
Aliás, Catellius, esta questão da política e da religião, andam mais de mãos dadas que de facto deveriam.
Cá em Portugal um padre ameaçava esta semana excomungar as mulheres que praticassem aborto, isto porque no domingo temos o referendo sobre a DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO.
Cá em Portugal, esses casos também abundam, não só entre os homens da Igreja, mas da política. Ainda estamos à espera que seja resolvido o escândalo da pedofilia que cá aconteceu na Casa Pia, uma instituição de guarda de crianças, onde, alegadamente, estão implicadas muitas figuras públicas e da política nacional.
Quanto a mim, acho uma hipocrisia os Padres não casarem, até porque esta imposição não radica nos alicerces do Cristianismo. Mas o que é um ultraje, é que a Igreja continue a não assumir a sexualidade dos seus Padres e das suas Freiras e continue a camuflar e esconder estas situações de abuso.
São normalmente as crianças as que estão mais sujeitas a estas situações de perversidade. Como dizes, sejam homossexuais ou heterossexuais, que me importa, cada um faz o que quer, e eu nada tenho a ver com isso, mas não posso ignorar a forma como estão a tratar os menos favorecidos, os mais desprotegidos, precisamente por quem tem mais responsabilidades de cuidar do seu bem estar e integridade física.
As vítimas são silenciadas, para ocultar a podridão que grassa na sociedade, seja no meio político ou religioso, e se a decisão do casamento entre os Padres é exclusivamente da Igreja, a protecção dos desprotegidos vítimas desta violência e abuso, dizem respeito a toda a sociedade e todo o cidadão.
Por isso, não se trata de ter ou não ilusão, como referia o Marcelo, trata-se de um crime tanto maior quanto a responsabilidade que assumiram ao vestir uma batina, e eu, como cidadã, tenho o direito de exigir que, estes mais que os outros, cuidem e protejam as pessoas.

Abraço.

Heitor Abranches disse...

Pois é,

Evidentemente, ninguém pode defender abusos sexuais. E devemos considerar também que muitos homossexuais são atraídos pelo celibato da Igreja como uma forma de resolver o conflito em assumir a sua sexualidade não ortodoxa. Evidentemente, por motivos óbvios a Igreja não quer discriminar quem são os padres com tendências homossexuais pois o 'problema' foi resolvido pela sua abstinência. Como tratar, portanto, o problema? Acho que seria necessário se aperfeiçoar os rituais no sentido de se evitar ao máximo situações onde menores estivessem ao mesmo tempo expostos a presença de um adulto com autoridade sobre eles...É uma desafio burocrático que pode reduzir este problema que evidentemente nunca deixará de existir mas que deve ser combatido da melhor maneira possível

Blogildo disse...

Concordo plenamente com o texto. Por sinal, a abstinência forçada é condenada na Bíblia: 1Timóteo 4:1 - 3 diz No entanto, a pronunciação inspirada diz definitivamente que nos períodos posteriores de tempo alguns se desviarão da fé, prestando atenção a desencaminhantes pronunciações inspiradas e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia de homens que falam mentiras, marcados na sua consciência como que por um ferro de marcar; 3 proibindo o casar-se, mandando abster-se de alimentos que Deus criou para serem tomados com agradecimentos pelos que têm fé e que conhecem a verdade de modo exato.

Até biblicamente o celibato para clérigos é insustentável!

Bocage disse...

Padres e beatos acham o homossexualismo contra a natureza. E o celibato é natural, suponho. Quando a espécie percebe que produziu um indivíduo preconceituoso e hipócrita, lhe dá a natural vocação para o celibato para que não reproduza outros como ele, genética ou culturalmente.

Ricardo Rayol disse...

A fé remove montanhas e cega seus seguidores...

Anônimo disse...

o triste é que as crianças abusadas poderão vir a ser os predadores do futuro. para terem maiores chances de impunidade poderão até aderir à batina.
bocage, concordo contigo. o celibato é natural?

crente hipócrita disse...

de novo:

"...a dizer que os homens são culpados mas a Igreja é santa..."

"...os fiéis um pouco mais esclarecidos continuarão a fazer pesquisas direcionadas no Google para encontrarem exemplos de não-cristãos malvados..."

"...pois quando a Igreja mais necessita... ...Deus a socorre..."

e assim o ateu vacina os que devem ser firmes na não-fé contra o que podem responder os religiosos.

Anônimo disse...

O celibato não é natural, ponto.

david disse...

Crente, realmente hipócrita:

Vou lhe contar uma historinha vivida por mim. Sendo em primeira pessoa, não necessito do Google, concorda?

Fui muiito rato de Igreja já. Assim como fui budista, espírita e qualquer outra coisa que você possa imaginar, buscando conhecimento. A única iluminação que obtive é que se deus existisse, queimaria a todos, por podres ao nascer.
Voltando ao ponto: como lhe disse, participei ativamente do catolicismo. O padre a quem eu acompanhava, hoje semi-morto após o incidente que lhe relato, era um veemente defensor de direitos humanos. Os humanos se referiam única e exclusivamente a jovenzinhos.
Idiota e crente como fui, auxiliava no que fosse necessário e oportuno.
Alguns meses depois, esse padre sofreu um acidente de carro, na estrada, depois de saciar sua sede de catequizar o bilau do rapaz que o acompanhava e que está vivo até hoje como testemunha.
Fui visitá-lo. Me diz "o que posso fazer, se sou humano e erro?". Eu respondi: podia ter morrido no acidente.
Simples assim.
A postura da diocese? Oras bolas, para que servem os amigos? Hoje esse rapaz e mais um outro, flagrado em situação tão vexatória quanto, são moradores de uma bela chácara, em cidade próxima a Campinas. Não é lindo o amor?

david disse...

Ah...Catellius, quanto ao haloscan: As fontes eram cinza. Troquei para FFFFFF e o contraste melhorou. Mas a idéia é gerar um pouco de confusão mesmo.

DELETADO disse...

Queridos Amigos
Desde de cedo estou preparando uma postagem que creio ser de utilidade à todos e espero que vocês gostem.
Seu blog consta dessa minha postagem, mas espero que você descubra muito mais do que isso.
Amo todos vocês!
Beijos
SôniaSSRJ

Clarissa disse...

Catellius... em relação aos Instantes... gosto de ser portuguesa, mas lamento a pequenez que grassa entre as pessoas e luto contra ela, pois a grandeza dos povos mede-se pela sua capacidade de pensar de forma crítica.
Naturalmente que sou a favor da despenalização do aborto, é uma vergonha que a mulher seja considerada «criminosa»,é uma hipocrisia política, social. U claro sinal de falta de democracia, já que quem tem dinheiro vai a Espanha fazer um aborto. Vai aqui:http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2007/01/instantes-xcvi.html
e aqui:http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2007/02/instantes-xcix.html

Mértola é um sítio mágico e qualquer pessoa que por lá passe jamais esquece o previlégio de poder contactar com aquelas gentes e terra sábias.
Sou crítica porque anseio por mais e melhor para o meu País, porque anseio por uma civilização onde pensar seja algo a que todos têm acesso, longe da manipulação dos poderes políticos, religiosos, do poder dos meios de comunicação.

Abraço :)
O Onildo ainda deve estar na praia :) ainda não publicou os comentários.

Catellius disse...

Antes de tudo, obrigado pelos comentários.
Vamos lá. Respondendo de 3 em 3:

Marcelo Cardoso,

"Não é por isso, nem por eles que permaneço. É pela fé em Deus. E a fé não é individualista, necessita de relação."

Permaneça em sua fé, mas sugiro que evite pagar para exercê-la.
E que relação é essa de que a fé necessita? Relação com Deus, relação sexual com os seus representantes, com os outros fiéis? Explique-se.

Grande André,

"Muitos 'anônimos', claro. Que bom! Pior se não desse o q falar"
"Talvez acabar c/ o celibato melhorasse muito as coisas, mas acho isso difícil de acontecer."

Na verdade, o tal do anônimo é um vira-casaca. Às vezes é ateu às vezes crente, às vezes petralha às vezes tucano. É uma das pessoas mais incoerentes que já vi na minha vida.
Se acabarem com o celibato, também não sei se a pedofilia será erradicada das paróquias, mas uma coisa é certa: mais pessoas bonitas receberão a sacrossanta vocação sacerdotal de Deus. Por enquanto ela acomete mais ogros tímidos com problemas de acne e famintos a procura de um lugar ao sol. Acho que o nível intelectual deve subir também.
Abraços e boa sorte aí na Roma Antiga.

Clarissa,

Obrigado pela preciosa participação e pelas sapientíssimas e inspiradas linhas. Creio que todos que leram seu comentário concordam comigo.

"...esta questão da política e da religião, andam mais de mãos dadas que de facto deveriam."

Infelizmente. Os altares são palanques eleitorais, os religiosos se intrometem em absolutamente tudo, candidatam-se a cargos eletivos, panfletam sobre política, penduram suas cruzes nos tribunais, no Congresso Nacional, etc. O problema é que, para as ovelhas menos esclarecidas o próprio Deus fala através deles - e contra isto não há argumentação. Vou procurar saber o que aconteceu na Casa Pia.

Update (segundo comentário)
Vou acessar os links para seu blog e comento por lá mesmo!
Eu realmente gostei de Mértola, cujas belas muralhas, banhadas pelo Guadiana, são um espetáculo à parte. A igrejinha branquinha, uma mesquita convertida ao cristianismo (he he), também é charmosa. A Comuna de Lisboa, que conduzia as escavações, nos deu uma semana de supermercado grátis e alojamento por mais tempo. Fiz alguns desenhos e preparei textos para a Universidade de Brasília. Pena que não tenho fotos de lá...

Abraços!

André disse...

Mais pessoas bonitas serão ordenadas, sem o celibato? Boa... Morri de rir aqui com essa. É, bem q poderia acontecer isso mesmo.

Olha só, outro dia vc falou sobre isso comigo. Já começou:

Comissão decide indenizar feto por tortura

Por Flávia Marreiro, na Folha
desta quinta:

Pela primeira vez, a Comissão Estadual de Ex-Presos Políticos de São Paulo reconheceu um feto como preso político e vítima de tortura pela ditadura militar (1964-1985).Trata-se de João Carlos Grabois, filho da ex-guerrilheira Criméia Grabois. Em dezembro de 1972, depois de voltar da região do Araguaia, grávida de sete meses, Criméia foi presa e levada para o DOI-Codi, em São Paulo. Segundo relatos de testemunhas e dela própria, foi torturada. Em janeiro, foi transferida para Brasília.Na próxima terça-feira, 13, fará 35 anos que, num hospital militar de Brasília, o filho de Criméia nasceu. É na terça também que João Carlos deve assistir ao julgamento de um recurso movido por ele na Comissão de Ex-Presos Políticos.João Carlos pede na ação que o Estado seja condenado com "pena máxima" pelas torturas sofridas por ele -ainda na barriga da mãe-, em reação a uma decisão da comissão de 2004.À época, a sentença determinou que João Carlos tinha direito a uma indenização de R$ 22 mil, valor mínimo pago pela comissão. No julgamento da próxima terça, os integrantes da instância decidirão se ele têm direito à indenização máxima, de R$ 39 mil."Entendo que o fruto do concepto de sete meses de gestação deve ser reconhecido como preso político da ditadura militar e pelas torturas sofridas no período de sua vida intra-útero que lhe resultaram transtornos psicológicos", diz trecho do parecer de 2004, de autoria de Henrique Carlos Gonçalves, representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo na comissão estadual.

Catellius disse...

Grande Heitor,

"...seria necessário se aperfeiçoar os rituais no sentido de se evitar ao máximo situações onde menores estivessem (...)expostos a presença de um adulto com autoridade sobre eles..."

Iria diminuir, mas essas coisas abomináveis já são praticadas nas sombras, e continuarão a sê-lo apesar dos rituais (leia-se protocolos).

Blogildo,

Para você ver! Concordamos em alguma coisa, he he. Brincadeira. Boas férias para você e curta bastante a sua família. Nada de ficar muito tempo nos cyber-cafés enquanto a família fica a ver navios. A gente se fala!

Bocage,

Acho que o celibato não é natural. Mas é uma espécie de sublimação que não incomoda ninguém, desde que seja por livre escolha e a pessoa seja realmente celibatária. A coisa fica engraçada quando criticam os outros por serem anti-naturais, vendendo a imagem de "castos" quando, na verdade, eles próprios são gays. É patético.

Clarissa disse...

Catellius posso enviar-te umas fotos de Mértola, se quiseres, tenho o mail no perfil, manda-me o teu.
Conheceste o poeta Elias de Mértola? É uma figura imperdivel :)
Beijocas

Catellius disse...

Ricardo Rayol,

"A fé remove montanhas"

Explicação 1: Claro. Como todos sabem e como atesta a inspiração divina, o Pico da Neblina ficava na Judéia até Jesus transferi-lo, para comprovar a máxima, para o norte do Brasil.
Explicação 2: A fé remove montanhas... de dinheiro do bolso de milhões de crédulos para a conta de Deus, administrada pelos seus representantes comerciais aqui na Terra.

Crente Hipócrita,

Não é vacina não, principalmente porque a maioria dos descrentes sabe o que está rejeitando, nasceu em um meio religioso, enquanto os crentes mais influenciáveis devem ser mantidos longe da racionalidade, da lógica e do bom senso para continuarem a puxar a carroça do alto da qual chicoteiam-nos santos cocheiros.

David,

Muito engraçado! Como escrevi acima, normalmente o descrente sabe o que está rejeitando. E eu também já fui católico, daqueles que conhecem as orações em latim e lêem vida de Dom Bosco e São Francisco. Já fiz pinturas para o Patriarcado de Jerusalém na Jordânia, quando estive no Oriente Médio. E também conheci padres homossexuais, principalmente por lá, onde a repressão é bem maior. Até entre católicos ortodoxos, que podem casar (antes da ordenação) encontramos os que dão mais ouvidos às revelações dos hormônios do que às divinas. O antigo padre (não citarei o nome) da Igreja Ortodoxa do Lago Sul, que funciona em um espremedor de laranjas gigante do Niemeyer, se envolveu com uma (in)fiel casada e fugiu para os EUA quando o marido traído descobriu tudo e jurou matá-lo. Não é só o celibato imposto o culpado. O problema também reside no fato de se julgarem e serem julgados representantes de Deus. O poder absoluto corrompe absolutamente.
Abraços!

André disse...

André disse...
Gostei dos seus desenhos/pinturas.

"Espremedor de laranja gigante", essa foi boa...

Claro, a repressão ao homossexualismo é bem maior dentro da ortodoxa. Nas sociedades árabes e muçulmanas não-árabes, então, é violenta. As bichas nesses lugares ficam sempre inside the closet. They never get out of it. Não se vê bichas declaradas/ostensivas por lá.

Hoje acho q vou ao cinema ver A Rainha, com a maravilhosa Helen Mirren fazendo a Elizabeth II. Mas boa mesmo é a série da HBO em q ela faz a Elizabeth I. Não sei se passou aqui, tive a sorte de ver uns 3 episódios num quarto de hotel na Flórida, em maio de 2006. Perfeita.

Bom final de semana pra vc!

Catellius disse...

André,

Bem na hora que troquei o meu comentário por um sem os links para minhas pinturas, já que me senti mal por estar me "exibindo", você comentou. Como você não entrou como blogger, tomei a liberdade de mover o que você escreveu para um novo "comment" e apagar o anterior. Por isso que o intervalo de tempo - de 11:27 a 11:29 - está tão pequeno.
Mas pode deixar que não tomarei essas liberdades, he he
Abração e bom filme.

Catellius disse...

Clarissa,

Não conheço Elias de Mértola, só o Elias Maluco, um facínora brasileiro, e o Elias sádico quasi-infanticida, aquele que foi chamado de careca por um punhado de crianças, no Antigo Testamento, e que assistiu em êxtase elas serem dilaceradas por ursos enviados por Deus para punir o imperdoável crime.

Adoraria conhecer poesias dele e também receber fotos de Mértola. As que vi listadas no Google não me encantaram muito.

Meus e-mails: catellius@hotmail.com e catellius@gmail.com

Abraços e, mais uma vez, obrigado por freqüentar o blog!!

Blogildo disse...

A gente concorda em muita coisa, Catellius! É justamente por isso que o diálogo flui!

Tenho de ir que a patroa já tá me chamando! Hehehehehe!
Abraço!

Patricia M. disse...

Clarissa: uma coisa eh a despenalizacao do aborto, outra eh o financiamento do Estado para que se realize tal atividade. Voces portugueses estao votando pelos 2 de uma so vez. Sou totalmente contra a segunda opcao, mesmo nao sendo portuguesa. Nao gostaria de financiar tal opcao de forma alguma.

Lino disse...

Uma bela abordagem da questão, mascarada pela hipocrisa de quem dirige a Igreja e não dela própria.
Pedofilia e abuso sexual de crianças, infelizmente, existe em todos os lugares. O condenável é que quem a pratica não seja execrado publicamente.

Catellius disse...

Lino,

"mascarada pela hipocrisa de quem dirige a Igreja e não dela própria."

E qual outra opção? Acha que a Igreja é uma entidade consciente que poderia ser hipócrita e mascarar algo? Acha que ela é o tal "corpo místico de Cristo", infalível embora os homens sejam falíveis? Isto é apenas retórica que não serve para nada na prática. Se os dirigentes que falam em nome da Igreja, ao longo dos séculos, mascaram os crimes de seus subalternos, esta é uma Igreja rígida com os fiéis mas que não pune os membros do clero e, portanto, mascarada, hipócrita e o que mais isso possa significar.

Hermano disse...

Existem maus religiosos, que são maus cidadãos, prejudicam as pessoas e devem ir para a cadeia.

Também existem bons e excelentes religiosos, que respeitam as leis e, mais importante ainda, as pessoas, cada ser humano com quem têm contato, que enobrecem a sua própria igreja e mesmo o gênero humano.

O erro dos maus não invalida o mérito dos bons.

Mas eu concordo que está errado a Igreja acobertar os crimes sexuais dos padres. Se por um lado eu não ache que deva haver necessariamente ampla divulgação e publicidade em cima disso, por outro lado eu penso que a própria Igreja deveria punir esses padres, afastá-los do exercício do sacerdócio, não confiando mais a eles uma alma sequer, porque se mostraram indignos dessa confiança. Futuramente, poder-se-ia permitir-lhes exercer determinados ofícios do sacerdócio (celebrar Missas e batizar, por exemplo), mas essas pessoas continuariam proibidas de ouvir confissões ou de atender os fiéis em particular, a qualquer pretexto.

Catellius disse...

Saudações Hermano,

"O erro dos maus não invalida o mérito dos bons."

Certamente. Quando são bons é a prova de que são de fato representantes de Deus, que a Igreja é santa. Quando são maus é porque são homens. O mesmo se pode dizer dos muçulmanos fundamentalistas, dos militantes do PSTU e dos bolivaristas. O caso é que não é um fenômeno novo e a cúpula da igreja tem sido conivente. Não vemos a pedofilia com igual intensidade nos professores primários ou nos chefes escoteiros (assim penso), então, partindo do pressuposto que são todos homens descendentes do casal sem-umbigo que conversava com cobras, deduzimos que o podre está na própria instituição, que se julga divina e acima dos homens.

"Se por um lado eu não ache que deva haver necessariamente ampla divulgação e publicidade em cima disso"

Por que não pode haver ampla divulgação de um assunto que diz respeito a toda comunidade?

"eu penso que a própria Igreja deveria punir esses padres, afastá-los do exercício do sacerdócio, não confiando mais a eles uma alma sequer, porque se mostraram indignos dessa confiança"

Isto entra em choque com suas primeiras linhas, que deram a entender que sugeria cadeia para eles. Mas pouco depois você quer acobertar os padres e julgá-los em um "tribunal religioso"? É óbvio que se forem para a cadeia não lhes serão mais confiadas quaisquer almas. Se bem que, se nas celas do mosteiro perscrutavam almas ao seu modo, nada impede que nas celas penitenciárias os monges que chegaram primeiro não resolvam eles perscrutar a alma dos noviços.

"Futuramente, poder-se-ia permitir-lhes exercer determinados ofícios do sacerdócio (celebrar Missas e batizar, por exemplo)"

Você propõe o que já é feito hoje. Dão-lhes novas funções em outra cidade, enquanto deveriam estar enjaulados, como você havia sugerido na primeira frase mas que depois, aparentemente, esqueceu.

Suzy Tude disse...

Catellius, você abordou muito bem um tema que não se pode ignorar.
O celibato não é normal, o que não é desculpa para a prática pedófila em qualquer tipo de religião, porque dela se serve maliciosamente.

Grande abraço

DENIS disse...

Catelius, não "deixe de escrever textos longo no blog dos outros". Estou acompanhando todos os dias as suas polêmicas lá com o blogildo. Te conheci através daquele blog e devo festejá-lo pela sua erudição. Parabéns.

Estou aprendendo muito com a polêmica e outros também devem. Não deixe de escrever.

DENIS disse...

infelizmente não tenho acompanhado muito o teu blog propriamente, mas vou passar a fazê-lo agora.

João Moutinho disse...

OLÁ CATELLIUS,

Após a sua amável visita ao meu blog entendi que devia retribuir e considero-a como tempo ganho.
Antes de abordar o tema devo dizer que sou Bahá'i e já convivi de perto com alguns padres - pelos quais ponho asminhas mãos no fogo.

Não tenho dados concretos para apontar no assunto rspeitante ao problema da pedofilia e homossexualidade dentro da Igreja Católica Romana ou outras Igrejas mas penso a haver essas situações deverão ser excepções.

No entanto, o problema reside em alguma aúrea que o clero e os crentes colocaram nos ministros da Igreja o que conduziu a que esses casos de pedofilia fossem escondidos em vez de julgados em praça pública.

Mal comparando, muita gente se escandilizou com as imagens de Abu Graib e disseram as piores dos americanos quando afinal o crime foi ter tornado público os abusos realizados. Antes as torturas eram piores mas estavam escondidas. o que fazia que "não existissem" para muita gente.

A questão para mim é acabar com os climas de "paz podre". Ou seja em qualquer instituição religiosa, ideológica ou partidária quando há crimes feitos pelos "seus", estes não deverão ser escondidos para salvaguarda a sua comunidade.

André disse...

Olá, Catellius. Fique à vontade p/ mover meus posts, não tem problema. E agora q vi seu e-mail aí, quando eu tiver algo q considere inapropriado p/ esse fórum, algum material mais longo ou qualquer outra coisa q ache interessante, mando pra lá. Mas pode ficar tranqüilo q não vou entupir sua caixa de e-mail... de qualquer maneira, é mais um canal de comunicação, e mais privativo. Mas por aqui também é bom.

Bom, sobre esse assunto (pedofilia na igreja), acho q já disse tudo q tinha pra dizer. O q não falei, deixei de falar pq concordo c/ vc (inclusive quanto às incoerências q vc rebateu em alguns dos comments acima).

No momento, só isso. Terminei de ver os 12 episódios de Roma em dvd. Droga, César já morreu... A 2a temporada, mais 12 episódios ou mais, ao longo de um ano, já está no quarto (lá nos EUA). Já li os resumos dos 4 no site oficial. É chato não poder ver tudo de uma vez, mas prefiro esperar um ano e comprar o box de dvds. Não tenho paciência pra acompanhar séries.

Simone Weber disse...

Patrícia M,

Também sou contra o aborto.
Todavia, penso que nunca uma mulher deixou de abortar por ser proibido.
Em Portugal, o aborto despenalizado até as dez primeiras semanas custará menos ao Estado do que os tratamentos em virtude de abortos malsucedidos.
Na Espanha, os abortos aumentaram após a nova lei, principalmente devido a mulheres portuguesas e de outras nacionalidades passarem a cruzar a fronteira para abortar em segurança. Hoje, as mulheres de posses abortam na Espanha enquanto as menos favorecidas recorrem a clínicas de vão de escada e rezam para tudo correr bem, já que podem ser processadas pelo Estado caso sua situação seja reportada à polícia pelos médicos dos hospitais onde estão internadas.
O Catellius reproduziu nos comentários do Post Galvão e a Transubstanciação um dilema que corre por Portugal, que é o seguinte, nas suas palavras:

"Depois da ejaculação, numa corrida alucinada, o Esper mata o Zóide, chega na frente e consegue fecundar o óvulo. Temos uma vida. Toca um apito no Céu e uma alma novinha em folha - ou reencarnada, sei lá - é inoculada no ovinho. Mas eis que o zigoto, dias após a fecundação, se divide para dar origem a dois gêmeos univitelinos, idênticos. Posso dizer que são duas pessoas com apenas uma alma? Ou um gêmeo É o outro?"

Este caso paradoxal nos faz perguntar: quando começa a vida? Talvez a alma surja após dez semanas, talvez não exista alma. Não quero entrar nesses detalhes impossíveis de serem debatidos.
Alguém pode argumentar:
Mas o zigoto não é um projeto. Só poderá vir a ser fulano de tal, então quando o matamos estamos eliminando fulano de tal. É o mesmo que matá-lo aos 5 anos de idade.
Então se colocarmos uma barreira entre o espermatozóide e o óvulo no exato instante que antecede a penetração cometemos assassinato? Afinal de contas, já estava decidido que haveria uma vida e ela seria, obrigatoriamente, fulano de tal.

E digamos que o aborto continue proibido exceto nas situações previstas mas a mulher não seja penalizada em nenhuma situação. Então é proibido abortar mas se a mulher descumpre a lei ada acontece a ela? Ela é uma assassina e permanecerá livre? Não estamos falando de uma vida humana ceifada? Ou pensas que ela deva amargar trinta anos na cadeia por isso? Não? Então uma vida vale menos do que outra?
É uma questão complicada.

Clarissa disse...

Simone... grata pela resposta à Patrícia :)
Depois de tanta polémica e discussão cá em Portugal confesso que me sinto com poucas forças para voltar ao assunto.
Um beijo

P.S. Patrícia... o problema é que os meus impostos também pagam os carros de luxo dos ministros e as viagens, a a faltade democracia na educação, justiça, saúde... os meus impostos também pagam fragatas militares... pois eu prefiro que paguem condições higiénico sanitárias adequadas a quem faz esta dificílima opção.

Clarissa disse...

Simone... gostei da tua resposta... como é que ainda não nos cruzámos?!
Beijocas

Patricia M. disse...

Simone, eu nao estou discutindo a despenalizacao do aborto. Para mim, aborta quem quer (e cada um que lide com sua consciencia ou falta de). Eu sou contra o Estado pegando pelo aborto. O Estado deveria proporcionar educacao, isso sim. Assim essas pobres miseraveis nao engravidariam. Para mim, estao agindo na consequencia, nao na causa do problema. Os meus impostos deveriam ser direcionados a educacao, nao ao aborto. Nao discuto religiao, by the way. Nao vale a pena essa questao de alma/nao alma. Abracos.

Patricia M. disse...

Leia-se acima: Eu sou contra o Estado pAgando pelo aborto.

Catellius disse...

Ô Catellius, seu estúpido
A história dos ursos não aconteceu com Elias e sim com Eliseu.
Ha ha ha

Luisete disse...

Olá Catellius,
Vi um comentario seu no blog da Suzy Tude e passei para conhecer melhor e, mais uma grata surpresa:
ainda não tinha lido artigo que tratasse esse tema com essa abordagem corajosa, que também compartilho. O que salta aos olhos, efetivamente, é que pessoas "doentes", ou que a sociedade repudia pela homosexualidade, ou por outras razões, se refugiam na batina. A pedofilia, dentro das igrejas, como no recesso dos lares, protegida, oculta.
É a sociedade hipócrita fabricando monstros. Quantas vocações honestas e sinceras haveria dentro das igrejas?
E por que, neste nosso mundinho, tanto se valoriza a saúde física sem um olhar, que seja de viés, para a saúde mental? Agora mesmo, estou com a impressão que boa parte dos nossós políticos estão completamente enlouquecidos em sua compulsão pelo "dinheiro fácil" de que esperam se apoderar, depois de ocupar determinados cargos na máquina pública.

Catellius disse...

Denis,

Obrigado pela apreciação. Pode deixar que vou continuar a entupir a caixa de comentários do Onildo então, he he.
E você tem algum blog? Qual o endereço?
Até mais.

João Moutinho,

Não sei se são tão exceções assim, pois segundo as estatísticas, quase 10% dos padres americanos dos últimos 50 anos abusaram sexualmente de menores. É um número impressionante, que parece merecer mais do que "exceção". Podemos questionar os números, mas acho que foram retirados dos anais (sem trocadilhos) jurídicos norte-americanos.
Abu Graib é um bom exemplo. As Forças Armadas americanas também vendem uma imagem de santidade, de salvadores da humanidade, dos civilizados que sempre voltam ao epicentro do conflito para resgatar o soldado ferido...
A verdade é um comprimido amargo, mas que faz muito bem àquele que o ingere.

André,

Beleza, be my guest. Mande o que quiser para meu e-mail, mesmo que o abarrote. Dê preferência para o Hotmail please.

Patrícia, Clarissa e Simone,

O referendo é democracia direta, quando a população é consultada diretamente a respeito de um tema. Aqui no Brasil, os que eram contra o comércio de armas e munições, por mais nobres que fossem seus motivos, tiveram que aceitar que a maioria optou por não proibi-lo. Armas são feitas para matar, mas a realidade falou mais alto. E nem preciso dizer qual é. Do mesmo modo, não dá para ignorar a realidade dos abortos feitos em vão de escada. E considero legítimo o cidadão não querer que o dinheiro de seus impostos seja empregado em abortos. Aí há um problema, Patrícia. O dinheiro dos impostos nunca foi seu. É da coletividade. Quando você recebe um pagamento, é a fiel depositária de parte da quantia, e terá que entregá-la aos verdadeiros donos - o povo, do qual você faz parte, é claro.
Mas... Após o referendo, todos terão que se render ao resultado. Afinal, vivemos em um estado de direito. Até os carolas e beatos financiarão abortos em hospitais públicos, quer queiram quer não.
Se em um eventual referendo a pena de morte for instaurada no Brasil, estarei contribuindo para os matadouros sem querer.
Caso ganhe o "sim" em Portugal, não é vetado aos partidários do "não" continuarem a orientar a população exposta ao problema - em geral mulheres pobres abaixo dos 25 anos - dos riscos do aborto, da importância de criar o filho com amor, etc. Mas caso a mãe opte por abortar, desde que nas 10 primeiras semanas, aí aqueles que gritarem "assassina" a ela podem ser processados por injúria e difamação.
Aqui na terra, a lei dos homens está acima da lei de Deus. Lá no território dele é ele quem manda. Por aqui os teocratas e reis de direito divino que ele nos impôs saíram pior do que a encomenda, de modo que não nos interessa mais o jeito divino de governar.

Luisete,

Obrigado pela visita, seja bem-vinda. Acessei seu blog e vi que colocou um link para este post. Muito obrigado pela consideração. Então você também é de Brasília? Que bom. Gosto daqui, embora tenha algumas ressalvas...
Concordo que os nossos políticos padecem de um mal parecido. As crianças, neste caso, são os ingênuos brasileiros que lhes dão votos de confiança para depois serem Piiiiiii inclementemente. As crianças molestadas por padres ficam traumatizadas pelo resto da vida; a violência de que foram vítimas as acompanha sempre, cobrindo-as de revolta e desgosto. No caso da política a coisa muda de figura. Na eleição seguinte todos aqueles que haviam sido violados são acometidos de amnésia aguda e aceitam o convite do político para "ver um negócio" atrás do confessionário...
Triste de nós...
Abraços a todos.

Simone Weber disse...

Catellius,

Acabei de saber que o Sim venceu em Portugal. O aborto será permitido por lá até as 10 primeiras semanas. O para todos indesejável aborto deixa de ser assunto de polícia para ser assunto médico. Agora será mais fácil orientar as mães para não se valerem deste recurso extremo, estimular-lhes a maternidade, obter números estatísticos confiáveis, já que elas procurarão abertamente as clínicas do governo e não mais os açougues costumeiros.
Todos crêem que o número de abortos diminuirá, principalmente na Espanha, aonde as portuguesas com recursos vão, em busca de um pouco de assepsia.
Como dirias ironicamente, colega, apesar das lágrimas de sangue vertidas pela Virgem de Fátima e dos rosários debulhados Portugal afora, Deus resolveu não interferir no resultado; talvez para preservar as vidas de milhares de crianças e mães.

Clarissa,

Também gosto muito de teus comentários. Escreves muito bem e teus textos transparecem segurança, coerência, inteligência e delicadeza.
Beijocas também para ti.

DELETADO disse...

Bom querido, eu parto de um princípio lógico... não pode ser normal uma pessoa que faz voto de castidade... algum problema sério ele/a tem!!!
A prova está aí!
Beijões,
SôniaSSRJ

Católico mas Inteligente disse...

Outra coisa, Simone

Mesmo que a mulher se decida pelo aborto, apesar do estímulo que receberá nos hospitais para não ir adiante, ela poderá ser encaminhada para consultas de planejamento familiar e, quem sabe, evitar uma nova gravidês indesejada e um novo aborto. Acho que as coisas às claras funcionam sempre melhor.

católico mas inteligente disse...

corrigindo
gravidez

visaodoinferno disse...

Oi Catelius. Sou eu Denis, tentando novamente. Escrevo no blog www.visaodoinferno.blogspot.com e tentei fazer um link aqui pro teu blog mas não tenho muita habilidade com esses recursos. Escrevo algumas coisas com meu amigo Marcos.Estou acompanhando teu embate com o Onildo lá no blogildo, mas meu conhecimento acerca desse assunto, religião, é muito precário. Está sendo realmente uma ótima experiencia para um leigo como eu no assunto acompanhar o debate de duas pessoas inteligentes e bem humoradas. Continuem.

Patricia M. disse...

Nao se pode ganhar todas. Ainda bem que aqui nos EUA o meu dinheiro nao eh direcionado para esse tipo de coisa... :-) Mesmo porque acho um desperdicio total de dinheiro. Antes prevenir do que remediar.

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