19 janeiro 2007

Galvão e a Transubstanciação

Bento XVI virá ao Brasil em maio deste ano. Não será o primeiro "nacional socialista" a ser bem acolhido no Brasil; Josef Mengele, Franz Stangl, Gustav Wagner e Herbert Cukurs são algumas das celebridades arianas cristãs que refizeram tranqüilamente suas vidas em São Paulo. Sua Santidade deverá aproveitar a missa, planejada para um milhão de pessoas, para anunciar a canonização do primeiro santo 100% brasileiro - é de pasmar ser o primeiro, já que milagreiros costumam brotar mais facilmente em áreas de esgoto a céu aberto, insalubres, desassistidas por médicos, pródigas em analfabetismo, desemprego e desesperança; pré-requisitos que o Brasil sempre cumpriu com louvor. Seria de se esperar que em mais de 500 anos, o país tivesse produzido semideuses milagreiros em maior quantidade. Padim Ciço era o mais cotado para o título até a beatificação do frei de Guaratinguetá por João Paulo II. Quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger propôs a reabilitação do padre Cícero Romão Batista, excomungado por insistir em operar o famoso milagre da Hóstia em sua diocese, contrariando as ordens de seus superiores. "Onde já se viu o sangue de Jesus se manifestar na boca de uma costureira negra, pobre e analfabeta nos confins do Ceará?" disse o então bispo de Crato, D. Joaquim José Vieira.

Uma canonização depende de dois milagres. Os realizados com a intercessão de Frei Galvão são protagonizados por suas pílulas, na verdade o verso do breviário "Post partum Virgo inviolata permansisti, Dei Genitrix Intercede pro nobis" escrito em papeizinhos, os quais são ingeridos pelos fiéis que querem se livrar de alguma doença. O plano de saúde é barato. Basta enviar uma carta para o Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, Av. Tiradentes, 676 - Bairro da Luz, São Paulo, e requisitar as pílulas, gratuitas. É oportuno anexar ao pedido alguma contribuição pecuniária, pois as freiras herdeiras do trabalho de confeccionar os artigos miraculosos dela necessitam para sua subsistência e para a construção do Memorial de Frei Galvão. Afinal de contas, dinheiro não cai do céu. É necessário que os fiéis agradeçam as graças acendendo velinhas e doando verdinhas.

A Falácia Regressiva , o Efeito Placebo , a Falácia Post Hoc aliados à crassa ignorância supersticiosa são suficientes para que os sucessos (a média da eficácia dos placebos é de 20%) sejam interpretados como intervenção divina. Por lhe faltar cérebro e olhos, é consenso que o estômago não sabe ler, ainda mais quando, tratando-se de brasileiros, há uma boa chance de seu dono ser analfabeto. Do latim então só deverá conhecer o "Fiat Lux" da caixinha de fósforos...

Eu sei; estamos no campo da fé. "Não se pode explicar mistérios", "credo quia absurdum", etc. Certamente a formação fortuita da palavra "satã" nas vísceras daquele que acabou de se deliciar com uma sopa de letrinhas Knorr não está entre as causas da úlcera. É necessário conhecer o que está escrito e ter fé na cura, que é operada por Deus, ao qual se chega pelo único caminho, Jesus, junto a quem Frei Galvão intercede após ser acionado pelo fiel quando a tinta da caneta Bic se desprende do papelzinho e atinge sua alma. Não vale você mesmo escrever o trecho do Ofício, engoli-lo e pedinchar a Frei Galvão por meio de preces fervorosas. Pirataria é crime e Deus pune o criminoso; está na Bíblia. Devemos aceitar submissos a "misteriosa" burocracia. Aqui na Terra, se os juízes fossem oniscientes e infinitamente justos, os primeiros demitidos seriam os advogados. No céu, contudo, o Estado é tão paternalista que intercessores, mediadoras, advogadas, estão por todo lado. No Purgatório então, que é um presídio de segurança máxima, chega a ser difícil andar pelos corredores sem topar com os Santos-de-Porta-de-Purgatório a distribuírem seus santinhos e prometendo mundos e fundos.

E como fica a Hóstia transubstanciada, que também vai para o estômago dos católicos, mas sem o mesmo sucesso? Afinal, todos os católicos curados após deglutirem a promulgada virgindade da Mãe de Deus no pedaço de papel devem ter também, em algum momento, engolido a Hóstia. O que deu errado? Não estamos falando do corpo do próprio Cristo? Não é o mesmo que engolir um pedaço do Sudário de Turim? Se a explicação está na falta de fé, temos a prova de que poucos acreditam na transubstanciação. As pessoas são curadas ao tocarem ossos, glotes, pedaços de ataduras de estigmatizados (que por não conhecerem como eram as crucifixões, imitavam ingenuamente a iconografia vigente, com aqueles furos redondinhos na palma da mão), cabeças e outras peças do grotesco rol de relíquias que assombram as igrejas mundo afora, mas não obtêm o mesmo resultado comungando na missa.

Talvez, interiormente, não tenham se rendido ao dogma, como John Tillotson, Arcebispo de Canterbury. Ele disse, à época da Reforma Anglicana, que a idéia da transubstanciação "contradiz os sentidos de que o pão e o vinho usados nas cerimônias são mudados em algo que é pão e vinho para os sentidos mas que realmente será o corpo e sangue de Cristo. Se parece pão, cheira a pão, tem gosto de pão, então é pão. Desistir disto é abdicar de todo o conhecimento baseado na experiência. Qualquer coisa pode ser outra que não o que os sentidos mostram. Se os Católicos tivessem razão acerca da transubstanciação, então um livro podia ser um bispo. Os acidentes de uma coisa não dariam pistas para a sua substância. Tudo o que vemos pode ser completamente não relacionado com o que parece ser. Tal mundo não seria razoável. Se os sentidos não podem ser confiados num caso, não podem sê-lo em caso nenhum. Acreditar na transubstanciação é abandonar a base de todo o conhecimento: a experiência dos sentidos".

Frei Galvão viveu em uma época ímpar. Seu pai o enviou com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos jesuítas, na Bahia. Lá ficou de 1752 a 1756. Em 1755 um terremoto de 9 graus na escala Richter arrasou Lisboa, vitimando milhares de portugueses, e derrubou a crença preconizada por Leibniz (e outros) de que vivemos no melhor mundo possível (não em relação aos atos do homem mas em relação à criação divina). O sismo ocorreu na cidade mais beata da Europa justamente no dia de todos os santos, 1º de novembro. O Marquês do Pombal ganhou mais poderes do rei Dom José I para reconstruir a cidade, e aproveitou para acusar os jesuítas de conspirar contra o Estado, expulsando-os de Portugal e de suas colônias. A França, a Espanha e os demais países europeus adotaram a mesma medida, e o próprio Vaticano extinguiu a ordem em 1773. Frei Galvão queria tornar-se jesuíta, mas devido à perseguição movida pelo Marquês, entrou para os franciscanos.

Além de confeccionar as suas pílulas, levitava e bilocava-se freqüentemente. Conta-se que ia a pé de São Paulo ao Rio de Janeiro, dispensando as liteiras movidas a escravos, as carroças movidas a cavalo e os seus dons sobrenaturais.

44 comentários:

Heitor Abranches disse...

Catelli,

O melhor mesmo é igreja estar separada do Estado. Devemos ter fé em religiões e não em pai dos pobres. Devemos esperar em Deus e não na providência estatal. Uma coisa positiva no Brasil é nossa relativa tolerância religiosa e racial. Infelizmente, os apostolos da diversidade e das ações afirmativas dizem que temos que valorizar as culturas e as minorias que o marxismo afirma foram massacradas ao longo da história...Como dizia o Dalai Lama, se buscarmos o que temos em comum ao invés de ressaltarmos as diferenças temos mais chances de compreensão. Mas, eles preferem os conflitos marxistas e projetar na sociadade os seus conflitos familiares e sua insatisfação com a lei do pai sobre o capitalismo...Este é esquerdista padrão...Alguém que escolhe ter fé em Marx e na sua visão conflituosa da história...Duvido que se a história fosse esta estória de conflitos de classes nós estaríamos aqui hoje...O próprio apedeuta e pai dos pobres é um conciliador e busca construir um governo de coalização. Como já disse outras vezes ele não é um idiota como a maioria dos seus seguidores...

Suzy Tude disse...

Gostei do comentário do Heitor.
Agora imagina o povo venerando o Lula como venera o Padim Ciço, comprovadamente o maior "coronel" daquelas bandas de Juazeiro do Norte, na época dele, claro. Ninguém merece! Nem que o papa o promova a santo. Por isso, meu amigo, igreja pra lá, Estado pra cá. Aliás no Brasil muita gente esquece que o Estado é definido na Constituição como laico.
Enfim, excelente o seu post.

Grande abraço

Catellius disse...

Saudações Heitor.

Acho que o que houve, ao longo da
História - mas ela não se resume a isso -, foi a exploração de umas classes por outras. Não pairam dúvidas. Índia, Egito, Rússia, Japão (lembra dos samurais?), etc. Normalmente a exploração era aceita em nome de um direito divino, ao qual o populacho se submetia por medo. Já o conflito de classes talvez seja mais recente. Quem sabe Marx não foi um dos fomentadores disso.
Discordo um pouco também do seu "Devemos ter fé em religiões". O melhor, na minha opinião, seria "Podemos pertencer a qualquer religião" ou "podemos ter fé no que quisermos". Fé nas religiões é nocivo, pois é equivalente à fé no pai dos pobres. Um bom exemplo disto são as filmagens dos prosélitos da igreja Renascer bradando "sou Renascer até morrer", como se estivessem falando de um time de futebol. Os católicos são idênticos. Aconteça o que acontecer, sempre terão fé em sua igreja, mesmo se ela estiver corrompida até a alma, afinal de contas ela é o Corpo Místico de Cristo, Infalível embora os homens sejam falíveis... Aquela ladainha.
Concordo que o politicamente correto, a defesa das minorias a qualquer custo, inclusive em prejuízo da maioria, é algo ruim. O Estado Laico e Democrático é bom inclusive para as religiões porque permite que coexistam pacificamente.
Já para as ditaduras funcionarem plenamente, é conveniente que uma única religião exista, por questão de controle da população (mesmo que a religião única seja o marxismo). É por isso que normalmente os dirigentes católicos, com muitas exceções, costumam aderir a ditaduras como a de Pinochet, Franco, Salazar, Mussolini e Hitler.
Em posts como este eu quero, acima de tudo, e utopicamente, colaborar com o questionamento e o fim do obscurantismo religioso, que é o que dá apoio, penso, às religiões quando elas passam dos limites. Exemplos não faltam...

Querida Suzy,

Obrigado pelo precioso comentário. Quando os parlamentares quiseram aumentar seus salários em quase 100% o arcebispo de Brasília fez uma homilia contundente que foi muito elogiada. Eu fiquei arrepiado. Ele só pode opinar sobre essas coisas na rua, à paisana, de jeans, longe do seu rebanho. Lá, com aquelas rendas e paramentos, contra o Cristo crucificado ao fundo, perante a piedosa platéia, ele era um religioso que não podia imiscuir-se na política. Deveria ter desembolsado uma multa altíssima por aquela afronta. O mesmo vale para a CNBB, que se mete onde não deve, inclusive em campanhas de profilaxia da AIDS e em educação sexual. Falando nisso, poucas pessoas iriam a um fonoaudiólogo surdo-mudo. Por que devemos prestar atenção à educação sexual que nos dão os padres, celibatários? (se bem que é capaz que entendam mais do assunto do que nós...)

Janer Cristaldo disse...

Bom,

me parece excessivo comparar o Bento a esses senhores. O que me parece espantoso é que ele vai canonizar um curandeiro. Isso é grave.

Janer

Catellius disse...

Oi Janer
É excessivo sim. Foi, digamos, uma licença poética.
Mas como ele não é mais Ratzinger e sim Papa Bento XVI, ele é (representa) a própria Igreja Católica. E qual foi a sua participação na lamentável primeira metade do século passado?

Os historiadores têm dificuldade em acreditar na explicação usada, que Pio XII não queria atiçar a ira dos alemães, por isso ficou calado. A explicação é contrariada pela atuação do Vaticano em outros conflitos da época. A dupla de ditadores Salazar-Cardeal Cerejeira governou Portugal com mão de ferro, sob as bênçãos do Vaticano. O Papa Pio XI em 1936 exortou os católicos espanhóis a lutarem ao lado de Franco na "difícil e perigosa tarefa de defender e restaurar os direitos e a honra de Deus e da Religião".

Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder era um prelado católico (Pralat Kaas), votou plenos poderes para Hitler: este último pôde assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição.

Em março de 1939, a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. A Eslováquia formou então um país separado, sob a tutela alemã e com um regime pró-nazista, chefiado pelo monsenhor católico Josef Tiso, que foi executado em 1947 pelos crimes cometidos contra a humanidade.

Sobre as atrocidades cometidas pelo regime católico Ustasa, onde foram massacrados 600 000 sérvios, 30 000 judeus e 26 000 ciganos, os livros existentes são elucidativos, o último escrito por um sobrevivente do campo de concentração de Jasenovac, dirigido até 1943 pelo frade franciscano Miroslav Filipovic-Majstorovic.

Em Outubro de 1941, enquanto os exércitos nazistas invadiam Moscou, Pio XII pedia aos católicos para orarem pela rápida realização da promessa de Nossa Senhora de Fátima de "conversão da Rússia". No ano seguinte, após Hitler ter declarado que a Rússia Comunista tinha sido "definitivamente" derrotada, o papa, numa mensagem de Jubileu, cumpriu a primeira das exigências da "Senhora", consagrando "o mundo inteiro ao seu Imaculado Coração".

Na Itália, todas as associações católicas, exceto a Ação Católica, integraram as organizações fascistas. O Vaticano prometeu a Mussolini fazer com que a Ação Católica não se deixasse tentar por "ações antifascistas". Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata “Patti Lateranensi”, foi qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebeu das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. O papa aproveitou a concordata para pedir a seu amigo ditador que destruísse a estátua de Giordano Bruno. O ditador se recusou. Para mostrar que não se arrependia de nada a Igreja canonizou Roberto Bellarmino, o acusador de Giordano Bruno, nomeando-o “Doutor da Igreja”.

Enfim. Não "sujaram as mãos" matando judeus e participando de experiências como as de Mengele, mas tiveram papel decisivo para que a tragédia se consumasse.

Um abraço e obrigado por comentar por aqui. Apóio sua saída do Mídia sem Máscara.

André (Brasília) disse...

A definição do Estado como laico na Constituição nunca pegou, lógico. No Preâmbulo dela já aparece aquele "estamos aqui reunidos, em nome de Deus...". Fazer o quê? Vox populi...

Catellius, meu amigo romano, muito bom esse texto. Muito bem documentado, como sempre. E ainda descobri esse dicionário do cético, muito legal esse site.

Não acho q o Ratzinger seja um simpatizante do nazismo, nem q tenha sido. Mas concordo c/ vc sobre os outros q mencionou logo no início do seu texto.

Ah, aquele site c/ fotos de padres c/ nazistas deve incomodar bastante a Igreja. Sempre achei o Pio XII um asqueroso (isso sem considerar o lado nazista, anti-semita do cara). Ele era mau... E essas fotos são assustadoras.

Acho essa história de beatifiação e canonização ridícula. E a tal história do "processo" q a Igreja abre pra fazer isso? E milagre lá tem "comprovação"? É o maior contra-senso...

André disse...

Nunca gostei do Mídia Sem Máscara (já falei sobre o inominável Olavo de Carvalho pra vc em outro comentário, acho q ontem mesmo, em outro post, e ele e esse site andam juntos). E se o Reinaldo Azevedo não tiver bom senso, com o tempo pode enveredar pelo mesmo caminho...

André disse...

Conheci uma figura q disse acreditar naquela históia do Santo Sudário italiano pq "cientistas da NASA (?) comprovaram (??) q o troço era muito antigo, só poderia ter envolvido o corpo de Cristo mesmo, blá, blá, blá... e o final piegas: um dos "cientistas" teria abandonado a ciência e se convertido (???). Ahhhh, então tá... Deu até vontade de cantar "Aleluia, aleluia, aleluia..." com coral, órgão de igreja e tudo. Waaal... é cada uma...

Aquele rosto de um homem de barba no Sudário obviamente é o q restou de algum tipo de desenho. Jamais o rosto de alguém marcaria um tecido daquela maneira. Mas... que sei eu, não é mesmo? E vá dizer isso pra essa gente q acredita nessas coisas...

Bom final de semana pra vc!

Catellius disse...

André, grande conterrâneo do Serengueti brasiliense.

Pode deixar que apaguei seus três textos excedentes.

"Não acho q o Ratzinger seja um simpatizante do nazismo..."

Veja a resposta que dei ao Janer Cristaldo, (o comentário é dele mesmo, pois mo enviou por e-mail, que bate com o que aparece em seu blog .

"E milagre lá tem 'comprovação'?"

É mesmo. Milagre deveria ser "prova" do sobrenatural, mas sempre depende de testemunhos. Ora, como disse Hume, devemos pensar: o que é mais maravilhoso, o milagre em si ou os testemunhos que tentam justificá-lo serem falsos (mesmo que de boa fé)? Se há duas possibilidades, Hume fica com a menos maravilhosa, como Ockham.
Temos também o Efeito Gaveta (já que você gostou do dicionário dos céticos). Documento, filmando inclusive, cinco mil testes de telepatia. Tenho 10% de acertos. Engaveto os 90% mal sucedidos e publico em minha revista os 500! casos de telepatia! "Temos a comprovação!!!!" Os 4500 restantes são engavetados. Por isso essas experiências raramente são replicáveis.

"E se o Reinaldo Azevedo não tiver bom senso, com o tempo pode enveredar pelo mesmo caminho..."

É verdade. Esse daí está me saindo um conservador empedernido a qualquer custo, o que é errado. E ser católico e liberal não funciona muito bem, por causa da tal "obediência", dos dogmas, da hierarquia, das proibições. A Igreja, quando se pinta de liberal, está sendo oportunista, apenas. Funciona melhor aliada a ditaduras, a teocracias, ao direito divino dos reis, que tanto defendeu e de que tanto se beneficiou.

"...um dos "cientistas" teria abandonado a ciência e se convertido..."

A estratégia hoje é outra. Um ufólogo se pronunciar sobre OVNIs não desperta o interesse de ninguém senão dos freqüentadores da Chapada dos Veadeiros. A solução é cursar faculdade de Física em Redenção, Pós-graduação em Pindamonhangaba e Doutorado em algum outro canto um pouco mais conceituado. Aí é só credenciar-se como "Doutor em Física pela universidade X" e repetir os mesmos disparates de quando era ufólogo. O mesmo ocorre com os padres. E cientistas mercenários, a serviço das mais diversas causas, saem pelo ladrão.
Vemos, aliás, que os crentes, tão acostumados a ter fé, têm mais fé na ciência do que os próprios cientistas, já que acreditam que se a ciência não explica algo ele é "inexplicável". A diferença entre "inexplicado" e "inexplicável" é imensa. As descobertas científicas dás últimas décadas pareceriam assunto metafísico no séc. XIX.
Sobre o Sudário, conhecendo o sadismo dos cristãos medievais, é bem possível que tenham crucificado um barbudo e enrolado seu cadáver em linho para a farsa ficar mais bem feita.
Uma das relíquias mais divertidas é o Santo Prepúcio de Cristo. Para você ter uma idéia dos disparates que envolviam a relíquia, um teólogo disse, quando o relicário que a abrigava sumiu, que o disco de pele ascendera aos céus e virara os anéis de Saturno, recém descobertos por Galileu.

Um abração!

André disse...

Ah, sim, vi o vc tinha respondido antes de escrever. Mas eu havia entendido a ironia sobre o Ratzinger. Ficou até legal. Na época em q ele foi entronado (Papa é entronado?), um amigo meu se saiu com essa: "Viva Bento XVI... o Papa q batizou Hitler!" Uma bobagem, claro, mas ficou engraçado.

Pelo q vi no site do Janer, ele teve problemas c/ o Olavo de Carvalho, c/ direito a ofensa e tudo o mais. Bom, aquele cara é assim mesmo, ofende e jamais reconhece um único erro. Ele não erra. E, se errar, só ele é capaz de perceber q errou e já se corrige. Qualquer tentativa de conversar é inútil: vc termina sendo vítima de um imenso artigo-tratado de filosofia cheio de jargões e outros academicismos. Como dizia Dorival Caymmi numa música: "Não tem solução..."

Ah, esse efeito gaveta deve ser muito, muito comum...

O site dos céticos foi bom pra esclarecer algumas coisas e aprofundar outras, como homeopatia e a navalha de Ockham. Muito interessante.

Acho q o Reinaldo Azevedo vai terminar enjoando, mas não por puro radicalismo como o Olavo. É aquela obsessào c/ o petismo, peleguismo, esquerdismo, etc e tal. Às vezes ele exagera. Às vezes acerta na mosca, muitas vezes, mas quando resolve criar uma saga épica em torno de um acadêmico estéril como Emir Sader (ele fez a maior novela em cima de um cara q podia ter sido detonado em uma série de pequenos posts, e só). A revista dele, Primeira Leitura, era até boa, mas acho q ele é movido por um ódio imenso desde q ela acabou. Não sei se houve alguma manobra esquerdista p/ q a revista afundasse por falta de anunciantes, de propaganda, foi por isso q ela acabou, mas q ele tem esse lado vingativo é algo bem evidente.

Pois é, o Carl Sagan detestava a pseudociência tanto quanto o resto. O Mundo Assombrado Pelos Demônios fez algum sucesso nos anos 90.

Ainda quero comprar o livro de um certo Denett (ou Dennet), filósofo, contra Deus (sei q saiu pela editora Globo), parece bom. O Richard Dawkins, muito bom, mesmo q escorregue (parece querer usar a ciência p/ "provar q Deus não existe", lá vamos nós de novo...), lançou um livro há pouco tempo, The God Delusion. A teoria dele dos memes e da religião como um vírus genético é interessante, só não gosto dessa postura de achar q a ciência tem q explicar tudo. Uma explica tudo, a outra (a religião) exige fé, fé e mais fé, o que, convenhamos, é um saco. Bom, pra mim, a ciência tem q melhorar as nossas vidas e fazer nosso conhecimento avançar, sem se preocupar em explicar nada. Se explicar, ótimo. Se aumentar nossa ignorância sobre o Universo, ótimo também. Até admito cientistas q acreditam num deus, desde q isso nào atrapalhe o trabalho e a cabeça do cara. Há uma entrevista muito boa na Veja dessa semana com um cientista desses, achei bastante equilibrado. E olha q sou agnóstico, do tipo q acha mesmo q não há como saber, não posso provar nem q deus existe, nem q ele não existe, e ponto final.

O Sudário é um assunto tão exótico, tão exagerado... e é bem possível q tenham matado alguém pra fazê-lo.

O q está inexplicado um dia vai deixar de estar. O q é inexplicável, um dia pode deixar de ser, ou não. Mas acreditar menos em coisas "inexplicáveis" faria um bem enorme pra humanidade...

*******************

Um livro bom de geopolítica, a ser lido com calma, do George Friedman, dono da Stratfor (cujos artigos é o q mais há no meu blog):

AMERICA'S SECRET WAR - INSIDE THE HIDDEN WORLDWIDE STRUGGLE BETWEEN THE UNITED STATES AND ITS ENEMIES.

Explica tudo muito bem. Mesmo para quem não é leitor assíduo da Stratfor, o livro é um show... Tem na Livraria Cultura p/ envio imediato (em estoque). Já foi lançado há uns dois anos, mas continua bem atual.

Até qualquer hora dessas!!!

André disse...

Parece não haver diferença entre as versões em português e inglês daquele dicionário de ceticismo mas, por via das dúvidas, fiquei na em inglês, q costuma ser a mais completa. Alguns verbetes divertidos: teorias conspiratórias sobre o 11 de setembro e outros, dianética (a base da seita da Cientologia), o mito do Afrocentrismo (os egípcios seriam negros, gregos e romanos também) e mais um monte de verbetes q tratam de assuntos sérios.

Nova Evangelização disse...

Catellius

1 - Bento XVI foi forçado a integrar a juventude nazista, caso se recusasse seus pais poderiam ser presos;
2 - As pílulas são realmente gratuitas e as freiras vivem na pobreza; se você conhecesse um milésimo dos trabalhos sociais dos católicos, um dos exemplos é a pastoral da criança, não seria tão virulento assim;
3 - Advogados, mediadores, intercessores não são o que você pensa. É a comunhão dos santos. Todos são um. O certo ao rezar na frente da estátua de São Francisco é adorar o Cristo que existe nele (São Francisco). E uma pessoa pode pedir para outra rezar por ela, seu irmão, por exemplo. Por que não pode pedir para Nossa Senhora rezar em seu favor?
4 - No caso da transubstanciação, é uma questão de fé. Jesus disse "este é o meu corpo e meu sangue (...) fazei isso em minha memória". É claro que se alguém for examinar a Hóstia só encontrará farinha de trigo. Se as pessoas acreditam ou não, não muda o fato de ela ser mesmo o corpo de Cristo.
5 - Se o terremoto aconteceu em um dia santo, e daí? Cristãos não morrem em acidentes de carro? Quem disse que os cristãos estão blindados contra as fatalidades?
Para mim, católico, realmente incomoda um pouco o Papa estar canonizando um "curandeiro", usando a palavra do Janer. Mas, rendo-me à inspiração do Espírito Santo. Acima de tudo frei Galvão será canonizado por sua vida exemplar.
Conselho: peça inspiração a Deus antes de arriscar sua alma soltando tanta virulência na internet.

Anônimo disse...

nova evangelização

"peça inspiração a Deus antes de arriscar sua alma"

ameaçar os outros com o inferno é típico dos católicos.
seus argumentos são pueris e circulares, tipo "a bíblia está certa porque deus a escreveu. deus existe porque está na bíblia. e a bíblia existe, não é verdade? ela é autêntica porque deus não escreveria mentiras"

"Quem disse que os cristãos estão blindados contra as fatalidades?"

Só quando penduram medalhas mágicas e outros amuletos no retrovisor, na embreagem, quando metem amuletos no bolso, no pescoço, quando engolem hóstia, quando bebem água benta, quando ficam ouvindo os (não tão) breves avisos no final da missa para poderem receber a blindagem final, antes do Fantástico começar.
Chega de hipocrisia, seus politeístas de meia tijela.

Anônimo disse...

Menino vc é corajoso e admiro sua força.
Parabéns por esse texto polêmico, irônico mas acima de tudo uma crítica audaz.
Adorei!
Um beijão querido,
SôniaSSRJ

PS: Qd vc tiver um tempinho, visite o Evolução e se vc restar alguma dúvida, por favor me mande um e-mail, estou a sua disposição para qualquer esclarecimento.
Kisses&Hugs

Anônimo disse...

errei errei! Tigela com G!
estou me apressando antes que a Nova EvangeliSaSSão queira desqualificar meu comentário por causa de meu português defeituoso...

Anônimo disse...

Pena-me os escravos dos 5 sentidos, que, defronte uma realidade ilimitadamente maior que nosso infinitesimal arcabouço, não têm muito significado. Pobre de quem não enxerga além dos próprios olhos, aquele tão menor quanto se pensa maior.
Como diria um célebre, incoerente e inteligente ateu:
"as convicções fazem mais mal à verdade que as mentiras". A dúvida é assim a mãe da sabedoria. A convicção, a mãe da crença.
Gostaria de saber do autor, ainda por sobre sua obsessão anti-religiosa, acerca do grande desserviço "im"prestado por esta instituição involutiva e no seu ver "diabólica", obscura, no que toca especificamente às artes. Vejamos quanta carga de emoção é capaz de ingressar neste tópico. E analisado isto, ainda a respeito das artes, rogo que me diga de que elas servem, tão falso o que pretendem do mundo real, tão falsos os sentimentos extáticos que despertam. Agradar-me-ia, também, um breve discorrimento da "mecânica" do sentimento, à luz de seus critérios essencialmente materialistas.

Catellius disse...

Grande André,

Dennett é muito bom, assim como Dawkins. Ambos, claro, são cáusticos para poderem sacudir o leitor. Ser cáustico com as religiões às vezes é interessante porque podemos analisar as reações de seus membros sem as máscaras piedosas. Uns se ajoelham e fazem mil sinais da cruz, outros saem em passeata com gritos de ordem, outros ficam agressivos e ameaçadores... Salman Rushdie que o diga... Mas a teoria dos memes não deve ser levada muito a sério. Ele parece afirmar que os conceitos e crenças - não apenas religiosos - possuem, tecnicamente, vida própria.

Não se pode provar que não existem gnomos invisíveis morando em Sírius. Provar que Deus não existe não dá, mas para que prová-lo? Qual a diferença entre algo existir e não existir quando não influi em nada? O Deus que influi na humanidade e que é extremamente perigoso existe apenas na cabeça das pessoas (os memes?).
Então tanto faz ser agnóstico ou ateu. "Para que ser agnóstico em relação a fadas no jardim?", disse Carl Sagan. E para que ser agnóstico em relação a Deus?

Nunca li nada de George Friedman. Vou seguir seu conselho e procurar ler conhecê-lo. Depois dou minha posição.

Um abração!

Catellius disse...

Nova Evangelização

Caro pleonástico (Anunciação da Nova Boa-Nova) amigo,

"se você conhecesse um milésimo dos trabalhos sociais dos católicos, um dos exemplos é a pastoral da criança, não seria tão virulento assim"

Vá ver o que os católicos deixam de pagar em impostos. E de onde vêm as doações? E os terrenos que lhes são doados, as parcerias com o Estado, as bancadas religiosas no Parlamento? Fazer caridade cheia de proselitismo e desinformação, como a que fazem na África, com o dinheiro alheio não me desperta admiração, por maiores que sejam os benefícios que possam resultar da caridade cristã.

Sônia

Valeu pelo precioso comentário!

Catellius disse...

Anônimo nº 2

"escravos dos 5 sentidos"

O lobo que "sente" a Chapeuzinho Vermelho se aproximar, na verdade está sentindo seu cheiro, com seu "focinho tão grande", ou ouvindo seus passos, com suas "orelhas tão grandes". Eles não são paranormais. Qualquer animal tem seus órgãos sensoriais à flor da pele, do lado externo, e usa o cérebro para processar as informações colhidas pelos sentidos. Contudo, existem aqueles que pegariam o processador de um computador para lhe gritar informações, sem o uso do mouse e do teclado ou do microfone, acreditando que elas poderiam ser armazenadas em algum arquivo wave ou doc. Se esfregarmos pudim nos cérebros dos cabeças-de-pudim que pensam assim, eles não sentirão o doce, nem a consistência esponjosa, nem o cheiro de ovo da iguaria.

"as convicções fazem mais mal à verdade que as mentiras".

Acho que foi Nietzsche que disse isso.
O homem é inseguro e precisa de segurança para viver. Procura certezas, quer ter convicções nas quais se apoiar. Saber é prever, é poder interferir com sucesso no porvir. Na verdade a "verdade" às vezes é o Eldorado, um sonho nem sempre atingível. Sempre uma nova descoberta derruba o que se acreditava como "verdade", e mais uma vez o homem se sente às voltas com a insegurança que tanto lhe assombra. Prefere então retornar ao estágio animal onde tinha plena confiança nos próprios instintos, e passa a chamar de "sexto sentido" os seus preconceitos e palpites. O interlocutor não olha em seus olhos, está mal vestido, esconde as mãos ao falar? O "sexto sentido" lhe diz que aquele lá não é confiável... A quantidade de traições, de funcionários desonestos, dos que assaltam os bens dos "perceptivos" patrões, mostra o contrário: é fácil enganar o ser humano. Tão fácil que temos religiões que duram mais de dois mil anos. Dão "a verdade" pronta, incontestável e imutável, dão explicações para a maior das inseguranças - a morte - controlam, deixam o gado seguro, protegido no curral, com a raçãozinha no cocho, deixam-no acreditar que querem o seu bem, que o mundo exterior é cruel, etc.

"A dúvida é assim a mãe da sabedoria. A convicção, a mãe da crença"

É isso aí.

"Gostaria de saber do autor, ainda por sobre sua obsessão anti-religiosa, acerca do grande desserviço "im"prestado por esta instituição involutiva e no seu ver "diabólica", obscura, no que toca especificamente às artes.

Onde está o dinheiro estarão os melhores artistas, os melhores engenheiros, arquitetos. E os artistas sempre foram muito adesistas, porque querem, como rêmoras, um patrão poderoso e eterno que lhes dê as migalhas de seu poder, e que financie seus devaneios. Os poderosos, por outro lado, sempre utilizaram a arte como uma demonstração de força. Vide os Medici, os Sforza, o Edemar Cid Ferreira, os Papas, os Faraós, etc. Se a contribuição para a arte for um ponto positivo para os poderosos, então qualquer tipo de poder é válido, porque não é incomum os poderosos utilizarem a arte para vender a própria grandiosidade, eternidade, divindade. Mascagni colou em Mussolini, Wagner colou em Ludwig II da Baviera, Niemeyer colou em Juscelino. Claro que muitos artistas não estavam tão ligados às questões pecuniárias e só alcançaram a fama após a morte, como Van Gogh, mas mesmo assim habitavam regiões de pujança econômica, onde novas idéias artísticas e filosóficas fervilhavam. Por isso tantos agnósticos e irreligiosos fizeram grandes obras para a Igreja Católica. Por outro lado, os artistas que não se enquadravam nos cânones artísticos dos poderosos eram perseguidos, como Botticelli, que teve muitas de suas obras queimadas por Savonarolla, o teocrata florentino.

Como em um passe de mágica, a Igreja perdeu poder e a arte que produz hoje é patética. Deus mudou-se para casas kitsch, para monstrengos como a Basílica de Aparecida. As igrejas de hoje, muitas vezes projetadas por padres-arquitetos-frustrados, costumam ser grotescas e desproporcionais. A arquitetura religiosa daqui de Brasília, com exceções como a Dom Bosco e a Catedral, é o que de pior o homem pode produzir: desproporcional, pretensiosa, feia. A arquitetura de museus, em contrapartida, atrai os grandes nomes da arte mundial e os grandes investimentos, já que o museu, segundo Mario Botta, é a catedral moderna, aonde as pessoas vão para entrar em estado de graça. O sentimento transcendental que até um ateu experimenta ao adentrar a Basílica de São Pedro nada mais é do que o estado de contemplação da grandeza do homem, da sua capacidade técnica e artística. Admiramos lá Bernini, Bramante e Michelangelo, não a "santidade" da Igreja Católica ou a de seu panteão de deuses. Estamos em um museu, essa é a verdade.

"rogo que me diga de que elas servem, tão falso o que pretendem do mundo real, tão falsos os sentimentos extáticos que despertam. Agradar-me-ia, também, um breve discorrimento da "mecânica" do sentimento, à luz de seus critérios essencialmente materialistas"

Desde quando a ética, a moral, o amor, a solidariedade, o sonho e a esperança são associadas ao materialismo? No entanto o "materialista" aqui defende esses valores, embora não se ajoelhe perante A Ética e pedinche por coisas materiais, como os religiosos fazem com seus deuses. Se não pedinhcham, agradecem e dão graças, por medo que lhes sejam tiradas. Tampouco acredito que a ética tem consciência de si própria.
O materialista aqui não está sendo pago para escrever estas tolas linhas. Escreve por um impulso interno, porque acredita em liberdade de expressão, que também não é material.
Acredito também na comunicação através da arte, acredito na exposição dos próprios sentimentos, acredito na transcendência (não em todos os sentidos da palavra) que a arte representa. Mas não precisei de nenhum Moisés para me obrigar a crer nisso.

Mas em outros campos não tenho muita escolha a não ser duvidar. Não acredito em alma, simplesmente porque quase todos seus costumeiros atributos estão aparecendo nas tomografias, nas ligações químicas, no mapeamento do cérebro. A personalidade, que seria quase a essência do ser, é influenciada por genes, pela saúde cerebral. Para que a alma então, se temos explicações melhores? Não acredito que a pessoa ficou com a alma apodrecida, que ela é um servo do capeta, apenas porque o pedaço de cérebro extirpado de sua cabeça lhe tirou a capacidade de ter compaixão pelo semelhante.
Do mesmo modo, não acredito que o sentimento venha do alto, seja um reflexo do amor divino, como Platão, que acreditava que a beleza das coisas terrenas era mero reflexo dA Beleza, uma entidade que vivia no além.

E o sobrenatural é um conceito questionável. Algo que existe além da natureza? Se os fantasmas estão por aí, então eles são tão naturais quanto os seus antigos corpos. Nós apenas não conseguimos detectá-los ainda, como já fizemos com outras coisas invisíveis; a força eletromagnética é uma delas. O problema é justamente esse. Apesar de todo Reforço Comunal que existe em torno ao "sobrenatural", o mundo dito material nunca é influenciado suficientemente para que possamos detectar alterações nos acidentes previstos. Apesar disto, os católicos têm provas "irrefutáveis" dos milagres "comprovados", os ufólogos têm suas "provas" da existência de UFOs e os espíritas têm "provas" de que muitas "almas" vêm de Capella, uma estrela a mais de 40 anos-luz da Terra.

Como eu escrevi para o André, não tenho fé na ciência. Quem tem fé na ciência são os religiosos, que acham que porque algo não foi explicado ele é "inexplicável", portanto divino.

Abraços

Marien disse...

Catelli!!!

Ai se Torquemada ou Savonarola pegassem vc... (risos)

Sorte sua ter nascido alguns séculos depois.

Seus textos, sempre inspirados, são um convite ao raciocínio aguçado.

Praticantes de esgrima, preparem suas armas!!!

Catelli, você tem o dom de abrir mofados porões mentais.

É impossível abraçar "verdades" incontestes com você por perto (risadas).

Um abraço enorme!

Olavo Setúbal disse...

Catellius
"...outros saem em passeata com gritos de ordem, outros ficam agressivos e ameaçadores... Salman Rushdie que o diga..."

o mais comum mesmo é a última opção. veja o link:

http://www.youtube.com/watch?v=Yy6Va7I8-kA&eurl=

como disse a palmira do blog diário ateísta, "De facto, a sátira é algo intolerável aos crentes mais fanáticos, que não aceitam que alguém possa agir sem ser de acordo com os canônes da sua Igreja! Muito menos aceitam que se parodiem esses mesmos canônes..."

andre wernner disse...

Ilustre Catellius,

O tema é bastante complexo e demandaria tempo, pesquisa e troca de muitas informações e conceitos para se aproximar do ápice dessa engrenagem bem montada que os séculos a mantém como rocha, mesmo com as crescentes divergentes e contestações.

Por esta razão, vou postar apenas três itens que considero importantes. Não vou me ater ao aspecto histórico para não me alongar, ainda mais, ok?

1.- Parto do princípio de que Igreja e Estado não se coadunam. Não fazem parte do mesmo corpo, e não comungam da mesma verdade. Portanto, uma associação entre esses dois segmentos para o domínio de consciências, é extremamente perniciosa para a sociedade, e especialmente para as camadas menos favorecidas sujeitas à indução e a coloração dos argumentos de ambos, que nem sempre representa a realidade dos fatos.

Fato A): o alimento da alma pela fé verdadeira – não negociada nem induzida por artimanhas;
Fato B): o alimento (subsistência) existencial físico, material que deve estar implícito na dignidade do ganho financeiro honesto, justo, proporcionado por políticas econômicas adequadas, tendo como fundamento o bem estar do povo. É um dever do Estado.

Jamais uma ‘dobradinha’ entre esses dois segmentos para o aprimoramento dos interesses de ambos, tendo o povo como um terceiro. Jamais. Em qualquer das duas circunstâncias o povo tem que ser sempre o segundo na ação imediata. Igreja x Povo (não vou dizer cristão para não limitar); Estado x Povo. Jamais Estado e Igreja x Povo.

Aí existe uma margem de manipulação muito alta. É a maioria de dois setores poderosíssimos no domínio da mente/espírito e no econômico/existencial físico do cidadão. E, parto do pressuposto de que em toda manipulação há crime.

Observo que se realmente a união da Igreja com o Estado fosse um bem maior em benefício do povo, a miséria no mundo não estaria na proporção que está. É claro que ambos se submetem a ‘contribuir’ de forma - eu diria até minúscula - para amenizar tal sofrimento. Mas isso é feito pela influência da igreja junto à sociedade. E não do Estado e Igreja.

Proporcionalmente o peso e a responsabilidade estão no cidadão comum, como unidade espiritual, e contribuinte do seu semelhante. O Estado e a Igreja passam a ser coordenadores desse simbolismo de fé. Se verdadeiramente houve uma união de interesses e esforços em prol da mudança de conceitos, poderia ambos – Estado e Igreja – diminuir grandemente a miséria do mundo.

Mas, lamentavelmente, temos exemplos diários na imprensa do volume financeiro e dos interesses contrários ao povo, quando analistas informam que só na guerra do Iraque, os EUA estão gastando, jogando fora em torno de 1.2 TRILHÕES DE DÓLARES!
Onde está a Igreja nesse momento, que não dá o tom da discordância?

Onde estão as campanhas da Igreja em prol de uma mudança de mentalidade? Palavras, palavras e mais palavras nas homilias. Entra por um ouvido e sai pelo outro, e a pobreza prolifera, as guerras se alastram e a humanidade com mais fé, ou menos fé, vive um caos criado e administrado pelas potências e seus aliados. A omissão desses segmentos, já é uma concordância com o que implícito está.
(continua)

andre wernner disse...

Parte Dois
(continuação)

2.- A fé é um componente fundamental na vida do cidadão! Sem fé, sem crença superior, tornamo-nos vazios. Porém a fé deve ser elevada ao Criador, a Deus, ou cada um chame como melhor lhe aprouver.

Porém essa fé não pode ser imposta por pessoas, por sacerdotes, ou por qualquer outra instituição denominada Igreja. A fé tem que brotar da alma! E de livre e espontânea vontade. Induzir é negociar, é trocar e corromper o Sagrado que no interior do Ser habita. Só precisa ser despertada!

3.- A missão consciente e produtiva dos ilustres padres, reverendos, bispos, pastores, entre outros que se propuserem a levar a ‘Palavra de Deus’ aos seus semelhantes, deve estar fundamentalmente baseada e alicerçada no ‘Livro Sagrado’, para os cristãos, a Bíblia. Para os demais, cada um segue o seu livro inspirado.

PORÉM é fundamental que o pregador de tais palavras se atenha tão somente no que está ali colocado. Que não floreie, não manipule, não acrescente, que não invente, trazendo para o profano, o que está implícito como Sagrado.

Temos visto a manipulação da chamada Palavra de Deus na proliferação dos cultos, missas e eventos religiosos. E, pela ignorância cultural, os chamados fiéis se tornam massa de manobra de interesses escusos, porém existentes e latentes no seio das denominações religiosas.

A mensagem do púlpito deve ser límpida, clara, no tocante ao esclarecimento do Amor, Verdade e Justiça entre os homens. Da importância da elevação espiritual e da busca permanente pelo Sagrado que em nós habita, para o equilíbrio entre o interior e o exterior, para uma vida melhor.

E não defender teses do púlpito opinando sobre tudo e sobre todos, desmistificando a palavra do Cristo, criando uma aura de insegurança ainda maior sobre os fiéis, bem como, os tornando presas fáceis para a manipulação de suas mentes e, obviamente, bolsos.

A mensagem de Cristo é de paz, amor e fraternidade. Precisa, portanto, ser restabelecido o culto espiritual de elevação no contido nas Escrituras Sagradas, e retirar dos púlpitos o império do medo e da condenação dos que com humildade de espírito buscam a consagração.

Muitos templos, no entanto, estão falando de felicidade, vendendo dificuldade para ganhar com mais facilidade. É a proliferação da salvação ainda em vida, por um módico preço.
E assim, está desvirtuada a Palavra d’Ele.
Amém?!

André disse...

É mais fácil fazer duas mulheres se entenderem do que fazer a Igreja e o Estado se entenderem. Bom, a Igreja (a católica, pelo menos) já teve a sua vez. Permanece sua imensa força, em vários aspectos, além do religioso, mas acho q a tendência é q tudo melhore. Não acredito numa regressão religiosa da humanidade — se bem q os evangélicos ainda são novinhos, recentes. Sabe-se lá o q essa gente vai fazer... brincadeirinha, claro.

André disse...

Já q o assunto é religião, espero q gostem:

http://execout.blogspot.com/2006/09/para-os-muulmanos-o-papa-no-pop-mas-o.html

Religião E geopolítica, a ser lido com os devidos caveats, cuidados.

Se o link falhar, entrem em meu blog e em "search this blog" digitem "papa" q vcs vão achar o post.

André disse...

Já q o tópico é religião, um pouco de Millôr pra descontrair:

“Se Deus existe? Pergunta pra Ele.”

“Deus haverá de me dar força e saúde, para eu provar q ele não existe.”

“O ateísmo é uma espécie de religião em que ninguém acredita.”

“O cara só é decididamente ateu quando está muito bem de saúde.”

André disse...

Último post do dia (hoje estou empolgado):

Boa, Catellius! E o q a Igreja não paga em IMPOSTOS? Exatamente! Pq a gente paga e eles não? Intervenção divina?

Há vários textos do Friedman no meu blog original (www.execout.blogspot.com), o problema é q eu não costumo preservar o nome dele abaixo dos títulos, então fica difícil de achar. Mas quase sempre as análises mais longas e abrangentes sobre qualquer assunto em meu site ou são dele (q é o fundador e dono da empresa) ou de um dos analistas principais da mesma. E esse livro q indiquei é um bom começo. Saiu, mais tarde, na internet, um capítulo adicional p/ esse livro, tenho ele aqui, quem sabe um dia passo pra vc.

Aquela frase do Sagan é boa, não conhecia.

Sim, a teoria dos memes é um pouco forçada mesmo.

Gostei do q vc disse sobre o relativo conceito de "sobrenatural".

Ah, eu estive uma vez só na Itália até hoje, em 2000. Infelizmente ainda não pude voltar (grana). Concordo c/ o q vc disse sobre a Basílica/Museu de São Pedro. Outros lugares por lá se encaixam na mesma categoria. Sem falar nas ruínas e em outras construções mais bem preservadas... dos romanos!

Não sei se Nietzsche disse q "as convicções fazem mais mal à verdade que as mentiras". Gosto muito dele, por isso conheço muitos aforismos de cabeça. Mas pode ser dele sim, pelo menso parece. Gosto daquela "a condição de existência dos bons é a mentira". Paro por aqui, senão cito mais umas trinta...

Christopher Hitchens escreveu um livro fininho sobre as idiossincrasias, incoerências e podres da Madre Teresa de Calcutá. Só tem em inglês e eu nunca li, mas já li muito sobre ele. É devastador e, obviamente, odiado. É mais ou menos como escrever um livro contando os podres do (ou simplesmente criticando) João Paulo II, q nem esfriou e já queriam (waaal!) canonizar... e é claro q ele não foi o santo q a Igreja sai propagandeando por aí.

O nosso Jurassic Park do Goiás esquentou de novo. 30 graus, e isso pq moro no sexto andar de um prédio na asa sul. Essa cidade está mais p/ a “sopa primordial” de DNA de onde a gente veio do q pra Parque Nacional do Serengueti. E em janeiro, ninguém, NADA fica aqui. Só eu e a Resistência. Até os dinossauros vão embora. Antílopes, crocodilos e gnus então, nem sinal.

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu post, não sou religiosa nem atéia, porém, acredito na fé e boa vontade das pessoas, abomino o fato de pessoas humildes terem que dar seu suado dinheirinho para igrejas ou mesmo santos remédios...
Que canonizem então todos os de bom coração...
Afinal, o dever de um padre(frei, freira, pastor o que for) é mesmo ajudar ao outros.
Tb sou fã de carteirinha da minha mãe, dediquei o meu primeiro post a ela...
Voltarei sempre e aguardo sua visita!
Beijosss

Catellius disse...

Marien

Ha ha ha! Sou daqueles esgrimistas com cotoveleiras, proteção no rosto, que usam floretes de pontas protegidas.
Bons esgrimistas foram aqueles do passado que enfrentaram, desprotegidos, dragões de dez cabeças e outros monstros assustadores.
Um abração!

Olavo Setúbal

Vi o vídeo. Muito engraçado. Por que o cara se deu ao trabalho de comprar ingresso para uma peça de teatro com aquele nome?

Catellius disse...

André Wernner

Adicionei seu blog na lista de preferidos.
Obrigado pelos preciosos comentários. Você tem que fundar uma religião, he he.
Brincadeira.
Suas idéias, sempre muito bem expostas e lógicas, mostram que você tem uma fé genuína e benéfica. Digo isso apesar de acreditar que amor, compaixão, moral e ética independem de Deus. As religiões apenas se apoderaram desses valores. Quantas comunidades silvícolas proíbem o assassinato, a mentira e a traição? Acho que todas. No entanto, duvido que as proibições estejam escritas em tábuas entregues por Tupã a um índio barbudo. Em primeiro lugar porque os índios, como boas crianças inimputáveis, são imberbes. Mas claro que também tiveram um barbudo poderoso de passado desconhecido a fazer mágicas para manipulá-los. Os índios Goiá estavam ricamente adornados com chapas de ouro e como se recusassem a indicar a procedência do metal, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva pôs fogo em uma tigela contendo aguardente afirmando severamente que, se não informassem o local de onde retiravam o ouro, lançaria fogo em todos os rios e fontes. Tomados de temor e respeito, maravilhados, os índios informaram o local e apelidaram o embusteiro de Anhangüera, que significa "Diabo Velho".
Não sou contra as pessoas terem fé.
Acho que existem discussões distintas. Uma é lógico-filosófica, sobre a existência ou não de Deus, outra é histórica, por exemplo a que envolve a autenticidade de documentos que são o sustentáculo de alguma fé (em Sana, no Iêmen, encontraram nos anos 70 fragmentos de um Corão da metade do séc. VIII que continha passagens diferentes das que vemos no Corão de hoje, o que contradiz a crença dos muçulmanos de que cada vírgula de seu livro sagrado foi ditada pelo próprio Alá), outra discussão é científica, como por exemplo a que envolve o poligenismo ser incompatível com a crença no pecado original, sustentáculo do batismo e do próprio Cristo, e uma outra discussão é sobre o papel das religiões na sociedade. Quanto a esta última, não temos dúvidas: elas devem estar completamente separadas do Estado, devem se restringir ao campo da fé, devem ter o mínimo de poder temporal.

Catellius disse...

Grande André

Obrigado por freqüentar o blog, que é a sua casa!
Eu acredito na regressão do homem ao estado cavernoso de homus religiosus, basta ver o Bush, que conversa com Deus. Quando você acha que Deus lhe ordenou alguma coisa, todos argumentos, por mais lógicos que sejam, não lhe demoverão de seus propósitos. Aí está o berço da intolerância, do racismo, de muitos dos males que assolam a Terra.
Vou ler o artigo do Papa Pop. Depois entro lá e comento.
Engraçados os epigramas do Millôr, especialmente o “O cara só é decididamente ateu quando está muito bem de saúde”. Estar doente e desesperado costuma ajudar na aceitação de qualquer deus. Medo da morte, medo do porvir. Nossa Senhora da Saúde só vive onde há doença. Miraculosamente, quando o homem consegue minimizá-la com a ajuda da execrada ciência, a deusa dos católicos sai de cena. É... Só Deus sabe de que tipo de coisa se livra com boas condições sanitárias...
Eu acho que a frase sobre as fadas é do Sagan. Tentei confirmar mas não achei nada na Web.
O conceito do sobrenatural que expus é mais ou menos conhecido, mas a expressão "tão naturais quanto seus antigos corpos" tirei de um texto de João Vasco do Diário Ateísta, site um pouco irônico mas que recomendo. Discordo deles quanto ao aborto. Sou contra e eles são a favor até as dez primeiras semanas.
Sobre a Madre Teresa, concordo. Ela ia visitar o Papa JPII e ficava circulando de ônibus por Roma. Todos adoravam toda aquela humildade mas não se perguntavam como ela viajara da Índia até lá. De ônibus? Era amiga de ditadores e chegou a dizer que a AIDS é castigo de Deus. O que as fiéis esposas infectadas por seus maridos têm a dizer sobre isso?
Um abração

Paloma's Generation

Obrigado pelo comentário. Beijos!

Anônimo disse...

"site um pouco irônico mas que recomendo"

e o seu, é pouco irônico?

Catellius disse...

PS.
Sobre aborto:
Sou contra o aborto, como a maioria das pessoas. Mas também sou contra penalizar a mãe, ou seja: a coisa, para mim, ainda habita um limbo legal.
Sobre a cruzada que a Igreja Católica promove "pela vida", é conveniente lembrar que não proibia o aborto até o século XIX, e nunca foi uma defensora intransigente da vida.
Em 1848, acho, a população de Roma revoltou-se contra a ditadura papal e expulsou o pontífice de lá. Ele retornou ao poder em 1849 sob a proteção das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão. Os opositores foram fuzilados e quilos e mais quilos de incenso arderam nas missas de ação de graças. O Estado da Igreja voltou a ser uma monarquia absoluta.
Pouco depois o Vaticano perdeu suas possessões na Itália e o Papa passou a excomungar todo aquele que participasse de qualquer eleição do estado italiano, que classificou como “diabólico”.
O Vaticano nem sempre foi um defensor da vida, mas sempre foi um inimigo da democracia e da liberdade de expressão.

André disse...

Aborto é uma coisa bastante desagradável. Mesmo nos casos críticos, extremos (p/ salvar a mãe, criança sem cérebro, etc) é deprimente, mas aí tem q ser feito. É nojento pensar na quantidade de crianças q são despachadas p/ o "Além", seja lá o q for o Além, com relativa facilidade e asssepsia, no mundo todo. No Ocidente, de um modo geral, é a mulher quem decide se faz ou não faz, mas tudo isso é horrível.

No q deu aquela discussão de aborto de anencéfalos no STF? Acho q está parada. E acho q a maioria dos ministros era contra. Saiu cada pérola na discussão do Plenário... Estamos de volta à Bizâncio, onde se discutia o sexo dos anjos... e nem os anjos aguentavam aquelas discussões teológicas em Constantinopla. Me lembro de uma das últimas maluquices q li no site do Olavo de Carvalho, lá pra 2004: ele "colou" de um site de pseudociência americano a história de um cara q nasceu sem cérebro e viveu até os 30 e poucos anos. Até se tornou um matemático brilhante. Essa era a prova de q a inteligência não está contida necessariamente no cérebro - ele ainda aproveitou a deixa pra falar de uma certa essência incorpórea... -- a alma, claro.

André disse...

Não ligue pra esses anônimos q detestam seu blog. Despontam para o anonimato...

Ricardo Rayol disse...

Cogito ergum sacaneatum. Saudatum est ora pro nobis. Sacanagenatum Cicerus est. Habemus sanctum. Furuculum est.

Catellius disse...

André,
Sobre aborto, existe um caso que deve gerar muita confusão na cabeça de muita gente.
Eu sou o meu irmão gêmeo? Não. E se ele for idêntico? Ainda assim eu sou eu e ele é ele.
Então temos a seguinte situação:
Depois da ejaculação, numa corrida alucinada, o Esper mata o Zóide, chega na frente e consegue fecundar o óvulo. Temos uma vida. Toca um apito no Céu e uma alma novinha em folha - ou reencarnada, sei lá - é inoculada no ovinho. Mas eis que o zigoto, dias após a fecundação, se divide para dar origem a dois gêmeos univitelinos, idênticos. Posso dizer que são duas pessoas com apenas uma alma? Ou um gêmeo É o outro? Como a Igreja analisa um caso desses? Respondam essa, he he!

André (Brasília) disse...

É... duas pessoas c/ apenas uma alma ou um efetivamente É o outro? O Vaticano vai precisar de um Concílio pra essa... daqueles bizantinos, antes do Cisma.

Manuel disse...

Olá meu caro Catellius,

Gostaria de o poder ter visitado e comentado antes, mas o tempo escasseia por aqui. Quanto ao seu texto parece-me fruto de uma investigação bem planeada. E como sempre aponta questões muito pertinentes na história da cultura/religião do seu País. Devo confessar que desconhecia por completo a história de Frei Galvão. Obrigado pelo enriquecimento.
Quanto à hóstia, cada um come o que entende… Seja no espírito ou no estômago…

Agora gostaria de comentar duas opiniões suas que vi aqui nos comentários.

Em resposta ao Heitor Abranches você afirma:

“Normalmente a exploração era aceita em nome de um direito divino, ao qual o populacho se submetia por medo. Já o conflito de classes talvez seja mais recente. Quem sabe Marx não foi um dos fomentadores disso.”

Não me parece de modo nenhum que Marx tenha fomentado o conflito de classes. Repare na seguinte analogia. As doenças virais existem desde que existem vírus, ou seja, antes da existência do ser humano. Em 1892, Dimitri Ivanovski, um cientista russo-ucraniano identificou no microscópio os vírus. No entanto, não podemos afirmar que Ivanovski tenha fomentado as doenças virais. O objectivo último de Marx é uma sociedade sem classes, tal como o objectivo de Ivanovski era erradicar os vírus do corpo humano. Ambos os objectivos têm-se provado muito difíceis de levar a cabo. 8)

A outra está mais cá para baixo:

“Sobre a cruzada que a Igreja Católica promove "pela vida", é conveniente lembrar que não proibia o aborto até o século XIX, e nunca foi uma defensora intransigente da vida.”

Parece-me uma questão muito importante que merecia alguma investigação para se desmontar os argumentos falaciosos que a Igreja católica usa neste momento para defender a lei criminosa que vigora actualmente em Portugal. Estudar as datas, o momento histórico que fez a igreja alterar a sua posição em relação ao aborto e sobretudo explicar porquê. Talvez um dia quando o Catellius tiver tempo possa avançar por aí...

Grande Abraço.

Catellius disse...

Grande Manuel

Você tem razão sobre Marx. Ele falar sobre conflito de classes não quer dizer que foi ele quem o inventou. Por isso usei a palavra "fomentar". De certo modo ele inspirou os trabalhadores a se organizarem para enfrentar aqueles que julgavam ser seus opressores - quer estivessem com razão ou não.
É... tenho acompanhado o embate que envolve o referendo sobre o aborto aí em Portugal. Como já disse, é um tema para se pensar. Mas querer enjaular as mulheres que abortaram até as 10 semanas é exagero. Já abortar aos 8 meses é infanticídio, até para os que votarão pelo sim.
É isso aí amigo. Vejo você no Breve Tempus.
Abs

André disse...

Retornando do Pier 21, antro de adolescentes e estrangeiros de embaixada.

Ah, como era boa a América antes dos espanhóis, do comunismo e de todas as outras bobagens vindas da Europa... O que havia antes era bem primitivo, mas e esse estado de coisas q vemos hoje, é o quê?

Mel Gibson, aquele australiano q já foi bom ator, não gosta de judeus e se especializou em fazer filmes falados em línguas mortas, acertou dessa vez. Apocalypto é uma boa aventura. História simples, direta, exagerada mas interessante, violenta pra burro (mas em pleno Império Maia, querer o quê?), com boa reconstituição de época, bons atores q nunca mais veremos - convenhamos, ator q fala em dialeto pré-americano, aramaico ou latim não tem futuro - e que diverte.

Tenho q ler aquele Colapso, do Jared Diamond. Os maias sumiram pq? O filme sugere uma peste, seca e falta de comida. Tá de bom tamanho, acho.

E, finalmente, a pergunta q não quer calar: os espanhóis deram de cara com os maias? Isso não está errado? Q eu saiba, os maias já não existiam há trocentos anos quando os europeus bateram por aqui.

Bom, eu gostei. O filme sugere umas coisas interessantes e não fica se dando ao trablaho de explicar tudo. Um pouco de mistério no ar é sempre bom.

Bom final de semana pra vcs do Pugnacitas!

Anônimo disse...

normalmente o ateísmo aparece na adolescência, como uma acne, quando há a necessidade de desafiar os pais e os valores estabelecidos. a maior parte dos neófitos volta ao teísmo após conferir que não pode tanto quanto pensava, que não irá revolucionar o mundo como cria possível.
outros ficam ruminando um paradoxo qualquer até acharem a fé "pouco lógica". outros seguem os ditamentes do meio artístico-científico-filosófico, que não vê com bons olhos aqueles que seguem uma religião.
e qual foi a tua razão, catellius?

Catellius disse...

Grande André

Estou digitando de um teclado cujas teclas arroba, trema, parênteses e outras não funcionam.

É isso aí. Vamos marcar um dia uma conversa de boteco mas ao vivo; pode ser no Pier 21 mesmo. Quando o Heitor, que mora no Rio, estiver em Brasília, marcamos alguma coisa. Ele vem com relativa freqüência.
Não sou dos maiores fãs do Mel Gibson. Achei o Paixão de Cristo um filme para açougueiros, de um sadismo aviltante. Não acho o filme anti-semita, mas em um momento, no Gólgota, surge um fariseu caminhando e no exato momento se ouve um zurro bem alto. A imagem do fariseu desaparece para dar lugar à correspondente ao áudio, que é a de um jumento empacando. Percebi aí um certo tom ofensivo, pois sei que esses detalhes são pensados cuidadosamente pelos diretores.
Abração

Anônimo nº 8,

Acho que o meu motivo foi ruminar um paradoxo até perder a fé, he he. Por exemplo: Se Deus é onisciente não temos livre-arbítrio. Se, ao criar nossas almas, já sabe de antemão se vamos para o céu ou para o inferno, já sabe cada um de nossos milimétricos gestos ao longo de nossas vidas, então não existe livre-arbítrio. E se cria uma alma sabendo que passará 60 anos na Terra e um bilhão de decilhões de eras a arder no inferno, e mesmo assim a cria, então ele é um Deus mau. Mas a discussão é longa...
Pouco antes de virar ateu - ou agnóstico, sei lá - me envolvi em várias discussões em que defendia a Igreja Católica. Estava fazendo o papel de advogado do diabo, sem acreditar muito nas coisas que dizia. Foi quase um canto de cisne. Muitos religiosos que defendem ferrenhamente a sua religião em fóruns Internet afora podem estar, na verdade, buscando certezas para continuarem na sua fé ou para abdicarem dela. O certo é que quanto mais lógica e bom senso empenharem maiores as chances de rejeitarem as "verdades reveladas" de mais de dois mil anos de idade, de uma época supersticiosa e atrasada da humanidade.
Abs

André disse...

Pois é, um dia a gente combina alguma coisa.

Também acho a mesma coisa do Paixão de Cristo. Só não peguei esse detalhe q vc pegou.

Resolvido: os espanhóis encontraram os maias sim, mas estes já estavam em decadência, profunda decadência, dizimados. Daí ninguém sabe dizer ao certo pq eles sumiram do mapa.

Passei a manhã tendo uma aula de regimento interno da Câmara. Lá pelas tantas, o funcionário de lá q dava a aula (já tendo cansado a sala com comentários irônicos e sacanas sobre como é bom ser da elite, da patota, trabalhar lá, o ambiente, o salário, etc e tal) disse q, quando ele fez esse concurso, teve q fazer sacrifícios. A conversa de sempre. Estudou tanto q passou 2 meses sem ver o filho. O cara é bem novo ainda, e o garoto mora c/ a mãe (separados). Disse q "chorava ao telefone" mas q o filho compreendia seu esforço, q piegas. Aí uma garota disse tudo: "Vc diz isso pq é homem, pra vc é fácil, vc não é a mãe." Waaal, mandou bem. O cara ficou sem ter onde enfiar a cabeça.

Boa sorte com os anônimos - os hostis e os amistosos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...