05 fevereiro 2007

Socialismo do Século XXI

Jovens esquerdistas brasileiros se alvoroçam quando falam da China e dos novos líderes latino-americanos, especialmente Chávez. Ficam ansiosos pelo momento em que a China irá desafiar a hegemonia americana e excitados com Chávez dizendo poucas e boas para os gringos. Entretanto, enquanto permanecem aferrados aos seus delírios socialistas esquecem de observar algumas realidades mais mundanas destes regimes.

Hoje assisti a uma palestra muito interessante sobre a China dada por um dos discípulos da Maria da Conceição. Ele me dizia com grande satisfação que a China era tão complexa e os seus mecanismos de decisão tão obscuros que qualquer investidor estrangeiro que quisesse investir por lá era obrigado a fazer uma Joint Venture com uma empresa chinesa.
Já quase em júbilo pela política industrial dirigista do estado chinês, ele me relatou que negociadores chineses passaram pelo Brasil querendo adquirir algumas centenas de unidades do ERJ 100, desde que fosse instalada uma fábrica da Embraer em seu território. Diante da hesitação da empresa brasileira, eles teriam informado que iriam em seguida ao Canadá visitar a Bombardier. O resto é história; a Embraer fez uma Joint Venture e se instalou na China.

A teoria econômica anglo-saxônica afirma que um marco regulatório estável e transparência na tomada de decisões reduzem o risco de investimentos, incentivando-os. Os chineses parecem ter superado os anglo-saxões neste particular pois a falta de regulação e transparência, desde que alavancada por um mercado consumidor cuja classe média é quase do tamanho da americana, pode estimular investimentos. Além disso, como eles se dão por Joint Ventures com os chineses, fica bem mais fácil ter acesso às tecnologias das multinacionais para pirateá-las e, posteriormente, inová-las.

Em 2006 a China cresceu 10,7%, e a sua fome de energia é enorme. Projeta-se que a sua demanda de petróleo cresça cerca de 400.000 barris/dia por ano. Recentemente, a China assinou um acordo com a Venezuela para a importação de 500.000 barris por dia. Infelizmente, a produção venezuelana é declinante. Para resolver o problema, Chávez iniciou uma rodada de expropriações.
Em 2006 a Venezuela de Chávez expropriou, apenas da Petrobras, 310 milhões de barris, ou seja, o suficiente para atender este contrato por 620 dias - quase 2 anos - e obter uma receita em torno de US$ 12 bi.

A teoria econômica anglo-saxônica afirma que o respeito aos contratos e à propriedade privada estimula o crescimento econômico por dar garantia aos agentes privados de que os futuros investimentos obterão retornos. Isto atrai mais capitais, aumentando a competição e reduzindo os lucros.
Talvez seja por isto que a produção venezuelana seja declinante, pois o risco de desenvolver reservas e ser expropriado é crescente por lá. É fácil ver jovens esquerdistas chocados criticando os imensos lucros da indústria de petróleo. Difícil será explicar-lhes que o lucro absurdo desta atividade é conseqüência de sujeitos como o Chávez, que tornam os investimentos neste setor tão arriscados que demandam uma altíssima taxa de retorno.

A Bolívia de Morales, por sua vez, assinou recentemente um contrato com a estatal argentina prometendo vender uns 10 milhões de m3 de gás por dia. O detalhe é que a Bolívia não tem este gás desenvolvido e já anunciou que irá retirá-lo do gás destinado ao GASBOL, que tem capacidade de levar 30 milhões de m3 por dia para São Paulo. Desta forma, pretende chantagear a Petrobras a retomar os investimentos interrompidos após a expropriação de vários bilhões de dólares com a perda das refinarias, campos de petróleo e aumento forçado do gás. O curioso é que a Petrobras tinha um investimento previsto para a duplicação do GASBOL, antes das políticas nacionalizantes deste ídolo esquerdista, mas agora, como algum dirigente "responsável" poderia pensar em colocar a segurança energética brasileira nas mãos de Morales ampliando nossa exposição aos seus caprichos? O problema é que nossos dirigentes não são responsáveis, prova é que ainda estudam construir o famoso gasoduto "Transpinel", com capacidade de 100 milhões de m3 por dia, cuja torneira estará nas mãos do grande líder da Revolução Bolivariana, o Chávez.

Será que vai dar certo este socialismo do século XXI? O tempo dirá. O triste é que, seja no sistema capitalista americano, no comunismo chinês, no bolivarianismo venezuelano ou no etnopopulismo boliviano, o papel do Brasil parece o de ser sempre um país liderado, destinado a sofrer prejuízos e perdas, eterna fonte de matérias-primas para americanos e chineses, e tungado pelos vizinhos latino-americanos. Recentemente, os paraguaios entraram na onda de Morales e Chávez e pediram a revisão do Tratado de Itaipu. D. Dilma concordou, garantindo que o aumento da tarifa nem seria sentido pelos consumidores...

Pelo menos o petismo do século XXI é generoso, benevolente e condescendente com os vizinhos, com os companheiros (José Genoíno que o diga) e com o seu curral eleitoral nordestino. É um socialismo em que toda perda e desgraça é marquetologicamente transformada em vitória. Neste particular, lembro-me do chanceler Celso Amorim, que habilidosamente desmoralizou os críticos da pusilânime negociação brasileira com a Bolívia ao sugerir que eles queriam, na verdade, que o Brasil imitasse a atuação dos EUA no Iraque e invadisse a pobre Bolívia. Esta, tenho que reconhecer, foi de mestre.

Os chineses tiveram Mao Tse Tung, cujo gênio militar na Grande Marcha reunificou o país. Em seu governo, mais de 60 milhões de opositores morreram, outros incontáveis milhões foram para campos de reeducação e algumas centenas de chinesinhas tiveram a honra de contrair sífilis diretamente do grande timoneiro. Felizmente para os chineses, ele morreu e Deng Xiao Ping adotou uma política econômica com características de mercado, resultando no incrível desenvolvimento observado atualmente. Nós, os brasileiros, temos o Luiz Inácio e a sua capacidade genial de conciliação e enrolação - um herdeiro da nossa melhor tradição cordial autoritária nordestina; o Mitterrand dos pobres.

Provavelmente não teremos o sucesso chinês, mas os marqueteiros do PT e o gênio do nosso grande líder convencerão o povo de que não está comendo capim mas caviar. E se por acaso ele desconfiar disso, a culpa então por não estar comendo caviar será do bicho-papão, quer dizer, do capitalismo, das elites rancorosas e dos Estados Unidos, que sempre buscam nos sabotar e atrapalhar nosso desenvolvimento.

Não vai demorar para que se comece a buscar os sabotadores e os traidores dentro do país, e quando terminar a caça às bruxas e a histeria decorrente, o povo nem sequer se lembrará por que tudo começou. Daí provavelmente surgirá um novo grande líder, que proporá a nova fundação do país e também condenará a herança maldita do passado. Mas isto só deve acontecer no século XXII - ou século XLIX, se vigorar o calendário chinês. Quem sabe então a culpa pelo nosso fracasso não passe a ser da China.

24 comentários:

Clarissa disse...

Como estou sem tempo,deixo um beijo.Passa no Onildo,deixei lá resposta para ti:)
Beijocas ;)

Simone Weber disse...

Recém chegada ao Pugnacitas.
Espero poder contribuir com este blog que já é um sucesso! Cuidarei principalmente de arte, música e cultura em geral, já vou adiantando.

Heitor,
Quero parabenizar-te pelo excelente post, rico em informações e certeiro na análise.

Catellius disse...

Grande Heitor,

A vitimização e o martírio são ótimos mobilizadores das massas. Segundo Nietzsche "a moralidade dos escravos (referia-se ao cristianismo) necessita de um ambiente hostil para funcionar; a sua ação é fundamentalmente reação". Então, para esses regimes/religiões, a criação de um inimigo diabólico, sempre pronto para o ataque, é fundamental para aumentar a fidelidade de seus membros/seguidores e também para angariar neófitos.
A prova disso é que a maior honra para essa gente é ter sido perseguida durante o regime militar, do mesmo modo que a maior honra para o cristão é saber que "o número de mártires de hoje supera o da época de Nero" - uma redonda mentira, pelo menos se considerarmos verdadeiros os números dos massacres romanos. Infelizmente, dramaturgos, cronistas e historiadores da época, ou pouco posteriores, incluindo Plutarco, Sêneca e Petrônio, não mencionam qualquer matança de cristãos em arenas, mas isso fica para algum post mais para frente.
O tragicômico dessas perseguições durante o regime militar é que os esquerdistas se ufanam delas, usam-nas como credenciais, tiram proveito político e... ...recebem dinheiro por isso! Ora, deveriam escolher: se foi vergonhoso ser perseguido, que recebam o dinheiro e calem a boca, que fiquem proibidos de dizer que "lutaram" pela pátria; mas se foi uma honra lutar pela sua pátria, vê-la livre e democrática, isto já devia ser o pagamento.
Como diria Jesus, em sua santa e humilde paciência: MALDITA RAÇA DE VÍBORAS, HIPÓCRITAS!

curvadorio disse...

Resumindo........Dedinho no Tobinha do LULA e dos PETISTAS !!!!! Que morram da pior forma possivel !!!!
Em 2010: CLODOVIL PRESIDENTE !!!!!

André disse...

Muito bom o seu texto.

Jovens se alvoroçam por qualquer bobagem, e nem precisa ser de esquerda (bem como eles, os jovens, nem precisam ser de esquerda). Che Guevara é o exemplo clássico.

A China ainda vai levar um sabão dos US of A, mas isso deve demorar. Jogue a palavra China no search this blog no meu site (ou simplesmente tenha paciência de procurar nos arquivos) e vai encontrar muita coisa interessante. Tanto sobre o funcionamento complexo da bagunça q é a economia chinesa, como sobre a parte militar.

Espero q o preço do petróleo caia bastante. Só pra ver o q o Chapolin Colorado vai fazer.

O acordo da Venezuela c/ a China é inócuo. Chavez está expropriando o q pode pra salvar a própria pele, enchendo os cofres do Estado.

O Brasil é capacho de qualquer um. Leia a entrevista na Veja dessa semana c/ aquele ex-diplomata.

Invadir a Bolívia, não. Mas seria bom se o Brasil tivesse (e acho vergonhoso q não tenha) as três armas bem equipadas e treinadas, o suficiente p/ fazer uma expedição punitiva em casos como esse, de vizinhos desagradáveis como a Bolívia. Agora, quantas cabeças seriam cortadas numa expedição punitiva dessa, isso eu deixaria p/ o general encarregado.

Caviar? Caviar sucks, my friend. É amargo. E o povo gosta mesmo é de rapadura.

As massas no Brasil não servem p/ revoluções (graças a Deus, Zeus e Zaratustra!). O povo é indolente, fraco e covarde. Aliás, o brasileiro médio, não apenas o povão. Quer ver uma guerra civil? Tire os canais do ar na hora de algum jogo decisivo de futebol.

Catellius: quer dizer q tem gente q acha q a perseguição aos cristão hoje é pior q naquela época.
É cada uma... Tem aquela teoria da Grécia Antiga ter sido toda negra, feita pelos africanos, vc já ouviu falar? E Roma também teria sido negra. Depois, o ocidente branco falsificou tudo. É mais ou menos isso. Bom, deve ter sido uma "áfrica" fazer todas aquelas esculturas de gente branca...

Desculpe pela viagem, mas uma bobagem faz a gente se lembrar de outra.

A sorte dos nossos esquerdistas é q não nasceram argentinos ou chilenos. Lá era desaparecimento na certa. E q eu saiba ninguém indenizou ninguém. Pelo menos não como fazem aqui.

É, quem sabe... Clodovil Presidente...

Bem vinda, Simone Weber!

André disse...

Ah, sim, Nietzsche dizia aos fortes p/ q tivessem cuidado, pois os fracos também tem sua força (eles existem em maior número) e sabem reconhecer quem é estranho, diferente deles (os fortes). Daí a gente vê pq a vida é dura...

"That which does not kill us, makes us stronger." aquilo q não nos mata nos torna mais fortes.

Essa frase é boa...

Costajr disse...

O mais hilário é assistir esquerdistas defendendo o modelo chinês que de comunista não tem nada.

Suzy Tude disse...

Heitor, uma aula a mais no meu currículo. Excelente. Desde o Transpinel até o surgimento do novo líder em outro século, colocando a culpa na 'herança maldita' do anterior 'líder'.
Mas não consigo conceber como se aceita a China como 'economia de mercado'. Poderia passar como economia de mercado para o mundo exterior, porque lá dentro o trabalhador chinês representa um custo de produção irrisório, já que reproduz de alguma forma o trabalhador da Inglaterra nos tempos da Revolução industrial: praticamente semi-escravo. Fora a 'chantagem das joint ventures' para piratear tecnologia.
O certo é que faltam qualidades básicas aos nossos 'líderes'.
Por outro lado, se voltarmos um pouco na História, quando houve o movimento inglês para a libertação dos escravos no Brasil, o que a Inglaterra precisava era de mercado consumidor para suas manufaturas. Tendo isso em vista, como explicar que aos EUA interesse um país subdesenvolvido, e, por isso mesmo, sem condições de consumir os produtos que eles gostariam que consumíssemos em maiores quantidades? Como explicar que não interessa ao norte-americano um Brasil subdesenvolvido a ponto de grande parte dos brasileiros migrar para lá competir por empregos (queaqui não encontram) com cidadãos norte-americanos? Será que isso interessa aos norte-americanos ou será que uma parte dessa posição brasileira não passa de pura inveja e preconceito?
Esse post é muito importante e tenho certeza que você não vai esgotar esse assunto aqui.

Grande abraço

Anônimo disse...

Heitor,

Considero importante ter pessoas com a sua visão ampla de mundo expondo o seu ponto de vista.
Estou sempre por aqui observando graças ao meu amigo Catelius.
Pretendo mostrar suas idéias aqui em Roraima, extremo norte do país.
Que tal uma idéia? Se puder sugerir! Amazônia...
Parabéns.

Severus/RR

Blogildo disse...

Excelente texto, Heitor. Vc leu a entrevista do ex-embaixador brasileiro nos EUA na Veja dessa semana? Num dado momento ele fala exatamente do erro de se classificar a China como 'economia de mercado'. Mas, já que o Brasil seguirá impávido rumo a irrelevância, eles torcem para o Dragão Chinês peitar a água americana. Canarinhos...

Ricardo Rayol disse...

heitor, sua análise é detalhada. Quase certo que a Cghina quer é sugar tecnologia sim. Afinal são mais de 1.400.000.000 de pessoas para dar emprego e manter assim seu status quo. O socialismo do seculo XXI é a continuação do raciocinio imbecil que é mais fácil nivelar por baixo. Distribuir pobreza é fácil quero ver fazer isso com riquezas. Migalhas advindas de recursos naturais são finitas e sujeitas as regras de mercado. Ponto para o Evil que vem enrabando a Petrobrás, e o contribuinte brasileiro, sem vaselina e com areia.

André disse...

Catellius, essas estão muito boas:

http://epw.senate.gov/hearing_statements.cfm?id=246768

www.opinionjournal.com/extra/?id=110008220

André disse...

Interlúdio:

Quem inventou a regrinha de concurso público "uma questão errada anula uma certa" deveria ser condenado a viver como camponês na Coréia do Norte por... 3 meses. Bastaria para que desaparecesse.

Ave, Caesar...

Roma, série da HBO em dvd, primeiro ano completo, 6 discos c/ 12 episódios: uma obra-prima. Tem a mão de John Milius, q fez a única adaptação decente da obra de Robert E. Howard (Conan, o Cimério) p/ o cinema: Conan, o Bárbaro, de 1980-81.

Excelente história, atores e visual. Reconstituição de época violentíssima... Ciarán Hinds, o César, é "o cara", como dizem. A segunda temporada começa esse mês na HBO. Pena que um dia vai acabar. Por mim, poderia se estender eternamente, até mudar de nome, de Roma pra Bizâncio. Terminaria só em 1453, com a queda de Constantinopla. Mas o zé-povinho não tem estômago, nem cabeça, pra tanto.

Luiz Edmundo disse...

Quando se trata de economia mundial, fica fácil lançar críticas, solução ninguém tem.

Em setembro tem um evento internacional em Campos do Jordão, acontece de dois em dois anos e eu costumo ir. Todas as correntes são discutidas e vários aspectos
são debatidos, todos têm prognósticos, mas de concreto sobra uma range da volatilidade dos mercados que ninguém prevê!

Abraço.
Ed

Catellius disse...

Grande André,

Entendo seu ponto e confesso que deu vontade de invadir a Bolívia, na época que ocupou as instalações da Petrobras. Mas neste caso acho exagero, porque nosso país se vira sem eles. Acabei achando a situação boa para que o Brasil aprendesse e cancelasse coisas como a Transpinel e passasse a investir no gás nacional. Infelizmente o gasoduto não é um projeto descartado e nossos dirigentes não têm bom senso. Eu invadiria a Bolívia se ela ameaçasse dobrar o envio de músicos-bomba tocadores de Beatles-quechua, Elvis-quechua e Richard Clayderman-quechua - ou aymará, versão boliviana do nosso aimoré.

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Caviar realmente sucks, mas o caviar de quem não o está comendo e nunca o comeu pode ser bom, afinal tudo é marketing, e o marketing da ova do esturjão, como você bem colocou, é o melhor de que se tem notícia.

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"Quer ver uma guerra civil? Tire os canais do ar na hora de algum jogo decisivo de futebol."

Falando em televisão, quem assiste às minisséries da Globo tem a impressão de que o Brasil foi forjado a sangue e fogo. Até o Acre tem uma história épica, com o José Wilker fazendo papel de José Wilker e todo aquele elenco batido. Só faltou o Tony Ramos no papel do boto, ou de um plâncton cabeludo dos igarapés...
Basta aquele elenco colocar toga e falar com o mesmo sotaque carioquês para interpretar Roma melhor do que o seu seriado da HBO, basta que coloque pele de burro e saco de algodão às costas para encarnar algum evento cavernoso da Bíblia.

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Vi os links que você me mandou sobre o aquecimento global - não estou falando do próximo paredão do BBB, he he he. Se é exagero ou não, fica difícil de questionar baseando-me em apenas um ou dois artigos. O fato é que temos que achar alternativas para o petróleo, se não por causa do possível hoax do efeito estufa, ao menos para esfriar os esquentadinhos fósseis islâmicos do oriente médio e o nosso fóssil socialista, o chapolim colorado, movidos combustível fóssil.

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Acho que os africanos não precisam reclamar a arte greco-romana para si, já que tiveram o Egito antigo, uma civilização talvez mais impressionante do que as européias, que se inspiraram nela. A civilização minóica tinha muita influência egípcia. Filósofos como Tales e Pitágoras viajavam seguidamente para lá para aprenderem trigonometria, agrimensura, arquitetura, etc. O próprio Moisés deve ter chupado o monoteísmo dos egípcios. Isso é um assunto para o Heitor. Quando ele se cansar um pouco do PT poderá escrever algo sobre o assunto.

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No Brasil, a ditadura foi até que branda, se comparada a de nossos vizinhos. Mas garanto que os "perseguidos" daqui que amargaram um mês de prisão lucram mais do que muitos que foram torturados por lá. Quando esses parasitas morrerem seus filhos vão tentar continuar mamando nas tetas do Brasil, sob o argumento de que sofreram ao verem o pai ser preso, sofrem hoje por terem sofrido no passado, etc. Se deixar, daqui cem anos os descendentes estarão recebendo pensão ainda, e a prisão de um mês do "perseguido", com a ajuda da minissérie global protagonizada pelo tataraneto do José Wilker com trilha sonora do bisneto da Sandy, será um evento tão épico que ele ganhará nome de rua, estátua e a efígie nas páginas da história brasileira.

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"É, quem sabe... Clodovil Presidente..."

A ditadura poderia voltar com força, diria algum desbocado por aí.

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"Bem vinda, Simone Weber!"

É isso aí. Ela deve postar em breve.

Abração e desculpe a demora em responder.

Patricia M. disse...

Oi Heitor!!!! Maravilhoso o post... Tenho que dizer que concordo com 100% do que esta escrito, e, alem disso, deu para rir da situacao em que estamos. Para se escrever coisa seria de forma ironica eh necessario talento, haha.

Ja deixei minha opiniao no meu blog uma vez: o problema da esquerda brasileira eh basicamente dor de cotovelo em relacao aos EUA. Queriam ser tao poderosos quanto, mas nao passam de bobos terceiro mundistas que nao se dao ao respeito nem em relacao aos vizinhos mais ignorantes...

André disse...

Olá, Catellius. Nenhum problema na sua demora.

Pior q os músicos-bomba tocadores de Beatles-quechua, Elvis-quechua e Richard Clayderman-quechua é aquelá coisa, aquela mistura de forró c/ ritmos caribenhos das Guianas e do suriname. Essa coisa vem lá do norte, do Pará, Amapá e Amazonas. As letras todas tem duplo, triplo sentido, e a batida é a mesma, como na música baiana. Digo isso pq meu prédio fica bem ao lado do cine brasília, e quase todo dia se reúne uma piãozada no estacionamento, movida a barraquinhas de churros e pastéis. Aí chega um daqueles Monza cor de beterraba com o porta-malas forrado de caixas de som e começa... Aproveitando q há mais libaneses aqui do q no Líbano, será q um deles pode trazer um lançador de mísseis anti-tanque pra mim?

Só não vão exterminar o esturjão pq inventaram a clonagem... E isso pq relativamente pouca gente consome o produto.

Só falta agora a saga épica do Amapá, Roraima e Rondônia. A única coisa q vale a pena naquela série é a Cristiane Torloni. E os bichos da floresta, q não aparecem.

José Wilker fazendo JK, q saco. Ele era tããão perfeito: o superindustrializador do país, o criador desse monolito burocrático aqui, o filho amantíssimo, o estadista, enfim...

Espere até essa série, como diz o subtítulo, chegar no Chico Mendes. Vai ser o maior drama popularesco...

Roma com sotaque carioca? A Globo talvez tentasse fazer uma com sotaque nordestino e Jesus Cristo ressuscitando e passando fogo naquela civilização "pagã". Com participação especial de Padim Ciço. Não, prefiro qualquer filme velho dos Trapalhões. Pelo menos o Renato Aragão era engraçado.

Claro, p/ o petróleo precisamos de alternativas. Eu aposto no óleo de cozinha contra a OPEP.

Eles tiveram também os núbios, civilizaçào negra, negra mesmo, sobre a qual pouco se sabe, mas parece q era bem interessante.

Também acho q Moisés pode ter tirado o monoteísmo de lá. Freud escreveu um ensaio sobre a possibilidade dele ter sido egípcio. Não duvido.

Heitor Abranches disse...

Falando em fundar novamente no país. Este é um negócio que está na moda. O Chavez refundou a Venezuela, o Imorales está afundando a Bolívia e o Tarso Genro também está tentando refundar o PT...Me engana que eu gosto.

Heitor Abranches disse...

Novidade de criação de cargos,

Companheiros alegrai-vos pois está em movimento uma operação para a criação de algumas centenas de cargos de coordenadores do PAC...vão ser o PAC man, ou PAC woman ou PAC gay...
Enfim....o programa primeiro emprego para os companheiros está bem defendido.

Bocage disse...

Viva Heitor,

Olha o que escreve Q.F.M. a respeito de Nero no excelente blogue Roma Antiga:

"Historiadores romanos acusaram-no de ter provocado o grande incêndio de Roma enquanto tocava lira e de ter acusado os cristãos, mas não há forma de comprovar isso (até porque os incêndios em Roma eram muito comuns). Teve o que se pode chamar actualmente preocupações sociais: cortes nos impostos, melhoria das condições de vida da população humilde (não só em Roma, mas também dos provinciais), o que o tornou popular entre a população. De qualquer modo a elite odiava-o, o que aliado aos gastos financeiros e escândalos pessoais acabaram por levar a diferentes revoltas. Teve de se suicidar, deixando o império em plena guerra civil e com diferentes guerras (revolta dos judeus, invasão de tribos bárbaras no Danúbio)."

Será que com teu presidente acontecerá o mesmo? Amado pelo povo, rejeitado pelas "elites", morto pelas próprias mãos enquanto algum Galba moderno toma Brasília?

Saudações.
Tenho apreciado imenso os textos do Catellius e os teus.

Patricia M. disse...

Acho que o Bocage deu uma excelente ideia, haha. Quem sabe a solucao de todos os problemas nao seja literalmente tocar fogo em Brasilia? :-) Ah, nao devemos esquecer de salgar a terra depois...

Eleitor disse...

Prezado Heitor:
Seu texto é um belo exemplo do catastrofismo dos que costumam sofismar o mundo Objetivo. No mundo objetivo esse "socialismo Bolivariano" ou "etnopopulismo boliviano" ou qualquer outra suposta corrente Socialista é reação. São reações claras e objetivas de negação ao modelo Neoliberal. Mas os adeptos e seguidores do modelo Neoliberal insistem em confundir Causa, com efeito. Gostem ou não(eu gosto) Chavez, Moralez e Lula são conseqüência da reação ao Nefasto modelo Neoliberal.
Você cita o crescimento da China de 10,7 em 2006. É um crescimento fantástico. Naturalmente que sempre quando se faz menção a essa taxa alguém lembra o baixos salários do empregado Chinês. É mesmo? Porque o Brasil com salários aviltantes cresce tão pouco. O consenso é por a culpa nas altas taxas de juros, carga tributária e etc. Na verdade a China em comparação com o Brasil tem um modelo corporativo imensamente mais justo. O modelo Chinês de gestão corporativa não privilegia o lucro rápido com a precarização da empresa e sim a expansão e a longevidade. Isso faz toda a diferença.
Concordo com você, é ingenuidade torcer para a China superar os EUA. Na verdade isso já ocorreu e ninguém pode garantir que será bom. Certamente a Hegemonia Americana é
uma condição desagradável a todos os povos pela irresponsabilidade que eles tem demonstrado.

Heitor Abranches disse...

Caro eleitor,

Cada um põe a culpa em quem lhe apraz. No seu caso, é o terrível e maléfico modelo neoliberal. No caso do Luiz Inácio, é a herança maldita das elites que governaram 500 anos até que nunca antes ele pudesse e blá blá blá...Na minha opinião, o Brasil poderia crescer mais neste momento e a 'principal' culpa é do PT e sua incapacidade de entender as oportunidades bem como apresentar um modelo de gestão equilibrado.

Anônimo disse...

São Paulo, domingo, 18 de fevereiro de 2007



RUBENS RICUPERO

Que diferença faz o Brasil?

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O Brasil tem só um setor em que faz diferença: o ambiente, que dominará a agenda internacional por cem anos
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NEM POTÊNCIA nuclear nem militar convencional, arrastando crescimento raquítico há 20 anos, o Brasil tem apenas um setor em que faz diferença em termos globais: é o ambiente, item vital que vai dominar a agenda internacional pelos próximos cem anos.
A jogada mercadológica dos bancos internacionais, a invenção do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia, China), não engana ninguém. Não passa de plágio do conceito original de George Kennan, dos "monster-countries", que incluía os EUA: países de elevada heterogeneidade devido à combinação de território continental com grande população.
Nesse grupo de cinco, ao qual se agregaria a União Européia, o Brasil é o único que não tem arma atômica nem forças convencionais modernas e efetivas.
Se, do ponto de vista militar, não somos páreo para nenhum dos grandes, o que dizer de outros aspectos? Em dinamismo econômico ou gigantismo de mercado, não podemos aspirar ao prestígio decorrente da fulminante expansão da China e da respeitável performance indiana.
A Rússia conserva muito do capital acumulado pela grandeza passada, dos submarinos nucleares ao Bolshoi. Ademais, é potência gasífera e, em menor grau, petrolífera, essencial para o suprimento de energia à Europa.
Sobra alguma área em que jogamos de verdade no primeiro time? Nas negociações comerciais, ou melhor, agrícolas, mercê da iniciativa inteligente pela qual arrebatamos a liderança outrora em mãos da Austrália e da Argentina. Nesse tema, temos peso específico próprio. As vitórias nos processos contra os subsídios americanos ao algodão e europeus ao açúcar, o prestígio da formação do Grupo dos 20 asseguram que qualquer solução terá de passar pelo Brasil.
Não é pouco em comparação à maioria dos países, mas esse êxito poderia ser estendido a questão de envergadura incomparavelmente maior: a da mudança climática.
A razão pela qual o Brasil é incontornável na solução do aquecimento global é a mesma que opera na agricultura: a extraordinária riqueza em recursos naturais que faria dele uma potência ambiental, se existisse tal conceito. O país controla (?) a maior floresta tropical e é abençoado com uma das mais amplas reservas de água doce. Sua biodiversidade confirma a intuição do hino: de fato, "nossos bosques têm mais vida".
A agenda mundial foi distorcida pelo terrorismo, o Iraque, a proliferação de armas, o Irã, o conflito israelense-palestino. A esse respeito, pouco ou nada podemos fazer, pois carecemos de poder militar e econômico, e nossa influência no Oriente Médio é próxima de zero.
Esses problemas são reais, mas alguns foram inflados ou criados por estratégia errada (a desnecessária invasão do Iraque, por exemplo). Para a imensa maioria da humanidade pobre e sofredora na África, na Ásia e na América Latina, sua relevância é quase nula.
Já a mudança climática afeta a todos: é a mãe de todas as ameaças. Até a desonestidade de governo dominado por lobbies petrolíferos como o de Bush começa a ceder e, em dois ou três anos, é provável que os EUA se resignem a limites de emissão obrigatórios. A partir de agora, o destino do planeta vai depender de uma agenda ambiental na qual o Brasil faz diferença.
O problema é que, salvo momentos brilhantes como o da Rio 92, volta e meia recaímos em posição defensiva. A fim de ganhar em matéria ambiental a influência que exerce na negociação agrícola, o país tem de seguir o mesmo caminho da agricultura: converter em uma oportunidade o que hoje é um problema.
Não basta culpar os industrializados. É preciso criar coalizão de peso como o Grupo dos 20, pôr na mesa propostas sérias, exigir contribuição dos outros, mas também de si próprio. No mínimo, comprometendo-se a não agravar a situação com as queimadas na Amazônia e a destruição da biodiversidade.
Se, nessas e outras áreas da política ambiental, tivesse o Brasil a excelência que alcançou nos biocombustíveis, encarnaria para um mundo sob ameaça mortal muito mais do que a potência militar dos EUA ou o crescimento predatório do tipo chinês: o exemplo moral de que é possível salvar a Terra respeitando a santidade da vida.

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RUBENS RICUPERO , 69, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Escreve quinzenalmente, aos domingos, nesta coluna.

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