06 outubro 2007

Tropa de Elite

Amigos, Inimigos e Desconhecidos leitores do Pugnacitas, acabei de assistir a Tropa de Elite, o filme que está na capa da revista esquerdista e governista Carta Capital e simplesmente adorei. Tornou-se absolutamente imperativo uma edição especial do Pugnacitas. Quem nunca olhou para aquelas manifestações de maconheiros pacificistas vestidos de branco e não teve vontade de entrar numa delas distribuindo porrada naqueles hipócritas que financiam o tráfico de drogas?


O Wagner Moura é o melhor ator desta geração. A atuação dele no papel do capitão do BOPE dividido entre a família e o dever é genial. O retrato do Rio de Janeiro é absolutamente fidedigno. A corrupção presente nas menores coisas do dia a dia. O clientelismo que vem desde a Corte Imperial. As panelinhas e o mercado de troca de favores. Para os amigos, os favores, para os inimigos a lei.

Quem conhece o Rio de Janeiro sabe do seu baixíssimo nível de civilidade. Andando pelas ruas, quando se cruza com grupos de pessoas elas não abrem passagem, pelo contrário, quase passam por cima da gente. Mulheres com carrinhos de bebê são como ambulâncias para os pedestres, vão abrindo caminho. Em ambientes AA como clubes de montaria, não deixe o seu jornal desacompanhado pois poderá ser roubado por uma madame.

Meus amigos esquerdistas fãs de José Dirceu consideram a corrupção a suprema arma revolucionária. Para eles, Tropa de Elite é um filme reacionário, pró-tortura e contra os direitos humanos. Eles vêem a corrupção como a prova da inviabilidade da sociedade aberta, individualista e da democracia liberal. Nestas horas, eles se esquecem das tríades chinesas, das máfias russa e cubana, mas tudo bem.

Quando aquela criança de cinco anos foi arrastada por um grupo de criminosos menores de idade no Rio de Janeiro por algumas dezenas de metros durante o roubo do carro em que se encontrava eu não me esqueço das baboseiras ditas pelo Lula, que aquilo era um problema social e que a redução da maioridade penal não teria o apoio do PT. Isto foi bem enfatizado no Senado por Mercadante, que conseguiu enterrar a iniciativa dos Democratas de reduzir a maioridade penal para 16 anos.

Falando em esquerdistas, quem poderia se esquecer de Brizola, um dos mais espirituosos oradores que já vi, que era casado com a irmã de João Goulart? A partir dele, o Estado no Rio de Janeiro perdeu o controle das favelas com a sua política de proibir a policia de subir nos morror. Se bem que o Brizola, comparado a esses caras que estão aí, era mil vezes melhor. Ele e o Darcy Ribeiro pelo menos pensavam em dar educação para o povo, enquanto os companheiros do PT preferem distribuir esmolas. Concluindo, vamos ao lema de Tropa de Elite: “Caveira” ou uma outra frase ótima do filme: “senta o dedo”.

66 comentários:

André disse...

Bom, meu amigo Heitor, eu vou ter que me virar com alguma outra coisa no cinema. Tropa de Elite parece q estreou hoje só no Rio e em SP.

Provavelmente vou gostar, não só pelo realismo e por saber que não há discurso político (especialmente o hoje onipresente de esquerda), mas também pq umas cenas de tiro à la Black Hawk Down às vezes me atraem.

“Quem nunca olhou para aquelas manifestações de maconheiros pacificistas vestidos de branco e não teve vontade de entrar numa delas distribuindo porrada naqueles hipócritas que financiam o trafico de drogas?”

Sim, na verdade isso é o q realmente incomoda os incomodados, nem tanto as cenas de tortura e afins.

O Wagner Moura é muito bom, sem dúvida.

“Quem conhece o Rio de Janeiro sabe do seu baixíssimo nível de civilidade.” Conheço mal o Rio, mas muito bem SP. Não é muito melhor.

Olha, francamente, se os esquerdistas não gostaram, eu já tenho a obrigação moral de ver, de ler, de saber do que se trata, seja lá o que for.

A Tríade chinesa, a Yakusa, as diversas máfias dentro e fora da Rússia, os cartéis latino-americanos, etc e tal, pelo menos tem um certo código mínimo de conduta, operando por regras rígidas e funcionando como empresas (verticalmente integrados, em muitos casos). Tem mais “ética” (essa palavrinha gasta) e até organização na atividade criminosa, do que o PT, por exemplo.

Muito menos pesado do que Tropa de Elite, mas recomendável, ao menos pra quem gosta de filmes policiais bem acabados, sem frescuras e que vão direto para os finalmentes, mostrando em detalhes o que acontece: Miami Vice, o remake de 2006. Mas também, filme do Michael Mann (O Último dos Moicanos e Heat — Fogo Contra Fogo), é garantia de qualidade.

Brizola fez acordos com o crime organizado, entregou tudo de vez.

“Caveira, caveira” mesmo!

Depois vamos colocar uma imagem legal nesse post, uma foto de um cara do BOPE ou do COE (Comando de Operações Especiais).

Essa é a matéria da Veja sobre o filme:

O tiroteio crítico é quase tão intenso quanto os choques entre policiais e bandidos na tela. Tropa de Elite (Brasil, 2007) só entrou em cartaz na sexta-feira no Rio e em São Paulo (a exibição no resto do país começa no dia 12), mas há tempos é um filme discutido, e também um dos mais vistos no país: pelo menos 1 milhão de DVDs piratas foram vendidos desde agosto. Depois de sua exibição no Festival do Rio, no mês passado, a patrulha ideológica abriu fogo: o filme do diretor José Padilha foi acusado de aceitar a tortura (veja quadro na pág. 137) e criminalizar o usuário de drogas. A indefectível pecha de "fascista" também foi levantada. Tudo bala perdida: Tropa de Elite não é nada disso. É um retrato desassombrado da violência urbana brasileira (ou, mais especificamente, carioca), do ponto de vista dos policiais que matam e morrem na guerrilha das favelas – de certa forma, é uma perspectiva complementar à de Cidade de Deus, que apresentava a mesma tragédia pelo lado de favelados e traficantes. Protagonista e narrador do filme, o capitão Nascimento, interpretado com uma convicção assustadora por Wagner Moura, espanca drogados, aterroriza moradores inocentes, tortura a mulher de um bandido e executa traficantes. Ele expõe suas razões com uma sinceridade fria. Tropa de Elite apresenta o ponto de vista de Nascimento, mas não o referenda. É um filme incômodo, o que talvez seja seu maior mérito.
A tropa de elite referida no título é o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Bope. Treinados para a guerrilha urbana, seus membros só entram em ação em situações excepcionais, no combate em favelas. "O Bope é uma espécie de aerossol da criminalidade. Quando as moscas se acumulam, você passa o inseticida e elas morrem – mas logo vêm outras. Da mesma forma, o Bope entra na favela, mata uns marginais, mas logo aparecem outros", diz José Vicente de Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública. O filme se passa em 1997, época em que o Bope tinha pouco mais de 100 integrantes. "O PM que conseguia passar nas provas de admissão do Bope entrava para uma verdadeira seita, cujos valores incluíam a recusa de toda forma de corrupção, mas também o exercício de uma violência sem limites", explica o antropólogo Luiz Eduardo Soares, autor, ao lado dos policiais André Batista e Rodrigo Pimentel, do livro Elite da Tropa (Objetiva), que inspirou o filme. Hoje, o Bope já conta com 400 integrantes – o que representa cerca de 10% do efetivo da PM carioca – e perdeu esse caráter de seita fechada. As queixas registradas contra o batalhão na ouvidoria da Polícia Militar, porém, ainda dizem respeito quase exclusivamente a casos de violência e abuso, e não de corrupção. O Bope só participa de ações localizadas e portanto não convive com a população, o que diminui as oportunidades para pedir propinas. Seus membros também são mais bem remunerados do que o PM convencional – têm uma gratificação de 500 reais sobre o salário básico de 780 reais.
A história de Tropa de Elite se centra no esforço do capitão Nascimento para deixar o Bope. Ele está para ganhar um filho e não quer mais participar de ações arriscadas. Precisa encontrar alguém que o substitua na tropa. Os melhores candidatos são os novatos Neto (Caio Junqueira) e André Matias (André Ramiro, ex-bilheteiro de cinema que também é novato na carreira de ator). O Bope aparece para os dois como uma ilha de honestidade no meio da podridão da PM convencional. Cada um dos dois aspirantes tem seus méritos e limitações. Neto gosta da dureza militar, mas é impetuoso demais, a ponto de às vezes colocar os companheiros em risco desnecessário. É um homem dividido. Cursa direito em uma faculdade privada e esconde dos colegas que é policial.
O núcleo dramático formado por Matias e seus colegas é um dos pontos mais polêmicos – e acertados – do filme. Os estudantes são críticos da violência policial, mas condescendentes com os bandidos de quem compram drogas. Alguns fazem trabalho voluntário em uma ONG que opera no Morro do Turano em virtual cumplicidade com o tráfico. O filme é duro na sua caricatura dos "playboyzinhos" que sustentam a bandidagem, mais duro até do que no retrato de bandidos e policiais. Estes têm clareza do papel brutal que lhes cabe na guerra das favelas. O comprador de drogas, ao contrário, vive no inferno das boas intenções: escuda-se nas "passeatas pela paz" para justificar suas contravenções hedonistas. "O usuário recreativo sabe que as drogas que ele compra vêm de grupos armados que controlam comunidades carentes. Ele faz uma escolha consciente de sustentar o crime. Não há como argumentar contra esse fato", diz Padilha.
Na exibição de Tropa de Elite no Festival do Rio de Janeiro, houve gente da platéia "torcendo" pelo Bope, com gritos de "caveira, caveira" (o logotipo do batalhão é uma caveira atravessada por um punhal). Tropa de Elite parece estar isolado entre duas formas de incompreensão: a patrulha ideológica e uma claque difusa que, revoltada ou confusa com o cerco da criminalidade, acredita que o policial "justiceiro" é a solução. Tropa de Elite, afinal, se vale de algumas convenções do filme policial americano – por exemplo, o policial que vinga a morte do parceiro –, em que justiceiros como o "Dirty" Harry de Clint Eastwood têm uma longa tradição. Mas há diferenças óbvias: nem o truculento vingador interpretado por Charles Bronson na série Desejo de Matar ameaçaria empalar com um cabo de vassoura um garoto cujo único crime foi ter aceito um par de tênis de presente dos traficantes. A torcida da caveira talvez seja mais um sintoma da crise moral e institucional que ronda a segurança pública no Brasil. Há algo de profundamente errado em uma sociedade que só aplaude sua polícia quando ela se comporta como o bandido.

NA FRONTEIRA ENTRE A CIVILIZAÇÃO
E A BARBÁRIE

"Todo policial do Bope sai do quartel com seu saquinho plástico. Serve para pôr na cabeça do marginal, apertando bem na base, que fica amarrada no pescoço. O sujeito sufoca, vomita e desmaia. É meio nojento, mas eficaz." Assim o livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, descreve o que seria a técnica mais utilizada pelos policiais para obter a localização de armas e drogas. O capitão Nascimento de Tropa de Elite é um adepto do saco plástico. Entre os 3 milhões de espectadores estimados da versão pirata do DVD, há os que se horrorizam com essas cenas de tortura – mas há também quem a aprove como forma de lutar contra a bandidagem. Essa discussão que o filme enseja no Brasil tem sido intensa nos Estados Unidos há três anos, desde a divulgação de fotos de presos torturados na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.
O estado de emergência imposto pelo terrorismo entre os americanos fez com que a idéia de que a tortura é justificável em alguns casos passasse a ser defendida. Em Not a Suicide Pact (Não um Pacto de Suicídio), Richard Posner, um dos mais respeitados juristas americanos, escreveu que "interrogatórios coercitivos que se aproximem da tortura ou a incluam podem resistir a contestações constitucionais, desde que os resultados de tais interrogatórios não sejam utilizados em processo criminal". Traduzindo do legalês: a Constituição americana admite a tortura se as informações obtidas não forem utilizadas para levar o torturado a julgamento. A proposição é discutível, já que a oitava emenda da Constituição americana, de 1791, proíbe, com muita clareza, "punição cruel e pouco usual". Um consultor jurídico da Casa Branca, John Yoo, tentou contornar essa interdição, estreitando a definição de tortura para enquadrar somente práticas que possam causar a morte.
Os liberais que se opõem ao governo Bush têm se enredado em considerações igualmente capciosas. Argumentam, por exemplo, que as informações obtidas de terroristas torturados são irrelevantes ou pouco confiáveis. Se fosse esse o problema, bastaria desenvolver técnicas mais apuradas para infligir dor. Com essa ênfase canhestra na eficiência do interrogatório, não é de estranhar que o herói ficcional da era do terror seja Jack Bauer. Interpretado por Kiefer Sutherland na série 24 Horas, o agente do contraterrorismo não hesita em esgoelar, espancar ou dar choques nos inimigos. Como o capitão Nascimento, Bauer nunca deixa de cumprir sua missão. A suposta "eficiência" do saco plástico e do fio elétrico, porém, não deveria sequer entrar em questão. A tortura deve ser recusada porque ultrapassa uma fronteira muito nítida entre a civilização e a barbárie. Não existe falácia jurídica ou malandragem conceitual que a torne admissível.

Heitor Abranches disse...

Pois e Andre,

Os nossos revolucionarios petistas sao corruptos e nao se envergonham disto.

Outro dia, a ministra Dilma dizia que era uma ingenuidade tupiquim querermos tecnicos de carreira para dirigir as estatais...

Todos sabem que ela e uma vaca estupida mas defender na cara dura a nomeacao de dirigentes em troca de favores politicos e apologia da corrupcao.

Heitor Abranches disse...

Aonde chegamos?!

Aos menos os corruptos da direita se preocupam em ter um curriculo que os habilita a ocupar os cargos que ocupam e tempo de partido nao conta.

André disse...

Há corruptos do mesmo tipo na direita, mas não com o mesmo descaramento dessa gente, essa é uma das diferenças. Alguém na posição ocupada pela Dilma jamais poderia dizer isso publicamente. Eu lhe daria uma advertência dura e pública, se pudesse. É uma falta de respeito com o pessoal técnico, especializado. O errado é achar certo, natural, a nomeação de apadrinhados para cargos de direção e outros igualmente importantes. Isso é gritante, é o óbvio.

E ela, logo ela, q é supostamente o "homem forte" (homem ela pode ser, forte, duvido) do governo, a tal figura que faz e acontece, depois q o Dirceu teve q sair (ainda q este continue operando nos bastidores, seu grupo sofreu um golpe duro em 2005). Se fosse uma declaração de um capacho menor do Lampião, tipo um Dulcci, um Genro ou um Mantega, já seria ruim. Pior ainda dito por ela.

Heitor Abranches disse...

Hoje assisti ao Imorales dando uma entrevista para um programa de humor da CNN.

Mas que filho da puta. Aquilo foi uma aula de politica.

1) O viado estava bem vestido com uma roupa que algum estilista fez com motivos indigenas;
2) Ele fez dieta e estava usando uma boa maquiagem;
3) Ele falava calma e mansamente;
4) Ele conhecia os temas da politica americana e sabia explorar questoes, sempre mansamente, das tropas dos EUA no Iraque, do aquecimento global, do consumismo...
5) O filho da puta ia na jugular do sentimento de culpa do progressista americano sempre com um sorriso discreto e aberto...
6) Elogiou o apresentador e diante das pergutas mais dificeis como a oposicao em seu pais respondeu com um mambo jambo sobre convivencia das diferencas em um pais multicultural....ou seja, bla, bla, bla,...
7) O gringo foi completamente enrolado...
8) Mas uma coisa seja dita...Ele cumpriu o que prometeu...Os petistas sabiam e nada fizeram senao apoiar a sua eleicao contra os interesses brasileiros e da Petrobras. Antigamente, isto era traicao.
9) Por fim, ele se gabou que as rendas do Estado com o gas subiram de US$ 200 para US$ 2 bi...E ainda tem petista que diz que o Brasi nao tomou no cu naquela negociacao coordenada por eles.

Heitor Abranches disse...

Falando em traicao...

O chanceler do PT para as Relacoes Internacionais, o Celso Amorim que inovou a politica externa brasileira passando a nos por de quatro nao apenas diante de paises poderosos mas da Bolivia e da Venezuela foi ao Equador convidado por Rafael Correa que o quer como intermediario e advogado das mas noticias para a Petrobras que teve seus contratos assinados violados por aquele governante. Ele e o chefe das nossas Relacoes Internacionais, o Marco Aurelio Garcia devem em breve chamar o Gabrielli para tomar as suas instrucoes.

André disse...

Celso Amorim e o número, 2, Samuel Pinheiro guimarães, que também é completamente louco, são esquerdistas carreirista do Itamaraty, vagabundos ressentidos que deram a sorte do PT ter chegado ao poder, só isso. O que eles vem fazendo é desastroso, seja toda essa submissão envolvendo a Petrobrás na Bolívia e agora no Equador, seja essa tentativa ridícula de dar uma de país não-alinhado, de querer ser o primeiro do terceiro mundo, etc, o que não significa absolutamente nada, exceto dar presentes, caros, para vizinhos pobres e africanos.

André disse...

carreiristas, corrigindo

Eduardo Silva disse...

Poxa fui a o cinema este fim de semana e não estava em cartaz o tropa de elite, acabei que assisti um filme rídiculo que até tenho vergonha de dizer qual foi!!!
Mas estou louco para assistir.

Eu cito uma frase do texto constantemente, mas um pouco diferente:

para os meus amigos, as benesses da lei, para os meus inimigos, os rigores da lei.

Heitor Abranches disse...

pois e andre,

Ja assisti palestras do Samuel Pinheiro Guimaraes. Ele era ate engracadinho. Na epoca em que todo mundo morria de medo da globalizacao e da ALCA ele era o apostolo anti-ALCA. Isto a gente tem que reconhecer, ele sabia marcar posicao...coisa que este Amorim...tipico politico carreirista de falam mansa nao faz. Outro dia, vendo uma entrevista dele, dizia que sonhava em ser um cineasta...Ao inves disto temos mais um politico sofista. Uma vez, contestado por outro diplomata que dizia que o Brasil deveria ter uma reacao comercial e recorrer as instituicoes internacionais diante da expropriacao boliviana ele mandou uma tipo que o Brasil nao era uma potencia agressora que mandaria tanques para a Bolivia. Jogou para a arquibancada e enfraqueceu a sugestao de uma postura firme do seu adversario na discussao.

Catellius disse...

Só poderei comentar quando o filme chegar aos cinemas de Brasília. Não gosto de assistir por cópias piratas, apesar de quase todos filmes nacionais merecerem ser pirateados, he he.

Adianto, contudo, que é apenas um filme e seu objetivo deveria ser entreter. Transparecer qualquer intenção social, reacionária, de melhorar a situação ou de mantê-la como está é quase sempre prejudicial ao filme por torná-lo pretencioso.

Muitos filmes panfletários são excelentes. Mas pelo enredo, atuação, direção, fotografia, música, etc.

Ainda que Wagner, não o Moura mas o Richard, meu recorrente exemplo de perigoso-ideológico-mas-gênio-da-arte, transpareça anti-semitismo em suas óperas, em personagens como o anão Alberich por exemplo, sua música não fica pior por isso. E não ficaria melhor se condenasse tal vil preconceito.

A arte panfletária soviética e nazista era às vezes maravilhosa, afinal tinha que cumprir a meta de enganar. Do mesmo jeito, seria bom para a Igreja Católica se suas músicas recuperassem a qualidade de outrora, para bem vender o paraíso e o inferno que prometem a correligionários e a adversários, respectivamente.

Mas há um grande problema em filmes panfletários. Não raro cumprem sua função de moldar opiniões nas mentes menos informadas. Por isso sou contra o patrocínio estatal para filmes e arte em geral. Não gosto de financiá-los, principalmente os de esquerdistas, que pululam no Brasil. E não gosto de financiar Tropa de Elite, ainda que denuncie os maconheiros mauricinhos que ajudam a sustentar os traficantes.

Por isso filme nacional tem mais é que ser pirateado, he he. Já não paguei para ele ser feito? Nos custos já não entra o cachê de atores, diretor e equipe técnica? Os cinco reais da cópia pirata vão para o trabalho de copiar, para o custo do DVD virgem, para o trabalho do camelô de ficar o dia inteiro vendendo suas tralhas na rua.

Não comprei uma cópia pirata porque prefiro assistir no cinema. Apenas por isso.

André disse...

Sei que na época do Fernando Henrique a mania do S. P. Guimarães de discursar contra a ALCA incomodou, pois ele ser funcionário do governo, só por isso, e essa não era a posição oficial do MRE. Naquela época o ministro era o Lafer, que ao menos era um cara realista, dizem que responsável e até com alguma classe, um homem decente, acho. Ele jogou esse maluco num instituto ou departamento sem importância do MRE, de onde ele jamais teria saído, não fosse a entrada do PT no poder. Acho o Samuel asqueroso, parece um vampiro de filme B. E há algum parentesco ou afinidade entre ele e o insignificante Celso Amorim, ele é casado com alguém da família do Amorim, acho. O Amorim não tem nada na cabeça, só diz banalidades. Nem chega a ser político sofista, acho q é um burocrata sofista. E tem cara de capacho, de subserviente. Duvido q tenha tido uma idéia na vida. E um país decente (ou eu, pelo menos) teria dado uma pequena surra nos bolivianos, uma retomada da refinaria seguida de alguma operação de guerra localizada, nada em larga escala, claro, mas uma resposta rápida, dura e arrasadora, calculada para causar algumas baixas entre eles e, principalmente, muitos estragos na infra-estrutura. Seria também uma forma de dissuadir futuros vizinhos com idéias como essa, de tirar proveito do Brasil. Mas, deu no que deu...

André disse...

corrigindo: POR ele ser funcionário do governo...

Catellius disse...

Eduardo,

"acabei que assisti um filme ridículo que até tenho vergonha de dizer qual foi!!!"

Deve ter sido

A Hora do Rush 3

ou Eu os Declaro Marido e Larry

ou Ligeiramente Grávidos

ou O Homem que Desafiou o Diabo

Antigamente cineminha com a mulher amada significava bons amassos. Hoje pode significar "filminhos água com açúcar". Ainda bem que minha esposa não gosta de novela e de filmes melados. Gosta de épicos e de suspense, he he.

Catellius disse...

Estou ouvindo o choro de minha filha, que acabou de acordar. Então é hora de se aprontar para o almoço.
Falou!!!!

André disse...

Eu gosto de filmes como entretenimento, mas também gosto de filmes que ensinam algo, nem que seja História pura e simples (ou deturpada, às vezes). Mas não acho q esse seja o caso de Tropa de Elite (ensinar). Nem entreter. Mas é bom um filme que tem coragem de mostrar as coisas como elas são.

Agora, filmes com intenção social, discursos, etc, quase sempre são um saco.

Muitos filmes panfletários são mesmo excelentes por essas coisas aí q vc apontou.

Albert Speer, o arquiteto nazista com mil e uma habilidades, fazia espetáculos impressionantes. E a Leni Riefehnstal filmava tudo muito bem. Speer foi o único (é verdade) homem com quem o Führer jamais se enfureceu, jamais censurou (nem quando este veio lhe dizer que não ia mais cumprir suas ordens, em abril de 45, e foi embora), por isso era bastante temido pelos outros. Curiosamente, protegeu/salvou vários judeus (teve secretárias judias, entre outras coisas) e passou o resto da vida torturado por ter se acovardado, sabendo das coisas que aconteciam. Ele era um gênio, mas um homem fraco. Apolítico, trabalhador e perfeitamente manipulável. Uma pena.

“Por isso filme nacional tem mais é que ser pirateado, he he. Já não paguei para ele ser feito?” Mandou bem.

E eu não comprei uma cópia pirata desse filme por causa da qualidade e pq no cinema tem algumas coisinhas a mais, além de 5 minutos adicionais.

Heitor Abranches disse...

Andre,

Na minha opiniao, ha um certo paradoxo no uso da forca e te digo que seria contra usar a forca contra a Bolivia.

Acredito na dissuasao. Em se ter uma forca de defesa estilo suica, eficaz e pronta a defender a integridade territorial, as instituicoes da democracia liberal e as liberdades individuais.

Quanto a Bolivia, acredito que teria sido adequado o uso das garantias contratuais que nunca foram acionadas.

Faltou ao governo a etica e a separacao dos interesses do socialismo petista, do estado nacional brasileiro e dos acionistas majoritarios nao controladores da Petrobras.

O PT foi o interlocutor de uma negociacao que prejudicou o estado nacional brasileiro, os acionistas da Petrobras e os consumidores brasileiros.

Eu, francamente acredito que as forcas armadas sao otimas para nunca se ter de usa-las. Uma vez que a tiramos dos quarteis, nunca se sabe como e em que circunstancias retornarao.

Veja-se o caso dos proprios americanos que tiveram o velho Ike como presidente e os israelenses que tem tido uma sequencia de generais primeiro-ministros.

Ricardo Rayol disse...

Meu caro heitor, isso que eu chamo de uma baita resenha.

Bocage disse...

Conselho da Europa rejeita Criacionismo nas escolas


As teorias da concepção da vida na Terra estiveram em discussão no Conselho da Europa, que aprovou esta sexta-feira uma resolução que rejeita a possibilidade do Criacionismo ser ensinado nas escolas.

De acordo com o texto adoptado na assembleia parlamentar, a teoria ou sistema que sustenta que as espécies animais e vegetais foram criadas por Deus de forma distinta e permanecerem invariáveis é uma crença e não tem qualquer base científica.

A deputada luxemburguesa, Anne Brasseur, refere que "há criacionistas que querem fazer passar a sua crença por uma disciplina científica e instituir o ensino da sua crença nas aulas de biologia. É neste ponto que reside o perigo." As interpretações do Darwinismo, teoria de Charles Darwin sobre a evolução por meio de selecão natural e sexual, são muitas vezes utilizadas pela extrema-direita, que rejeita a ideia do homem ter tido origem numa espécie inferior.

Anne Brasseur refere mesmo que quando se lê "alguns livros onde é dito que Darwin está na origem do terrorismo é preciso colocar-se muitas questões sobre os autores."

De acordo com a resolução aprovada esta sexta-feira, o Criacionismo pode ser uma ameaça para os direitos do homem. O documento aprovado por 48 votos a favor, 25 contra e três abstenções, sublinha a ameaça que esta teoria representa para a pesquisa científica em geral e para a medicina em particular. Vários teóricos de um Criacionismo radical defendem a substituição da democracia por uma Teocracia.

André disse...

Claro, Heitor, nem mesmo o uso das garantias contratuais passou pela cabeça dos petistas. O que seria o mínimo.

Eu acho que as forças-armadas podem ser usadas de vez em quando, quer dizer, além de situações de guerra. Elas só são imprevisíveis e perigosas em países fracos, de instituições fracas, piores q o Brasil (o Brasil atual). Como alguns dos nossos vizinhos. Mas com a Bolívia uma intimidação, uma demonstração de força sem uso da mesma também poderia ter funcionado. Caso eles não desocupassem a refinaria, aí sim, algo mais “substancial” seria aceitável.

Eisenhower foi um ótimo presidente. Conteve muita gente de extrema direita, como o jovem Nixon, entre outros. Tinha cabeça, entendia muito de geopolítica, fez o possível. Há muitas histórias interessantes do Eisenhower.

Quanto aos vários generais e ex-membros de forças de elite e do Mossad que entraram na política e chegaram a primeiro-ministros em Israel, isso é normal, é da natureza do país. Civis e militares (aliás, muitos deles na esquerda israelense, os trabalhistas, uma esquerda sofisticada e evoluída, nada a ver, lógico, com a mentalidade de verminose raspa-prato, predatória, evidente nos “nossos” petistas e quejandos) vivem interligados no Estado de Israel. Sem falar nos rabinos, dos moderados aos ortodoxos de extrema direita. É uma zona, mas todo mundo se entende razoavelmente. É natural que uma nação que vive em estado de quase guerra permamente tenha uma participação considerável dos militares no governo. Israel é bastante democrático, os militares não fazem mal ao país nem o ameaçam, muito pelo contrário. De qualquer maneira, é uma necessidade. Todo mundo lá serve as forças-armadas de uma forma ou de outra em algum período da vida. Muitos entram e não saem mais. Bom, isso é só o começo, essa é uma longa história e a sociedade israelense é bastante complexa, mas é mais ou menos isso. Enfim, Israel é um caso especial.

Boa semana pra todo mundo

Ah, sim, Bocage:

“Vários teóricos de um Criacionismo radical defendem a substituição da democracia por uma Teocracia.” Burrocracia, isso sim. Que bom que votaram contra o Criacionismo. E ainda tem gente q tem coragem de votar a favor disso!

Heitor Abranches disse...

Proponho alteracao do nosso lema latino para:

Non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo, hoc divinum est.

André disse...

Tradução, please. Sou ignorante em latim, tirando umas palavras soltas, he, he.

A Língua disse...

FOI CASSADA pelos MILITARES (Graças a Deus!) a liminar de recompen$a kriminosa a familiares do "TRAIDOR LA-MARKA", o entreguista de bandeija do Brasil à URSS.

Heitor Abranches disse...

Traducao nao literal,

Visao global combinado com acao local é o bom equilíbrio.

Holy Father disse...

"Non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est"

Este aforismo de Hölderlin no início de seu Hipérion, citado pelo então Cardeal Ratzinger, serve para nos lembrar a imagem cristã da verdadeira grandeza de Deus: "Não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é divino".

Creio que essa citação nos ajuda a compreender que "o espírito ilimitado, que traz em si a totalidade do ser ultrapassa o ´máximo`de tal forma que este se torna insignificante para ele, e ele penetra até o ínfimo porque para ele nada é pequeno demais. Justamente o fato de ultrapassar o máximo e de penetrar no ínfimo constitui a verdadeira essência do espírito absoluto. Mas, ao mesmo tempo, revela-se nesse ponto uma inversão de valores do máximo e do mínimo, do maior e do menor, e esse é um traço característico da visão cristã da realidade. Para aquele que, como espírito, sustenta e abarca o universo, um espírito ou um coração humano que seja capaz de amar é maior do que todos os sistemas de vias lácteas. Os parâmetros quantitativos são deixados para trás; aparecem outras ordens de grandeza segundo as quais o infinitamente pequeno abarca realmente tudo, sendo ele o verdadeiramente grande".

O contexto da citação
Extraída do Cap.3 do livro citado (O Deus da fé e o Deus dos filósofos), esse trecho, conquanto belíssimo é mesmo um desafio. Pretendo ao situá-lo, agora, no contexto do livro, de modo a que meus seis leitores possam apreciá-la como eu a apreciei, inclusive na sua dificuldade de compreensão.

1. A opção da Igreja primitiva pela filosofia.
Onde Ratzinger trata de explicar como a Igreja primitiva resolveu o problema de esclarecer qual era o Deus da fé cristã. Pregando e vivendo a fé num “ambiente saturado de deuses”, os cristãos primitivos viam-se diante da pergunta: “a qual deus corresponde o Deus cristão, se a Júpiter, a Hermes, a Dioniso ou a um outro qualquer?”
E a resposta era sempre: “a nenhum dos deuses que vocês adoram, mas única e exclusivamente àquele Deus que vocês não adoram, ou seja àquele ser supremo do qual falam os filósofos...”

Essa foi a opção pelo “logos” contra o mito, assinala Ratzinger. Opção acertada para aquela época e para hoje, como se vê na conclusão de um longo exame que o Cardeal faz entre a oposição entre fé e razão:
- “ A fé cristã optou não pelos deuses das religiões e sim pelo Deus dos filósofos, isto é, decidiu-se contra o mito do habitual e exlusivamente a favor da verdade do ser mesmo”.

2. A transformação do Deus dos filósofos. O passo seguinte, descreve que, ao decidir-se por esse Deus dos filósofos, a fé cristã entendeu também que o ser humano pode e deve dirigir-se a ele em suas orações, assinala Ratzinger, ressaltando que esse passo significa dar a Deus a face humana, o Deus dos homens que não é apenas o pensamento do filósofo nem só “a matemática eterna do universo” mas também, e sobretudo, “ágape e poder do amor criativo”.

Essa experiência magistralmente exposta por São Paulo em Romanos 1, 18-31 não pode ser compreendida pelos gentios e a compreensão é uma experiência única e, às vezes, dolorosa. Eis o caso de Pascal que, acostumado e identificado com o pensamento matemático, passa uma noite pela experiência que lhe dá o entendimento de Deus e escreveu num bilhete uma frase que passou a carregar sempre costurado à sua roupa:
- “Fogo, o Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó não o Deus dos filósofos e sábios”.


Pascal compreende que o “Deus que é a geometria eterna do universo só pode sê-lo por ser o amor criador”.
Outro magistral exemplo, Ratzinger o encontra em Lucas 15, 1-10, na parábola da ovelha extraviada e da moeda perdida. Nela, Jesus justifica e descreve a sua atuação e a sua missão como enviado de Deus e a relação entre Deus e o ser humano. O resultado é a compreensão de um Deus cristão “extremamente antropomorfo” – ressalta Ratzinger. O Deus que encontramos ali, como em numerosos textos do Antigo Testamento é um Deus que “tem as paixões de um ser humano, ele se alegra, procura, espera, vai ao encontro...Ele não é a geometria insensível do universo, não é a justiça neutra que paira acima das coisas, insensível ao coração e seus afetos. Esse Deus tem um coração, ele ama com toda a excentricidade típica de uma pessoa que ama.”

Mas o entendimento da realidade cristã pode fracassar se o leitor não apreender essa humanidade do Deus Cristão. De fato, “a grande maioria dos seres humanos de hoje crêem que deve existir algo parecido com um “ser supremo” só que acham absurdo que esse ser se preocupe com os seres humanos”. Esse temor a uma espécie de antropomorfismo de Deus, destaca Ratzinger, é ainda mais real e palpável hoje do que no início do cristianismo.
- Ah, quando que Deus vai se preocupar comigo, com meu mundo miserável, com meus pecados ou virtudes, com minhas escolhas, enfim com minha vida?! dizem muitos hoje em dia...

Eis, pois, onde se situa o poeta Hölderlin que, nos chama a fugir da estreiteza de raciocínio e nos convida a pensar num Deus como espírito ilimitado. O teólogo e o homem de fé nos convida a refletir que, ao pensar em Deus como o poeta resumiu em seu aforismo, devemos imaginar que “os parâmetros quantitativos são deixados para trás; aparecem outras ordens de grandeza segundo as quais o infinitamente pequeno abarca realmente tudo, sendo ele o verdadeiramente grande”.

Nesse ponto justamente é que a mensagem do Evangelho e a imagem cristã de Deus corrigem a filosofia, ensina Ratzinger: “mostrando que o amor é mais sublime do que o mero pensamento. O pensamento absoluto é amar; ele não é um pensamento insensível e sim criativo, porque é amor.”

Esse texto pra mim, parece mesmo a origem da primeira encíclica de Bento XVI"Deus é Amor".


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(À suivre 3: "O reflexo dessa questão no texto do Símbolo apostólico - o Credo").
Espero, sinceramente, ter dado a meus seis leitores mais elementos de compreensão da citação de Holderlin e criado interesse na leitura do excelente livro "Introdução ao Cristianismo", de nosso Papa Bento XVI, que o escreveu quando então Cardeal Ratzinger.

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Fonte: Introdução ao Cristianismo, J. Ratzinger, p.109/10.

Holy Father disse...

http://www.verbeat.org/blogs/zadig/

André disse...

Minha modesta contribuição (não uma alternativa à frase sugerida pelo Heitor, mas só uma tradução livre): As grandes coisas também estão presentes nas pequenas. “Grandes coisas têm começos pequenos” também é boa.

Quem são seus seis leitores, Holy Father? Vc está se referindo a nós todos aqui?

Há controvérsias, mas o Ratzinger escreve muito bem (além de ser um homem inteligentíssimo). Persuasivo, sofisticado, sutil. Perigoso, mas pelo menos tem classe e estilo.

Blogildo disse...

Muito bem observado, Heitor! "Tropa de Elite" está tirando o sono da esquerda progressista carioca. O Arnaldo Bloch classificou o filme de fascista! Vê se pode?! Daqui a pouco ele vai dizer que o Coppola é mafioso!
Um tal de Cuenca, depois que viu o filme, quer rever a lei da Anistia. Ele acha que o povo tolera tortura devido a anistia. E outras bobagens.

O pior é que já estão "torturando" os atores, produtores e diretor do filme para que confessem que não comungam da idéia central do filme: Quem consome drogas ilegais patrocina o tráfico!

É isso: Caveira, mermão!

André disse...

Bem, Cidade de Deus é muito bom, muito bem feito, mas mostra a visão do outro lado, e só mostravam a visão desse outro lado, sempre. Tropa de Elite é uma brisa de ar fresco (e porrada) no cenário atual. Sexta ou sábado eu vou ver...

Esquisita essa de querer rever a lei de anistia por causa da tortura no filme.

Estão homenageando pra burro o Che. E isso não vai acabar tão cedo. Em 2008 virá o filme do Steven Soderbergh (Ocean Eleven to Oceans Thirteen, entre outros), com o Benício Del Toro como Che. Acho uma bobagem toda essa gente talentosa gastar tempo e dinheiro contando a história desse sujeito, mas enfim... quem sou eu? E que sei eu?

Em tempo: OS FILMES. Serão dois e estão sendo rodados simultaneamente. The Argentine e Guerrilla. O início e o fim, algo por aí.

Se o chatinho Diários de Motocicleta fez o maior sucesso aqui, imaginem esses. Afinal, serão infinitamente mais bem feitos, bem acabados, made in USA, lógico, o nível de qualidade é o já conhecido... talvez até tenham momentos interessantes. Mas é certo q terminem fazendo a hagiografia, de novo, do santo. Espero q não, mas espero o pior também.

Holy Father disse...

Quem são seus seis leitores, Holy Father?

O texto não é meu. Reconheci a frase latina, citada pelo Heitor, como tendo sido proferida pelo Santo Papa há algum tempo. O texto está blog Zadig, no endereço http://www.verbeat.org/blogs/zadig.

Holy Father disse...

está no blog

Heitor Abranches disse...

Eis o texto de onde tirei a citacao:

Autor: Pe. Manuel Eduardo Iglesias, sj



Inácio, o místico pragmático

É tarefa árdua falar em poucas palavras sobre uma pessoa que admiramos. Já foi dito alguma vez que Inácio de Loyola é o tipo de santo que a gente demora a conhecer, mas conforme o vamos descobrindo ele vai nos conquistando até chegar a nos cativar. Isto aconteceu comigo. Vou trazer para vocês a frase com que um jesuíta anônimo resumiu o espírito do santo, no ano de 1640, quando se comemorava o primeiro centenário da fundação da Companhia de Jesus. Non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo, hoc divinum est. Traduzido seria algo assim como: não ter limites nas coisas grandes dando atenção às mais pequenas é algo divino. Em outras palavras, é admirável a pessoa que sonha alto, porém, se mantém capaz de dar atenção ao mais pequeno.

Esta é uma caraterística típica do caráter, da espiritualidade e da obra de Inácio de Loyola. Temperamento, educação e circunstâncias da vida moldaram seu modo de ser. No que diz respeito à sua espiritualidade basta observar como, na sua apresentação da contemplação da Encarnação de Jesus, ele desce do universal ao particular, isto é, das alturas da Trindade até o ponto concreto da pequena Nazaré. Contemplando as três pessoas divinas, Inácio nos convida a ver as pessoas humanas, “umas após outras, na face da Terra, em tanta diversidade de roupas e de fisionomias, uns brancos, outros negros; uns em paz, outros em guerra; uns chorando, outros rindo; uns sãos, outros enfermos; uns nascendo, outros morrendo”. A Trindade decide salvar o gênero humano e, com Inácio descemos até um ponto concreto, Nazaré, onde encontramos uma jovem simples chamada Maria.

A vida de Inácio também está marcada por esta dupla visão ou contraste. O peregrino que sonhava percorrer o mundo, uma vez eleito superior geral da Ordem dos Jesuítas, passou os 16 anos que lhe restaram de vida no pequeno quarto de Roma, desde onde enviava e acompanhava seus companheiros missionários pelos caminhos da Europa, Índia ou Brasil.

O segredo desta visão universal unida ao senso da realidade concreta tem a sua última raiz na sua experiência de Deus. Estando o recém convertido Inácio dedicado à oração na cova de Manresa, ele teve um período de ilustrações que, conforme ele mesmo confidenciou no seu Relato do Peregrino, “entendia e conhecia muitas coisas, tanto em assuntos espirituais como nos de fé e letras e ... lhe pareciam todas coisas novas”; “lhe parecia como se fosse outro homem e tivesse outra inteligência e não a que tinha antes”. Foi esta luz recebida que lhe fez sentir como todas as coisas brotam de Deus como fonte e a ele estão chamadas de volta. Foi um contemplativo não só na oração, mas também na ação pois captou claramente, e sempre unidos, Deus e mundo, Criador e criatura, mostrando assim que, com olhar de fé, estamos chamados a encontrar Deus presente em todas as coisas, pessoas e situações. Um Deus sempre maior que habita em toda criatura, em cada um de nós trabalha, age e deseja se comunicar nos revelando seu amor.

Eu penso que Santo Inácio traz para nós, que vivemos num mundo tão fragmentado, uma mensagem de harmonia, de síntese e de comunhão. Como é importante hoje esse toque pessoal e gratuito no relacionamento humano familiar e profissional. Tirar a pessoa do anonimato, do utilitarismo e da rotina. Inácio une Deus e mundo; contemplação e ação; experiência pessoal e organização metódica; razão e afeto; obediência amorosa e liberdade. Não é por acaso que tantos companheiros de Inácio foram, ao mesmo tempo, homens de fé e dedicados estudiosos, cientistas, poetas e artistas. Mateus Ricci na China, José de Anchieta no Brasil, as Reduções do Paraguai, Teilhard de Chardin e os mártires de El Salvador são apenas alguns exemplos da herança inaciana. É que lá no fundo mais profundo do ser humano, cada um de nós comunga com o universo todo e com Alguém que está por trás dele.

André disse...

Jesuítas, esses mercenários... Sempre fizeram qualquer negócio. Nem os dominicanos, domini canes, os cães do Senhor, fizeram tanto estrago.

“The Dominicans were also set up as the branch of the Catholic Church to deal with heresy. It was in this early period of the Albigensian crusade that St. Dominic ordered the burning of several heretical books. Indeed, many years after this initial crusade, the first Grand Inquistor of Spain would be drawn from the Dominican order, Tomás de Torquemada.”

Bocage disse...

Heitor, prefiro a seguinte frase de "Santo" Inácio de loyola:

"Devemos estar sempre dispostos a acreditar em que o que nos parece branco é na verdade preto se a hierarquia da Igreja assim o decidir", "Exercitia spiritualia", 1541)

Divertido o que o católico aí de cima escreveu. Eu o conhecia como o libertino militar arrependido enquanto convalescente em um hospital, como o rígido militar da Contra-Reforma, o capo dos jesuítas influentes no Concílio de Trento, o santo catequizador de indígenas. O místico canino sempre a exigir bovinidade de seus seguidores. O "santo" empenhado em ensinar à humanidade a torpe arte de sofrer e de ser um cadáver ambulante.

Como diria o C. Mouro, decepcionas-me, Heitor, rsrsrs.

Bocage disse...

Se a frase foi recentemente proferida pelo Papa Rottweiler, então pior ainda, rsrs.

Bocage disse...

Minhas sugestões de frases para o vosso blog, rsrs:

- Ubi dubium ibi libertas (Onde há dúvida há liberdade)

- Não se deve explicar o que não se sabe por meio do que não se vê.

- Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta.

- Não importa qual absurdo, sempre haverá alguém para defendê-lo.

- A função da fé é lhe permitir acreditar naquilo que sua inteligência rejeita.

- A mente do religioso é como a pupila do olho: quanto mais luz você joga, mais ela se fecha.

- "Aquele que recebe a graça celestial da fé livra-se da inquietação da curiosidade" (Concílio de Trento)

- "Heresia" vem do grego "hairesis". Significa liberdade de escolha, liberdade de pensamento.

- "É impossível que haja habitantes do outro lado da Terra, já que nada é dito a esse respeito nas Escrituras sobre os descendentes de Adão" (Santo Agostinho)

- "O bom cristão deve permanecer alerta contra os matemáticos e todos aqueles que fazem profecias vazias. Existe o perigo de que os matemáticos tenham feito uma aliança com o demônio para obscurecer o espírito e confinar o homem às amarras do Inferno" (Santo Agostinho de Hipona, Pai da Igreja)

- "Milagre: um acontecimento descrito por aqueles que souberam dele por gente que não o viu" (Elbert Hubbard)

- "Abraçar uma mulher é como abraçar um saco de esterco" (São Odo de Cluny, monge beneditino, 1030-1097)

- "Mulheres não deveriam ser educadas ou ensinadas de nenhum modo. Deveriam, na verdade, ser segregadas já que são causa de horrendas e involuntárias ereções em santos homens" (Santo Agostinho) rsrsrsrs

- "Se é bom não tocar uma mulher, então é ruim tocar uma mulher sempre e em todos os casos" (São Jerônimo, Epístola 48.14)

- "Para preservar a castidade, é indispensável manter o estômago vazio e roncando e os pulmões febris" (São Jerônimo, 340?-420)

- "A mulher é uma ferramenta de Satã e um caminho para o inferno (São Jerônimo)

- "Tolerar igualmente todas as religiões...é o mesmo que ateísmo" (Papa Leão XIII, "Immortale Dei")

- "Mussolini: uma dádiva da Providência" (Papa Pio XI)


E viva o Protestantismo!


- "As palavras e atos de Deus são bem claros: as mulheres foram feitas para ser esposas ou prostitutas" (Martinho Lutero, "Works 12.94")

- "A Razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é o maior inimigo da Fé. Quem quiser ser um cristão deve arrancar os olhos de sua Razão" (Martinho Lutero)

- "Quem se atreveria a colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?" Calvino, citando o Salmo 93:1

- "Deus não salva pecadores fictícios. Seja um pecador e peque vigorosamente. ...Nem por um instante pense que esta vida é a morada da justiça. O pecado deve ser cometido" (Martinho Lutero)

- "Os loucos, aleijados, cegos e mudos são homens em quem os demônios fizeram sua morada. Os médicos que curam estas enfermidades como se tivessem causas naturais são idiotas ignorantes" (Martinho Lutero)

- "Não há maior defeito numa mulher que o desejar ser inteligente" (M. Lutero)

E viva o judaísmo!

- Talmud: "A mulher é um vaso cheio de imundícies com sua boca cheia de sangue e entretanto todos a desejam" (Shabbath 152) "Quando nasce um menino, todos se alegram mas quando nasce uma menina todos se entristecem" (Niddah 31)

- Toda manhã o judeu reza: "Obrigado, Senhor, por não ter nascido mulher", ao que sua mulher responde: "Obrigada, Senhor, por me terdes feito de acordo com sua vontade"



Etc... Se eu me propuser a colar todas frases absurdas do Talmude e do VT, de "santos" como esse vil Loyola, de protestantes e muçulmanos, nada mais farei pelo resto de minha vida.

André disse...

Excelentes e deprimentes essas frases, Bocage! Muito boas mesmo!

Bem como todas as dos protestantes.

Calvino ainda era pior, muito pior, em palavras e ATOS, do que Lutero.

Catellius disse...

Eram todos uns santos Inácios de Boyolas, ha ha. Vá ter medo de mulher assim lá no inferno, he he.

"Devemos estar sempre dispostos a acreditar em que o que nos parece branco é na verdade preto se a hierarquia da Igreja assim o decidir."

Não conhecia essa frase do fundador dos jesuítas, Bocage. Quase todas de Josemaría Escrivá, o Loyola da Opus Dei, têm essa infeliz tônica de estúpida bovinidade.

Frases de Escrivá, fundador da Opus Dei, exortando à obediência:

«Obedecer... - caminho seguro. Obedecer cegamente ao superior... - caminho de santidade. (...)» (941) «Obedecei, como nas mãos do artista obedece um instrumento - que não pára a considerar porque faz isto ou aquilo, certos de que nunca vos mandarão fazer nada que não seja bom e para toda a glória de Deus.» (617)

«Director. - Precisas dele. - Para te entregares, para te dares..., obedecendo. - E Director que conheça o teu apostolado, que saiba o que Deus quer;» (62)

«Que nenhum afecto te prenda à Terra, além do desejo diviníssimo de dar glória a Cristo e, por Ele e com Ele e n'Ele, ao Pai e ao Espirito Santo.» (786)

«(...) E nunca o contradigas diante dos que lhe estão sujeitos, mesmo que não tenha razão.» (954)

«É má disposição ouvir as palavras de Deus com espírito crítico.» (945) «No Apostolado, estás para te submeteres, para te aniquilares; não para impor o teu critério pessoal.» (936)

«Aburguesar-te? Tu... da multidão?! Mas, se tu nasceste para chefe! Entre nós não há lugar para os tíbios. Humilha-te, e Cristo voltará a inflamar-te com fogo de Amor.» (16) «Dá um motivo sobrenatural à tua actividade profissional de cada dia, e terás santificado o trabalho.» (359)

«Por essa demora, por essa passividade, por essa tua resistência em obedecer, como se ressente o apostolado e como se alegra o inimigo!» (616) «Que bem entendeste a obediência quanto me escrevias: "Obedecer sempre é ser mártir sem morrer"!» (622) «Se a obediência não te dá paz, é que és soberbo.» (620)

Tudo o que não te leva a Deus é um estorvo. Arranca-o e atira-o para longe.» (189)

Exortando à humilhação:

«- Nega-te a ti mesmo. - É tão belo ser vítima.» (175) «Quando te vires como és, há-de parecer-te natural que te desprezem.» (593) «Não te esqueças de que és... o depósito do lixo. (...) Humilha-te; não sabes que és o caixote do lixo?» (592) «Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo.» (594) «Mortificação interior. - Não acredito na tua mortificação interior, se vejo que desprezas, que não praticas a mortificação dos sentidos.» (181) «Onde não há mortificação, não há virtude.» (180)

«Bendita seja a dor. Amada seja a dor. Santificada seja a dor... Glorificada seja a dor!» (208) «Se sabes que essas dores - físicas ou morais - são purificação e merecimento, bendi-las.» (219) «Não esqueças que a Dor é a pedra de toque do Amor.» (439)

«Quando te decidires com firmeza a ter vida limpa, a castidade não será para ti um fardo: será coroa triunfal.» (123) «O matrimónio é para os soldados e não para o estado-maior de Cristo. - Ao passo que comer é uma exigência de cada indivíduo, procriar é apenas uma exigência da espécie, podendo delas desinteressar-se as pessoas individualmente. (...)» (28) «A gula é um vício feio. (...)» (679) «À mesa, não fales de comida; isso é uma grosseria, imprópria de ti. (...)» (680) «No dia em que te levantares da mesa sem teres feito uma pequena mortificação, comeste como um pagão.» (681)

«Se sabes que o teu corpo é teu inimigo, e inimigo da glória de Deus, por sê-lo da tua santificação, porque o tratas com tanta brandura?» (227)

«Padre: como pode suportar todo este lixo? - disseste-me, depois de uma confissão contrita. Calei-me, pensando que, se a tua humildade te leva a sentires-te isso - lixo, um montão de lixo - ainda poderemos fazer algo de grande da tua miséria.» (605)

Catellius disse...

"Bendita seja a dor"

"Entrega-te ao teu diretor espiritual"

Dá para imaginar no que vai "DAR" este tipo de ensinamento, ha ha ha ha ha.

Catellius disse...

"a Dor é a pedra de toque do Amor"

Não é à toa que a ordem se chama Opus DEI. Ha ha ha!

Holy Father disse...

Ultimas palavras do falso e triste 'Bocage':

"Se eu me propuser a colar todas frases absurdas do Talmude e do VT, de "santos" como esse vil Loyola, de protestantes e muçulmanos, nada mais farei pelo resto de minha vida."


Últimas palavras do verdadeiro Bocage (1765 - 1805):

"Rasga meus versos. Crê na eternidade."

André disse...

Se tinham tanto medo assim de mulher, tinham algum problema sério. No geral isso era só conversa, mas acho que a viadagem incompreendida, reprimida, vista como “anormal” e “anti-natural”, ainda mais naqueles tempos, levava muitos a fazer esses exercícios malucos de “amar a dor” e de “mortificação” diária.

Claro que em muitos casos não era viadagem, mas só uma vontade doida (porém constantemente reprimida) de transar com mulheres.

O Escrivá era um chato. Aliás, os caras dessas “ordens” todas eram. Já tive um professor da Opus Dei, um procurador maluquinho. Aparentemente inofensivo, baixotinho, calvo, cara de doente e de bobo (parecia o Woody Allen, q de bobo não tem nada), mas com aquele olhar “faiscante” de fanático religioso.

Pelo que esses caras dizem e pela maneira como vivem (os fanáticos) e somando-se a isso a hipocrisia, não é de se admirar que a bicharada reine absoluta em lugares como seminários. Ah, e tem os conventos também.

«É má disposição ouvir as palavras de Deus com espírito crítico.» Que idiota

Essas coisas q o Escrivá disse são puro complexo de inferioridade (real ou fingido) e um ressentimento do tamanho de um bonde, travestidos de humildade.

"Bendita seja a dor". Sei... dói no começo, mas depois eles se acostumam... deve ser algo assim.

"Entrega-te ao teu diretor espiritual". Tradução: “os passivos que se entregarem aos ativos herdarão o reino dos céus”.

Opus Dei, sugestivo esse nome.

Heitor Abranches disse...

Andre,

Para ser franco acho que entendo estes lideres religiosos.

O ponto de partida destas visoes e a questao da morte que e o nosso maior medo.

Afinal, qual e a questao basica de muitas teologias, a questao da vida eterna e da imortalidade.

Nossa vida depende de nosso corpo e geralmente a dor esta associada a uma ameaca real ao nosso corpo, portanto, 'ameaca de morte'.

Acredito que estes caras descobriram metodos de se libertar a mente do medo da morte.

Por exemplo, ao se infringir dor o individuo esta afirmando a sua liberdade diante da morte...

Acho que o sado-masoquismo funciona desta forma tbm porque mistura duas formas de negacao da morte: o sexo e a dor.

André disse...

Tudo bem, Heitor, mas acho q os religiosos exageram.

Se, ao se inligir dor, o individuo pensa que está afirmando algum tipo de liberdade diante da morte, acho q ele está redondamente enganado. Só está infligindo dor a si próprio.

Acho q toda essa obsessão deles em evitar o sexo e outros prazeres, em reduzir a importância dessa vida e ficar esperando a morte e glorificando um porvir duvidoso é tolice. Essa gente não sabe como viver e se borra de medo diante da morte, naturalmente. É tudo fachada.

André disse...

República das Bananas:

Ecuador: The Cost of Rejoining OPEC

Ecuadorian Oil Minister Galo Chiriboga formally announced Oct. 8 that Ecuador plans to rejoin the Organization of Petroleum Exporting Countries (OPEC). The oil cartel confirmed that it had received a letter of interest from Quito, and that -- while a formal application has yet to be submitted -- Ecuador's approval is already in the bag. The only question is whether Ecuador can join in time for a heads-of-state summit in November, though membership by Dec. 5 is almost guaranteed.

Ecuador has been in the cartel before, having left in 1992 when it became obvious that the small state -- both in terms of population and oil output -- had no real influence within the organization. Yet rejoining serves three purposes.

First, Ecuador suffers from a negligible international profile. Getting the state at the OPEC table at least grants a modicum of name recognition.

Second, Ecuador is friendly with the government of Venezuela's Hugo Chavez, perhaps the most ardent supporter of OPEC's quota system. For a state as small as Ecuador, having a friend is always important. And for Chavez, having another Latin American state to partner with at the OPEC table is always useful.

Finally, states around the world are attempting to renegotiate contracts with foreign oil firms operating on their territory. OPEC membership gives states an additional lever in such talks: states can threaten to suspend a firm's output as part of efforts to fulfill OPEC quota restrictions. That is a powerful incentive for foreign oil firms to meet host-government demands.

Of course this last effect is only short-term. The less attractive the return a state allows a private oil firm, the less likely that firm is to maintain and/or expand its production activities. Only 46 percent of Ecuador's 540,000 barrels per day of oil production is produced by the country's state firm, Petroecuador -- and that takes into account Ecuador's 2006 nationalization of Occidental Petroleum's Eden Yuturi project. The rest is produced by Repsol YPF, Andes Petroleum Ecuador, China National Petroleum Corp., Perenco and Agip.

Furthermore, Ecuador's oil deposits are well past their heyday, and Petroecuador lacks the funds, technology and expertise to maintain current output. So joining OPEC means that Ecuador will be discouraging foreign investment just as the country will need greater expertise to maintain production levels.

Within a few years, it is highly likely that Ecuador will become a banana republic in every sense of the term -- the country's second-largest export product by value is bananas.

Bocage disse...

"Acredito que estes caras descobriram metodos de se libertar a mente do medo da morte.
Por exemplo, ao se infringir dor o individuo esta afirmando a sua liberdade diante da morte..."

Não penso muito na morte e não preciso mortificar-me para não torná-la objeto de um medo doentio em minha vida. Alpinistas e traficantes de drogas podem ser hedonistas e ter encontros diários com a morte. Os santos misóginos masoquistas cujas frases citei eram inimigos da vida. Odiavam-na, consideravam a morte o princípio da "vida" que valeria a pena ser vivida. Eram lunáticos. Não havia qualquer intenção de viver melhor ao se afirmar a "liberdade diante da morte" com cilícios, flagelos, auto-amputações (Orígenes castrou-se), com a demonização do corpo, nomeadamente o feminino. Afirmar que isto é uma técnica de autocontrole para viver melhor é no mínimo ridículo.

André disse...

Eu penso de vez em quando na Dona Morte, mas filosoficamente, com naturalidade, digamos. Não com medo de nada específico ou da dita cuja. Penso nela por pensar.

Quanto a esse negócio de mortificação, estou fora. Claro q a gente sacaneia até não poder mais todas essas sandices de que tomamos conhecimento, sem falar nos partidários das sandices, mas acho assustador que um cara como esse Escrivá tenha dito essas coisas. E pior, q ele ainda encontre seguidores. Se ele prestasse, independente da sua "área de atuação", teria tido o bom senso de não dizer essas besteiras. Responsabilidade. Por outro lado, devia ter o mais profundo desprezo pelos seus "lacaios".

Mas duvido q aplicasse a si mesmo preceitos tão duros e fanáticos...

Pois é, meu caro Bocage. Alpinistas, traficantes, assaltantes de banco, soldados em guerras, pilotos de F1, policiais... O cara pode ter o maior prazer com o q faz, apesar dos riscos.

Mas esses caras (certos santos da cristandade) eram mesmo inimigos da vida. Acho que a odiavam mas, sem coragem pra dar um fim nisso daqui, pra se suicidar, ou movidos por algo mórbido, não sei, entravam nessa de "mortificação". Malucos.

Além do que, viam tudo como uma complicação desnecessária (acho que queriam mais era fugir de responsabilidades): mulheres, um eventual casamento, filhos. Não tinham estrutura mental nem caráter pra construir e manter uma família. Uma família dá trabalho, afinal de contas, exige algo da pessoa.

Talvez existam monges ou sacerdotes lá nos confins da India, p. ex., capazes de coisas extraordinárias a partir de alguma forma extrema de controle mental. Nada sobrenatural, quem sabe um dia a ciência chegue lá, quero dizer, não que venha a reproduzir o q eles fazem, mas que vá até lá e consiga pesquisar esses caras e exlicar o fenômeno. Mas a questão não é essa. A questão é que eu não acredito q esses caras façam isso tendo por objetivo sofrer ou que de alguma forma desprezem esse mundo. E suponho que muitos deles tenham um profundo respeito pelo próximo, genuinamente. Nada a ver com viadinhos assépticos como esse Escrivá e derivados.

André disse...

Já para explicar a loucura desses mortificadores não precisamos de cientistas. Basta uma junta médica. Freud explica.

Heitor Abranches disse...

The Lesson of Petrobras


Recently, The Wall Street Journal published a front-page story about Petrobras, Brazil’s state-controlled oil company. The article described how “a sleepy oil giant” had become “a world player.” Until the 1990s, Petrobras performed so poorly that its nickname was “Petrosaurus.” Its workers were 25% less productive than the average for the industry and Brazil needed to import nearly half the oil that the country needed. Today, Petrobras’ crude reserves exceed those of Chevron and its costs of finding oil are lower than those of ExxonMobil. It currently operates in 27 countries- more than double the number of ten years ago, and has a market capitalization of about $130 billion.

The key reason for Petrobras’s remarkable turnaround was its adoption of a number of reforms that tend to characterize private sector companies rather than state-owned ones. Essentially, they involved changes in the company’s corporate structure to make Petrobras more transparent and accountable. These included the creation of an independent board of directors that included leading Brazilian corporate executives and the opening of the company to foreign competition. Specifically, the government abolished Petrobras’s monopoly on drilling for oil in Brazil and floated shares of the company in New York. Both these reforms increased the pressure on the company to become more competitive. The listing on the New York Stock Exchange also required the company to become more open and accountable to its shareholders about its activities. To prepare Petrobras for competition, the government chose an investment banker as its president. He quickly cleaned up the company’s books, introduced performance-based incentives for managers and cracked down on corruption.

The interesting question is why the Brazilian government was able to reform a state-owned company. Like other unreformed state companies, the old Petrobras had to confront a union that opposed the reforms. Cozy relationships had developed between the company and those who did business with it, as well as with a variety of politicians, government bureaucrats and other vested interests.

Part of the answer lies with the commitment of Presidents Fernando Henrique Cardoso and Luiz Inácio Lula da Silva to increase the productivity and efficiency of Petrobras. And part of the answer lies with Brazilian public opinion, which turned against the status quo at Petrobras after a union walkout caused serious shortages of cooking gas and long lines at gas stations.

The other interesting question is whether the Petrobras example will be followed by other state-owned oil companies in Latin America, particularly those of Venezuela and Mexico. In both countries, oil production is declining, despite the incentive of high international oil prices. And in both countries, there are strong vested interests opposed to the kinds of changes implemented in Brazil.

Nevertheless, the prospects for creating a more productive and efficient state-owned oil company are better in Mexico than in Venezuela. Mexico has at least one of the important ingredients that contributed to Brazil’s success—a president who is committed to improving the performance of PEMEX and willing to consider ways of introducing greater competition and openness in order to do so. He is also seeking ways of making the government less dependent on the high level of taxes that PEMEX is forced to pay to balance the government’s budget. What is still missing is for the Mexican public to break with the status quo and demand a more productive and efficient PEMEX that would better serve its interests. But with greater access to information and more democratic political processes, combined with a growing threat of insufficient oil production to serve the country’s needs, there is some hope that the latter will develop.

In Venezuela, in contrast, there are no signs that making PDVSA more productive and efficient is a presidential priority. Nor are there signs of the ideological flexibility that enabled Presidents Cardoso and Lula to borrow ideas from private companies that enhanced Petrobras’s productivity and efficiency. The fact that Venezuela has much more oil than Mexico also means that Venezuela’s day of reckoning can be postponed.

Finally, given the variations among Latin America’s state-owned oil companies, the Petrobras turnaround shows that the ongoing debate in the region between supporters of state-owned vs. privately-owned companies is unnecessarily polarizing as well as unhelpful. Stated differently, it shows that who owns a company is ultimately less important than the way it is managed.

Heitor Abranches disse...

Saiba quem votou "sim" e quem votou "não" pela prorrogação da CPMF
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da Folha Online

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, em segundo turno, o texto principal da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2011.

Por 333 votos favoráveis, 113 contrários e duas abstenções, o chamado texto-base foi aprovado. Por essa proposta, a alíquota de 0,38% será cobrada até 2011. Porém, o ministro Guido Mantega (Fazenda) sinalizou que o governo deverá reduzir o percentual a partir do próximo ano.

Agora, a proposta segue para o Senado, onde também precisa ser aprovada em dois turnos.

Confira quem votou contra e a favor da prorrogação da CPMF:

Parlamentar UF Voto
DEM
Abelardo Lupion PR Não
Alceni Guerra PR Obstrução
André de Paula PE Não
Antonio Carlos Magalhães Neto BA Não
Ayrton Xerez RJ Não
Betinho Rosado RN Abstenção
Clóvis Fecury MA Obstrução
Davi Alcolumbre AP Não
Dr. Pinotti SP Não
Eduardo Sciarra PR Não
Efraim Filho PB Não
Fábio Souto BA Não
Felipe Maia RN Não
Francisco Rodrigues RR Não
Germano Bonow RS Não
Guilherme Campos SP Não
Indioda Costa RJ Não
Jairo Ataide MG Obstrução
Jerônimo Reis SE Não
João Bittar MG Abstenção
Jorge Khoury BA Não
Jorge Tadeu Mudalen SP Não
Jorginho Maluly SP Não
José Carlos Aleluia BA Não
José Carlos Machado SE Não
Lira Maia PA Não
Luiz Carreira BA Não
Marcos Montes MG Não
Matteo Chiarelli RS Não
Mendonça Prado SE Não
Nilmar Ruiz TO Não
Onyx Lorenzoni RS Não
Paulo Bornhausen SC Não
Paulo Magalhães BA Obstrução
Roberto Magalhães PE Não
Rodrigo Maia RJ Não
Ronaldo Caiado GO Não
Silvinho Peccioli SP Não
Solange Amaral RJ Não
Vitor Penido MG Não
Walter Ihoshi SP Não
Total DEM: 41
PC do B
Aldo Rebelo SP Sim
Alice Portugal BA Sim
Chico Lopes CE Sim
Daniel Almeida BA Sim
Edmilson Valentim RJ Sim
Evandro Milhomen AP Sim
Flávio Dino MA Sim
Jô Moraes MG Sim
Manuela DÁvila RS Sim
Osmar Júnior PI Sim
Perpétua Almeida AC Sim
Renildo Calheiros PE Sim
Vanessa Grazziotin AM Sim
Total PC do B: 13
PDT
Ademir Camilo MG Sim
Arnaldo Vianna RJ Sim
Barbosa Neto PR Não
Brizola Neto RJ Sim
Dagoberto MS Sim
Damião Feliciano PB Sim
Enio Bacci RS Não
Giovanni Queiroz PA Sim
João Dado SP Sim
Julião Amin MA Sim
Manato ES Sim
Marcos Medrado BA Sim
Mário Heringer MG Sim
Miro Teixeira RJ Sim
Paulo Pereirada Silva SP Sim
Pompeode Mattos RS Sim
Reinaldo Nogueira SP Sim
Sebastião BalaRocha AP Sim
Severiano Alves BA Sim
Sueli Vidigal ES Sim
Vieira da Cunha RS Sim
Wolney Queiroz PE Sim
Total PDT: 22
PHS
Felipe Bornier RJ Sim
Miguel Martini MG Sim
Total PHS: 2
PMDB
Alexandre Santos RJ Sim
Aníbal Gomes CE Sim
Antônio Andrade MG Sim
Antonio Bulhões SP Não
Asdrubal Bentes PA Sim
Bel Mesquita PA Sim
Camilo Cola ES Sim
Carlos Alberto Canuto AL Sim
Celso Maldaner SC Sim
Colbert Martins BA Sim
Cristiano Matheus AL Sim
Darcísio Perondi RS Sim
Edgar Moury PE Sim
Edinho Bez SC Sim
Edio Lopes RR Sim
Edson Ezequiel RJ Sim
Eduar do Cunha RJ Sim
Elcione Barbalho PA Sim
Eliseu Padilha RS Sim
Eunício Oliveira CE Sim
Fátima Pelaes AP Sim
Fernando Diniz MG Sim
Fernando Lopes RJ Sim
Flaviano Melo AC Não
Flávio Bezerra CE Sim
Francisco Rossi SP Não
Gastão Vieira MA Sim
Geraldo Pudim RJ Sim
Geraldo Resende MS Sim
Henrique Eduardo Alves RN Sim
Hermes Parcianello PR Sim
Ibsen Pinheiro RS Sim
Írisde Araújo GO Sim
Jackson Barreto SE Sim
João Magalhães MG Sim
João Matos SC Sim
Joaquim Beltrão AL Sim
Jurandil Juarez AP Sim
Leandro Vilela GO Sim
Lelo Coimbra ES Não
Leonardo Picciani RJ Sim
Leonardo Quintão MG Sim
Luiz Bittencourt GO Sim
Marcelo Almeida PR Sim
Marcelo Castro PI Sim
Marcelo GuimarãesFilho BA Sim
Marcelo Itagiba RJ Não
Marcelo Melo GO Sim
Maria Lúcia Cardoso MG Sim
Marinha Raupp RO Sim
Mauro Benevides CE Sim
Mauro Lopes MG Sim
Max Rosenmann PR Sim
Mendes Ribeiro Filho RS Sim
Michel Temer SP Sim
Moacir Micheletto PR Sim
Moises Avelino TO Sim
Natan Donadon RO Sim
Nelson Bornier RJ Sim
Nelson Trad MS Sim
Odílio Balbinotti PR Sim
Olavo Calheiros AL Sim
Osmar Serraglio PR Sim
Paulo Henrique Lustosa CE Sim
Paulo Piau MG Sim
Pedro Chaves GO Sim
Pedro Novais MA Sim
Professor Setimo MA Sim
Professor Victorio Galli MT Sim
Raul Henry PE Não
Rita Camata ES Não
Rocha Loures PR Não
Saraiva Felipe MG Sim
Sérgio Brito BA Sim
Solange Almeida RJ Sim
Tadeu Filippelli DF Sim
Valdir Colatto SC Sim
Veloso BA Sim
Vital do Rêgo Filho PB Sim
Waldemir Moka MS Sim
Wilson Santiago PB Sim
Wladimir Costa PA Sim
Zé Gerardo CE Sim
Zequinha Marinho PA Sim
Total PMDB: 84
PMN
Fábio Faria RN Sim
Francisco Tenorio AL Sim
Sergio Petecão AC Sim
Silvio Costa PE Sim
Uldurico Pinto BA Sim
Total PMN: 5
PP
Afonso Hamm RS Sim
Aline Corrêa SP Sim
Angela Amin SC Sim
Antonio Cruz MS Sim
Beneditode Lira AL Sim
Beto Mansur SP Sim
Ciro Nogueira PI Sim
Dilceu Sperafico PR Sim
Eduardo da Fonte PE Sim
Eliene Lima MT Sim
Eugênio Rabelo CE Sim
Jair Bolsonaro RJ Não
João Leão BA Sim
João Pizzolatti SC Sim
José Linhares CE Sim
Lázaro Botelho TO Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim
Luiz Fernando Faria MG Sim
Márcio Reinaldo Moreira MG Sim
Mário Negromonte BA Sim
Nelson Meurer PR Sim
Neudo Campos RR Sim
Pedro Henry MT Sim
Rebecca Garcia AM Sim
Renato Molling RS Não
Ricardo Barros PR Sim
Sandes Júnior GO Sim
Simão Sessim RJ Sim
Vadão Gomes SP Sim
Vilson Covatti RS Sim
Waldir Maranhão MA Sim
Zonta SC Sim
Total PP: 32
PPS
Alexandre Silveira MG Sim
Augusto Carvalho DF Não
Cezar Silvestri PR Não
Cláudio Magrão SP Não
Fernando Coruja SC Não
Geraldo Thadeu MG Sim
Humberto Souto MG Não
Leandro Sampaio RJ Não
Moreira Mendes RO Não
Raul Jungmann PE Não
Total PPS: 10
PR
Aelton Freitas MG Sim
Airton Roveda PR Sim
Aracely de Paula MG Sim
Bilac Pinto MG Sim
Chico Abreu GO Sim
Clodovil Hernandes SP Sim
Dr. Adilson Soares RJ Sim
Dr. Paulo Cesar RJ Sim
Giacobo PR Sim
Gorete Pereira CE Sim
Homero Pereira MT Sim
Inocêncio Oliveira PE Sim
Jaime Martins MG Sim
João Carlos Bacelar BA Sim
Jofran Frejat DF Sim
José Carlos Araújo BA Sim
José Rocha BA Sim
José Santanade Vasconcellos MG Sim
Jusmari Oliveira BA Sim
Leo Alcântara CE Sim
Lincoln Portela MG Sim
Lucenira Pimentel AP Sim
Luciana Costa SP Sim
Luciano Castro RR Sim
Lúcio Vale PA Sim
Marcelo Teixeira CE Sim
Maurício Quintella Lessa AL Sim
Maurício Trindade BA Sim
Milton Monti SP Sim
Nelson Goetten SC Sim
Sandro Mabel GO Sim
Suely RJ Sim
Tonha Magalhães BA Sim
Valdemar Costa Neto SP Sim
Vicente Arruda CE Sim
Vicentinho Alves TO Sim
Wellington Fagundes MT Sim
Wellington Roberto PB Sim
Total PR: 38
PRB
Carlos Souza AM Sim
Cleber Verde MA Sim
Léo Vivas RJ Sim
Marcos Antonio PE Sim
Total PRB: 4
PRTB
Juvenil Alves MG Sim
Total PRTB: 1
PSB
Abelardo Camarinha SP Sim
AnaArraes PE Sim
Ariosto Holanda CE Sim
Átila Lira PI Sim
B.Sá PI Sim
Beto Albuquerque RS Sim
Ciro Gomes CE Sim
Djalma Berger SC Sim
Dr. Ubiali SP Sim
Eduardo Lopes RJ Sim
Fernando Coelho Filho PE Sim
Givaldo Carimbão AL Sim
Gonzaga Patriota PE Sim
Júlio Delgado MG Sim
Laurez Moreira TO Sim
Luiza Erundina SP Não
Manoel Junior PB Sim
Marcelo Serafim AM Sim
Márcio França SP Sim
Marcondes Gadelha PB Sim
Mauro Nazif RO Não
Ribamar Alves MA Sim
Rodrigo Rollemberg DF Sim
Rogério Marinho RN Sim
Valadares Filho SE Sim
Valtenir Pereira MT Sim
Total PSB: 26
PSC
Carlos Eduardo Cadoca PE Sim
Davi Alves Silva Júnior MA Sim
Deley RJ Sim
Eduardo Amorim SE Sim
Filipe Pereira RJ Sim
Hugo Leal RJ Sim
Jurandy Loureiro ES Sim
Máriode Oliveira MG Sim
Ratinho Junior PR Sim
Regisde Oliveira SP Sim
Silas Câmara AM Sim
Takayama PR Sim
Total PSC: 12
PSDB
Affonso Camargo PR Não
Albano Franco SE Não
Alfredo Kaefer PR Não
Andreia Zito RJ Não
Antonio Carlos Mendes Thame SP Não
Antonio Carlos Pannunzio SP Não
Arnaldo Madeira SP Não
Bruno Araújo PE Não
Carlos Alberto Leréia GO Não
Carlos Brandão MA Não
Carlos Sampaio SP Não
Duarte Nogueira SP Não
Edson Aparecido SP Não
Eduardo Barbosa MG Não
Eduardo Gomes TO Não
Emanuel Fernandes SP Não
Fernando Chucre SP Não
Gervásio Silva SC Não
Gustavo Fruet PR Não
João Almeida BA Não
João Campos GO Não
José Aníbal SP Não
Julio Semeghini SP Não
Jutahy Junior BA Não
Leonardo Vilela GO Não
Lobbe Neto SP Não
Luiz Carlos Hauly PR Não
Manoel Salviano CE Sim
Narcio Rodrigues MG Não
Nilson Pinto PA Não
Otavio Leite RJ Não
Paulo Renato Souza SP Não
Pinto Itamaraty MA Não
Professor Ruy Pauletti RS Não
Professora Raquel Teixeira GO Não
Raimundo Gomes de Matos CE Não
Renato Amary SP Não
Roberto Rocha MA Não
Rodrigo de Castro MG Não
Rômulo Gouveia PB Não
Sebastião Madeira MA Não
Silvio Lopes RJ Não
Silvio Torres SP Não
Thelma de Oliveira MT Não
Urzeni Rocha RR Não
Vanderlei Macris SP Não
Waldir Neves MS Não
Wandenkolk Gonçalves PA Não
William Woo SP Não
Zenaldo Coutinho PA Não
Total PSDB: 50
PSOL
Chico Alencar RJ Não
Luciana Genro RS Não
Total PSOL: 2
PT
Adão Pretto RS Sim
Andre Vargas PR Sim
Angela Portela RR Sim
Angelo Vanhoni PR Sim
Anselmo de Jesus RO Sim
Antônio Carlos Biffi MS Sim
Antonio Palocci SP Sim
Arlindo Chinaglia SP Art.17 *
Assisdo Couto PR Sim
Beto Faro PA Sim
Cândido Vaccarezza SP Sim
Carlito Merss SC Sim
Carlos Abicalil MT Sim
Carlos Santana RJ Sim
Carlos Zarattini SP Sim
ChicoD Angelo RJ Sim
Cida Diogo RJ Sim
Dalva Figueiredo AP Sim
Décio Lima SC Sim
Devanir Ribeiro SP Sim
Domingos Dutra MA Sim
Edson Santos RJ Sim
Eduardo Valverde RO Sim
Elismar Prado MG Sim
Eudes Xavier CE Sim
Fátima Bezerra RN Sim
Fernando Ferro PE Sim
Fernando Melo AC Sim
Gilmar Machado MG Sim
Guilherme Menezes BA Sim
Henrique Fontana RS Sim
Iran Barbosa SE Sim
Iriny Lopes ES Sim
Janete Rocha Pietá SP Sim
Jilmar Tatto SP Sim
João Paulo Cunha SP Sim
Jorge Bittar RJ Sim
José Airton Cirilo CE Sim
José Eduardo Cardozo SP Sim
José Genoino SP Sim
José Guimarães CE Sim
José Mentor SP Sim
José Pimentel CE Sim
Joseph Bandeira BA Sim
Leonardo Monteiro MG Sim
Luiz Bassuma BA Sim
Luiz Couto PB Sim
Luiz Sérgio RJ Sim
Magela DF Sim
Marco Maia RS Sim
Maria do Carmo Lara MG Sim
Maurício Rands PE Sim
Miguel Corrêa Jr. MG Sim
Nazareno Fonteles PI Sim
Nelson Pellegrino BA Sim
Nilson Mourão AC Sim
Odair Cunha MG Sim
Paulo Pimenta RS Sim
Paulo Rocha PA Sim
Paulo Teixeira SP Sim
Pedro Eugênio PE Sim
Pedro Wilson GO Sim
Pepe Vargas RS Sim
Praciano AM Sim
Reginaldo Lopes MG Sim
Ricardo Berzoini SP Sim
Rubens Otoni GO Sim
Sérgio Barradas Carneiro BA Sim
Tarcísio Zimmermann RS Sim
Vander Loubet MS Sim
Vicentinho SP Sim
Vignatti SC Sim
Virgílio Guimarães MG Sim
Walter Pinheiro BA Sim
Zé Geraldo PA Sim
Zezéu Ribeiro BA Sim
Total PT: 76
PTB
Armando Abílio PB Sim
Armando Monteiro PE Não
Arnaldo Faria de Sá SP Não
Arnon Bezerra CE Sim
Augusto Farias AL Sim
Ernandes Amorim RO Sim
Frank Aguiar SP Sim
José Múcio Monteiro PE Sim
Jovair Arantes GO Sim
Luiz Carlos Busato RS Sim
Nelson Marquezelli SP Sim
Paes Landim PI Sim
Pastor Manoel Ferreira RJ Sim
Paulo Roberto RS Sim
Pedro Fernandes MA Sim
Ricardo Izar SP Sim
Sabino Castelo Branco AM Sim
Sérgio Moraes RS Sim
Tatico GO Sim
Total PTB: 19
PTC
Carlos Willian MG Sim
Total PTC: 1
PT do B
Vinicius Carvalho RJ Sim
Total PT do B: 1
PV
Antônio Roberto MG Sim
Ciro Pedrosa MG Sim
Dr. Nechar SP Não
Dr. Talmir SP Não
Edigar Mão Branca BA Sim
Edson Duarte BA Sim
Fábio Ramalho MG Sim
Fernando Gabeira RJ Não
José Fernando Aparecido de Oliveira MG Sim
José Paulo Tóffano SP Sim
Lindomar Garçon RO Sim
Marcelo Ortiz SP Sim
Roberto Santiago SP Sim
Sarney Filho MA Sim
Total PV: 14

* Art. 17 - Arlindo Chinaglia presidiu a sessão e só votaria em caso de empate.

André disse...

Reinaldo Azevedo e a Igreja Católica:

No que concerne ao anticlericalismo, somos todos filhos da Revolução Francesa, mais particularmente do jacobinismo. Dica aos estudantes que quiserem comprar uma boa briga em sala de aula — tomando cuidado: petralha é rancoroso e pode usar a nota (a avaliação) como instrumento de punição e tortura psicológica. Sempre que o esquerdofrênico começar a babar seu ódio contra a Igreja Católica por causa das “torturas da Inquisição”, cabe ao bom estudante indagar:
- Professor(a), não havia tortura antes da Inquisição?
- Professor(a), governos laicos também torturavam?
- Professor(a), o mundo antes da Igreja Católica era melhor e mais justo?
- Professor(a), se o cristianismo era tão mau, por que começou como uma religião dos pobres e de resistência (se ele negar, você escreve pro Tio Rei, que vai socorrê-lo com bibliografia)?

Sou eu um relativista, como acusa um leitor (que me pede mais delicadeza com Marilena Chaui, por exemplo)? Não. Nem revisionista. Acho que a Igreja tem de arcar com seus excessos (ver abaixo). Mas o fato é que a Inquisição tinha mais critério e cuidados do que os governos laicos em seus interrogatórios. A Inquisição ibérica, especialmente a espanhola, fugiu ao controle de Roma. Ainda assim, documentação do Vaticano — que se desculpou — dá conta de que, em 125 mil processos, menos de 2% dos acusados foram condenados à morte. Em seis séculos! Fidel e o Porco Fedorento fizeram mais do que isso em mortos logo no primeiro ano da revolução cubana.

Não estou estabelecendo uma hierarquia de assassinatos. Só estou dizendo que é preciso ver a coisa em seu tempo. Isso não é relativismo. É história. Ou, agora, chamaremos de “injusta” a democracia grega porque excluía as mulheres, os escravos e os pobres? E a ação da Igreja Católica tem de se vista à luz do que era a cultura política e jurídica do seu tempo. Assim como se deve fazer a mesma coisa com o comunismo. E, então, cumpre indagar: quem sai perdendo?

Vamos perguntar ainda ao professor petralha:
- As alternativas à Igreja Católica, no seu tempo, eram melhores ou piores? Um mínimo de honestidade intelectual demonstrará que eram piores.
- E ao comunismo? Havia uma alternativa melhor — do ponto de vista do bem-estar e das liberdades (e que não fosse o fascismo)? Havia.
- E ao fascismo? Havia uma alternativa melhor — do ponto de vista do bem-estar e das liberdades (e que não fosse o comunismo)? Havia.

Comunismo e fascismo são erupções reacionárias — eles, sim — do processo político. Pela simples e óbvia razão de que o Ocidente já havia produzido algo melhor do que aquilo. Um bom exemplo da estupidez nazista, como sabem, é Mengele. A ciência desautorizava sua “ciência”. Ele não era um ousado, um iconoclasta. Era apenas um tarado moral que vivia sob a proteção do poder absoluto. Sempre tomando os chamados “direitos humanos” como referência, pergunta-se: um inquisidor dos séculos 15, 16 ou 17 tinha de seus “crimes” a mesma consciência que tinham de seus respectivos um Stálin ou um Hitler? Não! E a razão é simples: “direitos humanos” também são humanas construções. O estoque de pensamento, nessa área, era muito maior, mais rico e mais variado no tempo em que viveram os dois ditadores do que naquele vivido pelos inquisidores.

“Sei, Reinaldo, então a Igreja Católica está livre de pecados!?”. Não! Não darei a ela o benefício que os próprios papas, ao longo do tempo, não deram. Só que é preciso saber também quem acusa, não é? Acabei de ler, por razões profissionais, uns tantos livros de história. Os professores estão dizendo aos alunos, por exemplo, que, da Revolução Francesa, restou o ideal de “liberdade, igualdade e fraternidade”. E, da Igreja, a Inquisição. Trata-se de uma falácia gigantesca. E o Terror jacobino? E as execuções sumárias praticadas inclusive por seus próprios pares? E o Império Romano pré-cristão?

Leiam, a propósito, reportagem de 2004, de Verity Murphy, da BBC:

Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição, que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história.

O editor do novo livro, professor Agostino Borromeo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos. Apesar disso, o papa João Paulo 2º novamente pediu desculpas pelos excessos dos interrogadores, expressando pesar por "erros cometidos a serviço da verdade por meio do recurso a métodos não-cristãos".

O papa, porém, não ultrapassou a regra da igreja segundo a qual os pontífices não criticam os seus predecessores. O papa Gregório 9, que criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia (a negação da verdade da fé católica), não foi mencionado no comunicado.

Hereges
Após a consolidação do poder na Europa da Igreja Católica Romana, nos séculos 12 e 13, ela estabeleceu a Inquisição para assegurar que os hereges não minassem a sua autoridade. O sistema tomou a forma de uma rede de tribunais eclesiásticos com juízes e investigadores. As punições aos condenados variavam de visitas forçadas à igreja ou fazer peregrinações até a prisão perpétua ou execução na fogueira. A Inquisição estimulava delações, e os acusados não tinham o direito de questionar a pessoa que o havia acusado de heresia.

Ela atingiu o seu pico no século 16, quando a igreja enfrentava a reforma protestante. Seu julgamento mais famoso aconteceu em 1633, quando Galileu foi condenado por postular que a Terra girava ao redor do Sol. A Inquisição espanhola, que se tornou independente do Vaticano no século 15, praticou os abusos mais extremos, sobretudo com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas.

Seus representantes torturavam as vítimas, realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte. "Não há dúvidas de que, no começo, os procedimentos planejados foram aplicados com rigor excessivo, que em alguns casos foram degenerados e se tornaram verdadeiros abusos", diz o novo estudo do Vaticano. Mas o relatório, preparado ao longo de seis anos, argumenta que a Inquisição não foi tão má como se costumava crer.

'Bonecos no fogo'
Borromeo cita como exemplo que, de 125 mil julgamentos de suspeitos de heresia na Espanha, menos de 2% foram executados. Ele afirma que muitas vezes bonecos eram queimados para representar aqueles que foram condenados à revelia. E que bruxas e hereges que demonstravam arrependimento no último minuto recebiam algum tipo de alívio para a dor quando eram estrangulados antes de serem queimados.

Para aqueles que possuem ligação com as vítimas da Inquisição, porém, a declaração do Vaticano de que ela não era tão má quanto se dizia tem pouca importância. Os valdesianos, membros de uma seita protestante declarada herege no século 12, estavam entre as vítimas da Inquisição. "Não importa se há muitos ou poucos casos. O que é importante é que você não pode dizer: 'Estou certo, você está errado, e eu vou te queimar'", disse Thomas Noffke, um pastor valdesiano americano que vive em Roma. Ainda segundo o novo relatório, no auge da Inquisição a Alemanha matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar, cerca de 25 mil.

André disse...

Ele nunca vai largar esse osso.

Reinaldo Azevedo II:

Caramba!

De onde se tirou a idéia de que os jesuítas eram assassinos da Inquisição? Se ainda se falasse dos dominicanos, vá lá...

Eu sei de onde se tirou isso. Ainda é herança pombalina, de Marquês de Pombal, o inimigo da Companhia de Jesus, que, por exemplo, expulsou os jesuítas do Brasil. Atenção, atenção: a ordem foi VÍTIMA da inquisição — em razão de seus métodos catequéticos um tanto heterodoxos para a época e da facilidade com que se metia em assuntos seculares — e não sua promotora ou beneficiária.

Padre Vieira, por exemplo, foi processado pelo Tribunal do Santo Ofício.

Sobre o tema: ler o livro Jesuítas e Inquisidores em Goa, de Célia Cristina da Silva Tavares

Catellius disse...

Em primeiro lugar, concordo com o Bocage e com o André. Essas frases aí podem ser qualquer coisa menos fruto de sabedoria, evolução "espiritual" e autocontrole.

Grande André!
Vou tentar, com o pouco tempo de que disponho, comentar as asneiras do Reinaldo. Vou adaptar um pouco outras coisas que escrevi em comentários anteriores.

Reinaldo: - Professor(a), não havia tortura antes da Inquisição?
Reinaldo: - Professor(a), governos laicos também torturavam?


Quando uma instituição diz ser a porta-voz de um deus e defensora de uma doutrina moral definitiva e irrepreensível, a tortura adquire outra dimensão, principalmente porque a instituição ainda existe e ainda posa de santa, ainda se diz representante de um deus - mas agora, como o Reinaldo afirma, foi domesticada pela civilização... ....cristã, he he, e tem mais noção de certo e errado - e ainda tenta minimizar a Inquisição enquanto pede desculpas por ela, hipocritamente.

Reinaldo: - Professor(a), o mundo antes da Igreja Católica era melhor e mais justo?

Igreja Católica nasceu com o Cisma Oriente-Ocidente, em 1054. Ou com o protestantismo. Antes disso só podemos falar em cristianismo oficial. E respondo com a mesma pergunta: o mundo após a Igreja Católica ficou melhor e mais justo? Temos um crescente progresso humano-tecnológico-científico que vai de milhares de anos antes de nossa era até a queda do Império Romano. Uma busca pela compreensão da natureza que foi demonizada por Agostinho, correntes filosóficas a alforriar os humanos dos deuses, o direito, etc. Depois disso, mil anos de estagnação sob o Império Cristão. O mundo estava pior e mais injusto. Depois desses mil anos, a Europa VOLTOU-SE PARA O GRECO-ROMANO e tivemos a Renascença, onde retomou-se o conhecimento mais ou menos do ponto de onde os romanos pararam. Não dá para fazer previsões para o passado, mas no ritmo que a ciência - a medicina, física, agrimensura, astronomia, matemática, botânica, etc. - avançava no classicismo, não seria um absurdo muito grande imaginar que nos anos 1300 o homem já estivesse voando ou com algum tipo de máquina que dispensasse a tração animal. Meras conjecturas...

Reinaldo: - Professor(a), se o cristianismo era tão mau, por que começou como uma religião dos pobres e de resistência (se ele negar, você escreve pro Tio Rei, que vai socorrê-lo com bibliografia)?

Desde quando uma ideologia ou religião que usa pobres não pode ser má? Que absurdo. Posso justificar o MST da mesma maneira, principalmente se ele tomar o poder no Brasil e ficar aqui por mil anos.

Reinaldo: "Mas o fato é que a Inquisição tinha mais critério e cuidados do que os governos laicos em seus interrogatórios."

O Reinaldo põe em pé de igualdade representantes de "deus" e representantes uns dos outros. Na prática, se a ICAR fosse apenas um país, como a França, ninguém a julgaria hoje pelos crimes do passado. O que julgamos é a tal representação divina, obviamente. Como escrevi no post "Não Creio", "Podem me dizer que a França é divina (no sentido literal). Eu lhes falarei de Napoleão e dos milhares guilhotinados durante o Terror, e ouvirei que só pego exemplos ruins, que os franceses são contra Bush e a invasão do Iraque, que nos legaram grandes filósofos, que belas construções como o Palácio de Versalhes mostram que realmente a França é divina.".


Reinaldo: "A Inquisição ibérica, especialmente a espanhola, fugiu ao controle de Roma. Ainda assim, documentação do Vaticano — que se desculpou — dá conta de que, em 125 mil processos, menos de 2% dos acusados foram condenados à morte. Em seis séculos!"

Eu escrevi anteriormente: O que dizer da Bula 'Ad Exstirpanda' do nada inocente Inocêncio IV, que autorizava a tortura para se obter confissões? É lógico que quanto menores as evidências de um "crime", mais tempo e mais intensamente a vítima era torturada, até que confessasse. Uma visível ironia, por exemplo, foi o que aconteceu com Jacques de Molais, o último grão-mestre templário, que confessou ser um apóstata após ser torturado mas que jurou inocência enquanto era queimado em frente à Notre-Dame. A Igreja considerou a ordem inocente mas a dissolveu e autorizou o poder civil a torturar todos os cavaleiros que quisesse e a expropriá-los. Isso; EXISTIA UM TRIBUNAL CIVIL TAMBÉM, PARA O QUAL O TRIBUNAL ECLESIÁSTICO ENVIAVA MILHARES DE SUPOSTOS HEREGES PARA SEREM JULGADOS E MORTOS, lavando as mãos como aprenderam com Pilatus, talvez, he he. (...) Enquanto a Igreja Católica influenciava todos governos europeus, até os animais pagavam pelo dano que causavam. Nada mais justo, he he. Se um cavalo derrubasse uma cruz por causa de um tropeção, podia ser sacrificado... Era responsável,. he he. Bom, diante daquele estado de BOVINIDADE geral, nada mais justo, realmente.

Reinaldo: "Ou, agora, chamaremos de 'injusta' a democracia grega porque excluía as mulheres, os escravos e os pobres? E a ação da Igreja Católica tem de se vista à luz do que era a cultura política e jurídica do seu tempo. Assim como se deve fazer a mesma coisa com o comunismo. E, então, cumpre indagar: quem sai perdendo?"

Escravos foram alforriados, as mulheres foram incluídas quando a democracia foi restabelecida após o Iluminismo, APESAR dos urros dos religiosos, especialmente do líder da ICAR e de seu séqüito de cardeais, que condenaram a democracia representativa, os direitos da mulher e dos homossexuais, o voto, em encíclicas como a Quanta Cura e o Silabo dos Erros de Nosso Tempo. Se dependêssemos das ordens divinas estaríamos ainda na Idade Média.

Reinaldo: "Vamos perguntar ainda ao professor petralha:"

Mesmo que o professor a que ele se refere seja petralha, para sensibilizar seus leitores o Reinaldo tenta colar todo ateu, todo anticlerical, todo laicista ao petismo, he he. Não há argumentos contra proselitistas ferozes. Deixemos que ele doutrine seus prosélitos, he he.

Reinaldo: - As alternativas à Igreja Católica, no seu tempo, eram melhores ou piores? Um mínimo de honestidade intelectual demonstrará que eram piores.

Eram melhores, porque os líderes da ICAR tinham contato direto com a pomba, o Espírito Santo, só eles sabiam interpretar as escrituras munidos de divino discernimento. Aliás, deviam rezar para a pomba antes dos julgamentos. Quando o Reinaldo escreve coisas como estas ele nega qualquer caráter divino à sua igreja, como seria de esperar. É apenas o clube que defente. É o seu mengão, que joga bem mesmo quando está cheio de pernas de pau.

Reinaldo: - E ao fascismo? Havia uma alternativa melhor — do ponto de vista do bem-estar e das liberdades (e que não fosse o comunismo)? Havia.

Mussolini, o "enviado da providência", segundo Pio XI, que criou o Estado do Vaticano, que tornou a ICAR a religião oficial da Itália, que contou com o apoio de todo o clero católico. Interessante que o Reinaldo não tem nem aquele " mínimo de honestidade intelectual" que exige nos outros, he he.

Reinaldo: "Comunismo e fascismo são erupções reacionárias — eles, sim — do processo político."

Como já disse o c. Mouro, nazismo e comunismo eram socialistas. E os padres adoravam um e o outro, mas não suportavam a ausência de Jesus e Jeová do segundo. Mesmo assim, padres comunistas é o que mais existe neste mundo. Padres nazistas então...

Reinaldo: "Sempre tomando os chamados “direitos humanos” como referência, pergunta-se: um inquisidor dos séculos 15, 16 ou 17 tinha de seus “crimes” a mesma consciência que tinham de seus respectivos um Stálin ou um Hitler?"

Ué, não havia os Evangelhos, estúpido? E em outros momentos o Reinaldo tenta dizer que "somos todos cristãos" por causa dos ensinamentos dos evangelhos. Só que é necessário que O HOMEM pós-iluminismo ensine aos REPRESENTANTES DE DEUS e aos leitores dos evangelhos como agir com ética.

Fulano da BBC: "Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição, que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história."

Claro, porque quase sempre eram os TRIBUNAIS CIVIS que matavam os hereges, mas heresia era um crime contra o cristianismo. Dá na mesma, obviamente.

Reinaldo: "Ainda é herança pombalina, de Marquês de Pombal, o inimigo da Companhia de Jesus, que, por exemplo, expulsou os jesuítas do Brasil. Atenção, atenção: a ordem foi VÍTIMA da inquisição"

Ignorante, he he. A ordem não foi só perseguida pelo Marquês de Pombal mas por toda a Europa, tanto que foi EXTINTA pelo próprio Vaticano em 1773, poucos anos depois da perseguição promovida pelo plenipotenciário português.
O fato de ter sofrido pela Inquisição não confere virtude a ninguém em especial, e não impede que se tenha agido - ainda que não em seu nome - munido do espírito da Contra-Reforma, que influenciou tanto a Inquisição quanto a Ordem Jesuítica.
O processo de catequização dos povos indígenas se deu sob o espírito da Inquisição, da Contra-Reforma. É bom lembrar que Tenotitlan era a maior cidade do mundo na época, e no século XVI a população indígena nas Américas sofreu uma diminuição drástica, motivada pelo ferro dos soldados, pela cruz dos jesuítas da contra-reforma e pela varíola de ambos, entre outras doenças. Na Europa, a Inquisição veio na seqüência das várias cruzadas que custaram milhares e milhares de vidas de judeus e muçulmanos.

E se formos levar em conta A DIFICULDADE DE INFORMAÇÃO E ESPIONAGEM DE QUINHENTOS ANOS ATRÁS, A LIMITAÇÃO DOS MEIOS, QUE NÃO SE COMPARAVAM ÀS ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA DO SÉC. XX, a porcentagem dos mortos em relação à população da época, várias dezenas de vezes menor, e o fato de o obscurantismo católico que endeusava o sofrimento e a pobreza também ter causado mortes por inanição e doenças – causas cujas mortes são contabilizadas no comunismo chinês e cambojano -, creio que os danos da Inquisição podem muito bem ser comparados aos das ditaduras do comunismo. É mister lembrar que os regimes de Franco, Mussolini e Hitler, anticomunistas e com laços estreitos com o cristianismo católico, também empilharam mortos aos milhões – incluindo soviéticos, o maior número de baixas da 2ª Guerra Mundial, aliás.

E soviéticos comunistas não eram bons porque foram mortos pelos nazistas.
Resumo da ópera: Quando o povo aceita ser dominado, tipos como Torquemada, Stalin e Hitler fazem a festa. Defender a Igreja daquela época usando como principal argumento os "não foi tanto assim" e "outros também mataram" é coisa de gente no mínimo ESTÚPIDA!

Catellius disse...

Comentário de um anônimo:

Anônimo disse...
Reinaldo

Dizer que a inquisição tinha critérios mais corretos que os governos nacionais é um erro.

Veja bem:
1. Usava-se tortura. e a igreja católica reconhece isto. E dizer que a confissão tinha de ser confirmada depois sem tortura é grotesco. Qualquer um assinaria a confissão para evitar nova tortura.
2. Era crime contar o que acontecia durante o processo. Isto quer dizer que a ICAR determinou a priori que só a sua versão estaria bem documentada. Por que razão a ICAR fez isto ??? Não pode ter sido com boas intenções ...
3. Só a igreja católica tem o acesso completo às informações, mas tem também o poder de ocultar o que lhe seja interessante. A igreja católica reconhece ter cometido “abusos” (seria impossível negar, não é mesmo?), mas como acusada, pode fornecer ou ocultar os dados que quiser. Ela diz que menos de 2% dos acusados eram condenados. Acredite se quiser ...
3. Sacerdotes católicos confessaram ter obtido favores sexuais através da ameaça de enviar mulheres para a inquisição.
4. O acusador ficava oculto. E o ônus da prova era do acusado. Isto é uma paródia do que seria um antigo tribunal grego, romano ou judeu.
5. A inquisição é particularmente ofensiva se considerarmos que os seus executores foram pessoas que se diziam "representantes de Cristo". Se alguém se apresentar no juízo final, dizendo-se cristão, e justificar seus crimes dizendo que matou e torturou menos que os comunistas (assumidamente anti-teistas), será justificado por isso ?
6. Daqui a pouco vão dizer que não existiram judeus forçados a se converter, nem matança de hugenotes, massacres de cidades inteiras, nem cruzadas malignas até com crianças (capturadas e vendidas como escravos pelos mulçumanos).
7. Dizer que a inquisição condenou apenas cerca de 2% dos acusados é admitir que a empulhação, ameaças e torturas foram suficientes para levar cerca de 98% a confessar o que MANDARAM. Essas pessoas foram obrigadas a violar o própria consciência para escapar da morte, admitindo crimes quase sempre fictícios ou declarando ter fé em coisas que não criam (ou é crime crer diferente do que o papa manda?).
8. Inquisidores eram uns endemoniados.
9. Expulse daqui os fascistas que estão dizendo que a ICAR não cometeu crimes ou que estes eram justificáveis. Não se faça, por omissão, participante das loucuras dessas pessoas. Eu sei que você crê na liberdade de pensamento.
10. Você sabe muito bem que há um núcleo, dentro da ICAR que deseja sim a volta da violência da inquisição. Querem o poder sobre as consciências.
11. Os “crimes” processados pela inquisição eram em sua quase totalidade “crimes” de opinião. Que loucura ...

Catellius disse...

p.s. quando li "As alternativas à Igreja Católica..." entendi "as alternativas DA igreja Católica...".

Então a ironia deve apenas se inverter. Respondo: Eram piores, claro, porque a ICAR podia se consultar diretamente com seu deus, tinha a Pomba para a influenciar, he he. Repetindo, o Reinaldo não levar isso em conta mostra que a ICAR para ele é apenas um Mengão que joga bem mesmo quando joga mal...

Catellius disse...

Ele critica os que julgam a ICAR imbuídos dos valores morais avançados dos dias de hoje sendo que, teoricamente, a ICAR tinha o Evangelho, a Tradição, Deus, Jesus, o Espírito Santo para a influenciar, enquanto os governos de hoje não contam com nada disso, he he.

Mas o que esperar de alguém que sequer conhece a doutrina que considera inspirada pelo próprio criador do mundo? Que acha que Imaculada conceição se refere à virgindade de Maria?

Veja bem... Estamos falando da Palavra de Deus! Do criador do mundo!!! O Reinaldo tinha que largar tudo e procurar conhecê-la, he he. Mas não... Ele é a prova viva do Telefone-sem-fio que é o "conhecimento" advindo da "inspiração" divina. Se isto acontece com o Reinaldo, um homem culto, o que teria acontecido nos últimos 2000 anos de cristandade? Para o Reinaldo e sua infinita capacidade de dissociação os desejos dos homens não influenciaram as decisões dos Concílios, os Evangelhos são os mesmos há milhares de anos.

Patético.

André disse...

Grande Catelli, pus aqui essas bobagens do Tio Rei também por sua causa, pq eu sabia q vc ia descer o pau nelas quando as lesse.

“Depois desses mil anos, a Europa VOLTOU-SE PARA O GRECO-ROMANO e tivemos a Renascença...” Concordo.

“...avançava no classicismo, não seria um absurdo muito grande imaginar que nos anos 1300 o homem já estivesse voando ou com algum tipo de máquina que dispensasse a tração animal.” Deixa ver se entendi: vc quis dizer isso aí, nos 1300, sem a prévia estagnação medieval, certo? Voar, acho q não, mas outras coisas igualmente avançadas, sim.

Estou sem tempo, tenho q sair, depois comento o resto. Bom dia pra vc!

A Língua disse...

APRAZÍVEL EXCURSÃO!

Numa operação inédita, explicável talvez apenas por se tratar de uma excursão a aprazível cidade-estado de Mônaco, lá enviamos o Ministro Tarso Genro para apressar a extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. A operação era até diplomaticamente desastrada, pois o assunto é tratado entre Estados, por Cartas Rogatórias, e não por gestões pessoais, capazes de serem interpretadas como intromissão indevida em assuntos internos monaguescos. Agora, se verifica que a documentação transmitida estava incompleta. Faltava a peça essencial: o mandato de prisão, devidamente traduzido para o francês. A Procuradora de Mônaco já ameaça soltar o ex-banqueiro... Mas gastamos o nosso dinheiro com passagem aérea (Primeira Classe) e polpudas diárias, provável passagem por Paris, etc.

BBC, em 09/10/2007

A Procuradora-Geral de Mônaco, Annie Brunet-Fuster, declarou que o processo de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola está totalmente parado porque ela ainda está aguardando o envio de um documento pelas autoridades brasileiras. Brunet-Fuster declarou à BBC Brasil que ainda não recebeu, conforme prevê a lei de Mônaco relativa aos processos de extradição, um original do mandando de prisão emitido contra Cacciola em 2.000 pela Justiça Federal do Rio de Janeiro.


ARROCHO SALARIAL SOBRE OS MAIS POBRES!

1. Qual o nome que se dá quando a inflação cresce mais que os salários? Arrocho salarial, é claro. Como está distribuída a cesta de consumo das pessoas? Depende. Os que ganham mais gastam proporcionalmente mais com bens duráveis, com serviços, etc... Os que ganham menos gastam mais com alimentos. E os que ganham muito pouco, gastam quase tudo com alimentos.

2. Em 2007 a inflação dos alimentos alcançou até aqui 9,3%. O IPCA está nuns 4%. Os salários, portanto, não cresceram nem a metade. E o salário médio medido pela PME do IBGE, menos ainda.

3. Qual o nome disso? Arrocho salarial sobre os mais pobres!


GRUPO HOTÉIS OTHON! SERÁ?

As ações da cadeia Hotéis Othon estão passando por uma grande valorização nas ultimas semanas, quando se valorizaram 364,71% praticamente só em outubro. Especula-se que o grupo estaria sendo vendido para um grupo hoteleiro estrangeiro. Aguarda-se os próximos lances.


ATRITOS ORÇAMENTÁRIOS NO ERJ!

A secretaria de fazenda do ERJ enviou orçamento ao poder legislativo com fortes alterações nos orçamentos propostos pela assembléia legislativa, pelo ministério público, pelo tribunal de contas e pelo tribunal de justiça. AS propostas repetiam os anos anteriores com ajuste pela inflação, segundo estes afirmam. Como ninguém foi pré-informado a respeito, o orçamento estadual começa a tramitar,digamos, atritosamente.


THYSEN/CSA AMPLIA OS INVESTIMENTOS EM SANTA CRUZ -RIO-Capital!

1. Investimentos passam de 2,4 bilhões de euros para 3 bilhões de euros.

2. Produção será de 5,4 milhões de toneladas por ano e não mais de 4,5 milhões de toneladas.

3. Será construída uma coqueria além do porto, termoelétrica e siderúrgica que já estavam programados.

4. Canteiro de obras caminha para ter 18 mil pessoas trabalhando.


VIDEO DA CANDIDATURA -CHICAGO 2016!

3 minutos. Clique abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=qReUgj76rug


E POR FALAR EM JORNAIS POPULARES E SEUS PREÇOS...

BBC, em 09/10/2007

O tablóide britânico The Sun reduziu seu preço de capa, em Londres, de 35 centavos de libra para 20 centavos (cerca de R$ 0,75). Para o leitor brasileiro ter uma idéia, isso é metade do preço de uma barra de chocolate barata. Um cafezinho aqui na capital britânica custa quatro vezes mais, em torno de 80 ou 90 centavos. Um capuccino vale quase oito vezes o famoso tablóide: cerca de 1,50 libra. O Sun é o jornal diário de maior circulação da Grã-Bretanha. Vende mais de 3 milhões de cópias, um número de dar inveja aos jornais brasileiros, que têm de se contentar com tiragens de 300 mil, num país de população três vezes maior. Mas mesmo o poderoso Sun sente-se hoje ameaçado pela voracidade dos jornais gratuitos.


BOGOTÁ E MEDELLÍN: ELEIÇÕES!

1. Em duas semanas ocorrerão as eleições municipais na Colômbia. Nas duas maiores cidades -Bogotá e Medellín- as eleições se destacam. Em primeiro lugar pela excelente administração e correspondente avaliação de seus prefeitos: Garzon e Fajardo, respectivamente, que tem servido como referencia a muitos prefeitos de vários paises. Em segundo lugar porque -não havendo reeleição- trabalham por seus candidatos. Finalmente porque ambos pertencem ao Polo Democrático, partido de centro-esquerda surgido nos últimos anos na Colômbia.

2. Seus candidatos enfrentam dois ex-prefeitos, que fizeram parte deste ciclo positivo de boas administrações nestas duas cidades. Mas -por outro lado- em ambos os casos, eles são desafetos e as relações com os atuais prefeitos são conflituosas.

3. O Gallup-Colômbia publicou no principal jornal do país -El Tiempo- um gráfico com série de pesquisas, sendo as ultimas no final de setembro. Surpreendentemente os candidatos dos prefeitos, perdem para os ex-prefeitos.

4. Em Bogotá o ex-prefeito Pelañosa está na frente de Moreno, candidato de Garzon e presidente do Polo Democrático, por uma diferença de 5 pontos: 35% a 30%. Em Medellín a diferença é maior. O ex-prefeito Gutierrez derrota Salazar por uma diferença significativa: 41% a 24%.

5. Bem, ainda faltam 15 dias. Mas estas eleições ratificam o que se sabe: a transferência de votos, mesmo em situações de avaliação muito positiva de governos, não é tão simples.


DITADURA CHAVISTA!

Nas últimas horas, o Presidente Rafael Correa fez duros pronunciamentos contra a Corte Suprema de Justiça, o Congresso e a Procuradoria Geral da Nação. Diante disso, os membros desses órgãos equatorianos estão procurando unificar suas estratégias, a fim de evitar que a Assembléia Constituinte, controlada por Correa, os destitua. Em Quito, o Presidente da Corte Suprema de Justiça afirmou a necessidade de "aplicar os princípios de independência das funções e fortalecer as instituições de direito". A seu ver, a Assembléia Constituinte "terá de respeitar a Constituição vigente", até que a nova Carta Magna seja aprovada em referendo.

André disse...

Bom, Catelli, meus comentários ao restante dos seus:

"Sempre tomando os chamados “direitos humanos” como referência, pergunta-se: um inquisidor dos séculos 15, 16 ou 17 tinha de seus “crimes” a mesma consciência que tinham de seus respectivos um Stálin ou um Hitler?"

Nada a ver o q ele disse, eram épocas diferentes. E claro q o inquisidor sempre achava q estava com a razão, fazia tudo com a consciência limpíssima...

Em matéria de reacionarismo e estragos, não há graaaandes diferenças entre jesuítas e dominicanos. Até conheço um cara, professor na UnB, só não vou falar de q área, mas é de exatas, q foi seminarista jesuíta, teve algum problema lá dentro e acabou abandonando o seminário (não queria ter saído, tem trauma por causa disso até hoje). O cara é metido pra burro só pq fala francês (grande coisa, eu também falo e nem por isso saio por aí me exibindo) e morou na França. Um fresco, um pedante, enfim. Pois não é q o cara até hoje é jesuíta fanático? Essa gente é foda...

Só falta eu conhecer um dominicano doido agora.

Gostei dessa:

“E se formos levar em conta A DIFICULDADE DE INFORMAÇÃO E ESPIONAGEM DE QUINHENTOS ANOS ATRÁS, A LIMITAÇÃO DOS MEIOS, QUE NÃO SE COMPARAVAM ÀS ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA DO SÉC. XX, a porcentagem dos mortos em relação à população da época, várias dezenas de vezes menor, e o fato de o obscurantismo católico que endeusava o sofrimento e a pobreza também ter causado mortes por inanição e doenças...”

O q o anônimo disse por lá também ficou muito, muito bom. Disse tudo.

That’s it!

Holy Father disse...

Houve muitos abusos e violação de direitos humanos durante a inquisição. Isto é verdade e não se pode negar. O que pouca gente sabe, é que antes da Inquisição bastava alguém ser acusado de bruxaria ou heresia para ser linxado pelo povo. O primeiro objetivo da Inquisição foi oferecer à pessoa a oportunidade de defesa e de um julgamento, antes da execução. Em mais de 90% dos casos, as pessoas eram absolvidas. Em outros tantos casos, as penas eram suaves, ou a pessoa tinha permissão para cuidar dos pais até a morte dos mesmos, para só depois ir para a prisão (e esse pessoal tratava os pais a pão-de-ló, hehehe). Em aproximadamente 4% dos casos houve condenação à morte. É claro que houve muitos abusos, e depois a própria Inquisição foi utilizada como instrumento de perseguição política, etc. Aconteceram muitas coisas ruins. Mas, no balanço total, muito mais vidas foram salvas pela Inquisição do que condenadas. Há que se entender que a sociedade daquela época era uma sociedade bárbara, e a Inquisição tinha como objetivo pôr um freio à barbárie. Foi imperfeita e muitas vezes até injusta e criminosa. Tanto que João Paulo II pediu perdão, em nome da Igreja, pelos crimes cometidos pelos filhos da Igreja durante o período da Inquisição. Mas não podemos julgar o passado considerando apenas os critérios do presente. Entendam bem: não estou defendendo a Inquisição; apenas sou contra uma interpretação simplista da história. Fora do âmbito da Inquisição, em todos os países daquela época havia a pena de morte, sem freios, ao bel prazer dos governantes. A Inquisição aconteceu no contexto de um mundo bárbaro, e lamentavelmente muitas vezes foi também protagonista desta barbárie. Mas, infelizmente, esta barbárie (e até pior) existe ainda hoje. O que o Comunismo fez na União Soviética, por exemplo, foi muito pior do que a Inquisição. Torturas, massacres, etc. Vale lembrar que o acesso irrestrito ao aborto é uma das bandeiras do Comunismo. Não por coincidência...

Mas não é só o Comunismo: em muitos países acontecem genocídios, perseguições e limpeza étnica por causa de religião, etnia, etc. Os cristãos, de maneira especial, sofrem muito em países muçulmanos como Arábia Saudita, Sudão, Indonésia, Paquistão, e por aí vai... (apesar de os muçulmanos terem seus direitos respeitados nos países de maioria cristã. O Brasil é um bom exemplo). É justamente por isso que precisamos de leis, para defender os direitos de todos.

Aliás, por falar em Torquemada, ele é execrado justamente porque condenava muitas pessoas à morte. Exatamente o que o abortismo (e não as leis pró-vida) está querendo fazer nos dias de hoje.

A propósito... O que as gerações futuras dirão do nosso tempo, em que crianças são assassinadas no ventre da mãe e isso ainda por cima é considerado um direito humano, um "direito reprodutivo"? Uma monstruosidade, isso sim. Mas nossa sociedade está "anestesiada" pela propaganda abortista massiça, pelo bombardeio ideológico das ONGs e partidos abortistas. Será que somos melhores que as sociedades da Idade Média? As gerações futuras dirão. E se seremos julgados com a mesma medida que usamos... Deus tenha misericórdia de nós!

Holy Father disse...

linchado

André disse...

Tarde da noite, véspera de feriado, mas vamos lá, mais um comment (amanhã vou enfrentar um shopping infestado de little ones, crianças, só pra ver o filme-tema desse post, vou "comungar" com a plebe, com a massa ignara e sua presença opressiva e acachapante, mas tudo bem, qualquer problema e a gente faz como o Capitão Nascimento do filme: desce a porrada)

“O que pouca gente sabe, é que antes da Inquisição bastava alguém ser acusado de bruxaria ou heresia para ser linchado pelo povo. O primeiro objetivo da Inquisição foi oferecer à pessoa a oportunidade de defesa e de um julgamento, antes da execução.”

Não acho q tenha sido assim. E essa conversa me lembra o tipo de julgamento feito pelo sábio Lancelot em Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, para determinar se a mulher da aldeia era ou não era uma bruxa...

“Há que se entender que a sociedade daquela época era uma sociedade bárbara, e a Inquisição tinha como objetivo pôr um freio à barbárie.”

Concordo. O cristianismo era parte da barbárie, prefiro a civilização romana (mas, bem, esse sou eu, um homem inatual, e meio maluco para os padrões atuais... sei q os romanos são considerados por muitos uns bárbaros por causa da escravidão, p. ex.)

“O que o Comunismo fez na União Soviética, por exemplo, foi muito pior do que a Inquisição.”

Depende. Sou daqueles que acham que o Século XX não foi o mais sangrento da humanidade. Foi apenas o mais bem DOCUMENTADO...

“Mas nossa sociedade está "anestesiada" pela propaganda abortista maciça...”

Bom, sou contra o aborto indiscriminado. Acho q a mulher é quem decide, mas dentro de certos limites. Não se pode permitir a coisa como alguns querem, senão vira farra, vira festa. Nisso vc tem razão: tem muita gente que acha q aborto pode ser feito à vontade, a torto e a direito, em escala industrial. O descaso com que se engravida e se “despacha” fetos para o além, o que quer que seja o além, me dá um certo asco. Saber que milhões de crianças são abortadas todos os anos no mundo. É muita gente. É demais. Já li descrições dos pedaços do feto saindo da mulher: são lancinantes, apesar de não adjetivadas (talvez por isso sejam tão fortes). Assunto em que homem não pia, óbvio, o aborto, mediante o cumprimento de certas condições. A princípio, eu achava questão líquida a favor dele, sem conversa. Como muitas deduções tiradas de abstrações intelectuais, a experiência foi modificando essa posição.
Está na cara que muitos religiosos antiaborto querem controlar a vida sexual das mulheres — e nisso não vejo motivo pra mudar de opinião.

Enfim, o aborto pode ser, e muitas vezes é, talvez, necessário, mas é degradante. Que sorte não ser mulher.

André disse...

E, pra fechar:

"Na sexta passada, "Tropa de Elite", de José Padilha, estreou em São Paulo e no Rio; amanhã, entrará em cartaz no resto do país. O filme é inspirado no livro "Elite da Tropa" (Objetiva), de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel (os dois últimos são policiais).

Padilha nos apresenta um momento de crise na vida do capitão Nascimento (o ótimo Wagner Moura), do Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM do Rio. Além do combate entre as forças da ordem e os bandidos do tráfico, há quatro eixos de tensão: a oposição entre o Bope (um pequeno corpo de incorruptíveis treinados para a guerra) e um sistema policial inepto e corrupto; o conflito entre a vida de família do capitão, que vai ser pai, e, do outro lado, a brutalidade de sua tarefa; a luta do capitão contra o desgaste e os efeitos traumáticos de seu dia-a-dia; o embate entre a polícia e os próprios cidadãos de quem ela deveria defender a vida, a tranqüilidade e as posses.

Para cada um desses eixos, qualquer cinéfilo poderia evocar vários filmes memoráveis, sobretudo americanos. Mas o embate entre a polícia e os cidadãos que ela defende revela, no filme de Padilha, uma especificidade nacional: nas classes privilegiadas e supostamente "ordeiras", a simpatia pelo crime e a antipatia pela polícia não são efeito, como de costume, de rebeldia e sede de aventuras. Elas nascem de um forte e difuso sentimento de culpa social ou, no mínimo, justificam-se por ele.

Mas vamos com calma. Em "Tropa de Elite", o cineasta José Padilha conseguiu, de maneira admirável, suspender o julgamento e apresentar nossa "guerra" cotidiana como um incômodo dilema moral, sem tomar partido.

Para alguns, essa suspensão do julgamento valeu como uma negação da culpa social que, aparentemente, segundo eles, deveria orientar nossa compreensão do mundo. Com isso, o filme foi acusado de "idealizar" o Bope e de fazer uma apologia "fascista" do "Estado policial" e da tortura instituída.

Essas críticas são descabidas, mas resta a pergunta: será que não é perigoso calar nossa culpa social? Será que a culpa diante da injustiça não é justamente o que nos levaria a entendê-la melhor e a agir? Pois é, nada disso. Respondo: 1) Em regra, a culpa não produz ação, mas descarrego. Funciona da seguinte maneira: somos autorizados a fazer pouco ou nada para que a situação mude porque o sofrimento de nossa consciência nos absolve. Inversão da frase de José Simão: "nóis goza" de muitos privilégios, mas "nóis sofre" de muita culpa. Somos desculpados de nossa inércia pela culpa que sentimos.

2) Também em regra, a culpa é péssima conselheira. Ela induz a acreditar numa contabilidade estapafúrdia, pela qual há cidadãos que devem e outros aos quais é devido, sem a mediação de lei alguma. Assim, Ferréz, na Folha da segunda passada, pode achar que o relógio roubado de Luciano Huck "paga" a miséria de seus assaltantes. Ele se expressa como se a lei não fosse (não devesse ser) a referência comum para todos: o problema não é que assaltar é crime, Huck é culpado e devedor, e o "correria" cobra o devido.

Essa maneira de entender o social oferece a todos uma compensação substancial: se a lei não é a referência comum, podemos ser assaltados nos faróis, mas também podemos praticar cada tipo de mediocridade moral e de ilegalidade, sonegar, saquear o bem público, pagar salários de esmola e por aí vai.

Em agosto, uma versão inacabada de "Tropa de Elite" foi distribuída ilegalmente em DVD, de camelô em camelô, pelo país afora. Nessa ocasião, houve vozes para justificar a pirataria e racionalizar um desrespeito endêmico à lei. Havia o estilo "eu não serei o único otário", que, grosso modo, diz assim: "Se Renan Calheiros é presidente do Senado, eu posso comprar um DVD pirata". E havia o estilo "está na hora de mudar", em que um ato que nega a propriedade intelectual é justificado diretamente pela injustiça social dominante. Valia tudo, salvo o óbvio: pela lei, piratear é crime. Pois bem, quando a culpa organiza nossa visão do mundo, tudo é permitido, assaltar de moto, a pé, de carro ou de colarinho branco.

Se você quiser passar uma hora e meia com o coração na mão e se quiser pensar e viver a realidade nacional um pouco além dos limites impostos pela consciência culpada, não perca "Tropa de Elite"."

(Contardo Caligaris, psicanalista)

André disse...

O Bonde do Foucault

Reinaldo Azevedo

Nunca antes neste país um produto cultural foi objeto de cerco tão covarde como Tropa de Elite, o filme do diretor José Padilha. Os donos dos morros dos cadernos de cultura dos jornais, investidos do papel de aiatolás das utopias permitidas, resolveram incinerá-lo antes que fosse lançado e emitiram a sua fatwa, a sua sentença: "Ele é reacionário e precisa ser destruído". Num programa de TV, um careca, com barba e óculos inteligentes, índices que denunciam um "inteliquitual", sotaque inequívoco de amigo do povo, advertia: "A mensagem é perigosa". Outro, olhar esgazeado, sintaxe trêmula, sonhava: a solução é "descriminar as drogas". E houve quem não resistisse, cravando a palavra mágica: "É de direita". Nem chegaram a dizer se o filme – que é entretenimento, não tratado de sociologia – é bom ou não.
Seqüestrado pelo Bonde do Foucault (já explico o que é isso), Padilha foi libertado pelo povo. A pirataria transformou seu filme num fenômeno. A esquerda intelectual, organizada em bando para assaltar a reputação alheia (como de hábito), já não podia fazer mais nada. Pouco importava o que dissesse ou escrevesse, o filme era um sucesso. Derrotada, restou-lhe arrancar, como veremos, do indivíduo Padilha o que o cineasta Padilha não confessou. Por que tanta fúria? A resposta é simples: Tropa de Elite comete a ousadia de propor um dilema moral e de oferecer uma resposta. Em tempos de triunfo do analfabetismo também moral, é uma ofensa grave.
Qual dilema? Não há como ressuscitar o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), mas podemos consultar a sua obra e então indagar ao consumidor de droga: "Você só pratica ações que possam ser generalizadas?". Ou por outra: "Se todos, na sociedade, seguirem o seu exemplo, o Brasil será um bom lugar para viver?". O que o pensamento politicamente correto não suporta no Capitão Nascimento, o anti-herói com muito caráter, não é a sua truculência, mas a sua clareza; não é o seu defeito, mas a sua qualidade. Ele não padece de psicose dialética, uma brotoeja teórica que nasce na esquerda e que faz o bem brotar do mal, e o mal, do bem. Nascimento cultua é o bom paradoxo. Segue a máxima de Lúcio Flávio, um marginal lendário no Brasil, de tempos quase românticos: "Bandido é bandido, polícia é polícia".
A cena do filme já é famosa: numa incursão à favela, o Bope mata um traficante. No grupo de marginais, há um "estudante". Aos safanões, Nascimento lhe pergunta, depois de enfiar a sua cara no abdômen estuporado do cadáver: "Quem matou esse cara?". Com medo, o rapaz engrola uns "não sei, não sei". Alguns tapas na cara depois, acaba respondendo: "Foram vocês". E ouve do capitão a resposta que mais irritou o Bonde do Foucault: "Não! Foi você, seu maconheiro". Nascimento, quem diria?, é um discípulo de Kant. Um pouco desastrado, mas é. A narrativa é sempre pontuada por sua voz em off. Num dado momento, ele faz uma indagação: "Quantas crianças nós vamos perder para o tráfico para que o playboy possa enrolar o seu baseado?".
O Bope que aparece no filme de Padilha é incorruptível, mas violento. O principal parceiro de Nascimento chega a desistir de uma ação porque não quer compactuar com seus métodos, que, fica claro, são ilegais. Trata-se de uma mentira torpe a acusação de que o filme faz a apologia da tortura. Ocorre que o ódio que a patrulha ideológica passou a devotar à obra não deriva daí. Isso é pretexto. O que os "playboys" do relativismo rejeitam é a evocação da responsabilidade dos consumidores de droga na tragédia social brasileira. Nascimento invadiu a praia do Posto 9, em Ipanema.
Já empreguei duas vezes a expressão "Bonde do Foucault" para me referir à quadrilha ideológica que tentou pôr um saco da verdade na cabeça de Padilha: "Confesse que você é um reacionário". "Bonde", talvez vocês saibam, é como se chama, no Rio de Janeiro, a ação de bandidos quando decidem agir em conjunto para aterrorizar os cidadãos. Quem já viu Tropa de Elite sabe: faço alusão também a uma passagem em que universitários – alguns deles militantes de uma ONG e, de fato, aliados do tráfico – participam de uma aula-seminário sobre o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984). Falam sobre o livro Vigiar e Punir, em que o autor discorre sobre a evolução da legislação penal ao longo da história e caracteriza, de modo muito crítico, os métodos coercitivos e punitivos do estado.
No Brasil, os traficantes de idéias mortas são quase tão perigosos quanto os donos dos morros, como evidenciam nossos livros didáticos. Foucault sempre foi um incompreendido. Por que digo isso? Porque ele era ainda mais picareta do que seus críticos apontaram. No filme, aluna e professor fazem um pastiche de seu pensamento, e isso serve de pretexto para um severo ataque à polícia, abominada pelos bacanas como força de repressão a serviço do estado e suas injustiças. Sim, isso pode ser Foucault, mas Foucault era pior do que isso. Em Vigiar e Punir, ele fica a um passo de sugerir que o castigo físico é preferível às formas que entende veladas de repressão postas em prática pelo estado moderno. Lixo.
O personagem Matias, um policial que faz o curso de direito, é o elo entre o Capitão Nascimento, o kantiano rústico, e esse núcleo universitário. A seqüência em que essas duas éticas se confrontam desmoraliza o discurso progressista sobre as drogas e revela não a convivência entre as diferenças, mas a conivência com o crime de uma franja da sociedade que pretende, a um só tempo, ser beneficiária de todas as vantagens do estado de direito e de todas as transgressões da delinqüência. Por isso o "Bonde do Foucault" da imprensa tentou fazer um arrastão ideológico contra Tropa de Elite. Quem consome droga ilícita põe uma arma na mão de uma criança. É simples. É fato. É objetivo. Cheirar ou não cheirar é uma questão individual, moral, mas é também uma questão ética, voltada para o coletivo: em qual sociedade o consumidor de drogas escolheu viver? Posso assegurar: não há livro de Foucault que nos ajude a responder.
Derrotada, a elite da tropa esquerdopata não desistiu. José Padilha e o ator Wagner Moura foram convocados a ir além de suas sandálias. Assim como um juiz só fala nos autos, a voz que importa de um artista é a que está em seu trabalho. Ocorre que era preciso uma reparação. A opinião de ambos – ligeira e mal pensada – favorável à descriminação das drogas ameaçou, num dado momento, sobrepor-se ao próprio filme. Observem: Tropa de Elite trata é da falência de um sistema de segurança em que, segundo Nascimento, um policial "ou se corrompe, ou se omite, ou vai para a guerra".
A falha desse sistema independe do crime que ele é chamado a reprimir. Se as drogas forem liberadas e aquela falha permanecer, os maus policiais encontrarão outras formas de extorsão e associação com o crime. E esse me parece um aspecto importante do filme, que tem sido negligenciado. Um dos lemas da tropa é "No Bope tem guerreiros que acreditam no Brasil". Esse patriotismo ingênuo e retórico tem fôlego curto: um dos soldados da equipe morre, e seu caixão está coberto com a bandeira brasileira. Solene e desafiador, Nascimento chega ao velório e joga sobre o "auriverde pendão da esperança" a assustadora bandeira do Bope: um crânio fincado por uma espada, atrás do qual se cruzam duas pistolas. Outro dos refrões do grupo pergunta e responde: "Homem de preto, qual é sua missão? / Entrar na favela e deixar corpo no chão / Homem de preto, o que é que você faz? / Eu faço coisas que assustam satanás". Resta evidente que o filme não propõe este Bope como modelo de polícia.
Pouco me importa o que pensam Padilha e Moura. O que interessa é o filme. E o filme submete a um justo ridículo a sociologia vagabunda que tenta ver a polícia e o bandido como lados opostos (às vezes unidos), mas de idêntica legitimidade, de um conflito inerente ao estado burguês. O kantiano rústico "pegou geral" o Bonde do Foucault.

André disse...

Acabei de ver o filme. Legal! Só não escrevo um post pq o Heitor já fez isso — e a gente tem q primar pela originalidade aqui. Mas q dá uma vontade enorme de escrever um, dá! Agora eu entendo pq ele acabou de ver o filme, chegou em casa e já foi logo escrevendo um post.

Na intro do filme, uma frase que diz mais ou menos o seguinte: não é o caráter que determina as condições de um homem, mas, sim, o contexto social em que ele vive. Posso estar errado, mas acho q é isso. Muita gente afetadinha não deve ter gostado. Danem-se esses. Pra mim, por mais forte e bem construído o caráter (e raríssimos são os seres com algum, com qualquer caráter hoje em dia), o meio às vezes, dependendo das circunstâncias, pode passar por cima dele e virar tudo do avesso. Não é fatalismo, mas acontece. P. ex., fatalidades acontecem, e nem por isso o raciocínio geral é fatalista. Nuances, claro. Quem vê e lê as coisas nas entrelinhas as pega, as nuances, sem grande dificuldade.

Excelente história (a gente sai com gostinho de quero mais, pena q dificilmente façam uma seqüência), boas cenas de ação, esperava ver mais das táticas de combate deles, mas até q mostraram algumas coisas interessantes e sou supetio pra falar dessas coisas. Esperava ver mais cenas de ação também, se bem q os ataques furtivos e letais dos caras são show...

Violento, mas esperava coisa pior (bem, não poderiam mesmo mostrar certas coisas que as polícias do Rio e de São Paulo fazem, aliás, por falar nisso, o livro deve ser bom).

Mostra bem a corrupção generalizada e arrasa com a classe média/média alta. O melhor, a meu ver.

Aqueles universitários de direito fazendo fazendo o trabalhinho sobre Foucault. Ah... eu passei por isso... 98% de semelhança. E tive q ler essa joça, entre outras. Os coleguinhas quase todos eram exatamente como aqueles, ignorantes, idiotas, alienados e, quase todos, conscientemente ou inconscientemente, de esquerda. Da porra do livrinho debilóide do Foucault, aquele picareta “pós-moderno” francês entrávamos nas lições de filosofia (risos) de Marilena Chauí. Li, voando, como um médium psicografando textos do Além, muitas frescurites modernosas importadas de Paris. E o discurso em academês do professor, essa mania de “excluído” pra lá, “excluído” pra cá (não exsitem mais pobres)? Perfeito. Deprimente, nojento, tolo, pueril, mas perfeito. Pena que o BOPE não entrou lá.

E tem a linguagem seca dos caras, o “01, manda descer!” Para o atirador de elite ao lado: “É mesmo? Vc dá conta desses caras todos? Então senta o dedo nessa porra!” Para os dois PMs sobrevientes do tiroteio: “Os Srs. são policiais? Os Srs. estão feridos? Pois agora os Srs. vão aprender a carregar corpo.”

A violência do treinamento. Alguma violência funciona e é necessária, só que nem todos os grupos de elite fazem assim. Muitos não fazem nada disso, nem pensar. Em muitos deles, o treinamento em si é tão massacrante q simplesmente não há necessidade de espancamento e humilhações. Claro q isso varia muito de país para país, mas não é a norma no Delta Force norte-americano nem no Special Air Service, o SAS inglês. Mas é (a brutalidade) nos Spetsnaz russos. Depende. Poderia citar outros menos conhecidos do grande público, mas a lista é longa, vamos ficar por aqui. O treinamento desses caras é ainda mais pesado, e para guerra. Mais diversificado, mais voltado para resistência e sobrevivência, além de coleta de informações/espionagem, assassinato, seqüestros, atentados, guerra convencional e irregular, enfim, tudo. Diferente. O que não quer dizer que o BOPE do Rio seja inferior. Fazem intercâmbio com alguns grupos estrangeiros até. Mas estamos falando de guerrilha urbana, de polícia de elite, nada a ver com grupos militares de elite. No entanto, em matéria de infiltração e furtividade, surpresa, o BOPE é dez. E ensina esses caras (unidades militares estrangeiras), nesse particular, nesse ambiente. Não só forças policiais de fora. Eis a grande diferença. O fato é q há outros grupos assim, policiais e militares, no Brasil, mas menos falados. Bem, o BOPE só ficou famoso agora, não?

Acredito no homem do BOPE que, sob anonimato, disse que há muito mais que não foi mostrado no filme. E sei q não foram só técnicas de tortura, mas de combate, de guerra, que ficaram de fora. Ainda assim, o q foi mostrado é bem legal. Sempre gostei muito de táticas de assalto, quanto mais silenciosas, rápidas e letais, melhor. Técnicas mil de tiro e, lógico, o marksman, o sniper, o atirador de elite, são outros assuntos igualmente fascinantes.

O que mais? Vejam e tirem suas próprias conclusões.

Adalberto Queiroz disse...

Meus caros,
Notei que um texto de minha autoria, comentando uma leitura que fiz do Santo Papa, o então Cardeal J. Ratzinger, foi citada por um dos comentaristas - que a leu em meu extinto blog (Zadig in Verbeat!). Gostaria de compartilhar a quem interessar possa, que estou no endereço abaixo:
http://betoqueiroz.wordpress.com.
Abraços,
Adalberto Queiroz.

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