05 outubro 2007

Dissonâncias Cognitivas e Tensões do Dia a Dia

Esta semana tentei prestar mais atenção ao meu corpo, afinal, como dizem alguns filósofos, é a parte mais real de mim mesmo. Reparei surpreso em como fico tenso no trabalho. Na verdade, tenho uma colega que só de vê-la já me crispam o maxilar e os ombros. A tensão que sinto é tamanha que deve ser perceptível.


Então pensei: preciso relaxar. Afinal, se fulana não é legal não é motivo para eu passar o dia tenso. De fato, em retrospecto, mudam os fulanos mas as tensões continuam as mesmas, então a culpa não deve ser deles. No caso desta colega, a tensão se deve a ela ser uma concorrente natural, ter se aliado a um cara com quem eu tive uma discussão, de não gostar de mim e de ser muito espertinha, além de competente.

Mas uma coisa a gente precisa reconhecer: as pessoas têm o direito de competir. E competem com ou sem a nossa autorização. O fato é que passar o dia tenso não muda isto. É preciso aprender a fazer como eles, competir e sorrir. Quando eu vejo o sorriso da tal garota eu sinto três coisas: desconfiança, satisfação pela consideração e um certo alívio na minha tensão. É uma sensação dissonante. Como seria bom sentir-se em harmonia com as pessoas.

A relação com os amigos, por outro lado, também pode ser complicada. Queremos agradá-los e também receber atenção. Às vezes, a ansiedade envolvendo um amigo é tamanha que estressamos. Isto quando não temos algo para provar a ele ou dele não desejamos alguma coisa.

É uma tensão cujo alivio só vem quando o deixamos para então, doentiamente, reexaminarmos os momentos que passamos com ele. É muita neurose para pouco psicanalista. Aí está uma outra relação complicada. Se o analista não se importa não confiamos no cara, se o analista se importa demais ficamos desconfiados de que seja mais maluco do que nós.

Danem-se todos, os inimigos e os amigos, e vamos aproveitar e que se danem também os desconhecidos, a começar por aquelas mulheres assustadoras que ralam a bolsa em você no ônibus. Considerando o tamanho da bunda de algumas delas, bem que poderiam ter retrovisor e pisca-alerta. Como diria alguém, mardita celulite.

Em seus delírios narcisistas os jovens adoram pensar que podem mudar o mundo. A verdade é que o mundo só muda se nós mudarmos primeiro. Senão sempre haverá fulanos - amigos, inimigos e desconhecidos - que nos trarão uma tensão desnecessária. E o que haverá além desta tensão, da respiração ansiosa e dos vazamentos de um inconsciente torturado? Talvez apenas um nada. Se for assim, então pelo menos será alguma coisa.

12 comentários:

André disse...

"o telescópio é um instrumento que ajuda a procurar Deus"

Depois dos sinais ocultos no Episódio III de Star Wars, do deus-homem ou homem-deus, sei lá, desse Feuerbach, do Filho do Pai, que, concordo com o Bocage, pode muito bem ter sido um Filho da Mãe... agora vem essa, a do Vaticano olhando para o céu. Bom, tudo bem. Nada contra padres astrônomos... desde que não misturem as coisas. O que eles obviamente vão fazer, misturá-las. Isso ainda vai dar problema. Ou não vai dar em nada.

Heitor, concentre-se em vc e nos seus amigos de verdade. Dane-se a mocinha sorridente e falsa do trabalho.

“aquelas mulheres assustadoras que ralam a bolsa em você no ônibus” Há, há, perfeita! Isso é mesmo um saco!

“Considerando o tamanho da bunda de algumas delas, bem que poderiam ter retrovisor e pisca-alerta. Como diria alguém, mardita celulite.”

É, e deviam ter pára-choque também. Com aquele aviso: “Mantenha distância. Posso parar a qualquer instante. Essa mocréia é rastreada por satélite.”

O+cioso disse...

Tragam urgentemente um Prozac para o Hector, kkkk.
O cara tá virando o Woody Allen, kkkk.

Catellius disse...

Bom, eu não tenho muito do que reclamar. Sou profissional liberal e trabalho com amigos de universidade e me dou bem com todos clientes. Tenho uma ótima relação com meus familiares e com meus amigos, quase todos também ex-colegas de universidade.

Ainda assim de vez em quando pinta aquela ansiedade normal...

Ainda bem que não pego mais ônibus, he he, já que moro ao lado do meu trabalho. Também odiaria ser espremido ente bundas, principalmente masculinas...

Enfim, mesmo assim não me livro de um pouco de stress no trabalho por causa de datas de entrega e de burocracias mil, problemas na aprovação de projetos junto às Administrações (prefeituras), Bombeiro, Cindacta (prédios altos), além de ser dureza ser dono do próprio nariz. No fim de ano, por exemplo, é o pobre rapaz aqui que paga férias e 13º e além de não recebê-los também não recebe de clientes por estarem viajando e porque as repartições públicas que fariam andar os processos param de funcionar.

Com esposa também é impossível de não se ter stress de vez em quando, he he, mas faz parte. Difícil com elas, impossível sem elas! :)

Enfim, sou um rebelde sem causa, ha ha ha ha ha!

André disse...

Legal... Tomara que o circo pegue fogo na Venezuela. E é uma pena q isso não aconteça aqui nessa fazendinha tosca:

Venezuela: The Marigold Revolution?

Another color revolution may be forming -- in Latin America.

Our story begins in 1999, when a small group of Serbian college students took a look at the government of then-Yugoslav President Slobodan Milosevic and decided that enough was enough. They began regular protests against Milosevic's authoritarian rule and began to act as a nexus, coordinating their efforts with other dissident groups and minor political parties. In early 2000 they named their student activist group Otpor.

Within months, Otpor's invigorating and slick campaign tactics helped energize and unite various political factions and bind them together into a confederated anti-Milosevic movement. And in October of that year, Milosevic's government fell.

After its greatest hour, Otpor did not dissolve. It evolved. It remained active in demanding political accountability at home in Belgrade, but also stretched out internationally, seeking training and allies. As the organization's founders graduated from university the group became more nuanced and gradually grew to command a broader and deeper skill set.

Otpor strengthened its connections with Western governments and nongovernmental organizations, which provided the group with funding and limited amounts of intelligence about potential weaknesses in regimes they were already targeting. The tactics used in the crucible in Belgrade were "marketed" in documentaries and training manuals. Otpor became more than "just" a student group and transformed itself into the Center for Applied Non-Violent Action and Strategies (CANVAS). Among the group's strongest allies are Freedom House and the Albert Einstein Institute and, through them, the U.S. Agency for International Development and the U.S. Department of State.

In 2003 CANVAS worked with the opposition in the former Soviet state of Georgia and helped foment the Rose Revolution. In 2004 similar efforts merged with a broader international effort to spur Ukraine's Orange Revolution and Kyrgyzstan's Tulip Revolution. Not all of CANVAS's attempts proved successful. Efforts in Belarus, Uzbekistan and Azerbaijan, for example, bore no fruit. But the group's ability to mobilize and unite disparate factions and strike at the core of authoritarian systems are among the best on the planet.

In 2005, CANVAS turned its attention to Venezuela, and on Oct. 5 -- the seventh anniversary of Milosevic's fall -- five student leaders from Venezuela arrived in Belgrade for training.

Demographically, Venezuela is very young, and thus in political terms student groups are potentially powerful. Additionally, the student movement is probably the most cohesive single faction within the Venezuelan opposition to President Hugo Chavez -- which is itself perhaps the most ineffective and fractured opposition in Latin America. Venezuelan students only recently became active in anti-Chavez activities, and formed the backbone of opposition to the government's nationalization of CANTV, the country's only meaningful private television station.

Success is by no means guaranteed, and student movements are only at the beginning of what could be a years-long effort to trigger a revolution in Venezuela, but the trainers themselves are the people who cut their teeth on the "Butcher of the Balkans." They've got mad skills. When you see students at five Venezuelan universities hold simultaneous demonstrations, you will know that the training is over and the real work has begun.

Bocage disse...

Penso que uma causa e conseqüência do stress e de problemas no trabalho sejam as mal passadas noites. Deveríamos desacelerar a partir das 18:00 e dormir cedo. Mas quem consegue? Há quem prefira passar o dia à meia bateria e correr atrás do prejuízo ao fim da noite, o que gera mais sonolência no dia seguinte. Dormimos pensando nos problemas, enquanto deveríamos transformar o dormir em uma arte, para funcionarmos em pleno quando realmente precisamos.
São 23:22. Hora de dormir, rsrsrs

Bocage disse...

"transformar o dormir em uma arte"

Começar cedo a desacelerar a mente e o corpo, como recomendavam os epicuristas, deitar-se sobre um bom colchão e a partir daí não pensar em nada, nem em boas coisas. Quando se dorme bem, tudo fica bem, rsrs.

Não tirei isto de um livreto do Dalai Lama, rsrsrs.

Eduardo Silva disse...

Já que o blog oscila entre discussões inflamadas sobre política, filosofia, às vezes algo supérfluo, e agora confissões rotineiras, aqui vai a minha:

PUUUUUUUUUUUTTTTTTAAAAAAAA QQQQQQQUUUUUUUUUEEEEEEE PPPPPPPPAAAAAAAAARRRRRRRRRIIIIIIIUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Na universidade tenho alguns colegas de trabalho que são uns perfeitos idiotas latino-americanos.

Tem um rídiculo, já foi monge, fez um mestrado em Roma que nem é reconhecido pelo sistema educacional do País, apenas pela igreja católica, e é um chavista, dá pra acreditar?

Eu me pergunto que tipo de idiota acreditaria nisso ainda:

1.Hugo Chávez é um messias que veio para livrar a américa latina da merda.

2.Fechar o canal de televisão foi a melhor atitude do Chávez, e o Lula deveria repetir issso ontem quando renovou o a concessão para a Globo (o idiota nem sabe que o responsável pela concessão é o Congresso).

3. Que o EUA são uma farsa e merece acabar, porque nos explora.


4.E pior ele acha que é inteligente, por conhecer Religiões, e ter um mestrado rídiculo nessa área.




Meu saco mesmo.




Tivemos uma discussão numa reunião que durou mais ou menos uma meia-hora.


Ele me pediu humildade e eu o chamei de asno e pedante::::comoção geral do pessoal que estava na sala.


Ele me chamou de advogadozinho com ideologia de burguês!!!!!!!!!


Dá pra ficar puto com um negócio desses!!!!!!!!


Perdi a compostura, não deu, ele começou a gaquejar e eu disse:

Retire o capim da sua boca para falar comigo. Até que um amigo nos acalmou!!!!!!!

No Trabalho, como é um ambiente social, acontece essas coisas, normal.

Na área jurídica isso é tão constante: discussões com ataques pessoais e os mais diversos palavrões, as pessoas estão muito nervosas, estresse total!!!!!!

Eduardo Silva disse...

Desabafo na internet, que coisa neh?

As pessoas estão necessitadas mesmo!

Obrigado

André disse...

Ora, não se desespere, Eduardo.

Quando fiz direito (sala na qual, q eu saiba, apenas duas nerds se “deram bem” na vida, uma é juíza federal, a outra, procuradora da república, mas nada de surpreendente, pois eram mesmo bem nerds), minha sala praticamente só tinha esquerdistas. E bem antes do pau-de-arara virar presidente. De vez em quando me atacavam, mas eu nem mesmo respondia. Na verdade, nem olhava na cara de quem me atacava. O silêncio e um certo desprezo costumam ter um efeito devastador nessas horas. Mas o petismo nem era o pior. Eram todos uns idiotas, com raras exceções, que só confirmavam a regra. Não só ignorantes em política, como em todo o resto. Faculdade é assim mesmo. Aliás, as escolas são assim, todas, todos esses “graus” pelos quais temos q passar pra mostrar pra sociedade que somos alguém ou que podemos “fazer algo”. Quase, quase tudo uma grande farsa, na minha opinião.

Ricardo Rayol disse...

tô achando que tem n demais nessa situação com sua colega de trabalho ehehehehehe

Ricardo Rayol disse...

ah, a propósito, os jovens querem mudar o mundo, mas depois que crescem viram dirigentes políticos.

Simone Weber disse...

Bocage,

Alcunha de poeta boêmio para um defensor do desacelerar corpo e mente a partir das 18:00... No mínimo curioso :-)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...