24 outubro 2007

Oportunidades

A oportunidade faz o furto. Qualquer nação, povo ou líder nasce ladrão. Sem falar nas muitas instituições. O sofrido (e ambíguo) anti-imperialista egípcio Gamal Abdel Nasser era, afinal, um descendente dos faraós. Até o nosso Brasilzinho incruento deu uma de realpolitik pra cima do Paraguai no Século XIX. Liquidamos quase todos os paraguaios homens, numa guerra cuja história ainda não foi satisfatoriamente contada, talvez. O curioso é que os dois maiores imperialismos dos Séc. XX, o dos EUA e o da URSS, nasceram de revoluções anti-imperialistas. O círculo e ciclo vicioso perfeitos.

Os EUA reagiram hostilmente à luta pela independência no Brasil. O próprio Jefferson esnobava nossa gente. Ah, e também houve a metamorfose da Revolução Francesa no imperialismo napoleônico, mas esse durou pouco. "As coisas devem mudar para continuarem como estão", diz Tancredi em Il Gattopardo, de Lampedusa (ilustração). Enfim, o revolucionário de hoje é o reacionário de amanhã: isso é meio verdadeiro, mas simplista, porque há muito mais por trás disso tudo.

O zé-povinho está por fora das sutis modulações do pensamento histórico. Hoje visto como imperialista, Israel era o paradigma da justiça e da virtude lá no começo. E se considera superior aos demais países, como todos os outros. O patriotismo não é só o último refúgio dos velhacos. O autor da frase, Samuel Johnson, sabia muito bem da força do condicionamento cultural, da língua, costumes, amibente, etc, sobre o indivíduo. Transferida essa força para o coletivismo da nação, da “raça”, do povo, temos os nacionalismos.

Às vezes me parece que quanto mais sofrido o grupo humano, mais paranóico. Quase todo brasileiro alfabetizado sabe que não passamos de uma Ruanda com elefantíase, mas no que fazemos bem (ou achamos que fazemos), futebol e carnaval, por exemplo, entregamo-nos a uma arrogância e insolência incríveis. Essa explosão tribal quando a Seleção ganha uma Copa poderia, em outras circunstâncias, ter sido recondicionada, digamos, para esmagar o Uruguai, a Argentina ou a Guiana Holandesa — e com todo mundo se achando do lado do “bem”. Qualquer superpatriota, seja americano, russo, chinês, israelense, árabe, nigeriano, etc, tem sempre explicações cartesianas para os atos do seu país. Não admite, em termos de nação, o irracionalismo que experimenta em si próprio. Idiota, mas verdadeiro.

Quem pode, quando pode, destrói e reprime enquanto der. Por exemplo, no último século, enquanto os comunistas matavam, os católicos se limitavam a nos condenar ao fogo eterno (e, no episódio do Holocausto, quando poderiam ter feito algo de bom, salvando muita gente, preferiram se omitir — ao menos a cúpula, no Vaticano). Uns estavam aproveitando a oportunidade, outros já haviam perdido a sua. Mas há outras formas de repressão ainda bastante ativas. Até hoje as várias Igrejas exercitam, ainda que sutilmente em muitos casos, uma certa repressão à liberdade sexual. O indivíduo com domínio e expressão de suas sensações escapa à engrenagem. A construção de todos os sistemas políticos e religiosos foi marcada pelo moralismo. O ódio entranhado de São Paulo ao sexo tinha relação com a repulsa necessária ao free for all do paganismo. Freud percebeu coisas assim, mas aceitou tudo fatalisticamente, como imprescindível ao progresso, embora considerasse impossível transformar nosso cerne biológico. Somos um animal domesticado, mas indomesticável, no fundo. Desse choque vem a nossa patologia psíquica. Uma das premissas da tradição judaico-cristã é a de que temos de ser aperfeiçoados para um destino autotranscendente, superior, ad majorem Dei gloriam. A mística da perfeição.

Prefiro a mística da imperfeição do homem, antes da conquista do pensamento ocidental pelo cristianismo. Os gregos e romanos pregavam a imperfectibilidade do homem como condição permanente, a ser dosada por melhorias, devagar, aos poucos e com realismo. Aristóteles, principalmente. Tomás de Aquino batizou-o, postumamente, mas extraiu muito do que havia de mais sadio. Se Freud tinha razão ao dizer que os judeus assassinaram Moisés no deserto, por não agüentarem mais a tirania salvacionista do líder, estes fizeram muito bem. Em certos momentos históricos, o lema devagar e sempre merece os nossos mais altos protestos de estima e consideração.

42 comentários:

Heitor Abranches disse...

Andre,

A obra de referencia da Guerra do Paraguai é o livro Maldita Guerra de Doratiotto considerado o clássico nesta questão.

André disse...

Valeu, Heitor, mais um pra minha listinha, e pra quando eu tiver mais tempo livre também.

Esse livro foi bem falado na época.

Simone Weber disse...

Parabéns pelo texto.

Quando for senhora de meu tempo novamente volto a comentar assiduamente neste querido espaço :)

Beijocas para todos.

Catellius disse...

Acabou de saltar de meu system tray o e-mail com este comentário!

Miracolo!

Tudo bem, Simone, nós aguardamos!
Beijos para você!

André disse...

Obrigado, Simone!

Catelius, cheque seu e-mail, acabei de mandar algo importante.

Catellius disse...

Ótimo texto, André!

"A oportunidade faz o furto"

ou, como diria Bertrand Russel,

"A consciência é o medo de ser pego".
Escrevi há um tempo: Tanto que o criminoso quando é descoberto quase sempre chora copiosamente - e sinceramente - arrepende-se, inclusive, o que é ótimo para sua alma!! Mas dificilmente teria se apresentado espontaneamente para a polícia. E se tivesse quase certeza de que seria pego sua "consciência" o teria impedido de fazer o mal. Por isso precisamos de uma polícia quase onipotente, he he, já que o medo de Javé não muda um milímetro no modo de agir da bandidagem.

Também escrevi há não muito tempo: Consciência é o medo de ser apartado do rebanho. Até pessoas “honestas” e sem problemas financeiros passam a fazer contravenções, a andar com IPVA vencido, a não pagar o condomínio. Basta ver como é alugar imóveis aqui no Brasil. Nos EUA, se não pagar é despejado em pouquíssimo tempo. Por aqui, o picareta vai ficando, ficando, empurrando a questão com a barriga, na maior cara de pau. E ainda se diz vítima de constrangimento se for afixada em local visível uma lista com os condôminos inadimplentes.

Um conto de Lampedusa que eu recomendo veementemente é O Senador e a Sereia.

"...A mística da perfeição.
Prefiro a mística da imperfeição do homem..."

EXCELENTE!

Como eu já escrevi, um ser perfeito que nunca age a não ser da melhor maneira possível nunca se vê no dilema de escolher entre duas opções. Se não precisa de discernimento porque não escolhe, não tem livre-arbítrio, se não possui livre-arbítrio não tem mérito, não é inteligente, é uma maquininha, uma pedra, mais provavelmente. BINGO!!!! Baal é Deus! Ele também é de pedra!

Que responsabilidade tem um ser perfeito, portanto? Não pode agir de outro jeito. Acho que a responsabilidade deve ser do supra-deus, o criador de deus, uma divindade capaz de tomar decisões erradas, de se equivocar, he he.

O bom e velho Júpiter (Zeus) é que sabia o que era bom! Tinha suas imperfeições, tinha até uma esposa ciumenta para infernizar sua vida, he he. Sentia prazer com as mais belas mulheres da Antigüidade na pele de cisne (Leda), de touro (Europa), como nuvem (Io)etc. Como será o orgasmo de uma nuvem? Devemos nos sentir muito mais leves, certamente...

Enfim...
Volto a trabalhar!

Catellius disse...

Beleza, André.
Vou checar!

André disse...

Nossa, Catelli, estou impressionado. O primeiro capítulo do livro do Hitchens, God is Not great, é muito, muito bom, bem melhor do q eu esperava. Mandei pra vc e pra outros amigos por e-mail. Baixei do site da livraria Cultura. Aliás, o original em inglês é só um pouco mais caro q o traduzido, acho q vale a pena.

Sabe q essa foto aí da nobreza decadente combinou bem com o texto? Valeu.

Bocage disse...

Recebi isto por e-mail, rsrs:

E se o Capitão Nascimento fosse Político?
O personagem principal das CPIs seria o “saco da verdade”.

O Gabeira maconheiro tava FODIDO.

O capitão teria de ir toda semana à BRasília, mas ia armado, “cumpadi”, e de roupa preta.

Se algum parlamentar achasse o discurso sobre ESTRATÉGIA chato e desse uma cochilada, ele daria uma granada sem pino pro parlamentar segurar...

Quando um deputado pedisse a palavra PELA ORDEM por dez minutos, ele responderia “Vossa Excelência é um fanfarrão, Sr. 06. O senhor tem dez SEGUNDOS com a palavra”.

Ele ia acabar com a disputa para a presidência da câmara ou do senado simplesmente dizendo a um dos candidatos “Vossa Excelência é o novo xerife, Sr 08”.

Ele acabaria com a dívida externa brasileira “botando tudo na conta do Papa”.

Ele viraria pro Renan e falaria: “Tira esse terno preto porque você não é senador, você é MOLEQUE!”

O Zé Dirceu não seria cassado, mas caçado.

Não existiria mais votação no Conselho de Ética. Ele simplesmente bateria na cara do deputado e gritaria: “PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR!”.

Quando os parlamentares reclamassem dos salários a resposta seria sempre: “Mas quem disse que a vida é fácil?”

O Palocci, antes de renunciar, teria ouvido que o lugar dele é com PUTA, que o lugar dele é com CAFETÃO!

Se um parlamentar fosse renunciar pra escapar da cassassão ele teria de subir antes na tribuna e gritar para que todos ouvissem: “EU DESISTO”, pra todo mundo saber que ele é um fraco. E todos os colegas gritariam pra ele “SEU MEEEEEERDA!!!"

E, pra finalizar, ele esfregaria a cara desses políticos safados no corpo de todos os que morrem por causa da verba da saúde, da segurança, da educação, daria vários tapas na cara deles e griaria: “Quem matou esse garoto aqui foi VOCÊ, SEU VIADO”.

André disse...

Coincidência, Bocage: recebi esse e-mail hoje. Muito engraçado... Mas não concordei com a parte do Gabeira. Acho q ele é um cara honesto e sério. Preferia q tivessem usado o Suplicy.

Catelli, achei confusa a parte do 1o capítulo em q Hitchens cita e critica Marx. Não entendi muito bem o q ele quis dizer com aquilo.

Bocage disse...

Texto tosco porém engraçado, rsrs.

Refiro-me à descrição da atuação parlamentar do Cap. Nascimento, rsrs.

Teu texto está ótimo, nobre André.

"Gamal Abdel Nasser era, afinal, um descendente dos faraós."

O semita era descendente do inexistente Abraão na versão que sacrificaria Ismael e não Isaac. Os faraós não eram semitas. Eram?

"O patriotismo não é só o último refúgio dos velhacos."

Eric Hoffer afirmou:

“Quanto menos um homem tem razões para afirmar sua própria excelência, mais ele tende a afirmar a excelência de sua nação, sua religião, sua raça ou sua santa causa (..) É provável que um homem cuide de sua própria vida quando esta é digna de atenção. Quando não é, ele tira a mente dos seus assuntos insignificantes desviando a atenção para a vida dos outros (...) O fanático é perpetuamente incompleto e inseguro. Não consegue gerar autoconfiança a partir de seus recursos individuais - a partir de seu eu rejeitado - mas a encontra apenas ao agarrar-se apaixonadamente a qualquer que seja o apoio ao qual ele se abrace. Essa ligação apaixonada é a essência de sua devoção e religiosidade cegas, e ele vê nela a fonte de toda a força e virtude. Ele facilmente se vê como o apoiador e defensor da causa santa à qual adere. E está pronto a sacrificar a própria vida.”

O crente, o patriota, o tradicionalista têm o desejo de eximir-se de responsabilidade pelas próprias ações e crenças, de livrar-se do ônus da liberdade. Preferem ser autômatos a seres humanos livres.

André disse...

Acho q os faraós eram semitas. Bom, não sei. Mas é plausível q fossem, não é?

“O crente, o patriota, o tradicionalista têm o desejo de eximir-se de responsabilidade pelas próprias ações e crenças, de livrar-se do ônus da liberdade. Preferem ser autômatos a seres humanos livres.” Boa. E o q o Eric Hoffer disse também.

Bocage disse...

Hitchens foi marxista e ainda é esquerdista, embora tenha sido um ferrenho defensor da invasão do Iraque pelos americanos. Teria ele se confundido, uma vez que nos EUA Republicanos são vermelhos e Democratas azuis? Rsrsrs. Discute publicamente deus e invasão do Iraque com seu irmão, Peter Hitchens, um teísta crítico do governo Bush. Chega a ser patético, rsrs. Isto não me impede de gostar imenso de Hitchens - do Christopher, por certo. A história dos dois irmãos lembra-me as rusgas entre os parvos Gallagher, rsrs.

"...não passamos de uma Ruanda com elefantíase..." – rsrsrs

"...enquanto os comunistas matavam, os católicos se limitavam a nos condenar ao fogo eterno..."

Não se limitavam a condenar os infiéis. Fabricavam embustes, aparições e profecias, exortavam seus clientes a apoiar ditadores, omitiam-se, como disseste, assinavam concordatas e até mantinham campos de concentração (quando eu tiver tempo seleciono um interessante material sobre um campo de extermínio coordenado por um monge franciscano, rsrs)!

"O ódio entranhado de São Paulo ao sexo tinha relação com a repulsa necessária ao free for all do paganismo"

Free for all?
Isto depende da corrente filosófica e não de ser-se pagão ou não.
Estás a assistir filmes sobre o cristianismo primitivo? Rsrs.
Na época (mais ou menos) do misógino Saulo a principal escola filosófica de Roma era o que se convencionou chamar de Estoicismo Imperial ou Terceiro Período Estóico, cujos principais representantes eram Sêneca – este de fato contemporâneo ao sujo rabino de Tarso -, Marco Aurélio e outros. Para estes estóicos, Deus não era um ser pessoal e sim o próprio universo, não se distinguia da natureza. Já “conheciam” destarte o deus de Espinosa, Goethe e Einstein. Na moral estóica era necessário viver de acordo com a razão, vencer todas as paixões, ser o dono de si mesmo. O estóico dividia a humanidade entre sábios e loucos. Os primeiros dominavam as paixões e os segundos delas eram escravos. O estóico deveria estar imbuído de uma espécie de apatia que não o permitisse exultar em exagero na ventura e tampouco sofrer em demasia no infortúnio. Se a um estóico não fosse permitido levar uma vida virtuosa deveria preferir a morte, mesmo que pelas próprias mãos. Sêneca deixou de servir Nero porque o louco imperador não mais escutava seus conselhos. Recebeu uma gorda quantia em dinheiro para sua aposentadoria e por isso foi tão criticado que tentou devolver o presente a Nero mas este não o aceitou. Posteriormente, acusado de conspirar contra o imperador, antecipou-se à condenação e cortou as veias do próprio pulso. “Perguntas qual o meio para chegar à liberdade? Uma veia qualquer de teu corpo”, teria dito.

Estóicos diziam não haver diferenças entre patrícios e bárbaros, consideravam a escravidão uma injustiça e exortavam o homem à paz universal. Consideravam todos os habitantes da orbe membros de uma cidade universal sem nacionalidades. Ao contrário dos supersticiosos cristãos, contudo, acreditavam ser possível atingir a máxima perfeição pelas próprias faculdades racionais. Irracionalmente, acreditavam que pela razão podiam um dia tornar-se deuses, rsrs. Os estóicos foram os mais perseguidos pelos cristãos, quando estes alcançaram o poder. Não foi por menos: era a semelhança que os incomodava!

Ensinamentos de dois estóicos:

Sêneca

Daí o princípio do qual nós, estóicos, estamos orgulhosos: o de não nos encerrarmos nas muralhas de uma cidade só, mas de entrarmos em contato com o mundo inteiro e de professarmos que nossa pátria é o universo, a fim de oferecermos à virtude o mais amplo campo de ação.

A natureza nos deu o instinto do amor recíproco e da vida social.

Quem exclui que o escravo pode ser benfeitor de homens livres, não conhece o jus humano.

Não invejemos as posições elevadas, pois o que julgamos ser o cume, não é mais do que a beira de um abismo.

Quem não souber morrer bem, terá vivido mal.

No espaço de uma hora, passa-se do trono aos pés do vencedor.

É preciso, finalmente, que nossa alma, renunciando a todos os benefícios exteriores, se recolha inteiramente em si mesma: que ela só confie em si e só se alegre consigo, que ela só aprecie seus próprios bens, que ela se afaste o mais possível dos estranhos e se consagre exclusivamente a si mesma, que os prejuízos materiais a deixem insensível e que ela chegue mesmo a encontrar um lado bom nas suas desgraças.

Marco Aurélio

Em todos os teus atos, ditos e pensamentos, procede como se houvesses de deixar a vida dentro em pouco.

Da vida humana a duração é um ponto; a substância, fluida; a sensação, apagada; a composição de todo corpo, putrescível; a alma, inquieta; a sorte, imprevisível; a fama, incerta. Em suma, tudo que é do corpo é um rio; o que é da alma, sonho e névoa; a vida, uma guerra, um desterro; a fama póstuma, olvido. O que, pois, pode servir-nos de guia? Só e única, a Filosofia.

Logo estarás morto e ainda não és simples, nem tranqüilo, nem seguro de não receber danos de fora, nem bondoso para com todos, nem pões a sabedoria apenas na prática da justiça.

Não te limites a respirar com os outros o ar circundante, mas, doravante, pensa em conjunto com a inteligência que tudo envolve; a força intelectiva está tão derramada em toda parte e tão distribuída a quem pode sorvê-la quanto o ar a quem o pode aspirar.
Muitas vezes comete injustiça quem omite, não apenas quem faz alguma coisa.

Admira-me muitas vezes como cada um, embora ame a si mesmo acima de todos, dá menos valor à sua opinião a seu respeito que à dos outros.

Realizei algo para o bem comum? Então tirei proveito. Que sempre tenhas em mente esse pensamento e jamais o abandones.

Catellius disse...

Opa!
Excelentes comentários, Bocage e André!

Com a Morte de Marco Aurélio morreu a Pax Romana. Após Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio, o filho e sucessor deste, Cômodo, que nada tinha de estóico, conseguiu a façanha de desestabilizar profundamente o Império. Libertino, louco, fanfarrão, sádico, assassino, por incrível que pareça protegeu os cristãos. Durante sua "administração" apenas algumas dezenas dos adoradores do homem-deus foram mortos. Mas no norte da África e na Ásia, não em Roma. E ao que parece eram montanistas, fanáticos que se diziam possuídos pelo Espírito Santo e que caçavam o martírio, he he. Esses asiáticos...

Tertuliano, aquele do credo quia absurdum teve sua fase montanista, he he.

André, vou checar mais uma vez minha caixa postal. Comprei o livro de Hitchens pela Saraiva. O frete é grátis para todo Brasil e o preço do deus não é Grande está menor* do que em outras livrarias, assim como o Deus um Delírio, de Dawkins. Custam por volta de R$ 55 nas livrarias e uns R$ 35,00 na saraiva.com.br

Boa noite a todos.

*deus não é grande está menor
he he

André disse...

"deus não é grande, está menor"

ou

deus não é grande, mas ainda tem bons contatos

ou

deus existe, ele só não quer se envolver

*************

Hitchens fala muitas bobagens, mas nisso lembra um pouco o Francis. É inteligente até quando erra.

É a favor da ocupação do Iraque, ainda q não entenda parte dos motivos estratégicos para a invasão. Mas não diz muitas bobagens. Enfim, acho ele diferente demais.

“Free for all? Isto depende da corrente filosófica e não de ser-se pagão ou não.” É, acho q sim. Mas os primeiros cristãos provavelmente eram um saco, imagino. Inflexíveis.
Os “segundos” cristãos também. E os terceiros...

Marco Aurélio era interessante. Um bom imperador. As Meditações dele são meio chatinhas, mas tem partes boas.

Às vezes acho q sou um estóico com uma dose de epicurismo.

“Não foi por menos: era a semelhança que os incomodava!” Semelhança entre estóicos e cristãos, será? Talvez.

Na Cultura tem um desconto pra quem é cliente Mais Cultura. A Saraiva é uma boa loja. Logo vou comprá-lo, pq sei q esse dá pra ler voando, rapidinho.

Bocage disse...

"Semelhança entre estóicos e cristãos, será? Talvez."

Havia mais discordâncias, principalmente devido a os estóicos estimularem o uso das faculdades mentais, enquanto para os cristãos a razão era inimiga da verdade, era uma arma de Satanás. O estoicismo não era uma religião, com rituais e deuses específicos, mas uma corrente filosófica, como sabes.

As semelhanças a que me refiro dizem respeito à universalidade do homem estar acima das nacionalidades, dizem respeito a classificar escravidão como injustiça, a uma certa apatia em relação a dor, a uma vida regrada. Como sabemos, no mundo dos negócios ataca-se o concorrente mais próximo. Por isso católicos e evangélicos preocupam-se mais uns com os outros do que com descrentes, umbandistas, espíritas, budistas e crentes de outras confissões.

André disse...

Mandou bem, Bocage:

"Como sabemos, no mundo dos negócios ataca-se o concorrente mais próximo. Por isso católicos e evangélicos preocupam-se mais uns com os outros do que com descrentes, umbandistas, espíritas, budistas e crentes de outras confissões."

É assim mesmo que as coisas acontecem. Eles também devem menosprezar as outras crenças por estas serem "exóticas" demais ou minoritárias (não representam grande ameaça, mesmo os espíritas, q não são poucos no Brasil).

Marcos Vinícius Ferrari disse...

Curiosidades - Ano 1600 a 1700

Ao se visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso palácio não tem banheiros.

Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes, muito menos papel higiênico.

As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.

Em dia de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500 pessoas, sem a mínima higiene.

Vemos nos filmes de hoje as pessoas sendo abanadas. A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que eram propositalmente feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não havia higiene).

Também não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e à quase inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que
o corpo e boca exalavam, além de também espantar os insetos.

Quem já esteve em Versalies admirou muito os jardins enormes e belos que, na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário nas famosas baladas promovidas pela monarquia, porque não existia banheiro.

Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho (para eles, o início do verão).

A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores,
junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro. Daí termos "maio" como o "mês das noivas" e a explicação da origem do buquê de noiva.

Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de
idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho.

Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível "perder" um bebê lá dentro.

É por isso que existe a expressão em inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente "não jogue o bebê fora junto com a água do banho", que hoje usamos para os mais apressadinhos.
Os telhados das casas não tinham forro e as vigas de madeira que os sustentavam era o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o chão. Assim, a nossa expressão "está chovendo canivete" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs" (está chovendo gatos e cachorros).

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse envenenada.

Lembremo-nos de que os hábitos higiênicos, da época, eram péssimos. Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, venenosos.

Os copos de estanho eram usados para cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).

Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.

A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos. Então os caixões eram abertos, os ossos retirados, postos em ossários, e o túmulo utilizado para outro cadáver.

As vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo.

Assim, surgiu a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns
dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar.
E ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada por nós até os dias de hoje.

VIVENDO E APRENDENDO.. .

Marcos Vinícius Ferrari disse...

Vcs que mandam ver em história... essas coisas são verdade?

Catellius disse...

Deve ter alguma verdade perdida no meio de tanta mentira, he he.

Quando eu tiver um pouquinho de tempo confiro uma ou outra coisa que me deixou na dúvida.

Mas para adiantar: "salvo pelo gongo"

Realmente deve vir de "saved by the bell", mas isto é uma gíria de boxeadores. O cara está apanhando e só não é massacrado porque o juiz toca o sino (gongo) para o boxeador se recobrar ou para encerrar o round.

Sobre Versailles, muitas mentiras. O palácio possuía centenas de móveis adaptados para um bom "barro", dentro dos quais ficava um vaso, uma espécie de penico cujo conteúdo era obviamente enterrado, como até os gatos sabem fazer. Claro que eles eram uns porcos comparados a hoje, e especialmente a alta realeza às vezes ignorava os penicos. Luis XIV era conhecido por urinar nos cantos do palácio e por defecar nas escadas e jardins, mas obviamente tudo era limpo após o "serviço" e ele jamais cometia tais indelicadezas na frente de senhoras... Dizem que ele sequer mandava parar a carruagem para defecar. O Rei sol era um prodígio, he he! Bom, Maria Antonieta tomava banho freqüentemente e usava muitos perfumes. Em Versailles, existiam salas de banho ao lado dos aposentos da realeza. Maria Antonieta possuía, além de sala de banho, um toilette à l’anglaise, que era um vaso sanitário com um sistema de descarga semelhante aos de hoje.

Dizem que se fôssemos atualizar os valores da construção do palácio, suas obras de arte, jardins, etc., o valor poderia chegar a U$ 300 bilhões!!!!!! Cacilda!

Catellius disse...

...construção do palácio, suas obras de arte, jardins...

melhor:

construção DOS palácios, pois são vários.

André disse...

“Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes, muito menos papel higiênico.”

Mas o precursor do perfume era romano, per fumum, através do odor, acho. Aromático, líquido ou para queimar. Será q até isso se perdeu na Idade Média (que não foi só trevas, apesar de tudo)?

“Vemos nos filmes de hoje as pessoas sendo abanadas..."

Devia ser, nas palavras de Tião Macalé, “nojento... tcham!”

Um amigo meu ficou num hotel no interior da França e a dona do lugar ficou enchendo ele, só pq o cara tomava banho todos os dias. A idiota perguntava se ele tinha algum “problema de pele”.

“A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável.”

Um livro fácil de achar, O Ano 1000, tem muitas coisas interessantes sobre a Idade Média.

“Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.”

Os mortos atuais não correm esse risco de voltar, he, he. Mas às vezes "voltam", há formas agudas de catatonia, acho, alguns estados em q os sinais vitais quase somem, aí parece q a pessoa morreu. Engana os médicos. É raríssimo, mas acontece.

“havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo.”

Aposto q isso acontecia muito.

“Vcs que mandam ver em história... essas coisas são verdade?”

Eu acho que são perfeitamente razoáveis. Algumas poucas eu já conhecia.

Catelli, se eu não me engano, o nome desses vasos era chaise percée, cadeira perfurada. Pode ter algo a ver com essa toilette à l’anglaise q vc citou, não sei. Se bem q essa tinha descarga, então era uma chaise percée versão 2.0.

E olha só outra coisa nojenta:

http://en.wikipedia.org/wiki/Manual_scavenging

Voltando mais no tempo, tinha gente em Roma q achava César efeminado pq ele não descuidava do vestuário, do figurino. Se vestia muito bem (mas sem exagero). E era limpinho também, ao q parece.

“Dizem que se fôssemos atualizar os valores da construção do palácio, suas obras de arte, jardins, etc., o valor poderia chegar a U$ 300 bilhões!!!!!! Cacilda!”

Que legal!

André disse...

Pra encerrar:

Diplomatas (atualmente!) que vão pra Coréia do Sul, aquela pequena potência econômica feita por gafanhotos ultradisciplinados, dependem de um supermercado só para eles, pq certas coisas não existem por lá. Desodorantes, eles não usam jamais. E vc encontra, com certa dificuldade, pastas de dente e anti-sépticos, pq eles não ligam muito pra isso.

Marcos Vinícius Ferrari disse...

E O PAPO DO SINO NA COVA, INDEPENDENTE DO DITADO NÃO SE APLICAR A ELE, OCORRIA DE FATO?

André disse...

Marcos, esse do sino na cova eu não acredito, acho muito absurdo.

Catelli, obrigado pelos jogos de Atari. E nem foi preciso procurar um emulador, funcionou direto! Mais complicado é baixar jogos (e respectivos emuladores) de DOS. Wolfenstein 3D, o clássico, é difícil de encontrar (quer dizer, encontrar um q funcione do início ao fim). Um jogo muito bonito é River Raider II, uma versão 3D feita para o Windows do River Raid. Muito mais difícil, mas bonito, apesar de ser um 3D ainda primário, simples. Tem até submarinos e cada caça (vc pode escolher 3 ou 4) tem dois tipos de arma. Os desenhos das unidades ficou muito legal. O movimento das águas também. O problema é q tem q pagar, comprar. O freeware na internet vem com um timer q só te dá algumas horas de jogo. São centenas de níveis, extremamente difíceis.

André disse...

correção: os desenhos das unidades ficaram muito legais

Catellius disse...

“Ao se visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso palácio não tem banheiros.
Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes, muito menos papel higiênico.
As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.”

Quando li o “na Idade Média” pensei que havíamos retornado uns trezentos anos na História, mas quando li, na frase seguinte o “pelas janelas do palácio” percebi que o autor desses disparates ainda se referia a Versailles e imaginou que o palácio fora construído na Idade Média. Ele é do final do séc. XVII.

“...para dissipar o mau cheiro que o corpo e boca exalavam...”

É bom fazer a distinção, já que todos sabemos que a boca não fica no corpo mas na alma, he he.

“Quem já esteve em Versalies admirou muito os jardins enormes e belos que, na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário...”

Jardins bem adubados, jardins bonitos. Eles tinham consciência ecológica.

“Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro.”

Que ridículo. Perfumes são muito mais eficientes do que o olor de flores. E perfumes sempre existiram. O buquê existe desde a Grécia Antiga e era feito de alho, para espantar mau olhado. Depois passou a ser confeccionado com flores, talvez para combinar com a guirlanda, que coroava as noivas desde a Antigüidade.

“Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível perder um bebê lá dentro.”

Também ridículo, pois o problema não seria perdê-lo mas afogá-lo. Quem solta um bebê em uma banheira cheia d’água? Não se solta um bebê portanto não há como perdê-lo. A expressão não deve ter origem aí.

“tem o seu equivalente em inglês em ‘it's raining cats and dogs’ (está chovendo gatos e cachorros).”

Nada a ver. Os animais dormiam sob as camas, para ajudar a aquecê-las. E suponho que qualquer frase que contenha “cães e gatos” deve se relacionar à proverbial inimizade que estes animais devotam um ao outro. O “chovendo” deve se referir a algo muito absurdo, tão absurdo quanto chover canivete ou cães e gatos. “Só perco essa festa se chover canivete”, ou seja: “não faltarei de jeito nenhum”.

“Os copos de estanho eram usados para cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho). Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro.”

Narcolepsia relaciona-se a sonos repentinos, não à aparência de morte. O ignorante quis dizer “catalepsia”, que é folclórica mas raríssima, não tem nada a ver com estanho que, em pequenas quantidades, não faz mal ao organismo. A história do sino é ridícula. Se havia tanta probabilidade de se enterrar uma pessoa viva melhor seria deixar o corpo do lado de fora, deitado no sofá, por exemplo. Se começasse a ficar roxo, feder, inchar, era só enterrá-lo. Se estivesse vivo nada disso aconteceria.

“A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos. Então os caixões eram abertos, os ossos retirados, postos em ossários, e o túmulo utilizado para outro cadáver.”

Ha ha ha! A Grã-Bretanha deve ter mais de 200 mil km quadrados. Digamos que 1/4 do território estivesse ocupado por habitações (muito menos, é óbvio), ainda assim teríamos uns 150 mil km quadrados para sepulcros, ou seja: 150 trilhões de metros quadrados (multiplica-se o km2 por um milhão, que é mil vezes mil). Se considerarmos 10 metros quadrados por corpo, para construirmos um pequeno mausoléu, ainda assim poderíamos enterrar 15 trilhões de pessoas, ha ha ha! SANTA BURRICE!!!!

Legal o Atari, não é? Vou colocar o link por aqui, para quem quiser.
Abraços a todos!

André disse...

Sim, quem escreveu isso pensou que Versailles fosse medieval.

Um buquê de flores não disfarça um odor ruim muito forte. Mesmo perfume em grande quantidade não disfarça.

Gatos no telhado de casa ainda vai. Cachorros eu acho meio difícil. Mas... besouros? E besouro lá precisa se aquecer?

Gente que é enterrada, volta e arranha a parte de dentro do caixão até morrer de vez, sufocada, é algo possível, talvez acontecesse com uma certa freqüência em épocas mais atrasadas. Hoje é raríssimo. De vez em quando alguém "volta" dentro da gaveta de corpos no IML, p. ex.

Pouca gente podia pagar por um caixão na Idade Média, deviam meter o cara num saco e enterrá-lo. Sem falar nas covas coletivas, com ou sem mortos ensacados.

Não só estanho, mas a ingestão de outros metais envenenava muita gente. Até hoje há muitos casos de envenenamento por chumbo. Essa tal aparência de morte deve estar relacionada à embriaguez, não a estados catatônicos ou outros.

O coveiro ou quem recolhia os corpos das ruas provavelmente devia estar bêbado também pra não notar que a pessoa estava viva.

A do velório faz sentido. Instituição social chata essa do velório.

Nenhum país é pequeno demais para enterrar seus mortos. Mesmo o Vaticano dá um jeito. E lá está cheio de velhotes com o pé na cova.

Hoje quase todo lugar tem problemas com a superlotação de cemitérios, o que obviamente não tem a ver com falta de espaço geral, mas apenas naquele lugar. De qualquer forma, mortos se decompõem, logo, deixam de ocupar espaço. Cemitérios também desaparecem com o tempo, ainda q isso possa levar séculos. Eu acho esse negócio de enterro uma bobagem. Nada melhor do que cremar logo de uma vez e espalhar as cinzas. Guardar as cinzas numa urna eu também acho a maior esquisitice.

Heitor Abranches disse...

Como dizia o falecido Athayde Patreze...tem alguns petistas que sao um luxo...e nao sao poucos.

26/10/2007 - 19h39
Aliados articulam proposta que abre brecha para 3º mandato de Lula
Publicidade
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Sem alarde, um grupo de deputados se movimenta nos bastidores da Câmara para articular a possibilidade de um terceiro mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os parlamentares pretendem apresentar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que permite aos atuais detentores de mandato no Executivo a prerrogativa de disputar a reeleição --mesmo que já estejam pela segunda vez no cargo.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) criticou essa proposta e chamou a possibilidade de terceiro mandato de blasfêmia. "Nessa altura, é algo inimaginável. O terceiro mandato não atenderia ao Estado, não seria bom para o Brasil nem para Lula."

No começo do mês, o presidente Lula disse à Folha (conteúdo disponível para assinantes do jornal e do UOL que uma proposta nesse sentido era coisa de gente que não leva a política a sério. "Porque no Brasil tem muita gente que não quer levar a política a sério. A alternância do poder é educadora para a construção da democracia. Não existe ninguém insubstituível."

A Folha Online apurou que os deputados se articulam para apresentar a proposta após a votação da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado. O grupo teme que discutir o assunto agora possa prejudicar a votação da prorrogação da cobrança da CPMF até 2011.

Embora os articuladores da matéria neguem que o objetivo seja assegurar o terceiro mandato para o presidente Lula, a PEC abre brechas para esse mecanismo. A proposta reúne uma série de sugestões de mudanças no sistema político nacional.

"Indiferentemente de quem foi reeleito ou não, a matéria garante a possibilidade de reeleição para os atuais detentores de mandato na aprovação da lei", afirmou à Folha Online o deputado Carlos Willian (PTC-MG), um dos responsáveis pela elaboração da PEC.

Mesmo com a tendência de esperarem a votação da CPMF, Willian disse acreditar que até meados de novembro proposta terá condições de ser apresentada à Câmara. Para que a PEC tramite na Casa, os deputados terão que reunir assinaturas de 171 parlamentares favoráveis à matéria. Com ampla maioria governista na Câmara, Willian não prevê dificuldades para que a PEC tenha apoio dos deputados.

"Não vejo nenhuma antipatia à proposta. Mas para tramitar, será discutida. Não acho que seja antidemocrático, está sendo feita pela Casa Legislativa", argumentou.

Os deputados não descartam anexar a PEC no texto elaborado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) --que tramita na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara-- com propostas distintas para a reeleição. Cunha não vê clima, no entanto, para que o Congresso avalize um terceiro mandato para Lula.

"Ao meu ver, o clima é mais para não ter reeleição. Não há clima para essa discussão, mas se há interesse em colocá-la em pauta, por que não debater?", questionou Cunha.

O deputado lembrou que a tramitação da PEC será lenta, já que tem que passar por uma comissão especial antes de chegar à votação em dois turnos na Câmara e no Senado.

Plebiscito

O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) defende a realização de plebiscito para que a população decida sobre a possibilidade de um terceiro mandato ao presidente Lula. Assim como Willian, o petista é apontado como articulador do tema na Câmara.

"Eu defendo que isso seja definido por meio de plebiscito. Se o povo quiser, não vejo problema em um terceiro mandato. Nos primeiros quatro anos, o presidente está apenas reconhecendo problemas. Nos outros quatro, implementa projetos. De presidente em presidente, o país muda de rumo", afirmou.

Ribeiro negou que tenha articulado a iniciativa de um eventual terceiro mandato com o Palácio do Planalto porque argumenta que é uma questão interna do Congresso.

"O Palácio não quer porque não tem que querer isso. Temos que usar os instrumentos que nós temos. Nunca conversei com o presidente Lula ou com ministros sobre isso. O Congresso é que tem que sentir. Na Câmara, tenho quase certeza que seria bem visto."

Na opinião do deputado, o povo tem autonomia para definir sobre o destino de seus representantes. "Não sou eu que acho pouco [dois mandatos]. Se o governo está dando certo e o povo acha isso, deve ser consultado", afirmou.

Heitor Abranches disse...

Como diria o capitao Nascimento...vc nao e deputado, vc e moleque.

André disse...

Esse vagabundo quer se eternizar... mesmo isso dai não colando, ele vai tentar.

Bom, Heitor, é nessas horas que eu adoraria se houvesse um pequeno grupo de homens determinados e capazes pra cercar a comitiva de nosso amado, idolatrado, salve, salve Virgulino Ferreira, o Lampião, bandoleiro das terras nordestinas, descarregar uma tonelada de munição em alguns segundos e cair fora.

André disse...

Catelli, cheque seu e-mail. É sobre um problema técnico referente a esse blog aqui.

Heitor Abranches disse...

Andre,

Este pustula nao merece a morte de um homem. Nada que pudesse transforma-lo em uma lenda, afinal, ja temos um che guevara e aquele pentelho que foi bombardeado no chile ou o chavez que sobreviveu ao golpe. Acho que a melhor estrategia e dar corda para ele e deixa-lo se enforcar, vai custar caro ao pais mas tenho esperanca que haja aprendizado.

André disse...

É, eu também acredito q há boas chances dele (Lula --- e o PT em geral também) se enforcar politicamente no futuro próximo.

E quanto maior o ego, pior a queda.

André disse...

Catelli, o problema no blog desapareceu, felizmente. E respondi seu e-mail.

Bom fim de semana pra todo mundo.

André disse...

O padre se complica mais:

Há pouco mais de um mês, ao denunciar à polícia que era vítima de extorsão, o padre Júlio Lancellotti disse que sua intenção era dar fim a uma história que se arrastava desde 2004. Até o momento, porém, a única certeza é que ela ainda está longe de terminar. Depois de formalizar o pedido de ajuda policial, o padre veio a público informar que, sob intimidação, havia dado 56.000 reais a Anderson Batista, jovem agora com 25 anos que conhecera como interno da Febem. O dinheiro foi usado na compra de um jipe de luxo e de um terreno. De acordo com Lancellotti, Anderson ameaçava denunciá-lo de ter abusado de uma criança de 8 anos – o que o padre jura ser mentira, apesar de ter pago, ao longo de três anos, uma bela quantia ao sujeito. A polícia ainda não deteve o acusado de extorsão, que está foragido, mas já está às voltas com outra questão relacionada ao padre. Lancellotti, que não consegue explicar a contento a origem da dinheirama dada a Anderson e se contradiz ao tentar explicar o tipo de amizade que mantinha com o rapaz, passou a enfrentar uma acusação formal de pedofilia. Os policiais que investigam a denúncia de extorsão tomaram o depoimento de uma mulher que trabalhou por quase um ano em uma das ONGs criadas pelo padre. Ela disse ter visto Lancellotti aos beijos com um menino de 15 anos. O testemunho motivou a abertura de um inquérito sobre corrupção de menores, que tem Lancellotti como investigado.
A testemunha diz que o episódio aconteceu em 1999 dentro da Casa Vida, que atende crianças infectadas pelo vírus da aids, em São Paulo. Seu depoimento ocorreu sob a condição de anonimato. Antes, também protegida pelo sigilo, ela já havia concedido uma entrevista à Rede Record. VEJA esteve com a denunciante. A testemunha tem duas décadas de experiência no trato com menores infratores. É formada em enfermagem, trabalhou na Febem e, durante meses, foi cedida por essa instituição à Casa Vida, gerida por Lancellotti. O que ela diz:
• "O menino tinha de 15 para 16 anos e apareceu do nada. O padre não disse de onde ele veio. Lá era uma casa só para crianças com HIV, mas esse menino não tinha HIV. Sei porque eu preparava os coquetéis e ele não tomava coquetel. O padre disse que o menino ia morar na casa porque precisava de uma atenção maior".
• "Numa noite, ouvi o padre e o menino conversando na sala de televisão, no andar de baixo. Quando desci para pegar água, vi os dois se beijando na boca. Eles estavam de pé. O padre envolvia o menino com um braço e lhe fazia carinho no rosto. Não parecia haver coação. Quando vi a cena, subi correndo as escadas. Não sei se eles me viram, mas certamente escutaram o barulho. Após uma semana, o padre nos comunicou que tinha encontrado droga nas coisas do menino e o havia mandado embora. Duas semanas depois, ele me mandou de volta para a Febem".
• "O padre espancava as meninas. Socorri três que haviam sido surradas por ele. As agressões aconteciam sempre de dia, dentro do escritório dele, com a porta fechada. Como eu trabalhava à noite, chegava apenas a tempo de ver as meninas com muitos hematomas. Eu passava pomadas e fazia massagens".
• "Quando havia um evento, as crianças iam antes na sala do padre. Ele dizia como elas deveriam agir na frente das pessoas e falava: 'Não se esqueçam de me chamar de pai'".
A testemunha diz que só contou a uma pessoa – o marido – o que viu na Casa Vida. Ela atribui a três motivos o fato de ter levado oito anos para tornar pública a história do beijo que teria presenciado: "Eu era só uma funcionária e o padre Júlio, uma pessoa influente. É claro que iriam acreditar nele, e não em mim. Também fiquei com medo de morrer. Eu trabalhei nesse meio (a antiga Febem) e sei que poderia sofrer alguma retaliação. Agora, com a história do Anderson, eu me senti mais segura para falar. Espero que outros sintam coragem para fazer o mesmo".
VEJA apresentou esse relato a um policial que teve acesso ao depoimento da testemunha. Ele disse que as informações prestadas na delegacia são as mesmas. Pode ser invenção? Pode. Pode ser verdade? Também pode. Afinal de contas, a testemunha foi à polícia denunciar Lancellotti. Se não for louca, deve saber das conseqüências penais de um falso testemunho. Diante da gravidade da acusação, é preciso que as investigações sejam aprofundadas. Só assim o padre poderá recuperar – ou perder de vez – a sua reputação. Zonas de sombra, nesse caso, são inadmissíveis.
O próprio episódio da extorsão ainda está envolto em muitas brumas. E, em vez de iluminá-lo, Lancellotti tem contribuído para tornar ainda mais confuso o enredo. Uma das questões que necessitam ser esclarecidas é quanto, efetivamente, ele entregou a Anderson. Em seu primeiro depoimento, Lancellotti diz ter dado 56 000 reais. Boa parte dos recursos, de acordo com o padre, foi usada para pagar prestações da compra de uma Mitsubishi Pajero avaliada em 65 000 reais. Na semana passada, quando já tinha sido informado de que a polícia havia pedido cópia dos documentos da compra do carro à concessionária, Lancellotti voltou à delegacia para dizer que havia se esquecido de um detalhe: também dera outros 30 000 reais a Anderson, a título de entrada para a aquisição do veículo. É difícil acreditar que uma pessoa com poucas posses – o padre declarou ter rendimentos mensais de pouco mais de 3.000 reais – não tenha se lembrado logo de um gasto tão vultoso. Outro dado a esclarecer, repita-se, é a fonte do dinheiro. Em entrevistas, o padre disse que conseguiu parte dos recursos por meio de "empréstimos com amigos". Em seu segundo depoimento à polícia, deu uma nova versão. Tudo teria origem em "recursos próprios, provindos de suas economias durante 35 anos". Uma vez que as ONGs na esfera de influência do padre recebem recursos públicos – só com a prefeitura de São Paulo, os convênios chegam a quase 11 milhões de reais anuais –, é fundamental esclarecer se parte desse montante foi usada nos pagamentos a Anderson.
Uma coisa é certa: o amigo do padre, agora denunciado por extorsão, ganhava o dinheiro em espécie. VEJA entrevistou o faxineiro Everson Guimarães, preso em flagrante quando ia receber 2.000 reais das mãos de Lancellotti. Ele é, até o momento, o único detido, sob a acusação de ter sido cúmplice na chantagem. Caberia a Guimarães recolher com o padre o dinheiro exigido por Anderson. O preso, que é defendido pelo mesmo advogado de Anderson, conta outra história: "Ele nunca ameaçou o padre. Pedia e recebia. Os dois eram amigos, o padre vivia procurando o Anderson". Guimarães disse que por cinco vezes foi ao encontro do padre. Em todas, recebeu envelopes recheados de cédulas de 50 reais. As quantias variavam entre 15.000 e 30.000 reais. VEJA também entrevistou o técnico em refrigeração José Carlos Ferreira, que tem uma loja na mesma rua em que Anderson é dono de uma pensão. "Além da Pajero, o Anderson também teve um Audi. Foi o padre quem deu", conta Ferreira. Em 2006, Anderson realmente adquiriu um Audi A3. VEJA ainda conversou com o vendedor que participou da compra da Pajero, em uma concessionária. O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que, no dia da compra, Anderson e sua mulher, Conceição Eletério, estavam acompanhados por Lancellotti: "Em momento nenhum o padre pareceu nervoso. Foi uma venda normal".

A esquerda na época da ditadura não gostava de Vila Sésamo (!!!) pq achava o programa “americano” demais...

Na memória dos brasileiros com mais de 35 anos, Garibaldo tem lugar de honra. Entre 1972 e 1977, o pássaro gigante e desengonçado ensinou às crianças noções sobre as letras e os números em Vila Sésamo. Produzido em parceria pela Rede Globo e pela TV Cultura de São Paulo, o programa era revolucionário para a época: valendo-se de descobertas da psicologia e da neurologia, mostrou que era possível juntar conteúdo educativo e diversão. Proposta tão bem-sucedida que Garibaldo e sua turma se tornaram ícones. A partir desta segunda, estréia na mesma Cultura uma nova versão de Vila Sésamo. Garibaldo volta à ribalta, naturalmente. Mas não como esteio de um programa que visa à inovação. Nos últimos trinta anos, as sacadas de Vila Sésamo foram exaustivamente aproveitadas. Estão presentes tanto no programa de Xuxa como nas atrações de um canal segmentado como o Discovery Kids. Com a experiência de quem produziu sucessos infantis como Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó, a Cultura está fazendo uma aposta explícita na nostalgia. Não foi à toa que se resolveu dar destaque a Garibaldo, entre tantos personagens do antigo programa: uma pesquisa confirmou que ele era o mais lembrado pelos adultos. O cálculo é que os pais que foram fãs no passado estimularão os filhos a gostar do programa. Mais que isso, vai se criar um bom pretexto para que assistam à TV ao lado das crianças.

A televisão e o país mudaram muito, é claro, desde os tempos do Vila Sésamo original. Vivia-se ainda a era da televisão em preto-e-branco. E a Globo, embora já fosse líder de audiência, teve de se associar a uma emissora modesta como a Cultura por uma razão hoje impensável: sua estrutura era tão pequena que ela não dispunha de um estúdio para gravar o programa. Só com o tempo assumiu sozinha produção e transmissão. Vila Sésamo revelou gente como Sonia Braga e acabou quando ainda era bastante popular. Como lembra José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, manda-chuva da programação da Globo na época, houve duas razões para sua saída do ar. A principal delas é que a Globo passou a achar desinteressante o acordo financeiro que tinha com a detentora de seus direitos, a Sesame Workshop, entidade sem fins lucrativos que produz o programa nos Estados Unidos e licencia o formato para 120 países. A outra razão é que Vila Sésamo sofreu um patrulhamento crescente da esquerda e dos censores do regime militar, por supostamente fazer propaganda do "modo de vida americano". "Havia pressões, inclusive do governo, para colocarmos uma atração brasileira no lugar", diz Boni. E assim foi feito: depois de seu fim, o Sítio do Pica-Pau Amarelo reinou.
Na TV atual, será complicado Vila Sésamo repetir o sucesso do passado. Em primeiro lugar, porque não disporá de uma vitrine como a Globo. Além disso, seu formato e sua temática já não diferem tanto do que se observa em outros programas. O apelo à repetição – altamente eficaz para atingir as crianças na faixa dos 3 aos 6 anos – agora é explorado em toda parte, dos Teletubbies ao Hi-5. Sua agenda politicamente correta também virou lugar-comum. Isso não tira os méritos do programa. Graças à edição ágil e aos efeitos especiais, seu teor educativo foi aperfeiçoado desde os anos 70 – um exemplo é o quadro do boneco Elmo, que estimula a imaginação das crianças por meio da sucessão de cenários virtuais. Vila Sésamo também procura ajustar-se a cada país onde é veiculado. Na África do Sul, que enfrenta o flagelo da aids, há uma personagem soropositiva. No Brasil, a ecologia e o respeito à diversidade cultural serão enfatizados.
A princípio, a TV Cultura produzirá um quarto do conteúdo de Vila Sésamo (o restante virá de fora e será dublado). Isso inclui o principal esquete, em que contracenam Bel, monstrinha cor-de-rosa criada para a versão nacional, e Garibaldo. Não é fácil, aliás, ser Garibaldo. Com 21 anos de manipulação de bonecos, o ator Fernando Gomes garante que nunca enfrentou nada tão excruciante: dentro da fantasia, ele tem de ficar com um braço estendido para sustentar a cabeça da ave, enquanto usa o outro para bater as asas. Tem ainda de permanecer curvado. E controla seus movimentos apenas por um monitor que carrega dentro do boneco (Laerte Morrone, o Garibaldo dos anos 70, foi mais prático: fez um rombo na fantasia para enxergar). "O pessoal morre de rir toda vez que dou uma trombada no cenário", diz Gomes, que faz quiroterapia para aliviar as dores. A manutenção da fantasia é uma operação à parte. Enquanto o Garibaldo dos anos 70 era azul (o que rendia um tom de cinza mais intenso na passagem para o preto-e-branco), o atual é feito com 5.000 penas de peru e avestruz tingidas de amarelo-ouro. A produtora americana exige que só se toque nelas com luvas. Recomenda ainda que a limpeza seja feita com uma mistura de água e vodca. Sim, água e vodca. Agora se entende por que Garibaldo é tão abilolado.

A versão do Vaticano para o fim dos Templários:

Fundada em 1119, em Jerusalém, para proteger os cruzados que combatiam os infiéis na Terra Santa, a ordem religioso-militar dos templários virou matéria-prima de inesgotáveis lendas e especulações – do romance O Pêndulo de Foucault, em que o escritor Umberto Eco a associa a mistérios mirabolantes, a O Código Da Vinci, em que os remanescentes desses cavaleiros aparecem como os guardiães do segredo sobre a descendência de Cristo. Na semana passada, com o aval do Vaticano, um documento de 700 anos ganhou edição limitada e, segundo historiadores, deve lançar uma luz mais clara sobre a dissolução da ordem, no início do século XIV, em meio a suspeitas de heresia e imoralidade. O volume Processus contra Templarios – mais conhecido como "Pergaminho de Chinon" –, encontrado em 2001 nos arquivos secretos do Vaticano, detalha todo o julgamento movido pelo papa Clemente V contra a ordem. A surpresa: de acordo com esse registro, o pontífice absolveu a ordem da acusação de heresia. Achou-a culpada apenas de "imoralidade", e pretendia reformá-la. Ainda assim, ela foi proscrita e seus líderes arderam na fogueira.
Um dos mitos sobre os templários é que eles ainda existem, na forma de sociedades secretas. A visão que o pergaminho proporciona sobre seu desmantelamento, porém, é essencialmente política. Desde sua formação, os cavaleiros – que usavam aparatos militares e uma túnica branca estampada com uma grande cruz vermelha – haviam se revelado peritos em concentrar influência e fortuna. Além de atuarem como um poder à parte, em condição de competir com a Igreja e os estados medievais, criaram um sistema bancário e passaram a financiar guerras por toda a Europa. É previsível, portanto, que logo se tenham tornado alvo de hostilidades, e que mais cedo ou mais tarde seus inimigos tenham tratado de orquestrar sua aniquilação. Essa situação atingiu seu auge no início do século XIV, quando o rei da França aprisionou o grão-mestre Jacques de Molay e outros líderes dos cavaleiros no castelo de Chinon, no Vale do Loire. O tribunal julgou-os por um rosário de acusações, que iam de cuspir na cruz a impropriedades sexuais. Até onde se sabia, as acusações haviam sido aceitas. O pergaminho encontrado pela pesquisadora Barbara Frale mostra um cenário diferente: Clemente V rechaçou as denúncias mais graves – mas não teve força para manter a existência da ordem. Esse era o momento em que o poder papal estava se deslocando para a França, no ciclo que viria a ser conhecido como o dos "papas de Avignon", e prevaleceu a pressão do rei francês e seus aliados. De Molay e seus companheiros foram queimados como hereges, saindo da história e passando à lenda.
Para os curiosos sobre os mistérios dos templários, uma má notícia: o documento que afinal os exonera não se destina ao público em geral. Foram feitas apenas 800 cópias dele, em pergaminho sintético, com uma réplica do selo papal e anotações dos especialistas. Uma será entregue ao papa Bento XVI. As outras 799 estão já quase todas prometidas para bibliotecas e centros de pesquisa, ao preço de 8.375 dólares por unidade.

A “genialidade” simples do nosso "estadista":

"É como se você, homem, fosse a um baile e tivesse trinta mulheres e 100 homens. Ou seja, a chance de você dançar uma musiquinha é pequena."

O presidente Lula, dizendo aos maiores empresários do país como é duro e competitivo o mercado mundial

André disse...

Diogo Mainardi

A favela da Rocinha é uma "fábrica de produzir marginais". A frase é do governador Sérgio Cabral. Ele acrescentou que a Rocinha só vai parar de fabricar marginais quando o aborto for legalizado. Finalmente um político admite que o maior problema do Brasil é o brasileiro.

Na mesma reportagem, Sérgio Cabral comparou a Rocinha à Zâmbia. Até aí tudo bem. Ninguém discute que a Rocinha seja igual à Zâmbia. Espantei-me apenas quando ele comparou Copacabana à Suécia. E o Méier à Suécia.

Sérgio Cabral é nosso James Watson. James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA, declarou que o preto africano é menos inteligente do que o branco europeu. Anteriormente, ele já declarara que os estudos genéticos permitiriam abortar todos os fetos defeituosos. O governador do Rio de Janeiro descobriu o DNA da marginalidade entre os africanos da Rocinha e agora quer abortá-los. Segundo ele, ficaremos mais seguros. Ficaremos mais inteligentes também?

Uma semana antes de Sérgio Cabral apresentar suas teorias eugenistas, os policiais cariocas, a bordo de um helicóptero, mataram uns marginais no Morro da Coréia. A Secretaria de Segurança Pública explicou que seria difícil efetuar uma operação análoga nos morros da Zona Sul, porque "um tiro em Copacabana é diferente de um disparado na Coréia". Copacabana é a Suécia. Ali só vale o aborto em massa.

No ano passado, o Brasil teve 44 663 assassinatos. O dado acaba de ser publicado pelo governo federal. No mesmo período, de acordo com o site do Iraq Coalition Casualty Count, a guerra no Iraque produziu 18.655 mortes. Os americanos alarmaram-se tanto com esse número que aceitaram mandar mais 30 000 soldados para lá. O resultado? Em fevereiro de 2007, quando as novas tropas desembarcaram no país, registraram-se 3 014 mortes. Em agosto, elas já haviam diminuído para 1.674. Em setembro, 848. Em outubro, até a última quinta-feira, morreram 531 iraquianos.

Consulto todos os dias o site do Iraq Coalition Casualty Count. Consulto todos os dias também o site do Iraq Body Count, onde cada confronto fatal recebe um código e uma ficha de ocorrência. A ficha k7633 relata a morte de um professor da universidade religiosa de Al Sadr. A ficha k7634 assinala dois cadáveres encontrados em Al Kifl. Os americanos parecem se preocupar mais com os assassinatos de iraquianos do que os brasileiros com os assassinatos de brasileiros.

Pior do que a idéia de Sérgio Cabral de abortar os marginais zambianos da Rocinha só mesmo o Pronasci, aquela idéia de Lula de dar um dinheirinho mensal aos marginais para evitar que eles cometam crimes. O programa foi apelidado de Bolsa Bandido ou Bolsa Pivete. Prefiro chamá-lo mais simplesmente de Bolsa Júlio Lancellotti.

Cedo ou tarde, o Iraque será pacificado e a autoridade local poderá comparar Al Kifl à Suécia. A Zâmbia de Sérgio Cabral e Lula continuará com seus 44.663 assassinatos. Se tudo correr bem.

André disse...

Correção: a ditadura militar também não gostava de Vila Sésamo. Que bando de idiotas...

Catellius disse...

Escrevi no Expressionista:

Pedro,

"Parece mesmo uma estupidez que o pobre decida ter muitos filhos, quando não pode sustentar nem um só."

Além da falta de planejamento familiar, há um fator interessante que não sei se pode ser aplicado às mulheres pobres brasileiras mas que faz alguma diferença em países africanos: parece que a mulher faminta, na miséria extrema, ovula com mais freqüência, é mais fértil! Obviamente é um mecanismo de sobrevivência da espécie, certamente imprescindível há algumas centenas de milhares de anos.

Enquanto isso, pessoas estáveis financeiramente e de bom nível cultural tendem a ter menos filhos. O mesmo aconteceu no Império Romano. A taxa de natalidade de patrícios (também clientes e plebeus) era baixíssima e o aborto passou a ser considerado crime de lesa-pátria. Enquanto isso, pobres germânicos e imigrantes de outros países, mais supersticiosos porque rudes, aderiam ao cristianismo - como hoje os pobres abandonam o catolicismo, helenizado, mais refinado, para ingressarem em seitas pentecostais - e se reproduziam mais, claro. O exército romano não foi sendo cristianizado aos poucos. Suas fileiras foram sendo preenchidas cada vez mais por imigrantes convertidos, já que existiam em abundância. Coisa parecida acontece com o exército americano, cada vez mais cheio de latinos católicos e de afro-americans pentecostais. Houve um tempo em que o exército americano era formado principalmente por WASPs.

De modo parecido, a velha Europa passará, infelizmente, para a mão dos imigrantes e de seus descendentes, os “germânicos supersticiosos” de hoje: brasileiros evangélicos da IURD, africanos macumbeiros, muçulmanos, hindus e outros bárbaros. Se nada for feito herdarão a Europa e, quem sabe, a islamizarão ou a consagrarão a Santo Edir Macedo. Aí quem sabe ela não passe por um período de trevas - que certamente não durará mil anos, porque não é mais possível ilhar-se nesta época de globalização – após o qual haverá uma Renascença, para se avançar a partir do ponto em que se dera a estagnação ou regressão (porque islâmicos e pentecostais ainda estão na Idade Média).
Refinar-se-iam com o tempo, recontariam a História do modo que pudessem, claro, e depois de um tempo creditariam o esplendor europeu e sua moral refinada ao islamismo e ao Corão, he he he. Mas as raízes européias e a chave de seu sucesso continuariam a ser a posição geográfica privilegiada, seu passado greco-romano, de onde veio a filosofia clássica e a sua filha: a ciência como forma de obter conhecimento numa postura objetiva diante dos fatos.

Enfim, tudo isso para lamentar que o mundo tenha que funcionar desse jeito: os abonados têm poucos filhos porque custam caro, tolhem a liberdade e dão trabalho; os pobres têm muitos filhos para “ajudar na lida”, que nos grandes centros significa ir para o semáforo vender inutilidades ou esmolar. É chato ver o Édipo de Sófocles virar com o tempo Mandala com Vera Fischer e Felipe Camargo, he he, o mundo clássico em evolução constante por milhares de anos virar um mundo obscuro aos pés do boneco barbudo sangrento amarrado a dois pedaços de pau, o mundo secular onde o boneco havia sido posto meio de lado sucumbir aos trogloditas da Caaba, a esses porcos muçulmanos... Espero não viver para ver algum país europeu (fora aqueles dos Bálcãs) governado por um muçulmano...

Catellius disse...

Excelente o artigo do Mainardi!

Reacionários idiotas disse...

Hahaha, muito fácil para o Vaticano fazer algo, sendo que foi o MUSSOLINI que doou um pedaço de Roma para a Igreja construir o Vaticano lá. Nada de mais, só principal aliado da Alemanha na Europa.

darkyoshi disse...

"(e, no episódio do Holocausto, quando poderiam ter feito algo de bom, salvando muita gente, preferiram se omitir — ao menos a cúpula, no Vaticano)."

Querido, o holocausto não foi revelado, não era assim "ah vamos jogar os judeus na camara de gás e ficarmos famosos para o mundo"

Eles não revelaram até o fim da guerra o holocausto, o vaticano teria que ir para o futuro e depois voltar pra ter algum tipo idéia do que estava aconteçendo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...