20 outubro 2007

A Vocação Estatizante

Um dia desses eu jantava com um grupo de professores de faculdades particulares e um dos assuntos era o desempenho de seus ex-alunos em concursos públicos. Um dos professores arregalou os olhos surpreso diante das notícias enquanto o outro aproveitou a oportunidade para ressalvar que se suas faculdades eram ruins o resto dos cursos não era melhor. Um outro aproveitou a chance para enfatizar como são mercenários os donos destas fábricas de diploma e começou a elencar as piores faculdades.

Um jovem esquerdopata aproveitou para lembrar que estas faculdades haviam sido criadas na gestão do Paulo Renato, no governo FHC, que pretendia privatizar as universidades públicas. Os tempos mudaram, como sempre mudam, e o maléfico FHC está dando aula na Brown University enquanto o Lulinha Paz e Amor está no poder a aplicar sua filosofia de gestão baseada em contratações maciças de servidores públicos.

Será que os pobres alunos são vítimas proletárias dos inescrupulosos capitalistas do ensino? Afinal, se o curso é fraco e o currículo dos alunos egressos destas arapucas vai para o lixo na primeira peneirada de uma seleção de uma empresa qualquer, então o que está acontecendo?

O fato é que os pobres aluninhos querem um diploma de nível superior para fazer concurso público e poder se tornar um típico membro da burguesia de Estado, e muitos deles vivem camuflados em um discurso de esquerda que mascara e justifica a escolha do seu estilo de vida acomodado aos privilégios do Estado.

É uma tragédia para a nossa sociedade. Uma parte considerável da inteligência brasileira, cerca de 5 milhões de pessoas, está mobilizada em aprender coisas inúteis (direito administrativo, código disso e daquilo) para conseguir um emprego no qual, na maioria das vezes, se terá uma baixa produtividade. De fato, há órgãos na administração que funcionam em meio expediente e setores inteiros cuja ação é inteiramente ineficaz.

O Estado neste caso funciona como um transferidor de riqueza, como diria o Eduardo Gianetti, recolhe impostos de pessoas que trabalham de 40 a 60 horas por semana e transfere para pessoas que trabalham 35 horas e ganham salários muitas vezes 2 a 3 vezes maiores com uma produtividade muito menor. Ou seja, o Estado transfere o escasso capital social para investimentos de baixo retorno social à custa de onerar a produção e inviabilizar inúmeros investimentos.

Apesar dos seus muitos erros, FHC percebeu este terrível desvio da nossa sociedade viciada no Estado. Para os pobres, temos a promessa das bolsas. Para a classe média temos a promessa dos bons empregos. Para os ricos temos a promessa de linhas de financiamento e benefícios especiais.

Falta apenas alguém que se disponha a mentir para todos e agenciar as trocas de favores. Alguém que cobre impostos dos ricos e da classe média em troca dos empregos e favores que dispõe. Alguém que dê bolsas para os pobres em troca de votos. Alguém que conceda benefícios para os empresários em troca de financiamento para as campanhas políticas. Aí entra o Lula e seus companheiros com a sua disposição em dar bolsas para os pobres, empregos seguros para a classe média e favores e PACs para os ricos.

Com isto, todos se deixam enganar e a maioria fica acomodada. Muitos pobres acomodam-se com suas bolsas, uma grande parte da classe média acomoda-se com os seus empregos públicos e muitos ricos acomodam-se com os seus benefícios. E para a tranqüilidade de todos ainda teremos alguns acadêmicos marxistas que dirão que a culpa de nossas mazelas é da exploração do nosso povo pelos terríveis capitalistas americanos, que receberão toda a culpa.

45 comentários:

André disse...

Nosso presidente gabiru empregou a canalha toda. O Estado foi tomado de assalto por esses sindicalistas. Quantas FCs... só queria uma pra mim. Mas não trabalhando pra essa escória.

Bom, pra mim o ensino, do primeiro grau à faculdade, é uma porcaria massificada que não ensina, nem educa. Dá alguma instrução, e olhe lá. Poderia ser outra coisa, pena q não é. Mas a maioria dos cursos e faculdades particulares (e várias públicas também, apesar da fama de “difíceis”) são um lixo. Sobre concursos, o negócio é montar um cursinho e se relacionar bem com as empresas que fazem os concursos e os professores que, não raro, dão aulas nos cursinhos e também fazem as questões das provas. Todo mundo sabe disso e não acontece nada. É o círculo vicioso perfeito... Por último, pra passar em concurso público, a pessoa tem que ter método, tem q ser extremamente metódica e se esforçar muito, demais. Outras coisas ajudam, mas são secundárias. Muitos idiotas são assim, chegam lá pq são incansáveis. O que às vezes é até invejável, mesmo a gente sabendo que a pessoa é medíocre fora desse departamento. Conheço excelentes funcionários públicos que são incapazes de qualquer vôo intelectual, de qualquer pensamento original — além de serem de uma ignorância assustadora em assuntos gerais. Inteligência e cultura não fazem muuuuita diferença nessas provas de concurso, infelizmente. Ajudam, mas até certo ponto apenas. O negócio é planejamento, muita decoreba e uma determinação insana.

“O fato é que os pobres aluninhos querem um diploma de nível superior para fazer concurso público e poder se tornar um típico membro da burguesia de Estado, e muitos deles vivem camuflados em um discurso de esquerda que mascara e justifica a escolha do seu estilo de vida acomodado aos privilégios do Estado.” Sim, é chato, mas é verdade. Só uma minoria que vai para o funcionalismo não pensa assim. A maioria quer mais é se encostar mesmo, botar o burro na sombra.

“Uma parte considerável da inteligência brasileira, cerca de 5 milhões de pessoas, está mobilizada em aprender coisas inúteis (direito administrativo, código disso e daquilo) para conseguir um emprego no qual, na maioria das vezes, se terá uma baixa produtividade.” Inúteis, não. Quer dizer, muitas vezes o são. Mas, sobretudo, são uma chatice. E imagine ter que estudar as mesmas coisas de novo e de novo e de novo, pq algumas delas sempre caem... Já tenho alergia a certas matérias e leis. Afinal, nosso cérebro não é HD. Nós não somos um arquivo infinito. Naturalmente, ele, o cérebro, apaga informações com o tempo, também para abrir espaço para novas. E pra “descansar” um pouco, acho. Direito administrativo é importante. Constitucional também. Todos os direitos são. Mas ter q ler a porra da lei 8112, q regula a vidinha dos F.P.s, não é. É pura burocracia, mas ótima pra se eliminar gente em concursos. Ler a porra da lei 8666, licitações, idem.

A meu ver, nossos códigos poderiam ser bem menores. E modernos. O CPC, p. ex., não daria pra cortar muita coisa, afinal de contas o processo civil é por natureza vasto, tem q ser assim. Mas enxugaria consideravelmente o de processo penal. Quanto ao penal, não faria cortes, mas endureceria drasticamente a lei (o que, sei, não adiantaria muito se o sistema continuasse a merda q é. De nada adianta ter boas leis — e olha q no Brasil há muitas leis excelentes, vejam a de responsabilidade fiscal... — se estas não são cumpridas. Se o sistema não presta, já era).

“De fato, há órgãos na administração que funcionam em meio expediente e setores inteiros cuja ação é inteiramente ineficaz.” Ah, claro. Eu eliminaria muitas repartições se pudesse. Principalmente no Executivo. Acabaria logo com um monte de ministérios. E reduziria o funcionalismo público em geral drasticamente. O que, lógico, garantiria o não-voto da minha família em mim, se eu fosse candidato, he, he. Mas não sou, então q se dane.

Mas não reduziria salários, os manteria bem altos. Certos cargos exigem salários altos, ou a pessoa não fica. Além do que, merecem ganhar bem. Os cargos em si não são brincadeira. Ser juiz, procurador disso e daquilo, promotor, defensor público, advogado da União, auditor da Receita, consultor da Câmara ou do Senado, etc, etc, não é pra qualquer um. E mesmo empregos “menores” tem muito valor. Na verdade, depois de reduzir o funcionalismo e mexer em coisas como a estabilidade (continuaria, mas enfraquecida, haveria algum tipo de avaliação séria de desempenho), aumentaria e muito os salários de certas categorias menores, que a meu ver merecem ganhar muito mais. Enfim, mexeria num monte de carreiras, mas não só pra piorar a vida de quem está nelas. Alguma justiça é necessária.

Contudo, adotaria uma postura, q muitos funcionários públicos, os bons, possuem, de cortar a carne podre. Os vagabundos. Mentalidade empresarial, porrada mesmo: não produz, fora. Daí o downsizing supracitado...

Bom, pelo menos pra mim, e pelo menos por enquanto, o negócio é continuar nos concursos. Ou faço isso ou vou vender sonhos em pó branco embrulhados em pacotinhos na Colômbia.

Mas meus contatos em Medellín me dizem que ainda é muito arriscada essa vida.

“uma grande parte da classe média acomoda-se com os seus empregos públicos...” Bom, eu me acomodaria também, mas não muito. Quer dizer, manteria meu senso crítico e um mínimo de decência. Mas é chato ver alguns F.Ps, trabalhadores ou vagabundos, tanto faz, que ganham bem e idolatram certos políticos e partidos fisiológicos da direita ou da esquerda. Gente que não está nem aí pra nada, como diria um esquerdista, gente sem “consciência social”. Esta existe, assim como a ética, apesar de terem sido surradas pelo discurso contínuo dos pelegos atuais. P. ex., me incomoda ouvir certas bobagens (no caso, devidamente respondidas por mim com os argumentos habituais e com uma violência fina, sutil, uma sugestão de coisas por vir, que os assustou - não costumo morder, mas na ocasião fui provocado pessoalmente) de certos bobinhos, como um casalzinho de altos funcionários de um excelente órgão público, um deles diretor de departamento, dois esquerdistas rábidos — então já dá pra sentir o drama, o tamanho das merdas que dizem — mas que comem fora todo final de semana nos restaurantes mais caros, vivem no maior luxo, são cheios de nove horas... Tudo irrelevante, pois não se consideram privilegiados, antes muito pelo contrário. Enquanto isso, idolatram Lampião Gabiru, São Guevara, São Fidel, adoram nosso regionalismo rastaqüera, aquele mundinho de Ariano Suassuna e derivados, tem horror a tudo que venha dos US of A, são nacionalistas ferrenhos, blá, blá, blá. Acham que quem gosta de música clássica é pedante. Decoram sua casa no Lago Sul com livros em francês e espanhol, obras clássicas (um dia ainda vou roubar algumas), mas não lêem ou falam porra nenhuma. Comunistas limonada, falando de pobre com um copo de whisky na mão. Invertendo as crendices, também há muitos direitistas exatamente assim. Adoram pobre, mas bem longe. Se caíssem na minha área, passaria fogo nesses dois com prazer. Ou os jogaria no local adequado, um em que vissem a realidade de perto e de onde não sairiam vivos.

Gostei da foto do post. E esse filme é engraçado.

André disse...

Anderson Batista, 25 anos, tem um prontuário pesado na polícia de São Paulo. Foi interno na Febem e, já maior de idade, acumulou doze boletins de ocorrência por denúncias que vão de tráfico de drogas a lesão corporal. Um dos boletins é por homicídio culposo: atropelou, involuntariamente, o próprio filhinho de 3 anos ao dar ré num carro. O padre Júlio Lancellotti tem um currículo venerado entre organizações de defesa de moradores de rua, adolescentes infratores e crianças flageladas pelo vírus da aids. É capaz de pegar o telefone, pedir para falar com o presidente Lula e receber um retorno em poucos minutos. O presidente já passou quatro vésperas de Natal em obras sociais coordenadas por ele. Além de prestígio, Lancellotti também acumulou capacidade de angariar recursos. Organizações não-governamentais sob sua égide têm convênios da ordem de 10,6 milhões de reais anuais com a prefeitura de São Paulo, não obstante os atritos e as acusações de discriminação, na questão dos moradores de rua, feitas pelo padre. O dinheiro é usado no atendimento a 8.000 necessitados. Por que uma pessoa como Lancellotti cederia à chantagem de um elemento como Batista? Sob "todo tipo de constrangimento", disse o padre ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, quando anunciou publicamente que, há um mês, havia procurado a polícia para denunciar as extorsões sofridas desde 2004 nas mãos de uma quadrilha comandada por Batista. A coação mais grave envolvia a ameaça de denunciá-lo pelo terrível crime tristemente associado à Igreja Católica: abuso sexual de menores colocados em confiança na esfera de influência de padres pervertidos.
Segundo a própria denúncia, Lancellotti pagou no total 56.000 reais aos extorsionários. Uma parte do dinheiro foi dirigida ao financiamento de uma caminhonete Mitsubishi Pajero, avaliada em 65.000 reais. O padre apresentou cartas e gravações para comprovar a acusação. Nas primeiras, Batista pede dinheiro em tom de familiaridade, até com uma certa gentileza. Nas segundas, a barra pesa. Numa das conversas, Conceição Eletério, mulher de Batista, intimida: "Vou dizer tudo. O senhor fica mexendo com as crianças de 3 anos, com meu filho. Meu filho está indo para a imprensa". Um dos intermediários dos chantagistas foi preso em um flagrante armado pela polícia e com o conhecimento do padre no momento em que ia receber 2 000 reais. A Justiça decretou a prisão de Batista, de Conceição e de um terceiro acusado, todos foragidos.
Como em qualquer outro caso do gênero, existem três hipóteses: 1) Lancellotti está dizendo a verdade e foi vítima de uma armação; 2) não cometeu nenhum crime, mas cedeu à chantagem porque tinha algo que preferia não ver revelado; 3) a extorsão se baseava num fato real. No caso da primeira hipótese, a reação imediata e natural é o popular quem não deve não teme. Por que pagou tanto dinheiro por tanto tempo? Em entrevistas que deu sobre a acusação, Lancellotti disse que as ameaças só se tornaram mais graves a partir de setembro deste ano. Antes, acreditava que conseguiria demover Batista, que conheceu ainda recolhido na Febem e por quem foi procurado mais tarde, com um pedido de ajuda. Com o passar do tempo, os pedidos tornaram-se cada vez mais insistentes. Em um dos doze bilhetes enviados ao padre, Batista diz que quer 1.500 reais "para ficar lá na praia". Além de vinte parcelas do financiamento da caminhonete Pajero, Batista também conseguiu comprar um terreno e alugar uma casa via extorsão. O advogado de Batista, Nelson Bernardo da Costa, indica a linha com que vai defender seu cliente: ele sustenta que o dinheiro foi dado espontaneamente, "em função da amizade até íntima" entre ambos.
Lancellotti tornou-se padre tardiamente, aos 37 anos. Antes, trabalhava na Febem, da qual continua a ser funcionário, com salário de 2.480 reais. Na semana passada, VEJA entrevistou funcionários e ex-funcionários da Febem, além de técnicos que acompanham o trabalho desenvolvido por Lancellotti em suas ONGs. Muitos conheciam a proximidade entre Lancellotti e Batista e comentaram o comportamento sexual do padre, que só poderá ser objeto de inquirição se entrar no campo delituoso. Algumas lacunas deixadas pela denúncia de chantagem podem ser preenchidas se a polícia encontrar Anderson Batista e confrontá-lo com fatos bem apurados. "Só o depoimento dele poderá esclarecer as perguntas que ainda estão sem resposta nessa história toda", disse o delegado André Luiz Pimentel, que investiga o caso. Para o padre, para Batista e para qualquer outro cidadão, valem as mesmas palavras ditas por Lancellotti quando cobrou providências no caso do assassinato de sete moradores de rua, em 2006, em São Paulo: "Nós não vamos nos esquecer. Vamos continuar cobrando até que a Justiça dê uma resposta".

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Diogo Mainardi

A Pastoral da Pajero

O padre Júlio Lancellotti era o coordenador da Pastoral do Povo de Rua. A partir de agora, ele será conhecido também como o coordenador da Pastoral da Mitsubishi Pajero.
Recapitulo. Em meados de 2005, segundo o próprio padre Júlio Lancellotti, um assassino chamado Anderson Batista o acusou de abusar de seu enteado de 8 anos e passou a chantageá-lo com pedidos regulares de dinheiro. Como um Michael Jackson da Mooca, o padre Júlio Lancellotti negou ter abusado do menino. Como um Michael Jackson do Belenzinho, ele preferiu pagar o chantagista mesmo assim. No total, foram mais de
50 000 reais, incluindo o pagamento de vinte parcelas de uma Mitsubishi Pajero.
A polícia terá de esclarecer todos os aspectos do relacionamento do padre Júlio Lancellotti com o chantagista, definido pelo advogado deste último como "amizade íntima". Foi chantagem? Foi presente? A polícia terá de esclarecer igualmente se o dinheiro usado para pagá-lo saiu de suas economias pessoais ou da entidade beneficente que ele dirige. O padre Júlio Lancellotti declarou que pode contar apenas com os 1 000 reais que recebe da Igreja. Mentira. Desde 1975, ele é funcionário contratado da Febem, e continua a ganhar do estado um salário de 2 480 reais. Além disso, a prefeitura repassa mensalmente à sua ONG, Bom Parto, 500 000 reais. É preciso saber se a Mitsubishi Pajero foi comprada com esse dinheiro.
No ano passado, o padre Júlio Lancellotti acusou a prefeitura paulistana de "práticas higienistas", por querer tirar os moradores de rua do centro da cidade, oferecendo-lhes "só um albergue". Pode-se argumentar que o padre Júlio Lancellotti ofereceu ao morador de rua que ameaçou denunciá-lo por pedofilia muito mais do que um albergue. Ofereceu-lhe o aluguel de uma casa, uma bicicleta, uma motocicleta, um terreno, uma viagem à praia e – ei-la – uma Mitsubishi Pajero. Bem que ele poderia estender sua "amizade íntima" a todos os moradores de rua da cidade.
VEJA publicou uma reportagem sobre a disputa entre a prefeitura paulistana e o padre Júlio Lancellotti. Ele chamou a revista de "autoritária". A petista Maria Vitória Benevides foi mais longe – chamou VEJA de "fascistóide". E o Observatório da Imprensa comentou a reportagem num artigo cheio de termos de duplo sentido, cujo significado só agora consegui entender: "o rabo do texto", "erguer o traseiro", "jornalismo de latrina", "o padre Júlio estende a mão", "via inversa", "amante da dialética", "iguaria de fel", "vanguarda do atraso".
O padre Júlio Lancellotti participou de todas as campanhas eleitorais de Lula. Em 2002, ao tratar do problema dos menores abandonados, Lula apresentou a seguinte solução: "Você pega o padre Júlio e bota ele para cuidar de criança, ele vai cuidar melhor do que qualquer aparelho de estado". Dependendo do que a polícia descobrir, talvez não seja uma idéia tão boa assim botar o padre Júlio para cuidar de criança.

Heitor Abranches disse...

Bela foto Catellius,

Bons comentarios Andre,

O negocio e este ai. O Estado e a cocaina deste pais...e o PT e o maior traficante...

Heitor Abranches disse...

Agora, com licenca, que eu vou cacar a minha ´fileirinha´....

Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

Ótimo texto, Heitor.

Escolheste a imagem perfeita, Catellius, rsrs.

Os Vogons seriam mais divertidos ainda se ostentassem na lapela a estrela petista. Personificam a burocracia: sedentária, obesa e contraditoriamente de membros finos cujos músculos não são jamais solicitados. Rosto e cérebro deformados, nariz acima de olhos, caídos, são sacos de banha enfiados em ternos mal cortados, velhos, justos e desnecessários - uma formalidade do poder. Os fatos rotos e apertados sugerem que seus donos ocupam os cargos há muitos anos. Ao invés de pernas poderiam ter raízes tenazmente agarradas às cadeiras sobre cujas estruturas confiam o peso do próprio traseiro.

André, excelente texto do Mainardi. Os cafetões da miséria despertam-me o mais profundo nojo. Principalmente os religiosos.

Obs.: Catellius, banquei o Moisés e apertei duas vezes o "publicar comentário". Não tive fé no Blogger e morrerei no Monte Nebo, rsrs. Por favor, apaga os comentários anteriores.

Bocage disse...

Da Wikipedia:

VOGON
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Na série "O Guia do Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams, os Vogons são o povo conhecido pela sua (total falta de) inteligência, brutalidade, feiúra e inaptidão de escrever poesias. Conforme o Guia: não chegam a ser malévolos, mas são mal-humorados, burocráticos, intrometidos e insensíveis. Uma de suas equipes de construção foi responsável pela destruição do planeta Terra sob o pretexto de ser construída uma nova via hiperespacial. Os Vogons são criaturas quase que totalmente adaptadas para uma vida subaquática, dadas as características de seu corpo, que não evoluiu desde que abandonaram o ambiente marítimo de seu planeta. É comentado que é como se a evolução tivesse dados as costas para eles assim que saíram para a superfície da Vogosfera, como que arrependida de tal abominação. Sua pele é grossa e borrachuda, com um tom verde-acizentado, e poderiam sobreviver em uma profundidade de cerca de trezentos metros debaixo d'água. Possuem uma aparência enrugada e rostos disformes, com as narinas acima da linha dos olhos, corpos largos e membros finos em relação ao tronco. A poesia vogon começou como uma tentativa de se adequarem a uma via civilizada entre as outras raças do Universo, mas eles nunca foram bons nisso e atualmente não têm pretensão de mudar a fama de sua poesia ser a terceia pior do Universo. Vogons são criaturas altamente burocráticas; requisitam formulários para praticamente tudo, o que torna muito lenta qualquer tentativa de conseguir algo deles.

DADOS GERAIS DOS VOGONS

- Habitát: Vogosfera;
- Hobby: destruir planetas, arrasar a vida de outros seres do planeta e preencher papeladas burocráticas;
- Físico: pele borrachuda, nariz na altura da testa e feiúra considerada "arrasadora" pela famosa Enciclopédia Galáctica (dado não-oficial);
- Alimentação: sopa (ver filme O Guia do Mochileiro das Galáxias) e Caranguejo-Vogon.

CURIOSIDADES

- Caranguejos-Vogons: seres estranhos parecidos com caranguejos terrestres, têm carapaça dura e espinhosa. Servem de bom alimento para os vogons. Por maldade, os vogons utilizam os pobezinhos como banco, apesar dos espinhos.
- Como os vogons ficaram sem imaginação? Graças às Cobras-Rasteja-Imaginação (ver o filme). Elas rastejam no subsolo do planeta, e percebem qualquer raio de imaginação ou idéia até em grandes distâncias. Elas dão uma pancada no rosto da pessoa que teve qualquer tipo de idéia. De tanto receber pancandas, os vogons ficaram com o nariz na testa e acharam mais vantajoso não ter idéias;
Poesia vogon:
"A poesia vogon é, como todos sabem, a terceira pior do Universo. Em segundo lugar vem a dos Azgodos de Kria. Durante um recital em que seu Mestre Poeta, Gruntus, o Flatulento, leu sua 'Ode ao pedacinho de massa de vidraceiro verde que encontrei no meu Sovaco numa manhã de verão', quatro pessoas na platéia morreram de hemorragia interna, e o Presidente do Conselho Centro-Galático de Marmelada Artística só conseguiu sobreviver roendo uma das suas próprias pernas completamente. consta que Gruntus ficou "decepcionado" com a reação da platéia e já ia começar a ler sua epopéia em 12 tomos intitulada Meus Gargarejos de Banheira Favoritos quando seu prórpio intestino grosso, numa tentativa desesperada de salvar a vida e a civilização, pulou para cima, passando pelo pescoço de Gruntus, e estrangulhou-lhe o cérebro. A pior poesia de todas desapareceu com sua criadora, Paula Nancy Millstone Jennings, de Cambridge, Essex, Inglaterra, com a destruição da terra." O Guia do Mochileiro das Galáxias (curiosidade: Na série original de rádio o nome citado era Paul Neil Milne Johnstone, mas Adams foi forçado a mudá-lo para o livro. Johnstone é uma pessoa real, e uma amostra de seus poemas pode ser encontrada aqui [1].)

Bocage disse...

Em Portugal o filme foi traduzido para "À Boleia pela Galáxia", rsrsrs.

André disse...

Gostei da comparação, Heitor: “O Estado é a cocaina deste país...e o PT e o maior traficante...”

Bocage, não sei se esse padre Lancelotti é culpado, mas as circunstâncias do caso são estranhas. Acho q a polícia de SP vai ficar em cima até esclarecer tudo.

O criador dessa série do Mochileiro morreu novo, de ataque do coração. Era amigo do Richard Dawkins. Tinha só 49 anos.

André disse...

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

O inimigo que nem o Bope encara

A maior novidade, e o maior mérito, do filme Tropa de Elite é trazer a figura do consumidor para o centro do problema das drogas e, por conseqüência, da criminalidade, que tem na droga sua maior e mais devastadora causa. Não é só na Zona Sul do Rio de Janeiro que o consumidor tem sido historicamente tratado como a parte mais fraca (coitado, é um viciado) ou inocente (coitado, ele só quer se divertir) do problema. Essa é uma crença que dá volta ao mundo e tem seu epicentro, como quase tudo, no lugar onde as coisas são decididas – Washington. Desde que despertaram para o problema das drogas, sucessivos governos americanos têm dedicado a parte do leão de seus programas, seu dinheiro e suas energias a coibir o tráfico, isto é, o lado da oferta. Ao lado da demanda sobra atenção desprezível, em comparação. Um dos subprodutos desse modo de enfrentar a questão foi a entronização, no imaginário americano, de um estereótipo que estigmatiza todo o subcontinente latino-americano – o do traficante bigodudo, de tez morena e fala castelhana que desencaminha os inocentes rapazes e moças do lado bom das Américas. Não que os traficantes não sejam bandidos. Os rapazes e moças é que não são tão inocentes.
No Brasil, a questão tem seu aspecto mais patético no contraste, muito bem enfocado em Tropa de Elite, entre a alienação chique dos consumidores de droga de Ipanema e a matança nos morros. O filme escancara o óbvio: que existe relação de causa e efeito entre uma coisa e outra. Outros já o fizeram antes, mas não num meio como o cinema, e num filme tão bem-feito e de tanto sucesso. Que sobrou, como linha de defesa dos consumidores? O próprio diretor do filme, José Padilha, lhes tem oferecido – não no filme, mas em entrevistas – uma tábua de salvação: o argumento da liberação das drogas. Se as drogas pudessem ser comercializadas livremente, a violência seria eliminada. Logo, a culpa é da proibição, não dos consumidores. Não vale. Na circunstância, soa como pedido de desculpa de Padilha, por tê-los tratado tão cruamente. Os consumidores brasileiros, ao violar a lei, são tão responsáveis pela violência nos morros quanto os consumidores americanos, muito mais numerosos e ricos, pelas plantações na Bolívia (e, no limite, pela eleição de Evo Morales) e pelo refino e comercialização de cocaína na Colômbia (e, no limite, pela força das Farc). No entanto, num outro plano, independente da questão das responsabilidades pela violência, pergunta-se: haverá solução para a questão das drogas que não seja a liberação?
O filme de Padilha embute um enigma. Se o Bope, a tropa de elite da PM do Rio, é tão bom como ali é retratado, como é que o tráfico nas favelas ainda não foi eliminado? Resposta: o Bope pode até ser melhor ainda do que no filme; a questão é o inimigo que tem diante de si. O inimigo não é o traficante. Ou melhor, só é o traficante na aparência. Inimigos de verdade são duas entidades muito mais difíceis de combater: os valores sociais e as leis econômicas. Em decisivos setores da sociedade ocidental, a brasileira inclusive, há muito a droga é tão aceita quanto os bombons. É admitida em ambientes de fino trato, em que circulam os ricos, os intelectuais e os artistas, e está fortemente implantada na cultura pop, tão influente entre os jovens. Se a maior das condenações, que é a social, vacila, está garantida a formação de um forte mercado consumidor. Ora, não está ao alcance do Bope combater os valores vigentes, muito menos derrotar a lei da oferta e da procura.
Vista desse ângulo, a questão da droga fica parecendo a questão palestina. Esgotada a possibilidade de um eliminar o outro, está mais do que claro que israelenses e palestinos estão condenados a se entender. Quanto antes o fizerem, mais sofrimento e mais vidas pouparão. No caso das drogas também está igualmente claro que, esgotada a possibilidade de eliminar o inimigo, mais dia, menos dia se imporá como única e inevitável a solução de substituir o tráfico pelo comércio à luz do dia. Muito estudo, muito debate e muita reflexão indicarão o modo de fazê-lo, mas desde já um ponto é claro: as decisões terão de ser obrigatoriamente tomadas em foro e âmbito internacionais. Não há como adotar tal medida num país só, muito menos num país periférico como o Brasil, sob pena de condená-lo à condição de estado pária.
O caso é para gente grande, a começar pela maior de todas – os Estados Unidos. Além de não haver questão internacional que possa ser resolvida sem passar por lá, o mercado consumidor americano, como em quase tudo, é o maior do mundo também no item drogas. Ao Brasil, país do mundo talvez mais castigado, depois da Colômbia, pela violência e degradação trazidas pela droga, resta a tarefa de tentar cutucar o mundo. Se sua diplomacia começasse a se mexer, no sentido de sensibilizar as nações mais fortes para o problema, abraçaria uma causa de objetivos mais compreensíveis, e resultados mais palpáveis, do que uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Heitor Abranches disse...

Pois e Andre,

O PT e o proxeneta do Estado.

Conversando com um conhecido medico cardiologista, ele estava me contando que um hospital referencia de cardiologia virou uma merda depois que a petralha assumiu.

Hoje, ele e gerido pelas categorias do hospital: enfermeiras, medicos, faxineiros,...

e a produtividade foi para o brejo...

reunioes e mais reunioes e quem se fode sao os pacientes...

Heitor Abranches disse...

Vi uma entrevista excelente de uma cientista politica chinesa explicando o pragmatismo do PCC chines.

Ela fala que o PCC, por mais que queira nao consegue ser uma ditadura muito forte. Eles tem que eleger prioridades e o resto fica liberado porque a China e muito grande e os governos provinciais sao fortes.

Outro ponto interessante e a relacao deles com o marxismo. E uma relacao instrumental. Afinal, dentro da diversidade de interesses do partido, o discurso marxista tem um efeito unificador. Sem ele, os interesses provinciais e dos grupos se antagonizam.

E como disse certa vez Hu Jintao, a legitimidade do PCC vem da sua capacidade de trazer prosperidade ao povo chines.

Isto e algo que nos falta, aqui ainda temos esta coisa do salvador da patria, do estado providencia,...Os milenios de historia chinesa ensinaram a eles que o Estado e um mal necessario....

Aqui ainda estamos no estado salvacao...Quando sera que a galera vai se tocar que o Lula e o dom Sebastiao que voltou e nao resolveu porra nenhuma.

Catellius disse...

Grande André,

Você escreveu, no post passado:

“movimento gayzista”

O pessoal da extrema direita cristã americana diz que “gay” é uma sigla para Got Aids Yet? Seus integrantes dizem que AIDS é a punição divina para os homossexuais e, quando questionados sobre o fato de esposas fiéis contraírem a doença de seus maridos, além de hemofílicos e outros nos quais fizeram transfusão com sangue contaminado, eles dizem que a doença é uma punição para toda a sociedade tolerante com o homossexualismo. Mother (Fucker) Teresa tinha a mesmíssima opinião sobre a AIDS.

“Ah, e todo mundo também é comunista. Comunista e viado.”

Comunista é o nome que ele deu para “de quem não gosto”. Foi só uma alteração no dicionário. Se Hegel fazia isso – ter o próprio dicionário – por que o “filósofo” Olavo não pode?

“E os islâmicos devem ser ateus também”

Achar que todos os terroristas querem fazer o mal e são psicopatas é burrice. Muitos deles levaram uma vida normal, foram educados em boas escolas européias. A questão é que achavam que estavam fazendo o bem. Isso é assustador. A culpa, obviamente, é da religião que proíbe o fiel de questioná-la; a culpa é da lavagem cerebral que se faz nas crianças desde pequenas, da promessa de um paraíso para os mártires. Os religiosos não terroristas também têm sua parcela de culpa, pois acham que a fidelidade cega à Jesus ou a Alá é uma virtude e assim ensinam às crianças desde tenra idade. É preciso uma gigantesca base de religiosos praticantes, inofensivos ou não, para que surja dois ou três terroristas ou para que saiam do armário, do mesmo modo que é preciso que toda Europa esteja estudando e ouvindo música clássica para que algures surja um Beethoven (não peço desculpas ao Ludwig pela comparação porque sei que ele não existe mais, he he), um Schubert e um Weber.

“Já no mundo real, qualquer religioso, de qualquer igreja, é infinitamente mais realista... “

Em geral todos seguem o Zeitgeist – o espírito de seu tempo. A moral evolui. Se pegarmos as declarações de Lincoln e de outros líderes progressistas do séc. XIX encontraremos um racismo que chocaria qualquer conservador dos dias de hoje. Por isso os fiéis sensatos tendem a ler a Bíblia munidos do zeitgeist do séc. XXI e a chamar de “simbólico” tudo aquilo que julgam imoral ou estúpido. O irônico é que continuam a dizer que a Bíblia, plena de estupros, apedrejamentos, massacres, assassinatos a mando de Javé, é a fonte de nossa moral...

“Penso em gente que, não satisfeita em querer impedir todos os abortos do mundo, agora quer salvar as células-tronco embrionárias também...”

Na verdade, na fertilização in vitro vários embriões são mortos no processo; a maioria não consegue vingar. Mas os religiosos não querem nem saber, porque a bandeira agora se chama “células-tronco”.

“Não sabem, ninguém sabe, em que momento começa a vida.”

Acho que a discussão deve ser em torno a “quando começa o sofrimento”. Não vejo diferença entre um embrião humano e um embrião de um sapo, ainda que o primeiro tenha a potência para virar um ser humano. Falando nisso, acho engraçado quando usam aquela falácia de Beethoven, que termina com um “você acabou de matar Beethoven” (além dos dados da “pegadinha” serem falsos). Na verdade, os melhores humanos que poderiam ter nascido, muito melhores do que Newton e Einstein, do que Shakespeare e Sófocles, simplesmente não nasceram, porque os gênios que conhecemos vieram do melhor espermatozóide de uma determinada ejaculação, não dos melhores espermatozóides de todas as ejaculações dos melhores exemplares de uma determinada cidade culturalmente avançada associados aos melhores óvulos das melhores mulheres. Mais de um trilhão de seres humanos muito superiores em genialidade do que Beethoven simplesmente não nasceram. Obviamente que uso o termo “seres humanos” falando em potência, como um recurso argumentativo, porque se não nasceram são tão humanos quanto sapos que não nasceram são sapos, he he.

Catellius disse...

Continuando, André:

“Bom, pra mim o ensino, do primeiro grau à faculdade, é uma porcaria massificada que não ensina, nem educa. Dá alguma instrução, e olhe lá. Poderia ser outra coisa, pena q não é.”

O principal que deveria ser ensinado em uma escola para crianças é o gosto pelo aprendizado, pelo saber, a curiosidade científica, o questionamento. E língua portuguesa (no caso dos lusófonos). Principalmente interpretação de texto. O resto vem no embalo. Na verdade, deveriam aprender o máximo de idiomas possível. Ou o português e o inglês. Você raciocina em um idioma. E o idioma da maioria do povo é neolítico.

Espero que o Mainardi, um ateu assumido, volte a sacanear os religiosos. Lembra-se deste texto de 2003?

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Diogo Mainardi
MENOS DEUS, POR FAVOR

Atletas de Cristo. Eu torço contra. Deveria ser proibido comemorar um gol mostrando camisetas com mensagens evangélicas. Os alemães concordam comigo e não permitem o proselitismo religioso nos campos de futebol. Quem desobedece é punido. Uma camiseta com um simples "Deus é fiel", ou "Jesus vive e me ama", ou "100% Jesus", rende uma suspensão equivalente à de uma cotovelada no septo nasal do adversário. O atacante brasileiro Cacau, do time do Nuremberg, burlou as regras do campeonato alemão inscrevendo em sua camiseta um alusivo "J...". É o mesmo estratagema adotado por fabricantes de cigarros para anunciar em corridas de Fórmula 1. Cacau equiparou Deus a um maço de Marlboro. Passei a torcer contra ele. Para minha felicidade, seu time acaba de ser rebaixado para a segunda divisão.

Kaká, como Cacau, também usa todos os meios para difundir sua fé. Tem uma pulseira com o nome de "Jesus". Sua secretária eletrônica se despede com um "Deus te abençoa". Seu autógrafo vem acompanhado pela frase "Deus é fiel". Em sua chuteira está escrito, novamente, "Deus é fiel", só um pouquinho menor que o logotipo da Adidas. Quando marca um gol, ele ergue os braços para o céu e proclama "Deus é fiel". Kaká é o homem-sanduíche de Deus. Ou melhor, o homem-sanduíche da Igreja Renascer em Cristo. Algum tempo atrás, ele bateu a coluna ao mergulhar numa piscina. Deus, por intermédio da Igreja Renascer, livrou-o de ficar paraplégico. A Igreja Renascer pertence ao compositor gospel Estevam Hernandes, autor dos memoráveis versos apocalípticos "Extra Extra / O mundo acabará / Amanhã de manhã". Estevam Hernandes, que se definia como bispo, elevou-se humildemente à condição de apóstolo. Um dia ele ainda vira santo. Fernando Henrique Cardoso concedeu-lhe catorze rádios FM e dois canais de TV, mas nas últimas eleições ele pediu votos para Lula. Até o ano passado respondia a mais de cinqüenta processos na Justiça, juntamente com sua mulher, a bispa Sonia. Torço contra Kaká. Vejo com satisfação que seu futebol piora a cada dia que passa. (Observação do Catellius: ainda bem que a torcida do Mainardi, como qualquer torcida que não seja em um estádio durante um jogo, aos berros, não deu certo. O Kaká decairá com a idade, mesmo que o seu deus queira que ele continue um grande atleta.)

Os alemães implicam com os Atletas de Cristo porque acreditam que a ostentação de um deus pode ofender aqueles que cultuam outros deuses e aqueles que não cultuam deus algum. A legislação alemã é muito restritiva em relação às religiões mais agressivas na arregimentação de fiéis. A distância que separa conversão e coerção, para eles, é mínima. A Bélgica é ainda mais severa. Os grupos religiosos incluídos na categoria de seitas sofrem uma série de limitações, dos adventistas do sétimo dia aos mórmons, da Opus Dei à Associação Cristã de Moços. O país mais rigoroso no tratamento reservado aos cultos religiosos, porém, é a França. É o contrário do Brasil. O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Qualquer um pode atribuir-se milagres em nome de deus. E, em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros. Precisamos de menos deus.

Catellius disse...

Texto de 27/09/2000

Diogo Mainardi
DEUS EXISTE. E É ITALIANO

Aqui na Itália há uma revista de filosofia chamada MicroMega. Em geral, cada edição vende 20.000 exemplares. No último número, surpreendentemente, vendeu 100.000. Sabe como? Fizeram a seguinte perguntinha a filósofos e teólogos: Deus existe? Entre os filósofos, havia gente como Norberto Bobbio. Entre os teólogos, Joseph Ratzinger. Norberto Bobbio aproveitou a oportunidade para fazer um apanhado dos principais temas do catolicismo. Ele não é religioso. Questiona a maior parte dos dogmas da Igreja. O pecado original, em sua opinião, é inaceitável, porque a culpa não é coletiva, mas individual, e não pode ser transmitida de uma geração a outra. A culpa coletiva é um conceito tribal. Bobbio também acha difícil acreditar no Deus do Antigo Testamento, que pede um sacrifício tão cruel a Abraão. E não se satisfaz com as tentativas dos teólogos de explicar o paradoxo proposto por Voltaire: por que um Deus onipotente e infinitamente bom provocaria um terremoto, por exemplo? De fato, o papa pode condenar a guerra, não um terremoto. A única resposta que a religião oferece para a existência da maldade é que o juízo de Deus é imperscrutável. Ou seja, não uma resposta, mas um ato de fé. A essa altura, Bobbio interrompe o raciocínio, dizendo que prefere não continuar a análise, pois se impôs uma regra de vida: jamais provocar escândalo.

Bobbio diz outra coisa. Para ele, a verdadeira diferença não é entre quem tem fé e quem não tem, mas entre quem se contenta com respostas fáceis e quem não se contenta. Se você acompanha esta coluna, deve achar que sou daqueles que não se contentam. Afinal, volta e meia importuno os leitores com assuntos religiosos. Mas não é assim. Sou do time das respostas fáceis. Até hoje, não perdi mais de dez minutos pensando sobre Deus ou o problema do bem e do mal. Falo tanto de religião simplesmente porque moro na Itália. Você não tem idéia do que isso significa. Veja as três primeiras notícias dos telejornais do dia 13 de setembro: 1) Missa pelas vítimas de uma enchente na Calábria. O padre criticou os políticos locais. 2) Pronunciamento do papa João Paulo II contra a condenação à morte de um americano de origem italiana no Estado americano da Virgínia. 3) Entrevista com o cardeal de Bolonha, que censurou o governo por permitir a entrada de imigrantes muçulmanos no país, quando deveria permitir apenas a dos católicos.

No dia seguinte, o líder de um partido regional de direita, a Liga Lombarda, deu inteira razão ao cardeal de Bolonha, acrescentando que o candidato de centro-esquerda às próximas eleições não pode ser bem-visto pela Igreja, pois defende os homossexuais e sua família não é "certa", já que ele adotou um filho negro. Esse é somente um exemplo de como a religião ocupa espaços no dia-a-dia dos italianos, invadindo todos os campos, dos desastres naturais aos grandes temas éticos, da economia globalizada à política. Não é um acaso que a revista MicroMega tenha vendido 100 000 exemplares. A religião substituiu todo o resto. Porque Deus existe e é italiano.

Catellius disse...

Texto de 15/08/2001

Diogo Mainardi
SOBRE OS EVANGÉLICOS

Conheço apenas duas evangélicas. Ambas empregadas domésticas. Uma delas nasceu católica, virou espírita, passou para a umbanda, até o dia em que descobriu a Igreja Universal do Reino de Deus. Numa entrevista publicada recentemente pela editora Sulina, o filósofo romeno Cioran disse que o triunfo do cristianismo em Roma se deveu aos domésticos, na maior parte imigrados, que apagaram o brilho intelectual do mundo antigo, levando a melhor sobre seus senhores. Para Cioran, o estupor causado pelo avanço do cristianismo nos espíritos cultos da época foi bem descrito por Celso, que, no século II d.C., atacou a ignorância e baixeza dos fiéis da doutrina emergente. A doutrina dos empregados domésticos.

Há evangélicos que se incomodam com essa imagem de uma igreja ligada só aos pobres. A Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno, da Assembléia de Deus, organiza "encontros sofisticados em lugares de requinte" e "eventos de alto nível para pessoas de primeira classe", oferecendo desde jantares no sofisticado restaurante Gustare, de Bauru, em frente à Renault Veículos, até coquetéis no requintado edifício Hannover, em Joinville, "com a presença do nosso querido e amigo pastor Livingston Farias". Personalidades evangélicas também se esforçam para difundir a fé nas camadas sociais mais elevadas. No site Planeta Evangélico, encontram-se depoimentos religiosos de pessoas de primeira classe, como Dedé Santana, Mara Maravilha e Edmílson, além de Baby do Brasil, que apresenta na Flórida o espetáculo Exclusivo para Deus. Apesar disso, é sobretudo graças aos pobres que as igrejas evangélicas continuam a crescer. O dízimo, por exemplo. A Igreja Universal jamais teria conseguido financiar investimentos de caráter puramente religioso, como a compra da Rede Record, sem o dízimo doado pelos crentes mais pobres. De acordo com Edir Macedo, quando somos fiéis ao dízimo, vemo-nos livres do sofrimento. Uma espécie de Baú da Felicidade do espírito.

Graças aos votos de seu rebanho de pobres, os evangélicos também puderam eleger cerca de cinqüenta parlamentares. E agora pretendem alçar Garotinho a presidente. O mesmo Garotinho que, para evitar a abertura de CPIs contra seu governo, reuniu manifestantes evangélicos diante da Assembléia Legislativa do Rio. Muita gente o denunciou por misturar fé e política. É uma denúncia ilegítima. Porque a Igreja Católica é igual: vive misturando as coisas. Tanto que o papa é festejado por ter contribuído para derrubar a Cortina de Ferro. Nada mais político do que isso. Num país fortemente católico como a Itália, a Igreja também se mete em política, como nas últimas eleições, quando deu uma mãozinha para a coligação de direita, de Silvio Berlusconi. E não foi político o gesto do padre ruandês Athanase Seromba, acusado de genocídio pelo tribunal da ONU por ter mandado abater com tratores uma igreja lotada de refugiados tutsis? E, voltando ao Brasil, o que dizer dos padres de esquerda das comunidades de base? Quantos votos eles levam ao PT? Mais ou menos do que os pastores evangélicos? O fato é que a religião de sua empregada doméstica triunfará, como aconteceu na antiga Roma. Um pouco menos provável é que, com o triunfo de sua religião, sua empregada também seja vista tomando coquetel no requintado edifício Hannover, na companhia do pastor Livingston Farias.

Catellius disse...

No primeiro parágrafo deste texto Mainardi foi certeiro.

O romano Celso, cujas idéias apenas sobreviveram na obra "Contra Celso", de Orígenes, uma vez que seus escritos foram queimados pelos cristãos, via estes, não por coincidência, de um jeito idêntico ao que um ser humano de hoje não escravo de uma ideologia vê parvos como os pentecostais. O Janer Cristaldo escreveu há pouco tempo, em um debate no Expressionista:

"As críticas à nova religião (cristianismo) surgem já no século II, pela boca de um nobre Romano, Celso, que critica a ética e a fé cristãs em seu “Discurso Verdadeiro”.

Este texto só chegou até nós graças ao zelo de Santo Orígenes (aquele mesmo que se castrou para que seus bagos não provocassem escândalo), que escreveu “Contra Celso”. Era prática da escolástica, na época, retomar os argumentos do oponente para contestá-lo, e só assim chegaram até nós os textos do nobre romano, porque a Igreja onildiana queimou seus livros onde quer que os encontrasse.

Celso insistia na incultura típica dos cultores da nova fé. Em vários momentos acusa os pregadores cristãos de fugirem de um público culto e buscarem pessoas toscas e rudes como acólitos. “Eis nas praças públicas aqueles que divulgam seus segredos e pedem esmolas. Jamais se aproximariam de uma assembléia de homens prudentes com a audácia de nela revelar seus belos mistérios. Mas logo que percebem a presença de adolescentes, um bando de escravos, um ajuntamento de idiotas, para lá correm a se exibir!”(Contra Celso, 3.50)

Outra idéia cristã que escandalizava Celso era a louvação dos fracos. O nobre romano não entendia como podia alguém deixar de louvar os fortes para louvar os desvalidos. É ele também que nos repassa a informação de que o Cristo seria filho de um soldado romano chamado Pantera. O que, a meu ver, é a hipótese mais viável. Pois, segundo a Bíblia, já sabemos que filho de José Cristo não é. Descartando a hipótese de que Maria, à semelhança de certos pulgões da lavoura, fosse capaz de reproduzir por partenogênese, a outra única hipótese que temos conhecimento é a paternidade de Pantera. Não por acaso, a tradição talmúdica nos fala de Jesus Ben-Pandera, ou seja, Jesus, filho de Pandera. O que é bem mais verossímil, pois filho de algum pai teria de ser, e de José não era.

Diz Celso, devidamente contestado por Orígenes: “Voltemos às palavras atribuídas ao Judeu (personagem criado por Celso, parêntese meu), onde ele escreve que a mãe de Jesus foi repelida pelo carpinteiro que a havia pedido em casamento, por ter sido convencido de adultério e ter sido engravidada por obra de um soldado romano chamado Pantera”.

Mais adiante: “Admitamos que haja verdade na doutrina dos fisiognomistas Zopyros, Loxos, Polémon, e de todos aqueles que escreveram sobre o tema, gabando-se de um saber espantoso sobre o parentesco de cada corpo com o caráter de sua alma: a esta alma, destinada a viver miraculosamente e cumprir grandes feitos, seria necessário um corpo, não como crê Celso, nascido de um adultério entre Pantera e a Virgem, pois de uma união assim impura teria antes nascido um louco nocivo aos homens, mestre da intemperança, da injustiça e de outros vicios, e não do domínio de si, da justiça e de outras virtudes”.

Boatos havia em torno de Maria e, dada a fúria censória da Igreja em relação ao livro de Celso, é bastante provável que nele exista mais verdade que nas incongruências dos evangelhos. Celso - pelo menos no que dele resta - não chega a falar-nos em prostituição. Mas onde situar, dentro de uma cultura judaica e patriarcal, uma mulher com cinco filhos de pai desconhecido, sendo um deles oriundo de um soldado do exército invasor? A resposta a esta pergunta talvez explique o respeito de Cristo, manifesto nos evangelhos, às adúlteras e prostitutas."

Cara, o Janer chamou Jesus de Filho da Puta de uma das piores maneiras possíveis, he he: a literal!

Catellius disse...

E agora vamos ao que interessa: a este post.

Grande Heitor,

Muito bom este texto!

“Um jovem esquerdopata aproveitou para lembrar que estas faculdades haviam sido criadas na gestão do Paulo Renato, no governo FHC, que pretendia privatizar as universidades públicas.”

Tem que privatizar TUDO! O governo que submeta os graduados a testes, análogos ao para o ingresso na OAB, para autorizar engenheiros a se responsabilizar por obras de metrô. Que os testes sejam ESCROTOS! E que dê bolsas para os pobres, se quiser. Ainda assim sairá muito mais barato do que manter todas essas universidades públicas. Na verdade, se o governo fizer permuta dos milhões (são Milhões mesmo) de metros quadrados de campus em áreas nobilíssimas de grandes centros urbanos e se alugar os imóveis terá, creio, receita para garantir o custeio do estudo superior de um número muito maior de pobres do que os beneficiados atualmente.

Este parágrafo está ABSOLUTAMENTE BRILHANTE:

“O Estado neste caso funciona como um transferidor de riqueza, como diria o Eduardo Gianetti, recolhe impostos de pessoas que trabalham de 40 a 60 horas por semana e transfere para pessoas que trabalham 35 horas e ganham salários muitas vezes 2 a 3 vezes maiores com uma produtividade muito menor. Ou seja, o Estado transfere o escasso capital social para investimentos de baixo retorno social à custa de onerar a produção e inviabilizar inúmeros investimentos.”
.

“O negocio e este ai. O Estado e a cocaina deste pais...e o PT e o maior traficante...”

Isso mesmo. O Estado droga a sociedade com dinheiro barato, já que qualquer outro dinheiro é caro demais para se conseguir – e o governo é culpado por isso, porque monopoliza o crédito. Enfim, e quando todo o dinheiro vem do Estado, este pode chantagear à vontade desde deputados ao povão, ameaçando cortar o fornecimento de verdinhas. Até na cultura ele estimula a subserviência, o oportunismo do drogado para com o traficante. Ele diz: “se me bajular eu libero”. Libero propagandas de estatais na sua revista, beneficio seu filme pela Lei Rouanet, dou dinheiro para a sua ONG cultural, etc. LAMENTÁVEL!

“Os milenios de historia chinesa ensinaram a eles que o Estado e um mal necessario....”

Bom, acho que o Estado chinês está muito além de um “mal necessário”, para os chineses. Mas tudo bem, depois discutimos isto.

Vamos ao Bocage, para finalizar!

Heitor Abranches disse...

Gracas a Deus, o Chavez governa a Venezuela....

Temos que rezar para que ele nao enfie o maldito tubo de gas no rabo do brasil...

Se isso acontecer vamos estar roubados...


Assembléia venezuelana aprova reeleição presidencial


CARACAS - A Assembléia Nacional da Venezuela aprovou um dos artigos mais polêmicos da reforma constitucional empreendida pelo presidente Hugo Chávez, que amplia o mandato presidencial de seis para sete anos e permite a reeleição imediata do presidente para um novo mandato.

O Parlamento, controlado amplamente por seguidores do presidente Chávez, iniciou na terça-feira a terceira e última discussão da reforma, que, para opositores do governo venezuelano, tem por objetivo perpetuar Chávez no poder, ao eliminar os limites à reeleição presidencial.

Entretanto, Chávez assegura que a reforma constitucional que ele mesmo propôs quando chegou ao poder tem por objetivo construir na nação petrolífera um modelo socialista em estilo venezuelano, distinto do cubano.

"O mandato presidencial é de sete anos. O presidente ou a presidente da República pode ser reeleito ou reeleita", diz o artigo 230 da reforma constitucional que foi aprovado por volta da meia-noite da sexta-feira.

Os deputados do partido dissidente Podemos, depois de desavenças com Chávez, não votaram a favor do artigo polêmico quando este foi submetido a sua aprovação.

Chávez apresentou ao Parlamento em agosto um projeto de reforma constitucional de 33 artigos, mas uma comissão parlamentar decidiu aumentar a proposta para 58 artigos, para iniciar a terceira discussão do projeto.

Entre os artigos mais polêmicos acrescentados pelos legisladores à proposta do presidente, e que ainda não foram aprovados, figuram os que se referem aos estados de exceção, eliminando seu limite de duração e suprimindo os direitos das pessoas ao processo devido e à informação.

Na sexta-feira, porém, o Parlamento decidiu acrescentar novos artigos, que elevariam a reforma a cerca de 61 artigos, entre os quais se destacam os que se referem à eliminação da palavra "descentralização" e um que limita a competência dos Estados, com a supressão de suas Constituições.

O projeto, que será sancionado pelo Parlamento em poucos dias, deverá ser submetido a referendo em dezembro.

Heitor Abranches disse...

Se Deus quiser...em 2010 o Lula vai morar na Venezuela, o Dirceu em Cuba e o resto dos bandidos vai para miami gastar o que roubaram...

Heitor Abranches disse...

considerando que o mensalao so sera julgado em 2020...ate la eles estarao bem velhinhos...

pensando bem, como disse certa vez uma professora, no tempo que eu era esquerdista e nacionalista:


- Meu filho, nao existe isto de capital nacional. Os capitalistas vao gastar o dinheiro deles em paris...

Nao e que a velha tinha razao...Sejam capitalistas shumpeterianos, burgueses de estados, donos de partido ou donos de sindicato...e la que todos se encontram.

Catellius disse...

Por fim.....

Graaaande Bocage,

“Personificam a burocracia: sedentária, obesa e contraditoriamente de membros finos cujos músculos não são jamais solicitados.”

He he he! O burocrata é isso mesmo, mas prefiro compará-lo a um sapo. Gordo e de membros finos, fica muito tempo parado; tem língua grande (gosta de falar); de boca e pança imensas, come mosca o dia inteiro; pode ser venenoso; dizem que pode virar príncipe mas é mentira (o sapo barbudo continua sapo barbudo, mas após as lavagens de dinheiro pode ser chamado de sapoInácio, he he); é uma praga bíblica (leiam o Êxodo, he he); vive nos pântanos, é verde e gosta de verdinhas; diz para a Sudam que tem ranário, está sempre por cima; anfíbio, vive na terra e na água, e pode até voar, se entrar na viola do urubu (esta é para quem conhece o conto Festa no Céu). É um dos principais ingredientes nas poções mágicas das bruxas. Fica cego com os holofotes (da imprensa, claro; adora uma CPI), etc.

Catellius disse...

Acabei de ler isto, Heitor:

"Temos que rezar para que ele nao enfie o maldito tubo de gas no rabo do brasil...

Se isso acontecer vamos estar roubados..."

ha ha ha
Ou: vamos estar enrabados...

--//--

e uma errata:
escrevi:
"Mais de um trilhão de seres humanos muito superiores em genialidade do que Beethoven.."

fica melhor:

"Mais de um trilhão de seres humanos muito superiores em genialidade A Beethoven.."

André disse...

Nossa, acabo de voltar do Pier 21 (pra quem não é de Brasília, um espaço com algumas comidinhas e cinemas). Muita gente feia, mas cada garota... Vi uma loira (original, não falsa) perfeita, com o marombado padrão a tiracolo. Não vou descrevê-la, nem seu corpitcho, vcs imaginem o que quiserem. Imaginar é sempre melhor. Basta dizer que tinha um rosto perfeito e olhos azuis cristalinos. Ah, certas fêmeas...

Sobre a China, acho q vc vai gostar dessa, Heitor:

http://execout.blogspot.com/2007/10/china-breaking-anointed-successor-mold.html

“A questão é que achavam que estavam fazendo o bem.” Também acho, Catelli (sobre alguns terroristas islâmicos).

Lincoln se reuniu com os negros da época e sugeriu dar uma ilha de presente pra eles, acho que Granada. Disse que não iria dar certo negro junto com branco nos EUA. Mas eles não quiseram.

E tem outra: quando Lincoln, depois de muito questionamento, abandonou o cristianismo e optou pelo ateísmo (ou agnosticismo, não sei), escreveu uma carta para um amigo dizendo q estava pensando em tornar isso público. O amigo o dissuadiu, dizendo q só se ele estivesse maluco, só se quisesse perder a eleição pra governador faria uma coisa dessas, pois o povo jamais votaria em algém que renegasse o crisitanismo.

“porque os gênios que conhecemos vieram do melhor espermatozóide de uma determinada ejaculação, não dos melhores espermatozóides de todas as ejaculações dos melhores exemplares de uma determinada cidade culturalmente avançada associados aos melhores óvulos das melhores mulheres.” Há, há, essa foi ótima!

Tom Cruise, pra mim um péssimo ator, muito limitado, queria fazer Claus Von Stauffenberg, coronel alemão da Wehrmacht q quase matou Hitler, com uma pasta explosiva posta bem ao lado dele (detalhes mais abaixo), durante uma reunião do OKW (Oberkommando Wehrmacht, o Estado-Maior). O famoso putsch de 20 de julho de 1944. Bom, Stauffenberg era alto, Cruise é nanico. E há dezenas de excelentes atores q se sairiam bem (imagino de saída um Jeremy Irons) nesse papel, q exige carga dramática com poucas palavras. Imaginem a tensão de um homem q ia matar o ditador, naquele ambiente...

Pois é, não vai mais ter filme. Pelo menos não rodado na Alemanha. O país proibiu a entrade de Cruise lá, por ele ser membro da Cientologia, uma seita envolvida em desaparecimentos e assassinatos na Alemanha, e que está sob investigação rigorosa. Foi declarado persona non grata por pertencer à seita. Lá eles são duros mesmo.

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Sobre o atentando de 44: “Um fato salvaria a vida de Hitler. O Coronel Brandt, ao procurar aproximar-se mais da mesa a fim de ter melhor visão dos mapas, tropeçou na pasta de Stauffenberg. Retirou-a então de onde estava e a colocou do lodo oposto do pé do mesa, separando-a, portanto, do corpo de Hitler. Assim a bomba, ao explodir, perderia parte da eficácia na direção do Führer. Os ponteiros do relógio marcavam 12 h e 42 m. Nesse momento, a bomba explodiu com grande estrondo.”

Mas, infelizmente:

“O General Fellgiebel, ao aproximar-se do edifício em ruínas, viu surgir o ditador, com a pele chamuscada, a perna direita queimada e o braço direito paralisado. Seu uniforme estava totalmente destroçado.”

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“o filósofo romeno Cioran disse que o triunfo do cristianismo em Roma se deveu aos domésticos..."

"o estupor causado pelo avanço do cristianismo nos espíritos cultos da época foi bem descrito por Celso..."

Concordo. Já li muito, muito mesmo sobre isso. Aposto que o Blogildo deve ter uma resposta-exegese bíblica de 20 laudas contestando isso daí, he, he.

Pode ser q Maria tenha tido uma vida bem diferente da versão oficial. E que tenha transado com um legionário. Muitas coisas são possíveis, enfim... Os exegetas que nos lêem devem odiar essas historinhas. Well, so be it. Que seja. Que odeiem.

Um ótimo domingo pra vcs

Catellius disse...

Pier 21...
As meninas de vinte e poucos ficam mais bonitas à medida em que envelhecemos.
Lembro-me que quando eu era adolescente não achava nenhuma mulher bonita nesta cidade, apenas no Sul, aonde eu ia umas duas vezes ao ano.

Ah, passe lá na Leitura do Pier e compre por R$ 19,90 um livro grosso e com muitas ilustrações sobre a Grécia Antiga. É daquela coleção "Grandes Civilizações do Passado", aparentemente superficial porque abunda em todas as livrarias do país e tem cara de livro para adolescente, mas li parte dos textos e gostei.

Tom Cruise é uma piada!
Só sabe fazer o papel de Tom Cruise, que já é um papel que ele interpreta o dia inteiro, he he he. Ou seja, quem é o "ele" acima?

Acabei de voltar do Que Treta e vou direto para a cama. É uma leve reedição do papo de ateísmo x agnosticismo, BUÁ BUÁ BUÁ!

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"Catellius disse...
Excelente post!

Caro João Vasco,

“Eu posso ser agnóstico quanto à forma da terra (em última análise não sei se não é plana) mas acredito que é (aproximadamente) redonda.”

Entendi que isto é um mero exemplo, mas obviamente você SABE que o sol projetaria sobre a lua sombra não redonda caso um eclipse lunar ocorresse logo após o pôr do sol. Veríamos a sombra em forma de bastão, de uma elipse acentuada ou algo que o valha. Sem falar que em qualquer passeio de carro horizontes diferentes se sucedem, o que comprova que a Terra é redonda. Isso é mais fácil de perceber de dentro de um avião a grandes altitudes e a observar através de uma luneta o casco de um veleiro sumir no horizonte antes de suas velas.
Calma, sei que você não é o Mulá de uma madrassa saudita que crê no mundo ser chato porque assim ensina o Corão, he he. Só estou refutando o seu “em última análise não sei se não é plana”.

“Pela mesma ordem de ideias, sou agnóstico quanto à existência de Deus, mas acredito que não existe.”

Você escreveu “existência de Deus” e não “de deuses” - o que poderia se referir a seres sem os atributos do nosso demiurgo omni-tudo, como por exemplo improváveis ETs que tivessem conseguido se tornar imortais e, muito mais avançados do que nós, interviessem nos nossos assuntos terrenos. Sou agnóstico em relação a vida em outras galáxias porque há a POSSIBILIDADE de existir. E, digamos, sou ateu em relação a deuses mas admito que, segundo os padrões de algumas mitologias, poderíamos chamar de deus um ET extremamente avançado que fosse imortal (absurdo dos absurdos mesmo assim).
Imagino que o seu “de Deus” se refira ao demiurgo omni-tudo.
Este eu SEI que não existe, porque SEI que existo e, se ele existisse, não estaria sujeito ao tempo e para ele este instante em que escrevo poderia passar-se simultaneamente à criação do universo, antes de eu ter sido criado. Ou seja, ele seria capaz de hoje mesmo fazer com que eu nunca tivesse existido. Então tal ser não existe. E eu SEI disso. Ou tal ser poderia ir ao passado e matar meus pais antes de eu nascer. Eu SEI que tal ser que por definição é capaz de realizar tal proeza NÃO EXISTE.

Um grande abraço!"

Catellius disse...

Ha ha ha

O Holy Father diria que meu ateísmo está baseado em algo como "ele não é capaz de criar uma pedra tão pesada, mas tão pesada que ele mesmo não seja capaz de carregar."

Boa noite.

André disse...

“As meninas de vinte e poucos ficam mais bonitas à medida em que envelhecemos.” É, e as realmente bonitas ficam mais ainda.

“Lembro-me que quando eu era adolescente não achava nenhuma mulher bonita nesta cidade, apenas no Sul, aonde eu ia umas duas vezes ao ano.” E essa loirinha de ontem, por falar nisso, era a típica loirinha do Sul. Deve ser descendente de alemães ou holandeses, pela cara. O problema de muitas alemãzinhas é que quando envelhecem viram um caco. É uma beleza menos duradoura.

Mas, quando jovens, são uma bela visão. É só focalizar nelas e não olhar pra quem está do lado (quase sempre um marombado de academia com cara de macaco e braços arqueados de tanto puxar ferro — braços de macaco também).

Muitas vezes também é um Tio Sukita com o indefectível casaquinho jogado nas costas, ha, ha.

Brasília tem muita mulher bonita, e como, mas o Sul é uma loucura, particularmente Florianópolis. Curitiba também. E as mulheres fora daqui costumam ser mais acessíveis, mais simpáticas. Pelo menos essa é a minha experiência em matéria de Minas e SP, mas posso estar errado, pode ser só impressão minha.

Eu já deveria ter falado sobre isso com vc, Catelli. Vi essa coleção. O texto é fraco e vc tem razão, é o livro perfeito para adolescentes, foi o q achei da 1ª vez q vi, mas as fotos são ótimas. Quero o da Roma Antiga. 39,90 cada. O que mais vende é exatamente esse, só havia dois lá ontem, um na vitrine. Belas fotos aéreas de Roma, eu adoro isso. Vou acabar comprando, mas ontem me deu um desânimo geral e acabei não levando. Mas isso não vai acabar, deve estar vendendo muito. O volume da Europa Medieval, o de Angkhor, o da Itália Antiga e o da China também são muito bonitos, mas vou ficar no que realmente me interessa. Essa coleção é enorme, pelo jeito.

Ontem vi um casalzinho de evangélicos todo interessado no volume Povos da Bíblia. Essa gente está em todos os lugares, é foda...

“Sou agnóstico em relação a vida em outras galáxias porque há a POSSIBILIDADE de existir.” Boa essa. Acho q existe vida em milhões de outros planetas, talvez alguns bem perto do nosso sistema, mas bichos primitivos. O problema de ETs sofisticados, esqueléticos de cabeças enormes, olhos idem, bocas mínimas e sem nariz, com altíssima tecnologia e viajando com saltos no hiperespaço, como em Star Wars, é que, se estes existissem, de duas uma: 1) eles destruiriam a Terra com alguma arma, só por prazer (já q eles são muito avançados, acho q nem valeria a pena colonizar isso daqui pra extrair algo, eles provavelmente não precisam de nada que exista aqui). Ou alguma outra maldade parecida. Ou: 2) Indiferença. Passariam um scanner na Terra e, depois de concluírem como somos atrasados, seguiriam em frente. Morro de rir com essas pessoas q se julgam suficientemente importantes (pelo menos do ponto de vista biológico, da pesquisa) pra serem abduzidas, seqüestradas por ETs com sondas médicas. Que interesse eles iriam ter na nossa espécie? Imagino q criaturas assim assim já estariam na fase sintética, artificial, fabricando os próprios alimentos a partir de produtos inorgânicos, entre outras “viagens” minhas. Seriam mais máquinas em certos aspectos do que seres vivos, biológicos. Ou mesmo q ainda fossem bastante “biológicos”, não precisariam de nada aqui na Terra. Imortais não seriam, mas viveriam uns 300, 400 anos, quem sabe, via manipulações genéticas e outras. Resumindo: acredito em vida extraterrestre, sobretudo primitiva, mas também acho q possam existir seres no nosso nível e talvez bem acima, só que em pequena quantidade, em poucos lugares. Mas não acredito em ETs infinitamente superiores como esses aí da imaginação popular.

“O Holy Father diria que meu ateísmo está baseado em algo como "ele não é capaz de criar uma pedra tão pesada, mas tão pesada que ele mesmo não seja capaz de carregar."

Uma pedra q vc não fosse capaz de carregar? Acho q ele e outros devem pensar exatamente em pesos que a gente conseguiria carregar, mas que seriam um incômodo enorme, porém “necessários” (necessários porra nenhuma, lógico). Uma “cruz” que, se ele carrega, nós temos q carregar também. Um fardo. Isso me cheira a masoquismo. Por outro lado, para outros religiosos não há peso nenhum, "antes muito pelo contrário", he, he: todas essas contradições religiosas ordenam perfeitamente suas vidas e constituem, em última análise, um prazer. Uma “benção”.

E há também aquele tipo que podemos chamar, não sem uma ponta de ironia, de “novo cristão”, o cara que quer dar uma de moderninho mas sem tirar a Bíblia debaixo do braço. Blogildo e derivados. Que está disposto a tudo para continuar aferrado à religião que lhe seria tão difícil, muitas vezes impossível, renegar. Acho q esse tipo sabe, no fundo, no fundo SABE que sua posição é insustentável, que não dá pra continuar acreditando racionalmente (mas como questão de fé dá, com fé tudo é possível) no que ele defende, que realmente essa vida aqui não tem pé nem cabeça, que nada faz o menor sentido (digo isso sem nenhuma intenção de desprezo ou desgosto), mas, sabe como é: ele vai continuar insistindo enquanto tiver forças. Enquanto tiver gás, vai brigar. Não importam os argumentos: exegetas vivem de torcê-los e retorcê-los, exegese nesse caso é uma forma de mentira contínua. Será um crente ou só alguém mentindo para si mesmo? Não podemos descartar a hipótese dele ser um crente verdadeiro. Quem defende posições insustentáveis com outras ainda mais insustentáveis, quem vive querendo maquiar o passado (um exemplo besta: a insistência na pureza e heroísmo dos primeiros cristãos, algo quase mítico, sobrenatural - e piegas até não poder mais), essa gente me lembra os funcionários do Miniver, o Ministério da Verdade do 1984 do Orwell. Lembra do capítulo q descreve um dia no trabalho do Winston Smith no Miniver? É a coisa mais assustadora. Smith sabia que tudo aquilo era deturpação da realidade, não agüentava mais a rotina, mas seus colegas acreditavam no que faziam com fervor. Esses é que são os mais perigosos.

Bom, chega de divagações por hoje. Até mais.

Cyro disse...

Se o PT chegou ao poder a culpa é de FHC que fez um governo patético! que da ate para achar esse governo de Lula bom hueheuheuheueheuhe

André disse...

Só pra constar, essa parte do texto ficou realmente muito legal:

"É uma tragédia para a nossa sociedade. Uma parte considerável da inteligência brasileira, cerca de 5 milhões de pessoas, está mobilizada em aprender coisas inúteis (direito administrativo, código disso e daquilo) para conseguir um emprego no qual, na maioria das vezes, se terá uma baixa produtividade."

E a lista de coisas inúteis e/ou tediosas é longa...

André disse...

Catelli, depois cheque seu e-mail, é sobre um post novo.

Ricardo Rayol disse...

Fez uma análise intrigante, concordo com você, as faculdades "siri cozido" são forncedoras de nossa burguesia pública.

Catellius disse...

Legal, André!
Depois comento com calma algumas coisas legais que você escreveu.
Masturbação mental: A continuação da discussão no Que Treta:

"Catellius disse...

Caro João Vasco,

"Podem nem existir seres humanos e tu seres apenas fruto de uma simulação computodarizada num planeta qualquer. Plano."

Bom, então o dito “planeta qualquer” - plano que seja - onde é feita a simulação não pode ser chamado de Terra. Se o nome dele for Terra é porque é apenas um homônimo. A Terra É redonda, mesmo que seja uma simulação. Até os criadores da sua Matrix SABEM disso. Então você diz que podemos ser uma simulação computadorizada? Você pode ser uma simulação para mim, mas eu não posso ser uma simulação para mim mesmo. Ou seja, simulação ou não, eu SOU (uma simulação que tem consciência? Piada!).

Bom, digamos que a única certeza absoluta que temos é que existimos. Cada um tem a certeza de que ele próprio existe, e admite a possibilidade de todo o resto ser uma construção mental. Então eu SEI que tudo cuja existência contradiria isto é falso.
E se a possibilidade de eu, eu mesmo, existir, do meu ponto de vista, é de 100%, a possibilidade de existir um deus que hoje mesmo pudesse ir ao passado e impedir que eu nascesse e jamais tivesse tido consciência é nula. Em última análise, o passado em que ele teria me impedido de ter existido teria ocorrido após o passado em que eu de fato existi. Seria uma espécie de futuro... Eu SEI que um ser capaz disso não existe.

“É algo que os filósofos sabem, e os cientistas deviam saber. É epistemologia básica. Não se pode saber nada em defenitivo.”

Paradoxal. Como os filósofos e cientistas SABEM definitivamente que não se pode saber nada em definitivo? He he he. Além do mais, SEI que 2 + 2 são 4. É axiomático, seja tudo isto aqui simulação ou não. Sei que 10/2=5. De igual modo, SEI que todas as casas pretas são pretas.

Assim sendo, a Terra é redonda, seja ela uma simulação ou não. Se estamos entubados por ETs em um planeta plano, ele não é a Terra, obviamente. Assim sendo, amigo João Vasco, lamento informar que você está REDONDAMENTE enganado, he he.

Abraços para você e para os demais!
Boa semana."

Catellius disse...

E no Expressionista:

Catellius, disse:
October 22nd, 2007 at 00:57

Antes de tudo, inteligência é a faculdade de pensar, conceber, compreender, capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações, é discernimento, juízo, raciocínio, talento, etc. Acho que envolve demanda, é preciso estimular o intelecto desde cedo para ser inteligente. Ora, onde não há novos problemas e novas situações, como no caso dos silvícolas que vivem da coleta há séculos, não há demanda por inteligência. Mas para a pouca demanda influenciar geneticamente determinado grupo de homo-sapiens levaria centenas de milhares de anos ou mais. Não falo, é claro, de problemas de recessividade, como a endogamia entre os samaritanos, que vivem em território israelense. Eles tiveram que autorizar seus homens a casar com judias após séculos de proibição para não verem seus pares degenerarem em uma verdadeira sub-raça em poucas gerações.

Acho que os africanos são menos inteligentes do que os europeus, na média. E acho que os africanos brancos pobres - ainda que bem menos comuns - são quase sempre menos inteligentes que negros criados na Suécia. Ou seja, isto se dá não por uma limitação genética mas pelo atraso sócio-cultural-econômico-etc., pelo baixo IDH.

O homo-sapiens não evoluiu, em termos darwinianos, nos últimos 10.000 amos - é um período muito curto para tanto. No entanto, há dez mil anos os núbios (atuais sudaneses, grosso modo) eram muito mais inteligentes do que os brancos europeus, porque a vida que levavam demandava mais inteligência. No Egito Antigo, pouco depois, enquanto os brancos europeus ainda grunhiam, a necessidade de se saber a área de terras cultiváveis após as cheias propiciou o surgimento da agrimensura, que impulsionou a matemática, que impulsionou a física; as viagens comerciais estimularam a astronomia, etc. Imagino que James Watson estivesse se referindo à África subsaariana atual, não a povos africanos mediterrâneos antigos como os cartagineses e os egípcios. No fim das contas, acho que ele fez um comentário extremamente infeliz mas infelizmente verdadeiro. Fez uma mera constatação: os africanos são menos inteligentes do que os europeus. Fazer o quê?

Concluindo meu ponto: não devia haver diferença significativa genética entre incas e aimorés, no entanto os primeiros eram muito mais inteligentes. Aliás, não deve haver muita diferença genética entre chineses e polinésios e entre estes e índios americanos. No entanto, a chance de aparecer um chinês muito inteligente é maior do que a de aparecer um índio muito inteligente.

--//--

Catellius, disse:
October 22nd, 2007 at 01:00
Se bem que lendo novamente a declaração do Nobel fica claro que ele acha os negros - mesmo aqueles criados em uma grande metrópole européia - não tão inteligentes quanto os brancos.

Discordo. Depois explico por quê.
Abraços

Catellius disse...

O que o Janer Cristaldo escreveu sobre as declarações de James Watson:

"Tivesse feito esta declaração no Brasil, Watson já estaria processado por crime de racismo. No entanto… olhe para os países africanos… e olhe para os países europeus. Olhe para as cidades esplendorosas do Velho Continente… e para as cidades miseráveis do continente negro. Você jamais encontrará um Mozart ou um Cervantes nas culturas africanas. Mas encontrará às pampas os Idi Amin Dadas e Mobutus Sessos da vida. Na Europa há Estados constituídos. Na África há arremedos de Estado e tribos e guerras tribais. Democracia é flor que viceja na Europa. Não há democracia em países africanos.

A África - e particularmente a África muçulmana - vive ainda na era das teocracias, lapidações e ablação de clitóris. No Ocidente, há muito chegou-se à noção de direitos humanos. Teocracia é obsolescência do passado, lapidação não é admissível como pena e ablção do clitóris é crime. Compare a cultura e a tecnologia produzidas pela Europa, e a cultura e tecnologia produzidas pela África. O óbvio salta aos olhos. É claro que o branco europeu é mais inteligente que o negro africano.

Não vemos europeus arriscando suas vidas na travessia do Mediterrâneo, em busca das excelências da cultura negra. Par contre, há centenas de milhares de negros arriscando suas peles, em precárias pateras, para chegar ao continente cuja cultura foi construída pelos brancos. Imigrante não se engana. Os africanos sabem o que é bem bom.

Mas o óbvio constitue crime para os adeptos do politicamente correto. A título de raciocínio, invertamos a afirmação de Watson. Suponhamos que ele tivesse afirmado, contra todas as evidências:

AFRICANO É MAIS INTELIGENTE

É claro que ninguém o acusaria de racismo, nem a Folha estaria preocupada em alertar o leitor para o teor da notícia. Talvez lhe propusessem até mesmo um segundo prêmio Nobel."

Catellius disse...

Catellius, disse:
October 22nd, 2007 at 01:50

"Pegando o exemplo do Janer, de que não vemos Mozarts na África.

Se preservássemos o bebê Wolfgang Amadeus Mozart por criogenia até os dias de hoje e o descongelássemos vivo em Viena - nesta Viena que nem de longe representa o que a antiga Meca cultural européia representava - no seio de uma família qualquer, não filho de um músico da “corte” (que seria, no máximo, uma espécie de Elton John a cantar mediocridades como Candle in The Wind para a morte da pobre Lady Di e não um Henry Purcell a executar seu estupendo funeral para a rainha Maria), e ele fosse obrigado a freqüentar o jardim da infância, a estudar química, biologia, matemática, história e geografia desde cedo, a ir a colônia de férias, ele PODERIA passar despercebido por toda sua vida. Talvez seu gênio jamais despontasse. Mesmo dedicando-se à música talvez John Lennon faria coisas melhor do que ele.

No Brasil, por exemplo, as circunstâncias propiciaram que a maior parte dos gênios (nem todos os que listarei são exatamente gênios) tivesse sangue negro: Ataíde, Aleijadinho, Machado de Assis, José Maurício Nunes Garcia (compôs boas músicas em estilo mozartiano), Cruz e Souza, Carlos Gomes, Ernesto Nazareth, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Pixinguinha, Lupicínio Rodrigues, Gilberto Gil (sacanagem, ha ha ha ha ha ha) e outros.

Bom, em nível mundial exemplos abundam. E mesmo que o negro seja geneticamente menos inteligente do que o branco, ainda assim o negro mais inteligente do mundo deve ser mais inteligente do que 99,9% dos brancos. Então acho esta discussão um grande de um atraso de vida, he he."

André disse...

Será q o James Watson disse mesmo isso dos negros? Acho q ele pensa isso de todo e qualquer negro, pouco importando o IDH. Pra ele, um negro londrino é inferior a um branco pobre sueco (e existe branco pobre na Suécia? , he, he, claro q sim, nem q sejam uns gatos pingados!).

Conheço gente inteligente pra burro (mas nenhum descobridor do DNA, naturalmente) q é racista. Eu não sou e acho isso um horror.

Mas ele também é famoso por outras declarações. Disse q se um dia conseguirem identificar o gene responsável pela preferência sexual, é lógico q muitos pais vão querer mexer nele pra evitar filhos gays. Disse também q gente gorda geralmente é eliminada em entrevistas de emprego. E que se um casal fica sabendo antes do parto q seu filho nascerá com algum tipo de deficiência mental, costuma abortar. Bom, a das pessoas gordas eu acho sacanagem. A do gene da viadagem, é a mais pura verdade, a gente sabe q é isso mesmo q vai acontecer. E do aborto de crianças retardadas, se isso é descoberto antes do nascimento, a gente também está caindo de saber q é verdade, eu pelo menos imagino q aconteçam muitos abortos por esse motivo.

“Então você diz que podemos ser uma simulação computadorizada?” De volta à Matrix! Eu quero ser o Agent Smith.

“Imagino que James Watson estivesse se referindo à África subsaariana atual, não a povos africanos mediterrâneos antigos como os cartagineses e os egípcios.” Também acho.

Bom, é uma questão cultural e de IDH. Essa diferença abissal entre África e Europa. Quanto ao Janer, acho q ele não pegou exatamente isso. Mas discutir com ele pode terminar em polêmicas como aquela dos castelos e dos diamantes, lembra daquela? A maior viagem...

Mozart foi um gênio q teve os estímulos certos na época certa. Uma pena q tenha morrido jovem.

“Gilberto Gil (sacanagem, ha ha ha ha ha ha)” Ah, bom...

Também acho essas discussões de inferioridade e superioridade genética uma bobagem.

André disse...

Tio Rei tranqüiliza os “aspiras” da esquerda intelectual:

Capitão Nascimento, o kantiano rústico, como o chamei em artigo na VEJA, continua a ser alvo dos foucaultianos polidos. Os "aspiras" da esquerda intelectual são mesmo idealistas. Marx olharia pra eles com desconsolo. Gastaram mais tinta e papel com os mortos de mentirinha de Tropa de Elite — é chato lembrar, sei disso, mas o filme é ficção, viu, pessoal!? — do que com os de verdade nos morros do Rio. Eu entendo o motivo. Acreditem: a exemplo do que acontece com o narcotráfico, também esta é uma disputa por território.

Diretor, roteiristas, atores, todos eles já foram levados a fazer um mea-culpa e a negar, de pés juntos e mãos postas, que o filme defenda a tortura ou a ilegalidade. E não defende mesmo, é claro. Se as platéias aplaudem aqui e ali — no cinema em que vi, as pessoas ficaram muito comportadas —, é porque, de fato, se cansaram da corrupção da polícia e da política, da inércia do estado, do abandono a que estão relegadas. Sim, talvez fosse de bom tom que essa gente não fosse tão malcriada e entendesse os motivos de nossos bandoleiros primitivos. Mas vocês sabem como esse povo está sempre muito abaixo da moralidade de nossos intelectuais.

Volto ao ponto. A despeito de todos os atos de contrição das pessoas envolvidas com o filme, resta a obra. E ela, de fato, não perdoa a doce tolerância ou conivência da classe média — da Dona Zelite — com o narcotráfico. É a primeira vez que o cinema brasileiro se abre para o dissenso. Pouco me importa se seus realizadores queriam isso. É o que acabou acontecendo. E o filme é um sucesso.

A esquerda intelectual reage porque não quer esse estranho em seu ninho. Que papo é esse, agora, de lembrar que as pessoas têm responsabilidades individuais e fazem escolhas? Isso é terrível porque questiona um edifício teórico gigantesco. No dia em que o pobre ou o rico não mais fores vistos segundo as lentes da alienação ou da má consciência, o esquerdista não terá mais como entender o mundo. De fato, o seu “oprimido” não é uma pessoa, mas um dado de uma equação.

Queria tranqüilizar os mais nervosos, os "aspiras". Tudo voltará a seu eixo em breve. Trata-se apenas de um filme, não de uma nova era. Na história do cinema mundial, Capitão Nascimento não é o primeiro “malvado” a se tornar ídolo. O próprio José Padilha já lembrou o caso e é fato: quem não torcia por Michael Corleone, por exemplo? O Brasil fez seu primeiro filme ( nos EUA, por exemplo, há milhares) em que a polícia também tem um discurso. Mas isso não mudará o padrão de resignação de Banânia.

Relaxe, 01!!! Pode voltar, como diria Drummond, a se ocupar de estrelas e outros “substantivos celestes” porque a maioria dos nossos artistas continuará a promover a justiça social nas telas, nas novelas, até nas tirinhas de humor dos jornais. Se há coisa que o Brasil produz com competência ímpar é justiça social na ficção. Com o apoio da Petrobras, da Caixa e da Lei Rouanet.

Tropa de Elite é exceção — daí o espantoso sucesso. A regra continuará a ser filmes “esquerdisticamente” corretos e sem público. Como diria o Apedeuta: “tranquilis”. Não há a menor chance de “a direita” invadir o Morro do Alemão mental que dá as cartas na produção cultural.

André disse...

Curiosidades:

o roubo de boa parte das armas foi o q impediu a filmagem de mais uma seqüência de ação no filme. Uma pena.

Estão querendo fazer uma mini-série, talvez rodada no exterior (parece estranho, mas é possível). Não podem subir mais nenhum morro, infelizmente. Eu usaria o Exército só pra limpar um pros caras filmarem. Quando fizeram o filme, mentiram para os traficantes, dizendo q o filme descia o pau no BOPE. Foi o único jeito.

De qualquer maneira, o q já foi feito foi muito bem feito. Valeu o esforço.

André disse...

Catelli, meu blog acaba de ser deletado por violação "contumaz", he, he, de direitos autorais. Mais detalhes num e-mail q mandei pra vc.

Catellius disse...

Sacanagem!

Mas pode postar resumos sobre geopolítica por aqui mesmo.

Abraços

Bocage disse...

Padre suspenso revela que possui uma lista de gays no Vaticano
22/10/07 às 13:56 h

Monsenhor Tommaso Stenico, que foi suspenso de sua funções após ter assumido ser gay em uma reportagem da TV italiana, revelou que possui uma lista com os nomes de padres e até bispos na Cúria.
A Cúria representa a comissão de bispos que compõe ume espécie de tribunal da Igreja Católica romana.
A revelação do clérigo provocou o Vaticano, no qual representantes afirmam que trata-se de uma ameaça sem fundamento pelo religioso ter ficado contrariado com a punição.

Monsenhor Stenico foi suspenso após ter sido reconhecido em uma entrevista dada a um repórter sob disfarce na TV LA7 italiana, que retirou dele revelações sobre a sua homossexualidade.

Na matéria, o padre corteja o homem. Ele diz que é homossexual e não acha que a homossexualidade seja pecado, filmado por uma câmera escondida.
Após o escândalo, ele explicou que estava fazendo um trabalho de pesquisa e mentia que era gay para investigar a presença de homossexuais no Vaticano.

Bocage disse...

JESUS CAMP

Pequenos talibãs, rsrsrs.

André disse...

Reinaldo Azevedo:

O diabo que o carregue, comandante!

Adivinhem quem apanhou ontem, na sessão conjunta que reuniu, no Congresso, meia-dúzia de comunistas pingados para homenagear o assassino Che Guevara? Isto mesmo: a VEJA. Os trabalhos foram abertos pelo petista Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado. Logo de cara, executou-se (ops!) a música Hasta siempre, comandante. Che, o homem que criou um lema nem tão sucinto para os remédios contra a disfunção erétil, encontrava o seu destino. Na mesa, a deputada Manuela D’Ávila (PCc do B-RS) demonstrava saber cada pedacinho da letra.

Apenas 31 parlamentares (de 594!!!) registraram presença, mas a solenidade nunca contou com mais de cinco ao mesmo tempo. O embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Juan Nuñez Mosquera, estava lá. Também o presidente da Associação dos Cubanos Residentes no Brasil, Tisso Saenzi. Vou tentar saber por que ele está tão longe do seu paraíso. “Che vive no inconformismo e na vontade de mudança por um mundo melhor e mais justo, nas mais diversas sociedades e distintas latitudes", enrolou Viana.

Bravo estava o petista João Pedro, do Amazonas. É aquele valente que anunciou que iria arquivar o pedido de investigação de Renan Calheiros no caso Schincariol sem ouvir ninguém ou fazer uma miserável diligência. Um verdadeiro revolucionário! Chamou de “mentirosa” a reportagem de VEJA que, enfim, narrou a vida de Che como ela foi — em vez dessa hagiografia cretina que tanto seduz as esquerdas.

José Nery (PSOL-PA), autor do requerimento que resultou na homenagem, também discursou e... atacou a VEJA. Disse que a homenagem era importante “justamente em um momento em que setores reacionários da imprensa brasileira fazem ataques virulentos e mentirosos contra a verdadeira história de jovem médico argentino que virou herói latino-americano". E terminou sua fala inflamada com “Viva Che!”. Dois deputados de seu partido, Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP), gritaram em coro: “Viva! Viva!”

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que jamais perde a chance de cavalgar um equívoco, afirmou que o comunista argentino deixou cinco lições: tinha uma causa, doava-se a ela, era dotado de coragem, gostava da luta e exibia, acreditem!, “sentimento poético”. O porco fedorento e homicida encontrava o berço do herói.

Ah, sim: a letra é de Carlos Puebla. É a versão poética oficial da carta que Che mandou a Fidel despedindo-se do governo para novas aventuras revolucionárias — isso depois de ter destruído a economia cubana. Essa é a história oficial. De fato, Fidel, seguindo recomendações da União Soviética, deu um pé no traseiro de Che — embora tenha financiado suas aventuras no Congo e na Bolívia.

Como é norma no comunismo, os verdadeiros inimigos de Che estavam todos na sua pocilga ideológica: Fidel, a extinta URSS e o Partido Comunista da Bolívia, que colaborou ativamente na sua captura.

Não custa destacar um trecho da letra:

Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.

Nem diga! Tanto esperavam, que os congoleses o botaram pra correr, e os camponeses bolivianos queriam vilipendiar seu cadáver, tal o ódio que lhe devotavam. Só não o fizeram porque acharam que ele se parecia com Cristo morto. Como se vê, o “reacionarismo” da sociedade boliviana ainda o protegeu um tanto.


Homenagem ao porco fedorento e os textos asquerosos da Agência Senado

O Congresso brasileiro homenageou hoje Che Guevara, o defensor do “ódio que faz de todo homem uma fria máquina de matar”, o Porco Fedorento. Se vivo fosse, ele se sentiria em casa. Na página oficial do Senado, a chamada é esta: “Che Guevara, um símbolo que anda de mãos dadas com as grandes causas”. Sem dúvida. Um certo Jorge Frederico, da Agência Senado, começa assim o seu texto: “Nas homenagens a Che Guevara, aos cientistas políticos, jornalistas e historiadores, entre outros, resta o desafio de averiguar e esclarecer um aparente paradoxo: como um guerrilheiro — tido e havido como o inimigo número um do capitalismo internacional, particularmente, nos anos 60 —, quarenta anos após sua morte, tornou-se neste poderoso símbolo que suscita o desprendimento e a audácia que as grandes causas requerem, no coração dos homens e mulheres - e principalmente no seio da juventude.” Esse tom, entre o pudor compreensivo e a grandiloqüência revolucionária, mereceria chicote. Chicote ético, é claro.

É perda de tempo entrar no mérito. Mas destaco o “tido e havido como inimigo número um do capitalismo”. Com efeito, “número um” não era porque irrelevante. Mas “inimigo” apenas, suponho que sim, e ele seria o primeiro a reivindicar essa condição. Chega a ser desrespeitoso com a memória do facínora negá-lo. Quem autorizou esse rapaz a fazer editoriais no site do Senado? Incontido, ele avança: “No entanto, o rosto sonhador do guerrilheiro, de barba e cabelos grandes, virou produto de consumo, por meio da célebre foto do cubano Alberto Koda (sic), que hoje se encontra espalhada em incontáveis produtos, manufaturados pela indústria capitalista e vendidos nos cinco continentes do planeta". O fotógrafo se chamava Alberto KoRda.

Indecoroso
A Agência Senado, aliás, é indecorosa. Às 19h04, lê-se esta outra notícia (segue conforme está lá):

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) leu em Plenário nota oficial da organização internacional Via Campesina, acerca do conflito ocorrido no dia 21 de outubro, em Santa Tereza do Oeste (PR), que resultou na morte de um sem-terra. De acordo com a nota, o acampamento da Via Campesina foi atacado por "uma milícia armada da Syngenta", que executou, com tiros à queima roupa, um militante do movimento. De acordo com a nota, continuou Suplicy, a Via Campesina não deteve reféns, como noticiado pela imprensa. Syngenta é uma empresa multinacional de agronegócios que possui um centro de pesquisas em Santa Tereza do Oeste, e é acusada pela Via Campesina de realizar experimentos transgênicos no Paraná.

Leram? Um órgão oficial de notícias omite que houve duas mortes: o outro assassinado era um segurança. E foi morto pelos sem-terra. Mas isso não interessa a Suplicy, que se coloca como porta-voz de bandoleiros, nem à Agência Senado. Não é por acaso que essa gente canta as glórias do stalinista Guevara. Uma característica evidente de seu líder eles já tem: fraudam a história com uma impressionante cara-de-pau.

André disse...

Reinaldo Azevedo

Padre Júlio Lancelotti, que tem um jeito estranho e caro de “tocar o coração de seus protegidos”, afirma por aí que não recebeu a devida atenção da “polícia de Alckmin” quando “denunciou” as ameaças que dizia sofrer. Acontece que o que este senhor afirma não se escreve. Vejam na nota abaixo. Agora que a polícia decidiu investigar detalhes de sua generosidade, ele diz que doou a seu “correria” de estimação R$ 80 mil, não R$ 50 mil, conforme a acusação inicial: uma pequena elevação de 60%... Também o seu pedido de socorro à Polícia tinha um jeito estranho de ser. Acompanhem o que apurou este blog.

Em outubro de 2004, ele procurou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e disse que estava sendo "incomodado" por um rapaz chamado Anderson. Naquela ocasião, não falou em ameaça ou em extorsão. Nem mesmo entrou em detalhes sobre a natureza do "incômodo". A Secretaria fez o que lhe cabia: encaminhou-o à Delegacia Geral da Polícia Civil de São Paulo.

Na Delegacia Geral, foi informado que existe estado de direito no Brasil e que um órgão público não pode atuar ao arrepio da lei só porque o padre é uma celebridade, certo? Foi informado de que uma investigação sobre Anderson só poderia ter início se ele, Julio Lancellotti, prestasse uma queixa formal contra o rapaz. Aí o coração do padre se enterneceu. Preferiu deixar pra lá.

Dois meses depois, ele estava de volta à Secretaria. Para reclamar de Anderson outra vez. Deve ser o que o padre classifica de percalços imprudentes do amor. De novo, foi encaminhado à Delegacia Geral. E ouviu, pela segunda vez, que era preciso prestar uma queixa, ou a ação da Polícia seria ilegal. Ele voltou a declinar do cálice. Um homem pio e santo.
A Polícia estava de mãos atadas. Em briga de padre e seu correria, ninguém mete a colher, certo?

Passaram-se dois anos sem reclamações. Só posso supor que Anderson permitiu que seu coração fosse tocado nesse tempo. Até que o clima de amor cristão azedasse novamente. Aí padre Júlio não quis saber dos civis. Apelou diretamente aos militares. Disse que estava sendo ameaçado, mas por Marcos José de Lima, um viciado que comprava drogas de Anderson.

Os policiais foram atrás de Lima e o prenderam. Dias depois da prisão, o padre voltou a entrar em contato com a PM. Falou que, mesmo da cadeia, Lima continuava a ameaçá-lo por telefone. A polícia deu uma prensa no sujeito — segundo, evidentemente, os rigores dos direitos humanos exigidos por Lancelotti —, e as ligações pararam. No fim do mês passado, o padre recorreu a uma delegacia de polícia para formalizar a denúncia de extorsão.

Roteiro incrível
Foi assim que as coisas aconteceram. E Lancelotti sabe que é verdade. A “polícia de Alckmin”, como ele chama, deu-lhe toda a atenção. Mas nunca conseguiu saber o que o padre esperava dela ao lhe pedir ajuda informal. O que queria? Que os policiais agissem ao arrepio da lei? Que dessem “uma prensa” no seu correria, que ele alimentava a pão-de-ló e Pajero? Que desse um susto no rapaz para que ele parasse de ameaçar o padre influente?

Por que a história acima é importante? Porque o padre precisa parar de misturar as suas lambanças da vida privada com a sua militância política. Por conta de seu “amor imprudente”, uma parte do efetivo policial de São Paulo está hoje mobilizado em sua proteção. De maneira vexaminosa, ele tenta misturar a militância ideológica com a sua vida privada para, claro, dizer-se “perseguido”. Em parte, dá resultado. Ele está sendo protegido por boa parte do jornalismo.

A polícia agiu como polícia. Antes e agora. E Lancelotti? Comportou-se como um padre da Igreja Católica Apostólica Romana?

Podcast do Diogo: o sexo dos anjos

Diogo Mainardi se interessou por algumas entrevistas concedidas pelo padre Júlio Lancelotti. E também chegou a uma conclusão bastante interessante ao lembrar um testemunho que Frei Betto, outro esquerdista infiltrado na Igreja Católica, deu sobre seu amigo. Seguem trechos do podcast:

O padre Julio Lancellotti, entrevistado pela revista Boa Saúde, declarou o seguinte sobre a descoberta da sexualidade em adolescentes. Abre aspas: “A sexualidade nunca deve ser um problema, ela é sempre uma possibilidade, e é uma possibilidade mais larga ou menos larga.”
(...)
Em outra entrevista, dessa vez para a revista Filantropia, o padre Julio Lancellotti fez o seguinte retrato de São Paulo. Abre aspas de novo: “Eu não nasci na cidade de São Paulo, por isso acredito que eu possa dizer com a autoridade de quem tem a cidadania paulistana. Tudo isso é a cara de São Paulo: racista, imperialista, colonialista, discriminador e preconceituoso!”. Fecha aspas.

Sim, São Paulo é racista, imperialista, colonialista, discriminadora e preconceituosa, mas sua prefeitura dá 581 mil reais ao mês à ONG do padre Julio Lancellotti.
(...)
Frei Betto definiu o padre Julio Lancellotti como “uma das pessoas mais íntegras que conheci em toda a minha vida. Um dos raros santos vivos de quem tenho a graça de ser amigo”. Se “santo vivo” pode parecer um exagero, Frei Betto, no mesmo artigo, foi ainda mais longe: definiu-o como um “anjo”.

Nos últimos trinta anos, Frei Betto e padre Julio Lancellotti comungaram da mesma fé: a fé no PT e em Lula. Recentemente, Frei Betto mudou de idéia e passou a atacar seus antigos companheiros de partido. Descreveu os esquerdistas no poder como uma gente sem “princípios, apenas interesses”, de “cabelos engomados e trajes finos”, que só pensam em obter “um significativo aumento de sua renda pessoal”.

Claro que isso é uma tolice. Só há um tipo pior do que o esquerdista sem princípios – é o esquerdista com princípios.

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