21 setembro 2007

A xícara de chá quebrou

Há uma frase de Auden, de um poema dos anos 30, que contém tudo o que eu gostaria de dizer neste post: “a crack in the tea cup opens a lane to the land of the dead”. A tradução é chata. A melhor palavra para crack seria racha, mas soa mal em pelo menos dois sentidos. A frase, em inglês, à parte a harmonia maravilhosa (“opens a lane to the land” é o fino) não tem uma palavra latina, corre em monossílabos e dissílabos, o que lhe dá uma dureza perfeita para contrastar com a imagem aparentemente suave da morte do conteúdo. Mal traduzida, mas literalmente: “A racha na xícara de chá abre uma vereda para a terra dos mortos.”

A xícara de chá representa a velha ordem do Império Britânico e de suas classes dominantes. A rachadura, a quebra dessa ordem, abrindo a vereda (a base da aristocracia, de títulos e de dinheiro, dos ingleses, é o campo) para as hecatombes de 1914 e 1939. A xícara de chá há muito foi arquivada na cristaleira. Hoje a Coca-Cola é o que já está rachando e, com ela, o cálice papal e outros utensílios domésticos vendidos às velhas gerações como inquebráveis. Pois Auden pegou foi o momento exato da quebra, que ainda estamos vivendo e que parece, estranhamente, institucionalizado. Nossa civilização lembra aqueles quartos horríveis onde agora põem as pessoas à morte nos hospitais. Tudo no corpo da vítima, já morta para efeitos práticos, é controlado eletronicamente. O moribundo vai se arrebentando aqui e ali. O “sismógrafo” registra a quebra. Entra alguém e tapa o buraco. A agonia se prolonga.

Mas nosso organismo, para ficar na imagem médica, não decai como um todo. Partes dele tentam sobreviver, rebelam-se, mantém uma exasperada vida própria, resistindo. Quem esperava a Igreja Católica refletida por João XXIII? Nem Olavo de Carvalho nem eu. Só o totalitarismo da Igreja, sedimentado em séculos e sugerindo uma ilusória coexistência de opiniões diversas — assim como alguns prédios velhos parecem ter em cada canto uma arquitetura única diferente do conjunto — só o totalitarismo preservou a fé institucionalizada (a fé de cada um é outra conversa, infinitamente variável) em face do furacão do materialismo, onde, no mínimo, três “bestas” apocalípticas são visíveis: Darwin, Marx e Freud. João XXIII achava que o melhor do crisitianismo, o respeito ao indivíduo, o desprendimento de coisas materiais, a caridade, etc, poderiam influenciar o pensamento moderno, e resolveu abrir a porta para esse cavalheiro. Foi o mesmo que convidar um leão a entrar na arena.

Depois de 44 anos de stalinismo, alguém esperava a Primavera de Praga? Nem o Departamento de Estado dos EUA nem eu — o primeiro só descansou quando a URSS restabeleceu a “verdadeira” democracia na Tchecoslováquia. Tão ou mais preocupados do que os burocratas do Kremlin com aquela revolução estavam os americanos. Já pensaram no efeito de um socialismo democrático na Europa Ocidental e no resto do mundo, àquela época? O que deteve o comunismo não foi o anticomunismo bestialógico, hoje exemplificado de maneira grotesca em um Olavão, mas o medo da classe média de uma tirania de partido único.

Os velhos sistemas racharam de vez, como dizia Auden. Não tem conserto, mas curiosamente ainda está para acontecer o desabamento. Talvez por isso os mandarins do pensamento antigo acreditam que vão sobreviver, melhorando e reformulando suas receitas de salvação. Os católicos mais progressistas acham que o pensamento moderno é um tigre de papel, domesticável. Ou, na pior das hipóteses, capaz de ser fundido com o cristianismo. É possível, mas improvável. Toda a filosofia moderna destina-se a demonstrar o caráter finito do homem, sua prisão dentro do corpo. Cumprida a nossa sentença na Terra, acabamos. Nem mesmo a idéia de uma ordem cósmica, no sentido idealista, resisitiu a Einstein, que, depois, talvez chocado com as implicações do que descobriu (à maneira de Darwin), passou o resto da vida tentando refutar-se a si próprio, inutilmente.

Não deixa de ser irônico que tanta gente genial tenha se esforçado tanto para convencer-se e convencer-nos de que somos umas porcarias, válidos, lúcidos e inseridos no contexto por uns meros 60 ou 70 anos.

O velho cristianismo dizia o contrário: isso aqui é uma porqueira, mas se a gente agüentar firme, com fé, sem revoltar-se, vai sem escalas para o paraíso eterno. Os jovens católicos e outros progressistas (ou esquerdistas) da Igreja estão certos, naturalmente, quando dizem que essa imagem de cristandade serviu de pretexto para que os ricos explorassem os pobres crentes que iriam à forra no além. Um dos motivos principais das perseguições de revolucionários franceses, russos e outros à Igreja era exatamente esse. Esse também era o motivo do sucesso da Igreja tradicional junto às camadas dirigentes, as quais, na hora da morte, pediam perdão pelos seus pecados terrenos.

Claro, estou fazendo uma caricatura. Todo mundo sempre acha que está fazendo o bem. Qualquer teólogo pode produzir 300 textos “antigos” da Igreja contra a exploração do homem pelo homem (e os materialistas outros 300, onde a posição se inverte). Culturalmente, porém, o divisor de águas entre a nova e a velha Igreja é a militância social. Nenhum católico progressista ou moderno admitiria dizer hoje, como São Paulo: “Os senhores poderão ir à igreja acompanhados de seus escravos.” Os católicos do tipo Olavo de Carvalho, por sua vez, nem deixariam os escravos entrarem.

Algumas pessoas acreditam que uma das conquistas revolucionárias do cristianismo foi a conceituação da inviolabilidade do indivíduo, a valorização por igual de todas as almas perante Deus. Paradoxalmente, ao mesmo tempo que rejeitava como transitória a vida neste vale de lágrimas, defendia essa vida para todos os homens, sem distinções, condenando inclusive o direito ao suicídio. De qualquer maneira, só quem conhece História sabe o tournant que esse pensamento representou no destino humano.

Não estou sugerindo que o cristianismo fosse cumprido à risca em qualquer época. O darwinismo, antes de Darwin postulá-lo, é que sempre foi a lei da Terra. E não raro manipulado pelos mentores do próprio cristianismo “pela maior glória de Deus”, slogan que um comunista do passado converteria para “em defesa da revolução proletária”. Por trás do blá, blá, blá, naturalmente, processava-se a sobrevivência dos mais aptos. Mas, dizem, o cristianismo fincou a idéia da inviolabilidade do ser humano, ao menos na consciência das chamadas minorias esclarecidas. Mesmo os humanistas ateus e materialistas que o combateram como corrupto, esclerosado e inconsistente com a realidade do mundo, a partir do Séc. XVIII, teriam aceitado a premissa cristã do direito individual, que inexistia (?) na Antigüidade.

De qualquer maneira, em nosso tempo é que houve uma curiosa reversão. As ideologias modernas põem um abstrato bem coletivo acima do indivíduo. Os maiores crimes, de Hitler, Stalin, Pol Pot e o diabo lá sabe quantos mais, foram e são cometidos em nome dos ideais exaltados da democracia, do comunismo e da herrenvolk (os nazistas, a bem da verdade, eram mais sinceros do que os outros em seu darwinismo, botando pra quebrar em benefício próprio, escancaradamente). Há nisso também um paradoxo. O materialismo declara finita a vida do homem na Terra. E, no entanto, os ideólogos do salvacionismo pela política acham justo o sacrifício de milhões de indivíduos — sem vida eterna — em favor de uma hipotética sociedade justa no futuro. Há método nessa loucura, mas loucura é.

George Orwell está certo quando diz que ideologias, filosofias e crenças de toda espécie perdem todo e qualquer sentido se desacompanhados de um respeito decente pelo próximo. A opção, em última análise, tem de ser moral. A pergunta que nos devemos fazer é: você gostaria de ser tratado como milhões de seres humanos são tratados por aí? Ainda que pela “maior glória” do Deus que você adorar?

Quanto maior a repressão ética, maior a violência repressiva de seus proponentes, como se a grandeza dos fins exigisse uma baixeza equivalente dos meios usados para alcançá-la.

A meu ver, nada disso mais dá pé. Por exemplo, duvido que uma “nova” igreja, mesmo moderninha, volte a interessar à maior parcela pensante da humanidade. Quanto ao padre sujo, de batina puída, de pasta corroída, onde se encontra o mapa do Céu, que ele nunca nos mostra, preferindo descrever a planta do inferno, esse já era. Aliás, porcaria e moralismo, se não são inseparáveis, dão-se muito bem. O odor da “santidade” de São Jerônimo, cuja intolerância do gênero humano fez com que ele impedisse sua mãe de vê-lo quando ele estava à morte, tornou-se um caso clássico da psicanálise. Essa relação do homem com detritos, seus e externos, é uma forma de expressão sexual, segundo Freud. Esse item do conhecimento já deve ter entrado nos seminários depois que João XXIII levantou a tampa do sarcófago, mas no passado ainda se admirava São Francisco de Assis provando cocô de burro (relutantemente, diga-se em favor dele), como punição por suas insignificantes transgressões monásticas.

E duvido que reformem o socialismo, seja lá o que isso signifique, bem como qualquer outra utopia. E, muito menos, o establishment norte-americano vai se corrigir. Vai é manter ilesa sua estrutura, como deseja a plutocracia esclarecida dos EUA. A economia americana é mais ou menos igual a imperialismo. Exige uma crescente expansão imperialista. Ponto final.

Sem falar que certos lugares estão acordando. Para ficar num só: a Rússia está renascendo, aos trancos, como de costume, mas está.

Os antigos sistemas pifaram. Muita coisa feia ainda vai acontecer. Nossa década talvez ainda seja lembrada como uma calmaria igual àquela que quase destamancou o Pedro Álvares.

63 comentários:

Heitor Abranches disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Heitor Abranches disse...

Parabens Andre,

Acho que esta na hora de torna-lo um contribuinte permanente do nosso blog!

E vai que a gente precise de um advogado.

André disse...

Espero q a gente nunca precise de um advogado.

Gente q faz muito mais barulho na internet, q se expõe muito mais, pois é obrigada a enfrentar as piores coisas e pessoas no Brasil diretamente, enfim, alguns jornalistas e pensadores por aí, não tem precisado de advogado. Não tem sido processados, he, he.

Então acho q não vamos ter problemas sérios, mesmo q venhamos a fazer muito sucesso um dia.

Sucesso, essa coisa efêmera... passageira...

Mas se precisarmos de defesa, tem eu aqui. E também conheço um monte de advogados.

Heitor Abranches disse...

E ainda tem gente que diz que o Lula e bobo...

Hoje, depois da aprovacao da CPMF na Camara o governo entregou o cargo de presidente da BR ao Dutra do PT e a diretoria de Gas para a Graca...os dois machos do governo Lula.

Na verdade, pelas suas costas, porque ninguem tem coragem de chama-las de frente a Dilma e chamada de Dilmao e a Graca e chamada de Caveirao...

Caveirao porque? Por que ela e feia, blindada(Dilmao) e ja entra atirando....

Heitor Abranches disse...

Dizem as vitimas que ja participaram de reunioes com ela que elas enr... mesmo e com direito a areia...

Os seus aspones ja estao acostumados a andar com um tubinho de KY....

O do Dilmao...dizem tem uns 30 cm...O ultimo que sentiu a cutucada foi o professor Ildo Sauer.

Heitor Abranches disse...

O Gabrielli que se cuide...

De candidato a governador da Bahia derrotado a protegido do Jacques Wagner e projeto de executivo da estatal que somente no ano da eleicao contratou 10.000 pessoas...

Agora ele tem uma executiva de verdade na diretoria...Pode ser considerada grossa, desequilibrada e casada com uma cara de reputacao esquisita mas pelo menos ela e uma executiva de carreira.

Heitor Abranches disse...

Quanto ao Dutra vai para o lugar certo...

Para a BR...um lugar importante para a eleicao do ano que vem....

Os Correios, a BR e o BB sao as estatais com a melhor logistica no interior....entre outras coisinhas.

Heitor Abranches disse...

Falado nos executivos do Lula eu diria que houve uma melhora...

O Temporao parece um sujeito serio

O ministro da Educacao parece tbm ser alguem de capacidade...

Enfim, em 35 ministros ttinha que ter alguem bom...

André disse...

Claro que, se me perguntarem, vou dizer que a presença de petistas em geral em QUALQUER cargo estatal (começando pelo “cargo” de Presidente, desmoralizado por Lampião, até o cargo mais baixo possível) me incomoda. Mas há certos lugares onde é particularmente triste ver essa gente: Petrobrás, p. ex. BNDES. O BB, local tradicional de saque. Os Correios. A parte de Defesa, totalmente largada, menosprezada, como sempre foi. Enfim, essas áreas mais sensíveis, mais estratégicas. Imagine o q esses petistas não devem desviar de dinheiro, os rolos q eles não fazem nesses lugares... O INSS nem tanto, pq aquilo é uma zona, um buraco negro q precisa ser eliminado, parece nunca ter prestado mesmo, mas é outro lugar “bom” pra essa gente. E a grana dos fundos de pensão, não sei na mão de quem eles estão hoje, mas e quando era o Gushiken quem vivia metido nisso? Gushiken, q não fazia nada o dia inteiro, q um tio meu em SP, lá nos anos 80, via todo santo dia enchendo a cara, bebendo até cair, no barzinho ao lado do sindicato dos bancários de SP (ele por acaso trabalhava num lugar em frente ao sindicato). Um bando de sindicalistas, de “socialistas de merda”, controlando dezenas de bilhões de reais assim, de cara. É deprimente.

E tem a CPMF, não vamos nos esquecer...

A Dilma parece mesmo um Dilmão. Essa Graça, não estou lembrado da cara dela agora, mas já devo ter visto. E a Suplicy, em fotos e mais ainda ao vivo, parece um travesti. Esquisitíssima.

“Os seus aspones ja estao acostumados a andar com um tubinho de KY” Imagino... Se não desse muito na vista, essas mulheres andariam logo de óculos Ray-Ban, mascando fumo e, toda vez q passasse uma secretária bonita, diriam: “E aí, gatinha? Tem programa pra hoje à noite?”

Esse tipo (Dilmão) chegada numa AK-47, numa guerrilha urbana, não sei não... devem virar uma garrafa de tequila como se fosse água. Mesmo levando em conta q esse pessoal de esquerda tinha muita pose, mas quando davam de cara com os militares, não necessariamente unidades de elite, muitasvezes soldados crus, só levavam ferro.

É aquela síndrome de Che Guevara: toda a pose do mundo, mas zero de capacidade, de habilidade em combate, de saber fazer a coisa. Guerrilha não é uma guerrinha pequena, é guerra. E ser um guerrilheiro é bem mais do q sair por aí escrevendo diários utópicos românticos. Na verdade, Guevara parecia ter apenas um requisito: frieza. Só q a frieza dele se limitava àquela de executar gente ajoelhada em campos de prisioneiros contra-revolucionários em Cuba. O q está mais pra covardia pura e simples, convenhamos. Mas pq será q ninguém fala dessa fase dele? Pois isso realmente aconteceu, não é brincadeira. Agora, frieza em combate, isso é outra história...

É, esse Temporão parece q trabalha pra valer. O da Educação também.

Mas 35 ministérios... a gente deveria ter uns 12 e olhe lá.

Heitor Abranches disse...

Seguem algumas frases de Marx, o verdadeiro grande pensador, o Grouxo Marx para escolhermos uma para o nosso lema rotativo. O que vcs acham?

A man's only as old as the woman he feels.
A woman is an occasional pleasure but a cigar is always a smoke.
Anyone who says he can see through women is missing a lot.
Behind every successful man is a woman, behind her is his wife.
From the moment I picked your book up until I laid it down, I convulsed with laughter. Someday I intend on reading it.
Go, and never darken my towels again.
I don't care to belong to a club that accepts people like me as members.
I find television very educational. Every time someone switches it on I go into another room and read a good book.
I have had a perfectly wonderful evening, but this wasn't it.
I never forget a face, but in your case I'll be glad to make an exception.
I remember the first time I had sex - I kept the receipt.
I was married by a judge. I should have asked for a jury.
In Hollywood, brides keep the bouquets and throw away the groom.
Marriage is a wonderful institution, but who wants to live in an institution?
Marry me and I'll never look at another horse!
Military intelligence is a contradiction in terms.
Next time I see you, remind me not to talk to you.
One morning I shot an elephant in my pajamas. How he got into my pajamas I don't know(often misquoted as "I'll never know.")
Quote me as saying I was mis-quoted.
There is one way to find out if a man is honest; ask him! If he says yes you know he's crooked.
Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others.
Whoever named it necking was a poor judge of anatomy.
Why, I'd horse-whip you if I had a horse.
Time flies like an arrow; fruit flies like a banana.
I thought my razor was dull, then I heard his speech

André disse...

As de q mais gostei:

A man's only as old as the woman he feels.

I have had a perfectly wonderful evening, but this wasn't it.

Marriage is a wonderful institution, but who wants to live in an institution?

Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others.

Whoever named it necking was a poor judge of anatomy.

I thought my razor was dull, then I heard his speech.

Bocage disse...

Muito bom artigo, caro André.

"O velho cristianismo dizia o contrário: isso aqui é uma porqueira, mas se a gente agüentar firme, com fé, sem revoltar-se, vai sem escalas para o paraíso eterno."

O cristianismo é a negação da vida, da natureza. Nele o natural é antinatural, o inocente deve morrer pelos culpados, a morte é a entrada para a vida real, esta vida é a própria morte, nele o mundo é um engano.
Cristianismo sim é um engano, uma porca de uma mentira.

André disse...

É, grande Bocage, eles e outros (outras religiões) negam a vida, condenam várias das coisas boas nela (como o sexo, a não ser se praticado com um monte de restrições), tentam transformar o antinatural e o improvável em natural e provável, etc, etc. E querem dar a impressão de q estamos vivendo um engano, uma meia-vida provisória. Mesmo q haja algo maior depois dessa vida, ou alguma forma de continuidade, não importa: eles não tem o direito de nos dizer como essa vida deve ser vivida, muito menos sair por aí descrevendo a próxima, a além-túmulo. Minha família é toda católica “meio” praticante, alguns muito praticantes e outros espíritas kardecistas, q no fim é uma forma de catolicismo místico, moderninho. Desde q não torrem minha paciência, tudo bem. Não tenho problemas com isso, com gente tentando me converter, pelo menos dentro da família. O ruim é q as conversas sobre religião não vão muito longe. Todo mundo aceita tudo, acredita em tudo. As pessoas querem acreditar, algumas desesperadamente. Ninguém quer entender nada, até pq poucas pessoas são curiosas. E o grau de tolerância com religiões muito diferentes, exóticas ou distantes é baixo, claro, o q é um erro. Eu até gosto de história das religiões, p. ex., apesar de não estar nessa por uma questão de dúvida interior, de "aflição", de falta de fé, essas coisas. É só curiosidade cultural.

Mas olha só, faz umas duas semanas saiu aquela notícia de q a Madre Teresa de Calcutá teria tido sérias dúvidas religiosas, teria questionado sua fé. Interessante, se alguém tivesse se aprofundado no assunto, mas sabe como é: fizeram aquelas reportagens pasteurizadas, comportadinhas, todas dando a entender no final q, bem, "essas coisas acontecem", vamos lá, vamos perdoar a "santa", afinal de contas, todo mundo tem direito a se questionar de vez em quando. Desde que retorne à fé, claro. Se ela, vamos supor, tivesse questionado mais e mais dogmas e lá pelas tantas tivesse largado a Igreja, hoje ninguém saberia quem foi essa mulher.

E será q ela foi essa coca-cola toda q dizem? Dizem q aconteciam coisas estranhas naquele hospital dela, que houve até uma época em q antibióticos e outros itens da medicina moderna nem sempre eram bem recebidos por lá (muitas vezes, crianças q poderiam ter sido tratadas com procedimentos e remédios simples e acessíveis morriam de infecções, pneumonias, etc, por puro capricho dela e de algumas de suas “irmãs”). Andaram fazendo denúncias também sobre uma certa seletividade exagerada, extrema, na hora de pegar os pobres nas ruas de Calcutá para tratamento, parece q nem todo mundo tinha chances iguais no esquema. Depois q essas histórias apareceram, a coisa pegou tão mal q elas tiveram q mudar alguns hábitos e regras, já q viram q estavam sendo observadas. Antes elas faziam o q bem entendiam, seu poder era considerável na cidade.

Mas nada disso mais importa, pq ela morreu, virou santa e quem criticá-la sempre será rotulado de “anti” alguma coisa ou ateu.

Por falar em religião, um cara chamado Peter Godman escreveu um livro, O Vaticano e Hitler, bastante moderado, e com apoio total da biblioeca do Vaticano, com bastante acesso (se total, não sei). O livro é bom, mostra Pio XII como o q ele provavelmente foi, um cara q viu o perigo do nazismo e o q vinha pela frente, mas que ficou com medo. Só q também era um cara vacilante, isso foi o grande mal. Pois não há nada de errado em ter medo: o negócio é o q a gente faz quando tem medo. E ele ficou paralizado, pra depois se acomodar. Acho q se ele tivesse ficado abertamente contra o Vaticano teria sido mesmo um desastre. Hitler teria arrasado com a Igreja sem maiores escrúpulos. Deu uma de cristão piedoso o tempo todo pq conseguiu um acordo velado com ela. Mas acho q se tivesse havido um confronto aberto, ele teria estraçalhado a Igreja. Guerra declarada, nem pensar. Mas havia outros caminhos. Pio XII poderia ter mobilizado a Igreja para salvar gente pra burro dos campos de extermínio, poderia ter dado certo. O Vaticano tinha condições de fazer isso.

Acho q muita gente, contra a e na Igreja, não deve ter gostado desse livro. O autor ficou longe do modismo de chamá-lo de “Papa de Hitler”. Por outro lado, não ficou exaltando nenhuma qualidade católica, muito pelo contrário. Expôs toda a politicagem nojenta e o jogo de interesses desse q é um centro de poder, um tipo de empresa, de negócio, além de um "ator" geopolítico antigo. Não é nem um pouco sensacionalista, não há revelações bombásticas e a análise é fria. Mas tudo bem, ele traz aqueles relatórios apostólicos sobre os bastidores, que são muito interessantes: a covardia de Mussolini, q se borrava de medo de Hitler (afinal, esse sim era mau, capaz de qualquer coisa. Mussolini tinha seus limites, se assustava com a frieza do austríaco); a briga entre os católicos de Roma e os da Alemanha, q nunca se entenderam direito. A facção anti-nazista na Alemanha era considerável, mas o Vaticano se perdeu em picuinhas e, quando viu, a maioria dos cardeais e bispos alemães ou estava com a faca no pescoço ou já tinha perdido o medo de se declarar abertamente pró-nazista, os que já eram. Foi um desastre e uma vergonha. Por último, o livro dá a entender q a Igreja nunca foi uma entidade monolítica. O centro tinha um controle danado pra controlar a periferia, muitas vezes fracassando. Nada disso, porém, justifica a paralisia relativa da Igreja durante a guerra. Eles certamente poderiam ter feito muito mais por baixo dos panos, clandestinamente. Nem q fosse só pra tirar gente às pressas da Europa.

Pio XII, Mussolini e uns caras queriam excomungar Hitler. Seria o início da porrada. Mas isso daria rolo, óbvio. A idéia morreu rapidinho. Hitler era um tipo imprevisível, explosivo. Sabe-se lá no q isso daria. Mas ficou registrado q eles queriam fazer isso. Só faltou coragem, caráter e força moral pra enfrentar o "Mal".

Aliás, o que levou Peter Godman a escrever o livro foi não conseguir entender como um povo civilizado e culturalmente tão avançado como o alemão fez o q fez e como a Igreja ficou tão parada diante disso. Excelentes motivos. Nem eu consigo entender essas coisas, às vezes é quase surreal.

André disse...

Correção:

“Acho q se ele (Pio XII) tivesse ficado abertamente contra Hitler (não contra o Vaticano)”

“O centro tinha um trabalho danado pra controlar a periferia...”

Heitor Abranches disse...

Nao creio que o cristianismo seja ruim ou o islamismo creio que o problema esta nas pessoas que distorcem tudo.

Na opiniao de alguns teologos, a primeira obrigacao de um monge nao e amar a Deus mas obedecer.

A obediencia neste sentido seria o inicio da compreensao e o inicio da Verdade e o inicio do caminho se preferirem.

Por exemplo, as religioes falam em amor mas as pessoas nao ouvem. Os livros sagrados falam em muitas coisas mas as pessoas entendem o que querem entender.

Ninguem obedece, ninguem aceita...

Todo mundo quer dar um palpite...

E igual a uma obra...Vc manda um sujeito executar uma tarefa X e ele executa uma tarefa X+1...Ele simplesmente nao consegue fazer o que foi mandado.

Enfim, se todo mundo quer entender alguma coisa diferente nos textos sagrados entao eles nao servem para nos...

E neste sentido...eu diria que os chamados clerigos tem esta dificuldade tbm e apesar de se vestirem e se dizerem representantes de Deus muitos deles sao surdos como nos e mais hipocritas porque dizem que falam em nome de algo que muitos deles mesmos nao vivem.

André disse...

Concordo, o mal está nas pessoas q distorcem as coisas. E poucas pessoas vivem o q pregam ou seguem o q costumam defender, "receitar" para os outros.

Bocage disse...

"Nao creio que o cristianismo seja ruim ou o islamismo creio que o problema esta nas pessoas que distorcem tudo."

Isto suscitaria discussões as mais acaloradas, rsrs.

"o mal está nas pessoas q distorcem as coisas"

É natural que tenham distorcido. Uma doutrina impossível de ser seguida não é páreo para a “natureza humana das pessoas”, rsrs. O sentimento de culpa que a inobservância gera é, por certo, cuidadosamente manipulado pelas "pessoas" que detêm os direitos de divulgação da fé.
Contudo, maiores seriam os danos se a cristandade seguisse de fato os ensinamentos contidos nos Disangelhos.

Heitor Abranches disse...

bocage,

nao creio que a biblia seja a palavra de Deus. nem tampouco que muito do que esta escrito ali atende a questoes doutrinarias ao longo da construcao da fe.

entretanto...

creio que existe a Verdade la...

O que e a Verdade?

A Verdade e fruto da aceitacao e da obediencia.

Por exemplo, suponhamos que eu nao aceite que sou preguicoso, entao eu nego este fato.

A aceitacao pode gerar dor e nos nao suportamos muita dor portanto nossa percepcao da Verdade deve respeitar este limite.

A culpa e a insatisfacao sao irmas e e um tipo de narcisismo alimenta-las. Existe tanto a ser feito alem de sentar-se e lamentar por si mesmo.

O narcismo e realmente algo mais perigoso do que imaginamos...Os jovens estudantesinhos que querem mudar o mundo porque e mais facil do que se adaptar a ele ou porque acham que podem...Muita negacao e narcisismo juntos...

Enfim, o fato e que nao conhecemos o cristianismo de fato...

André disse...

É cada uma q me aparece:

Vou ter q comprar um monte de livros jurídicos, pq os meus andam velhos, e estava fazendo umas pesquisas, perguntando para conhecidos, pra não comprar porcarias mal atualizadas de autores já mortos, pra saber das novidades na área.

E aí vi uma coisa engraçada na internet: o currículo de um famoso autor de livros de direito penal. Lá no final do currículo dele, está escrito assim:

“É Embaixador de Cristo”.

O Céu já abriu uma embaixada aqui na Terra?

************************

Lá vamos nós discutir a Verdade de novo. Mas acho isso bom, importante. Alguém disse q o último filósofo a discutir a Verdade seriamente foi Nietzsche, ao q parece.

O narcisismo em doses homeopáticas não faz mal, mas em excesso é coisa de impotentes frustrados. Imagine o tamanho do narcisismo de um Hitler, de um Mao. Acho q era Schopenhauer quem dizia q Napoleão e Robespierre não eram nada diante dos milhares de pequenos Napoleões e Robespierres q existem por aí, mas dos quais a gente nunca ouvirá falar. De haver mesmo milhares de pequenos “reformadores” (dos outros, não de si mesmos) no mundo.

Bom, claro q há gente extraordinária, sob vários aspectos, no crisitanismo, no islamismo, etc, mas acho q isso se deve à natureza dessas pessoas, não tendo muito a ver com as religiões em si, nem com suas doutrinas.

E, por falar em religiosos acima da média ou "diferentes", já conheci dois padres católicos q rendiam boas conversas, gente extremamente culta e inteligente. E de mente aberta — se por “mente aberta” a gente entender uma pessoa que não faz restrições de assunto, que conversa sobre qualquer coisa.

Pena q isso é tão raro. E não devemos nos deixar enganar por essas exceções, pq a regra é outra coisa...

Catellius disse...

Excelente, André!

Desculpe-me pela ausência! Vamos deixar este post mais um dia, por favor. Vou tentar comentar tudo que me chamou a atenção, inclusive daqui da caixa de comentários.

Abração!

André disse...

Sem problema, vc deve estar trabalhando muito.

Ricardo Rayol disse...

Caraca, mesmo que encontre respeito decente pelo proximo duvid que algusndos sistemas e crenças que conheço sejam considerados bons. E a Igreja da perdição eterna já era, viva a igreja libertária oportunista.

O+cioso disse...

Só passei aqui pra mandar todos vcs pastar, kkkk.

Meu Deus! Foi-se a Simone, o C. Monstro, a Divine Brown e seus avatares, e o Catéquitus tá "trabalhando", huhuhu. Quando só restarmos eu e o Catéquitus ele me convidará para ser membro, apagarei todos os posts e mudarei o nome do blog, kkkk. Vai ficar uma belezura, huhuhu.

Heitor Abranches disse...

o+cioso,

Quando vc fizer igual ao Lula e se tornar o o+cioso light nós poderemos pensar em aceitá-lo como contribuinte permanente do blog.

Heitor Abranches disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

"O que e a Verdade?
A Verdade e fruto da aceitacao e da obediencia.
Por exemplo..."

É esta a tua definição de Verdade?
A Verdade independe de nossas crenças e atitudes, é nisso que creio, rsrs. Confesso que até hoje não compreendi o que queres dizer quando falas em "Verdade".

Heitor Abranches disse...

Vou tentar ser mais claro...

Hj encontrei uma amiga que trabalha no Planejamento Estrategico de uma empresa. Ela me dizia que a empresa nao tinha tido prejuizo em um negocio que todo mundo sabia que tinha.

Eu nao me contive e falei que achava incrivel era defender aquela posicao...

Ela replicou que era engenheira com mestrado em economia...

Francamente, acabamos nos exasperando...

A meu ver quando alguem apesar de ter a capacidade tecnica para entender se nega a entender alguma questao entao isto decorre de uma negacao de natureza emocional.

Esta natureza emocional obscurece a nossa razao e impede que algumas conclusoes triviais sejam atingidas apesar de uma pessoa ter uma boa formacao e um alto coeficiente intelectual.

Acredito que esta capacidade esteja ligado a um estado emocional mais aberto, mais receptivo, menos negativo...

Este estado pode permitir que a pessoa aceite as implicacoes de um determinado fato...

E algo a la Sao Francisco...Ter discernimento para aceitar o que nao pode ser mudado e vontade para agir sobre o que pode...

Acredito que este estado mais receptivo, mais alerta, seja algo mais valorizado em algumas praticas religiosas como a cerimonia do cha zen.

Heitor Abranches disse...

Neste sentido, creio que algumas praticas religiosas buscam aproximar as pessoas de si mesmo e da 'Verdade'.

Catellius disse...

Grande André,

“Quem esperava a Igreja Católica refletida por João XXIII?”

O Concílio Vaticano II é considerada por muitos católicos a única página negra da ICAR. Em vários sites conspiratórios denuncia-se uma suposta infiltração protestante e judia, sites como o Montfort.org.br o consideram uma heresia... Ratzinger trabalhou como teólogo durante o CVII e depois passou a combatê-lo. Hoje torce o focinho de raposa quando falam nele. Diz que foi apenas pastoral, ou seja, que não deve ser seguido. Por isso trouxe de volta a missa em latim. Quem sabe algum dia o "pérfidos judeus" não retorne ao missal da Semana Santa?

“Toda a filosofia moderna destina-se a demonstrar o caráter finito do homem, sua prisão dentro do corpo. Cumprida a nossa sentença na Terra, acabamos.”

Acho que isto não é tanto matéria para a filosofia. Pela biologia, medicina, química, pela genética chega-se a estas conclusões. Nada do que foi já atribuído à alma não atribui-se hoje ao cérebro. Então a alma e a sobrevivência da consciência à morte não devem sequer ser consideradas hipóteses. São pura e simplesmente velhas e ridículas crenças. Hoje, se encontrarmos um "cristão" que credite ao coração as emoções o consideraremos um belo de um parvo. Mas achamos normal a crença em alma, em um fantasminha com o formato de um ser humano que só se desprende dele quando o coração cessa de bater (ou quando há morte cerebral, he he, pois hoje os crentes se "modernizaram"...).

“O velho cristianismo dizia o contrário: isso aqui é uma porqueira, mas se a gente agüentar firme, com fé, sem revoltar-se, vai sem escalas para o paraíso eterno.”

É como o Bocage escreveu. Para o antinatural cristianismo a realidade não é o real, a vida começa com a morte, a lógica chama-se lógica humana, a razão chama-se razão humana; é o império das falsas premissas sobre as quais os teólogos fingem usar a razão para provar que o branco é, na verdade, preto.

“Culturalmente, porém, o divisor de águas entre a nova e a velha Igreja é a militância social. Nenhum católico progressista ou moderno admitiria dizer hoje, como São Paulo: ‘Os senhores poderão ir à igreja acompanhados de seus escravos.’”

Essa “militância social”, na verdade uma mera intermediação entre os assistidos e os filantropos, é conseqüência da perda de poder da Igreja. Com a democracia, o poder de barganha (ou chantagem) junto à classe dirigente deixou de ser as promessas metafísicas e as ameaças de excomunhão e execração pública para ser a capacidade de influenciar a “consciência” de eleitores. Assim, as religiões se adaptaram incrivelmente à realidade democrática. São a prova viva da Evolução. Hoje são mais hipócritas do que eram antes do Iluminismo, quando não vestiam a pele de cordeiro.

“Algumas pessoas acreditam que uma das conquistas revolucionárias do cristianismo foi a conceituação da inviolabilidade do indivíduo, a valorização por igual de todas as almas perante Deus.”

As pessoas podem acreditar no que quiserem, he he, até que o cristianismo inventou o indivíduo... (essa foi para você, Heitor, he he, com todo o respeito.)

“Mesmo os humanistas ateus e materialistas que o combateram como corrupto, esclerosado e inconsistente com a realidade do mundo, a partir do Séc. XVIII, teriam aceitado a premissa cristã do direito individual, que inexistia (?) na Antigüidade.”

Como o direito individual inexistia na Antigüidade? Não era universal, claro. Duvido que reconhecessem os mesmos direitos no patrício e no estrangeiro, no senhor e no escravo.
Mas desde quando a cristandade, em algum momento de sua história, reconheceu direitos individuais em pagãos, hereges, infiéis, escravos cujos trabalhos pesados usou e abusou nas colônias, etc.?
Embora não tenha influenciado a Europa, no Império de Mali, no ano de 1222, foi proclamada a Carta de Mandén, que passou a ser transmitida oralmente. A Carta tinha como princípio o respeito à vida humana, a liberdade individual e a promoção da solidariedade. Abolia a escravidão, na época muito comum na África Ocidental. Quero demonstrar com isto que o conceito de direito individual é uma conquista de civilizações que almejam a harmonia, não é uma “premissa cristã”, não nasceu de preceitos religiosos enfiados goela abaixo.
Hoje, o budista deve achar que os direitos individuais vieram do budismo, he he. Mas antes dos criminosos chineses comunistas entrarem no Tibet lá não era nenhum paraíso, como vemos nos filmes. Os monges exploravam a população do modo mais sórdido, a teocracia religiosa era podre como é qualquer teocracia religiosa. Sempre. Mas viraram os bonzinhos porque foram perseguidos, he he. Esse Dalai Lama é um inútil, uma espécie de Lair Ribeiro cujos "ensinamentos" não fedem nem cheiram. Certamente adora falar em direitos individuais... Quem é louco hoje de não exaltá-los? Até Saddam fazia isso, he he.
A revolução pelos direitos individuais não partiu da Igreja Católica mas dos que se opunham veementemente ao poder de que ela usufruía. Ela, como era de se esperar, lutou contra tais ideais para manter o status quo.
Gostaria de conhecer os argumentos desses humanistas ateus. Depois você dá nome aos bois, he he. :)

“Há nisso também um paradoxo. O materialismo declara finita a vida do homem na Terra. E, no entanto, os ideólogos do salvacionismo pela política acham justo o sacrifício de milhões de indivíduos — sem vida eterna — em favor de uma hipotética sociedade justa no futuro. Há método nessa loucura, mas loucura é.”

Pouco antes você cita Hitler. Hitler era um metafísico. Isto que você falou não se aplica a ele. Quanto a Stalin, Pol Pot e outros, o sacrifício de milhões de cidadãos em atrocidades como as marchas forçadas não era sequer justificado mas realizado às escuras. Então, para mim, não apenas isto é paradoxal mas todas as crenças desses malditos lunáticos ideológicos. Assim também classifico bestas como Torquemada, Savonarola e Roberto Belarmino.

“A opção, em última análise, tem de ser moral.”

Eu diria “ética”. Há uma pequena diferença entre uma e outra.

“Os antigos sistemas pifaram. Muita coisa feia ainda vai acontecer.”

Torço para que você esteja errado, mas acho que não está. Em condomínios sempre se dá o mesmo. Sempre encontramos o chato que não quer a reforma do pilotis, a professora petista que reclama do preço do condomínio, o síndico ladrão, o vizinho que arranha o carro do outro, o idiota que coloca música sertaneja no último volume, etc. No condomínio Terra a coisa funciona exatamente assim, infelizmente...

“Nossa década talvez ainda seja lembrada como uma calmaria igual àquela que quase destamancou o Pedro Álvares.”

Boa calmaria, he he.... A começar pelo 11 de setembro...

Abraços a todos!

Catellius disse...

Caro Heitor,

"A meu ver quando alguem apesar de ter a capacidade tecnica para entender se nega a entender alguma questao entao isto decorre de uma negacao de natureza emocional."

Muito bem.

"Esta natureza emocional obscurece a nossa razao e impede que algumas conclusoes triviais sejam atingidas apesar de uma pessoa ter uma boa formacao e um alto coeficiente intelectual."

Bravo! Só discordo da conclusão que você chega a partir dessa certíssima constatação. As religiões são essencialmente emocionais. Se quiser a verdade, afaste-se das emoções vendidas pelas religiões e por quaisquer ideologias. Use sua “capacidade técnica" – a massa cinzenta - para chegar à verdade.

Quanto à obediência religiosa ser o inicio da compreensão e o inicio da Verdade, do caminho, penso que é justamente o contrário. Acho isto terceirizar o cérebro.
Hoje é fácil encontrarmos homo-religiosus de espírito mais livre que analisam as doutrinas de diferentes religiões antes de optar por aquela que seguirão; estão a julgá-las com a própria consciência; já estão imbuídos dos valores que querem seguir por "obediência"... Isto é esquisito; é contratar um corretor depois de já ter o comprador do imóvel.
Eu dispenso os intermediários da ética do mesmo modo que dispenso a obediência que não seja à própria consciência mantida a salvo de quaisquer ideologias que a possam corromper. Agir de acordo com a consciência não basta. Muitos nazistas "apenas seguiam a consciência". É preciso mantê-la longe de ideologias e de apelos emocionais, de wishful thinkings, de preconceitos, é preciso atrelá-la ao bom senso e à razão.

Acho que você está falando em honestidade. Quem é honesto chega mais rapidamente à verdade. Se for esse o sentido, concordo em gênero, número e grau.

Chega quando a Brasília?
Grande abraço!

André disse...

Heitor, já ouvi respostas como essa q vc ouviu, diante de negativas absurdas, evidentes: “eu sou não sei o quê com mestrado (ou doutorado) nisso e naquilo”. É um cala-a-boca mesmo q a pessoa quer dar na gente. Em Direito é assim: “vc é o quê? O que vc faz? Eu sou Juiz. Eu sou Procurador da República” ou “esse cara que disse isso q vc não aceita é um juiz, um...”. Vale o que vc faz, não o que vc é, nem quem vc é (esse “quem” só vale alguma coisa se relacionado ao seu cargo ou profissão, claro). Seu emprego é mais importante do que o que vc pensa e... diz.

“O Concílio Vaticano II é considerada por muitos católicos a única página negra da ICAR.” Esses idiotas vêem judeus em tudo, não é mesmo?

O Montfort.org.br é ridículo, he, he.

“Então a alma e a sobrevivência da consciência à morte não devem sequer ser consideradas hipóteses.” É, essa é a eterna discussão.

A cristandade só reconheceu direitos individuais em quem ela quis.

Os filmes querem dar a impressão de q todo monge oriental é “legal”.

Lair Ribeiro é um cara indecente. “Programação neurolingüística”...

Falei em humanistas ateus no sentido genérico, não pensei em nenhum em particular.

“Terceirizar o cérebro”, essa é boa.

Heitor Abranches disse...

Catellius,

A obediência, creio eu, é uma disciplina dócil.

O rigor necessário nestas definições requer discernimento, firmeza e uma certa docilidade.

A obediência a que me refiro não é a subserviência.

Infelizmente, as palavras podem ser apropriadas por mentirosos como o presidente do Senado Renan Calheiros que diz que a salvação dele é uma vitória da democracia...

Este roubo e distorção das palavras acaba causando um prejuízo a todos com a destruição do conteúdo informacional das palavras.

Ou seja, os mentirosos e manipuladores são inimigos da linguagem pois suas mentiras destróem os argumentos que usam e são verdadeiras ameaças a civilização.

Neste sentido, a linguagem é uma aproximação da VERDADE mas apenas uma aproximação pois ela não contém a VERDADE em si.

André disse...

“A obediência a que me refiro não é a subserviência.” Certo, é importante não confundir uma com a outra.

“Neste sentido, a linguagem é uma aproximação da VERDADE mas apenas uma aproximação pois ela não contém a VERDADE em si.” É, isso também lembra aquela história de que não há fatos, mas apenas interpretações dos fatos. Claro q há fatos, mas essa é uma boa frase.

Heitor Abranches disse...

Mas falando no Renan, que psicopata amoral, vi uma entrevista de um senador que narrou espantado que ele presidiu a sessão que iria decidir a sua cassação.

Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

Obediência, o que é?

José Adelino Maltez: 17/10/2004

Obediência vem do latim obedientia, submeter-se à vontade de outrem e executá-la. É a acção de realizar a ordem dada por um superior, equivalendo a aquiescência, tácita ou expressa, face a um determinado comando.
A ideia foi particularmente acentuada pelo paternalismo e pelo absolutismo, gerando o modelo do hábito de obediência dos súbditos face a uma entidade superior, o soberano.
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Outra é a perspectiva da obediência pelo consentimento, onde aquele que obedece apenas o faz relativamente à quilo a que dá consentimento, pelo que, de certa maneira, obedece a si mesmo, assumindo-se, ao mesmo tempo, como súbdito e soberano, isto é, como cidadão. É esta a perspectiva do consensualismo. Do mesmo modo se procura a autoridade, aquele quid que procura a obediência espontânea.
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O normal numa comunidade política é a obediência espontânea exigida pela sociabilidade, pelo sentimento comunitário, pelo interesse individual de obedecer e só depois pela coacção, tanto a psicológica, como a virtual ou em potência, dita coercibilidade, ou coacção potencial
Logo, a coacção pode ser entendida como uma afirmação da liberdade. Porque, como refere Jacques Maritain, a autoridade deve ser obedecida em consciência, isto é, da maneira como os homens livres obedecem e no interesse do bem comum. O animal apenas tem obstáculos naturais, não tem liberdade e não sente a coacção. E esta, como ensina Castanheira Neves, não é mais que aquele instrumento de que as colectividades organizadas se servem para impor ao arbítrio a vinculação jurídica válida... a coacção defende a liberdade contra o arbítrio, mas a coacção só será válida se for o instrumento da aplicação de um direito válido e um direito válido é aquele que recebe o seu fundamento e encontra o seu limite na consciência ética, será esta também o fundamento e o limite da coacção aceitável.
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Quem manda, manda, sobretudo, pelo reconhecimento daqueles que estão sujeitos ao mando. Porque todo o poder tende a ser um ofício, um simples poder-dever. Penetra-se assim na zona da autoridade, onde a obediência pelo consentimento é bem diferente da obediência pelo temor.
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Utilizando palavras de Georges Burdeau, a autoridade é assim a qualificação para dar uma ordem, distinta do simples poder que é apenas a possibilidade de ser obedecido. Já não se trata de um dominium servile, produto do pecado, mas antes de um dominium politicum, que já exige legitimidade.
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Como diz Rousseau, ainda o mais poderoso de todos os homens não será suficientemente poderoso, se não souber converter o seu poder em direito e a obediência dos outros em dever. Porque a força é uma potência física, de cujas actuações não pode resultar nenhuma moral.
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Também Schiller refere que a única coisa que torna poderoso aquele que manda é a obediência daquele que obedece.
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Contudo, saliente-se que, na perspectiva do absolutismo, é a obediência que faz o imperante (oboedientia facit imperantem). O soberano é absoluto porque não está limitado a não ser pela sua própria vontade. Não está limitado pelo direito, porque é ele que cria o direito e nem sequer está dependente das próprias leis que edita.
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Porque aquilo que o principe quer, aquilo que o principe diz, tem valor de lei, o direito deixa de ser fundamento e limite do soberano. Também a soberania é vista como um circuito directo de comando, sendo determinada pela adesão ou submissão de um povo relativamente ao seu governo. Por outras palavras, a qualidade soberana, afinal, nasce de um hábito de obediência de uma determinada sociedade face a um superior.
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Mas já Espinosa observava que a obediência não se refere tanto à acção externa quanto à acção anímica interna. Donde resulta que quem está mais submetido a outro, é quem decide com toda a sua alma obedecer- lhe em todos os seus preceitos; assim, quem tem a máxima autoridade, é quem reina sobre os corações dos súbditos.
Para Weber, se o poder enquanto Macht é a mera possibilidade de alguém impor a sua vontade a outrem, mesmo contra a vontade dele, já a segunda forma de poder, Herrschaft, implica a probabilidade de se encontrar obediência, que haja a presença efectiva de alguém mandando eficazmente em outros. Se no Macht o comando não é necessariamente legítimo, nem a submissão é obrigatóriamente um dever, já no Herrschaft, a obediência fundamenta-se no reconhecimento, pelos que obedecem, das ordens que lhe são dadas, isto é, tem de haver consentimento.
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Por seu lado, Alain salientava que o cerne da política estava na relação entre a resistência e a obediência: o cidadão pela obediência assegura a ordem; pela resitência assegura a liberdade, dois termos que não seriam opostos, mas sim correlativos, porque não há liberdade sem ordem e a ordem de nada vale sem liberdade, pelo que haveria que obedecer resistindo, porque um homem livre contra um tirano, tal é a célula da política, isto é, obedecer em corpo; jamais obedecer em espírito; ceder absolutamente e, ao mesmo tempo, resistir absolutamente.

André disse...

Legal esse texto, Bocage. Informativo e didático, sem ser professoral, pedante.

“Outra é a perspectiva da obediência pelo consentimento, onde aquele que obedece apenas o faz relativamente àquilo a que dá consentimento, pelo que, de certa maneira, obedece a si mesmo, assumindo-se, ao mesmo tempo, como súbdito e soberano, isto é, como cidadão.” Boa passagem.

Autoridade e respeito (ser respeitado, se fazer respeitar) para ser obedecido. Civilização é isso. Não apenas isso, mas é.

Todo o resto também está muito interessante.

Agora, imagine se o C. Mouro ainda estivesse aqui (talvez seu ectoplasma ainda esteja, ou sua onipresença, mas não temos como saber se ele ainda nos lê). Depois daquela briga toda por causa de impostos e escravos, acho q iria começar outra por causa da obediência e... da Verdade, com V maiúsculo, he, he.

É, deve ser o darwinismo. Seleção natural. Esse site começou em novembro de 2006. Eu entrei pela 1ª vez aqui em dezembro de 2006, mas só comecei a “conversar” com freqüência lá pra janeiro ou fevereiro, acho. Já passou bastante gente por aqui. Me lembro do Onildo/Blogildo. Uma vez entrei no site dele e no da Patrícia M., até comentei isso com o Catellius num e-mail faz um tempo. Um monte de esquisitices. O Blogildo continua com seu crisitanismo autônomo, rebelde, fazendo releituras fracotinhas de tudo o que é filósofo ou pensador “ateu” ou mesmo levemente crítico do cristianismo. O “norte” dele é a Bíblia e ai de quem criticá-la. Assim como quem tem ouvido de lata (não estou falando de ouvido musical) não saca traduções de texto malfeitas, também não lê nada nas entrelinhas. Ninguém escapa: Gibbon, Nietzsche, Dawkins, etc, todo mundo tem mais furos do que um queijo suíço. Com esse approach, a gente não aprende nada na vida.

Já a Pat M. é a primeira “cavaleira” (amazona é uma palavra muito suave) das cruzadas. No dia em q ela e as vaquinhas de New Jersey terminarem o tal MBA superpoderoso e voltar para nos civilizar, nós, brasileiros, para “catequizar os índios”, waaal... meninos, tremei! Ela já vai chegar no aeroporto fazendo o maior alvoroço. Mas logo ela dá uma paradinha pra tomar um chá virtual na casa da Clarissa, aquela que vive no fim do arco-íris, onde o vento faz a curva, junto com o Lebrechau e seu potinho de ouro — a nossa gnominha, nossa fadinha, que eu pensava ser uma “elfa” de Rivendell, lá da Terra-Média de Tolkien, mas que depois se revelou um Balrog das profundezas de Mordor — e tudo se acerta.

Enfim, faz parte...

André disse...

...e voltarem para nos civilizar...

André disse...

Expulsando os padrecos:

http://execout.blogspot.com/2007/09/belarus-problem-with-polish-priests.html

André disse...

Economia:

http://execout.blogspot.com/2007/09/major-economies-recession-fighting.html

Bocage disse...

Rsrsrsrs

Não duvido de que o C. Mouro esteja a ler isto daqui, rsrs.
Que usufrua melhor de seu tempo a assistir a novela das oito e evite destarte engolir os protestos daquela para a qual seus argumentos pouco valem: a esposa, rsrs. Não lhe importa se a solução para os enigmas do universo está entre o encosto da cadeira e o monitor de um computador conectado à Rede; que o marido esteja à sua disposição, rsrs.

Esses aí que citaste não merecem ser lidos. Mais valeria ler Olavo e Reinaldo, as fontes, que ao menos pensam. Durante a visita do teocrata de sapatilhas vermelhas ao Brasil o Reinaldo escreveu que a doutrina da ICAR assume-se excludente e que a instituição apenas se dirige aos católicos, rsrs. Pronto, tornou-se este o argumento-mestre da descerebrada, sacado após quaisquer acusações à ICAR. O outro escreve sobre o Foro de São Paulo como se estivesse denunciando uma reunião secreta dos Illuminati, rsrs, Passou a repetir, alvorotado, o conteúdo alarmista dos vídeos do Nãolavo o Caralho, às cegas, por mera confiança. Crente não tem jeito mesmo, rsrs.

André disse...

O Reinaldo fica ridículo quando começa a defender a igreja católica com aqueles argumentos históricos metidos a sofisticados, é muito chato. Ele adora essa conversa de q a igreja agora só se dirige aos seus fiéis e de q “ninguém é obrigado” a ser um deles. Tudo agora virou uma singela questão de opção. Que lindo...

Catellius disse...

Grande André,

"Seu emprego é mais importante do que o que vc pensa e... diz."

Concordo que quando você não tem outros meios para avaliar algo e se vê obrigado a confiar, antes confiar em um motorista profissional, em um cientista, em um juiz, em um arquiteto. Há menos chances de errar. Mas não é garantia de que o motorista não fará o automóvel voar e aterrissar da pior maneira possível, de que o cientista fará ciência e de que o juiz será justo. Obviamente, um "e quem é você?" e um "sou juiz" não servem de argumento senão para idiotas obedientes no sentido de subservientes mesmo...

"Esses idiotas vêem judeus em tudo, não é mesmo?"

Os cristãos usurparam o Messias dos judeus, que viria para cumprir TODAS as profecias e não para fazer novas e estapafúrdias promessas, e usurparam seu livro sagrado para lê-lo à luz do infecto Novo Testamento. A própria existência de judeus é uma crítica ao cristianismo, pois os donos da própria história negam a interpretação que lhe deram os bárbaros germânicos e os romanos cristianizados. Não é à toa que para os cristãos os judeus sempre tenham sido um grande incômodo. Não haveria a palavra "anti-semitismo" sem "cristianismo".

"É, essa é a eterna discussão (a alma e a sobrevivência da consciência à morte não devem sequer ser consideradas hipóteses)."

Querer que exista alma é totalmente diferente de existir alma. Eu bem que gostaria de continuar a existir após a minha morte. Segundo o senso comum mudamos de fase, de casulo (útero) para larva e para borboleta, mas a larva não vê borboletas e tudo o que tem são relatos de larvas que viram borboletas algures, e estas não são detectáveis por qualquer tipo de instrumento. O mesmo se dá com vidas passadas. Crer em alma é a mesma coisa que crer ser a reencarnação de Cleópatra.

"Falei em humanistas ateus no sentido genérico, não pensei em nenhum em particular."

Ok! He he he! Não foi minha intenção trucar. Quis apenas conhecer os argumentos. A coisa soou-me como "até os inimigos do cristianismo reconhecem tal mérito do cristianismo, então o mérito é realmente dele".
Como disse Dawkins, não existe uma religião ateísta justamente por isso. É o mesmo que pastorear gatos. É impossível, he he. Normalmente se é ateu justamente por não se aceitar dogmas. O ateu deveria trucar principalmente as crenças dos ateus. Mas o ateu não acredita em deuses. Isto não o impede de acreditar no comunismo, no sobrenatural, em reencarnação, em homeopatia, etc.

Grande Heitor,

"Ou seja, os mentirosos e manipuladores são inimigos da linguagem pois suas mentiras destróem os argumentos que usam e são verdadeiras ameaças a civilização."

Concordo! O teólogo é o grande mentiroso, a maior ameaça à civilização.

"Neste sentido, a linguagem é uma aproximação da VERDADE mas apenas uma aproximação pois ela não contém a VERDADE em si.

Cristalino como água pura. Bravo! Um teólogo poderia dizer que O Verbo é A verdade, A vida, he he.
O que você escreveu é o que aprendemos do famoso provérbio zen: o dedo que aponta a lua é a linguagem. O dedo jamais será a lua.
Como eu escrevi antes, baseando-me obviamente em Nietzsche, invencionices como a "Razão Prática" de Kant são artifícios de teólogos para distorcer a razão, para revestir de suposta racionalidade conclusões que nunca foram conclusões mas revelações - idéias de jerico e mentiras chamadas de revelação -, falsas premissas. Esses manipuladores são realmente perigosos... Já que o André falou no bondoso Blogildo, gostaria de reproduzir aqui um trecho de uma conversa:

Blogildo escreveu: "Em primeiro lugar eu não escrevi que a Lua é responsável pela inclinação da Terra (muito embora isso até tenha me ocorrido, mas não escrevi isso. Basta reler)."

E eu respondi: "Curiosamente, eu entendi justamente o que você quis dizer, mas estou errado porque não foi isso que você escreveu. Xô seu manipulador, ha ha. Estamos falando de um contrato pela venda de uma alma ou de uma tentativa de comunicação?"

As palavras não servem mais para comunicar mas para moldar a verdade. Isto é realmente incrível!

--//--

Bocage, bom texto o desse Maltez.

"Durante a visita do teocrata de sapatilhas vermelhas ao Brasil o Reinaldo escreveu que a doutrina da ICAR assume-se excludente e que a instituição apenas se dirige aos católicos, rsrs."

Por isso propuseram a OBRIGATORIEDADE do ensino do catolicismo nas escolas públicas brasileiras. Estavam apenas imbuídos de "bons sentimentos", como o Chávez na doutrinação de crianças venezuelanas, queriam apenas dar uma lavadinha do cérebro dos infantes, he he. O Brasil não aceitou e está tudo bem. É mais mió pedir do que roubar...

Crente é fogo, realmente...

O que mais me espanta no proselitismo religioso é que os sujeitos não acreditam no que pregam, nas promessas de paraíso e nas ameaças de inferno. Não perderiam tempo queimando bruxas com seus assustados gatos pretos se SOUBESSEM que haveria um inferno para os "feiticeiros" e "adoradores do demônio". Viveriam suas vidas de cristãos com um profundo pesar por aqueles que rejeitaram a "boa nova". Obviamente, o velho instinto do ser humano de moldar os demais ao próprio modus vivendis, às próprias crenças, fala mais alto do que qualquer lógica.

Não vejo uma saída no médio prazo...
Talvez a única solução seja estimular a curiosidade científica nas crianças, que já nascem cientistas, he he. Elas testam misturas, o ponto de ruptura dos brinquedos e dos eletrodomésticos, testam a gravidade, as leis físicas, se vêem um copo de guaraná e outro de Coca-cola querem logo misturar os conteúdos para ver no que dará... E não têm nada de religiosos, apesar de seus pais meterem terços e santinhos no berço, dentro dos cueiros, etc. Minha filha tem dois anos e meio e nunca ouviu a palavra "deus" de minha boca, he he he. Quando vê uma imagem de Jezuis ela diz: "homem dodói", ha ha ha ha. Aí eu pergunto: "ele é feio ou lindo?" e ela responde de acordo com a estátua. Algumas são "lindas", e para a maioria ela diz "é feio". Ha ha ha ha! Acho que a fase de crente de minha filha durará dos 14 aos 18 anos, he he, após o quê retornará à razão que aprendeu a usar desde cedo...

Eduardo Silva disse...

O artigo do jornalista Ali Kamel, publicado no O Globo de 18/9 e reproduzido no O Estado de S. Paulo de 20/9, mostra algo gravíssimo que poucos percebem: a lavagem cerebral que está sendo feita nas escolas públicas. A continuar desse modo o futuro do país é um cenário de desesperança.

Em seu artigo Kamel comenta o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série”, que foi distribuído pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública e, pelos trechos citados vê-se claramente que o tal livro é um compêndio de doutrinação esquerdista composto em estilo grotesco, eivado com aberrações históricas e que faz prevalecer a exaltação de um marxismo requentado.

O livro ensina que o paraíso fica em Cuba. Que Mao Tse-tung foi um herói, um sábio que escreveu livros sobre variados temas, “um grande estadista” e, melhor ainda, um galã que deve ter inaugurado a era do “ficar”, pois “amou várias mulheres e foi por elas correspondido”. Só para os chineses anticomunistas ele “não passou de um ditador”. Já a propriedade é um mal em si e “terras, minas e empresas” devem pertencer “à coletividade”.

Vale a pena transcrever aqui as palavras com as quais Kamel encerra seu artigo:

“De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a revolução cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas um pesadelo”?

No mesmo jornal e dia o editorial, “O MEC acorda tarde”, também cita a coleção “Nova História Critica” de autoria de Mário Schmidt, aprovada com ressalvas pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2000. A coleção é classificada pelo editorial como “lixo ideológico que submete estudantes a lavagem cerebral”, e não é difícil concordar com essa opinião ao ver alguns exemplos do que seriam para o historiador Schmidt certos acontecimentos e personagens de nossa história:

Proclamação da Independência: “um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”.

D. Pedro II: um “velho esclerosado e babão”.

Princesa Isabel: “feia como a peste e estúpida como leguminosa”

Conde d’Eu: “gigolô imperial”.

Vale ainda citar o toque racista do pasquim histórico: “Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho (este é o termo usado e não principezinho) salvador”.

Portanto, com imbecilidades e má fé vai-se doutrinando os “perfeitos idiotas” de amanhã, o que me leva a repetir que não basta ao governo construir escolas e gabar-se do número de alunos matriculados, com cotas ou não, mas é necessário que o país parta para uma educação de qualidade que possibilite a criança e ao jovem os conhecimentos necessários para enfrentar depois o mundo competitivo em que vivemos. É preciso resgatar a competência, a excelência, o respeito, os valores perdidos, a noção de certo e de errado, o sentimento pátrio, além dos embasamentos teóricos bem fundamentos e o aprendizado prático que tornarão o menino de hoje o cidadão do futuro apto a realizar-se profissionalmente.

A continuar com o faz-de-conta do nosso ensino, com o besteirol ideológico estaremos sacrificando várias gerações e não passaremos nunca de um país de segunda classe, de uma republiqueta latino-americana comandada por populistas gananciosos que se transvestem de defensores dos fracos e oprimidos para poder usufruir, tantas vezes de forma fraudulenta, as delicias do poder.

O problema da educação, porém, é complexo, porque não basta ensinar rudimentos de disciplinas, mas compete a escola colaborar para o aprimoramento do caráter da criança. Contudo, a primeira formação começa no meio familiar e hoje pais e filhos estão cada vez mais distantes por conta de fatores que podem ser apresentados em outro artigo.

E quando pais omissos desconhecem o que as escolas fazem com a mente dos seus filhos, não há muito que esperar das próprias escolas. Aliás, pais andam desconhecendo o que fazem seus filhos e cito como exemplo fato presenciado: adolescentes de classe média sentam-se na calçada em frente ao prédio onde moram e, tranqüilamente, consomem drogas. Seus pais provavelmente não sabem que pagam CPMF e diante da bandalheira política, exclamam: “se eu estivesse lá faria o mesmo”.

De todo modo, não vai ser com a pedagogia da esquerda aloprada que iremos progredir e nos afirmar no cenário mundial. Atenção, senhores pais, é preciso reagir, se é que ainda dá tempo.

Maria Lúcia Barbosa

André disse...

É, Catellius, a gente confia em certos profissionais à primeira vista, muitas vezes não temos outra saída.

O Messias dos judeus, assim como Javé, o deus deles, é barra pesada. E, segundo os judeus, um dia ele virá pra botar ordem na casa e quem sabe até fazer as devidas correções na Bíblia. Vai ser a maior porrada.

Havia muito anti-semitismo antes do cristianismo, mas é claro q esse deu um belo empurrãozinho na prática.

Pode trucar à vontade. A frase soou mal mesmo, daquele jeito. Mas não vou reescrever o texto, vou deixar como está.

As várias “razões” de Kant são uma grande chatice. Kant era um chato.

“Não perderiam tempo queimando bruxas com seus assustados gatos pretos se SOUBESSEM que haveria um inferno para os "feiticeiros" e "adoradores do demônio".”

Por VIA DAS DÚVIDAS, eles já matavam logo aqui e agora.

Catellius disse...

dar uma lavadinha No cérebro dos infantes*

E não têm nada de religiosAs*

Catellius disse...

Bom texto, Eduardo. Lavagem cerebral em crianças é uma grande crueldade. É violência infantil, porque elas não possuem meios para resistir à doutrinação. É como extrair o cérebro de um adulto e colocar outro em seu lugar, é assassinar o adulto que aquela criança poderia vir a se tornar, afinal você É o seu cérebro e nada mais.
Isto vale para a doutrinação marxista, para a catequese religiosa e para outras lavagens às quais os pais submetem os filhos ingenuamente; todas estão carregadas de preconceitos, condenam outros seres humanos que não aderiram ao clube, semeiam a cizânia, a desarmonia, o ódio, sempre em nome da união, da harmonia e do amor. Malditas ideologias... Cuisp!

Catellius disse...

E faltou o he he he, para tirar o peso da praga e do cuspe...

Catellius disse...

Eu escrevi: “Não perderiam tempo queimando bruxas com seus assustados gatos pretos se SOUBESSEM que haveria um inferno para os "feiticeiros" e "adoradores do demônio".”

O André comentou: "Por VIA DAS DÚVIDAS, eles já matavam logo aqui e agora."

Faz sentido... "Se você já vai passar uma eterna eternidade na fogueira, que se mude para o Inferno agora mesmo e que prove o calor do nosso fogo terreno, gelado perto do que experimentará no 65º subsolo. Que o suplício tenha início agora. TOCHAS AO ALTO... FOGO!!!!!" (Ahhhhhhhhhhh, Miaaauuuuuuuuuu)

Dizem que a associação entre bruxas e gatos pretos nasceu do fato de que grande parte das acusadas era solteira e compartilhava o lar com o bichinho de estimação, e de relatos de bruxas que viravam gatos à noite. Em muitos deles asseverava-se que a bruxa abrira a porta da casa, adentrara o hall e no mesmo instante saíra sob a forma de um gato preto. O gato ficava o dia inteiro preso e dava uma escapadela quando o dono abria a porta. Absurdo, he he.
Fico imaginando a triste cena do gato de amarelíssimos olhos arregalados, onde se refletiam as labaredas que crepitavam ao derredor, amarrado como Joana D'Arc, a multidão gritando impropérios contra o felino ("gato filho de uma cadela!"), os gritos de sua dona a amaldiçoar os presentes, que após o espetáculo irão blindar-se do mau olhado com água benta e bênçãos de sacerdote...

"Não julgueis, só Deus pode julgar", dizem, e criam os critérios divinos de julgamento e se apresentam como meros executores das sentenças prescritas na Bíblia, he he. Impressionante!

Ecos do C. Mouro disse...

Bocage, já está cabalmente provado que és desonesto, um flasificador, e burro prá mais de metro e meio. Afirmaste as maiores asneiras, mas nem coras porque nem mesmo consegues percebe-las.

Fantasma do C. Mouro disse...

Funguem, cães, kkkkkk.

O+cioso disse...

kkkkkkkkkkkkkkk

Bocage disse...

Saudações, diabrete, rsrsrs.

"'Não julgueis, só Deus pode julgar', dizem, e criam os critérios divinos de julgamento e se apresentam como meros executores das sentenças prescritas na Bíblia, he he.'

Perfeito, Catellius. Há contudo aqueles que fantasiam que o cristão não julga o próximo e ama os inimigos porque assim o inspiraram as páginas dos Disangelhos. O C. Mouro é um desses ingênuos.

Pela lei de Talião não era uma insolúvel questão jurídica o banguela arrancar o dente de um inimigo, rsrs. A lei consiste na reciprocidade entre crime e castigo, estabelece uma punição proporcional à gravidade do delito. Com o cristianismo nada muda, só os ingênuos não percebem. Aprofundou-se, apenas, o abismo entre a doutrina religiosa e a vida pragmática, em prol do poder do sacerdote, que vive do pecado, da miséria, que se alimenta de restos humanos.

O sacerdote hebreu explorava o povo hebreu. Ponto para ele por desprezar o gentio, por não desejar convertê-lo. O cristianismo e o islamismo consideram-se universais e isto os torna mais perigosos do que o judaísmo.

O pecado, a culpa que gera e a absolvição dos sacerdotes têm sido instrumentos mais eficazes de controle do que o "amai vossos inimigos" e o "não julgueis". O ser humano não é capaz de ser tão antinatural, tão cristão, rsrs.

André disse...

Vai que isso acontece ao contrário: uma gata virar bruxa. Vou comprar uma gata pra ver se ela vira mulher à noite — mas não bruxa, nem dragão. Se for uma bruxa muito gata, quem sabe... podemos conversar.

Um dia reproduzo aqui um texto sobre julgamentos de bichos na Idade Média. Interessante. Até larvas e cupins eram processados e condenados por danos vários.

Bocage disse...

O Anticristo - Nietzsche
Cap. XLIV

"...Para a maioria, felizmente, livros não passam de literatura. – Que não nos deixemos induzir em erro: eles dizem “não julgueis”, mas condenam ao inferno tudo que fica em seu caminho. Ao deixarem Deus julgar, são eles próprios que julgam; ao glorificarem Deus, glorificam a si mesmos; ao exigirem que todos manifestem as virtudes para as quais são aptos – mais ainda, das quais precisam para permanecer no topo..."

Bocage disse...

Esqueci-me da conclusão.

"... assumem o aspecto de homens em uma luta pela virtude, de homens engajados numa guerra para que a virtude prevaleça."

Catellius disse...

"O C. Mouro é um desses ingênuos"

Mágoas à parte, he he, de ingênuo aquela metralhadora de dizer a verdade não tinha nada. Perto daquele lá nós é que somos ingênuos, he he he.
Mas quando lemos muita coisa de Nietzsche (não tudo) a verdade surge como uma bomba atômica. O cara disse tudo: "Ao deixarem Deus julgar, são eles próprios que julgam..."

Eu já caí nessa de achar que parte do problema do cristianismo estava no "não julgueis" e no "amai o vosso inimigo", apesar de tais "ensinamentos" serem realmente aberrações que, seguidas à risca, fariam deste mundo mais do que nunca o playground dos facínoras. Hoje entendo, contudo, que na verdade os cristãos sempre quiseram o monopólio do julgamento.

Quando falam em humildade, por exemplo, fazem como no nepotismo cruzado: um exalta o outro e se humilha, he he. Exaltam o vizinho que vai à missa todos os dias e na primeira oportunidade deixam todos saberem que são assíduos na paróquia.

O cristianismo é, acima de tudo, o elogio à falsidade, a hipocrisia elevada à estratosfera.

Catellius disse...

Só um cristão é capaz de ter orgulho da própria humildade, he he he.

Só um cristão é capaz de julgar e depois dizer "mas quem sou eu para julgar? Apenas deus lê os corações. E sonhei que ele me dizia que ela deve ser queimada imediatamente com seu gato safado", he he.

André, deixe-me adivinhar. Foram acusados de crime de boiolagem. A larva por ter virado uma borboleta e o cupim por ficar chupando pau o dia inteiro. Acertei?

ha ha ha ha

Alex disse...

O texto sobre julgar foi realmente criticado por Nietzsche em "O Anticristo", mas creio que tanto Nietzsche quanto Russel se enganaram. Acho que Jesus falava de algo que hoje podemos classificar de psicológico. Penso que ele se refere a como nós aumentamos a cobrança sobre nós mesmos quando passamos a condenar os outros. Não creio que o texto se referia a julgamentos e como se livrar de uma condenação eterna. Na seqüência fala-se para não jogar pérolas a porcos, como fazer isso sem julgar para quem não vale à pena perder tempo?

Catellius disse...

Alex, responderei no próximo post.

Anônimo disse...

"“a crack in the tea cup opens a lane to the land of the dead”. A tradução é chata."


We'll begin with a box, and the plural is boxes,

But the plural of ox becomes oxen, not oxes.

One fowl is a goose, but two are called geese,

Yet the plural of moose should never be meese.

You may find a lone mouse or a nest full of mice,

Yet the plural of house is houses, not hice.



If the plural of man is always called men,

Why shouldn't the plural of pan be called pen?

If I speak of my foot and show you my feet,

And I give you a boot, would a pair be called beet?

If one is a tooth and a whole set are teeth,

Why shouldn't the plural of booth be called beeth?



Then one may be that, and three would be those,

Yet hat in the plural would never be hose,

And the plural of cat is cats, not cose.

We speak of a brother and also of brethren,

But though we say mother, we never say methren.

Then the masculine pronouns are he, his and him,

But imagine the feminine: she, shis and shim!





Let's face it - English is a crazy language.

There is no egg in eggplant nor ham in hamburger; neither apple nor

pine in pineapple.

English muffins weren't invented in England .

We take English for granted, but if we

explore its paradoxes, we find

that quicksand can work slowly, boxing

rings are square, and a guinea pig

is neither from Guinea nor is it a pig.



And why is it that writers write but fingers don't fing, grocers

don't groce and hammers don't ham?

Doesn't it seem crazy that you can make amends

but not one amend.

If you have a bunch of odds and ends and get rid of all but one of

them, what do you call it?



If teachers taught, why didn't preachers praught?

If a vegetarian eats vegetables, what does a humanitarian eat?



Sometimes I think all the folks who grew up speaking English should

be committed to an asylum for the verbally insane.



In what other language do people recite at a play and play at a recital?



We ship by truck but send cargo by ship.

We have noses that run and feet that\smell.

We park in a driveway and drive in a parkway.

And how can a slim chance and a fat chance

be the same, while a wise man and a wise guy are opposites?



You have to marvel at the unique lunacy of a language in which your

house can burn up as it burns down, in which you fill in a form by filling

it out, and in which an alarm goes off by going on.

And, in closing, if Father is Pop, how come Mother is not Mop?

O ++Jocoso disse...

"Meu Deus! Foi-se a Simone, o C. Monstro, a Divine Brown e seus avatares, e o Catéquitus tá "trabalhando", huhuhu. Quando só restarmos eu e o Catéquitus ele me convidará para ser membro, apagarei todos os posts e mudarei o nome do blog, kkkk. Vai ficar uma belezura, huhuhu."

Sugestão 1: Blog Punhetas. Onanismo literários,ateísmos, antilulismos e textos muuuuuuuuuito curtos! kakakakakaak

Sugestão 2: Incorporadora Catellius & Alucinados S/C Ltda.
Incorporamos qualquer entidade virtual da Blogosfera.

Sugestão 3: Blog do Falando sozinho. Não é preciso comentar. Temos muitos personagens que fazem isso por você. kakakakakakakakaka

Catellius disse...

He he he!
Ô pá! Pois pois...
Que bom que esta kaka ainda atrai moscardos góticos (manuelinos) migratórios coprófilos.
Acho graça que percam seu tempo chafurdando caixas de comentários abandonadas, sugando o fruto imaculado dos intestinos de outros moscardos, consumindo merda de segunda mão.
He he he!

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