09 abril 2008

Timothy I, o Rei da UnB

Acho que nesta altura do campeonato, todo mundo já ouviu falar do Timothy Mulholland, o reitor da UnB que gastou R$ 1.000,00 em uma lata de lixo quando mobiliava o seu apartamento funcional com R$ 470.000,00. Aliás, diga-se de passagem, um apartamento duplex de cobertura novinho em folha. Enquanto isto, a UnB tem dificuldades de pagar as contas de luz e água e muitas das suas instalações estão deterioradas. Quando indagado se renunciaria, Timothy foi categórico dizendo que ele foi eleito democraticamente e portanto não deixaria o cargo. Em sua defesa ele alegou que não roubou e que apenas usufruía dos alegados bens. Além disso, se disse perseguido em razão de ter implantado as quotas raciais na UnB.

Foi com pesar, mas não com surpresa que soube que a Assembléia dos Professores decidira apoiar o seu príncipe. Foi com alegria que vi um grupo de alunos tomar uma atitude cívica ao ocupar a reitoria para obrigar a comunidade universitária a discutir sobre a questão da permanência do Timothy. O problema dos questionamentos é que eles podem gerar respostas não desejadas, até por quem coloca a pergunta.

Aqui vai uma pergunta: quem deve exigir uma postura ética do rei da UnB? Acho que a resposta passa pela definição da universidade federal no Brasil, que é uma propriedade pública, não estatal sem fins lucrativos e que presta serviço de educação e pesquisa para sociedade. Este tipo de instituição goza de autonomia administrativa em relação ao estado, mas não em relação à sociedade. Portanto, o estado, a princípio não deve intervir. Quem então? A sociedade? A classe mais importante da universidade, os professores, que representam 70% do colégio eleitoral, já assumiu uma postura corporativa e colocara-se ao lado do seu príncipe. Um grupo de alunos se posicionou contra, mas existem grupos de alunos, como os da sociologia e da antropologia, que se colocou ao lado do reitor. A este grupo se soma parte dos funcionários, que eu arriscaria dizer serem na maioria gratificados. Espero que os "alunos das quotas" não venham em socorro do reitor por se sentirem devedores. As quotas são uma política de estado e não um favor de qualquer pessoa.

Já ouvi muita gente criticar a burocracia, mas uma boa burocracia resolveria o problema da falta de decoro do reitor, pois existiria regras e um procedimentos a serem seguidos de forma impessoal, com a devida publicidade e uma decisão seria tomada e assumida por um grupo de dirigentes da universidade. Infelizmente, a UnB ainda está abaixo do patamar burocrático. Lá ainda vivemos o estado patrimonialista, no qual a categoria dos professores se apropria da universidade e se identifica com o seu Rei, simplesmente se recusando a discutir ou se posicionar oficialmente sobre a questão. Isto é covardia e autoritarismo pois a categoria dos professores não assume formalmente a sua posição. Omissão de socorro é crime e a omissão dos professores seria o que? Cumplicidade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Dinheiro para saúde indígena pagou jantares e viagens da UnB


Renato Alves
Do Correio Braziliense

10/04/2008
08h51-Sopa-creme de abóbora e queijo brie ou quiche de queijo de cabra, abobrinha e amêndoas na entrada. Salmão grelhado ao molho normanda, tirinhas de filé mignon ao molho de manga e tomates como opções de pratos quentes. Frutas frescas, tortinha morna de maçã e passas na sobremesa. Esse é o cardápio de um dos almoços oferecidos pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, com dinheiro que deveria ser usado em benefício dos índios. O evento, para 39 convidados do reitor, custou R$ 5.172,80. E foi pago com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

O almoço ocorreu em 16 de julho do ano passado, no restaurante Alice Brasserie, na QI 17 do Lago Sul. A pedido da Reitoria da UnB, o restaurante, um dos mais badalados (e caros) de Brasília, foi fechado naquele dia para Timothy e os convidados dele. Somente o aluguel custou R$ 500. O almoço, incluindo bebidas, saiu a R$ 116,70 por pessoa. Além do Alice, a UnB cotou os preços apenas de mais um espaço, o restaurante do hotel Blue Tree Park, que pediu R$ 1,5 mil a mais pela exclusividade do espaço. Com isso, perdeu a concorrência.

Na lista de convidados do reitor, à qual o Correio teve acesso, há 18 funcionários da UnB. Os outros 21 são integrantes da Embaixada da Espanha no Brasil, do governo espanhol e do Instituto Cervantes. O almoço marcou a assinatura do acordo de intenções entre a UnB e o Instituto Cervantes, organismo público sem fins lucrativos da Espanha. Participou do encontro, como maior autoridade, o ministro de Cultura espanhol, César Antonio Molina. Acompanhado do secretário-geral do Instituto Cervantes, Joaquín de la Infiesta, Molina recebeu uma homenagem do reitor da UnB, que entregou a ele um documento de reconhecimento que a universidade reserva a personalidades internacionais.

Na época da visita dos espanhóis, o site da UnB destacou o encontro em diversas reportagens feitas pela equipe da Secretaria de Comunicação (Secom) da universidade. Mas em nenhuma das matérias informou que o convênio foi assinado em almoço oferecido pelo reitor e pago com recursos da Funsaúde. Muito menos o preço da recepção. Três jornalistas da Secom, nenhum concursado, estavam na lista de convidados oficiais de Timothy.

Na oportunidade, Timothy assinou o convênio de intercâmbio entre as instituições, criação de cursos de formação de professores e a realização de cursos, conferências e outras atividades dirigidas à promoção da língua espanhola. Nada em favor dos índios brasileiros ou da Funasa, de onde saiu o dinheiro do almoço.

Jantar mais caro
A UnB contratou os serviços do restaurante Alice Brasserie para outros almoços e jantares, também financiados pela Funasa. Um deles ocorreu um mês após a reunião dos espanhóis com o reitor e seus assessores. Em 15 de agosto, o fino restaurante do Lago Sul recebeu 15 convidados da reitoria para um jantar. Dessa vez não foi aberta concorrência. O evento custou R$ 3.025, R$ 200 por cabeça. A autorização de pagamento, assinada pelo então diretor-executivo da Editora UnB, Alexandre Lima, não informa o motivo do jantar nem os convidados.

A Funasa assinou convênio com a UnB em 2006. A universidade transferiu o contrato para a Fundação Universitária de Brasília (Fubra). Desde 2007, o projeto era executado pela Funsaúde, sob a coordenação de Alexandre Lima. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), houve aumento de 5% para 7,5% na taxa de administração do contrato assinado entre UnB e Funsaúde. Essa diferença de 2,5%, segundo o promotor Antônio Ricardo de Souza, era depositada em conta administrada por Alexandre Lima.

Contradição
Para os promotores que investigam os contratos das fundações de apoio ligadas à UnB, almoços e jantares oferecidos pelo reitor com dinheiro da Funasa são ilegais. “É por causa de gastos como esses que o atendimento aos índios fica prejudicado. Está mais do que caracterizado o desvio de dinheiro público”, afirma o promotor Ricardo de Souza, da Promotoria de Fundações e de Entidades de Interesse Social, do MPDF.

Souza considera uma contradição a reserva de espaços para eventos da reitoria. “O Timothy sempre alegou que o apartamento funcional (que ele ocupava) foi decorado de forma luxuosa para receber autoridades”, destaca. Cerca de R$ 470 mil foram usados na decoração do apartamento da UnB, na 310 Norte, ocupado pelo reitor até o começo deste ano, quando os gastos vieram à tona e o MPDF tornou pública a investigação sobre os recursos da Finatec.

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