07 novembro 2006

A Última Esplanada



Comparação meramente formal entre a Última Ceia de Da Vinci e a nossa Esplanada dos Ministérios.

- Os dois edifícios do Congresso Nacional são a dualidade de Cristo - Homem e Deus -, que os bizantinos representavam como estrabismo ou como os dedos indicador e médio em riste;

- O vermelho e o azul de sua vestimenta podem também representar essa dualidade: a situação - homem, tentações, sangue, vermelho - e a oposição - Deus, Celestial, Azul (O PSDB está longe de ser divino, não me entenda mal...);

- A mão de Cristo com a palma para cima é a Câmara e a outra, com a palma para baixo, o Senado. A primeira recebe do alto (a voz do povo é a voz de Deus) e a segunda sanciona;

- As três janelas ao fundo são os três poderes; a trindade é o governo tripartite; o Legislativo é o Pai, que deu a lei aos homens, o Judiciário é Jesus, que julgará os vivos e os mortos, e o Executivo é o Espírito Santo, que age no mundo. Haveria aí uma contradição, pois nos itens anteriores comparei Jesus ao Congresso, o Legislativo. Mas também temos o Jesus que nos deu o mandamento "Amai ao próximo como eu vos amei", o Jesus que legislou;

- O Graal poderia ser a Catedral Metropolitana, que tem a óbvia forma de um cálice, mas está fora da cena (ou ceia);

- Como não poderia deixar de ser, os Apóstolos são os Ministérios; da direita para a esquerda são, se não me engano: Simão, Tadeu, Mateus, Filipe, Tiago (o Maior), Tomé, João, Judas, Pedro, André, Tiago (o Menor) e Bartolomeu. Fica difícil compará-los aos ministérios existentes, pois o número dos apóstolos de Lula supera em muito o de Cristo, e as sedes mudam constantemente. Contudo, me pergunto: Judas seria qual ministério? O de José Dirceu? Lula não citou nomes quando disse que se sentia traído;

- O pão e o vinho, a comunhão, deveriam ser a conexão do parlamentar com o povo. Mas essa idéia, hoje em dia, é surreal! Alguns acreditam que a Santa Ceia da Democracia está prestes a terminar, antes da sobremesa. Há mais Judas do que imaginamos por aqui.

Assim na Terra como no Céu

- Se a partir da perspectiva de um pedestre na Rodoviária vemos a Última Ceia, vista do alto Brasília é uma cidade crucificada, de braços abertos. As chagas nas mãos são os Setores Hospitalares Sul e Norte. Os pés são a Rodoferroviária, por meio da qual o povo vai e vem - o migrante, símbolo da chaga social chamada desigualdade. O Coração é o Setor Comercial Sul, a única área da cidade que manteve o espírito urbano tradicional, com esquinas, gente, confusão. A coroa de espinhos é o agressivo Mastro da bandeira, de Sérgio Bernardes. Acima da cabeça, qual firmamento, mui azul, está o Lago Paranoá. Acima do firmamento, as mansões do Lago. Abaixo dos pés, a maioria das cidades satélites (não, não são o inferno, he he). Apenas para os brasilienses: Quem falar na Torre de TV será excomungado;

- Finalizando, Brasília seria um "proxy" do Brasil. O Brasil tem a proporção de um corpo com os braços abertos, onde a altura - do Rio Grande do Sul ao Amapá (ou Roraima) - é praticamente igual à envergadura - do Acre a Pernambuco. O coração do Brasil "crucificado" é a própria Brasília, que recebe sangue do resto da nação e o bombeia de volta (em teoria). Bom, Amapá não é a cabeça do país, mesmo sendo representado no Senado pelo sapientíssimo autor de Marimbondos de Fogo. Toda comparação tem seus pontos falhos...

4 comentários:

Blogildo disse...

Judas era o tesoureiro deles. Na ceia ele está grosseiramente com o cotovelo em cima da mesa.

Quem era mesmo o tesoureiro geral da república?

Paulo disse...

e o museu e a biblioteca nacional, são o quê? acho que um cancro perto do pescoço.

Terminator disse...

estou quase torcendo pela extinção da humanidade para aquilo ruir por falta de manutenção. Acho que uns 80 anos bastariam...

Olavo Setúbal disse...

o vinho era o LSD de antigamente. tenho certeza que jesus se sentiu mais deus do que nunca depois de dar uns goles na última ceia. foi ele, inclusive, que pagou as trinta moedas para judas traí-lo, já que nenhum idiota estava disposto a fazê-lo de graça (esses idealistas...).
mas tudo deu certo.
se pudéssemos voltar no tempo talvez não víssemos as sangrentas cenas do filme de mel gibson, mas uns gatos pingados andando de sandálias pelo deserto falando bobagens e empalando uns aos outros. a cena dos vendilhões do templo deve ter sido engraçada, meio estilo "vida de brian": jesus e sua gangue chegando no templo, o mestre retesando o chicote... e o pau comendo. tenho certeza que os apóstolos devem ter recolhido uns trocados que caíram das mesas dos cambistas, pedro, o impetuoso que deu uma de Van Gogh mas com a orelha alheia, deve ter dado uns chutes na galera...
enfim
pare com essa coisa de religião, eneadáctilo
não vale a pena
disserte sobre excrementos, sei lá P*. qualquer coisa é melhor do que falar sobre religião

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