20 junho 2008

Corrupção e Revolução

Sempre que vejo algum indivíduo politicamente bonitinho querendo, como se diz por aí, “cagar regra” fico pensando em como os canalhas vão tirar proveito daquelas boas intenções. É o caso do CSS que vem mais uma vez para salvar a saúde, por exemplo. Quem não quer que o Sistema de Saúde melhore? Ninguém. Agora, em cima de um desejo legítimo alguns patifes propõe algo que defendem como indispensável e acusam aqueles que a isto se opõem de se oporem ao desejo legítimo. Patifaria básica.

Outro erro comum é confundir igualdade com justiça. Todos nós desejamos uma sociedade mais justa, onde as pessoas tenham oportunidade de desenvolver os seus talentos. Agora, defender uma sociedade onde os talentos das pessoas sejam remunerados de forma igual é absurdo. A diferença é saudável até certo ponto.

O PT, para mim, representa a patifaria organizada. É uma máquina de poder gramsciana que busca anular a sociedade civil cooptando e ameaçando os seus críticos ao mesmo tempo em que celebra uma aliança com os setores mais atrasados da nossa sociedade. Em nome desta aliança eles loteiam a administração para quadrilhas geradoras de caixa 2 para a base aliada. Talvez isto seja melhor do que uma Revolução.

Em uma Revolução não existem nuances de cinza. Ou alguém é vermelho ou é Blanco. Qualquer discussão ou questionamento é considerado traição. Morrem os questionamentos e nascem as certezas. O radicalismo e a perseguição são filhos naturais deste ambiente. E tudo isto para que? Por uma sociedade melhor? Por um ser humano melhor?

Este é um problema da falta da religião. Quando alguém não dispõe de uma religião onde possa ser um fanático profundamente identificado então costuma se tornar um leninista ou coisa que o valha. Alguém que enxerga na sociedade burguesa a mesma decadência que o mais fanático religioso fundamentalista. Infelizmente, uma grande formação intelectual não nos salva destes enganos.

Talvez, a solução sensata e mais humana seja a convivência plural entre os corruptos, os idealistas e os inconformistas sempre em um delicado equilíbrio que em alguns momentos tende para a corrupção, em outros, para a insensatez e em alguns poucos momentos para algumas propostas de solução real. Deixemos para os canalhas e os idealistas as propostas de imposto único e desarmamento como panacéias.

Enquanto isto, no mundo real, cheio de incertezas e nuances, o IPEA propõe o fim do COFINS por ser um imposto sobre consumo que pode reduzir três vezes mais a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini do que o Bolsa Família, ou seja, o Brasil passaria de 0,56 para 0,53. E pensar que o Bolsa Família só reduziu a desigualdade em 1%. Como diz o meu amigo marxista, o que reduz desigualdade ainda é o crescimento.

5 comentários:

André disse...

Não é um problema de falta de religião. Nem no sentido de não se ter uma, nem no de haver escassez delas. Sobram religiões, assim como sobram ideologias. Porque sobram idiotas e manipuladores também, claro. O que acontece muito é a substituição de uma forma de fanatismo por outra. Fanatismo ideológico em vez de fanatismo religioso, p. ex. Ou, mais freqüente, não se substitui nada: cada um escolhe o que lhe agrada mais e pronto. Para muita gente, um partido com uma cartilha vale tanto quanto as Escrituras Sagradas dos diversos “povos de deus”. É o auto-de-fé dessa gente.

Fanáticos, políticos ou religiosos, são movidos pela fé, normalmente cega. E a pessoa que tem fé sempre espera com grande fervor que suas certezas — nem um pouco certas — se confirmem. Aquilo que ela gostaria que fosse verdade tem que ser verdade, tem que ser real. Só que não é, e aí começam os problemas.

Acho que uma grande formação intelectual só é realmente grande se nela houver discernimento.

Heitor Abranches disse...

Pois é André,

O idealista é aquele cara que quer enfiar um quadrado em um buraco redondo.

Uma hora ele vê que não quer entrar e aí começa a dar porrada.

André disse...

“Capitalismo de choque”. Isso ainda pode virar moda, sei lá.

Folheei esse livro outro dia:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2483408&sid=1896124110612562819038060&k5=2F46EB7B&uid=#links

Não vou me estender muito aqui, nem vou ler esse livro, até leria se tivesse tempo de sobra. O fato é que quando vi do que se tratava, pensei: “ai, meu saquinho...”. Negócio seguinte: a autora, depois de detonar o mundo das grandes marcas e logotipos em outro livro, agora diz que o neoliberalismo se aproveita de toda sorte de desgraça e desastre, inclusive os naturais, pra lucrar e impor coisas, esquemas, sistemas, vender isso e aquilo. Deve haver mais, mas li rápido, como se fosse um espírita kardecista psicografando — só não fechei os olhos. Enfim, o capitalismo é culpado por tudo, tudo, tudo. Fabrica e facilita crises e desgraças pra se dar bem.

Emir Sader, uma de nossas muitas besteirinhas de esquerda, prefacia, ao que parece.

O próximo livro dela vai dizer o quê? Que o capitalismo já está fabricando desastres naturais, lógico. “Psicografei” isso só de ler o que ela escreveu nesse.

Esse livro faz parte da onda moderna anti-capital, como os documentários The Corporation e o já batido Surplus.

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Corporation

http://en.wikipedia.org/wiki/Surplus:_Terrorized_into_Being_Consumers

Perfil da moça:

http://en.wikipedia.org/wiki/Naomi_Klein

Nas notas de rodapé 25 a 33, algumas boas críticas, sobretudo essa:

http://www.cato.org/pub_display.php?pub_id=9384

Entrevista com ela:

http://revistacult.uol.com.br/website/news.asp?edtCode=00AA9227-6B12-434A-AD45-AE82B2F2E7CB&nwsCode=A8B21DCC-EBF2-4F96-A13F-A0C5D381CCF9

E, como não podia deixar de ser, ela tem um filminho:

http://www.youtube.com/watch?v=kieyjfZDUIc

************

“Critics of the book include economist Tyler Cowen, who called Klein's rhetoric "ridiculous" and the book a "true economics disaster." In the London Review of Books, Stephen Holmes is critical of what he sees both as Klein's "naive celebration of ‘joyous’ populism, democracy and mass movements" and her conflation of "'free market orthodoxy' with predatory corporate behavior." John Willman of Financial Times describes it as "a deeply flawed work that blends together disparate phenomena to create a beguiling – but ultimately dishonest – argument." Robert Cole from The Times said it is "too easy to dismiss [Shock Doctrine] as a leftist rant". Johan Norberg has contested much of the book in a 20 page briefing paper, and the section on Russia has been challenged by Anders Åslund and Fred Kaplan.

Anônimo disse...

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