16 setembro 2013

Que mérito há?

Baal, um exemplo de deus de pedra
Jesus disse, conforme se lê em Mateus 5, 47: “Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?” É aquele tão famoso quanto nocivo e antinatural "amai vossos inimigos", que, por ser impraticável, é útil para produzir pecadores, muitos dos quais se submeterão de rastros aos administradores da salvação, os representantes de Deus na Terra.

Elencarei os meus “que mérito há”, ressalvando, com palavras de José Ingenieros, que “as verdades gerais não são irreverentes; deixam entreaberta uma frincha, por onde escapam as exceções particulares”.

Antes gostaria de assinalar a diferença entre mérito e aptidão, mérito e qualidades dele independentes. Exemplos: parti do zero e hoje tenho 100 milhões de reais, menos portanto do que alguém que herdou 200 milhões e nunca trabalhou. Determinado romano conhecia mais do latim, em todas suas nuances, do que um PhD nesse idioma, nos dias de hoje. Este tem mais méritos do que aquele, que poderia ser um retardado mental de toga. Já a palavra "meritocracia" relaciona-se a "aptidão"; talvez fosse etimologicamente apropriado usar "meliocracia". Mas agora que o termo já existe, fiquemos com ele.

Que mérito há em ser bom, puro, quando se é criança e não se tem mais maldade que um bichinho irracional qualquer? Mérito há em ser bom quando se conhece o mal e se é capaz de praticá-lo, de preferência sem prejuízo imediato para si. Todos facínoras foram crianças puras. Quantas crianças puras serão adultos probos? Adão e Eva só passaram a ter mérito em serem bons depois de aceitarem a sugestão da serpente e comerem o fruto proibido.

Que mérito há em gostar de uma sinfonia de Schubert, da Carmen de Bizet? Isso lá demanda empenho, sabedoria, denota nobreza? Pessoas muito menos distintas que cachorras de baile funk já se deleitaram, no século XIX, com Verdi e Rossini. Mérito há em ter composto suas óperas, em saber executar a parte de um instrumento, ao menos em ser um grande connoisseur. Julgo que haja demérito em não se apreciar Beethoven, em não conhecer o pensamento de Nietzsche, em ser incapaz de compreender seus livros, ainda que se viesse a divergir de tudo. Entretanto, o demérito de uns não implica em mérito dos outros. Muitos serem desonestos não faz de mim um herói merecedor de medalhas, se apenas cumpro com meu dever. Escrevi um post sobre isso. Saber quem foi Aristóteles, conhecer o que os pináculos de nossa espécie fizeram pela nossa evolução - não darwinianamente falando - é obrigação de homo sapiens. Mas o mérito é de Aristóteles, não de quem o compreendeu. Poderão me questionar: "então posso afirmar que é nosso dever ser bom. Demérito há em ser mau". Discernir o bem do mal, ser justo, nem sempre é fácil. É necessário empenho constante, que se medite, filosofe, que se arque com eventuais prejuízos imediatos. Não furtar é obrigação.

Que mérito há em ser humilde quando não se tem do que se orgulhar? Muitas vezes o sábio, que poderia jactar-se de seus conhecimentos, descortina a infinitésima parte de um universo diante do qual se sente um grão de areia, daí adota uma postura humilde. Não perante os homens; é-o para si mesmo e para o universo. Como Sócrates, diz "só sei que nada sei". Há o humilde como mero sinônimo de pobre, que pode ser orgulhoso, cheio de brios. Se tem um amigo bem de vida e seu fausto o incomoda - ainda que não o admita -, aguarda uma brincadeira inocente do amigo, um pretexto qualquer para, mui ofendido, mostrar que é pobre, mas tem honra e dignidade, e então priva-o de sua companhia. E há o que se humilha para ser exaltado, porque a humildade passou a ser um valor em si, desde que a moral do escravo (cristianismo) passou a viger.

Que mérito há em perdoar quando não se pode retaliar? Hoje perdoa-se como terapia, para não se intoxicar com a bílis corrosiva da revolta, para não se prejudicar o sono, para se tirar um fardo das costas e voltar a viver. Portanto, pela própria saúde, perdoa-se os poderosos que nos prejudicaram e que estão acima do bem e do mal, os facínoras foragidos ou mortos. Há aqueles que perdoam sem pensar no próprio bem-estar, por boa índole, ou por cacoete cristão, talvez contraído por obediência contumaz ou pela promessa dos galardões celestiais - a inatingível cenoura suspensa diante de seus olhos. E, por fim, há aqueles que querem e podem retaliar, mas perdoam magnanimamente, talvez com uma pitada de desprezo. Ter a oportunidade para retaliar impunemente talvez já funcione como a própria desforra, não?

Que mérito há em fazer caridade sem ela representar algum tipo de sacrifício, se é feita com o dinheiro alheio, ainda mais quando o efeito colateral é o proselitismo religioso ou o político-partidário, no caso de esmolas estatais? A liberalidade com o dinheiro de outrem é fácil, principalmente quando temos nossos altos custos missionários pagos por ele. Mérito há em doar do próprio bolso. O generoso, como o herói, desfaz-se de algo que é seu e de que necessita, em prol de outros. Aristóteles já defendia a propriedade privada porque, entre outras razões, as pessoas somente podem ser generosas se têm algo para dar.

Não há mérito em ser casto quando não se é mais atormentado por hormônios sexuais. Muitos velhos que já aproveitaram sua juventude, agora enfastiados, meio amargurados pela morte cada vez mais próxima, ressentem-se da juventude, do sexo, da vida desfrutada inconsequentemente por seres imaturos de pele viçosa, cheios de energia e de paixões. O velho preconiza veementemente que cuidem do espírito, que não incorram nos erros que ele próprio cometeu. Ora, maior é o mérito do jovem bonito casado torturado pelos próprios hormônios, sem medo de represálias divinas, em terra estrangeira e sem testemunhas, assediado pelo belo sexo, e que mesmo assim mantém o contrato de monogamia com a esposa. Se a ama muito e não pensa em mais ninguém, o mérito diminui um pouco. Poderão me questionar: "não disseste que o demérito de uns não implica no mérito de outros?". Sim, mas são outros quinhentos quando a carne tiraniza... Enfim, se o sujeito é feio, não é assediado, tem medo do inferno, não é vítima dos próprios hormônios, não vejo muito mérito em sua castidade. Que mérito há no único homem de uma ilha não ter querelas com outros seres humanos? É evidente que a velhice suscita mil méritos, pelo cenário de decadência física e consequentes provações, pela tendência ao pessimismo e à casmurrice. Montaigne produzir aqueles profundos, deliciosos e otimistas ensaios sob as atrozes dores de parto de suas pedras nos rins aumenta, definitivamente, seu mérito em tê-los escrito.

Que mérito há em ser ateu quando se tem saúde e dinheiro? Não existe ateu em aviões caindo, dizem. Muito pelo contrário. Quando eu voltava do Japão, o avião sofreu uma violenta turbulência. Olhei para os lados e reparei nas expressões dos passageiros. Praticamente todos estavam de olhos fechados e balbuciavam orações. Fiquei com vontade de rir e minha esposa censurou-me com um empurrão, com medo de que eu gargalhasse. O voo normalizou e todos devem ter agradecido a Deus pela graça alcançada, porque certamente o avião teria caído se ninguém tivesse rezado. Eu, por meu turno, confio nas estatísticas. Voltando, o mérito em ser ateu pode ser menor, mas não confio tanto no juízo de quem perdeu a frieza de raciocínio, cultivada nos tempos em que pensava livre de ameaças e de medos, por temor da morte.

Logo após o jejum de quarenta dias e quarenta noites, superado pelo carioca Erikson Leif, que ficou comprovadamente 52 dias sem comer, Jesus foi tentado pelo demônio. Que mérito há em rejeitar os reinos terrestres que o diabo oferece quando se é o próprio cocriador de tudo o que existe e de tudo se pode dispor quando bem entender? O C. Mouro bem disse: "É como alguém querer subornar o filho do Bill Gates oferecendo-lhe uma cópia pirata do Windows 95".

Que mérito há em realizar profecias como "entrar em Jerusalém montado num jumentinho", quando é tão fácil roubar um para cumpri-las? Para aqueles "lírios do campo", difícil seria trabalhar para conquistar o próprio meio de transporte, isso sim. Ok, Jesus ordenou aos discípulos que, se o dono dos animais reclamasse, lhe dissessem que necessitava da jumenta e do jumentinho e que sem demora os devolveria.

Que mérito há em dar a vida pela humanidade sabendo que se ressuscitará no terceiro dia? O herói que dá a própria vida ou que a arrisca por outros que não conhece – sacrificar-se pelos familiares demanda menos heroísmo – sabe que a terá perdido irremediavelmente, com todos os encantos que pode proporcionar. Quantos não pulariam do alto de penhascos se soubessem que voltariam a viver depois de 36 horas? Creio que haveria parques de diversões “radicais” onde viciados em adrenalina morreriam em acidentes de avião para sentirem na pele toda a emoção do desastre. Esbaldar-se-iam em uma festa de arromba de lápide, chamada por exemplo de “Ressurrection Rave”, após letargias de 36 horas em sepulcros de luxo como o de José de Arimatéia, amigo de Jesus que lhe emprestou sua tumba com a condição de que a desocupasse em pouco tempo.

Ah, e que mérito há em ter seus erros resgatados por outrem?

Que mérito há em um deus onipotente criar todas as coisas? Deve ter-lhe custado menos que a tartaruga ganhar a corrida da lebre, na fábula de Esopo, dado menos trabalho do que um bezerro recém parido equilibrar-se sobre os cambitos. Além do mais, um ser perfeito não age senão do melhor modo possível, nunca se vê no dilema de escolher entre duas ou mais opções, não precisa de discernimento porque não escolhe, não tem livre-arbítrio; se não o possui, não tem mérito, não é inteligente, é uma engrenagem natural, é como uma pedra. Baal não era de pedra e, não obstante, era deus? Pensando bem, as palavras gravadas no tambor cilíndrico da base da cúpula da Basílica de São Pedro, retiradas de Mateus 16, 18, são bem verdadeiras se as considerarmos direcionadas para Javé: "Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam mean" - Tu és Pedro (pedra) e sobre esta pedra edificarei minha igreja.

No Gênesis, Javé parecia-se mais com um deus vivo. Até mesmo descansou no 7º dia... Na verdade, aquele era o primeiro dia em que o homem criava deus, e este era ainda mal acabado, recém saído do barro. Cometia erros e arrependia-se. De moral torta, afogava crianças em dilúvios, sua onisciência e onipresença não estavam plenas e ele precisava perguntar às criaturas o que faziam, descer de seu trono para ver de perto a torre construída em Babel, era ciumento, iracundo. Hoje, no sexto dia da criação, seus atributos presentes retroagiram e ele sempre foi um onipotente, onisciente, onipresente e bondoso deus cristão panteísta zen-budista, que salvará até mesmo os ateus malvados, porque não sabem o que fazem e portanto devem ser perdoados, como pediu Jesus enquanto estava pregado na cruz - pregado mas divinamente anestesiado, imagino.

Concluo este post com uma última pergunta retórica, sob a premissa, claro, de que somos regidos por um deus capaz de tomar decisões: Se devemos amar os inimigos, porque não há mérito em amar os que nos amam, que mérito há em salvar apenas os crentes bondosos? Qualquer deus é capaz disso. Mérito há em destinar ao paraíso ateus irônicos que se riem das sagradas histórias da carochinha contadas por aqui desde que passamos a ter medo da morte...

21 comentários:

zefirosblog disse...

É o melhor texto que li nesse ano. Um artigo que eu gostaria de ter escrito.

A questão da humildade me lembrou aquela citação atribuida a Shopenhauer: "O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita pela qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não tem!"

Anônimo disse...

Qual e o mérito de ser branco loiro vascaino e carioca
Blá blá blá
Pra se ter mérito tem que ter esforço
Tudo que independe de nossa vontade não e mérito

Catellius disse...

Que é isso, Raphael! Não exagere, haha. Mesmo assim, muito obrigado!

Acrescentei duas frases ao final do parágrafo sobre a castidade e criei um parágrafo sobre os ateus.

E meu irmão me deu uns toques sobre algumas mesóclises mal empregadas, inseriu uma ou outra vírgula no texto, e that's it. Confesso que escrevo seguindo o bom senso, adquirido ao ler e ao escrever, ao tentar me fazer entender. Não sei o nome de muitas figuras gramaticais, de tempos verbais. Por isso volta e meia me embanano...

Bom, colo aqui o que acrescentei ao post:

"É evidente que a velhice suscita mil méritos, pelo cenário de decadência física e consequentes provações, pela tendência ao pessimismo e à casmurrice. Montaigne produzir aqueles profundos, deliciosos e otimistas ensaios sob as atrozes dores de parto de suas pedras nos rins aumenta, definitivamente, seu mérito em tê-los escrito.

Que mérito há em ser ateu quando se tem saúde e dinheiro? Não existe ateu em aviões caindo, dizem. Muito pelo contrário. Quando eu voltava do Japão, o avião sofreu uma violenta turbulência. Olhei para os lados e reparei nas expressões dos passageiros. Praticamente todos estavam de olhos fechados e balbuciavam orações. Fiquei com vontade de rir e minha esposa censurou-me com um empurrão, com medo de que eu gargalhasse. O voo normalizou e todos devem ter agradecido a Deus pela graça alcançada, porque certamente o avião teria caído se ninguém tivesse rezado. Eu, por meu turno, confio nas estatísticas. Voltando, o mérito em ser ateu pode ser menor, mas não confio tanto no juízo de quem perdeu a frieza de raciocínio, cultivada nos tempos em que pensava livre de ameaças e de medos, por temor da morte."

Abração!

Catellius disse...

Raphael,

Gostei dessa frase de Schopenhauer.

Falando nele, inventei de ler aquele livro "Como vencer um debate sem precisar ter razão", prefaciado e anotado por Orvalho de Caralho (porra).

Putz... Absolutamente tudo o que o Orvalho escreveu é lixo. Percebe-se nitidamente o metafísico insidioso a querer subverter a razão em prol das próprias crenças. Triste. Fiquei com vontade de extrair na tesoura tudo o que não fosse de Schopenhauer. Sobraria uns 15% do livro. O tratante usou o nome do alemão para vender suas baboseiras. O nome maior deveria ser o do Orvalho e os 38 estratagemas do alemão deveriam aparecer como citação, entre aspas. E aí ninguém seria enganado...

Claro, e o livro não venderia nada.

Colo, a seguir, outras frases sobre mérito, facilmente encontradas na Web:

O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler.
Mark Twain

A censura é o imposto da inveja sobre o mérito.
Laurence Sterne

O mundo recompensa com mais frequência as aparências do mérito do que o próprio mérito.
François La Rochefoucauld

Aquilo que não é necessariamente uma escolha não pode ser considerado como mérito ou como fracasso.
Milan Kundera (é o que o anônimo escreveu nesta caixa de comentários)

Ninguém considera a sua ventura superior ao seu mérito, mas todos se queixam das injustiças dos homens e da fortuna.
Marquês de Maricá

Um grande mérito força o respeito, e afugenta a adulação.
Marquês de Maricá

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.
Miguel de Cervantes

O dinheiro destinado à beneficência não tem mérito, quando deixa de representar um sacrifício, qualquer privação.
Cesare Cantú (palavra que não havia lido esta frase quando escrevi sobre caridade. Acho que porque isso é autoevidente)

O verdadeiro mérito é como os rios: quanto mais profundo, menos ruído faz.
George Halifax

Os homens sem mérito algum, brochados de insígnias e de ouro, são comparáveis aos maus livros ricamente encadernados.
Marquês de Maricá

Em tese geral não há homem feliz sem mérito, nem desgraçado sem culpa.
Marquês de Maricá

Catellius disse...

"Que mérito há em ser bom, puro, quando se é criança e não se tem mais maldade que um bichinho irracional qualquer?"

Um adulto que foi nocauteado pelas costas e jaz amarrado à mercê de um psicopata não está tão indefeso quanto um bebê de colo? Ele antever o que lhe acontecerá não torna sua morte mais angustiante? Ele ter anos de estudo, uma vasta teia de amigos, colegas de trabalho, de irmãos, filhos, tecida por décadas, não torna sua morte muito mais atroz para a sociedade do que a de um bebê? O que nos choca, se a vítima é um bebê, é a ausência de motivos para o crime, a impossibilidade de a criança ter feito algo de mal para o criminoso, o anômalo estado feral do monstro que lhe torna imune a criaturas tão mimosas e frágeis, que a natureza fez atraentes para que fossem protegidas por seus semelhantes, a empatia que nos coloca no lugar do pai e da mãe que conviverão para sempre com tal pesadelo, a empatia que encena a tragédia usando nossos filhos como atores.

Catellius disse...

E os que conferem mérito a si próprios a posteriori, um mérito cheio de autocomiseração?

Um sujeito que, na infância, caminhava 5 quilômetros feliz, de pés descalços, da casa até a escola, cheio de esperanças, feliz porque iria encontrar a menina por quem estava enamorado; hoje, multimilionário, lembra-se daquilo com lágrimas nos olhos, imagina-se percorrendo o caminho hoje e, projetando o sacrifício imaginado para o passado, julga que se esforçava herculeamente, que sofria, mas, qual herói clássico, era feliz e tinha esperança...

Anônimo disse...

Paulo Coelho

O perdão é uma estrada de mão dupla. Sempre que perdoamos alguém, estamos também perdoando a nós mesmos.

Se somos tolerantes com os outros, fica mais fácil aceitar nossos próprios erros. A partir daí, sem culpa e sem amargura, conseguimos melhorar nossa atitude diante da vida.

Pedro perguntou a Cristo: “Mestre, devo perdoar sete vezes meu próximo?”

E Cristo respondeu: “não apenas sete, mas setenta vezes sete”.

Quando – por fraqueza – permitimos que o ódio, a inveja, a intolerância fiquem vibrando ao nosso redor, terminamos nos consumindo nesta vibração. O ato de perdoar limpa o plano astral, e nos mostra a verdadeira luz da Divindade.

C. Mouro disse...

Bom demais da conta!!!!

Dei uma olhada mas ainda vou ler com calma e comentar esse brilhantíssimo texto.
Este veio suprir minha necessidade. excelentes textos são sempre necessários.

O velho Schop era porreta demais, um verdadeiro pensador, mesmo amargurado pelo baixo reconhecimento em sua época, ainda assim foi capaz de pensar como um pensador deve faze-lo.

São inúmeros os breves e insofismáveis pensamentos do velho Schop.

Não me lembro de quem é a frase mas é perfeita:

"Algumas pessoas são humildes por ostentação"

A idéia do cristianismo oficializado e adicionado da realização da vinda do messias salvador foi a idéia do ardil.
Ha uma lenda sobre o livro dos ardis e tenho para mim que tal livro foi compilado para a versão bíblica.

O cristianismo oficializado como ideologia recomenda desapego a bens materiais.
- Sim, a pobreza não devia revoltar-se contra os governates, mas sim contra os gananciosos (pessoas más) que afeiçoados às riquezas não eram afeitos ao pagamento de tributos extorsivos.

O cristianismo tb mandava amar o inimigo tanto quanto mandava dar a CÉsar oq (não) era de César.
- Sim, exibir ódio contra os governantes teria que ser visto como algo imoral, praticado por malvados e sobretudo deveria amar ao senhor que o escraviza (foi dito literalmente) para assim tornar o senhor menos preocupado e mais bem servido.

A recomendação de JC para que não reclames quando roubarem oq é teu é por tabela um "não reclame dos impostos" além de aliciar a simpatia de bandidos.
Quando sugere que de a capa a quem te pedir a tunica ou de a topdos que te pedirem é um meio de aliciar os necessitados e vagabundos para que montem fileiras em defesa dos "distributivistas" remunerados (e mto bem).
Os facinoras, os bandidos, são os melhores soldados, os melhores jagunços. Não é atoa que as cadeias são tão frequentadas por lideranças cristãs, entrou no sangue. Cristãos não eram pacíficos, certamente incendiaram Roma como acusados, por mais qque neguem a autoria e atribuam a Nero o ridículo da lira em meio ao incendio.

Uma boa olhada no cristianismo e percebe-se que foi uma ideologia absolutamente favorável ao Poder do governo e, no estilo Sun Tzu, uma estratégia para semear a discórdia, rancor, inveja e alimentar a vaidade estúpida tanto de lideranças quanto de seguidores recalcados e frustrados por não serem capazes de corresponderem as próprias expectativas.

Nietzsche usufruiu muito de seu mestre Schop, complementou-o perfeitamente.

Abração e claps claps!!!

C. Mouro disse...

Minha homenagem à justissia brasileira em especial, por mérito absoluto ante demais justissas.
(Obs: a grafia certa para o que se tem, pois que justiça é idéia já ha muito superada)

Moral e vergonha na cara!

+A adoção de uma ideologia (conjunto/estudo de idéias para atingir um fim idealizado) como complemento moralmente consagrador para o indivíduo, que arrebanha-se ao grupo de seguidores como parte de um “coletivo superior” do qual tem a pretensão de parasitar as glórias coletivas ou mesmo de algum adepto enquanto individualiza fracassos dos integrantes, não é algo diferente da adoção de um time de futebol como mito representativo agregante, que captura pela emoção para cegar e imbecilizar. O objetivo é deliciar-se com as glórias da “representação coletiva” iludindo-se com fantasias convenientes. Assim, como em jogos de futebol, para jogadores e torcedores não interessa a qualidade do jogo, mas apenas a vitória que pretensamente os consagra, da mesma forma para um fiel a uma ideologia provedora de valor moral ante uma comunidade ideológica, a verdade e a coerência não interessam em nada, pois que o valor do indivíduo está em defender cegamente a ideologia “salvadora” que por tal o justificará em todas as suas leviandades, canalhices, perfídia e demência simulada. Afinal, a ideologia cuja a finalidade a tudo redime deve ser defendida por fiéis acima do bem e do mal, acima da verdade e da mentira, acima do certo e do errado como se a promessa ideológica por si valorizasse acima de tudo aqueles que se exibem defensores de algo que se afirma acima de tudo: um objetivo supremo bem como supremo e redentor será quaisquer meios em sua defesa invocados. Guiados por tal objetivo tudo que possam fazer em seu benefício é praticado sem pejo, toda deslealdade passa a ser entendida como habilidade ou justifica-se pelo fim consagrador que a tudo redime com seu encanto imbecilizante. Nesse jogo de falsidades tudo é válido em busca do objetivo consagrador que tudo redime, que faz menor tudo que em seu nome seja praticado.
Assim, para tipos fanatizados por desejos de glória ou atormentados pela inveja que surge da vaidade recalcada, a percepção da derrota lhes consome as entranhas, tornando impossível o remorso, espantado através de novos fingimentos sobre a nobreza do objetivo.
Cito Erasmo:
“Diziam os gregos, outrora, odeio o conviva que possui excelente memória, de tudo se lembra” ...hehehe! ...a memória “do jogo” pode ser cruel.
Já dizia o filósofo: “ter memória fraca é ótimo...”
.
(continua)

C. Mouro disse...

(Continuando)
Moral e vergonha na cara – 14 – 01 – 2005 — C. Mouro

Conta a estória que o amigo de um sujeito que fazia coisas condenáveis perguntou-lhe:
- Você não sente vergonha de fazer estas coisas?
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No que seu amigo turvo respondeu:
- Vergonha!??? o que é isso? ...imagino que seja algo que apenas aqueles que a possuem sabem o que é.
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O Socialismo, intervencionismo, autoritarismo, dirigismo, assistencialismo e etc., se faz não só por suas promessas materiais, mas principalmente por sua aparência moral, ideológica. As massas anseiam por valorização moral, e não apenas pelo padrão material. Digo mesmo que a sedução moral é mais forte que as promessas materiais, e por tal o fracasso material dos socialismos não toca tão profundamente quanto o faria a exposição de seu fracasso ético e moral. A idéia de Liberdade igual para todos não deslancha rapidamente porque os que a defendem focam prioritariamente sua eficiência material, pouco se atendo ao campo ético ou na superioridade moral da Liberdade.
Assim, a farsa moral dos salafrários engabela, mesmo diante do estrondoso fracasso material de sua ideologia pérfida, safada e em nada científica. A falta de vergonha na cara dos farsantes profissionais e amadores lhes permite a persistência nos embustes que disseminam com a mais deslavada cara de pau, lançando alegações falsas, “quiabólicas”, e ardilosas evasivas para escorregarem das questões. QUALQUER COISA LHES SERVE DE APOIO MOMENTÂNEO, NÃO SE ENVERGONHAM DE DIZER UMA COISA AQUI E OUTRA ALI EM CONTRÁRIO; COMO SE A MERA ALEGAÇÃO DE MOMENTO LHES SERVISSE COMO ARGUMENTO PARA SIMULAR UMA REFUTAÇÃO OU RESPOSTA, INDEPENDENTE DE QUALQUER COERÊNCIA COM ALEGAÇÕES E ARENGAS PASSADAS OU PRESENTES. VIVEM PELOS SIMULACROS. Pouco se importam em serem desmascarados até pelos fatos, e menos ainda por raciocínios, pois se guiam apenas por seus objetivos, mesmo quando mais psicológicos que materiais. (o assistencialismo lhes dá a aparência moral e até messiânica, para camuflar a porca essência)
.
A moral é uma recomendação de conduta que visa estabelecer a forma de indivíduos se relacionarem numa comunidade, criando regras de comportamento. A moral não é, necessariamente, elaborada em bases lógicas visando a justiça, ela pode ser arbitrada sob a expectativa de formar um consenso ou mesmo imposta como “verdade” por aqueles que possuem ou almejam possuir o Poder coercitivo para estabelece-la como “verdade” a ser seguida; ou “verdade legal”, no sentido de apoiada no Poder estatal; concebendo-se assim uma “verdade socialista” ou até “verdade marxista”, diferente da verdade que se pode descobrir pelo raciocínio lógico e reconhecimento dos fatos.
(Continua)

C. Mouro disse...

Todo socialista, intervencionista, autoritarista e etc., é um moralista de quatro patas, no sentido pejorativo da palavra, é sempre vaidoso, é aquele que almeja fazer de suas preferências ou conveniências a expressão da verdade, e sempre invoca a moral dogmaticamente, normalmente sob a promessa de fins (como mero meio para um fim fantasioso, desejável ou assim alardeado e até devido - ideologia). É sempre alguém dogmático, impermeável à razão, que não admite reflexões sobre suas assertivas estúpidas e imbecilizantes, que geralmente extrai dos próprios anseios sem nenhum raciocínio próprio que possa expor, sequer como tentativa de argumentação. Repetindo insistentemente e impertinentemente, como um papagaio atormentado, coisas que nem mesmo entende e tão pouco sabe fundamentar, senão com alegações levianas, deturpações e falsificações, enroscando-se em meras alegações absurdas que só enganam quem deseja ser enganado. E é precisamente por isso que o marxismo e o socialismo conseguem fôlego, mesmo sob a montanha de suas imbecilidades mais que comprovadas; até pelos fatos.
Evidente que tal tipo de indivíduo, que invoca uma “moral salvadora”, dada a sua propensão ao dogmatismo, não se prende a qualquer princípio racionalmente elaborado, pois apenas visa seu interesse ao reivindicar o estabelecimento de um comportamento, até momentaneamente, “moral” para atender seu interesse, por vezes de momento. Assim, é comum que se enrosque em contradições e levianas alegações que não sabe fundamentar com raciocínios; das mais ridículas e imbecis. Contudo, apesar da idéia de moral, aparentemente, visar pressionar o individuo para um comportamento coerente, envergonhando-o ante a própria violação das recomendações morais que possa afirmar adotadas, o moralista ideológico não se tomba ao pejo. E isso é lógico, pois sua “moral” visa unicamente os seus objetivos, reivindicando o comportamento alheio e não o seu próprio. Assim, as contradições em que se envolve não o envergonham, pois o que almeja é o objetivo conveniente e não a verdade, nem o comportamento coerente. MENTIR DESCARADAMENTE, DETURPAR, DEFORMAR, FALSIFICAR E ETC., LHE PARECE APENAS O “MEIO MORAL” (DA SUA MORAL) PARA CONSEGUIR SEUS OBJETIVOS PSICOLÓGICOS OU MATERIAIS. Neste caso a moral torna-se apenas um instrumento para seus intentos pérfidos, não sendo ela o fim e sim um meio utilizável para atingir seu objetivo: a ideologia como ‘a verdade’ incontestável que levará ao ‘fim supremo’. Diante disso a ideologia torna-se a ‘fonte dos valores’, e sua adoção é valorizadora em si mesma para os adeptos, que se ufanam e ostentam o clamor ideológico como honraria suprema - fundamentados na anuência de seus pares – como a vangloriarem-se sobre os demais; como se o apoio de seus pares ideológicos fosse prova da verdade. ISSO É DE FATO UMA ESQUIZOFRENIA CONVENIENTEMENTE FORJADA. Assim, neste ambiente mental deformado pela ideologia, a razão não penetra, nem mesmo acompanhada de fatos reais inegáveis (lógico! ou não seria esquizofrenia). Assim, nada atinge aquele que vive em função da ideologia, para através dela colher a “personalidade” que o valoriza, espanta seus temores ou alivia suas frustrações.

Portanto, aquilo que causa constrangimento, vergonha, devido a razão, não é assimilado por estes tipos e nenhum efeito neles produz. Pois só assimilam o que vem do senso comum (ambiente) de seus pares ideológicos, sobretudo quando este é o mais visível ou ostentado como a verdade redentora (neste caso já nem se isolam em seus grupos, mas clamam mesmo perante os dispersos para exibir-lhes seu orgulho postiço; ou vício incontrolável); para síntese disso aproveito-me de uma frase de Olavo de Carvalho:

- “Opiniões,., (já) não são hipóteses concebidas para tentar descrever a realidade. São símbolos de uma personalidade ideal, próteses psíquicas em que se amparam as identidades pessoais vacilantes. São amuletos”.

...exatamente! ...condordo em gênero, número e grau.
(Continua)

C. Mouro disse...

(continuando)
Na verdade, o grupo de apoio ideológico substitui a razão, de modo que a consciência nada mais julga e nada produz em si ou no indivíduo então liberto de qualquer vestígio de vergonha na cara, apenas utilizando-se da moral que propagandeia como ferramenta útil a seus objetivos, usando-a para cobrar comportamento dos demais, embora nunca de si mesmo ou de seus pares ideológicos. ASSIM, A MENTIRA, A MEIA VERDADE, A DETURPAÇÃO, DESCARAMENTO, DISSIMULAÇÃO, COVARDIA, ATROCIDADES E ETC., SÃO MESMO LOUVADOS QUANDO USADOS EM BENEFÍCIO DA IDEOLOGIA, OU DESCONSIDERADOS EM NOME DA “CAUSA SUPREMA” QUE A TUDO JUSTIFICA “MORALMENTE”, ATÉ MESMO A PRÓPRIA IMORALIDADE ABSOLUTA. ...e isso parece dialético ...hehehe!
.
Não é outro o motivo de intervencionistas, socialistas e marxistas serem moralistas arbitrários, impermeáveis à reflexões. São sempre dogmáticos e levianos. O que lhes importa é apenas o seu interesse de momento e seus objetivos, a tudo se permitindo no agir e no alegar, sem a mínima noção do que possa ser “ter vergonha na cara” ou ter dignidade. Apenas almejam objetivos que não incluem o respeito a si mesmos, a coerência ou a honestidade; pois não se representam, mas sim o mito ideológico que glorificam e cultuam. Se são desmascarados em suas peripécias; se flagrados em seus ardis, mentiras, leviandades, falsificações, deturpações e deformações, não se constrangem, pois a honestidade, coerência e auto respeito não se encontram entre seus objetivos.
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Quando os anúncios de que “os EUA armaram Saddan” ficaram insustentáveis, por falta de indícios que pudessem ser exibidos, simplesmente “esqueceram” de continuar repetindo a (des)informação; ...quando aqueles que reivindicavam CPIs em nome da “ética na política” se viram expostos a inúmeros escândalos (nunca tantos), passaram apenas a clamar contra o “denuncismo”; ...quando exibidos defensores da democracia e paladinos contra as ditaduras (que berravam emocionadamente seu clamor moral contra as “dita duras” dos milicos BR e Pinochet) foram questionados por sua admiração e subserviência a Fidel Castro, descaradamente bastou-lhes afirmar que não deviam se intrometer na política alheia. ...quando do massacre na Praça da paz Celestial, da queda do muro de Berlim, do colapso da URSS e etc., estes pulhas, sem poder nega-los, apelaram para alegações de que aquilo não era o socialismo que almejavam e, ridiculamente, chamaram de “socialismo real”, como se defendessem um “socialismo irreal”, diferente daquele que espantaria os imbecis que aliciaram com seus clamores morais por um “mundo melhor” com um “novo homem” (os canalhas persistiriam, pois nunca foram enganados).

...quando um facínora preso exibe seu ardor moral reivindicando direitos humanos e bons tratos, quando seus amigos e parentes clamam por justiça contra os maus tratos que recebem na prisão, estão apenas usando uma reivindicação moral para dela se beneficiarem, ou atingirem seu objetivo de benefício, pois não exercitam estes clamores entre si ou para com suas vítimas, usando-os apenas como ferramenta útil para o momento e não por os terem como moral e muito menos por análise ética.
(Continua)

C. Mouro disse...

(continuando - Final)

...o descaramento destes farsantes é infinito. Mas com tais clamores que embutem aparente aprovação aos que os atenderem, compram pretensas consciências, baratas, daqueles tipos atormentados que, desesperados por não encontrarem em si mesmos apoio em suas próprias consciências individuais buscam apoio de “consciências” alheias ostentadas, ardilosamente, como gloriosas e dignificantes. Pois a herança símia leva os que não encontram em si o prazer do orgulho consciente a imitarem aquilo que lhes é exibido como engrandecedor, tentando repetir em si o prazer moral (quiçá ético) da ostentada consagração alheia. Como se comprassem uma bela peruca para convencerem-se de que possuem uma bela cabeleira, ou pelo menos para exibi-la como se própria fosse. Desta forma, despem-se inescrupulosamente de tal “cabeleira” ante interesses maiores, sem qualquer constrangimento, novamente vestindo-a mais adiante quando interessar: uma moral postiça destituída de qualquer análise, coerência ou lógica, ética, que se ampara em “consciências coletivas” arbitradas e ostentadas por grupos ou meros coletivos ideológicos, que arbitram e ostentam concepções morais exibidas consagradoras, independente de qualquer lógica ou análise ética para tal. ...e etc. etc. etc. ...enfim, há muito a ser dito.
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PARA ESTES TIPOS SEM VERGONHA NA CARA, MESTRES NOS FALSOS CLAMORES, NAS ALEGAÇÕES DOGMÁTICAS, NA LEVIANDADE, NA MENTIRA, NAS FALSIFICAÇÕES E DEFORMAÇÕES, BASTA QUE CONCEBAM NOVAS ALEGAÇÕES, ESTÚPIDAS QUE SEJAM, PARA SEREM “BEBIDAS” PELOS IMBECIS E OPORTUNISTAS, E ATÉ POR SI MESMOS; COMO SE SEUS SIMULACROS PUDESSEM TER A APARÊNCIA DE INEGÁVEL REALIDADE. Isto lhes basta para que com a mais deslavada cara de pau persistam em seus embustes “científicos” sobre o “mundo melhor” que afirmam desejar com suas ideologias safadas: seu “asinus asinum fricat”. Nada os constrange, poderão ser desmascarados, flagrados e desmoralizados, e ainda assim persistirão com a mais desavergonhada cara de pau alardeando os seus embustes, empulhando com seus enredos falaciosos, pois não passam de pulhas sem qualquer noção do que seja vergonha na cara.

...vergonha na cara!? ...o que é isso? ...perguntam os pulhas. E através deles o Socialismo, o dirigismo, intervencionismo, autoritarismo e o messianismo conseguem o néctar que os sustenta.
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Abraços
C. Mouro

Obs.:Se não me engano, B. Mandeville:
“Até quando as pessoas de bem ficarão a mercê dos canalhas? ...até o dia que as pessoas de bem tiverem a mesma ousadia dos canalhas”.

(Catellius: Por favor apague a repetição)

Forte abraço!
E sorte neste pais onde rabo preso é interpretação legal

C. Mouro disse...

Grande Catellius!
Brilhante como sempre!

Faço minhas as palavras do "Zefirosblog", também queria ter a idéia de escrever algo neste sentido.

Fechou com chave de ouro cravejada de brilhantes:

"Mérito há em destinar ao paraíso ateus irônicos que se riem das sagradas histórias da carochinha contadas por aqui desde que passamos a ter medo da morte"

De fato, qualquer deus salva seus bajuladores e lhes concede uns mimos até qdo em vida. Mas somente um deus magnânimo seria capaz de salvar seus críticos e achincalhadores ...hehehe!
...Essa foi mesmo suprema!

...mas eu nunca entendi o prazer de um deus onipotente, criador do universo e de todas as criaturas, em ser cultuado por suas criaturas, menos entendo ainda esse prazer se motivado pelo medo que estas criaturas possuem dos castigos por não faze-lo, bem como por estarem interessadas nos favores do grande deus. Não faz sentido!

C. Mouro disse...

Para que um deus quer ser cultuado e que raio de sentimento é esse que o faz desejar que suas ínfimas criaturas se humilhem perante si?
Ora, isso é humano, demasiado humano para que possa ser aceito como divino.

As autoridades que assim se impõem por meio da força, alheia ressalte-se, é que apreciam ostentação de submissão dos súditos que fazem. Estes humanos que meramente por comandarem o poder físico contra indivíduos ou grupos ante eles indefesos é que sentem-se envaidecidos ante mesuras de ostentação de submissão quanto de exaltação ao sebhor. Meretrícimos é que se querem chamados meritíssimos, são aqueles que se alçam a posições hierarquicas, que em nada enobrecem o individuo, é que exigem a ostentação de submissão em rituais idiotas que visam meramente amansar o senso crítico pela repetição (lavagem cerebral).
Ritos e rituais são apenas decorrentes das exigências humanas para tentarem se convencer de que tal lhes atribui ou lhes reconhece qualidade, além de tais exibições proporcionarem a sensação de inferioridade nos súbalternos. Pois que aquilo que é captado pelos 5 sentidos pode acabar por superar o que seria captado pelo que chamo de sexto sentido (A razão: dado que esta usa as informações dos demais sentidos para analisar e aprimorar a informação. Ilusões de ótica podem ser desprezadas pela razão, bem como sons podem não dar a informação correta: o bramir de um elefante no no box do banheiro da empregada jamais indicará que ha lá um elefante). Eis a lavagem cerebral: o excesso de impressão do que captam os 5 sentidos superando aquilo que a razão captaria, simplesmente por não deixar que esta atue ante clima emocional produzido. Afinal, sob forte emoção a razão tende a ser anulada, é preciso serenidade para pensar e julgar, é preciso treino para resistir ao medo, ao panico, a paixão e etc..

Enfim, o onipotente deus é tão emocionalmente frágil quanto o ínfimo humano, é tão suscetivel a emoções quanto o mais reles humano: mostra-se ciumento, raivoso, soberbo, vingativo (castigo irracional, sem que a idéia de justiça assim o determine - vinga-se do que desagrada castigando, sem que nenhum mal gratuito tenha existido), vaidoso e etc.. Ora, um deus onipotente e sábio, criador de tudo (e incriado ...hehehe!) "porque nada se cria sozinho", não poderia ser tão reles quanto sua reles criatura. É mais plausivel que reles humanos criem deuses a sua imagem e semelhança do que o contrário. Fosse o humano imagem e semelhança de um deus tão estupendo e os humanos não seriam tão estúpidos; não acreditariam em bobagens, não seriam tão manipulaveis ao desejarem mais as aparências do que a essência, não seriam tão vaidosos (que os faz manipuláveis) e jamais aceitariam que a humilhação alheia ante si confirma superioridade, não aceitariam que um cargo hierarquico faz o homem e sim que a respeitabilidade de um cargo é devida ao homem que o ocupa e não o contrário. Ou seja, o cargo não vale nada, por mais que ritos e rituais idiotas assim tentem induzir a se crer. Um indivíduo sem cargo, meramente como indivíduo pode ter a inteligência, a dignidade, a consciência e o orgulho sincero que nenhum outro consegue seja lá no cargo que for.

É estúpido um deus, tal qual humanos, se envaidecer com exibições de submissão e mesuras ritualescas pretensamente indicativas de qualidade ou superioridade. Um deus que fosse deus desprezaria puxa-saquismos de interesseiros ou pulhas que se auto depreciam exatamente por acreditarem que a auto depreciação alheia ante si lhe reconhece qualidades e superioridade. Um deus não se importaria em ter seu mérito reconhecido sem que com isso recebesse algum beneficio efetivo, mas meramente afagos a sua humana vaidade.....

Um deus de verdade não seria tão humano, tão demasiadamente humano.

Abração!

Catellius disse...

Caramba! Obrigado!
O "brilhante" é mais em função de eu ser muito branco e de ter ido para o Japão logo após o acidente de Fukushima (é verdade; já tinha comprado a passagem antes do tsunami e resolvi não cancelá-la; foi bom, porque eu e outros familiares ficamos em hotéis 5 estrelas pelo preço de 2, e Nara e Kyoto eram só nossas...).
Brincadeira. Obrigado.
Estou no meio de uma entrega de projeto e não tive tempo de comentar seus excelentes textos, Mouro.
Entrarei amanhã sem falta!
Abraço

Catellius disse...

Grande Mouro,

"Os facinoras, os bandidos, são os melhores soldados, os melhores jagunços. Não é atoa que as cadeias são tão frequentadas por lideranças cristãs, entrou no sangue."

Perfeito. E clique neste link, para uma notícia correlacionada.

"Cristãos não eram pacíficos, certamente incendiaram Roma como acusados, por mais qque neguem a autoria e atribuam a Nero o ridículo da lira em meio ao incendio."

Tácito, historiador romano, diz que Nero estava em Atium, no momento do incêndio. Voltou apressado e arriscou sua vida para ajudar as vítimas. Um indício de que não incendiou é que o próprio palácio imperial foi parcialmente destruído. E ele promulgou uma lei obrigando as insulae (cortiços de até 5 andares) a terem a parede externa de alvenaria, para o fogo não se propagar. E os incêndios eram super comuns na Roma antiga.
Nero enlouqueceu, claro. Mas no começo era um bom imperador, segundo Suetônio.
Basta ler o "Contra Celso" de Orígenes para termos ideia do tipo de gente que eram aqueles primeiros cristãos. Fanáticos que odiavam a lei, os templos romanos, que se reuniam escondidos, o que era proibido. Roma era uma cidade plural, onde havia toda espécie de crenças e de deuses. Para os romanos, malucos adorarem um carpinteiro não devia ser nada de mais. O problema é que os intolerantes cristãos queriam destruir todos deuses de todos os povos que habitavam Roma e impor seu deus "amoroso" goela abaixo. Ou melhor, espada abaixo...

"Uma boa olhada no cristianismo e percebe-se que foi uma ideologia absolutamente favorável ao Poder do governo..."

Sim. E Constantino viu que o cristianismo seria um excelente instrumento de controle das massas. Na Roma antiga os principais deuses adorados eram as penates e deuses do lar, os seus próprios antepassados. Cada domo, cada casa, seus deuses privados. Como instituir uma religião de Estado com essa profusão de crenças? Além disso, as escolas filosóficas eram suficientemente populares entre a elite, que seguia o epicurismo - posteriormente difamado pelos cristãos - e o estoicismo de Zenão, Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio. Não havia como difamar estoicos. Então foram perseguidos e mortos, porque eram parecidos demais com o que o cristianismo tem de bom, a suposta mansidão, mas sem a subserviência ao poder, a moral do escravo.

Excelente seu texto!
Farei outros comentários em breve.

Abraços

Catellius disse...

"...com o que o cristianismo tem de bom, a suposta mansidão..."

Quero dizer, parecidos com o modo que os cristãos se viam, com a ideia que queriam passar. Os estoicos não desprezavam o mundo mas os luxos e estúpidas veleidades, e não estavam com a cabeça em uma vida futura, post mortem. Os estoicos achavam que "morreu acabou" e que não valia a pena lutar contra a natureza, esquentar a moringa com problemículos, etc. Seu ensinamento era muito mais suave e eloquente do que o cristão. Em muitos aspectos era semelhante ao epicurismo.

Os cristãos difamaram os romanos pagãos de tal jeito, ao longo dos dois últimos milênios, que até mesmo pessoas cultas repetem estupidamente que os romanos passavam o dia em orgias e bacanais. A elite era devassa como os Berlusconi e os jogadores de futebol de hoje, os papas renascentistas, os poderosos em todas épocas. O romano comum, como o cidadão comum de hoje, também não era, em geral, dado à boiolagem, a se acabar em festanças, a matar genitores e filhos, etc.

C. Mouro disse...

Show! Show de bola!
Perfeito no complemento dos comentários.

Os estóicos tinham uma filosofia e não uma ideologia. A filosofia baseia-se em principios e não em fins pretensamente redentores de erros e atrocidades, é racional, lógica, axiomatica, dedutiva, indutiva, coerente, tenta ser maximamente objetiva. A razão humana percebe e tem certa angústia em negar aquilo que é lógico. Isso faz com que o ódio surja como revolta contra aquilo ou aqueles que com suas críticas ou descrença se negam ao "asinum asinus fricat" necessário aos adeptos de ideologias desconexas. Afinal, psicologicamente precisam ouvir de si aquilo que não conseguem sentir. A velha substituição da consciência (produzida pela razão) pela "sabedoria coletiva" ostentada e ostensiva para impressionar os 5 sentidos e não o sexto (a razão que julga as informações fornecidas pelos 5 e se faz o sexto para formar a informação final). Algo como o desejo de que as aparências valham como essência.

A crítica e o desprezo por ideologias que oferecem objetivos redentores (fins idealizados - nem mesmo efetivamente ideais - em vez de princiopios) opõem-se a idéia de ideologicos de colherem seu valor pessoal nos fins que parentemente advogam em meio a alegações estapafurdias, arbitrariedades estéreis, desconexas e sobretudo contraditórias. Afinal, as ideologias são criadas por interesses espúrios que se pretende morais. Daí que um objetivo coletivo redentor é concebido como pretensa justificativa e assim tudo que se deseja é é defendido como meio de atingir tal objetivo que a tudo pretende justificar. Exatamente por isso as ideologias são desconexas, incoerentes, arbitrárias e estapafurdias. Não há um desejo de conhecimento e tão pouco pelo apregoado final supremo, redentor de todas as canalhices, mas sim o desejo de empurrar goela abaixo os alegados meios para supostamente atingir os fins. Porém, os meios são os verdadeiros fins dos ideológicos que apenas idealizam um alegado ideal para justificarem-se irracionalmente ante a própria razão. Daí o ódio contra os "adversários" que os ferem com sua critica e desprezo pela crença sempre farisaica para aliciar os inseguros, ansiosos por motivos para prezarem-se como indivíduos "salvadores da humanidade". Claro que canalhas percebem a oportunidade.

A filosofia estóica foi em parte destruida elos cristãos por esta ser a origem, realmente, do que de bom poderia ter o cristianismo. Foi mais um sincretismo tão comum a ideologias que para se firmarem aproveitam-se de crenças anteriores misturando-as em si para facilitar o aliciamento. Assim, a originalidade estóica poderia minorar a "qualidade cristã" e por outro lado, o mais importante, fatalmente como filosofia, coerente, poria abaixo o pieguismo e a fraudulenta teoria do cristianismo que permaneceria como seitas de maníacos (como atualmente alguns adeptos de "magia negra").
A vontade de destruir toda a filosofia estóica registrada seria mesmo a vontade de roubar sua originalidade atribuindo-a ao cristianismo e deforma-la paulatinamente (no sec XX isso foi conseguido) e fazer do humano um animal domestico da "casta superior".

(continua)

C. Mouro disse...

(continuando)
O cristianismo é apenas uma colcha de retalhos, um embuste dos mais nocivos. O cristianismo substituiu, com sua moral arbitrária, a ideía de mérito pela idéia da necessidade. Como se necessidade valesse mais que o mérito pela qualidade. A honestidade/lealdade foi substituida pela bondade como valor moral supremo (ética como filosofia da moral ou ciencia da moral, nada tem com consenso, costumes ou estabelecimento legal). A lealdade, a lisura de caráter, a verdade, a dignidade do orgulho de se desejar a conduta correta, foram tornadas secundarias pela moral do cristianismo onde tudo, absolutamente tudo é direcionado a impressionar os 5 sentidos e negar a razão que analisa informações para conceber outras. Não é atoa o apelo ao "não julgueis", afinal a razão é julgamento e julgar seria danoso a nova crença desconexa, repleta de absurdos e contradições.

O cristianismo assumido como ideologia estatal foi uma estratégia de Poder ante um império romano em decadência, com disputas internas e sem ter como manter a população submissa e pagadora dos tributos para custeio de exercitos. Sem muito mais a saquear, saqueia-se os próprios. Não é por acaso que a bíblia faaz suas referências aos impostos e não por acaso que o deus quer que paguemos os impostos e renunciemos aos frutos do nosso trabalho em favor alheio como uma das maiores qualidades cristãs. Afinal, o objetivo é o reino espiritual e ostentar desprezo pelo reino material é qualificativo moral.

Marx não esconde o sincretismo de sua ideologia com o cristianismo. Ambos prometem um "reino final glorioso" e ambos justificam suas arbitrariedades, bem parecidas, neste final glorioso para os fiéis.

...
Abs.

C. Mouro disse...

As rezas, orações e cultos foram inventados para que se possa fazer uma auto lavagem cerebral. Repete-se em pretenso transe uma arenga aburda com a nítida intenção de auto convencimento. A repetição só se faz necessária para tal fim.

Num avião em turbulência, sobretudo daquelas que comissários arregalam olhos e vão correndo se amarrar em cadeiras, uma crença sincera nos apelos ao deus não careceria de tantas repetições, bastaria um pedido e manter a serenidade da convicção da possibilidade da salvação ...hehehe! ...Que razão pode haver em reopetir freneticamente orações e pedidos de salvação? ...a quantidade seria importante para o deus? ..hehehe!

Ou se repete insistentemente por temer que o deus possa estar distraido e por tal não ouvir? ...só isso justificaria o frenesi das orações e pedidos, a menos que tal tivesse, instintivamente, a intenção de auto convencimento numa pretensa autolavagem cerebral que o desesperado tenta se impor. Só isso já demonstra que a crença é uma deliberação conveniente ou não haveria a repetição acelerada dos pedidos e demonstrações de fé e louvor numa instintiva tentativa de aliciar o deus vaidoso e tonto como um humano que deleita-se com exibições estéreis de louvor a si em demonstração de inferioridade.

São humanos que em sua vaidade (comparação com os demais) deseja exibir-se superior como se tal o convencesse de sua supeiroridade.
Não é por acaso os ritos e rituais que as "ortoridades" fomentam. É ostentação para auto convencimento.

Schopenhauer referiu-se a idiotice de se premiar com uma medalha estúpida um feito. Afinal, o feito para ser recompensado racionalmente sairia muito caro. Daí que paga-se com uma idiotice que vai suprir a vaidade e não o conforto Na verdade a medalha é um bem intelectual/psicologico (B. Russel) e não um bem material.
Isso percebido, não há como negar a genial sacada de Bertarnd Russel ao formular a idéia das duas ambições: a ambição material (finita) e a ambição intelectual (q chamo de psicológica - infinita). Ou seja, a ambição psicologica/intelectual é incomparávelmente mais forte que qq ambição material.
Ninguém se mata por dinheiro, para usufruir de bens materiais, mas é capaz de se envaidecer tanto com a glória, mesmo postuma, que vivendo-a em sua imaginação imediata, valoriza-a acima da própria vida.
Schop foi porreta, mas Spinoza também percebeu isso e deu a explicação. ...E isso nem é tão dificil de perceber, sobretudo percebendo-se que são dois tipos de ambição.

..to excedendo nas letras

Abração.

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