03 novembro 2017

Rodrigo Constantino: ARQUITETO BRASILEIRO TEM SUA COMPOSIÇÃO CLÁSSICA TOCADA POR ORQUESTRA EM SYDNEY, APÓS SER IGNORADO NO BRASIL

Rodrigo Constantino escreveu em seu blog na Gazeta do Povo as seguintes linhas, a respeito de minha composição e de meu texto no post anterior:


Nem só de funk vive o Brasil. Há outro lado, mas ele não recebe a mesma atenção da imprensa, e não é tratado como “grande arte”, pois não vem da periferia e não pretende falar em nome das “minorias”. Em suma, não atende aos requisitos de mascote da esquerda caviar, e por isso é ignorado.Falo, por exemplo, de música clássica. Composta em pleno século XXI, e no Brasil. Um desses “compositores” é também um liberal defensor do capitalismo, André Catelli, que tinha um blog chamado Pugnacitas, assinando com o nome Catellius. Ele é, na verdade, arquiteto, e por isso não tem o “selo” exigido por um país obcecado por títulos em vez de resultados. 
(...)
Não sou entendido em música clássica, sou apenas um consumidor esporádico. Gostei do resultado. Mas pelo visto se trata de coisa refinada demais para os brasileiros, pela ótica da elite formadora de opinião, que prefere glamourizar o funk, ou então reverenciar nossos compositores de MPB tratados como sumidades e também grandes intelectuais. É, de fato, uma patota.Nela não há espaço para talentos independentes, de quem não está disposto a fazer o jogo político de cartas marcadas. Um MC desses que “canta” sobre como quer explodir algum prédio, matar um policial ou destratar uma mulher será recebido em programas de televisão e tratado como um grande pensador e artista. Um pichador vândalo que suja muros da cidade será reverenciado por sua “arte” subversiva. Mas um “compositor” que teve sua música tocada por uma orquestra em Sydney? Sequer será notícia…É triste, muito triste. Porque há no Brasil esse outro lado, claro que há. Só que ele não recebe muito a luz do dia, pois não é do interesse dos “formadores de opinião”…

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Nem tinha pensado nesse aspecto do funk, mídia, etc. Talvez por já estar resignado aos tempos modernos. Nos EUA (não apenas) também aquele RAP mais antimusical, agressivo, cheio de palavrões, tem mais espaço do que músicas sublimes e consagradas como uma sinfonia de Schubert. Se o austríaco perde para uma efêmera excrescência que nem falada é mas latida, quem sou eu para achar que mereceria qualquer espaço na grande mídia... rsrs. E não acho que eu mereça aparecer na TV. Sou um mero diletante que brinca às vezes de fazer música.

Mas é algo típico do Brasil você não ter espaço no mundo hermético da música clássica (e outros) por serem ambientes dominados por patotas ligadas ao governo e às universidades, onde reina o asinus asinum fricat, onde o spalla (principal violinista) da orquestra pode ser um funcionário público com estabilidade, sem interesse em se aprimorar e fazer a plateia chorar de boas emoções. Enquanto violinistas brilhantes vão para o exterior e às vezes conseguem por lá o que não conseguem por aqui.

Abraços a todos!

4 comentários:

C. Mouro disse...

Ôpa!
Não poderia deixar admirar e manifestar meu prazer em ver um talento reconhecido.

Sinto-me recompensado cada vez que me alegro pelo brilhantismo alheio. Sim, isso acaricia todo meu egoísmo porque me demonstra sinceramente que não invejo aqueles que realizam, que são capazes.

Quanto a esta exaltação ostensiva de porcarias, feiuras, vilezas e toda sorte de vício em geral, eu julgo como as consequências da inveja.

SIM! Porque essa ostensiva exaltação ao lixo, ao fácil, ao feio, ao sujo, ao FRACO, ao POBRE, ao PULHA é na verdade uma VINGANÇA contra a VIRTUDE.

Uma estúpida vingança por parte destes que somente reconhecem em si o VÍCIO e então se unem a exalta-lo, ansiosos por fazerem da opinião mais visivel a "VERDADE" CONSENSUAL. Querem uma "realidade" artificial na qual se sintam mais confortáveis.

Considero que ainda se esta na FASE BINÁRIA da razão e assim tudo é julgado por "antagonismos justificadores" de forma que o feio existe porque há o belo, e o admirável só pode existir porque existe o desprezível. Há então a necessidade de INVENTAR antagônicos postiços na tentativa de elevar vícios à categoria de virtude. É um mecanismo mental de auto alimentação ou mais propriamente de auto alienação mútua.

Não é fácil criar algo belo, não esta ao alcance de qualquer um, então se exalta o lixo ostensivamente para relegar o belo, o dificil, o forte, o reto, o orgulho, o admirável e etc. a uma avaliação menor, numa oposição artificial pretensamente esclarecedora.

As dicotomias, maniqueísmos e simetrias diversas ainda são usadas para fabricar polarizações facilitadoras para inculcação.
Os tolos apreciam a facilidade das polarizações para definirem-se ante platéias através do MÍNIMO COMUM.
É absurdo, mas de fato a larga maioria humana interessa-se mais pela opinião alheia sobre si do que pela própria. Sinto-me forçado a homenagear Schopenhauer ao cita-lo nessa sua constatação sobre o desejo de honra (opinião alheia favorável).

Claro que TUDO É VAIDADE e esta constatação é milenar. A vaidade é o desejo pela opinião alheia favorável e é ela que faz da tal ESPIRAL do SILÊNCIO uma estratégia infalível para conduzir rebanhos humanos.
(Continua...)

C. Mouro disse...

...continuando

Acredito que a fabricação de valores anti natureza (bem apontado por Nietzsche, q aproveito para homenagear) foi a forma de oferecer a um povo que seria cada vez mais explorado por seus governantes, uma compensação moral pelas perdas materiais que lhe seriam impostas.

Assim uma ideologia justificou, no fantasioso futuro sem data e incerto que prometia, as novas virtudes, fáceis de simular e ostentar, que fariam das antigas virtudes, dificeis, os novos vícios.
Tal oferta imediatamente seduziu tudo que não prestava e, ante a ostentação de tão confortável "asinus asinum fricat", acabou por seduzir até parcelas ansiosas não tanto pelos novos valores, mas exatamente pelo "asius asinum fricat". Daí o convívio, irracional, com as contradições. Afinal a verdade e o interesse ao entrarem em conflito induzem à opção pela "realidade irreal"; o absurdo como expressão da "convivência entre contrários".

Assim o orgulho sincero foi considerado um vício, defeito ou pecado, por ostentar satisfação consigo mesmo, enquanto outros dele não poderiam desfrutar. A humildade, que por definição só pode expressar falsidade ou resignação, tornou uma virtude a ser simulada como ostentação de virtude, razão para orgulho (no caso postiço). Não há como subverter a realidade, pois ela se manifesta menos perceptível, mas estará lá.

Pela mesma ILÓGICA a riqueza foi amaldiçoada e a pobreza elevada a virtude indivídual. Porém somente para ostentação, já que intimamente não há razão para a fácil pobreza ser considerada uma virtude do indivíduo.

A fragilidade, a servidão, a fraqueza, o mal viver e etc. igualmente foram feitos virtudes novas oferecidas como vingança contra as velhas.
Assim se deu com os valores preconizados pela ideologia da ANTI NATUREZA.

Por fim até as artes foram contaminadas e meros rabiscos, feios e ao alcance das habilidades de qq animal se tornaram "obras de arte". Assim se deu com lixo ditos esculturas e mesmo com grunhidos e palavras soltas e acordes desconexos.

Enfim, é isso.
Porém se já não há "juizes em Berlin", ao menos é certo que ainda existem muitos com verdadeiros talentos e que os exercitam sem constrangimento. Isso é realmente confortante.

Abração
C. Mouro

Catellius disse...

Muito obrigado, nobre Mouro!

Você tem toda a razão! Tenho vontade de escrever algo sobre a arte moderna. Muita coisa a escrever. Pouco tempo.... rsrs
Vou transformar seu brilhante comentário em um post.
Chá comigo!

ps. após mais de 10 anos, acho que está na hora de você me revelar sua verdadeira identidade, rsrs. Pode escrever no catellius@hotmail.com

Abraço

C. Mouro disse...

.
Não ha o que revelar, sou exatamente o que você ja sabe.
Um anônimo sem nenhum destaque em nada.

Eu realmente queria possuir algum talento especial, mas jamais me interessei "no fundo da alma" por algo que me fizesse destacar nesse algo. Portanto fico conformado no espectro do mediano.

Ou seja, nada há a acrescentar: um sujeito sem qualquer nivel de destaque em coisa alguma.

Um forte abraço

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