01 novembro 2017

André Catelli - Waltz Fantasy in D Minor - Sydney Contemporary Orchestra


Acima, uma composição minha executada pela Sydney Contemporary Orchestra.

Após tentar marcar audiência com um maestro de Brasília e não obter resposta, enviar a partitura dessa minha composição a dois outros dessa cidade, na qual a Cultura natimorta consegue agonizar, e também não ter retorno - talvez por eu não fazer parter da patotinha acadêmica -, enviei-a ao maestro sino-australiano Dr. Brian Chatpo Koo, que analisou a partitura, fez algumas exigências técnicas e, para minha enorme surpresa, inseriu-a na programação seguinte de sua orquestra, no Concerto de 6 de outubro de 2017 no Verbrugghen Hall, no Sydney Conservatorium of Music, na mesma área da Ópera de Sydney. Fotos abaixo.




E colocaram meu perfil no site da Sinfônica como "compositor". Cliquem aqui.

Enviei também a meia dúzia de outros maestros e orquestras mundo afora e praticamente todos responderam e comentaram a música. A Orquestra Filarmônica de BRNO, na República Checa, se propôs a gravá-la em CD, juntamente com outras composições de outros contemporâneos, mas eu teria que pagar meu quinhão nos custos de gravação. Ainda assim, infinitamente menores do que aqueles para se contratar uma orquestra de 50 músicos e o espaço para os vários ensaios. Eu teria que pagar uns 2000 dólares. Uma quantia irrisória, convenhamos. Mas recusei. Hoje me arrependo um pouco.

Voltando para a sinfônica de Sydney, foram muito bem, considerando que fizeram apenas dois ensaios. Mas talvez por causa disso, entre os minutos 3 e 4 de música os trombones e os tímpanos soaram com um compasso de defasagem, o que deixou os trechos "dodecafonistas", ou melhor "cacofonistas". Ao longo da peça os trombonistas aprontaram uma ou outra. Quando tocam não devem ouvir senão eles próprios, não têm retorno do resto da orquestra. Acho que isso contribuiu. Então... Qualquer dissonância não é minha... rsrs! Abaixo, a partitura executada pelo programa Finale 2011. Comparem os trechos.



De qualquer modo, foi uma grande honra para mim. Fiquei surpreso também porque 99,9% das músicas contemporâneas executadas são modernistas, atonais, como podemos ver nos 8 vídeos do concerto, disponibilizados no site da Sinfônica. Cliquem aqui.

Outra orquestra que executa principalmente música orquestral contemporânea, a Kaleidoscope, de Los Angeles, tem também listados em sua página os compositores cujas músicas já executou. Cliquem aqui.  Absolutamente todos são atonais, modernos, experimentalistas. Procurem por seus nomes na internet, se tiverem curiosidade.

Seria interessante que houvesse um Art Renewal Center voltado para a música (dita) clássica também. Se é que não existe.

Fico por aqui.
Obrigado, Brian, pela chance ímpar!

3 comentários:

Orlando Tambosi disse...

Salve, Catellius.

Que beleza!

Catellius disse...

Obrigado pela visita, nobre Tambosi! Escrevi no site do Rodrigo Constantino:

Salve, grande Constantino!

Obrigado pelo post! Nem tinha pensado nesse aspecto do funk, mídia, etc. Talvez por já estar resignado aos tempos modernos. Nos EUA (não apenas) também aquele RAP mais antimusical, agressivo, cheio de palavrões, tem mais espaço do que músicas sublimes e consagradas como uma sinfonia de Schubert. Pô, se o austríaco perde para uma efêmera excrescência que nem falada é mas latida, quem sou eu para achar que mereceria qualquer espaço na grande mídia... rsrs. E não acho que eu mereça aparecer na TV. Sou um mero diletante que brinca às vezes de fazer música.
Mas é algo típico do Brasil você não ter espaço no mundo hermético da música clássica (e outros) por serem ambientes dominados por patotas ligadas ao governo e às universidades, onde reina o asinus asinum fricat, onde o spalla (principal violinista) da orquestra pode ser um funcionário público com estabilidade, sem interesse em se aprimorar e fazer a plateia chorar. Enquanto violinistas brilhantes vão para o exterior e às vezes conseguem por lá o que não conseguem por aqui.
Mas é isso!
Abraços a todos!

Gustavo Mello disse...

Parabéns Catemba! Coloquei no meu currículo que sou seu amigo! Abraço.

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