30 janeiro 2014

A Última Mutação do Totalitarismo Petista

As manifestações de junho, os rolezinhos em shopping e o temor das manifestações da Copa provocaram uma mutação no totalitarismo petista. Como já dizia uma velha professora marxista, a diferença entre o autoritarismo e o totalitarismo é que em um governo totalitário mobiliza-se milícias para oprimir e intimidar a população. É o caso da Venezuela; lá um manifestante de oposição não apanha da polícia, ele apanha das milícias pró-chaves.

O Gilbertinho nunca foi tão importante no Palácio do Planalto. Ele conseguiu se tornar a conexão do governo com as milícias que estão sendo organizadas por “movimentos populares” para intimidar a população durante a Copa. É uma espécie de Black block governamental que irá entrar em choque com quem quiser protestar contra o governo.

É por causa desse tipo de arranjo que é importante a tal rotatividade no poder. Para evitar que a “quadrilha” instalada, além de aparelhar as instituições do Estado, utilize os seus recursos para mobilizar parcelas da população para lhe dar proteção ostensiva e oprimir quem ousar discordar deles. Infelizmente, hoje temos que reconhecer que a maioria das pessoas ainda não entendeu isso, ou seja, que é melhor votar em um Eduardo Campos, uma Marina que tem mais ou menos as mesmas ideias do núcleo petista mas que não é composto pelas mesmas pessoas. Talvez esse seja justamente o problema; os petistas não estão no poder pelas ideias, elas apenas servem de pretexto para permanência de algumas pessoas. Por isso que um debate real não pode existir porque o discurso é apenas instrumental.

Como enfrentar o totalitarismo petista? Não sei. Se eu soubesse estaria coordenando alguma campanha da oposição e talvez nem quem está ocupando esse cargo tenha essa resposta. Acho que um começo é termos humildade para reconhecer que em uma coisa o PT tem sido competente: em conservar o poder. Não tem uma economia brilhante, não tem um projeto de país, não tem uma boa gestão, mas sabe construir um discurso que corrói e divide a sociedade e o mantém como árbitro dos conflitos que ele próprio alimenta.

Talvez um começo na luta contra o totalitarismo petista seja não ir para a rua e sair na porrada com os apoiadores do regime, mas adotarmos um discurso plural e tolerante. Esse discurso começa por “eu acho”, “na minha opinião”,...deixemos o monopólio da verdade para o PT. O começo de uma sociedade verdadeiramente plural está na criação da capacidade de debater questões sem ofender e sem desqualificar quem discorda da gente. É por isso que o PT não é um partido democrático, porque ele não discute; ou ele compra (39 ministérios...) ou ele desqualifica quem pensa diferente dele. A ausência de um diálogo é uma característica do autoritarismo que consome a sociedade brasileira.

Portanto, em minha opinião, dar mais um mandato para a Dilma e para o PT não é bom para o Brasil. Acho que precisamos arejar, pelo menos as pessoas. O Eduardo Campos é Socialista, apesar do site do PT chamá-lo de playboy traidor. Esse é justamente o ponto. O que está em discussão hoje, na minha opinião, não é uma questão de ideias, é simplesmente manter a hegemonia de um grupo de pessoas liderada pelo Lula, que tem a primazia de indicar os seus postes a partir de quadros do PT para os principais cargos da República. Sou da opinião que o Lula não deve ter esse poder, nem um partido político essa primazia e tenho esperança que a população venha a compartilhar do meu ponto de vista.
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