30 agosto 2013

Jackson Pollock é melhor que Renato Russo

Ontem, durante o almoço, não resisti à expressão de "pidão" do Caco, o peludo e brincalhão shih tzu de meus filhos, e, após minha esposa deixar a mesa, discretamente dei-lhe umas tiras de gordura de picanha, as quais engoliu avidamente sem nem mesmo mastigar. Durou pouco a felicidade do animalzinho, que até então só provara serragem prensada, a tal ração. Não pôde conter a pressão do desarranjo intestinal e emporcalhou toda a área de serviço.

"Maldito animal de estômago delicado! Seria incapaz de sobreviver na floresta, de caçar, de competir com lobos", pensei quando vi a pintura marrom ao estilo de Jackson Pollock - um pouco mais criativa, na verdade - espalhada pela cerâmica. A empregada lavou o chão e pegou com a vizinha uns jornais para forrá-lo. À noite fui ver como estava o Caco. Chamou-me a atenção, no chão, a carranca feia de Renato Russo ineditamente formada por letrinhas, na capa do Correio Braziliense, com "z" mesmo. Era o texto completo da música Faroeste Caboclo, um épico candango, que está para Brasília como a Odisseia está para a Atenas antiga. A reportagem de capa era sobre o filme de mesmo nome que havia levado meio milhão de pessoas aos cinemas brasileiros. Apesar de já ter ouvido a música dezenas de vezes - contra a vontade, é claro -, nunca havia prestado atenção na letra. Resolvi então ler a obra prima de uma das melhores bandas de rock da história do país mais criativo e musical do mundo, o Brasil.

O título "Faroeste Caboclo" sugere que algum tiroteio acontecerá em um ambiente caipira, roceiro, sertanejo. Afinal é isso que quer dizer "caboclo", ou que o faroeste é mestiço de branco com índio. Não. Faroeste Caboclo se passa na capital da República. Vamos à história (link para a letra completa):

O destemido João de Santo Cristo era uma criança cheia de ódio no coração, desde que o pai fora morto por um soldado, que roubava doações de velhinhas a igrejas, era promíscuo sexual, aterrorizava a região onde morava, e que aos quinze anos foi enviado a um reformatório que lhe encheu de terror. Cansado do marasmo na fazenda, apesar da vida agitada que levava, e após um período filosófico em que tentou achar respostas para a discriminação que sofria, e em que tentou entender como a vida funcionava, mesmo não sendo biólogo, e também porque queria sair para ver o mar e as coisas que ele via na televisão, juntou dinheiro e foi para Salvador, onde encontrou, a tomar cafezinho, um improvável boiadeiro que lhe sugeriu ir a Brasília e lhe deu ou vendeu a passagem de ônibus.

João de Santo Cristo gostou muito de Brasília e quando chegou aqui resolveu trabalhar como carpinteiro, para a referência a Jesus Cristo ficar mais explícita. Sexta-feira gastava todo o dinheiro na zona, onde descobriu que um certo Pablo, traficante cucaracho, era seu primo. João trabalhava até não poder mais, contudo o dinheiro não era suficiente para ele se alimentar, quem sabe porque gastava tudo na zona. Às sete ligava o noticiário e ficava revoltado com as promessas de um ministro, provavelmente do trabalho, de que iria ajudar as pessoas a ganharem mais. Cansado, João resolveu plantar maconha.

João ficou rico e acabou com todos os traficantes da região, por dumping ou mandando matar. De repente, com a velocidade de um raio, sob a má influência dos boyzinhos da cidade ele começou a roubar, algo que não fazia desde a infância, quando roubava por influência do ódio que lhe dera Jesus, um filhinho de papai dono do mundo. O traficante poderoso que havia acabado com a concorrência foi preso no primeiro roubo e trancafiado na prisão. Na Papuda ele apanhou e foi estuprado.

Uma vez solto, abandonou o lucrativo tráfico de drogas que lhe deixara rico e tornou-se um bandido destemido e temido no Distrito Federal. Não tinha medo nem dos playboys que lhe influenciaram a roubar nem de generais. Nesta nova vida ele se apaixonou pela linda Maria Lúcia e arrependeu-se de seus pecados. Como ela era uma menina decente, de família, ele largou a vida de bandido destemido e voltou a ser carpinteiro, porque sempre havia vagas de trabalho na construção civil da nova capital.

O tempo passou, mas a fama de bandido e de traficante não, e um dia um senhor rico fez a João a proposta de explodir uma banca de jornal e de vender drogas em um colégio, provavelmente o Elefante Branco. João recusou a oferta de trabalho e mandou o rico malvado sair de sua casa, gritando para ele não brincar com um Peixes de ascendente Escorpião, apesar de o velho não parecer ter ido à sua casa para brincar e de, segundo os horóscopos, dois signos de elemento água acentuarem a base sensível, emotiva, interiorizada, introvertida, subjetiva da pessoa. Se fosse Hitler, teria gritado "não brinque com um Touro com ascendente em Libra". O velho, com ódio no olhar, disse "você perdeu sua vida, meu irmão".

O senhor estava apenas ameaçando, porque, do jeito que apareceu, sumiu da história, e aquele que o mataria seria Jeremias, com o perdão pelo duplo eco. Mas as palavras "você perdeu a sua vida meu irmão" entraram no coração de João e ele parou de trabalhar para se embebedar. No meio da bebedeira descobriu que sua vaga de carpinteiro havia sido preenchida, mas estava bêbado e não deve ter se importado muito. Apesar de Maria Lúcia ser a menina decente que o fizera se arrepender de seus pecados, e por quem valeria a pena continuar em uma vida correta, João falou com seu primo Pablo e retornou ao tráfico de drogas, afinal agora só havia uma vaga de carpinteiro na nova capital, sempre em construção, e ele a perdera.

Enquanto revendia em Planaltina a droga que chegava da Bolívia, João parou de ir para a casa e de ver Maria Lúcia, talvez porque ela não aprovasse esse estilo de vida ou porque simplesmente não a tinha procurado mais, por no mínimo nove meses. Maria Lúcia, entretanto, apesar de correta, casou e teve filho com um traficante de renome chamado Jeremias, que havia decidido matar João de Santo Cristo, provavelmente para controlar seus pontos de distribuição de drogas. Jeremias desvirginava mocinhas inocentes, como João quando estava no Nordeste, e dizia que era crente mas não sabia rezar. Em compensação, não roubava doações de velhinhas à Igreja, como João, e era bom organizador de "rockonhas".

Santo Cristo recebeu de Pablo um rifle e decidiu esperar Jeremias desafiá-lo antes de usar a arma. Contrariando seus planos, chamou Jeremias para um duelo quando descobriu, em um belo dia em que se lembrou de que havia algures uma mulher que era o amor de sua vida, que Maria Lúcia estava casada com Jeremias e ainda por cima tinha um filho com ele. A notícia do duelo se espalhou e a polícia permitiu que a população, jornalistas, a TV e sorveteiros o acompanhassem ao vivo - atrás dos cordões de isolamento, é certo. Jeremias, mesmo sabendo que a cidade toda assistia ao duelo, aproveitou o momento em que Santo Cristo ficara de costas e atirou nele. Apesar de ter dito que iria matar Maria Lúcia também, por ser uma menina falsa que não era como a Penélope de Ulisses, que esperara vinte anos o regresso do marido sem entregar-se aos pretendentes que acamparam em seu palácio, João provavelmente lhe entregou o rifle logo que chegou na Ceilândia, local do duelo, porque após ser baleado pelas costas, o sol cegou seus olhos e ele, por ver melhor cego, reconheceu Maria Lúcia, que lhe entregou o rifle, uma Winchester 22.

João deu cinco tiros em Jeremias. Maria Lúcia, ao ver o homem que a abandonara matar o pai de seu filho, arrependeu-se e, sabe-se lá como, morreu junto com João - seu protetor, segundo um tal Renato Russo. Provavelmente morreu de arrependimento. O povo chamou Santo Cristo de santo porque achou que ele sabia morrer, afinal havia morrido direitinho - constataram-no tomado-lhe o pulso.

E João não conseguiu o que queria quando veio para Brasília. Numa espetacular reviravolta teleológica, descobrimos que ele tinha um motivo oculto até mesmo do narrador onisciente, que explana no começo da história os motivos pelos quais João deixara o Nordeste. Na verdade, ele queria admoestar o Figueiredo, presidente da República, a ajudar o povo brasileiro, que só sofre. Nunca havia sequer marcado uma audiência com um assessor de um assessor do general, para lhe fazer tal eloquente e originalíssimo pedido. Porque estava muito ocupado traficando, roubando, matando, etc.

E este é o resumo em prosa da maior obra literária que esta cidade já viu.

Após ler o texto e rir da baixa qualidade daquela imundice, pus novamente a folha de jornal no cantinho da área de serviço em que o pobre cãozinho estava encolhido e amuado. De manhã o texto épico já não podia ser lido. Estava pintado de marrom. A capa do jornal estava bela como uma pintura de Pollock...

O Caco melhorou e eu prometi a mim mesmo nunca mais lhe dar gordura de picanha. Ao menos até ver a cara feia de Renato Russo ou alguma de suas letras medíocres impressas no jornal.

29 agosto 2013

Eduardo Sabóia, um ser humano

Eduardo Sabóia foi o diplomata que decidiu retirar o senador boliviano que estava asilado na embaixada brasileira na Bolívia e trazê-lo para o Brasil. Procurando justificar para a elite petista dirigente sua ação, ele comparou a situação do asilado na embaixada à dos presos políticos no Brasil. A presidente Dilma ficou indignada com esta comparação e mostrou mais uma vez o seu destempero ao abominá-la com os olhos marejados. Defendo, entretanto, que Eduardo Sabóia foi um ser humano, pois procurou agir de acordo com a sua consciência.

De acordo com os jornais, o tal senador obteve asilo no Brasil e de acordo com um tratado de Caracas, entre países latino-americanos, quando isto ocorre, deve ser concedido o salvo conduto para que a pessoa deixe o país. O governo indígena esquerdista boliviano desrespeitou o tratado e o Itamaraty se omitiu na questão para não contrariá-lo. De fato, de acordo com o jurista Miguel Reale Jr, até mesmo o abominável Pinochet concedia salvo conduto a asilados políticos permitindo a sua saída do Chile.

Esta situação escandalosa para Dilma se aproxima da situação do sujeito do Wikileaks que está sendo processado por estupro na Suécia, se não me engano, e para escapar de uma extradição se refugiou na embaixada do Peru. A Grã-Bretanha se recusa a conceder o salvo conduto. O tal senador é acusado de corrupção e alega perseguição política assim como o fundador do Wikileaks. As esquerdas consideram absurda a atuação da Grã-Bretanha enquanto aceitam a postura da Bolívia, afinal não é um deles.

Talvez o mais importante desta questão seja a discussão em torno da ação do Eduardo Sabóia. Recentemente, tivemos um filme excelente sobre Hannah Arendt onde é discutida a sua tese da banalidade do mal. Uma das questões centrais do filme foi a sua avaliação de Eichmann, o sujeito que foi sequestrado e condenado à morte por Israel, que estava longe de ser um psicopata, que foi responsável por coordenar os trens que encaminhavam os judeus para os campos de concentração. Era pouco mais que um burocrata, uma pessoa essencialmente medíocre, buscando aceitação social, ascensão profissional e muito provavelmente seria considerado normal em uma avaliação psiquiátrica. Apesar disso, fez parte da engrenagem burocrática que matou milhões.

O Eduardo Sabóia fez justamente aquilo que Eichmann não fez. Ele questionou as ordens recebidas de acordo com a sua consciência e a despeito das pressões políticas e do que provavelmente irá se suceder com a sua carreira no Itamaraty optou por agir de uma forma humana. Sua ação foi condenada pela própria presidente da República, a chefe do Executivo. Sua carreira no Itamaraty provavelmente está terminada. Ele entrou na lista dos inimigos do partido que está no poder. Talvez ele não seja um bom burocrata mas acredito que seja um ser humano no sentido dado por Hannah Arendt.

28 agosto 2013

Hemorroidas de ouro

Conforme lemos na Bíblia, nos capítulos 5 e 6 de I Samuel, os filisteus apoderaram-se da Arca da Aliança e meteram-na no templo de Dagon, colocando-a junto do ídolo. No dia seguinte viram-no estendido com o rosto por terra diante da Arca. Ergueram-no e na manhã seguinte estava novamente deitado, mas sua cabeça e suas mãos estavam desprendidas e jaziam perto do limiar do templo. E o fogo do Senhor desceu sobre a população e queimou-lhes... melhor dizendo, feriu por sete meses com hemorroidas os habitantes de cinco cidades filisteias pelas quais a Arca passou, desde bebês de colo aos mais idosos, e muitos acabaram morrendo. Depois que as fileiras inimigas sofreram este devastador ataque pela retaguarda, os adivinhos e sacerdotes de Dagon apelaram para a magia simpática e aconselharam os príncipes a devolver aos hebreus a Arca e que pusessem em seu interior, guardados em um cofre, ratos e hemorroidas de ouro como ofertas expiatórias. Os líderes filisteus assim o fizeram e a ira de Javé não se abateu mais sobre a população.

A intuição dos adivinhos e sacerdotes do pobre deus filisteu esquartejado serenou Javé e inspirou em Israel a formação de um departamento especializado de expiadores de pecados em uma inédita modalidade de holocausto em que não havia sangramento de cordeiros em altares, ainda que os sangramentos fossem mantidos. Aqueles que não encontravam trabalho melhor eram recrutados para ingerirem pouco líquido, pouca fibra e passarem o dia sentados. Se nada disso adiantava, os iracundos levitas conduziam-nos para trás da cortina de linho do Santo dos Santos para ajudá-los a produzir entre as bochechas inferiores a odiosa e dolente couve-flor entumecida. Quando atingia-se o objetivo, os funcionários sentavam no gesso úmido, e este era, definitivamente, o momento mais aprazível da profissão. Seco o molde, os levitas enchiam de ouro líquido o côncavo no cal endurecido.

Lá do alto Javé seguia todo processo murmurando "assim, assim, isso...". Quando levavam as hemorroidas de ouro ao templo, dentro da Arca da Aliança, o criador do universo aguardava as portas se fecharem, transportava para o céu as pedrinhas, brilhantes como estrelas, e as contemplava, deleitando-se com a agonia que representavam. "Serão símbolo de sofrimento e também de expiação, estarão nos altares do mundo inteiro, em Roma haverá uma hemorroida descomunal esculpida em mármore de Carrara por Vincenzo Gemito e em Assis os afrescos de Giotto di Bondone lembrarão à cristandade o supremo sacrifício do Messias, morto empalado", pensou um dia. Mil anos depois, precisamente no ano 70 a.C., enquanto assistia de camarote à divertida morte de Espártaco na cruz, lembrou-se de que ele próprio é que sofreria lá no Gólgota toda aquela agonia que planejara, mudou de ideia e conduziu os acontecimentos de modo que fosse crucificado pelos romanos 103 anos depois.

Apesar de Jesus ter de fato morrido na cruz, o linguista alemão Alois Walde defendia que na Roma antiga o termo "crucifixão" também podia se referir a empalamento. Isto deriva do fato de a cruz ser formada pelo esteio e pelo patíbulo, a trave horizontal que o sentenciado carregava, e de os romanos usarem o primeiro termo para designar ambos empalamento e crucifixão, distinguíveis apenas no contexto dos escritos. Além disso, a palavra grega Staurós (σταυρός), traduzida na Bíblia como "cruz", significava originalmente estaca ou poste. Daí a confusão que muitos fazem em torno ao modo como o Messias morreu. Eles também não consideram profecia a seguinte passagem nos Salmos: "Traspassaram minhas mãos e meus pés".

Seiscentos anos depois Javé decidiu mitigar a agonia daqueles que seguiram seu filho (ele mesmo) - os cristãos -, e lhes enviou São Fiacre, hoje o padroeiro de quem sofre de hemorroidas. Este irlandês padecia da desagradável enfermidade, chamada posteriormente na alta Idade Média de "Mal de São Fiacre", e num belo dia sentou-se em uma pedra e foi milagrosamente curado. Hoje peregrinos vão à igreja que leva o nome do santo, na Bretanha, e imploram por uma cura enquanto assistem à missa inteira ajoelhados, por fé e também porque as doações não permitiram ainda acolchoar os bancos. Quando o santo não os cura apelam para a cirurgia e depois agradecem a Deus por tanto amá-los...

26 agosto 2013

Médicos Escravos de Cuba e do PT

Neste final de semana chegou a Brasília a primeira leva de médicos cubanos de um total de cerca de 4.000, que custarão a pechincha de R$ 10.000 a cabeça. São médicos experientes, saudáveis, com bons dentes e canelas finas como convém a um bom escravo. Em Cuba, ficaram como reféns suas famílias, que responderão por qualquer tentativa de fuga. Além disso, no contingente de médicos temos também profissionais do aparelho de espionagem cubano, que montarão uma rede de informações que tornarão a ABIN cada vez mais inútil.

Alguns diriam que este debate é anacrônico, afinal a ilha caribenha de Fidel já não seria uma ditadura do Partido Comunista, mas estaria vivendo um processo de abertura comandado pelo seu irmão, o Raulzinho. O fato é que os laços entre os atuais governantes do Brasil e a ilha cubana vêm da época das guerrilhas esquerdistas contra o Regime Militar. Muitos dos atuais dirigentes foram treinados ou reciclados na ilha, ou “ponto zero”, como chamavam na época. E a ilha continua como uma Disneylandia das elites dirigentes dos partidos de esquerda latino-americanos. Outro dia, o ministro dos Esporte pegou um jatinho da República para levar sua família para uma visita "oficial" à ilha.

Do ponto de vista do cidadão brasileiro, eles terão “Mais Médicos” e isso parece ser bom. Ninguém seria louco de dizer que não é bom. Do ponto de vista do Estado, também é bom contar com médicos que não irão gerar despesas previdenciárias, afinal, este acordo é uma grande terceirização. Eu me pergunto o que deve ter sido oferecido à CUT para concordar com o uso desta mão-de-obra precarizada. Onde está a maravilhosa CLT para estes desgraçados? Se bem que para eles deve ser melhor ser escravo no Brasil do que trabalhar em Cuba.

O fato destes médicos receberem apenas uma parcela do valor pago pelo governo brasileiro pelos seus serviços é curioso, pois, é o que Marx chamaria de um mecanismo capitalista de extração de mais-valia. Neste caso, o Estado Cubano faz as vezes do capitalista. Alguns já chamaram isto de capitalismo de Estado. Deve fazer parte das modernizações do Raulzinho.

Hoje, o Advogado Geral da União, se apressou em dizer que não acha plausível a concessão de asilo para possíveis médicos dissidentes no Brasil. Isto está coerente com a postura do comissário e capitão do mato Tarso Genro, que no Segundo Reinado de Lula capturou dois boxeadores cubanos e os devolveu aos seus donos.

A nossa corporação médica também está preocupada, mas é com a concorrência, afinal, os médicos cubanos não irão faltar a plantões nem contratar ninguém para colocar suas digitais em sistemas de ponto. Se fizerem isto, correm o risco de serem imediatamente deportados.

Este programa nunca aconteceria no Reinado do Lula...Acontece na gestão da Dilma porque ela tem uma mentalidade de feitora. De fato, Lula usava o modelo de gestão de Casa Grande & Senzala de Gilberto Freire. Ele era o sinhozinho, livre e despreocupado para fazer suas articulações, e ela, a feitora que descia o chicote na senzala da Casa Civil. De vez em quando, Lula até fazia uns discursos inflamados talvez em função de alguma inspiração etílica que lhe dava coragem, mas não passava disto. Para Dilma, não falta coragem. Muito pelo contrário. Outro dia propôs uma Constituinte para refundar a República e hoje implanta um programa com o amparo legal de uma Medida Provisória em tramitação no Congresso. O negócio é que Congresso está mais para um prostíbulo do que para uma senzala, lá mais vale o toma-lá-dá-cá do que o estalar do chicote. E, cá entre nós, não acho que a ministra Ideli saiba rodar bem uma bolsinha.

16 agosto 2013

Lula, Rockefeller e Nós


ou
Democracia, Mercado e Liberdade

John David Rockefeller e Lula têm algo em comum: ambos odeiam duas importantes instituições das democracias liberais ocidentais. Rockefeller odeia, ou melhor, odiava a livre concorrência e Lula odeia a democracia. Talvez o fato seja que políticos eleitos e empresários bem sucedidos não estão mais dispostos a brigar pelo consumidor ou pelo voto, entretanto, são justamente as escolhas oferecidas pelo mercado e pela democracia que permitem que os indivíduos exerçam algumas liberdades.

Rockefeller foi um grande empresário que conseguiu criar a maior empresa da sua época, a Standard, enquanto Lula é um grande político que conseguiu criar o maior partido e o maior sindicato brasileiros da atualidade. Rockefeller era implacável com seus concorrentes. A princípio propunha aquisições ou fusões, diante de recusas adotava estratégias diversas para quebrar o concorrente. Lula não é diferente. Primeiro oferece alianças e cargos, como é o caso do PSB. Diante de qualquer ameaça de concorrência não hesita em lançar mão de chantagens, intimidações e outros estratagemas... o que não falta é algum delegado da PF com algumas escutas querendo subir na carreira ... , o que tiver à mão.

Não era à toa que Rockefeller odiava o livre mercado. Para ele, o livre mercado era o caos. Em sua vida, assistiu diversas cidades serem destruídas por corridas de ouro “petróleo”. Assistiu a pessoas e empresas se arruinarem em mercados com preços oscilantes. Em sua visão, a construção do seu império visava, em certo grau, o bem comum, pois ao controlar o refino e posteriormente a produção poderia estabilizar os preços e tornar o negócio rentável e estável. Não era à toa que sua empresa se chamava “Standard”, cuja tradução seria algo como "padrão". Em sua época, a produção de querosene em pequenas refinarias gerava um produto muitas vezes perigoso. De fato, milhares de pessoas, nos EUA, sofreram acidentes com querosene que continha alta concentração de gasolina e que simplesmente explodia em suas caras. Uma empresa monopolista tende a padronizar seus produtos e eliminar este tipo de problema.

A Nigéria é um exemplo de uma democracia fracassada porque existe excessiva disputa entre um número grande de facções. Angola, por outro lado, é uma “ditadura” de um partido que sempre ganha as eleições, o MPLA. Dizem que a fortuna do “eterno” presidente é algo na casa dos US$ 20 bilhões. Os filhos dos membros destacados do partido e do Exército são grandes empresários e ocupam altos postos na tecnocracia. Apesar de tudo isto, Angola é um país e um governo mais bem sucedido do que a Nigéria, que poderia ser dita mais democrática. Com isto, quero dizer que a democracia não é um valor absoluto e não é garantia de sucesso e desenvolvimento para um país.

Assim, em certo sentido, Lula, ao tentar monopolizar a política brasileira pode estar, em algum grau, prestando algum serviço ao país. O PT já está no poder há 12 anos, os militares ficaram 20 anos e, no México, o PRI ficou 70 anos. Talvez seja melhor ser um México do que uma Argentina, onde a esquerda e a direita se revezam destruindo o país. Lula agora se dedica a ganhar as eleições sem precisar disputá-las buscando eliminar possíveis concorrentes como Marina e Eduardo Campos. A Arte da Guerra já dizia que o grande general é aquele que ganha a batalha sem disputá-la.

13 agosto 2013

Deuses devem ser belos

"O belo é o esplendor da ordem"
Aristóteles

Beleza é essencial? Os feios dizem que não. Muitos bonitos afirmam o mesmo, para não serem acusados de arrogantes e de não terem beleza interior, aquela que, por ser subjetiva, todos podem dizer que têm.

Não é comum mas também não é raro que pessoas bonitas desprezem as feias. Estas, em um primeiro momento, buscam a atenção das primeiras como um modo de agregar valor a si mesmas, afinal são bens quase sempre escassos e disputados, exceto na Suécia. No caso do corpo, ou se é jovem ou se tem boa genética ou força de vontade para ir à academia; ou dois ou três destes fatores combinados. Os feios, como a raposa em relação às uvas na fábula de Esopo, talvez passem a desenvolver um genuíno desprezo pela beleza, a repetir que os feios dedicam-se ao espírito para compensarem a falta de atributos físicos, e por isso são mais interessantes. Estas pessoas apreciam belos quadros, bela música, belezas naturais, aves coloridas, mas acham que a beleza humana é apenas convenção, uma ditadura estética europeia e, enfim, não é fundamental como queria Vinícius. Isto, claro, até uma bela sueca ou uma bela espanhola parecerem acessíveis, ou um Brad Pitt, no caso das mulheres. Aí beleza volta a ser importante, imprescindível até, afinal é um fator importante nas leis da atração e, portanto, foi crucial na forja do ser humano ao longo de centenas de milhares de anos.

Pesquisas demonstram que criminosos bonitos conseguem penas menores, candidatos bonitos têm mais chances de serem selecionados para uma vaga de emprego, após o contrato recebem salários maiores, ganham empréstimos mais facilmente; talvez por serem mais autoconfiantes e terem uma habilidade de comunicação desenvolvida e premiada desde a infância poderão ser líderes marcantes, como o Lula (brincadeira). Segundo o economista americano Daniel Hamermesh, nos EUA um trabalhador bonito chega a ganhar, ao longo da vida, 230 mil dólares a mais que um feio com o mesmo grau de instrução e inteligência. Pessoas bonitas tendem a ter mais contatos, e o "network" é essencial para corretores de imóveis, lobistas, arquitetos, advogados e em outras profissões.

Um Padre bonito passa a imagem de ter feito um grande sacrifício ao adotar a batina, demonstra que sua vocação foi verdadeira. O padre feio, por outro lado, parece ter recorrido ao hábito pela ausência de sinal verde das mulheres durante a infância e adolescência. As paroquianas enchem as igrejas em que o primeiro reza missa, seu sermão é mais interessante, principalmente quando fala com voz suave, elas se desdobram para ajudá-lo em tudo, na arrecadação, nas quermesses, fruem de sua beleza sabendo inconscientemente que ainda que ele não pertença a elas, não é de mais ninguém.

A aparência física influencia sobremaneira a personalidade, desde a primeira infância. O menino loiro bonito talvez seja docemente assediado pelos roqueiros neo-grunges da escola, por ser parecido com o Kurt Cobain, e adotará, com o tempo, o ar blasé, a fala mansa, o feitio de quem é indecifrável, turvará sua mente poça d'água para que pareça profunda. De tanto interpretar o personagem que seus amigos nele enxergam e, assim, para corresponder às expectativas e agradar, também para ser bajulado, acabará por incorporá-lo; tornar-se-á uma segunda natureza. O menino feio talvez ganhe a simpatia de um professor de química que nele se veja quando tinha sua idade. Será mesmo atraído para grupos de feios, que lhe darão atenção, criarão seus códigos, seus "inside jokes". Por outro lado, o feio rico comprará a amizade dos bonitos oferecendo sua casa com piscina para as festas da turma, seu carro para as noitadas, pagando as contas de restaurantes, etc. Será popular, obviamente. Se for feio, pobre e muito engraçado poderá servir como bobo da corte.

Os ricos tendem a ser bonitos e os pobres feios. Basta prestar atenção a quem surge pela porta de um carro luxuoso que acabou de estacionar: mulheres e crianças bonitas, homens que poderão ser tanto bonitos quanto feios, baixinhos, carecas, cabeludos. Grosso modo, uma mulher bonita é capaz de arranjar casamentos uma ou duas classes sociais acima, um homem feio pode conseguir mulheres bonitas uma ou duas classes sociais abaixo, um homem bonito pode casar com mulheres bonitas de mesma classe social. Sem falarmos nas lentes de contato, aparelhos dentários, salão de beleza, cremes, implantes, academia, lipos, cirurgias estéticas e outros simulacros de beleza genética acessíveis exclusivamente a quem tem dinheiro.

Antigamente a realidade era outra. Casamentos amiúde envolviam sérios interesses do resto da família. A filha não herdava os bens do pai, cuja fortuna não podia ser dispersada, devia permanecer no "sobrenome", então dependia de um bom casamento, quase sempre comprado com dotes generosos. Os nobres europeus eram feios - talvez não os bastardos, frutos de atração sexual. Dificilmente uma moça pobre e bonita casava-se com um rapaz rico. Se engravidasse, o amante negava a paternidade, ainda que pudesse contribuir materialmente na formação da criança. E a garota praticamente perdia o direito de casar até mesmo com alguém de sua classe social, por ter sido maculada. Assim elas poderiam servir, no máximo, para a diversão dos mais ricos, os quais irremediavelmente casavam-se com mulheres de sua classe social. No Rigoletto de Verdi/Piave, baseado em Victor Hugo, o conquistador Duque de Mântua - o da ária "la donna è mobile" - finge ser um estudante sem dinheiro para poder conquistar o coração da pobre e bela Gilda, filha do bobo da corte.

Se os seres humanos dão tanto valor à beleza, por que adorariam deuses feios? O Jesus histórico provavelmente era feio, afinal era a mistura de uma mulher nascida há dois mil anos no Oriente Médio e de uma pomba. Se fosse possível profetizar e se as profecias de Isaías estivessem certas, Jesus seria comprovadamente feio. Em Isaías, 53, 2 lemos:

"Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos."

Para parecer feio nas visões proféticas de um pastor de cabras da Idade do Bronze, Jesus deveria ser o cão chupando manga. Já o Cão, vulgo diabo, ao contrário, era formoso e atraente, segundo se lê em várias passagens bíblicas.

Os hebreus, talvez por não serem tão bons artistas quanto os gregos, proibiam imagens e esculturas, ainda que não fossem para adoração. Já o gentio convertido para a heresia judaica posteriormente chamada de cristianismo tratou de paganizar a nova religião, afinal às vezes é preciso mudar para as coisas continuarem como estão, como Lampedusa escreveu em seu O Leopardo. Deste modo, não foi apenas o latim que os cristãos tomaram dos romanos. Além desta língua, da própria sede ser em Roma, da arquitetura e de suas ordens, de muito da simbologia, a iconografia é a pagã.

Jesus aparece sempre majestoso, cheio de graça, atraente, alto, caucasiano, grandes olhos, nariz grego, poses clássicas, greco-romanas. Nas representações da crucifixão, deposição e ressurreição é possível ver, parcialmente coberto por uma túnica, o corpo esculpido em sessões diárias de caminhadas pelo deserto, abdominais, flexões e levantamento de pedras, talvez realizados religiosamente após aqueles sermões e parábolas edificantes. Bom, ao menos quando os artistas são de qualidade. Quando não são sempre é possível recorrer a cópias em gesso e reproduções fotográficas de obras consagradas.

A relação pessoal e profunda com Cristo tem muito a ver com a experiência de uma paixão amorosa. Como resistir às ebúrneas Afrodites e arrebatadores Adônis dos altares cristãos? Os católicos não seriam capazes de adorar deuses cuja representação não fosse sexualmente atraente, com exceção de Nossa Senhora Aparecida, aquele boneco de pau tão horroroso que até mesmo o cordato bispo Von Helder não resistiu a chutá-la. A Maria que adoram (dizem que é apenas veneração) tem os seios perfeitos, sua bunda não é caída, não tem rugas de expressão, é simétrica, cândida, é o modelo inimitável das cristãs, é a mãe virgem que lhes diz tacitamente que nunca serão boas o bastante; ou são virgens e não são mães ou são mães e - horror dos horrores - perderam o hímen ao fabricar o cristãozinho ou ao darem a luz, afinal não têm naquela membrana tanta queratina e elastina quanto a mãe de deus, que continuou virgem até mesmo depois do parto, como está escrito nos papeizinhos do Frei Galvão, ainda não autorizados pela ANVISA mas comprovadamente eficazes para o saldo bancário das freiras que os produzem.

Maria continuou bela mesmo na morte. Se após a crucifixão do filho viveu ainda por quinze anos, ascendeu aos céus com corpo e alma, de acordo com o dogma, com uns 60 anos. Sem filtro solar e creme hidratante naquelas paragens áridas da Judéia e, posteriormente, na Ilha de Patmos com João Evangelista, seu corpo, que, por definição, ocupa lugar no espaço e está algures, passível de ser visto por um ET ou por um astronauta, assemelha-se mais a uma jaca desidratada do que à Afrodite das pinturas e esculturas.

A seguir, as imagens ideais dos dois principais deuses cristãos e as imagens reais dos humanos que inspiraram a sua criação, fotografadas por J. J. Benítez durante a Operação Cavalo de Troia.

Jesus ideal, forte, majestoso, limpinho após um banho gostoso no Jordão.

Jesus ideal para os mórmons, o belo rabi desejado pelas fiéis prestativas. A tensão sexual está no ar, e para os mórmons ela será consumada em breve!


Maria ideal, virgem e mãe de feições clássicas, simétrica, limpa, coberta de ouro, tão atraente quanto intocável.
Casamento real de José e Maria, que o traíra pouco antes com o soldado romano Panthera. Aqui ela está grávida, aos treze anos.


Jesus real furioso a destruir o ganha-pão dos vendilhões do templo.
Maria real chorando durante a crucifixão do filho, e também por ter machucado a mão mais cedo ao preparar uma gororoba judaica daquela época.
Maria real aos 60 anos, olhando intrigada para a lente da Rolleiflex de Benítez. 


05 agosto 2013

Os Militares e as Manifestações de Rua de 2013

Em 1964, os militares assumem o poder quando um poste de Vargas (Jango) fazia um governo conturbado. Curiosamente, as manifestações de 2013 começaram justamente com o poste do Lula (Haddad) em São Paulo e as discussões sobre alguns centavos no aumento da tarifa de ônibus. O que os militares fizeram não era nenhuma novidade. Foram eles que deram o golpe que fundou a República, que apoiaram Getúlio no Golpe que derrubou a República Velha e que deram fim no Estado Novo de Getúlio. A diferença foi que dominou um grupo “linha dura” que não estava disposto a entregar o poder aos civis, como ocorrera em outras ocasiões.

O Golpe de 1964, em termos de governabilidade, foi bastante positivo. Os militares, de forma autoritária e ao seu jeito, fizeram uma série de reformas que davam seguimento para as reformas que eram discutidas no Congresso, mas que lhes faltava uma liderança capaz de implantá-las. Em 1968, tivemos o golpe dentro do golpe quando Castelo Branco morre em um “acidente”. A partir de então chega ao poder a linha dura. Para gente deste grupo, Geisel era um esquerdista.

Mas, o grande mal do Golpe de 1964 foi que ele silenciou as ruas, o povo e tirou a legitimidade das correntes mais à direita do espectro político de se manifestarem. Na década de 1960, havia passeatas de direita e de esquerda e enfrentamentos entre os alunos da USP e do Mackenzie. Em 2013, a velha classe média, odiada por Lula e Marilena Chaui, junto com a nova classe média, se rebelaram contra as políticas fracassadas do PT, a política de transporte público em particular, bem como a sua falta de moral e o autoritarismo da presidenta Dilma.

Emir Sader já alertava sobre o perigo representado pela nova classe média e a necessidade de se incutir nela valores de esquerda. O fato é que para a democracia brasileira, uma importante sequela do Regime Militar, que era a falta de manifestações a direita do espectro político, parece ter sido superada. Continua a existir uma “vergonha” associada ao fato de uma pessoa ser de direita no Brasil, mas é possível que com o tempo isto mude.

A chegada ao poder do PT, por outro lado, mostrou que os esquerdistas estão longe de ser os mocinhos democráticos da historiografia uspiana. Lembram mais a alcunha dada a eles por Roberto Campos, que os chamava de burgueses de Estado. O Estado é a grande empresa deles e de seus cargos extraem seus privilégios, dinheiro e poder.

Se, por um lado, a superação desta sequela do Regime Militar pode ter sido positiva para a democracia no Brasil, que assiste a Movimentos à direita do espectro político, falta-lhes ainda a organização de um PT que se articulou com sindicatos, ONGs e governos de esquerda de países vizinhos além de contar com todo o aparelhamento do Estado brasileiro. Os petistas ainda contam com sua aliança do atraso onde se associam com os mais corruptos do espectro político.

Talvez a grande dificuldade seja encontrarmos verdadeiras vocações para a vida pública diferentes do tipo de gente do PT. De um Lula que arranca o dedo para se aposentar, de sindicalistas que se filiam para não trabalhar e políticos que enxergam na carreira política formas de tirar vantagens. Infelizmente, a maioria dos bons estudantes não se envolve com a UNE, nem a maioria das pessoas sérias e trabalhadoras se envolve com sindicatos, partidos e ONGs. Estão estudando e trabalhando. Em geral, este é uma área de atuação de picaretas e vendedores de ideologias baratas.

Este seria um próximo grande passo para o Brasil. Se alguns destes jovens que participaram destes movimentos tivessem uma verdadeira vocação para servir a coletividade e não para tirar vantagens dela. Quem sabe alguns destes jovens pudessem defender a democracia contra um Lula e um PT, que gostariam de tiranizar o Brasil por décadas com hegemonia sobre as instituições brasileiras e seu povo. Se tivermos estas vocações, o futuro do Brasil será melhor, mas não é todo dia que nasce gente assim. É mais comum aquele tipo que mandou matar Celso Daniel e o prefeito de Campinas.
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