04 julho 2013

Quanto mais alegam querer mudar, mais querem que fique a mesma coisa

A seguir, dois comentários de C. Mouro mui sutilmente formatados por mim para se tornarem um post, com pequenas supressões, alterações na ordem das sentenças e outras violações, menores do que se um bom tradutor passasse seu texto para outro idioma. O texto original está na caixa de comentários do post anterior (Desculpe-me, Mouro, pelo abuso). Concordo com praticamente tudo que escreveu, com um pequeno lembrete: uma verdade não deixa de ser verdade quando dita por um mentiroso, por um comunista, ex-comunista, papista, tucano, arara ou o diabo. O uso do "tu quoque", reconheço, é irresistível, principalmente se ouvirmos Fidel dizer que é errado mandar oponentes para o paredão. É errado mesmo, o que faz dele, além de um monstro, um grande hipócrita manipulador. Acho Olavo um católico astrólogo herege gnóstico supersticioso monomaníaco por conspirações, Reinaldo Azevedo um desonesto defensor incondicional da Igreja Católica e do PSDB. Ambos podem dizer a verdade às vezes, fazer reflexões pertinentes sobre comunismo, bolivarianismo, gramscianismo, petismo, etc.

Quanto ao movimento das massas, sou bem cético. Mas fico curioso para ver como as esquerdas capitalizarão os resultados para si, manipuladoras mui bem organizadas que são. Usando o que o Mouro escreveu, digo que "hermeneutas" como Mino Carta poderão ver nas revoltas populares um desejo de retorno ao esquerdismo primordial, puro, ao paleopetismo da época das Diretas Já. Lutero, em meio à podridão da Igreja Católica, não desejou uma volta à pureza primordial do cristianismo, recrudescendo-o com a Reforma e recrudescendo indiretamente a Igreja Católica em sua Contra-Reforma? Os papas eram príncipes corruptos quase assumidos, alguns encomendavam talvez mais pinturas de Júpiter e Diana do que de Jeová e Maria. O cristianismo estava mais paganizado do que nunca, as plutocracias dos Medici e Sforza prosperavam. Antes aquele cristianismo - ainda assim vil, é certo - do que o "autêntico" apocalíptico e "virtuoso" de São Paulo. De igual modo, preferiria que os políticos fossem sujos e corruptos assumidos, como o Maluf e o Roriz. Mas que estivessem com focinheiras, vigiados, que fossem punidos literalmente com crueldade quando pegos. Castigos físicos em praça pública seriam divertidos. Falo sério. Quanto ao Estado, deveria ser cada vez menor, TENDENDO para a anarquia. Mas que seria odioso de qualquer modo. Basta ler os capítulos sobre a democracia grega em A Cidade Antiga de Fustel de Coulanges para nos espantarmos com o quão parecidos eram alguns de seus problemas com os atuais. Venda de votos, alternância entre formas de ditadura e aristocracia, a primeira com o apoio do povo cheio de ressentimentos e vontade de se vender por pequenos agrados e de ver os ricos sendo perseguidos pelo tirano, a segunda comandada pelos ricos, baseada na tradição, no respeito à propriedade e à democracia mas pouco preocupada em manter ocupada a população invejosa - passou a ser invejosa quando a propriedade deixou de ser divina e passou a ser cobiçável - já que dispunha de escravos. Na democracia, ao povo votante - apenas machos nascidos na Hélade e descendentes de gregos - uma opção de engordar os rendimentos era vender o voto.

Vamos ao Mouro:

Quanto mais alegam querer mudar, mais querem que fique a mesma coisa

Texto de C. Mouro

Aquilo que vejo no Brasil, com a maioria de sua população insolente, supersticiosa e guiada por morais ideológicas que não fazem qualquer concessão à ideia de ética como uma moral objetiva, em vez de subjetivamente ideológica, é um eterno oscilar entre o "mais morno" e o "menos morno". Essa moral ideológica cujos fins justificam os meios, ditando-os como receita para um nirvana qualquer, não deixará que a massa reflita conscientemente e menos ainda que atue conscientemente.

Novos profetas com novas ideias velhas ameaçam com danações qualquer ínfima reflexão que escape de sua tutela. A manutenção do clima ideológico é a fórmula do poder pleno sobre uma sociedade massificada e, assim, imbecilizada. Os que parecem sair do círculo apenas percorrem sua circunferência e, assim, sempre se acaba voltando ao ponto de partida. A disputa de castas ou, mais propriamente, irmandades e quadrilhas ideológicas não permite que se saia deste círculo com facilidade, pois as propostas dos neo-evangelizadores é mudar para ficar a mesma coisa.

Nenhum destes grupos admite o enfraquecimento do Senhor Estado Todo Poderoso e são nisso acompanhados pelos servos, para quem o ideal é o pedir para conseguir. O mero pedir ao "bondoso senhor" é algo por demais arraigado; a promessa de se estabelecer como meio de dar às gentes o que desejam é própria de novos e velhos profetas, velhos neo-evangelizadores de discursos atemorizantes ou nebulosamente salvadores, que apenas reivindicam a obediência aos intermediários do Senhor Estado. E assim a roda gira. Em círculos desenhados por faladores profissionais interessados em obter nacos do poder estatal e, por tal, absolutamente contrários à sua diminuição. De fato, há o temor de que destas manifestações heterogêneas, sem mentores absolutos, possa resultar certa perda da mística do Estado, de seu "direito divino" sobre a população.

Sim, a massa crê no direito do Estado sobre ela, para quem ele é, ou deveria ser, a fonte da sabedoria e da justiça, de modo que aquilo que decorre de seu arbítrio - na verdade, de sua hierarquia de humanos - é a expressão da verdade e da justiça. Assim, cada indivíduo cultua o Estado que lhe convém, da mesma maneira que cada um elege o seu deus arbitrário conforme seu desejo sobre o que seja considerado verdade e justiça.

Claro que isso proporciona a criação de inúmeros deuses, aparentados ou não. São vários islamismos e cristianismos, pelo menos, já que estas são as ideologias historicamente inventadas por (prefiro "úteis para") governos dominarem e explorarem populações feitas servis, não pelo abuso da boa fé destas, mas sim pelo uso de sua má fé, de impor aos demais suas convenientes "verdades". Mas tais mentirosas verdades não produzem os resultados alardeados. Então a culpa é lançada na "deturpação" e não na sacrossanta ideologia salvadora. E aí, em meio a infindáveis interpretações, pululam hermenêuticas para salvá-la, com as quais os arautos das mudanças querem uma "volta às raízes", mudam as moscas velhas pelas novas, que antes foram mudadas, ou nem tanto.

O império romano criou a moderna política universal e não será fácil livrar-se de tal sistema com facilidade. A justificativa e pretensa legitimação do poder em nome dos pobres e coitadinhos, do povo (o bem coletivo sobrepondo-se ao bem individual com alegada legitimação do arbítrio divino) e mesmo d'uma tal de pátria cuja compreensão é obscura e não refletida, uma ideia incriada sobre cuja existência ninguém quer refletir. Assim, o Estado toma posse da sociedade, o governo se apossa do Estado, este ente místico, um partido ou quadrilha se apossa do governo e a alta hierarquia deste partido ou quadrilha se apossa do partido ou quadrilha. Pronto: agora esta alta hierarquia pode arbitrar as convenientes verdade e justiça que imporá a todos. E falsas verdades e injusta justiça logo darão lugar a novas fraudes, em novas ideologias e hermenêuticas ideológicas sem fim.

Reinaldo, Nivaldo, Olavo e Cia. como maiores opositores do socialismo é mais inverossímil que história da carochinha. Curiosamente, "ex" militantes marxistas, ainda defensores do Estado árbitro sobre a sociedade segundo a subjetividade deles mesmos, aspirantes a árbitros, anunciam-se os verdadeiros combatentes do socialismo atacando estas desnorteadas manifestações como essencialmente esquerdistas por "reivindicarem mais estado" e estarem comandadas por partidos radicais que foram delas escorraçados, tendo suas bandeiras sido queimadas. Ao mesmo tempo advogam pelo PSDB e DEM, louvam FHC, que anabolizou o MST com bilhões em verbas, legitimando-o, além de inventar as indenizações a terroristas e simpatizantes, entre outras ações "capitalistas", e mesmo chegam a ser cabos eleitorais de Serra. Defendem estes pulhas marxistas neomoderados como oposição. O discurso do Papa é mais esquerdista que os "pedidos de mais estado das manifestações". A igreja em sua totalidade e a própria ideologia cristã, defendidos por estes ex militantes marxistas, são muito mais estatizantes que as tais manifestações que queimam bandeiras vermelhas e escorraçam CUT, PSOListas, PTistas, PSTUistas, PCOistas e etc.. Estão confusos, sim, mas melhor confusos do que agarrados a ideologias e partidos. A esquerda irá se aproveitar e recapturá-los com a ajuda dos "ex" marxistas adoradores do Senhor Estado, que preferem o Estado com sua costumeira mística na esperança de ainda o tomarem para si e imporem suas baboseiras ideológicas.

02 julho 2013

Dilma, a Golpista

Em seu mais recente pronunciamento, Dilma revela a sua face golpista ao dizer que o Congresso deve convocar plebiscito para que a população aprove a Convocação de Assembléia Nacional Constituinte para aprovar a Reforma Política.

Primeiro, qual a moral tem o PT para propor uma Reforma Política? Quem acredita que o mesmo partido que quer aprovar uma lei casuística para dificultar a criação de um partido para Marina Silva e outros que possam se juntar a Eduardo Campos possa promover algum bem ao país ao dirigir uma Reforma Política? A Reforma Política deles visa consolidar o seu poder e não as instituições democráticas brasileiras. Não esqueçamos que o grande avanço recente, o Ficha Limpa, foi uma iniciativa popular.

Segundo, esta estória de Constituinte é pauta petista desde 2003. Já assistimos a este filme na Venezuela, na Bolívia, no Equador e sabemos o seu fim. Tem-se uma nova Constituição cesarista com um Executivo hipertrofiado, Congresso submetido ao partido do governo, um Judiciário tutelado, uma imprensa dominada e uma sociedade profundamente dividida. O resultado é baixo crescimento, pobreza, violência, instabilidade política e muita corrupção.

Terceiro, quem a presidente pensa que é para dizer que o Congresso deve convocar um plebiscito? Convocar plebiscito é um atributo exclusivo do Congresso exatamente para impedir que o chefe do Executivo governe passando por cima do Congresso fazendo as consultas populares que achar conveniente e quando achar conveniente. Tivemos isto recentemente em Honduras quando o presidente deu um aumento de 100% no salário mínimo e na sequência convocou plebiscito para decidir se ele poderia ser reeleito. Quase conseguiu.

Quarto, sobre a questão da Reforma Política em si tem-se que ter claro que o PT é um partido gramsciano. Gramsci era um comunista maquiavélico que achava que era possível derrotar a democracia liberal usando as suas próprias instituições, como fez o nazismo e o fascismo em sua época. Para Gramsci, o Partido era o príncipe de Maquiavel, portanto, em uma reforma política petista tudo será feito para fortalecer o partido em detrimento da democracia. Por exemplo, nos Estados Unidos, qualquer cidadão pode registrar sua candidatura a presidência da República. No Brasil, o PT quer garantir que ninguém possa ter sua candidatura nenhuma financiada exceto pelo governo federal, por associações, sindicatos ou ONGs que ele mesmo controla. É piada, né? Pior que não é.

Presidenta, deixe de ser golpista e manipuladora. Tudo o que o povo está pedindo é que senhora combata a corrupção. Comece mandando sua base não votar a PEC37. Pare de dar desoneração para carro zero e subsídio para gasolina e implemente uma política adequada de transporte público. Pare de dar o dinheiro dos impostos dos brasileiros para o Eike Batista por meio do BNDES. O cara é uma fraude. Seja humilde e comece a governar para o Brasil. Lembre que a senhora é brasileira antes de ser petista.
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