25 março 2013

Os Presidenciáveis


Já foi dada a largada na disputa pelo mandato de presidente da República de 2014. Dilma saiu na frente anunciando em cadeia nacional uma redução na tarifa de energia e corte de impostos na cesta básica. Como disse o deputado Roberto Freire, o corte de impostos da cesta básica foi desonestidade intelectual da presidente, que vetou projeto idêntico aprovado pelo Congresso no ano passado. Em sendo desonestidade intelectual, não será a primeira considerando que em seu currículo ela dizia que tinha doutorado em economia pela Unicamp, o que se verificou mentiroso. A culpa foi atribuída ao erro de uma secretária e o site da capes passou a exigir CPF e senha na atualização de currículo. Quanto ao setor elétrico, as distribuidoras perderam 50% do seu valor desde o ano passado e o setor só não vive um racionamento graças às térmicas emergenciais construídas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Isto porque Dilma foi a toda poderosa do setor de energia nos últimos anos. O seu mito de competência parece sobreviver mais que a realidade.

No PSDB, parece que finalmente chegou a vez do neto de Tancredo. Este playboy que muitos acusam de aspirador de pó acha que tem as credenciais para ser presidente da República em função da boa gestão que fez no estado de Minas. Dizem que o segredo do Aecinho é que ele sabe se cercar de pessoas competentes, especialmente sua irmã, que é famosa por carregar seu piano. Serra, por sua vez, até hoje não acredita que foi derrotado por Dilma. Logo ele, que foi presidente da UNE, exilado, com mestrado em economia no Chile, doutorado pela Universidade de Cornell com passagem por Princeton e professor da Unicamp, secretário de estado, deputado constituinte, várias vezes ministro, senador, prefeito e governador de São Paulo e acabou derrotado por um poste de Lula. Isto depois de ter sido derrotado pelo próprio. Pensando bem, Serra deve ser vascaíno.

Uma novidade interessante que surge no condomínio do poder é o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos, que aspira à presidência. Campos vem de uma boa família da esquerda, como diria o Mercadante: os Arraes. Se bem que está difícil para o Ciro engolir que ele não seja o único e eterno presidenciável do PSB. Este partido se apresenta como uma alternativa interessante de poder à aliança PT/PMDB, cuja construção foi produto do Mensalão. Como disse Merval Pereira, Lula ficou tão assustado com a possibilidade de sofrer um impeachment que abraçou tudo o que havia de mais espúrio no PMDB e com isto enterrou a bandeira da ética do PT, que já estava em frangalhos.

Temos ainda a senadora Marina Silva que é uma dissidente do Partido dos Trabalhadores. Ela tem a antipatia de Lula devido a sua origem humilde e uma biografia que chega a ser mais interessante que a dele em termos de dramas pessoais. Donos de partido como Lula não dão espaço para que outros grupos cresçam e selecionam candidatos na base no dedaço como foi o caso da Dilma, que não venceu nenhuma previa partidária. Marina traz a bandeira da ética e da proteção do meio-ambiente, que parecem muito importantes para o país mas revela um culto à personalidade um pouco sinistro.

Nos bastidores Lula luta para sabotar o novo partido de Marina e para impedir a candidatura de Campos para manter a eleição no cenário familiar que é a velha disputa PT x PSDB, que ele e seus marqueteiros parecem já ter desenvolvido a fórmula para vencer. Enquanto isto, Lula vai parindo mais postes como Haddad e Lindenberg, que poderiam ser candidatos à Presidência da República um pouco mais para frente. Haddad fez uma longa gestão no Ministério da Educação marcada por sucessivos fracassos no ENEM devido a licitações no mínimo mal feitas. O desempenho do país em termos educacionais também não sofreu grandes alterações exceto o rio de dinheiro despejado na educação superior. Quanto ao Lindenberg, ou como alguns o chamam, o Lindinho, ex-lider dos caras-pintadas hoje responde a cerca de quinze inquéritos no STF por diversos desvios, especialmente irregularidades em licitações.

Outro dia Dilma disse que o Brasil devia muito ao PT.... Será? O partido que votou contra tudo que o PSDB propôs em sua gestão e que mais tarde se serviu de tudo isto como seu? Este é o partido para quem o país tem uma dívida? O partido que não fez nenhuma reforma significativa em sua gestão. Outro dia a ministra do Planejamento, na falta do que dizer disse que o governo está fazendo uma revolução silenciosa. Será? Mas a Sra. Dilma está enganada. Políticos têm mania de aclamação como se estivessem onde estão porque outros pediram e insistiram, etc. Não, ninguém pediu para ela estar lá e nem para o PT chegar ao poder. Eles ocupam o poder porque o desejaram, lutaram e derrotaram seus adversários. E, se depender deles, ficarão no poder para sempre. Abrir mão do poder é muito raro é geralmente é feito em situações como a do papa Bento XVI, que chegou à conclusão por razões de saúde, que era hora de passar o bastão. Chávez,  por sua vez, nem sofrendo de um câncer terminal entregou o poder. Na minha opinião, este é o tipo de gente que nunca deveria tê-lo tido.

19 março 2013

Papa Paco VIº

"Toda unanimidade é burra" é obviamente uma frase de efeito, porque se todos concordassem com Nelson Rodrigues seria então burrice acreditar que a unanimidade é burra. O mesmo vale para "toda regra tem exceção". Então deve haver uma exceção para esta regra, ou seja, uma regra sem exceção?

O Papa Francisco é praticamente uma unanimidade, como Lula quando foi eleito pela primeira vez presidente. Falar mal do eneadáctilo foi, até o Mensalão, um pecado imperdoável. A imprensa venera este Papa. É um oximórico argentino humilde - e o demonstra publicamente* -, foi genial ao escolher o nome "Francisco" (ou seja: Paco, nos países hispânicos), é mais bonito do que Bento XVI, o primeiro Papa a sair vivo do cargo em 600 anos, a quem agora estão proibidos as sapatilhas vermelhas e o camauro, espera-se que ele faça uma limpa na Igreja Católica e coloque em seu devido lugar o maligno Cardeal de Richelieu, digo, Bertone. Comentemos algumas de suas frases recentes, em negrito e entre aspas:


“Separo o tema do aborto de qualquer concepção religiosa. É um problema científico. Não permitir o desenvolvimento de um ser que já dispõe do código genético de um ser humano não é ético.“

A Igreja endossou no Concílio de Viena a posição de São Tomás de Aquino, de que a alma só era inoculada no feto quando este tivesse forma humana. Não havia impedimentos para que o Espírito Santo inspirasse os altos dignitários de 1311 a afirmar o mesmo que Bergoglio, uma vez que desde o homem-macaco sabe-se que aquilo que avoluma o ventre materno invariavelmente se torna um ser humano, se o processo não for interrompido, natural ou deliberadamente. Esta constatação óbvia depende dos avanços científicos?

Na verdade, o aborto passou a se tornar pecado, em qualquer estágio de desenvolvimento do feto, apenas em 1869, após um acordo entre o papa Pio IX e o imperador Napoleão III. A baixa natalidade na França atrapalhava os planos de industrialização do governante francês.

Desde a democracia moderna e o fim dos monarcas investidos de poder divino, a relação entre governantes e religiosos passou a ter um intermediário: o povo. A consciência deste passou a ter um preço alto, e desde então os primeiros muitas vezes dependem dos segundos. Mantendo-se no centro de discussões polêmicas, muitas vezes em contradição com asserções passadas - o Espírito Santo também muda de opinião -, apelando a valores que tenta fazer crer que inventou, a Igreja Católica passa a ser peça importante no jogo democrático de dezenas de países. Assim, o último estado teocrático da Europa apita desavergonhadamente nas questões internas dos países onde sua faceta religiosa conta com prosélitos, porque, camaleônico, é estado e igreja. Núncios são recebidos mundo afora como embaixadores de um estado europeu, para tratarem sobre questões religiosas. Para os governantes, é um excelente atalho. Ao invés de lidarem com 50 milhões de consciências, acertam tudo com seis ou sete procuradores destas. Os líderes evangélicos aprenderam bem tal mecanismo, o aperfeiçoaram, e seu arrojo torna o serviço ainda mais fácil para os políticos.


“Não pretendo fazer proselitismo — eu as respeito (pessoas ateias) e me mostro como sou (...) Não diria que um ateu está condenado porque estou convencido de que não tenho o direito de julgar sua honestidade — sobretudo se ele tiver virtudes, aquelas que engrandecem as pessoas.”

Conseguiu matar dois versículos do Capítulo 16 de São Marcos com uma única tolice politicamente correta:

Marcos 16:
15: E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
16: Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

Após a Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II (link), Jesus deixou de ser o único caminho. Vale agora até adorar Baal, porque se está tateando por uma divindade nas sombras, e este impulso de adoração já basta àquele mesmo deus ciumento do Velho Testamento. Afirmar que não pretende fazer proselitismo quando se encontra com ateus diz muito sobre o novo Papa. É como ouvir às vésperas de eleições um candidato dizer que não quer convencer ninguém a votar nele. Mas esta é justamente a tática proselitista de conquistar prosélitos entre os que odeiam proselitismo.


“Não se deve interferir na autonomia dos cientistas. Exceto se extrapolarem seu campo de atuação e se envolverem com o transcendente."

Envolver-se com o transcendente é, porventura, invadir o terreno da metafísica? Se esta dimensão - seja lá o que for - fosse falseável, seria do campo científico. Se detectarmos sistematicamente almas saindo de pessoas recém falecidas, a metafísica não ganhará força; o mundo natural é que terá adquirido uma nova dimensão.

Há outro problema. O milagre envolve intervenção do transcendente no físico e é peça fundamental na religião. Esta depende, de certo modo, da ciência, e sem milagres é apenas "fé cega", conforme lemos no catecismo católico:

"...para que o obséquio de nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores de sua Revelação. Por isso, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade 'constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos', 'motivos de credibilidade' que mostram que o assentimento da fé não é 'de modo algum um movimento cego do espírito'".(§156)

É desnecessário dizer que os supostos sinais não puderam ser adaptados à inteligência de todos, tanto que são (sempre foram) mais frequentes em locais de baixo IDH. Ademais, deveria haver um milagre incontestável por habitante, uma vez que a mera narração de um prodígio volta a demandar confiança, "fé cega".


“O que não é bom é o laicismo militante, aquele que toma uma posição antitranscendental ou exige que o religioso não saia da sacristia.”

O laicista militante é tão nefasto quanto o republicano militante, o democrata militante. Não conheço laicistas que tentam impedir padres de opinar sobre quaisquer assuntos. Reclama-se de financiamento público para visitas de religiosos, para festas religiosas, reclama-se de símbolos religiosos em repartições públicas. O laicismo existe no papel, assim como a probidade administrativa. Milita-se pela aplicação daquilo que já está previsto em lei.


“Uma coisa boa que aconteceu com a Igreja foi a perda dos Estados Pontifícios, porque deixa claro que a única posse do papa é meio quilômetro quadrado.”

Ah, sei. O país criado por Mussolini. A Igreja possui 20% dos imóveis da Itália. E trilhões de euros em imóveis ao redor do mundo. A Igreja não possui mais nada.


“Que o celibato traga como consequência a pedofilia está descartado. Mais de 70% dos casos de pedofilia se dão no entorno familiar e na vizinhança: avôs, tios, padrastos e vizinhos. O problema não está vinculado ao celibato. Se um padre é pedófilo, ele o é antes de ser padre.”

Digamos que, em determinado país, criaturas de hábito - padres, freiras e monges - constituam 0,1% da população (na verdade, esta é a porcentagem italiana, a maior proporção de padres e religiosos em relação à população, entre todos países) mas sejam responsáveis por 7% dos abusos documentados a menores. A chance de encontrar um pedófilo entre padres seria, portanto, 70 vezes maior do que entre os não padres, não? Estas porcentagens não são fictícias. São aproximações a partir de dados oficiais da Irlanda. E estou levando em consideração apenas a população adulta.

A porcentagem de padres pedófilos na Irlanda chegou a 10%. Não há nenhuma outra profissão que atinja tal marca. Algumas estimativas chegam a uma chance 200 vezes maior de um padre católico ser pedófilo do que uma pessoa normal, não padre (link).

Por terem desvios sexuais, muitos procuram a batina, talvez até inconscientemente, porque o sacerdócio é um bom álibi social. Não precisam casar, serem vistos com uma mulher, muitos pais baixam a guarda quando lhes confiam os próprios filhos, para tardes de catequese, como coroinhas, cantores, noites em acampamentos. Creio que os crimes contra crianças praticados por sacerdotes se devam, muitas vezes, ao fato de ser mais fácil ameaçá-las e calá-las. A profissão exige celibato e extrema retidão moral. Não é bom arriscar com amantes adultos, que um dia poderão dar com a língua nos dentes, não? Todos padres que abusam sexualmente de menores cometeriam os mesmos crimes fora da igreja? Ou seriam pedófilos não criminosos – aqueles que não consumam suas preferências sexuais, apenas sentem atração por crianças? Bispos e cardeais acobertaram crimes de pedófilos, para protegerem sua instituição. É difícil acreditar que acobertariam crimes por aí, de vizinhos ou de colegas de trabalho. Denunciariam às autoridades ainda que anonimamente. Os crimes de acobertamento por parte de superiores são o terreno fértil para germinarem os crimes dos padrecos.

THE SAVI REPORT - Sexual Abuse and Violence in Ireland

Vejamos os EUA, por exemplo: Leiam The Nature and Scope of the Problem of Sexual Abuse of Minors by Priests and Deacons - Relatório comissionado pela “Conference of Catholic Bishops”(link).

E imaginemos como era antigamente, quando a Igreja não era obrigada a se reportar à justiça comum. Como era a situação nos internatos e orfanatos conduzidos pela Igreja? E nos seminários, onde os aspirantes entravam com 7, 8 anos? E nas paróquias?

O Papa Francisco ou é safado ou pacóvio. Fico com a segunda opção, apesar de parecer que se aproveita do senso comum entre os fiéis católicos, de que são casos isolados os de pedofilia clerical e que a mídia é que faz estardalhaço, para jogar insidiosamente os dados de que 70% dos abusos são cometidos por familiares e vizinhos. Ora, se 0,1% dos crimes de pedofilia fossem cometidos por padres, o problema não seria alarmante, uma vez que estaria, bem ou mal, em harmonia com a proporção de religiosos em relação à população geral. Mas não é isto o que se percebe.


Sobre homossexuais e casamento gay: “Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política. Pretende-se a destruição do plano de Deus. É uma jogada do pai da mentira para confundir e enganar os filhos de Deus.”

Aqui o Papa Paco se iguala ao Silas Malafaia e ao Pastor Feliciano, com a diferença de ser incensado pela mídia, enquanto estes são execrados. A cada dia que passa vem sendo corroborada a tese de que o homossexualismo tem forte peso genético. O Silas Malafaia expôs os dados corretamente no De Frente com Gabi mas os analisou do modo estúpido que se espera de um pastor homofóbico: em várias pesquisas com milhares de gêmeos univitelinos separados no nascimento houve concordância na orientação sexual em aproximadamente 52% dos homossexuais. O Silas afirmou, então, que, se fosse genético deveria ser 100%. Ora, se não houvesse influência genética os números deveriam respeitar a porcentagem de homossexuais em relação à população, de 4 a 8% (link).

O que o pastor não levou em conta foram os genes alelos e também gatilhos ambientais. Porcentagens semelhantes foram encontradas ao se analisar em gêmeos a incidência de esquizofrenia, por exemplo, comprovadamente genética.

Assim, o Papa Paco VIº (pacóvio) faz do demônio co-criador do homem, uma vez que parte de suas características genéticas vem do Coisa-Ruim. Se o homossexualismo é natural, e também é natural a união civil entre seres humanos que têm um projeto comum de vida, e o Papa vê nisto "jogada" do Pai da Mentira (Deus mente e a Serpente diz a verdade aos sem-umbigo, no Gênesis, mas fiquemos com a versão oficial), então não consigo enxergar a coisa de modo diverso. Deus é nosso pai. Satã também. Teria sido a primeira união homossexual da história?

Casamento gay é uma ameaça à família, aos planos de Deus? E os adultos que jamais se casam? E quanto aos padres celibatários? Celibato é natural? É genético, como o homossexualismo? E o problema da superpopulação? Ela está nos planos de Deus? Quanto à questão moral, o que dois adultos fazem consensualmente entre quatro paredes não me diz respeito. Por que os religiosos se importam tanto com isso? Um grupo de pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade da Georgia, nos EUA, realizou um estudo em que se verificou que homens homofóbicos ficam excitados quando assistem à pornografia gay (link).

E aí chegamos a um ponto interessante: Qual é a porcentagem de padres gays? Segundo várias estimativas, está na faixa de 30% (link). Tomemos um exemplo: se na Irlanda a porcentagem de padres pedófilos já é maior do que a de gays na população geral, e a esmagadora maioria dos crimes de pedofilia é contra meninos, imagina-se que a porcentagem de homossexuais seja muito maior entre padres católicos do que na população como um todo.


Cristina Botox kirchner, a bruxa peronista, está acabando de afundar a Argentina com seu populismo irresponsável, seu desejo de exterminar a imprensa livre e a oposição, a la Chávez, enquanto sua família enriquece, e por isso simpatizantes liberais do Papa, como o Reinaldo Azevedo, veem a inimizade entre os dois como mais um sinal de que o pontífice é sensato. Ora, ela se deve, principalmente, a divergências em temas como o casamento gay, aprovado na Argentina em 2010. Parecem estar em harmonia no resto.

Ou seja, na estupidez.

Em 2012, Bergoglio disse que as Malvinas "pertencem à Argentina". Disse que as ilhas foram usurpadas pelos britânicos. Não é preciso dizer que a escolha do Papa não foi bem recebida no Reino Unido, não pela sua nacionalidade mas pelas suas declarações enquanto cardeal.

Após o almoço que o Papa teve com Cristina, esta disse: “(…) O papa me falou da Pátria Grande, da América Latina e do papel que estão cumprindo os diferentes governantes da América Latina. Disse que era formidável o que estavam fazendo esses governantes, trabalhando unidos para a Pátria Grande — empregou esse termo, o que definitivamente me comoveu. Era o termo que empregavam San Martín e Bolívar”.

O Cardeal Bergoglio disse, no final de 2011, que (link):

"A crise econômico-social e o conseguinte aumento da pobreza tem suas causas em políticas inspiradas em formas de neoliberalismo que consideram as ganâncias e as leis de mercado como parâmetros absolutos em detrimento da dignidade das pessoas e dos povos. Neste contexto, reiteramos a convicção de que a perda de sentido de justiça e a falta de respeito pelos demais pioraram e nos levaram a uma situação de iniquidade".

Depois falou em "igualdade de oportunidades" dos danos das "transferências de capital ao estrangeiro", em "distribuição da riqueza", etc.

A riqueza não é um processo de soma zero, como creem os socialistas. Steve Jobs não ficou bilionário explorando uma centena de trabalhadores na Califórnia, mas despertando o desejo da população terrena por seus aparelhinhos Apple. A riqueza pode ser criada, multiplicada, e a história demonstra que quanto mais os países têm mercado livre, baixa intervenção estatal e regras claras, menor a pobreza.

A demonização do mercado e dos imperialistas, a utilização de termos como "neoliberalismo", a defesa da tal "igualdade de oportunidades" (sabemos que inexiste na própria família, por uma série de motivos) o traem, a ponta da orelha peluda aparece por baixo do solidéu branquinho:

É mais um perfeito idiota latino-americano.

Glórias ao Papa Paco VIº, o Pacóvio!


*Acho ótimo que preparasse a própria comida e andasse de transporte público enquanto arcebispo de Buenos Aires. Já acho que muitas demonstrações de humildade como Papa ofendem o antecessor e servem para que seja exaltado a todo instante. Vejamos a rainha Elizabeth II da Inglaterra: passa uma humildade desafetada, sem "São Francisco" e outros ranços piedosos. Nenhuma coroa que usa é sua. Nenhuma joia sairá da realeza. Ela própria é quase uma peça do Madame Tussauds ambulante, que mal fala, uma exposição itinerante de indumentária real. Humilde é o príncipe Charles, que poderia exibir-se com espécimes femininos muito mais vistosos que Camila, Duquesa da Cornualha, mas ama esta górgona e a assume publicamente.
Exibir-se humilde na Basílica de São Pedro é engraçado. Que transfira provisoriamente a sede do papado para alguma tenda nos jardins do Vaticano, então, ou extramuros. As sapatilhas vermelhas são ridículas, claro, assim como as sotainas enfeitadas. Usá-las é que é sinal de humildade...

Créditos:
Carlos Esperança: "1º Papa a sair vivo do cargo em 600 anos"
Orlando Tambosi: "Bruxa peronista"
Janer Cristaldo: Informou-me que "Papa Paco" é como Bergoglio é chamado na Argentina.

15 março 2013

Habemus Papam Franciscum

Conheci um ou dois religiosos que tinham horror do cardeal Ratzinger e da forma como ele enquadrou o pessoal da Teologia da Libertação. O Leonardo Boff não aguentou o castigo e pediu para sair, como diria o capitão Nascimento. Pessoalmente, acredito que Ratzinger deixou um grande legado para a Igreja ao rejeitar o marxismo inerente à doutrina da Teologia da Libertação em sua atuação como Inquisidor Mor.

O marxismo é uma teoria que surge no contexto da filosofia alemã e da economia inglesa e nada tem a ver com a religiosidade semita que deu origem ao cristianismo. De fato, como disse o atual papa Francisco, sem a crença em Cristo Salvador a Igreja não passa de uma ONG piedosa. Portanto, diferente do que pensam os rahnerianos, a salvação não vem dos pobres nem o cristianismo é imanente à luta contra a desigualdade. Acho que com isto a Igreja está superando a sua crise de identidade e se assumindo como um corpo de fiéis unidos na crença em Jesus que morreu pelos pecados daqueles que acreditam nele.

Agora com Francisco chega ao papado o primeiro jesuíta da história. A Ordem Jesuíta é uma ordem fundada por um militar espanhol meio delirante e sem muito amor à vida que foi gravemente ferido em uma batalha. Na convalescênça dos ferimentos leu a Vida de Santos e enfrentou febres e delírios que teriam matado a maioria das pessoas. Recuperado, decidiu dedicar suas energias não mais às glórias em batalhas, mas à imitação de Cristo.

Fez longas peregrinações e reflexões que aparentemente o levaram a um estado qualquer de clareza mental que acabaram o tornando um grande pregador do cristianismo. Isto incomodou a Inquisição da época, que exigia uma educação teológica formal para este tipo de pregação e ele acabou tendo que cursar um curso de Teologia no qual curiosamente era considerado um aluno medíocre.

Mais tarde desenvolveu um método que ele chamava de Exercícios Espirituais, a partir da sua própria experiência de conversão. Ele havia percebido que a leitura da Vida de Cristo lhe dava uma sensação de paz, enquanto os pensamentos em torno de glórias em batalhas, embora excitantes, depois se mostravam vazios de algo. A partir daí ele desenvolveu um método que buscava treinar os praticantes na aplicação deste discernimento em suas vidas. A Ordem Jesuíta surge a partir desta prática. Portanto, é natural que o Papa Francisco, um jesuíta, entenda que a piedade e a luta contra a desigualdade no contexto da Igreja Católica sejam consequências de uma prática religiosa.

11 março 2013

Os Royalties e a Secessão do Rio de Janeiro


Quem assistiu nos últimos dias ao debate sobre os royalties do petróleo deve estar pensando que o Rio está quebrado e que foi roubado. Pode até estar quebrado mas não por causa dos royalties e se foi roubado o foi por locais. Com a derrubada do veto da presidente Dilma, a distribuição dos royalties fica assim: Após um longo período de transição, que vai até 2020, em que se mantém a arrecadação de 2010 do Rio de Janeiro, as porcentagens do estado produtor caem de 26,5% para 20% e as dos municípios produtores de 26,5% para 15%. A arrecadação do Rio de Janeiro irá cair? Não. Será mantida e tende a subir na medida em que a produção de petróleo deve dobrar até 2020, passando dos atuais 2 para 4 milhões de barris, e os preços do petróleo estão altos (US$ 110) e tendem ainda a subir. Tem um estudo recente da OCDE que projeta um teto de US$ 260 em 2020. Para se ter uma ideia, a arrecadação de royalties do Rio de Janeiro em 2013, com a derrubada do veto, deve chegar a R$ 6,7 bilhões, enquanto todos os demais estados da federação deverão receber R$ 5 bilhões pelo Fundo de Participação dos Estados.

Eu assisti à sessão que derrubou o veto da presidente Dilma. Confesso que passei do desprezo à admiração ao senador Renan Calheiros pelas baixarias que teve de aturar. O senador, pré-candidato a governador do Rio e presidente da República Lindinho se retirou da sessão com ares de ofendido quando o presidente da sessão limitou os discursos a 5 minutos, o que é usual. Como se ele tivesse muito a dizer. O deputado e dono do curral eleitoral de Campos, o Garotinho, subiu à Tribuna para gritar Fora Renan e outras pasmaceiras. Eu até entendo, pois o curral eleitoral da família que recebe mais de R$ 1 bilhão em royalties vai perder dinheiro. Depois foi a vez do deputado Molinho, que, após uma leitura literal da Constituição com ares colegiais, passou a ameaçar os estados do Paraná e Minas de que teriam muito a perder se aquela matéria fosse aprovada (energia elétrica e royalties minerais). Por fim, uma vez derrubado o veto tivemos a “greve de fome” declarada pelo governador Cabral, que mandou suspender os pagamentos do Rio de Janeiro, exceto salários de servidores públicos (dizem que ele resolveu culpar esta história dos royalties pelo péssimo estado das finanças do Rio) e a manifestação infeliz do ministro carioca do Supremo, o Luiz Fux, que acredita que o Supremo irá atacar a decisão do Congresso.

Isto me leva a pensar que talvez o Rio de Janeiro se sinta melhor fora da federação. Talvez fosse o caso do Exército Brasileiro e da Marinha retirarem suas numerosas bases do território do Rio de Janeiro. Aliás, a Marinha está praticamente concentrada lá. A Petrobras, que é controlada pela União, também poderia rever a localização das suas sedes administrativas; deve ocupar uns 20 a 30 prédios no centro do Rio de Janeiro. O BNDES também é federal e não existe nenhum motivo mais significativo para ele estar no Rio de Janeiro. E por aí vamos. Tem o IBGE, alguns ministérios, até outro dia o Rio de Janeiro tinha mais servidores públicos federais do que Brasília. Aliás, podíamos também cancelar a Copa e as Olimpíadas que estão sendo bancadas por recursos federais. Só o financiamento do BNDES para a revitalização da área do porto está na casa dos R$ 10 bilhões. Isto para não falar no Eike, o empresário carioca, por vocação, que não sai de casa sem um empréstimo do BNDES. Só nos últimos anos, o BNDES tem recebido aportes de dezenas de bilhões do Tesouro Nacional. Semana passada mesmo Eike se encontrou com Dilma e mês passado com Lula para atestar que continua prestigiado apesar das ações dos seus negócios terem virado mico.

No fim, o Cabral escolheu esta bandeira de defensor dos royalties como estratégia para fazer a população esquecer do ricamente documentado jantar dele e sua entourage em um restaurante de luxo em Paris com seu grande amigo, Fernando Cavendish, dono da construtora Delta. Quem quiser ver as fotos é só entrar no site do Garotinho. Tem secretário de Estado com foto ao lado de Ferrari de US$ 1 milhão. Talvez isto explique a falência do Estado. E falando em Garotinho, vejam como são bem gastos os recursos dos royalties na cidade de Campos, que é governada pelo clã Garotinho. Fala sério, um dos “melhores” municípios do país. O Lindinho, por sua vez, meio que vive um dilema, pois ele tem que se mostrar um defensor do Rio de Janeiro para ser eleito governador, mas tem que tomar cuidado para não ficar marcado e inviabilizar sua candidatura a presidente da República. A saída que ele encontrou na sessão que derrubou o veto foi se fazer de ofendido e vazar. O deputado Molinho fica lá marcando posição porque provavelmente quer se cacifar para o Senado.

Como vocês vem, a causa dos royalties em si não é justa, mas estes sujeitos se servem dela da melhor maneira possível. Afinal, serão atingidos níveis de produção nunca antes imaginados com a descoberta do Pré-Sal, que já é responsável pela produção de 250.000 barris por dia e em alguns anos deve passar de 1 milhão. Torço para que os cariocas não caiam no papo desses seus péssimos líderes e não se acreditem injustiçados; porque não são. O Rio de Janeiro vai muito bem, obrigado, e se tem problemas não são culpa do restante da federação, que tem é ajudado e muito.

05 março 2013

Soul Radio

"Após uma eternidade sozinho no nada com seu filho e o Espírito Santo, que são Ele próprio, Deus suscitou uma grande explosão, há quatorze mil milhões de translações terrestres anos."

Se fossem essas as primeiras linhas do Gênesis, a Bíblia teria hoje muito mais credibilidade. Contudo...

Ad Hoc são hipóteses adotadas, na quase totalidade das vezes (porque não é apenas por ser ad hoc que é falsa), com o propósito de salvar uma teoria indefensável pela razão e pelas evidências. Têm DNA compatível com a fé cega, aparecem amiúde quando há embaraço de se admitir que se crê pelo hábito, necessidade, conveniência, esperança, não porque se adotou a hipótese mais lógica, mais sensata. É muitas vezes o contra-ataque de crentes letrados que se viram compelidos, em um primeiro momento, a se render às evidências, por brios intelectuais, para demonstrarem isenção e assim manterem a credibilidade, profissional ou em um meio social, familiar.

Exemplos abundam, quase sempre ligados a "verdades" religiosas cujas fundações estão cedendo. Uma posição pode ter sido razoável, sólida, há duzentos anos e não sê-la hoje. Por mais de três mil anos a passagem de Adão e Eva foi tida como literal pelo clero, pelo povo, por filólogos, luminares, exegetas, estes com o auxílio do próprio Espírito Santo - e de fato não há como conciliar a doutrina do pecado original com o poligenismo (Encíclica Humani Generis). A partir do momento em que foi demonstrado que temos ancestrais comuns aos macacos, tudo sempre foi metáfora, foi o modo que pastores da Idade do Bronze encontraram para reproduzir as verdades cristalinas inspiradas por Deus. Acreditava-se que o mundo havia sido criado há seis milênios e que todas as espécies surgiram de uma vez, desenhadas por Deus. A partir do momento em que foi provado que o universo existe há bilhões de anos e que os animais evoluíram por milhões de anos, tendo os dinossauros se extinguido antes mesmo do surgimento do homem, passou-se a dizer que o tempo de Deus não é o nosso, que seu dia é eras, criacionistas chegaram a afirmar que os animais petrificados haviam sido plantados por Satanás para confundir os crentes.

Cria-se na alma. À medida que os estudos do cérebro avançaram, que os movimentos, as sensações, a memória, a personalidade, os desejos e medos passaram a ser relacionados a determinadas áreas da massa craniana, a equilíbrios químicos, passou-se a afirmar que a massa cinzenta é como um receptor de rádio, sendo a alma um transmissor de ondas. Temos que concordar que os miolos de uns por aí são radinhos que reproduzem a Rádio Vaticano, mas daí a existir alma...

Analogias são necessárias para se explicar algo complexo ou técnico, para se romper bloqueios mentais. Infelizmente, falsas analogias são recurso usual de argumentadores cujas posições a lógica e as evidências não têm muito com que ajudar.

Ao contrário dos rádios que conhecemos, só há uma estação em nossa cachimônia. Para mudar a sintonia, captar ondas de frequência diversa, é necessário ir a um centro espírita e incorporar um dos fantasmas de escritores famosos e imperadores que têm licença de frequentar o espaço após um intensivão de português para principiantes no Nosso Lar (não se psicografa em grego e latim), ou em um terreiro de macumba e incorporar um quilombola ou um deus africano. Compositores de música clássica são barrados porque o pentagrama lembra o demônio e é melhor não brincar com suas transmissões radiofônicas, as quais, diga-se de passagem, pegam melhor em cultos evangélicos. Mas é necessário que o rádio tenha dial, ou seja, que se tenha a tal mediunidade.

Se o rádio tiver um componente danificado, basta trocá-lo para que volte a funcionar normalmente. Se uma área do cérebro for danificada e a substituirmos por outra idêntica, tudo ficará como antes? Argumentar-se-á que o contato com o mundo altera os capacitores e outros componentes do rádio e que, por sua vez, eles abrem caminho para outras facetas da alma ou alteram ela própria, de modo que trocar o capacitor novo por um antigo ou de outra marca limitará a transmissão da alma, ou da nova alma. Na verdade, se brincarmos com os componentes do radinho dos dualistas, a Nona Sinfonia de Beethoven passa a ser tocada com saxofone e bateria, em determinado momento, em outro com guitarras distorcidas, em seguida ela vira o Bonde do Tigrão. E sem alterarmos a emissão. Sabe-se que a memória é gravada fisicamente no cérebro. É, porventura, gravada no fantasminha, no homúnculo que vive em nós? Caso afirmativo, se a apagarmos fisicamente sem danificar o cérebro, o homúnculo consegue reimplantá-la no cérebro ou a alma também se esquecerá para sempre? Certamente a segunda opção.

E na experiência em que se ensinou uma tarefa para um rato, gravou-se as conexões mentais ligadas à memória recente em um chip e depois bloqueou-se a área do cérebro em que elas ocorreram para em seguida implantar-se o circuito eletrônico, acionando-se surpreendentemente a memória do aprendizado (link)? E quando se enviou os dados do chip pela internet e, a milhares de quilômetros do experimento original, inseriu-se as informações recebidas em outro chip, que foi implantado em um outro rato, que executou a tarefa como se fosse sua própria experiência (última Veja, Guardian e outros)? É questão de tempo até que estes avanços interfiram diretamente na vida do homem. Ora, somos, em parte, nossas memórias. Como harmonizar essas experiências com ratos e o conceito de alma? Como crer em um homúnculo imaterial que vive dentro de nós, que, se possui memória, não consegue reimplantá-la no cérebro em que foi apagada - algo que já se pode fazer com um mero chip? Como crer em alma quando tudo o que somos pode cada vez mais ser explicado fisicamente?

E como a hipótese lida com os casos de cérebros divididos (link Wikipedia – link Youtube), em que há duas consciências independentes?

Se melhorarmos a “recepção” de macacos com transplante de partes de cérebro de homens “desencarnados”, cujas almas já estão junto de seu deus, no inferno, aguardando julgamento ou no Nosso Lar de Chico Xavier, os símios passarão a ter alma ou sempre a possuíram, quiçá por terem sido criados à imagem e semelhança de Hanuman, o deus-macaco hindu, mas apenas nunca tiveram um rádio à altura?

Enfim, pelo modelo do radinho, ao longo de nossa vida nossa alma não aprende nada, já que o aprendizado se dá fisicamente, no receptor, por conexões. Desde a primeira infância melhora-se o acesso à rede de neurônios, aprende-se incontáveis coisas, obrigatoriamente esquece-se de muitas outras, nossas decisões morais são baseadas na experiência, na memória portanto, no aprendizado, inclusive emocional. A personalidade se forma assim, além das predisposições genéticas. Para quê serve a alma, nesta vida? Como se medirá seu mérito e demérito depois de desencarnada, já que estará pura, por jamais ter fixado qualquer experiência? E outro problema: não podemos gozar eternamente no paraíso enquanto nossos filhos padecem horrores no inferno, então de duas uma: ou deixamos de ser nós mesmos perdendo a memória no Rio Letes, que está no Hades ou no Purgatório de Dante, ou virando um monstrinho amoral do quilate de Deus e achando tudo bem feito, porque, afinal, eles "escolheram" estar longe do Pai. Em qualquer um dos casos deixamos de ser nós mesmos e, consequentemente, não somos nós os imortais mas uma outra consciência. Ou não existe punição e recompensa. Aí Deus é o inútil que aparenta ser, porque além de não interferir neste mundo, como constatamos, não atua no "outro".

Não subestimemos a capacidade dos crentes elásticos de empunharem novas hipóteses ad hoc, novas analogias como se fossem prova de algo. No futuro seremos, quem sabe, proxies de uma alma não atuante que incorporará nossos méritos e deméritos, que ficará mais brilhante ou mais enegrecida de acordo com nossas ações, e que será imortal como todos sempre desejamos ser. Na verdade, a crença na alma imortal se extinguirá caso se conquiste a imortalidade física, mediante o fim da decrepitude e por backups de cérebro e órgãos reimplantáveis após acidentes ou doenças. Aí os crentes relaxariam, pois já teriam conquistado aquilo que, no fundo, é um desejo não um argumento, uma esperança não uma posição racional. E quem sabe depois veriam que a imortalidade estaria mais próxima de uma maldição, sentir-se-iam talvez como os Struldbrugs das Viagens de Gulliver, cometeriam suicídio. Sabemos, por experiência, que o prazer está ligado à finitude, à efemeridade, é assim na contemplação de um pôr do sol, na graciosidade da primeira infância de nossos filhos, com nossas ingênuas conquistas juvenis, com um chope animado entre amigos, em uma noite romântica com a esposa, numa viagem que nem sempre podemos fazer. A vida é preciosa porque é efêmera.

Entre Jesus e Epicuro, fico com este, que disse, três séculos antes do sedizente "Único Caminho": "A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais." Epicuro sim venceu a morte, com sabedoria. O "çábio" judeu apenas alimentou vãs e antigas ilusões...
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