13 novembro 2013

Ditaduras Bolivarianas

O Brasil, graças a Deus, é um primo pobre das ditaduras bolivarianas. Nesta semana houve uma sentença do Poder Judiciário que determinava que um dos filhos de Lula devolvesse o passaporte diplomático que lhe fora oferecido pelo Itamaraty ainda na gestão do seu pai. Na Venezuela, o presidente “eleito” não reside na residência oficial porque as filhas de Chávez ocupam a residência. A lei venezuelana é clara ao afirmar que elas não poderiam residir lá, ainda que seu pai fosse o presidente da República, mas este negócio de seguir a lei é coisa pequeno burguesa.

Na Argentina, a taxa oficial de inflação é uma mentira na qual ninguém acredita. No Brasil, a contabilidade criativa passou a ser rotina para se atingir as metas de superávit fiscal. Na Venezuela, diante do total descontrole das finanças, o governo decidiu proibir a divulgação em sites da cotação paralela da moeda.

Um elemento comum a estes governos é o uso dos recursos do Estado para comprar apoio. O Brasil chegou a 39 ministérios dentro desta estratégia, em que, ao invés de se dialogar com a sociedade, se prefere comprar seus representantes. Além de antidemocrática, esta é uma estratégia cara e que torna o estado mais ineficiente e corrupto. É simplesmente uma estratégia de dominação em que o Executivo domina a agenda do Legislativo. Na Argentina e na Venezuela é pior; lá o Congresso já deu a seus respectivos executivos superpoderes.

Aqui o Congresso conseguiu resistir à tese do terceiro mandato para o Lula. Na Argentina, a recente derrota em eleições parlamentares da Cristina devem inviabilizar seu projeto de um quarto mandato. Na Venezuela, Chávez propunha plebiscitos quantas vezes fosse necessário para que o povo aprovasse seu direito a se manter no poder. Pois é, é por isso que o Executivo não pode ter o poder de realizar plebiscitos sem autorização do Congresso como queria Dilma, quando a sua equipe entrou em pânico com as manifestações de junho.

Na maioria das ditaduras bolivarianas, conseguiu-se fazer reformas constitucionais. Aqui este projeto não emplacou, até porque se viu o seu resultado nos vizinhos; entretanto, tenta-se emplacar de qualquer jeito uma “Reforma Política”. Na eleição interna do PT, em que, segundo denúncias da oposição, se praticou a compra de votos, o partido usou a presença de seus correligionários para que eles assinassem a proposta popular de reforma política a ser encaminhada ao Congresso. Mais um estelionato petista. A intenção da proposta de iniciativa popular é que a sociedade apresente propostas a serem analisadas pelo Congresso. O ridículo é quando partido governante usa este expediente para mascarar seu projeto de poder dentro de uma aspiração da sociedade. Outra proposta de “iniciativa popular” assinada pelos membros do partido foi a de fragmentar as empresas de comunicação e submetê-las ao controle social. Pois é, imitação do projeto argentino que está em processo de desmembramento do Grupo Clarin. Na Venezuela e no Peru, os grupos de comunicação já foram vendidos a empresários alinhados com o governo e alguns de seus antigos proprietários já se exilaram.

Ainda estamos melhor...ou menos pior...por enquanto.

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