07 novembro 2013

Dilma encaminha projeto de cota para negros no Executivo

No dia 05/11/2013, a presidente Dilma Roussef encaminhou ao Congresso Nacional, em regime de urgência, a proposta de projeto de lei que reserva 20% de vagas para negros no serviço público federal. Se aprovada, esta lei não irá contribuir para a justiça na sociedade brasileira, mas criará mais um tipo de iniquidade, mais um atraso. Como diziam os romanos, dividir para governar. É assim que governa o PT: Bolsa Família, Bolsa BNDES,.. e Bolsa Raça.

Nunca é demais lembrar que a política de cotas raciais é uma invenção norte-americana para um contexto social norte-americano. Lá houve uma política de segregação racial que foi uma sequela da guerra da guerra civil, que matou 600 mil americanos. No pós-guerra da secessão criou-se uma instituição que reduzisse ao mínimo o convívio de vencedores e derrotados. Talvez esta instituição tenha durado tempo demais e passado ela própria a ser um problema.

Nos Estados Unidos, não havia vestibular, havia cotas nas universidades de elite para filhos de ex-alunos, para filhos de VIPs, e para diversas categorias. Neste contexto, a cota dos negros era simplesmente mais uma cota que fazia sentido em uma política de integração racial adotada a partir da década de 1960. No Brasil havia, antes do PT, vestibulares que selecionavam com base em notas absolutamente impessoais. Pode-se argumentar que os alunos que tinham estudado em melhores escolas públicas e particulares levavam vantagem, mas acredito que a atual sistemática que reserva vagas para os alunos de baixa renda e negros parece ter resolvido esta questão.

No Brasil, nunca houve uma política de segregação racial. Pelo contrário, aqui há uma forte miscigenação. Era comum que os negros mais bem sucedidos ou mais bonitos acabassem participando desse processo. Os críticos podem argumentar que isso é mais uma prova do racismo, pois a ascensão social de um negro só se completava com a miscigenação. Falam tanto disso que esquecem da permeabilidade social que permitiu a muitos negros ascender.

Acho que sob esta questão da discriminação racial se esconde um grande problema de auto-estima e busca de aceitação que não está restrito aos negros. Afinal, parece haver uma hierarquia racial no sentido em que aqueles que ficam ricos se casam com loiras, modelos ou algo do gênero. É um clichê cultural os parceiros jovens e bonitos daqueles que atingem o sucesso e que são muitas vezes imitados. Vejam o Lula, que não é particularmente atraente, mas quantas mulheres o poder já não lhe deu. O Dirceu mesmo outro dia se separou de um menininha. Talvez seja mais difícil para o negro se orgulhar de seus antepassados. Para os descendentes de portugueses também não é tão fácil. Entretanto, os descendentes de alemães e italianos parecem estar cheios de auto-estima e satisfação de se dizerem descendentes dos criadores do Império Romano ou da grande civilização germânica. Talvez esse devesse ser o foco das políticas de afirmação racial. Uma revalorização da cultura negra e da história negra.

Também não sou maluco de dizer que o Brasil é uma democracia racial. Primeiro porque democracia é uma coisa muito recente, muito precária e ainda não consolidada no Brasil. Acho que somos ainda uma grande Casa Grande & Senzala. Ficamos entre o autoritarismo e o caos porque ainda não aprendemos a dialogar. Talvez sejamos uma sociedade demasiadamente heterogênea que não tem valores sobre os quais alicerçar um diálogo. Aliás, qual o diálogo que existe sobre esta questão das cotas raciais? Nenhum. Diversas pesquisas já mostraram que a população brasileira não é favorável a este tipo de política. Mas, isto não interessa ao PT nem à SEPIR, afinal, em suas cabeças estas são opiniões incutidas na massa pelos maldosos meios de comunicação de massa. E como eu dizia, ainda não existe um respeito pela vontade da maioria no Brasil.

De qualquer forma, como já disse um sábio, não é a política que faz a política pública, mas a política pública que faz a política. Será que interessa ao Brasil como nação alimentarmos este tipo de política? Sei que para o PT interessa eleger uma bancada negra sob o seu controle. Mas, realmente, para o Brasil uma bancada que se identifica pela cor da pele tem algo a contribuir para o debate? Dificilmente. Provavelmente estamos criando mais um cartório, mais um atraso, do qual o Brasil nunca mais ficará livre. É o Bolsa Raça do PT. Tem porta de entrada, mas não tem porta de saída. Isto sim, será uma herança maldita que terá que ser carregada pelos nossos filhos.

E, como diziam os romanos, pão e circo. Nesse sentido, os petistas se superam. É Copa do Mundo, Olimpíadas, Bolsa Família, Bolsa BNDES,..., e Bolsa Raça. Cada um desses grupinhos beneficiados pelo governo do PT passa a ter uma relação de clientela com este grande partido gramsciano (pois é, ele era italiano). Isto é bom para o desenvolvimento do país como uma nação? Dificilmente, mas faz parte da engenharia de poder do partido.

O serviço público discrimina contra o negro? Não, pois existe concurso que é impessoal. Provavelmente há mais discriminação em seleções de empresas privadas que têm entrevista. Então, qual poderia ser uma política verdadeiramente republicana? Acho que a melhor alternativa seria uma variação da política de Bolsas do Itamaraty. Na verdade, o que a SEPIR quer não é mais negros no serviço público, porque já temos bastante. O que eles querem são negros em lugar de poder, em carreiras de estado, carreiras de elite. Esta é a verdadeira agenda deles. Alguém já teve o prazer de conversar com os dirigentes da SEPIR? É muito recalque, muita mágoa junta...

Se fossemos um país sério, onde houvesse condições de um diálogo maduro, então propor-se-ia simplesmente criar bolsas para que negros e pobres tivessem condições de se dedicar ao estudo para estas carreiras de elite, com bolsas que têm porta de entrada e saída. Com isso, a política beneficiaria quem realmente precisa e teríamos certeza sobre a capacidade do aprovado. Infelizmente, uma política deste tipo é lenta. Ela teria resultados, mas não dentro da agenda eleitoral. E não haveria a criação de mais uma vitrine eleitoral nem de mais um curral eleitoral.

Diante disso, só me resta torcer para que não seja aprovada esta lei que reserva 20% das vagas para negros no serviço público federal. Mas, se ela for aprovada, torço para que amanhã, nos futuros concursos, sejam aprovados muitos Barbosas. Gente séria que tem vergonha na cara e não estará disposta a se vender ao Partido dos Trabalhadores em troca de qualquer favorzinho. Provavelmente serão gente de classe média. Bem educada e que, ao contrário do que diz a filósofa do PT, não serão ignorantes nem preconceituosos nem gratos ao PT. Afinal, se tem uma lição que a classe política nos ensina é que devemos "trair" quem nos prejudica.

4 comentários:

Jorge Caduco disse...

Jorge Velho tá ficando velho mesmo
confuso
se repetindo
no mesmo texto em parágrafos diferentes falando a mesma coisa

Jorge Caduco disse...

Tanto as cotas sociais, quanto as raciais são adequadas, necessárias e justas. Portanto, devem ser consolidadas e aperfeiçoadas com urgência.

Jorge Caduco disse...

“As favelas de hoje são as senzalas de ontem”.

Quantas famílias negras são moradoras de condomínio de luxo?

Fui a uma festa de réveillon que custava R$ 400,00 por pessoa. Entre bebidas e contagem regressiva me saltou aos olhos que a predominância esmagadora do branco não se fazia apenas nas roupas. Dos quase 500 presentes, notei apenas dois negros. Ambos trabalhando de garçom.

Jorge Caduco disse...

As cotas não criam o racismo. Acredito que ele já existe e age silenciosamente. As cotas ajudam a colocar em debate sua cruel presença e acaba, de fato, sendo uma medida contra o racismo.

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