09 outubro 2013

Como o PT sacaneou a candidatura da Marina

Hoje, li uma entrevista surpreendentemente lúcida de Alfredo Sirkis onde afirma que no Brasil mais uma vez se fez justiça ao estilo do Mensalão, ou seja, aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Ao negar a aprovação do Rede Sustentabilidade, o TSE, assim como STF, mostram a influência do Partido dos Trabalhadores em suas decisões. Sou grande fã de sincericídios como os do ex-prefeito Cesar Maia ou até mesmo do destempero do Ciro Gomes, pois eles costumam tratar os eleitores como iguais ao invés de valerem-se daquelas manipulações e provocações chulas que são características do Lula, por exemplo. Sirkis fala o que todos sabem: o PT abateu o avião de Marina ainda na pista de decolagem.

Na semana passada, o Lula passou o recibo da sacanagem toda quando afirmou que estava na hora de se discutir mandato para ministros do STF. Curiosamente, o ministro Toffoli, ex-advogado do PT no TSE e atual ministro do STF, indicado pelo Lula, havia acabado de ser o voto da virada na aprovação do partido Solidariedade de Paulinho, o que havia deixado o grande líder indignado. Especula-se que a traição era consequência da sensação de desprestígio de Toffoli, que aparentemente não estava sendo consultado nas indicações de Dilma para o STF. Na votação do partido de Marina, Toffoli arrumou, convenientemente, uma viagem.

Outro que passou o recibo da sacanagem foi o futuro presidente do STF, o ministro Lewandowiski, que criticou a falta de rigor na legislação eleitoral brasileira, que estava permitindo a criação de um excesso de partidos. Pois é, o mesmo Lewandowiski que é o grande defensor da leniência no julgamento do Mensalão de repente achou que se precisa de rigor na legislação eleitoral. Vejam que a bússola moral deste sujeito é confusa. Uma explicação para esta confusão é quem está sendo julgado, se for o PT aplica-se a leniência e se for alguém adversário aplica-se o rigor da lei.

Será que a Dilma é responsável direta por ter sacaneado a candidatura da Marina? Lembrem que o general Geisel nunca aprovou nenhuma tortura, muito pelo contrário, tomou medidas contra elas incluindo a demissão do general Frota. Getúlio Vargas negou ter mandado o chefe de sua segurança matar o oposicionista Carlos Lacerda, mas acabou se suicidando quando a situação saiu de controle. O Assad nega ter mandado bombardear com gás letal uma área civil ocupada pelos rebeldes matando mais de 500 crianças. De qualquer forma, poucos duvidam de que isto foi feito por seus correligionários e em benefício destes mandatários.

Mas nem tudo é culpa do PT. Marina falhou ao subestimar a influência do PT em seu julgamento, falhou em achar que teria o mesmo tratamento do PROS e do Solidariedade. Subestimou a ação de bloqueio dos cartórios eleitorais sob influência de políticos locais. E se recusava a ouvir aqueles que a alertavam sobre isto. Como disse Sirkis, apesar de ser uma pessoa de boas intenções, está acostumada a ter um séquito acrítico o que traz algumas desvantagens óbvias. Torço para que o eleitor tenha o discernimento de pôr na conta do PT mais esta afronta ao direito dos eleitores brasileiros de escolher seus governantes.

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