26 setembro 2013

Cotas para Negros no Serviço Público Federal

Hoje, meia dúzia de gatos pingados foi ao Ministério do Planejamento e 5 cidadãos ameaçaram fazer greve de fome se não fossem recebidos pela titular da pasta. Para evitar que os ditos cujos perdessem o jantar, a ministra os recebeu juntamente a um frei que iria incensar a petição. Pediram que fosse regulamentada uma cota para negros no serviço público e receberam a promessa do encaminhamento do regulamento para Dilma até 1º de outubro. Se a presidente Dilma se curvar a este pedido, que é apoiado por setores do PT, estará ajudando o Brasil a se tornar mais sectário, injusto e ineficiente.

Cotas raciais são uma ideia estadunidense, como diriam os esquerdistas, para garantir o acesso de negros a universidades de elite. Após a Guerra da Secessão, que matou 600 mil americanos, adotou-se a segregação racial no Sul a fim de permitir que os brancos derrotados tivessem uma convivência mínima com os ex-escravos. Na década de 1960, houve um forte ativismo no sentido de acabar com escolas separadas, por exemplo, uma vez que elas tinham desempenhos diferentes. Continuando este movimento, foram criadas cotas para negros nas principais universidades americanas, justamente porque o sistema para a universidade americana é de cotas. Lá já existiam as cotas dos filhos dos ex-alunos, dos alunos brilhantes, dos alunos indicados por excelência acadêmica em algumas escolas, dos atletas, etc.

No Brasil era diferente. Existia o vestibular, que selecionava os alunos com melhor desempenho de forma impessoal, mas a lei das cotas raciais nas universidades foi aprovada miscigenada à lei de cotas sociais, confirmando a vocação para a miscigenação no Brasil. Em termos de equidade, a única justificativa para esta lei é que a maioria das escolas públicas brasileiras é ruim e os alunos que nelas estudam não têm condições de competir com os alunos das melhores escolas públicas (escolas técnicas, de aplicação, militares,...) e com os alunos das melhores escolas particulares. Do ponto de vista racial não há justificativa senão a invocação de um longínquo passado de escravidão, que dista 5 ou mais gerações e sob o qual os historiadores têm posições muitos diversas das dos ativistas.

O típico aluno do ensino superior no Brasil é mulher, paga para estudar em uma faculdade privada, trabalha durante o dia e estuda à noite. De qualquer forma, em alguns anos, estes novos privilegiados que tiveram a oportunidade de estudar nas melhores escolas públicas estarão se formando e poderão concorrer a vagas no serviço público em boas condições; portanto, se é para dar alguma vantagem na disputa pelas vagas no serviço público, que seja para aqueles que estudam, trabalham e ainda têm que pagar por um ensino de qualidade duvidosa. Hoje, o Reitor da UnB, após ter sua sala invadida, foi agredido por alunos bolsistas da universidade que exigiam mais alguns direitos.

Infelizmente, o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já aprovaram as cotas para negros no serviço público. O sistema do Rio de Janeiro é particularmente malicioso. Lá, o candidato que escolher concorrer a vaga de negros concorre nas duas categorias. Se ganhar a vaga de branco, ótimo, senão vai para a repescagem na de negros.

Argumenta-se na defesa desta nova cota que há discriminação contra os negros no setor privado; portanto, decide-se reservar-lhes vaga no serviço público. Parece aquela piada de Nasrudin onde o sujeito perde a chave em casa e vai procurá-la na rua porque lá tem luz. Qualquer pessoa que conheça um pouco de seleção de grandes empresas sabe que se deseja a diversidade e que, na verdade, um grande desafio não é a integração entre jovens com backgrounds diferentes, mas pessoas de gerações diferentes que costumam ter valores diferentes e têm dificuldade de trabalhar junto.

Enfim, duvido da honestidade dos propositores destas ideias, não acredito em suas boas intenções. Eles sabem que estas propostas podem, no curto prazo, melhorar a vida de alguns, mas não de uma população. Acredito que o que buscam é criar uma clientela eleitoral que seja mobilizável e eleja candidatos negros do Partido dos Trabalhadores. Já vimos que no Brasil algumas bancadas não dão os melhores resultados, como os evangélicos do Feliciano, e corremos o risco de assistir ao surgimento de uma bancada que contará com os líderes deste movimento. Mas tudo bem, o Brasil é grande e deve suportar mais alguns políticos imprestáveis.

Mas, se Deus quiser, o PT vai cair do cavalo com esta ideia assim como o Lula se deu mal com a indicação do Barbosa para o Supremo. Jurava o nosso grande líder carismático que teria um “negro dócil e agradecido” para julgar o Mensalão. Descobriu que Joaquim Barbosa levava a sério a sua toga e tinha compromisso com a justiça. Portanto, torço para que esta péssima ideia não seja aprovada, mas, se for, espero que tenhamos muitos Barbosas no serviço público, prontos para mostrar seu compromisso com o público e sua insubmissão a qualquer projetinho partidário que deseje submeter o Estado ou enfraquecer e dividir o povo brasileiro.

10 comentários:

Esquerdista Negro disse...

Isto já está na pauta de debates raciais há 60 anos.

As pessoas entram em falsos debates.

ok. A Constituição Federal fala que todos somos iguais independente de cor, raça ou credo. Mas eu pergunto: somos todos tratados da mesma maneira? Não, né? Então, o que a gente tem que fazer é respeitar a Constituição. Para isso, só com promoção de políticas públicas, não há outra saída.

A sociedade só vai mudar no momento em que o poder estiver dividido entre todas as parcelas sociais.

Não se trata apenas de questão econômica, de relevar que os negros e negras, em sua maioria, comparado com os brancos, ganham menos. É poder inserir os negros nos mercado de trabalho do serviço público, que está cada vez mais elitizado e composto por pessoas brancas. As cotas significam termos como referência pessoas negras como também procuradores, juízes, servidores públicos em geral, e não mão de obra de profissões menos privilegiadas.

Esquerdista Negro disse...

racista e de mau gosto a ilustração do post.

negro então só serve pra porteiro (doorman), FDPs?

Anônimo disse...

Caro Esquerdista...

Vc sabe qual é a minha cor para me chamar de racista? Então dobra a tua lingua rapaz preconceituoso.

Aliás, este negócio de cor é contigo.

A propósito, a ilustração do colega, pelo que entendi, é para mostrar o absurdo de algumas questões relativas a cotas em Hollywood.

Lá, hoje, para se fazer um filme de mitologia nórdica tem que se contemplar a cota. Ridículo, né? Vc não deve achar.

Esquerdista Negro disse...

Anônimo (Jorge Velho aka Cattelius aka Heitor Abranches aka C. Mouro),

<>

Um amarelo um negro e um branco podem ser racistas. O doorman da ilustração é racismo. Não me interessa qual de seus alter egos que fez.

E tu é muito medrosinho mesmo. Acabei de ver que tirou o doorman da ilustração. tsc tsc tsc Além de racista é medroso.

Catellius disse...

Eu sou bem branco mesmo. E nada no mundo me irrita mais do que o esquerdismo. Nem a religião.

GRANDE AMÉRICA.

Eu lá vou me apresentar como Direitista Branco???
Só sendo um palhaço mesmo.

Você é um palhaço por ser esquerdista. E um palhaço por apresentar-se como "negro". Isso lá é cartão de visitas? Existem negros nobres e sábios, brancos idiotas e corruptos, e vice-versa.

Anônimo disse...

Esquerdista n...

Conheço o teu tipo...

Tenho um amigo que apresentou um projeto para a Fundação Palmares. Por acaso, este amigo é negro mas, na entrevista, lhe foi dito que ele não era negro o suficiente.

Vc devia estar nesta banca pois para eles como para vc a questão de raça tem a ver com quem concorda contigo.

Esquerdista Negro Gordo Pernambucano disse...

Tudo o que eu sou me define. Entre os negros sou o gordo, entre os negros gordos eu sou o esquerdista, entre os negros gordos esquerdistas sou o pernambucano. Em alguns lugares sou o que sabe dançar forró, o engraçado, o que toca bem violão, etc., etc., etc.
Aqui neste blog e neste post eu sou esquerdista e negro.
Algum problema?????

zefirosblog disse...

Prezado,

Aqui nesse blog nós o definiremos por aquilo que você faz, não por acidentes congênitos que fogem ao seu controle. Assim, aos nossos olhos você será apenas o esquerdista racista e parvo - se branco, preto, asiático, hobbit ou cylon nos é irrelevante.

Caso insista nessa espécie de classificação, sugiro que procure grupos que podem entender melhor seu pleito, v.g.: grupos de supremacia branca, grupos de supremacia negra (eles existem), asiática, etc... Garanto que todos entenderão essa necessidade mesclar e vincular sua cor às suas opiniões.

zefirosblog disse...

P.S. Prezado, quando você mencionou a isonomia da Constituição, seu cérebro não foi capaz de perceber que o seu pleito viola essa mesma isonomia? Os concursos públicos, via de regra, contemplam a meritocracia. O que você defende, em outras palavras, é que no certame público o candidato negro possa consignar e ter considerada sua cor numa avaliação que até então era absolutamente daltônica.

P.P.S A ilustração do artigo mostra que as cotas permitiram que negros chegassem até asgard através delas. Não demora e logo surgirá a reivindicação para que se possa entrar no Valhalla sem ter tombado em batalha...

O fato é que sua ideologia é parasitária e a galera da supremacia branca deve adorar ler ou escutar pessoas como você - vocês praticamente fazem a propagando deles por eles

Catellius disse...

Bravo, Raphael!
Disse tudo e mais um pouco!
Abraços

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