05 agosto 2013

Os Militares e as Manifestações de Rua de 2013

Em 1964, os militares assumem o poder quando um poste de Vargas (Jango) fazia um governo conturbado. Curiosamente, as manifestações de 2013 começaram justamente com o poste do Lula (Haddad) em São Paulo e as discussões sobre alguns centavos no aumento da tarifa de ônibus. O que os militares fizeram não era nenhuma novidade. Foram eles que deram o golpe que fundou a República, que apoiaram Getúlio no Golpe que derrubou a República Velha e que deram fim no Estado Novo de Getúlio. A diferença foi que dominou um grupo “linha dura” que não estava disposto a entregar o poder aos civis, como ocorrera em outras ocasiões.

O Golpe de 1964, em termos de governabilidade, foi bastante positivo. Os militares, de forma autoritária e ao seu jeito, fizeram uma série de reformas que davam seguimento para as reformas que eram discutidas no Congresso, mas que lhes faltava uma liderança capaz de implantá-las. Em 1968, tivemos o golpe dentro do golpe quando Castelo Branco morre em um “acidente”. A partir de então chega ao poder a linha dura. Para gente deste grupo, Geisel era um esquerdista.

Mas, o grande mal do Golpe de 1964 foi que ele silenciou as ruas, o povo e tirou a legitimidade das correntes mais à direita do espectro político de se manifestarem. Na década de 1960, havia passeatas de direita e de esquerda e enfrentamentos entre os alunos da USP e do Mackenzie. Em 2013, a velha classe média, odiada por Lula e Marilena Chaui, junto com a nova classe média, se rebelaram contra as políticas fracassadas do PT, a política de transporte público em particular, bem como a sua falta de moral e o autoritarismo da presidenta Dilma.

Emir Sader já alertava sobre o perigo representado pela nova classe média e a necessidade de se incutir nela valores de esquerda. O fato é que para a democracia brasileira, uma importante sequela do Regime Militar, que era a falta de manifestações a direita do espectro político, parece ter sido superada. Continua a existir uma “vergonha” associada ao fato de uma pessoa ser de direita no Brasil, mas é possível que com o tempo isto mude.

A chegada ao poder do PT, por outro lado, mostrou que os esquerdistas estão longe de ser os mocinhos democráticos da historiografia uspiana. Lembram mais a alcunha dada a eles por Roberto Campos, que os chamava de burgueses de Estado. O Estado é a grande empresa deles e de seus cargos extraem seus privilégios, dinheiro e poder.

Se, por um lado, a superação desta sequela do Regime Militar pode ter sido positiva para a democracia no Brasil, que assiste a Movimentos à direita do espectro político, falta-lhes ainda a organização de um PT que se articulou com sindicatos, ONGs e governos de esquerda de países vizinhos além de contar com todo o aparelhamento do Estado brasileiro. Os petistas ainda contam com sua aliança do atraso onde se associam com os mais corruptos do espectro político.

Talvez a grande dificuldade seja encontrarmos verdadeiras vocações para a vida pública diferentes do tipo de gente do PT. De um Lula que arranca o dedo para se aposentar, de sindicalistas que se filiam para não trabalhar e políticos que enxergam na carreira política formas de tirar vantagens. Infelizmente, a maioria dos bons estudantes não se envolve com a UNE, nem a maioria das pessoas sérias e trabalhadoras se envolve com sindicatos, partidos e ONGs. Estão estudando e trabalhando. Em geral, este é uma área de atuação de picaretas e vendedores de ideologias baratas.

Este seria um próximo grande passo para o Brasil. Se alguns destes jovens que participaram destes movimentos tivessem uma verdadeira vocação para servir a coletividade e não para tirar vantagens dela. Quem sabe alguns destes jovens pudessem defender a democracia contra um Lula e um PT, que gostariam de tiranizar o Brasil por décadas com hegemonia sobre as instituições brasileiras e seu povo. Se tivermos estas vocações, o futuro do Brasil será melhor, mas não é todo dia que nasce gente assim. É mais comum aquele tipo que mandou matar Celso Daniel e o prefeito de Campinas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Esta aí uma coisa certissima: os milicos na verdade impediram o debate os argumentos sobretudo da parte contra o gigantismo estatal.
Na verdade estes que satanizam as manifestações um tanto sem rumo, desnorteadas, são exatamente aqueles que guiaram os milicos (sim, milicos são adestrados para obedecer, não para pensar). Claro que os milicos chafurdaram nos impostos e garantiram o futuro da prole nas estatais.

Edson Lobão era jornalista e Geisel (o nacional socialista) por alguma razão percebeu que este tinha o caráter para ser seu braço direito na politica e então o fez seu pupilo e o introduziu na politica.
Hje Lobão é escancaradamente petista e Geisel e Golbery foram os criadores do mito Lula.

Geisel reconheceu de imediato o governo do MPLA ("comunistas"/socialistas sob ordens de Moscou) que fazendo a revolução patrocinou matançasem Angola, com muitos portugueses de lá fugindo com história terrorosa das atrocidades das tropas cubanas contra os cidadão portugueses brancos e negros não alinhados com as canalhices socialistas (eles nem sabiam destas politicagens, pois viviam para trabalhar e não se envolviam com politica).

Se os milicos, com seus grandes e flacidos traseiros, não tivessem se metido, certamente que com a lingua afiada de Lacerda e outros os safados "comunistas" ansiosos por enriquecerem e usufruirem das delicias do poder teriam sido trucidados pela população honesta e trabalhadora.

Enfim, os milicos jamais fizeram propaganda contra idéias estatistas, popis penduravam seus filhotes e apadrinhados no Estado e a corrupção era a meta, embora limitada às autoridades militares e aos mais chegados (não era generalizada).

Milicos não tinham motivos para domar o Estado, essa falsa oposição entre milicos e socialistas é mero folclore. São corruptos e querem usufruir das delicias do poder tanto quanto qualquer membro influente do estado.

O Estado é uma ficção. Todos sonham em fazer do estado o seu braço armado para impor suas manias e canalhices a todos. Assim, todo canalha defende o estado, pois sonha com o dia que o Estado fará exatamente o que ele deseja, impondo sua subjetividade aos demais.

É como o jogador que não quer que o jogo acabe, pois deseja e delira com a "hora que vai começar a ganhar" ..assim perde tudo.
Quem conhece um viciado em jogo entenderá essa analogia. O jogo é a esperança que não admite abandonar, daí defende o jogo meramente por desejar ganhar ...e perde tudo defendendo a continuação do jogo.

É humano, demasisado humano.

A unica voz ouvida sempre foi a da propaganda socialista. Não havia critica ao Estado (era crime passivel até de pena de morte, proibida para bandidos comuns) ...assim propaganda contra o estado era o pior dos crimes, icluido na lei de segurança nacional. Ora, quem mama nas tetas estatais torna-se um socialista. Os invejosos odeiam o mérito e não invejam autoridades nababescas, sobretudo socialistas, então tb são socialistas.

C. Mouro

Anônimo disse...

Muito bom anônimo
o texto do blog também está ótimo

Anônimo disse...

Acabo de ler um ótimo texto no Ordem Livre.

Toca numa questão deliberadamente e convenientemente negligenciada: a ambição pelo Poder.

É lógico que não interessa aos que usufruem do Poder que tal ambição seja julgada. O exercicio do Poder seria antipatico. Melhor desviar toda atenção para a ambição material, a ambição por riqueza, sobretudo pq sempre a ambiçãoa pelo Poder leva ao usufruto da riqueza alheia, expropriada, rtomada roubada de quiem a produz. Assim, não ceder sua riqueza aos que possuem o Poder de toma-la, é imediatamente taxado de imoral. Ou seja, ambicionar a riqueza é imoral e assim, tomar pelo poder a riqueza do rico passa a ser aceitável, não produzindo solidariedade para com o rico roubado pelo poderoso.

O objetivo desta moral, concebida por uma ideologia conveniente, é exatamente dificultar ou mesmo impedir que haja solidariedade popular em relação aos ricos explorados pelos poderosos (que vivem do Poder de tomar-roubar e não do trabalho de criar,investir e produzir).

Somente uma ideologia (idéias que prometem levar a um fim e assim se justificam como os meios para atingi-lo) é capaz de subverter a idéia natural de justiça.

Há que se falar mais da oposição entre Poder e Trabalho.

Abs
C. Mouro

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