16 agosto 2013

Lula, Rockefeller e Nós


ou
Democracia, Mercado e Liberdade

John David Rockefeller e Lula têm algo em comum: ambos odeiam duas importantes instituições das democracias liberais ocidentais. Rockefeller odeia, ou melhor, odiava a livre concorrência e Lula odeia a democracia. Talvez o fato seja que políticos eleitos e empresários bem sucedidos não estão mais dispostos a brigar pelo consumidor ou pelo voto, entretanto, são justamente as escolhas oferecidas pelo mercado e pela democracia que permitem que os indivíduos exerçam algumas liberdades.

Rockefeller foi um grande empresário que conseguiu criar a maior empresa da sua época, a Standard, enquanto Lula é um grande político que conseguiu criar o maior partido e o maior sindicato brasileiros da atualidade. Rockefeller era implacável com seus concorrentes. A princípio propunha aquisições ou fusões, diante de recusas adotava estratégias diversas para quebrar o concorrente. Lula não é diferente. Primeiro oferece alianças e cargos, como é o caso do PSB. Diante de qualquer ameaça de concorrência não hesita em lançar mão de chantagens, intimidações e outros estratagemas... o que não falta é algum delegado da PF com algumas escutas querendo subir na carreira ... , o que tiver à mão.

Não era à toa que Rockefeller odiava o livre mercado. Para ele, o livre mercado era o caos. Em sua vida, assistiu diversas cidades serem destruídas por corridas de ouro “petróleo”. Assistiu a pessoas e empresas se arruinarem em mercados com preços oscilantes. Em sua visão, a construção do seu império visava, em certo grau, o bem comum, pois ao controlar o refino e posteriormente a produção poderia estabilizar os preços e tornar o negócio rentável e estável. Não era à toa que sua empresa se chamava “Standard”, cuja tradução seria algo como "padrão". Em sua época, a produção de querosene em pequenas refinarias gerava um produto muitas vezes perigoso. De fato, milhares de pessoas, nos EUA, sofreram acidentes com querosene que continha alta concentração de gasolina e que simplesmente explodia em suas caras. Uma empresa monopolista tende a padronizar seus produtos e eliminar este tipo de problema.

A Nigéria é um exemplo de uma democracia fracassada porque existe excessiva disputa entre um número grande de facções. Angola, por outro lado, é uma “ditadura” de um partido que sempre ganha as eleições, o MPLA. Dizem que a fortuna do “eterno” presidente é algo na casa dos US$ 20 bilhões. Os filhos dos membros destacados do partido e do Exército são grandes empresários e ocupam altos postos na tecnocracia. Apesar de tudo isto, Angola é um país e um governo mais bem sucedido do que a Nigéria, que poderia ser dita mais democrática. Com isto, quero dizer que a democracia não é um valor absoluto e não é garantia de sucesso e desenvolvimento para um país.

Assim, em certo sentido, Lula, ao tentar monopolizar a política brasileira pode estar, em algum grau, prestando algum serviço ao país. O PT já está no poder há 12 anos, os militares ficaram 20 anos e, no México, o PRI ficou 70 anos. Talvez seja melhor ser um México do que uma Argentina, onde a esquerda e a direita se revezam destruindo o país. Lula agora se dedica a ganhar as eleições sem precisar disputá-las buscando eliminar possíveis concorrentes como Marina e Eduardo Campos. A Arte da Guerra já dizia que o grande general é aquele que ganha a batalha sem disputá-la.

2 comentários:

Anônimo disse...

gostei do detalhe sutil do dedo mindinho faltando no Rockfeller

Catellius disse...

Entendo a ironia subjacente ao texto, aliás, muito bom.
Contudo, cabe a nós mortais lutarmos contra o autoritarismo petista, independentemente se, no longo prazo, chegaremos a uma situação melhor do que uma em que não existisse o PT.

O mundo seria melhor sem religião?
Além de ser improvável (impossível) que um dia a religião acabe, ainda existindo seres humanos, penso que a descrença seja um luxo para poucos, para os que prezam a verdade ainda que seja desagradável, para quem encontra o transcendental na arte, na contemplação da natureza, na filosofia.
Um país muito religioso mas com a religião separada do Estado é melhor do que um em que a descrença é generalizada e imposta. Nestes casos a crença no deus-estado provavelmente substituiu a crença em um deus convencional. E o pior: fanatismos pelo deus-estado são louvados e premiados. Até assassinatos de compatriotas em nome do deus-estado são mais tolerados do que em nome do desgastadíssimo Javé (ou Alá).

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