03 maio 2013

O PT e o Aborto

O tema do post é o PT e o Aborto. Isto é diferente do restante dos posts que defendem, de forma geral que o PT é um aborto. Bem, então vejamos: os petistas são radicalmente contra a redução da maioridade penal por considerarem que um adolescente assassino é uma vítima de uma injustiça social que ele meramente reproduz. Outra ala do partido, das feministas, defende que a mulher tem um direito absoluto sobre seu corpo, o que inclui, além de poder fazer as unhas e lipoaspiração, também matar fetos que se encontrem alojados em seu útero.

Sejamos justos, não apenas as feministas marxistas do PT (enxergam as mulheres como uma classe explorada) defendem o assassinato de fetos. Nos EUA temos vários estados onde feministas de direita de vários matizes também apoiam esta prática. Mas o fato é que nos EUA temos a pena de morte. Lá a vida não é tão sagrada assim. Esse adolescente que participou do atentado na maratona de Boston, por exemplo, irá enfrentar a pena de morte e ao que tudo indica será executado.

Sei que não podemos cobrar coerência de um partido, afinal suas posições são construídas de modo estratégico, de forma a manter a maior agregação interna possível, para roubar o máximo possível do discurso dos adversários e obter o máximo de legitimidade social. Encontrar um ponto que maximize estes três vetores não é trivial. A solução encontrada pela Dilma, por exemplo, é distribuir a pílula do dia seguinte, internamente apoiar o aborto e para a sociedade se afastar do tema para não perder votos.

A coerência talvez seja algo superestimado. Talvez seja um luxo burguês. Mas, do ponto de vista da coerência, acho que se a ideia do PT é liberar o aborto, devemos também considerar a possibilidade de incluir a pena de morte para assassinos cruéis. Assim, seremos coerentes como os Americanos, que não têm tanto amor assim à vida.

Mas, enfim, há quem enxergue no assassinato de um feto a expressão da liberdade da mulher. Em outras épocas em que a humanidade tinha dificuldade de obter alimento e não havia métodos anticoncepcionais talvez fosse até ético o aborto para proteger a vida dos demais. Mas não parece que seja o problema hoje, com tantos obesos andando por aí. Portanto, se vamos ter o aborto legalizado que tenhamos também a pena de morte, inclusive para menores assassinos, afinal, se uma pessoa sem juri, sem o devido processo legal e sem um juiz pode matar um feto, por que então a sociedade não pode se livrar de alguns elementos particularmente destrutivos após o devido processo legal?

5 comentários:

zefirosblog disse...

O ponto nevralgico é esse. O texto parte do pressuposto de que todos consideram o feto como uma pessoa. Uma vez que há aqueles que não enxergam dessa forma, o aborto não pode ser visto como "assassinato", porquanto aquilo (o feto) ainda não é propriamente o "alguém" do 121, i.e., uma vida humana.

Aliás, nesse sentido o próprio CFM, que pisa na bola com bastante frequência, se manifestou, ao meu sentir corretamente, há poucos dias:

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23663%3Acfm-esclarece-posicao-a-favor-da-autonomia-da-mulher-no-caso-de-interrupcao-da-gestacao&catid=3%3Aportal&Itemid=1

Anônimo disse...

zefiro,

Vamos por partes. Quando matamos uma mosca, nós matamos, portanto, matar um feto que deve ser do tamanho de uma mosca também é matar meu caro.

Não é crime matar moscas. Talvez em uma sociedade em que adolescentes tem licença para matar também devamos dar uma licença para mulheres matarem fetos também.

Catellius disse...

Imagino que 100% dos ateus sejam contra a prática do aborto. A maioria, contudo, deve ser contra a penalização. E a maioria dos religiosos é contra a penalização da mãe, que é quem costuma decidir se abortará ou não. Consideram-na uma assassina mas não querem que seja tratada como tal. São tão incoerentes quanto alguém que é contra a prisão de pedófilos.

Quando a mãe se decide pelo aborto, não são as leis que a impedirão de praticá-lo. Mas muitos religiosos querem que ele continue em um limbo legal, nem lá nem cá. Eu sou a favor da legalização até as 8 primeiras semanas ou quando for possível detectar uma gravidez, quando o feto não possui sistema nervoso, capacidade de sentir. Se alguém morre quando cessa a atividade cerebral, por que não dizer que nasce quando ela inicia? É claro que mesmo antes disso há a "potência" para a atividade cerebral, enquanto ela inexiste no cérebro que morreu.

É preciso jogar com as cartas que se tem à mesa. O alvo é evitar um segundo aborto, é dissuadir a mãe de praticá-lo, convencê-la a levar a gravidez até o fim e doar a criança para a adoção, ensinar métodos contraceptivos, etc. Se mesmo assim a mãe quiser abortar, que o aborto seja feito dentro do prazo legal, nas melhores condições de higiene possível. E os cofres públicos serão poupados de tratarem mães feridas após abortos malsucedidos.

Penso que a ideia deva ser sempre que o aborto diminua e que se enfrente o problema pragmaticamente, de fente.

Pesquisa do IPAT:

"Segundo o IPAT, 78,3% dos evangélicos e protestantes são contra a legalização do aborto. Entre os católicos, o índice de reprovação é de 63,1%, e entre espíritas, umbandistas e adeptos do candomblé, de 51,9%. Os ateus são os que mais aprovam a legalização — 60% dos entrevistados disseram ser favoráveis.

Quanto à prisão de quem pratica aborto, 41,7% dos evangélicos e protestantes disseram ser a favor. Já entre os católicos, 59,6% se posicionaram contra a sanção penal(*).

Na comparação por renda, a aprovação do aborto é maior entre os que ganham mais de R$ 2 mil (59,5%). Dos que têm salário de até R$ 500,00, só 17,1% são favoráveis à interrupção da gravidez.

No quesito escolaridade, 49,2% dos que já concluíram o Ensino Superior são a favor da legalização, enquanto 70,2% dos que não terminaram o Ensino Médio são contra.

O estudo do IPAT também revela que a legalização do aborto tem mais simpatizantes na orla (36,2%).

Entre os moradores da Zona Noroeste, morros e Centro, a reprovação chega a 73,2%."

*Ou seja: católicos não querem que um crime seja punido. Isto é acobertamento, he he. Típico de católicos.

Catellius disse...

Onde a ICAR manda, o esquema é medieval. Notícia de 2 de maio:

http://expresso.sapo.pt/morrer-devido-a-gravidez-ou-cumprir-50-anos-de-prisao-por-abortar=f804051

Morrer devido à gravidez ou cumprir 50 anos de prisão por abortar
Dilema de Beatriz, impedida de abortar sob pena de ser acusada de homicídio agravado, levantou uma onda de indignação em El Salvador.

Maria Luiza Rolim

12:48 Quinta feira, 2 de maio de 2013

Uma mulher gravemente doente e grávida de 20 semanas de um feto anencefálico - sem parte do cérebro - corre risco de morte devido à proibição do aborto em El Salvador. Beatriz, que já apelou ao Tribunal Constitucional do seu país e ao Tribunal Iberoamericano de Direitos Humanos (CIDH), espera agora que o Governo abra uma exceção para que possa abortar.

Na passada segunda-feira, o CIDH defendeu Beatriz, exigindo a El Salvador que cumpra as recomendações médicas, permitindo a intervenção que salvaria a sua vida sem qualquer penalização para as pessoas envolvidas no processo médico.

O drama de Beatriz, 22 anos, está a abalar o país e reabriu o debate sobre a despenalização do aborto em El Salvador, país da América Central que nos anos 90 eliminou da sua legislação a opção de aborto terapêutico.

A jovem é portadora de lupus eritematoso discoíde - doença crónica autoimune - e tem insuficiência renal grave, casos que desaconselham a gravidez. Além disso, o feto que traz no ventre tem hipótese quase nula de sobrevivência depois do parto. Os médicos que a acompanham asseguram que se não interromper a gravidez, Beatriz vai morrer.

Em El Salvador, o aborto é proibido em qualquer circunstância. A sua prática é considerada homicídio agravado, e as mulheres podem ser penalizadas até 50 anos de prisão. Os médicos envolvidos, por sua vez, podem apanhar até 12 anos de prisão.

Conferência Episcopal está contra

O drama de Beatriz levantou uma onda de indignação em El Salvador. Mas até vozes como a da ministra da Saúde, María Isabel Rodríguez, que pediu à Justiça uma permissão especial para que Beatriz possa abortar sem que ela ou os médicos sejam castigados, estão a ser abafadas pelas duras palavras da Conferência Episcopal de El Salvador, que se tem manifestado contra a interrupção voluntária da gravidez, defendendo que a sua prática não se justifica de todo, em qualquer situação.

Os bispos salvadorenhos acusam as organizações de mulheres e de direitos civis de "usarem" as doenças de Beatriz para "manipularem" o Governo, obrigando-o a despenalizar o aborto em determinadas circunstâncias.

Em El Salvador, 19 mulheres cumprem presentemente pena de prisão por terem abortado, revela a organização Women's Link Worldwide.

zefirosblog disse...

Não sei, Anônimo. Como podemos matar aquilo que, em tese e para alguns, ainda não é vida? Evidente que vida ali há - espermatozoides despejados ralo abaixo por um adolescente não deixam também de ser vida -, mas a questão é saber se falamos de vida humana, do contrário reduziremos a coisa "ad infinitum"

Não por outra razão, de modo bem interessante, o STF preferiu chamar o "aborto" de anencéfalos de "antecipação terapêutica do parto", uma vez que vida humana, in casu, não há.

Enfim, a discussão é mesmo tormentosa, mas precisamos manter uma coisa em mente, galera, se entendermos que há vida humana ali, por questão de lógica deveremos então nos opor, por exemplo, ao aborto humanitário/sentimental (aquele decorrente de estupro).


Catelli, é por aí mesmo. ICAR (e a religião em si) posions everything

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