15 janeiro 2013

A Ditadura de Chávez

Mais uma vez a democracia Venezuelana se revela uma farsa e seu país se mostra profundamente dividido. O homem que se pretendia o líder do socialismo do século XXI revela-se mais um caudillo e sua carreira política termina como começou, com um golpe. Inflação de mais de 1000%, escalada de violência, profunda divisão nacional e escassez de alimentos são marca de seu governo, que iria para o 14º ano. Seu estado de saúde é segredo de Estado só conhecido por alguns colaboradores com o apoio do serviço secreto cubano. De fato, ignora-se mesmo se o líder da Revolução Bolivariana encontra-se morto e esteja sendo usado como o cavaleiro castelhano “El Cid”, cuja lenda diz que seu cadáver foi vestido em uma armadura e montado em seu cavalo Babieca para elevar a moral da tropa ou mesmo para ganhar uma batalha, dependendo da versão.

Chávez era um misto de presidente da República e Silvio Santos com seu programa dominical, onde usava a sua verve para atacar os Estados Unidos, que também é seu maior cliente e comprador de petróleo, maior fonte de riquezas nacional. Mas falar mal dos gringos é um passatempo muito popular na América Latina, assim como fazer compras em Miami.

Comparando o Brasil a seus hermanos, acho que estamos em vantagem. Em nossa história, golpes militares foram dados por generais ou marechais. Nos nossos vizinhos, qualquer coronel achava que podia fundar um novo governo. O tenente-coronel Chávez deu o seu golpe em 1992, mas fracassou e foi preso. Em retrospecto, o maior erro do presidente Perez foi ter perdoado o golpista. Às vezes, a tentação para a conciliação se revela uma grande e desastrosa fraqueza.

A história da Venezuelana é cheia de golpes e de ditadores. O mais famoso foi Juan Vicente Gomez em cujo governo o petróleo foi descoberto no lago Maracaibo. Chávez sonhava em permanecer no poder por 30 anos, mais tempo do que Gomez, que ficou de 1908 a 1935. Em seu governo, o Exército ajudava a cuidar do gado do ilustre ditador e a Venezuela era sua grande hacienda. A maioria dos seus cerca de 64 filhos encontrou empregos ou favores no governo.

Após a partida deste ditador, teve-se mais alguns golpes e um ambiente político polarizado pelo COPEI e pela Ação Democrática. Apesar disso tudo podemos destacar o ministro venezuelano Juan Pérez Alfonzo, que foi um dos fundadores da OPEP ao lado do sheik Abdhullah Tariki. Alfonso, após amargar o exílio nos Estados Unidos, voltou para servir no governo após a queda do ditador Gomez. Ficou impressionado com a riqueza que encontrou na capital e com o desperdício da era do petróleo. Mandou o carro que usava nos Estados Unidos, um Singer, e só foi avisado de sua chegada ao porto 3 meses depois do fato. Quando mandou um mecânico buscar o carro ele já se encontrava enferrujado. O mecânico descuidou de verificar o óleo e fundiu o motor e o carro chegou a sua casa de reboque. Fez questão de colocar o carro em seu jardim como um símbolo do desperdício em seu país vivendo na opulência do petróleo.

Talvez este seja o problema da Venezuela. Ditaduras, petróleo e populismo. Talvez este seja o segredo de Chávez que, como todo líder carismático, também conta com a sorte a seu lado e no caso dele um petróleo próximo da casa dos US$ 100. Para se ter uma ideia, quando ele assumiu valia menos de US$ 20. Enfim, os filhos do grande papai Chávez desfilarão nas ruas e matarão em seu nome órfãos de suas promessas e a espera de mais alguém que os venha salvar.

4 comentários:

Jonas disse...

o petróleo venezuelano é mais cômodo para os americanos pela proximidade. Mas não é muito difícil de substituir.

Joaquim Perez disse...

Muy bueno, Jorge!

Anônimo disse...

por que todo líder carismático conta com a sorte?
é carismático porque teve sorte?
ou teve sorte porque é carismático?

Anônimo disse...

é... o bicho morreu mesmo!

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