01 agosto 2012

Um Reitor Golpista na UnB


As esquerdas têm grande paixão pelas revoluções, mas é interessante analisar os seus frutos. Alguns anos atrás, alguns alunos da UnB, inspirados por esta paixão revolucionária, ocuparam a Reitoria e de lá só saíram quando foi derrubado um reitor que se fartava no dinheiro público comprando lixeiras high-tech e fazendo jantares em restaurantes de luxo com o dinheiro da Editora da UnB. Segundo o Reitor, sua esposa e Maria Antonieta da ocasião cometera o desvario de comprar uma lixeira de R$ 1.000,00 sem o seu conhecimento. Sorte a deles que os alunos do Serviço Social não têm as habilidades dos da Engenharia, senão poderiam ter sido até guilhotinados.

Como disse Gabeira, em movimentos revolucionários os jovens só servem para serem vampirizados por um bando de velhos manipuladores. Assim, aproveitando a ótima impressão causada por estes alunos que, ao contrário dos paulistas, não depredaram a Reitoria e cumpriram a nobre função de afastar este mau servidor público, aprovou-se a eleição por paridade com os alunos naquele momento.

É eleito uma múmia do Departamento de Direito e as coisas começam a mudar. Começa com a perseguição do candidato derrotado, que acaba tendo que se transferir para outra universidade. Após quase 30 anos na universidade, este Mumm-Ra teve que ganhar um doutorado pelo conjunto da obra, algo parecido com um honoris causa, mas a causa mesmo foi a sua candidatura para Reitor, que não ficava bem não ter doutorado. Assim, ganhou um doutorado honoris política. Geraldão ou simplesmente Zé, como é conhecido pelos alunos, chega a Reitoria.

Isto não me surpreende. Tenho um conceito muito negativo de sindicalistas. Para mim, alguém preferir fazer baderna a trabalhar é bem sintomático. Esta vocação para a vadiagem, para o ócio e para fraudar e manipular assembléias é lamentável. Ontem assisti à Assembléia dos Professores para deliberar sobre o fim da greve. Havia duas posições bem marcadas: a ADUnB pretendia aceitar a proposta do governo e a ANDES-SN pretendia manter a greve. A maioria dos professores está satisfeita com a proposta do governo e quer voltar. A maneira encontrada pela ANDES para manter a greve foi impedir que se fizesse a votação por meio de urna. Assim, após um festival de baixarias e 3 horas de debates estéreis, conseguiram ganhar no grito com o voto dos poucos que sobraram e que estavam ali para aquilo mesmo. Assim, a assembléia foi manipulada e a vontade da maioria foi fraudada pela ANDES.

A gestão do Zé foi talvez a pior da história da Universidade. Com direito a denúncia de corrupção, na qual um operador de copiadora foi promovido a fiscal de contrato da maior prestadora de serviço da universidade e denunciado por tentar extorquir esta empresa. Operários morreram em acidente na reforma do Hospital da UnB e o reitor não foi encontrado para comentar o problema. Ao invés disso, preferiu se esconder. Esta galera não tem muito apreço pelo estado de direito; eles preferem o estado de bagunça ou o estado de polícia contra os seus inimigos. Em consulta da ADUnB, 85% dos professores se manifestaram de forma a se cumprir a lei e garantir que o próximo reitor seja escolhido pelos professores. Aliás, este é um ponto interessante. Um aluno normal, se não for da UNE, deve ficar na universidade uns 5 anos, enquanto que para um professor a universidade é a sua vida. Por que cargas d’água defender que o voto dos alunos tenha um peso igual ao dos professores, na escolha do reitor? Aliás, talvez fosse o caso de se pensar em copiar o modelo americano e implantar uma carreira para os funcionários na qual eles chegassem a assumir as funções administrativas da universidade. Ao invés disso, são eleitos professores, burocratas amadores, que deveriam estar cuidando de questões acadêmicas.

Enfim, o reitor, em mais um golpe, orquestrou para que o Conselho da Universidade sequer fizesse uma consulta formal à comunidade para a escolha de seu sucessor. Decidiram fazer uma consulta “informal”, que não precisa obedecer a lei, que prevê que os professores tenham 70% dos votos. Por fim, diante da péssima avaliação da sua gestão, ele decidiu lançar mão de mais uma jogada. Espalhou os seus colaboradores em várias chapas de forma a evitar a polarização e o julgamento de sua gestão. Criou um formato que garante a ida de seus asseclas para o segundo turno a custa do populismo que pratica junto ao alunado.

Com isto, todos perdem. Para se ter uma ideia do estado de coisas na universidade, os CAs invadem e tomam posse de salas de aula, colocam cadeados em suas portas e a reitoria realoca centenas de alunos para outros lugares, muitas vezes longe dos seus Departamentos, para evitar desagradar seus aliados em sua cruzada populista eleitoral. Esta gestão prefere que os alunos e professores sejam roubados e alunas sejam estupradas do que permitir que a Polícia Militar esteja presente no Campus, afinal a presença da PM pode causar aborrecimentos a alguns maconheiros. Outro dia mesmo o Reitor foi pessoalmente soltar alguns alunos que haviam sido presos por colocar fogo em lixeiras da Universidade. Mas o motivo dos alunos foi nobre: alunos que moram irregularmente na Casa do Estudante Universitário não queriam permitir a reforma do complexo residencial.

9 comentários:

Minhocão disse...

Aquela UnBosta nunca valeu nada! Mas conseguiu ficar pior ainda.

Anônimo disse...

O bambuzal sempre foi um bambuzal exemplar. Acho que acredito em geração espontânea. O tanto de maconheiro que saia de lá era impressionante...

Anônimo disse...

saía

Anônimo disse...

>Um aluno normal, se não for da UNE,
>deve ficar na universidade uns 5 anos,
>enquanto que para um professor a
>universidade é a sua vida. Por que
>cargas d’água defender que o voto dos
>alunos tenha um peso igual ao dos
>professores, na escolha do reitor?


A grande maioria dos usuários da universidade são os alunos, seguido logo pelos funcionários (terceirizados ou não) e, por fim, professores. As decisões do reitor terão mais impacto nessa grande massa (primeiros dois grupos) que nos professores. Afinal, o mandato dos membros do Conselho Diretor -se não me engano- é de 4 anos.
O tempo de permanência de um estudante na universidade varia muito; 5 anos caso o aluno não reprove nenhuma matéria nem tranque nenhum semestre, algo raro em qualquer universidade federal. Com certeza a estadia dos alunos supera o tempo de mandato e influência do reitor.
Você criticou a ação da ANDES ao impedir a maioria dos professores de se tomar uma decisão. Por que aceita que uma minoria (professores) tenha mais peso em voto que a extrema maioria (estudantes e fucionários)?

Anônimo disse...

Caro anônimo,

Discordamos sim. Para mim, o Reitor não é representante dos alunos. Ele é o representante dos professores encarregado da gestão acadêmica da universidade. O representante dos alunos é o presidente do DCE.

Não vejo sentido em aluno votar para reitor assim como não vejo sentido em professor votar para dirigente do DCE.

A Andes representa o professor, não o aluno nem o funcionário...portanto, ela deve se curvar a vontade de quem ela representa.

Anônimo disse...

A propósito, como já disse Darcy Ribeiro, fundador da UnB, a universidade deve ser um ambiente hierarquizado e por pior que sejam os professores eles ainda são a melhor solução para a universidade.

Anônimo disse...

Um novo golpe na UnB

O reitor e seus asseclas estão mantendo o calendário da eleição porque acreditam que é melhor para seus candidatos fazerem a eleição com a universidade esvaziada...especialmente de alunos. Bando de hipócritas!

Anônimo disse...

Brilhante...bandos de hipócritas...democracia para eles só é bom quando eles ganham.

Anônimo disse...

Eleição no meio da greve...só mesmo coisa do Geraldão.

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