09 maio 2012

Escolhas Certas: Ideias erradas


Dei o azar de ler o texto “Escolhas Certas”, de Cristovam Buarque, aquele hobbit cuja fala arranhou há vários anos na palavra “educação”, de modo semelhante à Weslian Roriz, para quem amor até estanca vazamento de esgoto. “Qual a solução para reduzir a taxa de homicídios?” Ela responde “amor; quem ama não mata”. Ele responde “educação; povo educado não mata”. A educação no Brasil era pior do que a que temos hoje, no início do século XX, e a taxa de homicídios menor. E por amor cristãos já promoveram muitos churrascos animados. Infelizmente, a era pós Luzes retirou-lhes a liberdade de amar como antigamente.

Vejamos os disparates que o senador soltou:

"Fizemos a escolha errada de basear nossa indústria em tecnologias importadas intensivas, por meio de capital que não tínhamos, e dispensando a mão de obra que tínhamos sobrando."

Fizemos a escolha errada de optar por protecionismos à indústria nacional, mantendo-a sucateada e cara, vide nossos carros e computadores de anos atrás, o que beneficiou empresários vagabundos, acomodados pela ausência de concorrência eficiente, enquanto o consumidor foi prejudicado. Gente como o Cristovam sempre defendeu essa ideia de não "basear nossa indústria em tecnologias importadas". Japoneses e chineses já nos fizeram ver como funciona importar, copiar e então aperfeiçoar e criar. Esquerdistas como Cristovam preferem morar numa caverna, desde que seja "nacional". Urina tipo Drury's, se for nacional, vale por dez blue labels. Aliás, é melhor para o povo. Os esquerdistas eminentes exilam-se na Inglaterra, na França, jamais em Cuba, e gostam do que é bom, preferencialmente importado. De Cuba apenas os charutos e as minhocas (na cabeça).
Em "dispensando a mão de obra que tínhamos sobrando" deixa entrever a típica birrinha esquerdista com a tecnologia que dispensa mão de obra. Prefere aquele formigueiro de mortos-vivos a torcer parafusos de sucatas nacionais, a dobrar e colar aquele Corcel II LDO. Já proibiram o sistema self-service em postos de gasolina para não tirar o emprego do frentista, acho que em São Paulo.

"Escolhemos erradamente a ditadura como forma de impor a continuação das escolhas erradas..."

Escolhemos a ditadura erradamente, quando o certo seria escolher o caminho de Jango e de Brizola, o antigo correligionário de Cristovam e seu antecessor no monodiscurso: o comunismo, que, sem exceção, em todos os lugares onde foi implantado matou e torturou milhares de vezes mais do que a ditadura militar brasileira, seus cantores auto-exilados e seus 293 mortos (incluindo aqueles em combate na guerrilha do Araguaia) ao longo de 20 anos. Como já se disse, antes anos de chumbo do que rios de sangue.

"estamos escolhendo o caminho de garantir segurança para proteger a população rica, convivendo com a violência. Ao invés de encarar o problema da violência, procurando pacificar a sociedade brasileira, optamos pelo gasto de bilhões de reais para a proteção da violência urbana ao redor."

Os cidadãos foram obrigados a proteger a própria vida e a de seus familiares - o que é um direito natural -, porque o governo é, na melhor das hipóteses, omisso. Se escolhe, escolhe apenas, como o correligionário de Cristovam que governou o Rio por dois mandatos, fazer vista grossa para a bandidagem e não proteger sequer seus juízes justos. Os ricos blindam os próprios carros e se escondem em condomínios porque não têm alternativa. Certamente prefeririam ter a porta da sala dando para uma praça agradável, no centro da cidade, sem muros e grades intermediários, e sem a ameaça de mendigos lazarentos intoxicados pelo crack. E os pobres também moram assim. Fazem o máximo que podem. Muitas vezes sequer quintal possuem, os que têm casa. Não há um metro quadrado do lote que não seja coberto e gradeado.

"...(a elite) compra bonecos inflados, para dar a impressão de que há passageiros dentro do carro. As pessoas passam de carro diversas vezes diante das próprias casas, sem parar, para ver se há algum estranho por perto;"

Aqui escandaliza, mais do que a burrice do senador, seu jeito tosco de escrever, dando exemplozinhos bestas, como uma Maria Paula da Revista do Correio a excretar suas indignaçõezinhas banais.

 "inundam as ruas de filmadoras contra os ladrões, mas que acabam com a privacidade de todos..."

Muitos criminosos foram enjaulados aqui e no resto do mundo graças a essas filmadoras que "inundam as ruas". Se não acontecer nada de errado, ninguém as irá consultar. Seria preciso milhões de voyeurs muito desocupados. Assim, não há perda de privacidade a não ser que algo aconteça de anormal. Nelson Rodrigues disse que a televisão matou a janela. Pois bem. Antigamente, as pessoas na janela a observar o movimento na rua, por não terem ainda Gugus e Ratinhos na sala, eram as câmeras que tiravam a privacidade do espaço público. Se acontecesse algo de errado, eram testemunhas. Se não acontecesse, ao menos tinham como fofocar.

"A opção de paz, ao invés de opção de segregação, consiste em menos muros e em mais pontes."

Até imagino o "pontes" dito com aquele sotaquezinho reptiliano... Aqui ele se sente o próprio Martin Luther King, a usar frases de efeito que não significam absolutamente nada. Ora, muros servem para barrar intrusos em locais onde não há polícia eficiente, onde a população acostumou-se a mostrar seu pior lado, estimulada pela impunidade, onde há cumplicidade entre o poder público e criminosos. Com a vitória dos esquerdistas no estatuto do desarmamento, que vige apenas sobre o honesto, porque o malfeitor sempre terá acesso a uma arma, o facínora teme um pouco menos ver o cano de um bacamarte apontado para sua cabeça odiosa quando invade uma casa. Sobrou o muro, ora bolas...

5 comentários:

zefirosblog disse...

Pois é, cantar kumbaya quando se está de fora e sem nenhuma responsabilidade é bastante confortável...

Ao final do texto, eu acrescentaria que além de termos de nos proteger do “criminoso convencional” (apesar do Estado nos tirar as condições para isso), temos também de nos proteger tanto ou mais dos representantes do próprio Estado. Por essas paragens das terras brasilis – para citar o termo cunhado pelo professor Lenio Streck - , policiais, por exemplo, por vezes só se diferenciam dos outros criminosos pelo fato de terem o aparato do Estado (Estado Juiz e Estado Executivo principalmente) ao seu lado. Espanta ver como alguém pode sair às ruas, fortemente armado e com o pretexto de proteger a lei sem conhecer, pasme!, as mesmas leis que pretende preservar. Já tive duas ou três oportunidade de verificar isso pessoalmente, tanto nas ruas como na própria acadêmia. Se a proposta de reforço à educação fosse voltada especialmente aos agentes do Estado, ao menos a bandeira do Senador seria menos ingênua.

M.B.C. disse...

Gostei do artigo do Cristovam. Não se trata de julgar a história para encerrar a questão. Aliás, um dos equívocos bastante comum é o de encerrar questões com um julgamento. O julgamento é uma oportunidade de mudança. Neste caso, o fato de a mudança ser complexa não invalida sua necessidade.

Catellius disse...

Cristovam é um gênio:


CCJ do Senado aprova PEC da Felicidade
Plantão | Publicada em 10/11/2010

BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado acabou de aprovar, em votação simbólica, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) que inclui o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais e constitucionais dos brasileiros, cabendo ao Estado garantir condições para o exercício desse direito.

"São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição", diz o texto da proposta, que propõe nova redação ao artigo 6º da Constituição Federal.

Catellius disse...

Raphael,

" temos também de nos proteger tanto ou mais dos representantes do próprio Estado"

É verdade.
Aqui em Brasília, durante uma greve de policiais, um rapaz recém aprovado em um concurso disputado foi assassinado ao lado da filhinha enquanto tomava um café em uma área nobre da cidade. Policiais comemoraram nas redes sociais, acreditando que o incidente forçaria as autoridades a lhes dar aumento, para retornarem para suas atividades.

Na verdade, não era uma greve mas uma operação tartaruga...

...que já dura quase trinta anos...

zefirosblog disse...

Pois é, em SP não é diferente.

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