11 maio 2012

De Condenador a Completo Inútil


O Homem do Terno Risca de Giz

Era uma rua como muitas outras; lojas no térreo, residências nos pavimentos superiores, de cujas janelas pendiam roupas e mães gritavam às crianças que brincavam pelas calçadas, comerciantes a anunciar seus produtos, os indesejados gatunos de sempre, além de cantores, policiais, mendigos e outros personagens do teatro urbano. Eventualmente, um velho caía e trincava a bacia, uma esposa apanhava do marido. E havia relatos de assassinatos, os quais, contudo, eram bem raros.

Certo dia, um homem de terno risca de giz, chapéu homburg e sapatos bicolores foi de loja em loja oferecer proteção contra os gatunos, que, segundo dizia, sem tirar o charuto da boca, seguiam agora um líder cujo propósito era destruir todas as lojas sem nada lhes subtrair, por simples vandalismo. A proteção tinha um preço, logicamente, para cobrir os custos.

Os comerciantes avaros que se recusaram a pagar pela proteção tiveram seus estabelecimentos destruídos, e os que resistiram foram friamente espancados ou mortos. Malvados gatunos.

Em outras paragens a vida seguiu normalmente por um tempo, até o dia em que não havia um local no país que não dependesse da abnegada assistência do homem do terno risca de giz. Em outros países, homens como ele protegiam seus concidadãos, o que o irritava um pouco, pois queria ser o único protetor do mundo.

O Homem da Túnica de Lã de Ovelha

Qual deus criaria homens para enviá-los todos ao sofrimento eterno, bons e maus, por não adorarem seu filho, único caminho para a salvação mas que ainda não lhes fora apresentado? Antes de Jesus, bastava ser bom na Terra para adentrar o paraíso. Deixemos de lado os deturpadores da Bíblia, que afirmam que naquela época não existia vida após a morte.

Após milhares de anos tentando debalde tirar os pecados do mundo com chuvas de fogo, dilúvios e pragas, Javé enviou seu único filho para morrer pela humanidade, na sua derradeira tentativa de salvá-la. Jesus revelou aos homens ser o único caminho até o paraíso, e que aqueles que não o aceitassem padeceriam eternamente no inferno, ainda que fossem bons. Jesus, destarte, inaugurou a modalidade do bom que vai para o inferno.

Nos locais cujos habitantes ainda não conheciam o amor cristão, se um justo morria, Jesus lhe dava então a oportunidade de aceitá-lo, o que, convenhamos, é estar em uma situação muito mais cômoda do que a nossa, aqui às cegas, uma vez que já se está no além-vida e seria burrice continuar cético ou adorar um deus diverso daquele manifestado. Seria de uma crueldade de fazer inveja a Lúcifer Javé enviar milhões de chineses para o inferno, sumariamente, mesmo depois de Cristo, apenas porque um missionário ainda não lhes anunciara a Boa Nova.

Enganou-se, portanto, Javé, pois Jesus acabou vindo como Condenador, não como Salvador. Repetindo, veio única e exclusivamente para condenar bons, uma vez que antes dele os bons já estavam salvos e os maus condenados. Lembra-me um pouco o homem de terno risca de giz do princípio do post.

Mas eis que chega o Concílio Vaticano II, segundo (perdoem-me o eco) católicos conservadores o torpe fruto da infiltração protestante, maçom e judaica no seio da Santa Madre Igreja. Com ele, Jesus passa de Condenador a um completo inútil. Vejamos um capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium:

Relação da Igreja com os não-cristãos
16. Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e connosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demónio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões.

 Pelo que entendi então, Jesus é quem salva. Passou a salvar até quem não crê nele, o único caminho. O que não se faz pela clientela...

No fim das contas, voltou a ser tudo como era antes da vinda do Rabi de Nazaré. Que confusão dos infernos!

12 comentários:

Marcelão disse...

Existe apenas um Deus.
Este Deus é Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Ele é o criador do mundo e de cada ser humano, independentemente de sua religião.
Como diz São Paulo na carta aos Romanos, todos pecaram e todos foram privados da glória de Deus (Rm 3,23).
O homem não pode salvar a si mesmo; somente Deus pode fazê-lo, e escolheu fazê-lo através da encarnação do Filho, o Verbo Eterno, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, por isso mesmo único mediador entre Deus e o homem: Jesus Cristo.
Ele, portanto, sendo Deus, é o único salvador da humanidade: é o salvador de Moisés, que veio "antes dele" no tempo, tanto quanto do Padre Pio, que viveu quase 2000 "depois" dele. Para Deus não existe o tempo.
O próprio São Paulo, na carta aos Romanos, diz que os pagãos também podem se salvar, quando seguem a própria consciência, pois ao procurarem agir corretamente estão buscando o bem, ainda que não tenham sido beneficiados pela revelação que Deus fez de si mesmo.
Aliás, aqui está um ponto crucial. Na maioria das religiões, o homem, pela investigação de si mesmo, da natureza, etc., tenta conhecer a Deus.
No judaísmo, Deus escolhe um povo para, através dele, revelar-se ao mundo inteiro.
No seio deste povo, envia ao mundo o seu Filho Único, Jesus Cristo, o salvador da humanidade. Jesus, portanto, veio não só para os judeus, nem só para os cristãos, mas para toda a humanidade.
A Igreja é o corpo de Cristo e o próprio Cristo é a cabeça, na imagem utilizada por São Paulo.
Assim, a Igreja não existe como algo separado de Cristo, mas está intimamente ligada a Ele. Se a missão dele é salvar toda a humanidade, esta é também a missão da Igreja.
Assim, um pagão que não teve a felicidade de receber o anúncio de Cristo e, sem culpa, não o conhece, ao agir retamente de acordo com a própria consciência, pode ser salvo. Mas quem o salvará? Cristo, é claro, o único salvador.
Se alguém conhece a Cristo, mas o rejeita, aí já é outra história. Existe aí uma rejeição voluntária de Deus, e a responsabilidade da pessoa aumenta muito. Só Deus, em sua sabedoria, justiça e misericórdia é que pode julgar esta alma.
Mas voltando às pessoas de coração reto: o seu reto proceder indica que teriam aceitado Jesus, caso tivessem tido a felicidade de conhecê-lo. De qualquer forma, ao morrerem eles se encontrarão com Jesus Cristo, e se o seu coração sempre pendeu para o bem e escolheu este caminho, eles certamente se alegrarão na presença de Jesus e, na oportunidade derradeira que Deus nos dá de escolher se ficaremos perto dele (o céu) ou longe dele (o inferno), essas pessoas escolherão ficar junto de Deus.
A missão da Igreja é levar esta salvação ao mundo inteiro. E ser salvo significa estar inserido no corpo de Cristo. Portanto, neste sentido, podemos dizer como um santo (cujo nome não me recordo): "Fora da Igreja não há salvação". Não no sentido de que ninguém que não seja católico apostólico romano possa salvar-se, mas no sentido de que, se um budista foi salvo, foi salvo por Cristo e, ipso facto, faz parte do Seu corpo, e a Igreja é o corpo de Cristo. Portanto, quem se salva, salva-se dentro da Igreja.

Alessandro disse...

Uma vez tive um debate com um amigo, via email, pois ele insistia em me converter ao cristianismo (ele é evangélico), e, o proselitismo apoiado no medo do inferno é uma das coisas que mais detesto em algumas formulações de alguns cristãos. Não usei nada fora da Bíblia. Chegou a um momento em que não poderia mais argumentar sem usar argumentos de fora, o que tinha dito que não faria. Na verdade, poderia ainda citar a frase que aparece em uma das Cartas de João de que Jesus havia morrido não só pelos nossos pecados mas pelos do mundo inteiro. se joão estava escrevendo para cristãos, o que significa falar não só pelos NOSSOS pecados? Mas não quis usar esse argumento, pois um evangélico facilmente citaria outra passagem ao invés de ver o texto todo, ou todo o Novo Testamento.
Abraço,
Alessandro

Catellius disse...

"Mas voltando às pessoas de coração reto: o seu reto proceder indica que teriam aceitado Jesus, caso tivessem tido a felicidade de conhecê-lo."

Interessante.

Se são bons, são cristãos em potencial. Se não se converterem é porque na verdade não eram bons.

Fogueira neles!

Anônimo disse...

E o que dizer dos ensinamentos de Jesus? Choveram no molhado?????

Antônio Fonseca disse...

Esta imagem resume seu post.

MBC disse...

Sobre o link do comentário anterior, do esquimó:

A piadinha é engraçada e põe a nu o beco sem saída que é a ideia de virmos a ser recompensados ou punidos, da maneira como isto é tradicionalmente colocado. Entretanto, se pensarmos sob outra ótica, poderia resultar outra história:
Esquimó: Entre aqui no meu iglu, caso contrário você morrerá de frio!
Missionário: Eu não sabia disso!
Esquimó: Sabendo ou não, se passar a noite ao relento você morre.

O ensinamento dos mestres jamais deveria ser visto como sendo uma ameaça, mas como uma fonte. A água sozinha não resolve o problema de minha sede. É preciso que meu organismo interaja com ela, que é o que acontece quando a bebemos. O corpo sabe o que fazer, mesmo que o córtex não esteja no comando do processo. Parte da água é assimilada; parte vira mijo e volta para a natureza. A parte dos ensinamentos que meu ser assimila é aproveitada. A outra parte...
A luz do sol promove a vida e produz câncer... Os filtros adequados nos ajudam. Adequados são os que deixam passar o que necessitamos e afastam o que nos prejudica. A dificuldade com os filtros mentais é nem sempre sabermos se estamos separando o joio do trigo ou engolindo sapo por lebre. Cabe a cada um fazer o melhor que puder.

AC disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Catellius disse...

"E o que dizer dos ensinamentos de Jesus? Choveram no molhado?????"

Jesus: "Amarás o próximo como a ti mesmo"

Confúcio, 600 anos antes, disse:
"não faça aos outros o que não quer que seja feito a você"

Jesus: "bem-aventurados os pobres de espírito (humildes)"
Confúcio: "A humildade é a única base sólida de todas as virtudes"

Jesus: "perdoar 70 × 7 (sempre)" "dar a outra face"

Lao-Tsé, uns 700 anos antes, disse:
"Pagai o mal com o bem, porque o amor é vitorioso no ataque e invulnerável na defesa"

Jesus: "Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem"
Sócrates, 400 anos antes: "Não penses mal dos que procedem mal; pensa somente que estão equivocados"

Jesus: "bem aventurados os que creem sem ver"
Confúcio: "Aprender sem pensar é tempo perdido" (melhor)
Sócrates, 400 anos antes, disse: "uma vida sem questionamentos não vale a pena ser vivida" (muito melhor)

Jesus: "Não julgueis, para que não sejais julgados" - o famoso e terrível rabo preso, telhado de vidro...
Confúcio, Sócrates, Lao-Tsé e uma miríade de mestres estóicos, epicuristas, JAMAIS diriam sandices desse tipo. É um ensinamento terrível! Todos mestres ensinavam a julgar com justiça.

Jesus partiu para a violência contra os vendilhões do templo
Confúcio, Sócrates, Lao-Tsé e uma miríade de mestres estóicos, epicuristas, JAMAIS fariam sandices desse tipo

Jesus ameaçava com o sofrimento eterno, ameaçava com choro e ranger de dentes, com uma fúria vinditiva contra os que não davam ouvidos aos seus ensinamentos: "serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação ao inferno?" E é fornalha pra lá, choro e ranger de dentes pra cá. "Melhor é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga". E amaldiçoa até uma pobre figueira...
Confúcio, Sócrates, Lao-Tsé e uma miríade de mestres estóicos, epicuristas, JAMAIS diriam sandices desse tipo. Sócrates era sempre suave e cortês para com aqueles que não queriam ouvi-lo e que dele discordavam.

Jesus dizia: "não resistais ao mau"
Confúcio, Sócrates, Lao-Tsé e uma miríade de mestres estóicos, epicuristas, JAMAIS diriam sandices desse tipo. Ensinamentos impossíveis de serem seguidos, contra a espécie humana, serviram apenas para criar pecadores (e para os donos da religião administrarem as absolvições...).

Catellius disse...

Créditos:

"com uma fúria vinditiva contra os que não davam ouvidos aos seus ensinamentos"

Esqueci-me de dizer que estas exatas palavras foram usadas por Bertrand Russel no seu "Por que não sou Cristão"

Anônimo disse...

Porque outros disseram coisas semelhantes para outros povos não tira o valor das colocações de Jesus, que são perfeitas.


"bem aventurados os que creem sem ver"

Eu acredito que, aqui, eles se refiram a coisas diferentes. Confúcio e Sócrates falam de espírito crítico e de questionamentos, o que certamente é válido. Jesus fala de fé. Às vezes, chegamos a um ponto em que não é possível se avançar em um determinado tema apenas pela razão ou pela ciência, até porque se trata de questão que não pode ser provada ou aferida. Nessa situação, ou se acredita ou não se acredita. É fé. Quem acredita, acredita sem ver, ou seja, sem ter provas a esse respeito.
A Igreja não prega que não se deve ter espírito crítico, ou questionar. Veja o que escreveu São Paulo, na 1ª epístola aos Tessalonicenses, versículo 21: “Examinai tudo: abraçai o que é bom”. Examinar tudo é, justamente, passar tudo pelo crivo da razão, fazendo juízo de valor, após o quê se deve descartar o que não presta e ficar com o que é bom, o que está perfeito. Você comparou afirmações que falam de coisas diferentes. Veja, por exemplo, outra frase de Jesus: ”Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo? Lc 12,57”

"Não julgueis, para que não sejais julgados"

Não acho isso uma sandice. Acredito que o ensinamento é perfeito. Mais uma vez, você não está avaliando o contexto em que as frases foram ditas. Veja outras frases de Jesus: “Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça”. Jo 7,24
“Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém”. Jo 8,15

"violência contra os vendilhões do templo"

Bem, a doutrina ensina justamente que Jesus era Deus e homem. Como homem, entende-se sua atitude. De toda forma, essa passagem também já me causou estranheza. Mas eu não me preocupo com isso.

"Jesus ameaçava com o sofrimento eterno"

Mais uma vez, o contexto não é analisado. Ninguém, mais do que Jesus, pregava que Deus é amor. Assim, não buscava atrair as pessoas pelo medo, mas pelo amor e pelo perdão. Veja a pecadora, que ia ser apedrejada. Ele simplesmente a perdoou, e a atraiu para si por esse motivo, e não por ameaças. Não a julgou (e aqui confirma que o julgamento antes referido não se trata de espírito crítico).

"não resistais ao mau"

Não é sandice. Aqui se trata, mais uma vez, de dar a outra face.

Lu

Anônimo disse...

"Enganou-se, portanto, Javé, pois Jesus acabou vindo como Condenador, não como Salvador. Repetindo, veio única e exclusivamente para condenar bons, uma vez que antes dele os bons já estavam salvos e os maus condenados"

...Show de bola!!!

Preciso ler mais os artigos daqui.
Percebo que os artigos continuam ouro puro. Certamente que pela sinceridade de expor idéias sem nenhum outro objetivo. É claro que isso só faz brilhar mais a inteligência genuina.

Excelente post, certeiro nos argumentos.

Bom, deixando as sedas de lado (são sinceras mesmo), chamou-me a atenção alguém nos comentários advogar contextos e informar outras passagens em contrario para defender determinada contextualização.

Assim, devo realçar que o mandamento "não matar" também é contexto, pois que se refere apenas a não matar dentre os amigos, da mesma forma que também há passagens do VT onde Javé recomenda não escravizar membrios da própria tribo, só os outros. Afinal, o que Javé mais faz na biblia é mandar matar, chegando ao absurdo de castigar o guerreiro que poupou mulheres. Embora em outras passagens javé tenha mandado poupara as virgens para uso.

O que podemos ver através de uma boa análise não é contextualização alguma, mas sim um amontoado de EFETIVAS CONTRADIÇÕES sacadas ao sabor do momento para aliciar interesseiros. Afinal, como a bíblia esta repleta de ditos e desditos, TUDO PODE SER INVOCADO, pois assim há "mercadoria" para todos os gostos. Porém o mais curioso e que se pode perceber é que a união do VT ao NT perfaz uma combinação perfeita:

Por um lado apoia a tirania, o dominio pela força e mesmo o exterminio de divergentes. Ao mesmo tempo, por outro lado, proibe a reação, incentivando a capitulação, a submissão, a resignação, o arbitrio do valor moral (nada a ver com ética) do sofrimento, da obediencia cega e da servidão.

Ora, assim, aqueles que ambicionam dominar, perseguir, explorar encontram tanto argumentos para suas ambições quanto para exigir a submissão alheia. Essa é a grande sacada do cristianismo: em meio a inúmeras contradições gritantes, o freguês escolhe o que bem lhe aprouver. Daí o sucesso do embuste e a percepção de que a contradição comanda o mundo.

Houvesse alguma realidade em tal ideologia (idéias como receita para se atingir a salvação num futuro incerto. Idéias aleatórias, sem nexo ou principios, meramente advogadas em nome de um objetivo supremo-redentor, a salvação ou um Nirvana/paraíso qualquer)
...se houvesse verdade em tal ideologia o que mais salta aos olhos é a idiotice de um deus que sacrifica o filho (que sobe aos céus de corpo e alma - corpo/matéria??? no céu???). Oq explicaria?

Que o deus ofereceu a si mesmo o máximno sacrificio: o próprio filho. ...mas pq um deus aprecia sacrificios??

Se o filho veio apenas pregar para salvar, não carecia que fosse sacrificado. Aliás, seria mais eficiente que na terra permanecesse para que todos nele pudessem crer como filho de deus.

Do jeito que foi (alega-se), o deus mostra pouco inteligente, pois que não quer que se aceite Jesus como seu filho, mas sim que se aceite a palavras de homens iguais aqueles que, pela palavra, inventam deuses aos montes. Seria o caso de crermos em Atlas? Odin? Thor? Kulkucan (Quetzalcóatl)?

Enfim, ninguém, cre em JC, mas em homens cheios de interesses e delirios que divulgaram uma lenda que adotada pelo império, foi imposta a ferro e fogo. Sim, o cristianismo teria já se evaporado caso o Império romano não o tivesse imposto através de perseguições com expropriações, tortura e matanças com requintes de crueldade àqueles que ousassem falar contra tal "verdade".

Não fosse a matança, o terror, e o cristianismo já estaria ha mais de mil anos enterrado e não passaria de um conto da carochinha que mesmo multiplicado em inumeras versões nem mesmo seria mencionado há séculos. Tão cheio de contradições e absurdidades que é.

Abração
C. Mouro

Catellius disse...

Obrigado pelo excelente comentário, Mouro!
Abraços

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